sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Temer impõe ao país emoções de trem fantasma


Desde que a Lava Jato escancarou a evidência de que o sistema político jogou a moralidade ao mar, o brasileiro vem sendo submetido às emoções de um trem fantasma. Neste início de 2018, os passageiros recebem uma dose cavalar de adrenalina. Em menos de 48 horas, o maquinista Michel Temer produziu, numa única manobra, um encadeamento inacreditável de sustos.
Descobriu-se que, além de não mandar nos ministérios, Temer não manda em si mesmo. É comandado por José Sarney, que vetou o ministro que a bancada do PTB indicara para a pasta do Trabalho. Após revelar ao país que Sarney está vivo e continua no comando, Temer ressuscitou o ex-presidiário Roberto Jefferson. O velho Jefferson, estrela do mensalão, enfiou no Ministério do Trabalho a filha Cristiane Brasil, mencionada um par de vezes nas delações do petrolão.
Com os nervos já estilhaçados, o brasileiro soube que a vaga da filha de Jefferson na Câmara será ocupada por Nelson Nahim, um suplente condenado a 12 anos de cadeia num caso que envolve exploração sexual de menores numa casa onde havia vigilância armada e consumo de drogas. Libertado da prisão pelo STF, o personagem desfilará pelo Congresso como mais novo governista. Mais assustador do que isso apenas a constatação de que a viagem de Temer vai durar até 1º de janeiro de 2019, sem que haja nenhuma clareza sobre o susto que sairá das urnas de 2018.

Temer prefere rebaixar o teto a elevar estatura


A Constituição impõe à União o cumprimento de uma regra de ouro: o governo não pode se endividar em montante superior aos seus gastos com investimento. O descumprimento da norma sujeita os administradores públicos, inclusive o presidente, a responder por crime de responsabilidade, que leva ao impeachment. Nos últimos anos, a mistura de desequilíbrio fiscal e queda nos investimentos com a disparada da dívida pública fez com que a regra de ouro subisse no telhado. Na bica de descumpri-la em 2018, Michel Temer trama alterar a Constituição.
Ou seja, não podendo elevar a própria estatura por meio do reequilíbrio das contas públicas, Temer deseja aprovar no Congresso uma emenda constitucional que propõe, por assim dizer, o rebaixamento do pé direito. Deseja-se agora amolecer a regra de ouro, convertendo-a em regra de prata, bronze ou lata. O tema foi discutido nesta quinta-feira em reunião dos ministros Henrique Meirelles (Fazenda) e Dyogo Oliveira (Planejamento) com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
Josias de Souza

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

RBS engole suas intrigas e Temer manda ministros da Defesa e da Justiça analisarem pedido de Marchezan


As reportagens da RBS intrigando o prefeito Marchezan Júnior com o governo Sartori e o governoTemer, acabam servindo aos objetivos canhestros dos bandidos lulopetistas que ameaçam incendiar a Capital do RS no dia 24.

Apesar de todo o esforço da editora de Política da RBS, Rosane Oliveira, tudo na tentativa de desqualificar o pedido feito pelo prefeito Marchezan Júnior a Michel Temer (CLIQUE AQUI para ler a intriga feita pela jornalista, esta tarde), a verdade é que o ministro da Defesa, Raul Jungman teve que engolir o que disse e foi obrigado a examinar o assunto e depois reportar-se ao presidente para a decisão final sobre o uso de tropas federais em Porto Alegre.

"Se chegar aqui, devolveremos", teria dito Jungmann para Rosane Oliveira.

Pouco depois, o ministro recebeu o aviso do Planalto de que deveria examinar o pedido em conjunto com o ministro da Justiça, Torquato Jardim. A partir daí, ele mudou o tom beligerante e amarelou.

