domingo, 14 de fevereiro de 2016

Senador Cristovam deixa PDT e filia-se ao PPS

Josias de Souza

O senador Cristovam Buarque, um pernambucano eleito pelo Distrito Federal, decidiu abandonar o governista PDT. Nesta semana, ele assinará ficha de filiação no oposicionista PPS.
“Cansei”, disse Cristovam ao blog. “Não quero que meu nome fique associado a um partido que ajudou o país a afundar. Venho falando há tempos que não vai dar certo. Foram muitos alertas. Está cada vez pior. Já não estamos em crise, estamos em decadência. E levaremos muito tempo para sair dela.”
Para Cristovam, a decadência carcome até as conquistas das quais o petismo sempre se jactou. “A Bolsa Família, que já era insuficiente, hoje, com a inflação, vale 20% menos. O PT abriu a porta da casa para algumas pessoas, mas não abraçou. Abraçar seria, por exemplo, providenciar o saneamento, para não tivéssemos a dengue. Não houve um acolhimento real. Apenas permitiu-se que as pessoas pudessem comprar coisas financiadas. No fundo, endividaram as famílias.”
Cristovam está a poucos dias do seu aniversário. Fará 72 anos no próximo sábado. “Quando conversei com Roberto Freire [deputado federal, presidente do PPS], disse a ele que estamos na idade de nos preocupar mais com a memória do que fizemos do que em fazer coisas novas. Ele disse algo muito correto: ‘Isso seria verdade se o Brasil estivesse bem. Mas na situação em que o país se encontra, tirar o time de campo seria uma irresponsabilidade.”
O senador disse já ter comunicado sua decisão ao grupo político que o apoia em Brasília. “Eu manifestei o meu incômodo. Saí do PT no auge do PT. Fui para a oposição. Disputei a Presidência da República com Lula, em 2006. Pouco depois o Carlos Lupi [presidente nacional do PDT] entrou no governo. A cada reunião que fazíamos, ele dizia: ‘daqui a dois meses a gente sai.’ E nada.”
Cristovam prosseguiu: “Agora, descubro que o PDT não só não saiu do governo como o abraçou de vez. Vejo inclusive uma estratégia de o PDT virar a alternativa para o PT continuar no poder sem o PT. Como os militares tentaram fazer com o Paulo Maluf. Tirava os militares e botava um civil. Agora, querem que o Ciro Gomes seja o candiato do PT pelo PDT. Eu perguntei ao meu grupo: me apresentem uma razão para continuar.”
Segundo Cristovam, sua entrada no PDT não envolve nenhum tipo de compromisso em relação à corrida presidencial de 2018. “Roberto Freire chegou a falar sobre isso. Mas eu disse que não quero compromisso. Nem há o compromisso do PPS nem aceito que se exija de mim ser candidato de qualquer jeito. Hoje, não sei. Estou mudando de partido às vésperas de completar 72 anos. Considero que, nessa idade, esse é um gesto raro.”

