terça-feira, 10 de abril de 2018

Urgente: Justiça decreta indisponibilidade de bens de Lula

A 1ª Vara de Execuções Fiscais de São Paulo decretou a indisponibilidade de bens de Lula, de Paulo Okamotto, do Instituto Lula e da LILS, a empresa de palestras do petista.
A medida é para garantir o pagamento de uma dívida fiscal de quase R$ 30 milhões com o governo federal.
O débito soma R$ 15 milhões em relação a Lula, ao instituto e à empresa de eventos. No caso de Okamotto, que preside o Instituto Lula, o valor supera R$ 14 milhões.

Conselho de Ética aprova relatório preliminar contra Maluf e Lúcio

O Conselho de Ética da Câmara aprovou hoje o prosseguimento das representações contra Paulo Maluf, Lúcio Vieira Lima e Celso Jacob.
O relatório contra Maluf, em representação da Rede que pede a cassação do mandato do ex-prefeito de São Paulo, foi aprovado por 10 votos a 0. O do irmão de Geddel Vieira Lima passou por 12 votos a 2.
Agora, haverá 40 dias para ouvir testemunhas e coletar provas. Ao final desse prazo, devem ser apresentados pareceres definitivos. Se a comissão votar pelo prosseguimento, a decisão final sobre os deputados irá para o plenário da Câmara. Maluf, que cumpre prisão domiciliar desde que Dias Toffoli o liberou da Papuda, foi condenado pelo STF a sete anos e nove meses em regime fechado. Lúcio é acusado de envolvimento no bunker da propina. E Jacob, o deputado do provolone na cueca, cumpre pena no semiaberto por falsificação de documentos.

Cuidado, Valeixo!

 
Em apenas 72 horas de ‘cárcere’, Lula conseguiu uma televisão em sua sala especial, a montagem de uma academia em sala anexa e que lhe sirvam água gelada ao longo do dia.
Nesse ritmo, em mais uma semana ele terá ocupado todo o quarto andar da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.
Maurício Valeixo, o superintendente, que se cuide.

Yunes e Lima arrecadavam propina para Temer, diz denúncia

A denúncia apresentada à Justiça Federal pela Procuradoria da República em Brasília acusa José Yunes e João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, de arrecadar propina para Michel Temer.
A acusação de organização criminosa contra os dois e mais sete aliados do presidente foi aceita ontem por Marcus Vinícius Reis Bastos, juiz da 12ª Vara do DF, que abriu ação penal contra os envolvidos no “quadrilhão do MDB”.
Segundo a denúncia do MPF, na condição de “advogado de reputação aparentemente ilibada,” Yunes era “recebedor e distribuidor de propina”, a quem cabia ocultar a origem dos recursos ilícitos e dificultar seu rastreamento.
Os procuradores alegam que o coronel Lima se agregou ao núcleo financeiro da organização criminosa para auxiliar no desvio de recursos de órgãos como Petrobras e Caixa. Temer seria o líder do núcleo político.
Os envolvidos, é claro, negam as acusações.

PEN destitui advogado Kakay da ação sobre prisão após condenação em segunda instância


Novo advogado escolhido pelo partido afirmou que vai tentar retirar pedido de liminar (decisão provisória) sobre o caso da pauta do Supremo Tribunal Federal.