O governo federal leva muito a sério as ameaças de violência física feitas nos últimos dias pelas redes sociais e tem informações de que elas são para valer, visando tumultuar o julgamento de Lula pelo TRF-4. DO P.BRAGA

Ministro dará alta a si mesmo na pasta da Saúde


O grande problema da equipe ministerial de Michel Temer é que a plateia é incapaz de reconhecer a competência da maioria dos ministros. E estes são incapazes de demonstrá-la. Ricardo Barros, por exemplo, titular da pasta da Saúde, anunciou que sairá do ministério. E o brasileiro se pergunta: Por que entrou?
A presença de Ricardo Barros na Esplanada teve uma única e escassa serventia. O ministro foi utilizado pelo colega Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil, como matéria prima numa palestra para funcionários da Caixa Econômica Federal. Nela, Padilha explicou o funcionamento da engrenagem fisiológica do governo Temer. Foi gravado cladestinamente por um dos presentes. E suas palavras ganharam as manchetes em fevereiro de 2017.
Parceiro de Temer numa denúncia criminal, Padilha explicou na palestra que, para obter o apoio do PP, campeão no ranking de encrencados da Lava Jato, o presidente descartou a nomeação de “um médico famoso de São Paulo”. Em vez do profissional “notável”, preferiu acomodar na poltrona de ministro da Saúde o deputado Ricardo Barros, um engenheiro civil opaco.
Chama-se Raul Cutait o médico que Temer se absteve de nomear. Vem a ser um dos mais respeitados cirurgiões do país. Chegou a ser sondado para o ministério. Flertou com a ideia de aceitar o convite. Mas cometeu dois crimes. Primeiro, reivindicou que as nomeações da pasta passassem pela sua mesa. Depois, exigiu que o critério para a seleção dos auxiliares fosse técnico, não político.
As condições de Cutait afligiram o PP, dono da pasta da Saúde. Em timbre de galhoga, Padilha contou à turma da Caixa que a caciquia do partido mandou um recado a Temer: “Diz para o presidente que o nosso notável é o deputado Ricardo Barros.” O ministro aconselhou o presidente a ceder: “Nós não temos alternativa”, disse. O objetivo do governo era o de controlar 88% dos votos do Congresso.
Autorizado por Temer, Padilha reuniu-se com a direção do PP. “Vocês garantem todos os votos do partido em todas as votações?”, perguntou. Diante de uma resposta positiva, o preposto do presidente sacramentou a transação: “Então, o Ricardo será o notável.”
É nesse contexto, sem que tenha demonstrado nada digno de ser notado além de sua própria insignificância, que Ricardo Barros informa que irá sair. Mas ele não tem pressa. Decidiu que tentará reeleger-se deputado. E insinua que pode permanecer no Poder Executivo até a data limite fixada em lei: 7 de abril. Só sairá antes ''se o presidente Temer pedir.''
Temer não cogita afastar Ricardo Barros. O representante do PP dará alta a si mesmo, deixando o Ministério da Saúde quando bem entender. Em situação normal, a saída do ministro seria motivo para festa. Mas a pasta continuará no colo do mesmo partido. Que indicará para a vaga um outro “notável” indigno de nota.
O mais curioso é que o PP continuará mandando e, sobretudo, desmandando no ministério sem entregar no Legislativo a taxa de 100% dos seus votos, como prometera ao Planalto. Na reforma da Previdência, por exemplo, a fidelidade do PP ao governo tem a solidez de um pote de gelatina. Uma evidência de que a governabilidade, difícil de ser obtida em todos os países do mundo, tornou-se impossível no Brasil.
Josias de Souza

Marchezan pede ao Planalto a intervenção da FNS e do Exército para garantir a ordem em Porto Alegre, dia 24


O prefeito de Porto Alegre, Marchezan Júnior, protocolou pedido, esta tarde, na Presidência da República, pedindo a convocação do Exército e da Força Nacional de Segurança para conter os atos de violência e desordem prometidos por aparelhos do lulopetismo, como CUT, MST e MTST, dia 24.

No ofício datado desta quarta-feira, dia 3, o prefeito refere-se às ameaças que são diariamente feitas pelo lulopetismo nas redes sociais, até mesmo por senadores e por líderes nacionais do PT, inclusive o bandido condenado por corrupção Zé Dirceu.

Os órgãos de segurança possuem informações de que são preparados atos de desobediência civil e até mesmo de ataques ao próprio TRF-4, visando pressionar os juízes a absolver Lula ou impedir o julgamento. Muitas das ameaças e informações sobre a organização de atos de violência são disponibilizados diariamente nas redes sociais.

