A presidente Dilma Rousseff (PT) foi vaiada nesta quinta-feira (20) em
Belém ao subir no púlpito para fazer um discurso sobre investimentos
federais em projetos de mobilidade urbana na capital paraense.
Devido ao protesto, Dilma abriu o discurso dizendo que "respeitava o
direito de opinião dos brasileiros" e ressaltou que "o país vive na
democracia". O governador do Pará, Simão Jatene, e o prefeito de Belém,
Zenaldo Coutinho, ambos do PSDB, também receberam vaias.
Um grupo composto por cerca de 45 manifestantes protestou porque não foi
incluído no programa federal de habitação Minha Casa, Minha Vida. No
auditório, havia cerca de 550 pessoas. De acordo com um dos
manifestantes, Floriano Vieira, 36, os moradores do bairro de Jurunas
tiveram suas casas desapropriadas para ampliação de uma pista em 2008.
A promessa, segundo ele, é que seriam incluídos agora no programa de
habitação, o que Vieira afirma não ter ocorrido. "Eles nos pagam R$ 450
como forma de compensar o problema, mas é muito pouco. Só meu aluguel
hoje é R$ 600", diz Vieira.
Outro manifestante, Andrei Guilherme, 37, relatou que, durante o
protesto, seguranças da Presidência ameaçaram expulsá-los do auditório
caso não silenciassem as vaias. "No fim do evento conseguimos entregar
um documento para a presidente contendo nossas reivindicações, mas
duvido que ela vá ler", disse. Os seguranças da Presidência negaram à
reportagem que tenham ameaçado expulsar os manifestantes.
GAFE
Durante sua fala, como tem sido usual nos eventos presidenciais, Dilma
destacou a importância dos programas sociais do seu governo, como
Pronatec, Minha Casa, Minha Vida e Mais Médicos.
Durante o discurso, porém, a presidente cometeu uma gafe ao trocar o
nome do Estado do Pará pelo Ceará. Ao perceber o incômodo da plateia, se
desculpou prontamente. "Quis dizer Pará... Desculpa gente. É porque
ontem vim do Ceará", disse, em referência a viagem a Fortaleza e Sobral realizada ontem.
Adversário político de Dilma, o tucano Simão Jatene fez afagos à
presidente, a quem elogiou "pelo espírito republicano" de investir
recursos federais mesmo em Estados que não são da base aliada. Outro
rival, o prefeito Zenaldo Coutinho elogiou o incentivo da União aos
projetos de mobilidade urbana.
MARABÁ
Em Marabá (PA), onde Dilma foi entregar máquinas a prefeitos e lançar a
licitação de uma obra, as vaias se concentraram em Jatene (PSDB), e
chegaram a interromper seu discurso. Ele comentou: "Eu acho isso
fantástico na democracia".
A presidente, porém, saiu em sua defesa. "Brigar a gente tem que brigar,
pela democracia, contra a desigualdade, mas eu quero dizer para vocês,
também temos que lutar para que todas as pessoas tenham o direito de
falar, tenham o direito de externar sua opinião".
Jatene teve sua popularidade desgastada no sudeste do Pará desde a época
do plebiscito para a divisão do Estado, no fim de 2011, quando ele se
posicionou contra os novos Estados, provocando insatisfação na população
do sudeste, onde seria criado o Estado de Carajás.
DA FOLHA-SP
PAZ AMOR E VIDA NA TERRA " De tanto ver triunfar as nulidades, De tanto ver crescer as injustiças, De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto". [Ruy Barbosa]
quinta-feira, 20 de março de 2014
Executivos rebatem versão de Dilma sobre a Petrobras
A presidente Dilma Rousseff e todos os demais membros do Conselho de Administração da Petrobras tinham à sua disposição o processo completo da proposta de compra da refinaria em Pasadena (EUA), segundo dois executivos da estatal ouvidos pela Folha.
Na documentação integral constavam, segundo os relatos, cláusulas do contrato que a petista diz que, se fossem conhecidas à época, "seguramente não seriam aprovadas pelo conselho" da estatal.
Reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo" trouxe ontem a informação de que Dilma, na época presidente do Conselho de Administração da Petrobras, votou a favor da compra de 50% da refinaria em 2006, pelo valor total de US$ 360 milhões.
Em resposta ao jornal, ela justificou que só apoiou a medida porque recebeu "informações incompletas" de um parecer "técnica e juridicamente falho".
O episódio gerou mal-estar na Petrobras, tensão no Executivo e corrida no Congresso para a aprovação de uma CPI em pleno ano eleitoral para investigar o caso.
A compra da refinaria é investigada pelo Tribunal de Contas da União, Ministério Público do Rio e pela Polícia Federal. A principal polêmica é o preço do negócio: o valor que a Petrobras pagou em 2006 à Astra Oil para a compra de 50% da refinaria é oito vezes maior do que a empresa belga havia pago, no ano anterior, pela unidade inteira.
Além disso, a Petrobras ainda teve de gastar mais US$ 820,5 milhões no negócio, pois foi obrigada a comprar os outros 50% da refinaria. Isso porque a estatal e a Astra Oil se desentenderam e entraram em litígio. Havia uma cláusula no contrato, chamada de "Put Option", estabelecendo que, em caso de desacordo entre sócios, um deveria comprar a parte do outro.
| Editoria de Arte/Folhapress |
Dois executivos da Petrobras ouvidos pela Folha afirmam que o parecer distribuído aos conselheiros não tratava especificamente das duas cláusulas porque se limitava a fazer uma defesa do negócio em si, considerado lucrativo em 2006 pelo governo e pela Petrobras.
Mas o "procedimento normal" de todos os encontros do conselho da estatal, segundo esses integrantes, prevê que, além do resumo executivo, os conselheiros também tenham à disposição o processo completo para análises antes e durante a reunião.
"Ela [a presidente] poderia ter lido todo o processo mas, pelo visto, ficou só no resumo executivo", disse um dos integrantes da estatal, que pediu anonimato.
Além disso, funcionários da estatal afirmam que a existência da cláusula chamada de "Put option" é comum em contratos internacionais.
Responsável pelo resumo executivo que embasou a decisão de 2006 do conselho, Nestor Ceveró, então diretor da área internacional, está sendo pressionado pelo governo a pedir demissão de seu atual cargo de diretor financeiro da BR Distribuidora. Uma possível saída do executivo, seis anos depois do episódio, alimentou a avaliação de que o governo busca um culpado pela compra, hoje tida como um "mau negócio".
O Planalto informou à Folha que a presidente só teve conhecimento das duas cláusulas que elevaram o preço do negócio em 2008. Questionado se ela não requisitou o processo completo, o governo informou simplesmente que "ela não teve acesso".
A Petrobras não quis fazer comentários oficiais sobre o caso. Tanto a atual presidente da Petrobras, Graça Foster, como seu antecessor, José Sérgio Gabrielli, que comandava a estatal na época do negócio, defenderam a operação no Congresso em pelo menos três ocasiões em 2013.
Em maio do ano passado, Foster afirmou que o debate no Conselho de Administração da Petrobras é sempre intenso e a preparação para uma reunião toma "semanas de discussão". Foster não era titular do conselho na época da compra, mas afirmou que participou de algumas reuniões nos últimos 15 anos como "assistente".
DA FOLHA-SP
quarta-feira, 19 de março de 2014
É do balacobaco. Já contei a história aqui em detalhes. Só que o que o
vem a público agora, em reportagem do Estadão, é ainda mais grave. A
síntese é a seguinte: em 2005, a empresa belga Astra Oil comprou uma
refinaria chamada Pasadena Refining System por US$ 42,5 milhões. Em
2006, vendeu 50% da refinaria à Petrobras por US$ 360 milhões. Para
tornar a usina operacional, era necessário investir mais US$ 1,5 bilhão,
conta que seria dividida entre a Petrobras e a Astra. O contrato previa
que, se os sócios se desentendessem, a gigante brasileira seria
obrigada a comprar a outra metade. Eles se desentenderam, e os belgas
resolveram executar o contrato: pediram US$ 700 milhões por sua parte. A
Petrobras não quis pagar, os belgas foram à Justiça e os brasileiros
tiveram de ficar com a outra metade da sucata por US$ 839 milhões. Soma
total do prejuízo: US$ 1,204 bilhão. A refinaria está parada, dando um
custo milionário, todo mês, de manutenção.
Pois é…
Até esta quarta, pensava-se que Dilma, que era ministra da Casa Civil e
presidente do Conselho de Administração da Petrobras, não soubesse de
nada à época. Prosperou a versão de que a negociação havia sido feita
sem a sua anuência. Errado! Ela não só sabia como votou a favor da
compra. Agora diz que ignorava a obrigação da Petrobras de ficar com a
outra metade da empresa. Com a devida vênia, trata-se de uma cascata. E
QUE SE NOTE: QUANDO A PETROBRAS COMPROU POR R$ 360 MILHÕES METADE DE UMA
EMPRESA PELA QUAL OS BELGAS HAVIAM PAGADO R$ 45 MILHÕES — E DILMA
CONCORDOU! —, JÁ SE TRATAVA DE UM ESCÂNDALO. AFINAL, SÓ NESSA OPERAÇÃO,
SEM QUE SE REFINASSE UM BARRIL DE PETRÓLEO, OS BELGAS OBTIVERAM UM LUCRO
DE 1.500% EM MENOS DE UM ANO.
Mais: o
homem que negociou com a Petrobras em nome dos belgas é Alberto
Feilhaber, um brasileiro que já havia trabalhado na… Petrobras por 20
anos e que se transferira para o escritório da Astra, no EUA. Quem
preparou o papelório para o negócio foi Nestor Cerveró, à frente da área
internacional da empresa brasileira.
Essa
compra escandalosa é hoje investigada pela Polícia Federal, pelo
Ministério Público Federal, pelo Tribunal de Contas da União e, em
breve, por uma comissão do Congresso.