sábado, 13 de fevereiro de 2016

PT NÃO CONSEGUE MAIS EVITAR A DESIDRATAÇÃO POLÍTICA DE LULA

O texto que segue é parte da reportagem da revista IstoÉ que foi às bancas neste sábado. Faz um inventário das últimas peripécias do PT para tentar blindar Lula, que vem sofrendo uma evidente desidratação política em função das suspeitas levantadas pela operação Lava Jato no âmbito do petrolão. O título original da reportagem de IstoÉ indaga: "Será possível blindar Lula?".
Ao final do texto há link para leitura integral desta matéria. Leiam:
O Juiz Sergio Moro
Na quarta-feira 17, o ex-presidente Lula terá de prestar depoimento ao Ministério Público de São Paulo no processo sobre a reforma do tríplex, no Guarujá, por suspeitas de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro. Será a primeira vez em que Lula, ao lado de sua mulher Marisa Letícia, será ouvido como investigado. Nem no mensalão, com todas as evidências de caixa 2 e compra de apoio político de parlamentares, o ex-presidente e líder máximo do PT encontrou-se nessa condição. O caso envolve outra peculiaridade. Nunca Lula esteve sob suspeição por vantagens indevidas e pessoais que possa ter obtido durante o exercício do poder – como contrapartida a benefícios públicos oferecidos a entes privados. Benesses estas de fácil entendimento popular e com potencial de macular a imagem já bastante deteriorada do ex-presidente, considerado a tábua de salvação do projeto de poder petista para além de 2018, uma vez que todas as pesquisas mostram que, com Lula fora do páreo, não há nas fileiras petistas viva alma com musculatura política suficiente para concorrer, com chances de vitória, às próximas eleições presidenciais.
A TROPA DE CHOQUE
Por isso, nos últimos dias, o PT desencadeou uma verdadeira operação na tentativa de blindar Lula. Entraram em cena para defendê-lo, o presidente do partido, Rui Falcão, ministros do governo, parlamentares e ex-governadores da legenda. Os argumentos da tropa de choque não trazem justificativas novas e se mostram desconectadas da realidade. Repetem o velho e surrado discurso da vitimização, como se Lula estivesse acima do bem e do mal. Os fatos, no entanto, se sobrepõem à narrativa. Por isso, apenas entre os petistas mais fanáticos existe algum tipo de mobilização. Estes planejam uma manifestação em frente ao Fórum da Lapa a fim de pressionar o MP durante o depoimento de Lula numa espécie de “ato de desagravo”. Certamente, a concentração irá reunir militantes de carteirinha, a maior parte empregada pelo aparelhamento promovido pelo partido em prefeituras, estados e no governo federal. Seguindo a cartilha da cúpula patidária, esses petistas insistem em tratar Lula como vítima das elites e do rigorismo do Ministério Público e da Polícia Federal. “Nunca antes um ex-presidente da República foi tão caluniado, difamado e injuriado como Lula”, escreveu Rui Falcão, em nota, certamente esquecendo-se do que o líder petista e seu partido disseram sobre Sarney, Collor e FHC. O ex-governador Tarso Genro foi mais ousado. Chegou ao cúmulo de dizer que “a mídia faz de Lula o judeu da década, como os nazis fizeram deles e comunas os alvos do ódio à democracia social”. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou na quinta-feira 11 que o ex-presidente Lula virou alvo de investigações porque desafia o projeto político da oposição. “Setores da oposição, visivelmente, querem isso. Já há algum tempo em que procuram, a cada passo, atingir o presidente Lula porque reconhecem nele o grande líder que desafia os projetos políticos da oposição”, afirmou. Em vídeo divulgado na quarta-feira 10, por ocasião dos 36 anos do PT, o ex-presidente, visivelmente abatido, não mencionou as investigações das quais é alvo, embora tenha falado em “erros do partido”. Também não revelou que, nos bastidores, planeja um reforço no campo jurídico, incorporando ao seu time de advogados, já formado por Nilo Batista, Roberto Teixeira e Cristiano Zanin, pesos pesados da advocacia nacional, como José Roberto Batocchio.
A interlocutores, Lula manteve a toada do coitadismo. Disse ter virado o “prêmio” de uma “gincana” promovida por divisões da PF e do Ministério Público. Por isso, se sentia golpeado “abaixo da linha da cintura”. “Há um projeto para me destruir, e ao nosso legado”, afirmou. Ao fim, recorreu ao discurso maroto do “poderia ter ganho milhões”, mas a preocupação foi transformar o País.
NOVA INVESTIGAÇÃO
Apesar do esforço retórico do PT para tentar blindar o ex-presidente, o desgaste político enfrentado pelo petista vai aumentar. Na semana passada, o juiz Sérgio Moro, responsável pelo caso na Justiça Federal do Paraná, autorizou a abertura de um  inquérito específico para que sejam apurados negócios relacionados ao sítio em Atibaia. Desde que deixou o Palácio do Planalto ao final de seu segundo mandato, Lula e familiares frequentam o local regularmente. Parte do acervo presidencial foi levado para a propriedade. Há, segundo as investigações, suspeitas de que a OAS, uma das empreiteiras do cartel que fraudou licitações da Petrobras, tenha bancado obras no local como compensação por contratos com o governo. O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente e preso em Curitiba acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, também teria assumido parte das despesas da reforma. “Trata-se de inquérito policial inicialmente instaurado com a finalidade de investigar, dentre outros, crimes de peculato e de lavagem de dinheiro praticados por dirigentes da empresa OAS S.A”, afirmou Moro. De acordo com o juiz da Lava Jato, no entanto, a investigação deve ser estendida para “além do âmbito da empresa OAS”. A apuração policial abordará ainda outro aspecto. A propriedade está registrada em nome dos empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna, sócios do filho mais velho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Custou R$ 1,5 milhão, em outubro de 2010, dos quais R$ 100 mil (R$ 143 mil em valores atuais) foram pagos em dinheiro em espécie. Tem 173 mil m² de área e é equipada com piscina, churrasqueira, campo de futebol e tem um lago artificial para pescaria. Os agentes federais vão tentar esclarecer se os empresários figuram como proprietários com o objetivo de esconder os verdadeiros donos. Segundo as investigações, a OAS custeou as cozinhas planejadas instaladas no sítio. O pagamento foi feito em dinheiro em março de 2014. O empresário Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, foi interrogado por integrantes da Lava Jato a respeito das despesas realizadas pela empreiteira. Pinheiro permaneceu em silêncio. Na quarta-feira 17, Lula, frente a frente com promotores do MP de São Paulo, não poderá adotar a mesma postura. Clique AQUI para ler a reportagem completa DO A.AMORIM