O Partido Ecológico Nacional (PEN) destituiu nesta terça-feira (10) o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, que apresentou ao Supremo Tribunal Federal um pedido de liminar dentro da ação que questiona a prisão em segunda instância.
O advogado Paulo Fernando Mello, que assumiu o caso nesta terça, afirmou que o pedido de liminar foi apresentado sem anuência da direção do partido. E ainda que o PEN é a favor da prisâo em segunda instância; que a ação original era apenas para esclarecer a aplicação da lei; e que nunca foi intenção do partido defender a prisão apenas após todos recursos.
“A pessoa já foi condenada na primeira instância, já foi condenada em segunda instância, teve prova, contraprova, laudo, perícia, testemunha, e quando há o recurso para instância superior, não há admissão de novas provas. Não há análise do mérito apenas para ver se houve um erro. Então, não é possível que, em nome de uma impunidade um processo, demore 10, 15, 20 anos, e as pessoas não sejam julgadas e condenadas e cumpram pena”, afirmou Paulo Fernando Melo.
O PEN decidiu que vai apresentar ao Supremo Tribunal Federal uma petição para retirar o pedido de liminar da pauta. O partido não vê urgência para retomar a discussâo de um tema já amplamente debatido pelo Supremo.
“Nós não consideramos essa matéria urgente. O Supremo já decidiu mais de uma vez a respeito da matéria. E ninguém estava preocupado com isso. Só agora, em face da condenação e prisão de um poderoso, é que estão tomando importância a esse assunto”, disse Melo.
O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, que foi destituído pelo PEN, entrou com um pedido de liminar contra a prisão em segunda instância em nome do Instituto de Garantias Penais, que reúne advogados. O IGP é “amicus curiae” na ação, que no linguajar juridico significa uma parte interessada no processo.
Antonio Carlos de Almeida Castro nega que tenha agido sem a autorização do partido.
Segundo juristas ouvidos pelo Jornal Hoje, a figura do “amicus curiae” não tem poder para pedir liminar – somente a parte autora da ação, no caso o PEN. Também é incomum que a parte autora peça para recuar de uma liminar. Caberá ao ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo, decidir o que fazer diante da situação criada pelo PEN.
Antes do anúncio de desistência do PEN, Marco Aurélio Mello havia declarado que levaria ao plenário do tribunal, nesta quarta-feira, um requerimento para reexaminar essa matéria. E que, ao "levar em mesa" o requerimento, caberia à presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, decidir quando o tema irá a julgamento. Ou seja, não há necessidade de que a presidente marque uma data prévia para discutir o caso.
Marco Aurélio Mello disse que, na opinião dele, "a liminar é o requerimento, é a mesma coisa, e que o pedido do partido seria analiado, mas isso não é automático. O ministro disse que levaria à mesa. Neste caso, a presidente do STF então ficaria ciente e poderia submeter de imediato ou não.
Além da possibilidade de julgamento da liminar na pauta do Supremo nesta quarta-feira está prevista a análise de dois habeas corpus – um do ex-ministro Antonio Palocci, do PT, e outro do deputado Paulo Maluf, do Progressistas, que está em prisão domiciliar. Esses pedidos têm preferência no plenário, mas o ministro Marco Aurélio disse que, se Cármen Lúcia julgar cabível, pode passar na frente. A ordem dos processos a serem julgados tende a ser decidida no momento.
Na noite desta segunda-feira (9), a procuradora Raquel Dodge se manifestou contra pedido de liminar do PEN.
Raquel Dodge argumentou que "o 'fato novo' suscitado pelo partido é a suposição que faz – um indevido exercício de adivinhação – sobre o futuro voto dos ministros nas ações".
A procuradora disse que o ministro Gilmar Mendes alterou expressamente o seu voto durante o julgamento que negou o habeas corpus ao ex-presidente Lula, mas "não há como afirmar como será o voto de mérito da ministra Rosa Weber".
Raquel Dodge disse que o voto de Rosa Weber foi "marcado por coerência e precisão técnica".
No julgamento do habeas corpus de Lula, a ministra Rosa Weber argumentou que, na democracia, o respeito ao colegiado fortalece o Judiciário, o direito e a segurança juridica.
Ela esclareceu que a simples mudança de composição do tribunal não justificava mudança de jurisprudência. E votou contra o habeas corpus – por não considerar ilegal ou abusiva a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que já havia negado.
No parecer, Raquel Dodge também disse que o pedido para derrubar a prisão após a condenação em segunda instância "busca incluir na pauta o julgamento das ações, ultrapassando a decisão soberana da ministra presidente do STF, Cármen Lúcia", que "tem, entre suas atribuições regimentais, a prerrogativa de pautar os feitos que serão levados a julgamento do plenário".
A procuradora defendeu que seja mantido o entendimento do Supremo firmado em 2016, que permite a prisão de condenados em segunda instância.
Ela afirmou que "a alteração súbita, inexplicada, aleatória do sistema de precedentes do Supremo é fator de insegurança jurídica. Sua manutenção fortalece a suprema corte enquanto instituição mais importante do sistema de administração de justiça no Brasil".
Por Gioconda Brasil, TV Globo, Brasília