Imaginava-se,
até esta quarta, que tudo era mesmo culpa de José Sérgio Gabrielli,
ex-presidente da empresa, de quem Dilma nunca gostou muito. Agora, a
gente descobre que a soberana sempre soube de tudo, não é mesmo? Parece
que Gabrielli cansou de levar a culpa sozinho. Abaixo, uma síntese do
escândalo, que tem, sim, as digitais de Dilma. Pois é… Lembro do
candidato Lula, em 2002 e em 2006 e da candidata Dilma, em 2010,
acusando os tucanos de querer privatizar a Petrobras, o que nunca
aconteceu. Eles não privatizaram. Prefeririam quebrar a empresa. A
Soberana assumiu o mandato com a ação da empresa valendo R$ 29. Está
sendo negociada agora a R$ 12,60.
*
1: Em janeiro de 2005, a empresa belga Astra Oil comprou uma refinaria americana chamada Pasadena Refining System Inc. por irrisórios US$ 42,5 milhões. Por que tão barata? Porque era considerada ultrapassada e pequena para os padrões americanos.
*
1: Em janeiro de 2005, a empresa belga Astra Oil comprou uma refinaria americana chamada Pasadena Refining System Inc. por irrisórios US$ 42,5 milhões. Por que tão barata? Porque era considerada ultrapassada e pequena para os padrões americanos.
2: ATENÇÃO
PARA A MÁGICA – No ano seguinte, com aquele mico na mão, os belgas
encontraram pela frente a generosidade brasileira e venderam 50% das
ações para a Petrobras. Sabem por quanto? Por US$ 360 milhões! Vocês
entenderam direitinho: aquilo que os belgas haviam comprado por US$ 22,5
milhões (a metade da refinaria velha) foi repassado aos “brasileiros
bonzinhos” por US$ 360 milhões: 1.500% de valorização em um aninho. A
Astra sabia que não é todo dia que se encontram brasileiros tão
generosos pela frente e comemorou: “Foi um triunfo financeiro acima de
qualquer expectativa razoável.”
3: Um dado
importante: o homem dos belgas que negociou com a Petrobras é Alberto
Feilhaber, um brasileiro. Que bom! Mais do que isso: ele havia sido
funcionário da Petrobras por 20 anos e se transferiu para o escritório
da Astra nos EUA. Quem preparou o papelório para o negócio foi Nestor
Cerveró, à frente da área internacional da Petrobras. Veja viu a
documentação. Fica evidente o objetivo de privilegiar os belgas em
detrimento dos interesses brasileiros. Cerveró é agora diretor
financeiro da BR Distribuidora.
4: A
Pasadena Refining System Inc., cuja metade a Petrobras comprou dos
belgas a preço de ouro, vejam vocês!, não tinha capacidade para refinar o
petróleo brasileiro, considerado pesado. Para tanto, seria preciso um
investimento de mais US$ 1,5 bilhão! Belgas e brasileiros dividiriam a
conta, a menos que…
5: A menos
que se desentendessem! Nesse caso, a Petrobras se comprometia a comprar
a metade dos belgas — aos quais havia prometido uma remuneração de 6,9%
ao ano, mesmo em um cenário de prejuízo!!!
6: E não é
que o desentendimento aconteceu??? Sem acordo, os belgas decidiram
executar o contrato e pediram pela sua parte, prestem atenção, outros
US$ 700 milhões. Ulalá! Isso foi em 2008. Lembrem-se de que a estrovenga
inteira lhes havia custado apenas US$ 45 milhões! Já haviam passado
metade do mico adiante por US$ 360 milhões e pediam mais US$ 700 milhões
pela outra. Não é todo dia que aparecem ou otários ou malandros, certo?
7: É aí
que entra a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, então
presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Ela acusou o
absurdo da operação e deu uma esculhambada em Gabrielli numa reunião.
DEPOIS NUNCA MAIS TOCOU NO ASSUNTO.
8: A
Petrobras se negou a pagar, e os belgas foram à Justiça americana, que
leva a sério a máxima do “pacta sunt servanda”. Execute-se o contrato. A
Petrobras teve de pagar, sim, em junho deste ano, não mais US$ 700
milhões, mas US$ 839 milhões!!!
9: Depois
de tomar na cabeça, a Petrobras decidiu se livrar de uma refinaria
velha, que, ademais, não serve para processar o petróleo brasileiro. Foi
ao mercado. Recebeu uma única proposta, da multinacional americana
Valero. O grupo topa pagar pela sucata toda US$ 180 milhões.
10: Isto
mesmo: a Petrobras comprou metade da Pasadena em 2006 por US$ 365
milhões; foi obrigada pela Justiça a ficar com a outra metade por US$
839 milhões e, agora, se quiser se livrar do prejuízo operacional
continuado, terá de se contentar com US$ 180 milhões. Trata-se de um dos
milagres da gestão Gabrielli: como transformar US$ 1,204 bilhão em US$
180 milhões; como reduzir um investimento à sua (quase) sétima parte.
11: Graça
Foster, a atual presidente, não sabe o que fazer. Se realizar o negócio,
e só tem uma proposta, terá de incorporar um espeto de mais de US$ 1
bilhão.
12: Diz o
procurador do TCU Marinus Marsico: “Tudo indica que a Petrobras fez
concessões atípicas à Astra. Isso aconteceu em pleno ano eleitoral”.
Por Reinaldo Azevedo
segunda-feira, 17 de março de 2014
Verdades devem ser divulgadas, doa a quem doer...Os 5 Generais Presidentes. O BRASIL ELEVOU-SE DA 41a. PARA 8a. MAIOR ECONOMIA DO MUNDO. O REGIME MILITAR SALVOU O BRASIL DA DECADÊNCIA COMUNISTA!
Saiba muito mais visitando o site nos tempos Militares. Contra Sequestro da história ( aqui )
Verdades devem ser divulgadas, doa a quem doer...Os 5 Generais Presidentes
“Intervenção militar” viraliza na internet, facebook e google respondem com centenas de milhares de resultados. Hashtag #marchadafamilia22 sobe rapidamente em menções no twitter.
O milagre nas redes faz com que cidadãos normais, antes sem
expressividade política alguma, se tornem os novos formadores de opinião da
grande rede. Cristina Peviane, Isabela Trevisani, Maria Araujo e outros tantos
conseguiram o que há poucos anos seria impossível, eles mobilizaram todo o
Brasil em torno das comemorações do Cinquentenário da Intervenção militar de 31
de março de 1964. No Google de hoje, 15/03/2014, a busca “marcha da família” e
“2014” surpreendeu a todos, ela retorna mais de 500 mil resultados. O número
supera, em pleno ano de eleição, a busca para “Partido dos trabalhadores”.
Durante a semana tivemos informação que várias dessas pessoas foram
procuradas por grandes veículos de comunicação como Globo e Jornal Estado de
São Paulo, sinal concreto de que a imprensa se prepara para uma grande
movimentação.
A análise das redes sociais é hoje um indicativo indispensável para o
conhecimento da movimentação e interação entre os atores sociais. A crise na
Ucrânia, por exemplo, primeiro cresceu nas redes, e quando foi para as ruas já
era gigantesca. Dois dias antes da queda do presidente ucraniano a movimentação
alcançou seu ápice, as hashTags tiveram papel essencial na divulgação do evento
e aferição da mobilização. O acompanhamento das redes hoje é essencial, e é
feito tanto pelos organizadores quanto pelos órgão de imprensa. http://sociedademilitar.com.br
LOCAIS DE REFERÊNCIA PARA A MARCHA CÍVICA DO DIA 22 DE MARÇO EM TODO O BRASIL
ATENÇÃO PARA OS LOCAIS DE REFERÊNCIA PARA A "MARCHA CÍVICA" DO DIA 22 DE MARÇO EM TODO O BRASIL. CONSULTE AQUI O LOCAL DOS EVENTOS NA SUA CIDADE:
Data: 22 DE MARÇO DE 2014 ÀS 15:00 HORAS
ESTAMOS JUNTOS *MARCHA DAS FAMÍLIAS COM DEUS*
Grupo organiza nova edição de passeata anticomunista de 64. Ativistas usam redes sociais da internet para convocar 'Marcha da Família com Deus' em mais de 200 cidades
GABRIELA TERENZI - FOLHA PODER
DE SÃO PAULO
LUCAS VETTORAZZO
DO RIO
DE SÃO PAULO
LUCAS VETTORAZZO
DO RIO
Eles acreditam que há uma revolução comunista em curso
no país, são contra a corrupção e o aparelhamento do Estado, utilizam as redes
sociais para fazer oposição ao governo do PT e aliados e enxergam a intervenção
militar como única solução.
Esse é o perfil, ainda que genérico, dos ativistas que
pretendem, no próximo sábado, realizar a 'Marcha da Família com Deus' em São
Paulo, no Rio e em outras cerca de 200 cidades.
Até a conclusão desta edição, mais de 3.000 pessoas haviam confirmado presença
em um dos eventos convocados pelo grupo no Facebook.
O ato será uma reedição da Marcha da Família com Deus
pela Liberdade que, em 19 de março de 1964, reuniu cerca de 200 mil pessoas em
São Paulo. Sob o argumento da "ameaça comunista", eles pediam a deposição
do presidente João Goulart.
As ideias para a próxima marcha misturam antigos
temores ("um golpe comunista marcado para esse ano") com novos atores
("o PT, com o apoio de partidos de esquerda, da Mídia Ninja").
A principal reivindicação é uma intervenção militar, cujos objetivos seriam
acabar com a corrupção, retirar do poder políticos considerados corruptos,
promover a moralização dos três Poderes e, posteriormente, convocar novas
eleições para a criação de um governo constituído apenas por "fichas limpas".