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Dilma vai a Lula… Logo, a sede do governo sai do Palácio do Planalto e vai para a Papuda



Eis o país de Lula.

No 36º ano de fundação do partido, no 14º ano do poder petista, parte considerável do futuro do Brasil fica submetida à vontade de um coronel, que atrela políticas públicas às necessidades da máquina que lhe confere poder e às vicissitudes de sua, digamos, folha corrida no setor imobiliário.
Digam-me: é isso o que se espera de uma República?
Por Reinaldo Azevedo 

Querem um emblema que explica o fato de estarmos nesta pindaíba? A presidente Dilma Rousseff está em São Paulo. Eu nem tinha me dado conta da agenda, mas notei algo estranho e denso no ar tão logo acordei. Achei que o ar-condicionado estivesse desligado, mas não… Aí entendi.
O que ela veio fazer neste estado? Encontrar-se com Luiz Inácio Lula da Silva, seu antecessor. Hummm… É bem verdade que você nunca viu Barack Obama pedir a opinião de Bill Clinton — não que ele não devesse, rsss… Quem sabe fizesse menos besteiras… —, mas, em si, um encontro entre pessoas do mesmo partido pode até ser considerado normal.
O que é anormal é a agenda. Ela, sim, nos remete às coisas que infelicitam o Brasil.
Um dos temas do encontro, segundo informa apuração da Folha, é o sítio de Atibaia. Ora, por que um imóvel que pertenceria aos sócios do filho de Lula é do interessa da presidente da República? Resposta: porque ele se tornou um símbolo, por incrível que pareça, do jeito petista de governar.
A esta altura, não há uma só pessoa que acredite que os tais Fernando Bittar e Jorge Suassuna sejam realmente os donos daquele troço. Todos os indícios apontam que não. Sim, não será a crença desse ou daquele que vai definir a verdade. O que interessa aí é a cadeia de relações que esse sítio revela. E essa cadeia demonstra um país governado nas sombras.
A Polícia Federal decidiu abrir um inquérito para apurar, afinal de contas, de quem é aquele “puxadinho de ricos”, a relação das empreiteiras com ele e se, de algum modo, as benfeitorias realizadas se relacionam com a República Paralela do Petrolão.
Administrativamente, a Polícia Federal é subordinada ao Ministério da Justiça, cujo titular, José Eduardo Cardozo, é escolha pessoal de Dilma. A presidente vai debater com Lula exatamente o quê?
A Previdência
A Previdência está quebrada. Uma reforma que tornasse o sistema viável não resolveria os problemas do Brasil, mas seria uma sinalização importante. Todas as tentativas honestas e corretas nesse sentido foram duramente combatidas pelo PT desde que o partido existe.
A legenda já deu sinais de que não pretende se engajar na mudança. Quem manda é Lula. Nisso como em tudo mais. Eis por que sempre se cobrem de ridículo as versões de que ele nunca sabe de nada.
O PT não é o PT, mas uma legião, como os demônios. Há os sindicatos, os ditos movimentos sociais, as organizações que considero de caráter paraterrorista, como MST e MTST… Hoje, são minoria no país, mas podem provocar turbulências, como se sabe.
Dilma vai tratar da reforma da Previdência com Lula — o homem do sítio e do tríplex — como quem vai falar com o chefe de uma milícia, com um senhor da guerra. Alguém que não consegue explicar a sua relação com dois imóveis, que é obrigado a se esconder na retórica do vitimismo passivo-agressivo, tem uma espécie de palavra final sobre uma mudança que é vital para os brasileiros.
Eis o país de Lula. No 36º ano de fundação do partido, no 14º ano do poder petista, parte considerável do futuro do Brasil fica submetida à vontade de um coronel, que atrela políticas públicas às necessidades da máquina que lhe confere poder e às vicissitudes de sua, digamos, folha corrida no setor imobiliário.
Digam-me: é isso o que se espera de uma República?
De resto, Dilma Rousseff demonstra, ao marcar essa conversa, que não é mesmo dona de seu mandato. Está entregue às articulações de feiticeiros como Jaques Wagner e Ricardo Berzoini, braços de Lula no Palácio do Planalto. Trato desse assunto na minha coluna de hoje da Folha. Eles já perceberam que está em curso, em algumas áreas do debate político, uma espécie de troca: corte-se a cabeça do demiurgo e se salve a de Dilma.
Eles forçam a governanta a atrelar o seu destino ao do antecessor. E ela não tem saída, porque é fraca e não sabe fazer política, a não ser se render a esse jogo.
Imaginem a cena: a presidente do Brasil se desloca para discutir a reforma da Previdência e a propriedade de um sítio com quem deve explicações à Polícia.
A isso formos reduzidos.
Dilma tem de ser apeada do poder antes que o Brasil seja apeado do mundo que interessa. E antes que a sede do governo seja transferida do Palácio do Planalto para a Papuda.12/02/2016