Os governos estadual e federal, incluindo Brigada, Polícia Civil, TRF-4, Marinha, Aeronáutica, Exército, Abin e MPF, reúnem-se na secretaria da Segurança Pública para coordenar as ações de manutenção da lei e da ordem pública, o que inclui o uso da força armada. DO P.BRAGA

Reforma da Esplanada é uma troca de cúmplices



Se 2017 foi o ano da tempestade, 2018 será o ano da cobrança. Depois de vender a alma para enterrar duas denúncias criminais na Câmara, um exame de consciência levaria Michel Temer a pensar numa boa faxina. Mas este é um governo guiado pela inconsciência moral. E o presidente, sem demora, já nas primeiras horas do ano, deflagrou uma nova orgia em cima dos detritos da farra anterior. Não teve tempo nem de limpar a mancha na almofada, colocar o abajur em pé e verificar se alguém ficou escondido atrás do sofá. Reabriu o balcão das barganhas à luz do dia, na frente das crianças.
Se a Lava Jato serviu para alguma coisa foi para elevar à última potência a sensação de que o caruncho do clientelismo e do fisiologismo resulta em corrupção. Mas Temer decidiu que todas as zonas da administração pública entregues a partidos com vocação para tirar lasca$ do Estado serão mantidas sob os cuidados das mesmas legendas. Os suspeitos que deixarem a Esplanada para ir às urnas darão lugar a outros suspeitos indicados pelos mesmos PTBs e PRBs. É como se o governo admitisse tacitamente que considera uma dose de perversão inevitável.
Em qualquer país do mundo, um volume de 12,5 milhões de desempregados levaria o governo a tratar com reverência uma pasta batizada de Ministério do Trabalho. No Brasil de Temer, esse pedaço vital da máquina pública pertence ao PTB. E passará a ser gerenciado pela deputada Cristiane Brasil, filha do ex-deputado Roberto Jefferson. Na saída de um encontro com o presidente, Jefferson contou como tudo se deu:
“O nome dela surgiu, não foi uma indicação. Nós estávamos conversando, aí, falou, ‘Roberto, e a Cristiane, por que não a Cristiane?’. Foi da cabeça do presidente. Ela é uma menina experimentada, foi secretária municipal em vários governos na cidade do Rio de Janeiro, por que não? Falei, ‘presidente, aí o senhor me surpreende, eu vou ter que consultar’. Aí liguei para ela. Ela disse: ‘pai, eu aceito’.”
Súbito, as lágrimas inundaram os olhos de Jefferson diante das câmeras. Está emocionado?, indagou uma repórter. O entrevistado confirmou. Delator do mensalão, Jefferson teve o mandato de deputado passado na lâmina. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 7 anos e 14 meses de cadeia, puxou 1 ano e 2 meses de cana. Contra esse pano de fundo tóxico, disse ter enxergado na conversão da filha em ministra um resgate da imagem da família.
Que beleza! Os empregos continuam sumidos. Mas o governo sujo de Temer resgatou a imagem mal lavada do clã de Jefferson. “Alvíssaras!”, gritarão os desempregados nas filas, brandindo seus currículos inúteis. O nome de Cristiane soou na delação da JBS como participante de negociação que rendeu R$ 20 milhões ao PTB. O dinheiro comprou o apoio da legenda à candidatura presidencial de Aécio Neves em 2014. Cristiane foi mencionada também na delação da Odebrecht como beneficiária de mochila com R$ 200 mil.
Nada disso resultou, por ora, em investigação, apressa-se em dizer a filha de Jefferson. Preocupação tola. Num governo presidido pelo primeiro presidente da história a ser denunciado criminalmente no exercício do mandato, um par de menções em inquéritos vale como medalhas de honra ao mérito. Não bastasse tais credenciais, ao pronunciar a frase fatídica —“Pai, eu aceito!”— a filha de Jefferson deixou aliviado o oligarca José Sarney, que vetara o deputado maranhense Pedro Fernandes, primeira sugestão do PTB para a pasta do Trabalho.
Assumirá a vaga de Cristiane na Câmara dos Deputados um suplente do também governista PSD, partido controlado pelo ministro Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia). Chama-se Nelson Nahin. É irmão de um político manjado: Anthony Garotinho. Arrasta a bola de ferro de uma condenação a 12 anos de cadeia por exploração sexual de menores e adolescentes no Rio de Janeiro. Passou uma temporada de quatro meses atrás das grades. Foi libertado em outubro passado, graças a um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal..
O condenado Nahin será recepcionado na base congressual de Temer com fogos de artifício. Se der uma declaração a favor da reforma da Previdência, verá um tapete vermelho estender-se sob seus pés na entrada do Palácio do Planalto. Não demora e estará na fila das emendas e dos cargos, pois em Brasília nada se cria, nada se transforma, tudo se corrompe.
Mal foi resolvido o impasse da pasta do Trabalho, já aportou na mesa de Temer a carta de demissão do ministro da Indústria e Comércio. Você talvez não se lembre, mas esse outro cargo estratégico era ocupado por um personagem opaco: Marcos Pereira. Trata-se de um pastor da igreja Universal, que dá as cartas no PRB. Ele responde a inquérito no Supremo. Seu nome também soou na delação da JBS. Mas Temer já bateu o martelo: a vaga permanecerá com o PRB. Amém!
Estima-se que até o início de abril, prazo limite para que os candidatos deixem seus cargos no Poder Executivo, pelo menos 17 ministros pedirão para sair. Mantido o padrão das primeiras substituições, os partidos que enxergam na Esplanada oportunidades de negócios não perdem por esperar. Ganham!
O problema não começa nas legendas. Começa no presidente, que oferece graciosamente os ministérios. Temer não é o primeiro a fazer isso. É apenas um dos mais despudorados. Se existem áreas abertas à barganha mesmo com a Lava Jato a pino é porque o cinismo tornou-se uma marca indissociável do atual governo. PTBs e PRBs apenas jogam o jogo que lhes é proposto. E Temer decidiu tratar a reforma de sua equipe de governo não como uma substituição de ministros, mas como uma troca de cúmplices.