Bruno Toscano Franco, um dos organizadores da nova 'Marcha da Família', que será realizada no dia 22 de março
O
que aconteceria após a tomada do poder e quem seria a nova classe
política a comandar o país, porém, não parece claro para a organização,
que se diz apartidária.
"Seria constituído um governo provisório, de três meses, e eles
convocariam novas eleições, mas em urnas que não sejam fraudadas",
explica o organizador Bruno Toscano, 40, que diz não confiar nos atuais
equipamentos eletrônicos e, por isso, anula seu voto há quatro eleições.
Questionado sobre quem poderia compor esse novo governo, Toscano diz
achar difícil citar nomes. Para ele, "nenhum político que está aí serve
para alguma coisa", embora admita que a mudança passaria pela estrutura
clássica dos partidos.
Outra organizadora da marcha, Cristina Peviani, 51, partilha da opinião
de "que tudo o que está aí é ruim". Embora tivesse apenas dois anos
quando o regime foi instaurado, Peviani fala com indisfarçável
saudosismo do período militar, que não considera ditadura.
"Eu não vi nenhum general morrer milionário. As escolas públicas eram de ótima qualidade e havia respeito à família e à ordem."
Questionada sobre práticas como tortura e perseguição a opositores do
regime militar, Peviani afirma não concordar com os métodos, mas deixa
claro acreditar que o país vivia em guerra.
"Eu nem sei se eles adotaram isso [a tortura]. Porque o pessoal que diz
que foi torturado está tão gordo, tão forte, tão bonito, né? Eu vi lá na
comissão [da Verdade de São Paulo], que eles não tinham uma marquinha
sequer. Mas, o seguinte: era uma guerra entre o bem e o mal. Os dois
mataram. Eu tenho uma lista imensa de soldados mortos pelo comunistas."
Um dos apoiadores da marcha no Rio, o técnico em segurança do trabalho
Maycon Freitas, 31, diz não não ser totalmente favorável à intervenção
militar por não saber exatamente quais intenções estariam por trás
disso.
Ele também é a favor do fim da corrupção e diz acreditar que maus políticos estão presentes em todos os partidos.
Freitas aproveita a marcha para lançar um apelo aos partidos
identificados com a direita, como PSDB e DEM, que, em sua avaliação,
estão descolados da juventude. "A esquerda faz muito bem esse trabalho
de recrutar jovens para a ideologia enquanto a direita está com freio de
mão puxado e não dá nenhum suporte à juventude", diz. AquiAtenção! Ajudem a divulgar esta farsa.
COMEÇOU
A ROLAR NA REDE UM VÍDEO DE UM PSEUDO SGT. DA AERONÁUTICA QUE
DECLARADAMENTE QUER "DESMOTIVAR NOSSA MARCHA E O CLAMOR PELA INTERVENÇÃO
MILITAR CONSTITUINTE QUE QUEREMOS !"
__________________
NÃO ACREDITEM !!!! É UMA PESSOA COMPRADA PARA NOS DESMOTIVAR !!!!!
EM BREVE MAIS DETALHES ....
BRASIL ACIMA DE TUDO !!!! ABAIXO SÓ DE DEUS !!!
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NÃO ACREDITEM !!!! É UMA PESSOA COMPRADA PARA NOS DESMOTIVAR !!!!!
EM BREVE MAIS DETALHES ....
BRASIL ACIMA DE TUDO !!!! ABAIXO SÓ DE DEUS !!!
PLÍNIO MONTE
Cadê a quadrilha que estava aqui? Dilma tem razão: não há motivo para pessimismo. Basta olhar a situação dos seus amigos mensaleiros.
Por Guilherme Fiuza - Globo.com
Nelson
Rodrigues foi novamente convocado por Dilma Rousseff. Sempre que tira os olhos
do teleprompter, a presidente sofre em sua árdua missão de fazer sentido.
Nelson foi o primeiro a satirizar essa esquerda parasitária escondida atrás de
bandeirolas do bem. Hoje talvez o dramaturgo acrescentasse ao “padre de
passeata” a “presidenta de teleprompter”. Alguém precisa avisar à assessoria de
Dilma quem foi Nelson Rodrigues. Era mais honesto quando ela traficava a imagem
de Norma Bengell.
Ao
assinar contratos de concessão de rodovias, Dilma citou o companheiro Nelson
para dizer que “os pessimistas fazem parte da paisagem, assim como os morros,
as praças e os arruamentos”. Por que não acrescentar: assim como as estradas
estouradas, os aeroportos em ruínas e o sistema elétrico em estado de coma. A
paisagem da infraestrutura brasileira hoje é tão impactante que fica até
difícil enxergar nela os pessimistas — mesmo que eles desfilem pelados contra a
mentira da conta de luz barata, e o desfalque de 12 bilhões de reais do
contribuinte para sustentá-la.
DO MOVCC
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Texto apócrifo em página do PT chama Eduardo Campos de “tolo”
Em
sua página no Facebook, o PT publicou um texto, sem assinatura, em que o
governador de Pernambuco, Eduardo Campos, é chamado de “tolo”. Segundo o
PT, o pré-candidato do PSB à Presidência não tem “projeto, conteúdo nem
compostura”.
O texto
diz ainda que ele migrou “para a direita”, aliando-se a Marina Silva,
tratada como o “ovo da serpente”. A agressão vai mais longe. Segundo os
petistas, Campos é produto dos investimentos que o governo federal fez
em Pernambuco. Depreende-se da leitura do libelo acusatório que o
governador não tem mérito nenhum por liderar uma das gestões mais
bem-avaliadas do Brasil. Tudo seria obra do PT e, muito especialmente,
de Lula.
O artigo
chama os investimentos federais em Pernambuco de “boa vontade dos
governos do PT”. Até parece que o dinheiro não é público, mas
propriedade do partido. Está na cara que o objetivo é colar em Campos a
pecha de “traidor”.
O ataque é
desfechado no momento em que crescem as possibilidades de que Marina
Silva venha mesmo a ser a vice de Eduardo Campos. Os petistas não
gostariam de ver a ex-ministra na disputa. Nas simulações de voto em que
aparece como candidata do PSB, ela fica em segundo lugar.
O texto
foi escrito para ser replicado na Internet e iniciar a campanha para
desmoralizar o pré-candidato do PSB. Eis o PT. Revejam o vídeo abaixo.
Lula aparece sobre o palanque em dois momentos. Em 2000, Roseana Sarney
era apontada como pré-candidata do então PFL à Presidência. Ocupava o
primeiro lugar nas pesquisas. O chefão petista a esculhambava
impiedosamente, atacando também seu pai, José Sarney. O segundo momento
se deu em 2006. Lula estava disputando a reeleição e fazia um comício no
Maranhão, ao lado de Roseana, que já havia se aliado a ele em 2002. Aí a
mulher já tinha virado heroína.
A
ex-inimiga Roseana acabou virando amiga do peito. Já o ex-amigo do
peito Eduardo Campos acabou virando inimigo. Os petistas não dão a menor
bola para a biografia de seus adversários ou de seus aliados, como bem
sabe Paulo Maluf. O petismo classifica as pessoas em heroínas ou
bandidas na exata medida em que servem ou não servem a seu projeto.
E é bom
Eduardo Campos se preparar. A campanha mal começou. Já dei início aqui à
contagem regressiva para que estoure um suposto grande escândalo no
governo de Pernambuco. A esta altura, o mercado de dossiês apócrifos já
está bastante agitado.
O PT não vê mal nenhum em enlamear a honra de ex-amigos e em funcionar como lavanderia de reputações de ex-inimigos.
Como vocês
bem sabem, Eduardo Campos está longe de ser um político da minha
predileção, mas o texto apócrifo é mistificador e covarde. Sem contar
que parece ter restado a óbvia sugestão de que Lula premiava com
dinheiro público a fidelidade de um aliado.
Leiam a íntegra:
A BALADA DE EDUARDO CAMPOS
Por um
momento, desses que enchem os incautos de certezas, o governador Eduardo
Campos, de Pernambuco, achou que era, enfim, o escolhido.
Beneficiário
singular da boa vontade dos governos do PT, de quem se colocou, desde o
governo Lula, como aliado preferencial, Campos transformou sua
perspectiva de poder em desespero eleitoral, no fim do ano passado.
Estimulado
pelos cães de guarda da mídia, decidiu que era hora de se apresentar
como candidato a presidente da República –sem projeto, sem conteúdo e,
agora se sabe, sem compostura política.
O velho Miguel Arraes, avô de Eduardo Campos, faz bem em já não estar entre nós, porque, ainda estivesse, morreria de desgosto.
E não se
trata sequer da questão ideológica, já que a travessia da esquerda para a
direita é uma espécie de doença infantil entre certa categoria de
políticos brasileiros, um sarampo do oportunismo nacional. Não é isso.
Ao
descartar a aliança com o PT e vender a alma à oposição em troca de uma
probabilidade distante –a de ser presidente da República–, Campos rifou
não apenas sua credibilidade política, mas se mostrou, antes de tudo, um
tolo.
Acreditou
na mesma mídia que, até então, o tratava como um playboy mimado pelo
“lulo-petismo”, essa expressão também infantilóide criada sob encomenda
nas redações da imprensa brasileira.
Em meio ao
entusiasmo, Campos foi levado a colocar dentro de seu ninho
pernambucano o ovo da serpente chamado Marina Silva, este fenômeno da
política nacional que, curiosamente, despreza a política fazendo o que
de pior se faz em política: praticando o adesismo puro e simples.
Vaidosa e
certa, como Campos, de que é a escolhida, Marina virou uma pedra no
sapato do governador de Pernambuco, do PSB e da triste mídia reacionária
que em torno da dupla pensou em montar uma cidadela.
Como até
os tubarões de Boa Viagem sabem que o objetivo de Marina é se viabilizar
como cabeça da chapa presidencial pretendia pelo PSB, é bem capaz que o
governador esteja pensando com frequência na enrascada em que se meteu.