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O que dirá Lula a Moro quando for interrogado?

Josias de Souza

De mansinho, como quem não quer nada, Sérgio Moro vai encostando a Lava Jato na jugular de Lula. Primeiro, o juiz avalizou a inclusão do triplex 164-A, que a OAS reservara para a família Silva no célebre prédio do Guarujá, no rol de imóveis investigados na Operação Triplo X. Na sequência, Moro liberou a Polícia Federal para abrir, na mega-investigação do assalto à Petrobras, um inquérito específico sobre o sítio de Atibaia, cuja utilização foi terceirizada a Lula —livre de ônus e sem prazo— por dois sócios do primogênito Fábio Luiz da Silva, o Lulinha.
O que parecia impensável vai ganhando contornos de inevitável. Se 10% dos indícios colecionados pela PF se confirmarem, Lula será intimado a prestar esclarecimentos. Primeiro à força-tarefa da Lava Jato. Depois, ao próprio Sérgio Moro. Nessa hora, a conversa fiada do complô de direita e o lero-lero da perseguição política terão pouca serventia. O depoente terá de pular o cercadinho das notas oficiais do Instituto Lula, que tratam qualquer investigação como coisa de estraga-festas infiltrados no aparato estatal e hereges a serviço da mídia golpista.
Cercados pelos fatos, Lula e o petismo vivem uma realidade nova. Partidos costumam proteger seus investigados. No caso do PT, mesmo os mais evidentemente culpados, como os mensaleiros, que arrastam as correntes de condenações irreversíveis, são homenageados como “guerreiros do povo brasileiro.” Para Lula, o PT concede um deixa-pra-lá preventivo. Quando o escândalo é tão escancarado que fica impossível não reagir, o partido oferece toda sua conivência e cumplicidade. O juiz Moro tem se revelado bem menos compreensivo.
Em último caso, faltando-lhe melhor explicação, Lula poderá alegar que cometeu o crime da desatenção. Já admitiu ter visitado o triplex do Guarujá na companhia do amigo Léo Pinheiro, dono da OAS. Reconheceu também que Marisa e Lulinha estiveram no imóvel sob reformas. Mas a falta de atenção impediu Lula de reparar que pisava, junto com seus familiares, a hipotética cena de crimes mais graves do que o descuido. Quando a ficha lhe caiu, o triplex já estava nas manchetes.
No sítio de Atibaia, Lula tornou-se um reincidente. Visitou tantas vezes a propriedade que não reparou nas melhorias providenciadas pela Odebrecht e pelo amigo José Carlos Bumlai. Tampouco se deu conta de que a OAS mandara instalar uma cozinha nova e requintada. Que diabos, ninguém cobrou nada! Como diz o amigo Gilberto Carvalho, presente de empreiteiros para um ex-presidente da República “é a coisa mais normal do mundo”.
Uma das vítimas dos novos tempos vividos por Lula e o PT é a semântica. Quando chamam de normal as relações de um ex-presidente da República com salteadores do Estado você sabe que está no meio de uma crise de significado ou numa roda de cínicos. A alternativa ao cinismo seria uma confissão à moda de José Dirceu. Espremido por Moro, Dirceu admitiu que cruzou o país no jatinho de um lobista encrencado na Lava Jato. Também confessou que um outro lobista pagou a reforma de uma de suas casas, em Vinhedo. Lula talvez se sinta mais confortável confessando a Sérgio Moro sua condição de cínico descuidado.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Sob caos, PT pede na tevê o fim do pessimismo