Coletivismo: a sociedade dos parasitas.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Em artigo publicado no Instituto Cato, Alfredo Bullard observa que violar direitos individuais - como o da propriedade privada - por decisão da maioria nada tem de democrático: trata-se, na verdade, de uma tirania da maioria sobre o indivíduo:
Un grupo de 40 alumnos realiza una asamblea de clase. Jorge hace una propuesta: “Mariano es el único de nosotros que tiene carro. Eso no es justo. Por ello, solicito a la asamblea que se someta a votación democrática si el carro de Mariano debe permanecer como un bien de su propiedad o debe ser transferido a toda la clase como un bien común para que todos lo podamos usar”. 
Mariano reacciona de inmediato: “¡Pero el carro es mío! ¡Eso no puede ser sometido a votación!”. Las voces de sus compañeros pronto acallan la de Mariano. “Así es la democracia”, dice uno. “Está para proteger el bien común”, complementa otro. “Lo que piensa la mayoría debe prevalecer sobre el interés de la minoría”, concluye un tercero. 
Contra la protesta de Mariano, se abre la votación. El resultado es predecible: 39 votos a favor de convertir el carro de Mariano en bien común de todos. Un solo voto en contra (obviamente el de Mariano). 
Por supuesto que el lector advertirá que hay algo raro en ese procedimiento “democrático”. En realidad no es democrático. Es simplemente la tiranía de la mayoría. Parte del interés de la mayoría de parasitar el esfuerzo y logros de un individuo del grupo. 
No es cierto que la mayoría deba prevalecer sobre la minoría. Esa es una regla acotada a ciertos asuntos vinculados con la esfera pública. En el campo de los derechos individuales, sin embargo, el principio es que los derechos de las personas priman sobre lo que quiera la mayoría. Por eso no se puede torturar a sospechosos de terrorismo a pesar de que la mayoría esté de acuerdo. Por eso no podemos ser privados de nuestros hijos porque el Congreso decida que así va a ser. Y por eso la propiedad de los individuos no puede ser confiscada porque una mayoría quiera usarla como le plazca. 
El parasitismo, definido como la apropiación sin compensación del resultado del esfuerzo ajeno, es pan de todos los días en el Gobierno y en el Congreso. Se asume que la legitimidad democrática permite cualquier cosa. 
Un ejemplo: hoy se discuten en el Congreso una serie de proyectos de ley dirigidos a obligar a los centros comerciales a no cobrar a los clientes que se estacionen en sus playas y que buscan forzar a quien invirtió en una infraestructura a compartirla gratuitamente. Por supuesto que no es inusual que los centros comerciales no cobren, pero como parte de una decisión de negocios y no como una imposición legal. 
Medidas como obligar por ley a un colegio o a una universidad a continuar educando a un alumno así no se pague la pensión que él o su familia se comprometió a pagar fuerza a permitir el uso de recursos por los que no se paga. Y peor aun, obliga a quienes sí pagan sus pensiones a subsidiar a quienes no pagan. 
El reciente caso de la canchita y los cines pretende forzar a quien invierte en un cine a no poner límites de cómo se puede ingresar a su propiedad y cómo diseña su negocio. 
Cuando el Estado declara, en abierto incumplimiento de las obligaciones contractuales que tiene con los concesionarios, que deben eliminarse peajes con los que el inversionista debía recuperar su inversión, está creando parásitos que usan un servicio sin pagar por su costo. 
Cuando un inquilino no paga su alquiler y la ley le permite quedarse en uso de lo que no es suyo está parasitando la propiedad ajena. 
Las votaciones en el Congreso o los decretos del Ejecutivo parecen legitimar, bajo un mal entendido principio de la mayoría, lo que no tiene justificación. 
En una sociedad de parásitos el éxito es una maldición. Cuando mayores sean los resultados de tu esfuerzo, mayor es la tentación de parasitar esos resultados usando las mayorías democráticas de manera populista. El resultado es el desincentivo del éxito y la privación de derechos legítimamente adquiridos por quienes arriesgan tiempo y esfuerzo en crear algo nuevo. 
El esfuerzo y la inversión generan riqueza. Por eso, si uno crea esa riqueza es lógico que pueda definir qué hacer con ella. Por supuesto que quienes no la generaron pensarán que no es justo. Pero para ello deben antes preguntarse qué les da derecho a disfrutar del éxito ajeno. Ese es el inicio de una sociedad regida por la mediocridad. DO O.TAMBOSI