Eduardo
Campos é o resultado de uma série de medidas que incluem a disposição de
Lula em levar para Pernambuco a Refinaria Abreu e Lima, em parceria com
a Venezuela, depois de uma luta de mais de 50 anos. Sem falar nas obras
da transposição do Rio São Francisco e a Transnordestina. Ou do
Estaleiro Atlântico Sul, fonte de empregos e prestígio que Campos usou
tão bem em suas estratégias eleitorais.
Pernambuco
recebeu 30 bilhões de reais do Programa de Aceleração do Crescimento, o
PAC, do qual a presidenta Dilma Rousseff foi a principal idealizadora e
gestora.
O estado
também ganhou sete escolas técnicas federais, além de cinco campi da
Universidade Federal Rural construídos para melhorar a vida do estudante
do interior.
Eduardo
Campos cresceu, politicamente, graças à expansão de programas como
Projovem, Samu, Bolsa Família, Luz para Todos, Enem, ProUni e Sisu. Sem
falar no Pronasci, que contribuiu para a diminuição da criminalidade no
estado, por muito tempo um dos mais violentos do País.
Campos
poderia ser grato a tudo isso e, mais à frente, com maturidade e
honestidade política, tornar-se o sucessor de um projeto político
voltado para o coletivo, e não para o próprio umbigo.
Arrisca-se,
agora, a ser lembrado por ter mantido entre seus quadros um secretário
de Segurança Pública, Wilson Damázio, que defendeu estupradores com o
argumento de que as meninas pobres do Recife, obrigadas a fazer sexo
oral com marginais da Polícia Militar, assim agiam por não resistirem ao charme da farda.
“Quem conhece Damázio, sabe que ele não tem esses valores”, lamentou Eduardo Campos.
Quem achava que conhecia o governador do PSB, ao que tudo indica, ainda vai ter muito o que lamentar.
Por Reinaldo Azevedo-Rev Veja
Os decapitados de Roseana também são os decapitados do PT. Ou: Ainda o silêncio vergonhoso de Maria do Rosário, José Eduardo Cardozo e… Dilma
Os
decapitados da governadora Roseana Sarney também são os decapitados do
PT, o que explica o silêncio vergonhoso de Maria do Rosário, Ministra
dos Direitos Humanos, e José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, a quem está subordinado o sistema penitenciário nacional.
Pouco
destaque se dá ao fato, mas o PT elegeu o vice-governador na chapa
encabeçada por Roseana. A composição foi uma imposição de Luiz Inácio
Apedeuta da Silva. O petista Washington Luiz era o vice-governador até
novembro do ano passado. Renunciou para assumir uma vaga no Tribunal de Constas do Estado. Deu-se bem: arrumou um emprego permanente até os 70 anos….
No
Maranhão das decapitações, o PT é poder, o que explica o silêncio dos
companheiros, inclusive da companheira Dilma Rousseff. Por muito menos,
essa gente já falou pelos cotovelos. Lembremo-nos da gritaria quando se
deu a tal desocupação do Pinheirinho, em São Paulo.
A Polícia Militar cumpria uma decisão judicial. Os extremistas de
esquerda infiltrados entre os moradores incitaram o confronto com a
Polícia. Um assessor do ministro Gilberto Carvalho estava na turma.
Maria do Rosário falou.
José Eduardo Cardozo falou.
Gilberto Carvalho falou.
Dilma falou — achou a desocupação uma “barbárie”.
José Eduardo Cardozo falou.
Gilberto Carvalho falou.
Dilma falou — achou a desocupação uma “barbárie”.
Felizmente,
ao contrário do que alardearam petistas e afins, não morreu ninguém na
operação. Denúncias de maus-tratos e espancamentos vieram a se provar
falsas. Em Pedrinhas, no entanto, é tudo verdade. Os petistas não
disseram um “a”. Dilma não deve achar aquilo… barbárie!
O governo
do Maranhão comentou, sim, o vídeo que exibe as decapitações. Por
incrível que pareça, numa nota que espanca o bom senso e a língua,
preferiu criticar a divulgação das imagens. Numa nota, disparou o
seguinte:
“Divulgar esse tipo de gravação é repudiante, pois só corrobora com uma ação no mínimo criminosa, com apelo sensacionalista e que fere todos os preceitos dos direitos humanos e as leis de proteção ao cidadão e à família [dos detentos mortos], que se vê novamente diante de uma exposição brutal”.
“Divulgar esse tipo de gravação é repudiante, pois só corrobora com uma ação no mínimo criminosa, com apelo sensacionalista e que fere todos os preceitos dos direitos humanos e as leis de proteção ao cidadão e à família [dos detentos mortos], que se vê novamente diante de uma exposição brutal”.
Repudiante? O valente que redigiu esse troço pode ter querido dizer “repugnante”.
O Maranhão
desafia a lógica e o bom senso. Há estiagens, sim, no Estado — neste
ano, inclusive, 81 municípios sofrem com a falta de chuvas. Mas não há a
seca propriamente. Não obstante, como demonstrou reportagem da
VEJA.com, está em penúltimo lugar no ranking do Índice de
Desenvolvimento Humano. Só ganha de Alagoas. E tem, atenção!, a menor
renda per capita do país: apenas R$ 348 reais. Só 4,5% dos 217
municípios do estado contam com rede de esgoto. Segundo o IBGE, 20,8%
dos maranhenses são analfabetos.
Por que
evocar esses dados num texto que trata da decapitação de detentos?
Porque tanto esse show de horrores como os dados sociais do estado
remetem a uma mesma questão: a verdadeira tragédia do Maranhão não está
na geografia; a verdadeira tragédia do Maranhão não está no clima; a
verdadeira tragédia do Maranhão não está na natureza. O mal do Maranhão
muda de prenome, mas não muda de sobrenome. Chama-se Sarney.
O homem
está no poder, no Estado, pessoalmente ou por intermédio de prepostos,
desde 1966. Só a ditadura dos Irmãos Castro, em Cuba, é mais longeva,
Sarney também construiu a sua ilha de atraso. Nestes 48 anos em que o
Estado está sob a gestão da família, sucessivos governos se encarregaram
de transformar a vida da população numa rotina de pobreza e
desesperança.
Mas vocês
não precisam acreditar em mim. Acreditem na voz do patriarca. Em
dezembro, ele concedeu uma entrevista à Rádio Mirante, que pertence à
sua família. Em um ano, 59 detentos já haviam sido assassinados. O homem
disse esta preciosidade: “Aqui no Maranhão, nós conseguimos que a violência não saísse dos presídios para a rua”.
Graaande
pensador! Como se nota, ele conseguia ver algo de positivo naquelas
ocorrências trágicas. Os detentos devem ter ouvido a sua ladainha
macabra e ordenaram aos “companheiros” que estavam nas
ruas que botassem o terror na população. A menina Ana Clara Santos
Souza, de 6 anos, morreu às 6h45 de segunda-feira no Hospital Estadual
Infantil Juvêncio Matos, em São Luís. Ela teve 95% do corpo queimado em
um ataque a um ônibus ocorrido no dia 3. A ordem para atacar os ônibus
saiu… dos presídios para as ruas.
Não creio que Dilma tenha telefonado para a mãe de Ana Clara.
Não creio que Maria do Rosário tenha telefonado para a mãe de Ana Clara.
Não creio que José Eduardo Cardozo tenha telefonado para a mãe de Ana Clara.
Não creio que Gilberto Carvalho tenha telefonado para a mãe de Ana Clara.
Não creio que Maria do Rosário tenha telefonado para a mãe de Ana Clara.
Não creio que José Eduardo Cardozo tenha telefonado para a mãe de Ana Clara.
Não creio que Gilberto Carvalho tenha telefonado para a mãe de Ana Clara.
Os petistas só são defensores fanáticos dos direitos humanos no quintal dos adversários
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Bispo de Humaitá culpa Governo Dilma pela tragédia entre índios e brancos.
Dom Meirand Francisco Merkel é alemão. É o Bispo de Humaitá. É papo
reto. É na jugular do Governo Dilma e do PT. Acompanhou com desespero o
conflito entre índios e brancos, que resultou no desparecimento de três
inocentes cujos corpos até agora não foram encontrados. A análise de Dom
Francisco põe o dedo na ferida e aponta a responsabilidade dos Paulo
Maldos da vida, da Funai e das ONGs interacionais no fomento à tragédia.
Leiam, abaixo, o artigo de Dom Francisco, publicado na página da CNBB.
Pode ser que agora os bispos do Brasil enquadrem o famigerado Conselho
Indigenista Missionário, um dos maiores responsáveis pelos conflitos
entre índios e brancos no país.
Irmãos e Irmãs de caminhada:
Paz e Bem!
Escrevo este artigo nas vésperas
do Ano Novo - chocado ainda pelos acontecimentos que lançaram sombras sobre as
festas natalinas nesta Diocese. Todo mundo sabe do sumiço de três cidadãos na
BR 230 depois do dia 15 de 12. Mas ninguém sabe precisamente o que aconteceu.
Sabemos da dor dos familiares que ficaram sem notícias sobre o paradeiro de
seus parentes e se ainda estavam com vida ou se já morreram.
Da parte da Polícia Federal e da
FUNAI não houve empenho convincente na elucidação dos fatos. Não é a primeira
vez que fatos tristes ficam sem a devida atenção por parte das autoridades
constituídas para cuidar da segurança pública.
A lentidão ou o desinteresse da
Polícia Federal, da Fundação Nacional do Índio, da Promotoria Pública
frustraram familiares, parentes e amigos. Esgotou-se a paciência de uma boa
parcela da população e gerou-se o plano de uma manifestação pacífica. Bloqueou-se
a travessia sobre o Rio Madeira. Ora, o acesso à Transamazônica é vital para
quem quer viajar às cidades de Apuí e Santo Antônio do Matupí, às aldeias
indígenas ou chegar à sua casa à beira da Estrada BR 230 – todos ficariam
penalizados com este bloqueio.