Josias de Souza
Nesta terça-feira gorda, o PT leva ao ar comercial de um minuto. “Dizem que o ano começa quando o Carnaval acaba”, afirma o locutor na propaganda. “Então, vamos começar trabalhando. Vamos começar botando toda essa energia, essa criatividade e alegria na nossa vida e no nosso trabalho, para o Brasil seguir crescendo. Tá na hora de mudar o enredo. Vamos deixar de lado o pessimismo…”
De fato, se você reparar bem verá que não há motivo para pessimismo. A economia está em ruínas, possibilidade ideal para ser reformulada. E sente-se no ar que o partido de Dilma Rousseff propõe que a presidente passe por uma metamorfose. O PT faz isso com neutralidade e equilíbrio. Anda sempre com uma lata de gasolina na mão direita e o fósforo na esquerda.
Pedir ao brasileiro que trabalhe é fácil. Quem não engrossou as estatísticas do desemprego samba miudinho desde 1º de janeiro. Sem direito a Carnaval. Difícil mesmo é colocar o governo para governar. Quando Dilma foi reeleita, havia duas crises sobre a mesa —a econômica e a ética. Passou-se um ano. Graças à absoluta falta de governo, todos os indicadores econômicos pioraram em 2015. E a lama já roça os sapatos de Lula.
O comercial do PT demonstra que o insucesso subiu à cabeça dos seus dirigentes. A impostura é evidente. Uma legenda que, engolfada pelo caos e por escândalos, depois de 13 anos em que o país foi saqueado pelos esquemas que o acompanham no poder, consegue pedir à nação para “deixar de lado o pessimismo” ou é uma agremiação de cínicos ou de lunáticos.

SÓ NO PRIMEIRO MANDATO DILMA TORROU MAIS DE R$ 6 BILHÕES COM PROPAGANDA DO GOVERNO E ESTATAIS. É MAIS DO QUE VERGONHOSO. É CASO DE CADEIA E EXTINÇÃO DO PT.

No primeiro governo Dilma, a Secretaria de Comunicação (Secom), da Presidência da República, aplicou R$ 815 milhões em propaganda, tentando construir imagem positiva do governo. Sem contar os gastos das quatro maiores estatais para trombetear as maravilhas do governo: R$ 5,3 bilhões. A campeã é a Caixa, feudo do petista André Vargas, hoje preso, e do amigo Clauir Santos, chefe de marketing do banco.
Só em 2014, ano da reeleição de Dilma, a Presidência da República gastou R$ 238 milhões em propaganda, o triplo do último ano de Lula.
A FARRA EM DETALHES
Clique sobre a imagem para vê-la ampliada
Apesar da farra com dinheiro público em publicidade, o Planalto trocará as agências que dividem a verba: Leo Brunet, Propeg e Nova SB.
Debilitada pela gatunagem na era petista, a Petrobras gastou R$ 1,35 bi em publicidade no primeiro governo Dilma. Banco do Brasil, R$ 1,42 bi.
Mesmo em declínio e amargando prejuízos, os Correios gastaram R$ 615 milhões com propaganda, durante o primeiro governo Dilma. Da Coluna Cláudio Humberto/Diário do Poder  - DO ALUIZIOAMORIM

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A RAINHA DO AEGYPTI ESTÁ ACABANDO COM O TURISMO

Desde que Dilma Vana vestiu a carapuça de Mulher Sapiens que ela se acha no papel de Cleópatra do Lago Paranoá, foz do rio Nilo onde nasce o Aedes Aegypti.
De lá pra cá, vislumbrando um ponto de atenção tão amedrontador que é capaz de abafar os escândalos do seu governo, a nossa Rainha do Aegypti pode ficar mais descansada porque, afinal, bote botar a culpa da mosquitama nas costas do povo.
O tiro, no entanto, mais uma vez está saindo pela culatra. O turismo caiu em quase 40% depois da zikazira criada por Dilma Vana em torno do mal que faz uma picadura. Essa coisa de "guerra ao mosquito" está espantando meio mundo.
Agora, mesmo os noticiosos das redes de TV dos Estados Unidos informam que os atletas norte-americanos podem não vir ao Rio por causa do zika vírus. A equipe norte-americana está seriamente preocupada com o vírus transmitido justamente pelos súditos da Rainha do Aegypti.
Bolas, sempre achei que Dilma era uma exagerada em seus anúncios e promessas de TV; e também sempre achei que ela havia alcançado um patamar tal que jamais seria capaz de superar a si própria em confundir a população com seus alertas oficiais.
Pronto, me convenci que não tenho que achar coisa nenhuma quando Dilma Vana vira Mulher Sapiens e banca a Rainha do Aegypti. DO S.DA NOTICIA