PF cumpre mandados da Lava Jato autorizados pelo ministro Edson Fachin


Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão na Operação Tira Teima que investiga pagamentos indevidos de empresários a políticos. Não há ordem para prisões.

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta terça-feira (10) a Operação Tira Teima, desdobramento da Lava Jato, que investiga pagamentos de vantagens indevidas por um grupo empresarial a políticos.
De acordo com a PF, cerca de 40 policiais federais cumprem oito mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro Edson Fachin, relator dos processos da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.
Os mandados estão sendo cumpridos em São Paulo, Goiânia e Fortaleza. Não há ordem de prisão.
A operação foi deflagrada a partir da delação do ex-diretor de relações institucionais da Hypermarcas, Nelson Melo, um dos delatores da Operação Lava Jato.
Em depoimento a autoridades, Melo disse que repassou R$ 5 milhões para a campanha do presidente do Senado, Eunicio Oliveira (MDB-CE), ao governo do Ceará em 2014 por meio de contratos fictícios.
Em fevereiro, a Hypermarcas mudou de nome para Hypera Pharma. A mudança foi aprovada por acionistas em assembleia geral extraordinária da empresa.
A delação de Melo também serviu de base para o cumprimento de mandado de busca e apreensão no escritório do lobista Milton de Oliveira Lyra Filho durante a deflagração da Operação Sépsis, outra etapa da Operação Lava Jato. Lyra Filho é apontado por investigadores como intermediário do pagamento de propina a senadores.
Por Camila Bomfim, TV Globo, Brasília

Cadeia sem privilégios: penas de Lula podem chegar a 118 anos.