A intenção foi clara: Chamar a
atenção dos governantes em nível Estadual e Federal: Os cidadãos desta parte do
Amazonas merecem a mesma atenção e o mesmo amparo que os outros cidadãos neste
vasto país. Desde a demarcação das terras, o pedágio imposto sem negociação
(outubro 2006) até o desaparecimento de várias pessoas se criou a sensação de
impotência e de ausência do Estado. Também os povos indígenas reclamam de uma
política antiindigenista! - Até onde o Estado cumpre seu papel? E quem pode
pedir satisfação dele no momento do descumprimento¿
Dá para perceber que a revolta
não foi – simplesmente – de Brancos contra Índios. Explodiu a frustração também
contra um aparato anônimo que se chama Estado. Quantas vezes a população se
depara com funcionários que mal atendem, não informam corretamente, não zelam
pelo encaminhamento de documentação, não prestam conta dos recursos públicos,
enfim parece que ninguém é responsável por nada. A computatorização aumenta
esta sensação de impotência. Parece que o cidadão só é bom para pagar
impostos...
Ora, o potencial que se
descarregou nestes dias causando destruição do patrimônio público, poderia ser
empregado para a reorganização de nossa sociedade local. De certa forma vivemos
em clima de paz, somos cristãos, não passamos por uma situação de miséria
material, temos estruturas e instituições que, embora não perfeitas, prestam alguma
ajuda para um convívio decente.
O que falta? Quero apontar alguns
itens que me parecem importantes: Precisamos de lideranças que continuamente
aperfeiçoam seu papel, que têm agudo grau de consciência ética, que juntam
coragem com persistência. Devem ser pessoas que sabem escutar, refletir,
partilhar com outras pessoas de bem, elaborar uma estratégia para conseguir os
objetivos e que sempre prestam a informação necessária (transparência) para
contar com o povo como aliado. E também da parte do povo precisamos das
atitudes de escuta e reflexão, debate e participação - da fiscalização das
obras e da prestação de contas.
Recordo com saudade da matéria de
Organização e Política (OSPB), Moral e Cívica nas escolas. Ou da instituição de
Ouvidorias. É urgente repensar a maneira de fazer política e elaborar leis. – O
ano eleitoral está aí. Vamos testar o grau de consciência e ética dos nossos
representantes antes de dar nosso voto. Somente um belo programa de partido não
basta!
DO CELEAKS
Colapso nas cadeias do Maranhão reflete décadas de gestão da família Sarney
Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
A sequência de horror registrada nos últimos vinte dias no Maranhão chocou até mesmo uma sociedade já acostumada ao noticiário de crimes brutais. O banho de sangue, com imagens de presos decapitados e esquartejados na penitenciária de Pedrinhas, na Grande São Luís, já deixou 62 detentos mortos no período de um ano. O retrato da barbárie nas cadeias maranhenses inclui ainda estupros de familiares de presidiários nos dias de visitas íntimas. Na última sexta-feira, a selvageria ultrapassou os muros do presídio: ataques a ônibus e delegacias espalharam terror nas ruas de São Luís. Uma criança de 6 anos morreu queimada. O criminoso obedecia a uma ordem de dentro do presídio de Pedrinhas.
A sequência de horror registrada nos últimos vinte dias no Maranhão chocou até mesmo uma sociedade já acostumada ao noticiário de crimes brutais. O banho de sangue, com imagens de presos decapitados e esquartejados na penitenciária de Pedrinhas, na Grande São Luís, já deixou 62 detentos mortos no período de um ano. O retrato da barbárie nas cadeias maranhenses inclui ainda estupros de familiares de presidiários nos dias de visitas íntimas. Na última sexta-feira, a selvageria ultrapassou os muros do presídio: ataques a ônibus e delegacias espalharam terror nas ruas de São Luís. Uma criança de 6 anos morreu queimada. O criminoso obedecia a uma ordem de dentro do presídio de Pedrinhas.
Políticos
costumam culpar os antecessores pelos problemas crônicos enfrentados por
suas gestões. Mas a governadora Roseana Sarney (PMDB), no quarto
mandato no Maranhão, não poderá fazê-lo: com exceção de um período de
dois anos, o Estado é governado desde 1966 pelos integrantes do clã
político de José Sarney. O único revés do grupo ocorreu em 2006, quando
Jackson Lago (PDT) derrotou Roseana nas
urnas. Mas ele só resistiu até o começo de 2009, dois anos depois da
posse: a Justiça Eleitoral tirou o cargo do pedetista sob a acusação de
compra de votos. Roseana herdou o mandato, e venceu também as eleições
de 2010.
Sarney
nunca fez oposição a um presidente da República: apoiou a ditadura
militar enquanto lhe interessou e foi pulando de barco até firmar a
improvável aliança com o PT de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma
Rousseff. Dos dois, recebe deferências – e o poder de nomear afilhados
em órgãos importantes da administração federal. Enquanto isso, os
maranhenses convivem com um cenário desolador: segundo dados do Atlas do
Desenvolvimento, o Estado tem o penúltimo lugar no ranking do Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH), à frente apenas de Alagoas. A renda per
capita, de 348 reais, é a menor do país. Apenas 4,5% dos municípios do
estado têm rede de esgoto.
Segundo o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 20,8% dos
maranhenses eram analfabetos em 2012. Pior: o número significa um
aumento em relação a 2009, quando 19,1% da população não sabiam ler e
escrever. Ou seja, durante o governo de Roseana, a situação se agravou –
o Maranhão foi o único Estado do Nordeste que regrediu no período.
Um dos
poucos índices nos quais o Maranhão não se destacava negativamente no
plano nacional era a violência. Mas, como mostra o episódio de
Pedrinhas, isto também é passado: entre 2000 e 2010, a taxa de mortes
por armas de fogo no Estado subiu 282%. O surgimento de facções
criminosas tornou mais evidente o fracasso do governo nessa questão. O
governo do Estado falhou ao evitar o conflito sangrento entre criminosos
encarcerados e novamente depois, ao tentar debelá-lo. Por fim, receberá
ajuda do governo federal para resolver a situação, com a transferência
de detentos para outras unidades prisionais do país.
O Maranhão
já era pobre quando Sarney assumiu o poder. E sabe-se que não é fácil
resolver o problema do subdesenvolvimento crônico. Mas, em 2014, isso já
não pode ser usado como desculpa.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
‘Por trás da maquiagem, a crise real da indústria’, um texto de Rolf Kuntz
O pior saldo comercial
em 13 anos ─ o pitoresco e discutível superávit de US$ 2,56 bilhões ─
está longe de ser um desastre isolado. Os números da balança retratam
com precisão a crise brasileira: uma indústria com enorme dificuldade
para competir, o descompasso entre consumo e produção, a política econômica
feita de remendos e improvisações e a dependência cada vez maior de uns
poucos setores ainda eficientes, com destaque para o agronegócio e a
mineração. O menos importante, nesta altura, é apontar a exportação
fictícia de plataformas de petróleo,
no valor de US$ 7,74 bilhões, como evidente maquiagem dos números.
Muito mais instrutivos, nesta altura, são outros detalhes. Uma dissecção
da balança comercial, mesmo sumária, dá uma boa ideia dos estragos
acumulados na economia em dez anos, especialmente nos últimos seis ou
sete.
Sem os US$ 7,74 bilhões das plataformas, a exportação de manufaturados fica reduzida a US$ 85,35 bilhões. Para igualar as condições convém fazer a mesma operação com os números de 2012. Eliminada a plataforma de US$ 1,46 bilhão, a receita desse conjunto cai para US$ 89,25 bilhões. Sem essa depuração, o valor dos manufaturados cresceu 1,81% de um ano para o outro, pela média dos dias úteis. Com a depuração, o movimento entre os dois anos é uma assustadora queda de 5,13%.
Alguns dos itens com recuo de vendas de um ano para o outro: óleos combustíveis, aviões, autopeças, veículos de carga, motores e partes para veículos e motores e geradores elétricos. No caso dos aviões, a redução de US$ 4,75 bilhões para US$ 3,83 bilhões pode estar relacionada com oscilações normais no ritmo das encomendas e da produção. Mas o cenário geral da indústria é muito ruim. No caso dos semimanufaturados, a diminuição, também calculada pela média dos dias úteis, chegou a 8,3%.
Não há como atribuir esse resultado à crise internacional, até porque várias economias desenvolvidas, a começar pela americana, avançaram na recuperação, Para a América Latina e o Caribe, grandes compradores de manufaturados brasileiros, as vendas totais aumentaram 5,6%. Mesmo para a Argentina as exportações cresceram 8,1%, apesar do protecionismo.
O problema no comércio com os mercados desenvolvidos está associado principalmente ao baixo poder de competição da indústria, ou da sua maior parte, e às melhores condições de acesso de produtores de outros países. Mas essa é uma questão política. O governo brasileiro rejeitou em 2003 um acordo interamericano com participação dos Estados Unidos. Com isso deixou espaço a vários países concorrentes. No caso da União Europeia, o grande problema tem sido o governo argentino. É o principal entrave à conclusão do acordo comercial em negociação desde os anos 1990.
O Mercosul, promissor na fase inicial, tornou-se um trambolho com a conversão prematura em união aduaneira. Os quatro sócios originais nunca chegaram sequer a implantar uma eficiente zona de livre-comércio. Mas foram adiante, assumiram o compromisso mal planejado da Tarifa Externa Comum e aceitaram as limitações daí decorrentes. Nenhum deles pode, sozinho, concluir acordos ambiciosos de liberalização comercial com parceiros estranhos ao bloco.