PT cospe num prato em que já não pode comer

 

O PT espalha pela internet um bordão: “Eleição sem Lula é uma fraude.” Esse slogan embala um movimento que se autoproclama defensor “da Justiça, da democracia e da candidatura de Lula.” Na Justiça do PT, o único veredicto válido é a absolvição de Lula. Na democracia do PT, o único aceitável é a re-re-reeleição de Lula. No Brasil paralelo que o PT construiu para si mesmo, o único caminho para a felicidade é a candidatura de Lula.
No Brasil real, que o PT finge não existir, Lula é um presidenciável precário, que imprime no processo eleitoral um rastro pegajoso. Suas pegadas são feitas de mensalão, petrolão, apartamento de praia, sítio de veraneio, tráfico de influência, contas milionárias e palestras de fancaria.
Em 24 de janeiro, a segunda instância do Judiciário pode grudar em Lula um veredicto que fará dele candidato favorito à cadeia, não ao Planalto. O companheiro José Dirceu, multi-condenado no mensalão e no petrolão, antecipa a reação do PT. Chama a provável condenação de Lula de golpe do Judiciário. Se golpe houver, será contra a impunidade. Noutros tempos, o PT exigia pratos limpos. Hoje, suprema ironia, o partido cospe num prato em que já não pode comer. DO J.DESOUZA

 

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Réu cenográfico, Lula quer usar TRF como palco