O coitado do Lula

Editorial do Estadão

Diante das investigações envolvendo denúncias de ocultação de patrimônio e do recebimento de favores de duas grandes empreiteiras, o ex-presidente Lula partiu para o ataque. Classificando os meios de comunicação como “imprensa facciosa”, o antigo líder sindicalista assume o papel de vítima. A respeito do famoso tríplex do Guarujá – cujas notícias são tratadas como “invencionices” –, a assessoria de imprensa do ex-presidente não poupa palavras: “A mesquinhez dessa ‘denúncia’, que restará sepultada nos autos e perante a História, é o final inglório da maior campanha de perseguição que já se fez a um líder político neste país”.
Além de transmitir certo tom de desespero, a estratégia de defesa de Lula ultrapassa os limites do ridículo. Tudo é superlativo. Numa semana, Lula é o maior santo da história brasileira. “Não existe viva alma mais honesta do que eu neste País”, afirmou no dia 20 de janeiro o ex-presidente. E ainda desafiou todos os brasileiros de bem: “Pode ter igual, mas eu duvido”. Na semana seguinte, é o maior perseguido político ao longo de toda a história brasileira. Subir em vida nos altares da glória é sempre um arriscado passo.
Além disso, seu entorno político faz questão de deixar claro que Lula não sofre de destemperança verbal ou de arrebatamento retórico – fala acima do tom de caso pensado, para vender a ideia de que é um coitado e está sofrendo um massacre.
Os supostos ataques contra Lula nada mais são do que a revelação de informações de alto interesse público: a promiscuidade do ex-operário com as grandes empreiteiras. Revela-se também como algumas dessas empresas se esforçam por oferecer um pouco de bem-estar ao líder político que cresceu atacando as elites. Não publicar tais informações seria dispensar um tratamento privilegiado a quem sempre afirmou combater os privilégios.
É compreensível o desejo de Lula de que essas informações permanecessem ocultas. Com seu faro político, sabe bem que essas notícias esburacam o que esperava que fosse um fácil caminho para 2018. Certamente Lula intui como o povo – esse que sofre as consequências da grave crise econômica, com inflação e desemprego crescentes, e não tem a quem recorrer na hora da reforma da casa – vê tudo isso: apartamento, sítio, cotas, reformas, barco, amizades, favores, pescarias.
A compreensível irritação de Lula diante de todas essas notícias não justifica, no entanto, sua metralhadora giratória contra a imprensa. Sua atitude apenas faz abrir ainda mais o fosso entre o que ele é, de fato, e o mito do grande estadista democrata que ele ajudou a criar para proveito próprio e da companheirada. Democratas não agem assim. As coisas mal explicadas, mal contextualizadas, um democrata honesto trata de explicá-las convincentemente. Lula sempre teve à sua disposição todos os meios para informar com transparência. No tempo em que ainda distinguia a sua realidade do mito que não parou de criar, Lula não se cansava de dizer que devia a sua ascensão social e política ao trabalho da imprensa. Mas ele mudou, sem deixar de ser o mesmo. Agora tenta, sem sutilezas, fazer o povo de bobo, menosprezar sua inteligência ou seu senso comum.
A vitimização de Lula é realmente muito perigosa, desperta talentos e instintos bestiais. Seu fiel escudeiro, Tarso Genro, por exemplo, escreveu em sua conta no Twitter: “A mídia faz de Lula o judeu da década, como os nazis fizeram deles e comunas os alvos do seu ódio à democracia social. É só ler. Weimar”. Isso não é apenas um grosseiro despropósito. É um desrespeito que atinge até mesmo quem o proferiu, além de causar óbvios e profundos danos à verdade e à democracia.
O ex-presidente Lula não está sendo perseguido, massacrado ou muito menos torturado. Tem a seu dispor todos os legítimos meios de defesa característicos de um Estado Democrático de Direito. Se não os usa, é porque não confia em sua eficiência, ou melhor, sabe que tais meios desembocam naquilo que ele quer evitar: a verdade. Prefere a demagogia – a arte de engabelar os trouxas. 08 Fevereiro 2016 DO R.DEMOCRATICA