De vez em quando alguém sugere, no Brasil, o abandono da união aduaneira e o retorno à condição de livre-comércio. Poderia ser um recomeço muito saudável, mas o governo brasileiro nem admite a discussão da ideia. A fantasia de uma liderança regional ─ obviamente associada ao terceiro-mundismo em vigor a partir de 2003 ─ tem sido um entrave ainda mais danoso que as amarras da fracassada união aduaneira.
Em 2013 o pior efeito da crise global, para o Brasil, foi a redução dos preços de commodities. Apesar disso, o comércio do agronegócio foi muito bem. Até novembro, o setor exportou US$ 93,58 bilhões de matérias-primas e produtos elaborados e acumulou um superávit de US$ 77,88 bilhões. O saldo final deve ter superado US$ 80 bilhões, valor anulado com muita folga pelo déficit da maior parte da indústria.
Em dezembro, só as vendas de milho em grão, carnes bovina e de frango, farelo e óleo de soja, café em grão, açúcar em bruto e celulose renderam US$ 3,87 bilhões. O quadro especial do setor, com valores discriminados e reorganizados, aparecerá, como sempre, no site do Ministério da Agricultura. Os números serão os do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, mas a arrumação seguirá um critério diferenciado.
No caso do agronegócio, o poder de competição reflete os ganhos de produtividade acumulados em três décadas, além da manutenção, nos últimos anos, de um razoável volume de investimentos setoriais, como as compras de caminhões e máquinas em 2013. A eficiência tem sido suficiente para compensar, mas só em parte, as desvantagens logísticas.
Quando um setor respeitado internacionalmente mal consegue embarcar seus produtos, é quase uma piada insistir na conversa do câmbio como grande problema da economia nacional. Mas a piada convém a um governo com graves dificuldades para formular e executar uma política de investimentos públicos e privados.
Ainda no capítulo do humor, um lembrete sobre as exportações fictícias de plataformas: o expediente foi realmente criado em 1999 para proporcionar benefícios fiscais à atividade petrolífera. Até o ministro da Fazenda, Guido Mantega, citou esse fato em entrevista. Mas essas operações nunca foram usadas tão amplamente quanto no último ano. Em 2012, esse item rendeu US$ 1,46 bilhão à contabilidade comercial. Em 2013, US$ 7,76 bilhões, com aumento de 426,4% pela média diária. Apareceu no topo da lista de manufaturados, acima de automóveis, aviões e autopeças. Mas nem isso disfarçou os problemas de uma indústria enfraquecida por anos de incompetência e irresponsabilidade na política econômica
Publicado no Estadão
ROLF KUNTZ
Sem os US$ 7,74 bilhões das plataformas, a exportação de manufaturados fica reduzida a US$ 85,35 bilhões. Para igualar as condições convém fazer a mesma operação com os números de 2012. Eliminada a plataforma de US$ 1,46 bilhão, a receita desse conjunto cai para US$ 89,25 bilhões. Sem essa depuração, o valor dos manufaturados cresceu 1,81% de um ano para o outro, pela média dos dias úteis. Com a depuração, o movimento entre os dois anos é uma assustadora queda de 5,13%.
Alguns dos itens com recuo de vendas de um ano para o outro: óleos combustíveis, aviões, autopeças, veículos de carga, motores e partes para veículos e motores e geradores elétricos. No caso dos aviões, a redução de US$ 4,75 bilhões para US$ 3,83 bilhões pode estar relacionada com oscilações normais no ritmo das encomendas e da produção. Mas o cenário geral da indústria é muito ruim. No caso dos semimanufaturados, a diminuição, também calculada pela média dos dias úteis, chegou a 8,3%.
Não há como atribuir esse resultado à crise internacional, até porque várias economias desenvolvidas, a começar pela americana, avançaram na recuperação, Para a América Latina e o Caribe, grandes compradores de manufaturados brasileiros, as vendas totais aumentaram 5,6%. Mesmo para a Argentina as exportações cresceram 8,1%, apesar do protecionismo.
O problema no comércio com os mercados desenvolvidos está associado principalmente ao baixo poder de competição da indústria, ou da sua maior parte, e às melhores condições de acesso de produtores de outros países. Mas essa é uma questão política. O governo brasileiro rejeitou em 2003 um acordo interamericano com participação dos Estados Unidos. Com isso deixou espaço a vários países concorrentes. No caso da União Europeia, o grande problema tem sido o governo argentino. É o principal entrave à conclusão do acordo comercial em negociação desde os anos 1990.
O Mercosul, promissor na fase inicial, tornou-se um trambolho com a conversão prematura em união aduaneira. Os quatro sócios originais nunca chegaram sequer a implantar uma eficiente zona de livre-comércio. Mas foram adiante, assumiram o compromisso mal planejado da Tarifa Externa Comum e aceitaram as limitações daí decorrentes. Nenhum deles pode, sozinho, concluir acordos ambiciosos de liberalização comercial com parceiros estranhos ao bloco.
De vez em quando alguém sugere, no Brasil, o abandono da união aduaneira e o retorno à condição de livre-comércio. Poderia ser um recomeço muito saudável, mas o governo brasileiro nem admite a discussão da ideia. A fantasia de uma liderança regional ─ obviamente associada ao terceiro-mundismo em vigor a partir de 2003 ─ tem sido um entrave ainda mais danoso que as amarras da fracassada união aduaneira.
Em 2013 o pior efeito da crise global, para o Brasil, foi a redução dos preços de commodities. Apesar disso, o comércio do agronegócio foi muito bem. Até novembro, o setor exportou US$ 93,58 bilhões de matérias-primas e produtos elaborados e acumulou um superávit de US$ 77,88 bilhões. O saldo final deve ter superado US$ 80 bilhões, valor anulado com muita folga pelo déficit da maior parte da indústria.
Em dezembro, só as vendas de milho em grão, carnes bovina e de frango, farelo e óleo de soja, café em grão, açúcar em bruto e celulose renderam US$ 3,87 bilhões. O quadro especial do setor, com valores discriminados e reorganizados, aparecerá, como sempre, no site do Ministério da Agricultura. Os números serão os do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, mas a arrumação seguirá um critério diferenciado.
No caso do agronegócio, o poder de competição reflete os ganhos de produtividade acumulados em três décadas, além da manutenção, nos últimos anos, de um razoável volume de investimentos setoriais, como as compras de caminhões e máquinas em 2013. A eficiência tem sido suficiente para compensar, mas só em parte, as desvantagens logísticas.
Quando um setor respeitado internacionalmente mal consegue embarcar seus produtos, é quase uma piada insistir na conversa do câmbio como grande problema da economia nacional. Mas a piada convém a um governo com graves dificuldades para formular e executar uma política de investimentos públicos e privados.
Ainda no capítulo do humor, um lembrete sobre as exportações fictícias de plataformas: o expediente foi realmente criado em 1999 para proporcionar benefícios fiscais à atividade petrolífera. Até o ministro da Fazenda, Guido Mantega, citou esse fato em entrevista. Mas essas operações nunca foram usadas tão amplamente quanto no último ano. Em 2012, esse item rendeu US$ 1,46 bilhão à contabilidade comercial. Em 2013, US$ 7,76 bilhões, com aumento de 426,4% pela média diária. Apareceu no topo da lista de manufaturados, acima de automóveis, aviões e autopeças. Mas nem isso disfarçou os problemas de uma indústria enfraquecida por anos de incompetência e irresponsabilidade na política econômica
Publicado no Estadão
ROLF KUNTZ
A Copa do Mundo e o marketing oficial do terror preventivo. Ou: O petismo de TPM. Ou ainda: a bola, o aborto e o kit gay
Que
título estranho, não? Como é que essas coisas se juntam? Eu mostro.
Preparados para a retomada num texto, digamos assim, looongo?
A
escumalha a soldo que serve ao governismo na imprensa e no subjornalismo
pôs para circular uma teoria conspiratória: a direita — sempre ela,
coitadinha! — estaria tramando os piores ardis fara fazer com que a Copa do Mundo
seja um fiasco. A trama uniria setores da oposição e a imprensa
independente. O objetivo da sabotagem seria, claro!, destituir Dilma
Rousseff. E como a tal “direita” faria isso? A canalha não diz. Não diz
porque se trata de uma fantasia, de uma mentira estúpida. Os petistas e
seus satélites instrumentalizam o marketing do terror preventivo para
silenciar a crítica. Não é a primeira vez que recorrem a essa
estratégia. Infelizmente, a imprensa séria e as oposições costumam cair
no truque. Vamos ver.
O governo
brasileiro torrou e está torrando uma fábula, ainda não-calculada, para
realizar a Copa. Muitas obras de infraestrutura, especialmente as de
mobilidade, previstas no plano original não foram realizadas. O governo
as trocou pela decretação de feriado, mudança no calendário escolar, jeitinhos… Seis dos 12 estádios, que deveriam ter sido inaugurados até dezembro do ano passado,
ainda não estão prontos. Joseph Blatter, presidente da Fifa, disse
jamais ter presenciado atraso tamanho. Ele está na organização desde
1975. Já batemos o primeiro recorde: “nunca antes na história da Fifa…”
Pior: alguns desses estádios serão mesmo elefantes brancos,
futuras ruínas. A realização do torneio em tantas capitais foi decidida
por um misto de populismo com delírio de grandeza. A brasileirada ficou
sem o metrô, as estradas, as vias de acesso… Mas ganhou
monumentalidades inúteis. E, no entanto, teremos, sim, Copa do Mundo. Se
o Brasil for campeão, Dilma Rousseff pode ganhar ou perder a eleição. O
mais provável é que ganhe. Se o Brasil não for campeão, Dilma Rousseff
pode ganhar ou perder a eleição. O mais provável é que ganhe. Qual a
razão da TPM, da Tensão Pré-Mundial?