terça-feira, 10 de abril de 2018

Juiz da Lava Jato veta visitas fora do padrão para o ex-presidente em Curitiba; familiares têm acesso a Lula apenas uma vez por semana. Matéria publicada por Fausto Macedo em seu blog no Estadão:
O juiz federal Sérgio Moro determinou que nenhum privilégio nas visitações fosse dado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação Lava Jato, na sala reservada na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.
O ex-presidente foi preso no sábado e passou nesta segunda-feira, 9, o segundo dia no cárcere para o cumprimento da pena de 12 anos e 1 mês, em regime fechado, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso apartamento triplex no Guarujá.
“Nenhum outro privilégio foi concedido, inclusive sem privilégios quanto a visitações, aplicando-se o regime geral de visitas da carceragem da Polícia Federal”, diz Moro. O documento, enviado à 12.ª Vara Federal, abriu nesta segunda o processo de execução da pena de Lula.
A medida, segundo Moro, é para “não inviabilizar o adequado funcionamento da repartição pública”, que desde a chegada do petista está cercada por bloqueios da Polícia Militar para impedir protestos, depredações e acampamentos de manifestantes.
O Estado apurou que a Lula foi dado o direito de receber visitas de advogados a qualquer dia – menos sábados, domingos e feriados – e de familiares, uma vez por semana, como ocorre com os demais encarcerados da PF.
Nos primeiros dois dias na prisão em Curitiba, Lula recebeu seus advogados Cristiano Zanin Martins, Valeska Zanin Martins e Sigmaringa Seixas, ex-deputado petista.
Zanin e Sigmaringa estiveram ao lado do ex-presidente logo após sua chegada na PF, na noite de sábado. Numa espécie de antessala do local preparado para o ex-presidente cumprir a pena, os dois permaneceram até as primeiras horas do domingo, antes de Lula dormir a primeira noite na prisão. Por volta das 15h de domingo, os dois retornaram para a primeira visita de advogados.
Foi ali que Lula recebeu em pleno domingo, com a unidade fora de funcionamento, seus advogados por cerca de duas horas.
Palocci. Os outros 20 presos comuns na custódia da PF, que funciona no segundo piso do prédio, entre eles o ex-ministro Antonio Palocci, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, o ex-diretor da Petrobrás Renato Duque, não têm direito a visitas de advogados nos domingos.
No documento em que ficha Lula como condenado, após seu recolhimento em prisão, Moro destaca: “Também não se justificando novos privilégios em relação aos demais condenados”.
Na noite de sábado, horas depois de o ex-presidente chegar preso de helicóptero, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann – que é do Paraná –, esteve na sede da PF para falar com o superintendente, delegado Maurício Valeixo. Segundo ela, o objetivo era saber dos confrontos ocorridos entre militantes do partido e a Polícia Militar, que faz o bloqueio no entorno do prédio – após a Justiça estadual decretar o interdito do perímetro para protestos e acampamentos.
Formada em advocacia, a senadora do PT pretende usar seu documento da OAB para ter acesso ao ex-presidente durante sua permanência na prisão, em Curitiba.
Consulta. A subchefia de Administração da Presidência informou ao Estado que “enviou consulta, em caráter de urgência, sobre os direitos do ex-presidente Lula, agora que ele está preso, à Subchefia de Assuntos Jurídicos da Presidência da República”.
Apesar de ainda não terem sido concluídas as avaliações jurídicas em relação à manutenção ou não dos benefícios que Lula tem direito como ex-presidente, a ideia inicial é de que seja determinada uma suspensão temporária de alguns destes benefícios, como os serviços dos quatro seguranças que acompanhavam o petista e os dois carros com dois motoristas à disposição dele.