Josias de Souza

Lula carrega sobre os ombros nove denúncias criminais. Seis já viraram ações penais. Uma deu origem à sentença em que Sérgio Moro o condenou a uma cana de nove anos e meio. O grande volume de encrencas judiciais fez de Lula um réu cenográfico. Ele não presta depoimentos, dá espetáculos. Não se explica, desconversa. Não se defende, ataca. Em 24 de Janeiro, o TRF-4 pode tocar fogo no teatro de Lula. Ao farejar o cheiro de queimado, o réu tenta uma derradeira encenação. Pede para ser ouvido pelos desembargadores que o julgarão.
A encrenca será destrinchada na 8ª Turma do TRF-4. Integam-na três desembargadores: João Pedro Gebran Neto (relator), Leandro Paulsen (revisor) e Victor Laus. Não há no script espaço para manifestação de Lula. Vão ao microfone seus advogados. Entretanto, a julgar pela petição dos seus defensores, o pajé do PT não tem muito a dizer. Sua coreografia, por repetitiva, tornou-se manjada.
Os advogados alegam que Sergio Moro violou “as garantias fundamentais” de Lula ao transformar seu interrogatório numa “verdadeira inquisição”. Nessa versão, o juiz da Lava Jato impediu a “livre manifestação” de Lula, cerceando “o exercício de sua autodefesa”. Ignorando o fato de que a coisa toda foi filmada, os doutores sustentam que as perguntas de Moro tiveram “o nítido intento de constranger e intimidar” o réu.
Ou seja: Lula pede para falar porque deseja encenar no TRF um ato que poderia ser chamado de “mais do mesmo.” Considerando-se que o petismo já alardeia que os juízes são “golpistas” e que “eleição sem Lula é fraude”, o grande líder do PT vai a Porto Alegre para jogar um jogo que considera jogado. A encenação do lado de dentro do tribunal seria apenas parte de um espetáculo maior.
Terminado o julgamento, o eventual condenado desfilaria seu figurino de mártir defronte da plateia de devotos que o aguardará do lado de fora. Já se pode ouvir o discurso da vítima ao fundo: “Se tem uma coisa de que me orgulho é que não tem, nesse país, uma viva alma mais honesta do que eu'', dirá Lula, para delírio dos seus fieis. ''Fui condenado sem provas. Desafio os delegados, o Moro, o Dallagnol e os desembargadores a apresentarem uma prova de que recebi um centavo!”
Lula vive uma experiência paradoxal: com os pés no palanque, sua voz rouca estala de autoridade moral. Nas Varas Federais e nos tribunais, o que Lula chama de reputação é a soma de incontáveis ilegalidades desacompanhadas de argumentos capazes de rebatê-las. Ocorre uma incongruência. Lula acha que é uma coisa. Sua reputação, entretanto, já virou outra coisa.
Em respeito ao passado remoto de Lula, muita gente observa o personagem em chamas, mas evita gritar incêndio dentro do teatro. O problema é que encenações como a que Lula, seus advogados e o petismo desejam protagonizar no TRF-4 mostram que, às vezes, torna-se inevitável gritar teatro dentro do incêndio.