Ora, a campanha eleitoral
já começou. Os petistas sempre foram muito hábeis em vender o que não
fizeram, mas são ainda melhores quando se trata de atribuir a
adversários defeitos e intenções que não têm. De resto, é preciso que se
esclareça: uma oposição que explorasse os erros e a incompetência do
governo na realização da Copa do Mundo ou de qualquer outro evento
estaria apenas cumprindo a sua função, a sua obrigação, a sua missão, o
seu mandato — adquirido nas urnas: opositores existem para vigiar o
governo, apontar as suas falhas e tentar tomar o seu lugar quando há
eleições, segundo as regras do jogo. Se a incompetência do governo Dilma
for parar no horário eleitoral de seus adversários — coisa em que não
acredito —, estaremos apenas diante do corriqueiro em sociedades livres.
Quanto à
imprensa, não há muito o que dizer além do óbvio: há aquela que se
financia na sociedade — por meio da publicidade privada e das
assinaturas — para reportar o que tem de ser reportado, segundo os
valores conhecidos por seus leitores, telespectadores, ouvintes e
internautas, e há aquele outro “negócio”, financiado com dinheiro
público, para fazer propagada governista e difamar seus adversários e
críticos. E não custa lembrar de um terceiro grupo: os infiltrados. São
agentes do oficialismo que escrevem na grande imprensa, aproveitando-se,
para fazer proselitismo, da vantagem que esta lhes oferece e que eles
próprios jamais ofereceriam a seus adversários se tivessem o poder que
almejam: a pluralidade. Sigamos.
TPM
Sim, existe uma compreensível Tensão Pré-Mundial no governo Dilma. Teme-se o renascimento das manifestações de junho, coisa na qual não acredito — e já digo por quê. Depois de quase 12 anos de petismo no poder, as fragilidades do arranjo e as promessas não-cumpridas são evidentes. Nada, infelizmente, entendo eu, que possa tirar a reeleição de Dilma. O governo tem âncoras outras, que dispensam a eficiência. A máquina assistencialista, que passou a ser chamada, à direita e à esquerda, de “redistribuição de renda”, tem ocupado boa parte do espaço que caberia à política.
Sim, existe uma compreensível Tensão Pré-Mundial no governo Dilma. Teme-se o renascimento das manifestações de junho, coisa na qual não acredito — e já digo por quê. Depois de quase 12 anos de petismo no poder, as fragilidades do arranjo e as promessas não-cumpridas são evidentes. Nada, infelizmente, entendo eu, que possa tirar a reeleição de Dilma. O governo tem âncoras outras, que dispensam a eficiência. A máquina assistencialista, que passou a ser chamada, à direita e à esquerda, de “redistribuição de renda”, tem ocupado boa parte do espaço que caberia à política.
“Política” é e será sempre o nome do jogo — e é precisamente nesse ponto que passa a operar o marketing do terror preventivo.
Os petistas e sua máquina de propaganda demonizam a divergência com uma
eficiência que não se viu nas duas grandes ditaduras do século passado:
a do Estado Novo e a militar. A crítica é tratada como sabotagem.
Assim, apontar as ineficiências do governo na realização da Copa do
Mundo ou demonstrar os desastres de Guido Mantega na condução das
políticas monetária, cambial e fiscal não seriam ações compreendidas no
escopo da democracia. Nada disso! Num caso e noutro, interesses
inconfessáveis estariam a mobilizar a crítica e o crítico.
A
renitência da inflação e a contabilidade criativa para fechar as contas
não podem, pois, ser tomadas como erros na condução da política
econômica. Segundo um dos porta-vozes do oficialismo, Dilma estava
apenas fazendo a sua aposta num mundo melhor para os pobres, mas foi
atropelada pelos pérfidos interesses das elites, especialmente do
capital financeiro — o mesmo que, vejam que coisa curiosa!, financia
regiamente o PT e torce de forma nada secreta pela volta de… Lula! É
evidente que também essas teorias conspiratórias não param de pé;
alimentam-se, a exemplo de todas as outras, da falta de evidências.
Ocorre que estamos no terreno da guerrilha ideológica — e, nesse caso, o
que vale é a fantasia.
Não acredito
Não aposto — e, em certa medida, gostaria de estar errado — no renascimento das tais “manifestações”. A razão é simples: seja para analisar a “Primavera Árabe”, seja para entender quebra-quebra em São Paulo e Rio, eu não acredito na efetividade do Facebook, mas da Irmandade Muçulmana e das organizações de esquerda, respectivamente. Num caso e noutro, não-mobilizados podem até aderir às ações de rua, mas a centelha original sempre fica a cargo de profissionais. O “junho” brasileiro pode até ter ganhado uma coloração antigovernista em vários momentos, mas o seu ânimo era, entendo eu, de esquerda. Infelizmente, a direita liberal e democrática não dispõe de força para grandes mobilizações de rua — ademais, nem é esse o seu espírito. Nunca se esqueçam de que os protestos violentos nasceram em São Paulo, numa associação entre os petistas radicais e extremistas de esquerda associados. O alvo era o governo Alckmin. Aí o tiro saiu pela culatra. Já demonstrei isso aqui com evidências de sobra.
Não aposto — e, em certa medida, gostaria de estar errado — no renascimento das tais “manifestações”. A razão é simples: seja para analisar a “Primavera Árabe”, seja para entender quebra-quebra em São Paulo e Rio, eu não acredito na efetividade do Facebook, mas da Irmandade Muçulmana e das organizações de esquerda, respectivamente. Num caso e noutro, não-mobilizados podem até aderir às ações de rua, mas a centelha original sempre fica a cargo de profissionais. O “junho” brasileiro pode até ter ganhado uma coloração antigovernista em vários momentos, mas o seu ânimo era, entendo eu, de esquerda. Infelizmente, a direita liberal e democrática não dispõe de força para grandes mobilizações de rua — ademais, nem é esse o seu espírito. Nunca se esqueçam de que os protestos violentos nasceram em São Paulo, numa associação entre os petistas radicais e extremistas de esquerda associados. O alvo era o governo Alckmin. Aí o tiro saiu pela culatra. Já demonstrei isso aqui com evidências de sobra.
Assim,
ainda que exista a TPM, o governo não leva muito a sério a possibilidade
de novos e gigantescos protestos de rua. De resto, seus bate-paus nos
sindicatos, nas ONGs, nos movimentos sociais — E NA IMPRENSA — estão e
estarão mobilizados para sabotar qualquer tentativa de manifestação
antigovernista.
Então por quê?
Então por que essa conversa sobre uma suposta conspiração da direita? Para calar preventivamente a oposição, a imprensa e os críticos, de sorte que tanto o noticiário como as redes sociais sejam inundadas só com discursos laudatórios. Eis o PT: antes mesmo que seus críticos apontem seus defeitos e suas falhas, o próprio partido os anuncia como se fossem manifestação do preconceito de seus adversários. E conta, nesse trabalho, com uma rede poderosa, que une os venais, os quadros ideológicos e, como sempre, os idiotas.
Então por que essa conversa sobre uma suposta conspiração da direita? Para calar preventivamente a oposição, a imprensa e os críticos, de sorte que tanto o noticiário como as redes sociais sejam inundadas só com discursos laudatórios. Eis o PT: antes mesmo que seus críticos apontem seus defeitos e suas falhas, o próprio partido os anuncia como se fossem manifestação do preconceito de seus adversários. E conta, nesse trabalho, com uma rede poderosa, que une os venais, os quadros ideológicos e, como sempre, os idiotas.
Aborto
Lembrem-se das campanhas eleitorais de 2010 e de 2012. Dilma, a então ministra da Casa Civil de Lula, era uma defensora da legalização do aborto. Chegou a comparar a extração de um feto à de um dente. Segundo ela, ninguém poderia gostar nem de uma coisa nem de outra. Um pensamento humanista e chique. Com Deus, havia deixado claríssima a sua relação: rezava um pouco quando o avião balançava. Em terra firme, entende-se, diminui o seu fervor místico…
Lembrem-se das campanhas eleitorais de 2010 e de 2012. Dilma, a então ministra da Casa Civil de Lula, era uma defensora da legalização do aborto. Chegou a comparar a extração de um feto à de um dente. Segundo ela, ninguém poderia gostar nem de uma coisa nem de outra. Um pensamento humanista e chique. Com Deus, havia deixado claríssima a sua relação: rezava um pouco quando o avião balançava. Em terra firme, entende-se, diminui o seu fervor místico…
Atenção!
Isto que vai agora é fato, não opinião. Acompanhei a coisa toda desde o
início porque, como vocês sabem, esse é um debate que me interessa. O PT
temia as opiniões emitidas por Dilma sobre esses temas. Antes que a
campanha do tucano José Serra emitisse qualquer juízo de valor a
respeito, teve início a guerra — esta, sim, midiática — acusando o
adversário de explorar uma questão que, segundo o petismo, não deveria
frequentar o debate político porque se trataria de mera questão…
religiosa!
Notem que
fantástica impostura! Decidir como o Brasil vai tratar os seus fetos não
diria, então, respeito à disputa pelo poder. “A política é laica”,
gritavam os pilantras, secundados pelos cretinos. A imprensa,
esmagadoramente favorável à legalização do aborto, serviu de porta-voz
da pregação petista. Mais do que isso: foi sua propagandista. Não se
esqueçam jamais de que o jornalismo brasileiro apoiou, quase
unanimemente, o recolhimento de um panfleto impresso por um grupo de
católicos que recomendava que não se votasse em candidatos favoráveis ao
aborto. O TSE atuava como censor, contrariando a Constituição.
Jornalistas aplaudiram porque lhes pareceu razoável censurar uma opinião
com a qual não concordavam. Uma vergonha!
O PSDB foi
posto na defensiva. Repórteres cobravam agressivamente de Serra se
considerava justo que se cobrasse de Dilma a opinião que ela tinha sobre
o aborto; queriam saber se isso era compatível com a laicidade da
política. Raramente a imprensa foi tão intelectualmente delinquente como
naqueles dias.