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Carnavalescos repudiam a roubalheira, comemoram Lula presidiário e saúdam o Japonês da Federal

Neste artigo, Ricardo Boechat conta no seu blog de que modo o lulopetismo é tratado e escorraçado neste carnaval, desmoralizado e apresentado com todo o seu formato fantasioso, grotesco, mascarado, lúmpen e galhofo - criminoso. 
O título "E Lula, hein, foi parar no...."
Está difícil até para os que querem esquecer tudo, ainda que temporariamente. Os preços da cerveja e da cachaça, itens inflacionados e que ganharam novas alíquotas de impostos, não deixam. Até a água está cara, o confete e a serpentina viraram artigos de luxo.
Criativo, o folião remodela a fantasia, pica papel, substitui a arquibancada da avenida – neste ano está sobrando ingresso no Sambódromo do Rio – pelos blocos de rua. Tira o pixuleco do armário, grita “Lula na cadeia” e “fora Dilma”.
Lula, que já perdera a santidade quando virou pixuleco nas manifestações pró-impeachment, volta à cena em diversas cidades, encarnado na fantasia de presidiário, como no desfile da Mocidade Unida da Glória, candidata ao bicampeonato do carnaval capixaba. A escola levantou a galera com críticas a políticos - "Será que a malandragem sumiu? Será que ela comanda o Brasil?" - e passistas mascarados de lulas e dilmas atrás das grades.
Herói do ano, o juiz Sérgio Moro, que comanda a Lava-Jato, não bateu o capa-preta dos mensaleiros, Joaquim Barbosa, cuja máscara fez sucesso em 2013. A figura mais popular é mesmo o agente Newton Ishii, chefe do Núcleo de Operações da Polícia Federal em Curitiba, “o japonês da Federal”, figura obrigatória na prisão de gente que já foi intocável.
O “Japonês da Federal” também virou marchinha - “Sou Trabalhador...Não sou lobista, senador ou deputado!”,  ao lado do “Bar do Cunha”, “Marcha do tríplex”, “Guarde bem sua cartinha”, “Ela petralha e eu coxinha” e outras tantas. Odes à ironia e ao bom-humor do brasileiro, que, vítima da agudez da crise, apela ao riso e à galhofa. Como sempre.
Por trás da gargalhada está o repúdio à roubalheira. E sem perdão: deputado, senador, lobista, Lula e o tríplex, que já foi e não era dele, que era de sua mulher Marisa Letícia e não é mais.
Nem precisa ir muito além para apontar o estrago para Lula e o PT de o imbróglio do tríplex cair no popular, amplificado por uma marcha redondinha, que não para de tocar, animando a folia de Olinda.
CLIQUE AQUI para ler tudo. DO POLIIBIOBRAGA

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Istoé revela dossiê secreto da PF sobre as relações espúrias de Renan Calheiros com a OAS

Na reportagem de capa que os jornalistas Marcelo Rocha e Débora Bergamasco assinam na revista Istoé de hoje, ressalta a informação de que termina nesta semana o prazo concedido à Polícia Federal pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), para a conclusão do inquérito que relaciona o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao esquema do Petrolão. Nele, Renan é suspeito de ser beneficiário de propina desviada da Petrobras. 
A julgar pelo que os investigadores conseguiram desvendar até agora, o presidente do Senado terá dificuldades para escapar da denúncia. 
Leia a reportagem:
Obtido por ISTOÉ, relatório produzido pela PF no Paraná, a partir do conteúdo encontrado num celular do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, – condenado a 16 anos de prisão por, entre outras razões, pagar propina a políticos –, é explosivo. O material de 50 páginas indica uma série de mensagens trocadas entre Pinheiro e seus auxiliares, em que o empreiteiro demonstra intimidade com o presidente do Senado. Mais do que isso.
Trechos das conversas sugerem, de acordo com os investigadores, a influência exercida pelo empreiteiro sobre Renan, que à frente de uma das Casas do Congresso teria passado a atuar em sintonia com as conveniências da OAS – uma das empreiteiras do Petrolão que mais contribuíram para a campanha de seu filho ao governo de Alagoas. Os documentos em poder da PF indicam que Pinheiro possa ter influído para enterrar o projeto que proibia a doação privada a políticos bem como a CPI dos gastos com a Copa, temas considerados de suma importância para a empreiteira. Ambos dependiam da caneta e do prestígio político de Renan para serem sepultados. E foi exatamente o que ocorreu com as duas proposições entre 2013 e 2014. Da cadeira de presidente do Senado, Renan mandou-as para o arquivo.
As mensagens encontradas no celular de Pinheiro revelam que, para alcançar o seu objetivo de interferir em projetos de seu interesse no Congresso, o executivo da OAS participou de uma série de reuniões com Renan. Ao menos uma delas ocorreu no final de semana. Diz o relatório: “Uma breve análise das mensagens trocadas entre Leo Pinheiro e o usuário identificado por Renan Calheiros reflete entre 2012 e 2014 ao menos 06 pedidos para encontro ou contato, 02 comunicações que indicam que um interlocutor (de Pinheiro) estava ou estaria logo em um determinado local, 03 agradecimentos de Leo Pinheiro para Renan Calheiros e 14 citações de notícia de Renan no email de Leo Pinheiro”.
CLIQUE AQUI para ler tudo.DO POLIBIOBRAGA