Justiça determina que PF entre em investigação sobre e-mails de Dilma

Ex-presidente foi denunciada ao STF por obstrução de Justiça
Por Vinicius Sassine
O Globo
A ex-presidente Dilma Rousseff durante entrevista a jornalistas estrangeiros no Rio 26-03-2018
Pedro Teixeira / Agência O Globo
BRASÍLIA — A Polícia Federal (PF) entrou no polêmico caso dos e-mails atribuídos à ex-presidente Dilma Rousseff, por meio dos quais ela teria alertado o casal João Santana e Mônica Moura sobre os avanços da Lava-Jato, quando ainda era presidente. O juiz federal Ricardo Soares Leite, que atua na 10ª Vara Federal em Brasília, determinou o encaminhamento do caso à PF, o que pode levar a um aprofundamento das investigações sobre a atuação da petista no episódio.
A entrada da PF é mais um capítulo dessa história. O então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já denunciou Dilma ao Supremo Tribunal Federal (STF) por obstrução de Justiça, usando para isso os supostos e-mails alimentados no rascunho de uma conta no Gmail. Com o impeachment da presidente e a consequente perda de foro privilegiado, o processo foi encaminhado à primeira instância da Justiça.
O Ministério Público Federal (MPF) com atuação no DF pediu arquivamento da parte da denúncia referente aos e-mails e uma cópia do processo para a abertura de um novo procedimento, de forma que a investigação fosse refeita, diante de uma alegada falta de provas. A Justiça decidiu incluir a PF na história, compartilhando a investigação entre PF e MPF.
Janot denunciou Dilma em 6 de setembro de 2017, menos de duas semanas antes de deixar o cargo de procurador-geral da República. Na acusação, ele enquadrou a petista no crime de obstrução de investigação que envolve organização criminosa, combinado com o concurso material de crimes ("três vezes"), previsto no Código Penal. O caso dos e-mails foi utilizado como parte das provas na denúncia.
Remetido à primeira instância, cabe ao MPF reiterar a acusação ou pedir o arquivamento. O procurador da República Ivan Marx enxergou a necessidade de as investigações prosseguirem, mesmo com a denúncia já tendo sido apresentada pela Procuradoria Geral da República (PGR). O juiz Ricardo Leite decidiu incluir a PF no processo, de forma que os policiais federais também opinem sobre ampliar ou não a investigação.
O magistrado não encontrou nos autos oriundos do STF qualquer participação da PF na apuração. Ou seja: a PGR, sob o comando de Janot, teria liderado sozinha as investigações sobre os e-mails. Na primeira instância, a praxe é que PF e MPF atuem juntos.
Conforme a denúncia de Janot, Dilma usou o rascunho de uma conta no Gmail para informar Mônica Moura sobre os avanços da Lava-Jato para cima dela e do marido, João Santana, marqueteiro das campanhas da petista. Os alertas seriam cifrados, conforme a acusação do ex-procurador-geral. Os dois chegaram a ser presos e se tornaram delatores na operação.
“Em agosto de 2015, Dilma Vana Rousseff criou as contas de correio eletrônico 2606alvarina@gmail.com e 2606iolanda@gmail.com, compartilhando a respectiva senha com Mônica Moura”, cita a denúncia. “Ambas passaram a utilizar tal correio eletrônico para trocar mensagens cifradas sobre a Operação Lava-Jato. As mensagens não eram enviadas para evitar monitoramento e rastreamento, mas eram apenas escritas e salvas como rascunhos”, continua.
Segundo Janot, o número “2606” é uma referência “à data de 26 de junho de 1968, em que o grupo Vanguarda Popular Revolucionária, integrado por Dilma Rousseff, praticou um atentado com carro-bomba em um quartel em São Paulo, durante ditadura militar”. “Ademais, ‘Iolanda’ Barbosa era o nome da esposa do general Costa e Silva, presidente da República na época. Tais circunstâncias indicam a efetiva relação entre a situação e Dilma”, diz o procurador-geral na denúncia.
A denúncia da PGR diz que, nas proximidades de ela e o marido serem presos pela PF na Lava-Jato, Dilma escreveu a seguinte mensagem, em 19 de dezembro de 2015: “O seu grande amigo está muito doente. Os médicos consideram que o risco é máximo. O pior é que a esposa, que sempre tratou dele, agora está com câncer e com o mesmo risco. Os médicos acompanham os dois, dia e noite.” “Tratava-se de um aviso antecipado sobre a prisão do casal de publicitários. Na época, a advertência foi, ainda, reiterada por meio de telefonemas feitos por Dilma e Mônica em 20 e 21 de dezembro”, escreve Janot.
Segundo o então procurador-geral, “os dados telemáticos confirmaram a existência dos e-mails em questão, inclusive daquele em que o rascunho transcrito acima, o qual já havia sido apresentado por meio de ata notarial, foi elaborado”. A denúncia cita outra mensagem cifrada, no mesmo e-mail, com data de 22 de fevereiro de 2016: “Vamos visitar nosso amigo querido amanhã. Espero não ter nenhum espetáculo nos esperando. Acho que pode nos ajudar nisso ne?”
A suposta troca de e-mails entre Dilma e Mônica baseou-se apenas em ação cautelar de quebra de sigilos telemáticos e telefônicos citados no processo, sem existirem elementos suficientes para ratificar a denúncia, conforme o pedido enviado pela Procuradoria da República no DF à Justiça Federal. A instauração de um novo procedimento de investigação serviria para esclarecer os fatos, conforme o procurador Ivan Marx.
Entre as diligências previstas está um pedido de informações ao Arquivo Nacional sobre os registros existentes a respeito da militância de Dilma contra a ditadura militar. Outra diligência possível é a solicitação de informações à Google – empresa dona do Gmail – sobre de qual IP partiu o registro dos e-mails e do conteúdo nos rascunhos. Isto permitiria verificar se partiu de algum computador dos Palácios do Planalto e da Alvorada.
O episódio dos e-mails não é o único usado na denúncia de Janot. A peça lista outros dois episódios que configurariam crime de obstrução de Justiça: suposta oferta de apoio político e financeiro ao então senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS), de forma que não fizesse acordo de delação premiada; e intenção de dar posse a Lula no cargo de ministro da Casa Civil, com o propósito de blindar o ex-presidente com o foro privilegiado. Lula e o ex-ministro Aloizio Mercadante foram denunciados por Janot, e esta acusação também foi enviada à primeira instância.
09/04/2018