E agora
vem o mais estupefaciente: o PSDB não havia tocado no assunto. A questão
não foi levada ao horário eleitoral — nem mesmo os dois vídeos, para
confronto: num deles, Dilma se dizia favorável à legalização do aborto;
no outro, já candidata, contrária. O trabalho do petismo deu resultado: a
petista não foi obrigada a se confrontar com as suas próprias opiniões,
e o ônus das negativas caiu no colo do seu adversário. Dez em
marketing; zero em vergonha na cara.
Kit gay
Em 2012, na disputa pela Prefeitura de São Paulo, assistiu-se ao mesmo procedimento. Os petistas sabiam que os absurdos do tal kit gay — vetados até por Dilma Rousseff — poderiam pesar contra Fernando Haddad. O arquivo está aí. Apontei a trapaça desde o início. Antes mesmo que o PSDB definisse o seu candidato, os porta-vozes do partido na imprensa e na subimprensa anunciavam: “Os tucanos vão explorar o kit gay! Isso é preconceito! O que o kit gay tem a ver com a Prefeitura?” Bem, é claro que tem — especialmente quando essa Prefeitura tem milhares de alunos.
Em 2012, na disputa pela Prefeitura de São Paulo, assistiu-se ao mesmo procedimento. Os petistas sabiam que os absurdos do tal kit gay — vetados até por Dilma Rousseff — poderiam pesar contra Fernando Haddad. O arquivo está aí. Apontei a trapaça desde o início. Antes mesmo que o PSDB definisse o seu candidato, os porta-vozes do partido na imprensa e na subimprensa anunciavam: “Os tucanos vão explorar o kit gay! Isso é preconceito! O que o kit gay tem a ver com a Prefeitura?” Bem, é claro que tem — especialmente quando essa Prefeitura tem milhares de alunos.
E pronto!
Lá foi o batalhão de repórteres a tratar o candidato do PSDB como
homofóbico — justamente José Serra, o formulador de uma política pública
de combate à AIDS, por exemplo, que era e segue sendo uma referência
para o mundo. E daí? A delinquência ideológica não respeita
competências; ela tem causas.
E, como
era de se esperar, o tema ficou longe da campanha. O PSDB preferiu não
ligar Haddad à sua própria obra, assim como não ligara, dois anos antes,
Dilma às suas próprias opiniões. Pior: tucanos ditos “progressistas”,
nos dois casos, preferiram atacar a campanha do seu partido, que seria
por demais… conservadora!
Concluindo
A máquina petista e seus serviçais estão de volta com o mesmo procedimento. Agora eles pretendem levar os adversários de Dilma para a defensiva no caso da Copa, acusando-os de tentar sabotá-la. Assim como não se podia lembrar que a petista era uma defensora fanática do aborto e que Haddad havia feito os kits gays, deve-se deixar de lado a incompetência do governo na organização do evento.
A máquina petista e seus serviçais estão de volta com o mesmo procedimento. Agora eles pretendem levar os adversários de Dilma para a defensiva no caso da Copa, acusando-os de tentar sabotá-la. Assim como não se podia lembrar que a petista era uma defensora fanática do aborto e que Haddad havia feito os kits gays, deve-se deixar de lado a incompetência do governo na organização do evento.
Infelizmente,
os adversários do PT — e a imprensa séria, que não é adversária de
ninguém em matéria partidária — têm caído no truque petista de maneira
sistemática. Aqui e ali já vejo críticos do petismo fazendo as suas
juras de amor à Seleção, ao nosso futebol, à nossa ginga, essas coisas… A
questão de fundo é a seguinte (e ainda voltarei ao tema): enquanto os
não-petistas reconhecerem no PT um tribunal legítimo e permitirem que o
partido se comporte como seu juiz, será impossível vencê-lo. Em certa
medida, é preciso esquecer o PT para derrotar o PT.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Lula é o réu oculto do mensalão
Um dos
principais historiadores do Brasil, Marco Antonio Villa, da UFSCar
(Universidade Federal de São Carlos), acredita que as prisões de
políticos poderosos devido ao mensalão marca uma nova era para a Justiça
brasileira.
“O
julgamento do mensalão sinalizou que a leniência com que eram tratados
os casos de corrupção é coisa do passado”, disse Villa, em entrevista
exclusivo O VALE concedida por e-mail.
Autor do
livro “Mensalão: o julgamento do maior caso de corrupção da política
brasileira”, ele considera que o ex-presidente Lula (PT) também teria
que ser julgado.
“Lula é o
réu oculto do mensalão. É impossível que não tenha tomado conhecimento
de tudo que o que estava sendo armado à sua volta.
Na entrevista, Villa fala também do caso do cartel no metrô de São Paulo e do mensalão mineiro.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista.
O
ex-procurador-geral da República Antônio Fernando de Souza classificou o
mensalão como o maior escândalo político da história brasileira. O
senhor concorda? Por que?
Sim. Não
houve nada parecido. O projeto criminoso de poder foi articulado no
interior do Palácio do Planalto. Não há nenhum caso semelhante na
história do Brasil.
Que análise o senhor faz do julgamento do mensalão para as histórias política e jurídica do Brasil?
Foi um
marco. Poderá significar um corte na história jurídica do país. A
justiça, finalmente, iniciou o processo (que deve ser longo) de
igualizar os cidadãos pois, até hoje, uns brasileiros eram mais iguais
que outros.
O
senhor acredita que o julgamento do mensalão significou uma ruptura com a
impunidade, principalmente em relação a políticos poderosos?
Sim.
Nunca na história deste país tivemos, ao mesmo tempo, tantos políticos
presos. E não só políticos, mas empresários e também banqueiros.
Qual
será, na avaliação do senhor, o reflexo do julgamento do mensalão nos
próximos casos de corrupção que serão analisados e julgados pelo STF e
pela Justiça brasileira?
O julgamento sinalizou que a leniência com que eram tratados os casos de corrupção é coisa do passado.
O
senhor acredita que foi cometida alguma injustiça no julgamento do
mensalão, como tem sido dito por advogados, juristas e líderes políticos
do PT?
Não. Foi
um julgamento absolutamente legal, com amplo direito de defesa,
transmitido pela televisão. Quer mais transparência que isso? Os
protestos são justificáveis, mas estão distantes do que efetivamente
ocorreu.
O que
representou para o Brasil a prisão de políticos poderosos como José
Dirceu, José Genoino e Valdemar da Costa Neto, principalmente nos casos
ocorridos no dia da Proclamação da República?
É o
início da refundação da República. Como costumo dizer, Deodoro da
Fonseca só anunciou, em 1889, a República que, até hoje, não foi
proclamada.
Como analisa as declarações da direção do PT e de presos como José Dirceu e José Genoino de que eles são presos políticos?
São
políticos presos. E foram presos por formação de quadrilha, por
corrupção ativa, por lavagem de dinheiro, etc. Como disse um ministro do
STF, são os marginais do poder.
Como o
senhor avalia os casos clínicos do José Genoino e do Roberto Jefferson?
Acredita que eles teriam que ter prisão domiciliar ou podem ficar na
cadeia como os demais presos?
Cabe à perícia definir cada caso, mas Jefferson, parece, tem o quadro clínico mais grave.
Na
opinião do senhor, qual foi a participação do ex-presidente Lula no
mensalão? O fato dele não ser julgado compromete a atuação do STF e da
Justiça? Tem esperança de que o ex-presidente Lula ainda seja julgado?
Lula é o réu oculto do mensalão. É impossível que não tenha tomado conhecimento de tudo o que estava sendo armado à sua volta.
Qual
será o impacto do mensalão nas eleições do ano que vem, principalmente
sobre as candidaturas do PT? Acredita que a oposição irá explorar o
escândalo durante o pleito?
É difícil
estimar. O problema maior é que a oposição é muito ruim de discurso.
Mas pode ser, que no momento de maior temperatura da eleição – no caso
de segundo turno, o tema tenha alguma centralidade.
O STF e
a Justiça preparam o julgamento do mensalão mineiro. Qual a expectativa
do senhor em termos de condenações, principalmente do ex-governador
Eduardo Azeredo?
O que
aconteceu em Minas é diferente do ocorrido na ação penal 470
\[mensalão\]. Entre os réus, é importante destacar, tem também o Mares
Guia, que foi ministro do Lula, e o Clésio Andrade, entusiasta das
administrações petistas. Mas, é importante destacar, o PSDB não soube
enfrentar a questão. O melhor procedimento seria expulsar o
ex-governador do partido.
O
senhor acredita que o mensalão mineiro será julgado antes das eleições
do ano que vem? Se isto não acontecer, acredita que o PT explorará o
episódio na eleição de 2014 para desgastar o PSDB?
É
improvável. Ainda não foram resolvidos os embargos da AP-470 e tem muito
processo na fila. E para o PT é melhor julgar a ação quando a
presidência estiver com o Ricardo Lewandowski.
Como
analisa as denúncias de formação de cartel nas licitações do metrô
paulista e as suspeitas sobre os governos tucanos Mário Covas, Geraldo
Alckmin e José Serra?
Vamos
aguardar o processo. Até agora não passam de especulações. É evidente
que tem algo de errado e funcionários podem ter sido corrompidos.
Em termos de corrupção, é possível fazer comparação do caso Siemens com o mensalão?
Não. O
caso Siemens é um fato isolado, mas que deve ser apurado, evidentemente.
O mensalão foi um projeto de tomada do aparelho de Estado, um golpe,
armado pela quadrilha petista que foi condenada.
Na
opinião do senhor, o STF e a Justiça também têm que julgar o caso
Siemens? Acredita que pode resultar em condenações para o governador
Geraldo Alckmin e para José Serra?
O processo sequer foi aberto. Vamos aguardar mas, volto a dizer, são casos e situações distintas.
DO ORLANDO TAMBOSI
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