Novo delator menciona suborno ao notório ex-ministro de Dilma ´trambique` Mário Negromonte, que Jaques Wagner pôs no TC/BA

Alan Marques - 26.jan.2011/Folhapress
O ex-ministro das Cidades Mario Negromonte (PP), apontado por delatores como destinatário de propina
O ex-ministro das Cidades Mário Negromonte (PP), apontado por delatores como destinatário de propina

DELAÇÃO DA ANDRADE GUTIERREZ – Estão em pânico Dilma, Lula, Lulinha e o PMDB do Rio


Consta também que Marques de Azevedo vai contar que a antiga Telemar, hoje Oi, comprou 30% da Gamecorp, a empresa criada por Lulinha, a pedido de Lula.

A operação custou R$ 5 milhões.
Três anos depois, o então presidente mudou a lei de telecomunicações com o fito exclusivo de permitir que a Telemar comprasse a Brasil Telecom, de Daniel Dantas

Por Reinaldo Azevedo 

O pânico atinge o pico nas hostes petistas, especialmente na ala dilmista, com a delação premiada fechada por Otavio Marques de Azevedo e Elton negrão, diretores da Andrade Gutierrez. Ali pode estar o caminho mais curto entre Dilma e o fim antecipado do seu mandato. O PMDB do Rio, ou parte dele, parece que não terá, também, motivos para festejar.
A ser verdade o que vaza aqui e ali, a dupla teria informações a oferecer sobre o financiamento da campanha de Dilma em 2014 — e o intermediário da negociação pouco republicana teria sido Edinho Silva, atual ministro da Comunicação Social —, sobre o setor elétrico, sobre a construção dos estádios da Copa do Mundo e sobre obras da Olimpíada, no Rio.
Sempre Edinho
O que se ventila sobre Edinho é muito semelhante ao que denunciou Ricardo Pessoa, dono da UTC. Ele diz ter sido procurado pelo então tesoureiro da campanha de Dilma para lembrar os muitos negócios que a empreiteira mantinha com a Petrobras. Pessoa entendeu o recado e resolveu doar R$ 10 milhões. Foram entregues R$ 7,5 milhões. Os outros R$ 2,5 milhões se frustraram porque Pessoa foi preso.
Com a Andrade Gutierrez, ter-se-ia dado o mesmo, mas de forma mais agressiva. O comando da empresa teria sido lembrado que, embora tivesse grandes negócios com o Estado, apoiava a candidatura do tucano Aécio Neves. Se foi assim, a pressão deu resultado: de agosto a outubro de 2014, a empresa doou R$ 20 milhões à campanha de Dilma. Quando Edinho foi falar com Marques de Azevedo, a empreiteira já teria doado R$ 5 milhões à campanha de Aécio e nada para a petista.
Consta também que Marques de Azevedo vai contar que a antiga Telemar, hoje Oi, comprou 30% da Gamecorp, a empresa criada por Lulinha, a pedido de Lula. A operação custou R$ 5 milhões. Três anos depois, o então presidente mudou a lei de telecomunicações com o fito exclusivo de permitir que a Telemar comprasse a Brasil Telecom, de Daniel Dantas.
Vamos ver. Parece que vem coisa pesada por aí. Por isso, convém que aqueles que acham que Dilma conclui o mandato só em 2018 coloquem as barbas de molho. Por causa do impeachment? Também, mas não só.
Uma das ações que tramitam no TSE pedindo a cassação da chapa Dilma-Temer acusa o PT justamente de uso de dinheiro irregular na campanha. Se foi como se diz por aí, tem-se uma prova testemunhal importante, que deve e vai ser levada em conta no TSE. 05/02/2016 DO R.DEMOCRATICA