Polícia indicia ex-vereador de Diadema por agressão a empresário em frente ao Instituto Lula


Manoel Eduardo Marinho, conhecido como Maninho, e o filho dele foram indiciados após confusão quando mandado de prisão de Lula foi expedido.
Vítima passou por cirurgia e estado de saúde é estável.

Por Bruno Tavares e Robinson Cerantula
TV Globo
G1
Ex-vereador de Diadema Maninho fala com jornalistas após ser indiciado
A Polícia Civil de São Paulo indiciou pelo crime de lesão corporal o ex-vereador de Diadema Manoel Eduardo Marinho, conhecido como Maninho, e o filho dele, Leandro, por agressão ao empresário Carlos Alberto Bettoni durante confusão em frente ao Instituto Lula, no Ipiranga, na Zona Sul de São Paulo, na última quinta-feira (5).
A confusão ocorreu momentos após o ex-presidente petista deixar o local para seguir para o Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, no dia em que foi expedido o mandado de prisão de Lula. Carlos Alberto Bettoni, de 56 anos, discutiu com apoiadores do petista e acabou agredido (veja vídeo abaixo).
Bettoni caiu e bateu a cabeça no para-choque de um caminhão que passava na rua. Ele ficou caído, imóvel, até que recobrou a consciência e foi levado para o hospital que fica perto do instituto.
Exames indicaram traumatismo craniano. O empresário passou por cirurgia e foi levado a um quarto. Parentes ouvidos pela TV Globo disseram que ele está bem e consciente. Ele teve pequenos coágulos, que o corpo deverá absorver naturalmente. Segundo o Hospital São Camilo, do Ipiranga, informou neste domingo (8), o estado de saúde do paciente é estável, mas ainda sem previsão de alta.

Homem fica ferido após confusão em frente ao Instituto Lula em São Paulo
A polícia ainda não definiu qual a natureza da agressão sofrida pela vítima. Isso vai depender de um exame de corpo de delito, que será feito nesta terça-feira (10) por um perito do Instituto Médico Legal no hospital em que o empresário está internado.
Manoel Eduardo Marinho foi vereador de Diadema pelo PT cinco vezes e concorreu, sem sucesso, à Prefeitura da cidade na última eleição, em 2016.
Ao ser questionado por jornalistas nesta segunda-feira sobre o que ocorreu, Maninho disse que “foi um sentimento natural” e que a “Justiça vai averiguar”.
 
Homem fica ferido após se chocar com caminhão em frente ao Instituto Lula
(Foto: Leonardo Benassatto/Reuters)
09/04/2018