Nova Constituição: debate prioritário em 2018

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
A agenda cidadã de 2018 tem uma prioridade muito mais relevante que o processo eleitoreiro obrigatório e inconfiável, sem direito a recontagem de votos. Temos de investir seriamente nos debates em torno de uma Nova Constituição para o Brasil. Este dever de casa faz parte do processo inevitável de Intervenção Institucional. Eis o trabalho de transformação, do alicerce ao telhado.
Detalhe fundamental: Essa nova CF tem de ser escrita por nós, brasileiros, sem o dedo dos atuais congressistas. A nova carta deve passar pelo *referendum* da população (sob grande mobilização popular). Seu ponto fundamental é a implantação de um Estado Liberal-Democrático. Seu texto deve servir de base para o Federalismo Pleno (sem “tapa-buracos de revisão do pacto federativo”), a antunomia administrativa, legal e política e a descentralização do poder político e de recursos financeiros a partir dos municípios, onde nós moramos.
Vale insistir: O gargalo do Brasil é o modelo estatal, Capimunista, Rentista e Corrupto. Romper com ele e mudá-lo é a prioridade das prioridades. Sem esta transformação estrutural não existe solução concreta. Não basta reformar. É urgente romper com o intervencionismo estatal consagrado pela Constituição-Vilã de 1988. O Brasil não tem outra saída – a não ser o porto ou o aeroporto. Com certeza, este é o caminho mais sofrido.
A lição já sabemos de cor, só nos resta fazer. Temos muitas forças (cérebros) dispersas. Aos poucos, acontece uma aglutinação. O momento é de um grande “CONCLAVE PELO BRASIL”. O momento exige união e alinhamento de propostas. Não se pode perder a janela de oportunidade aberta por um País hoje mobilizado no combate à corrupção – que não é causa, mas sim conseqüência do modelo estatal a ser mudado.
Até agora, os postulantes a uma candidatura presidencial não assumiram um compromisso concreto com a mudança institucional. Na verdade, é o segmento esclarecido e mobilizado do povo quem tem a missão de colocar o “bode na sala”. Temos de submeter a proposta da Nova Constituição ao amplo e livre debate, levando-a aos políticos que sonham com o Palácio do Planalto. Eles devem ser provocados, naturalmente, a definir de que lado estão: a favor das mudanças estruturais ou da mesmice institucional há muito dominada pelo Crime.
Não podemos nos iludir com a eleição sob regras viciadas. Não podemos desviar a atenção para a discurseira eleitoreira – que muito promete e pouco se compromete. A nova Constituição Federal é o foco prioritário. Não temos o direito de perder tempo com furos imediatos que não podem ser tapados sem uma profunda transformação estrutural.
Em resumo: temos de fazer a pressão na direção e sentido corretos. O fla-flu eleitoreiro é um engodo para entorpecer a galera. Por isso, os indivíduos esclarecidos, que desejam mudanças estruturais, não têm o direito de perder a fé e a esperança no trabalho a ser feito. A guerra cultural é intensa para deixar tudo do mesmo jeito. Temos de lutar muitas batalhas, perdendo algumas e vencendo a maioria delas, para garantir a hegemonia do processo de Intervenção Institucional já em andamento, porém ainda não amadurecido.
Vamos trabalhar corretamente para viabilizar as pré-condições históricas e culturais para a mudança do modelo estatal no Brasil.

EXCLUSIVO: os documentos do Brooklin que complicam a Globo

Investigações independentes feitas fora do Brasil por autoridades norte-americanas apontam um forte esquema de pagamento de propina, via Globo, para obtenção de direitos de exclusividade em transmissões de campeonatos esportivos.
O Fifagate mobiliza juízes e promotores nos EUA, França, Suíça e Argentina. Nos documentos do Tribunal do Brooklin, nos EUA, está tudo bem detalhado de como a organização criminosa agia para estabelecer seus objetivos escusos. Confira um trecho do documento: “Os direitos foram transmitidos à TeleGlobo no Brasil. Para isso a T&T Netherland recolheria da TeleGlobo e usaria parte dos fundos para pagar subornos”.

No Brasil a justiça parece estar alheia a gravidade desse caso que mexe com a maior emissora de televisão do país. Bem diferente do que ocorre na Suíça.

O promotor suíço que atua no caso encontrou as empresas que atuavam como pagadoras de propinas. João Havelange é considerado o “pai da propina”. Teixeira e Havelange são acusados pelo recebimento de propina durante duas décadas, pelo menos.
Ricardo Teixeira se encontra numa gigantesca encruzilhada. Nos EUA, as autoridades americanas deverão condená-lo a uma longa pena. Ele sabe que para escapar dos crimes terá que fazer como J. Hawilla, homem da Globo, fez. Hawilla decidiu entregar todo esquema de corrupção e pagou uma multa bilionária para cumprir prisão em casa. Teixeira terá que entregar tudo que sabe, do contrário será procurado como criminoso em qualquer parte do mundo.



Dinheiro nunca foi problema para Ricardo Teixeira. Suas fazendas, apartamentos em Paris, mansão na Flórida e outros bens garantirão o cumprimento das obrigações que virão da Justiça americana.

A juíza americana não está livrando ninguém. Por que aliviaria a Globo?

É importante ressaltar que o julgamento nos Estado Unidos está sendo conduzido pelos departamentos de Justiça e do Tesouro, por meio do FBI, e revela crimes de extorsão, organização mafiosa, fraudes financeiras e lavagem de dinheiro. A juíza do caso, Pamela Schen, não está livrando a cara da Fox Sports americana, da Televisa mexicana, da MediaPro, da Espanha, por que livraria a cara da Globo? 

A Globo está numa encruzilhada

Nos depoimentos as afirmações contra a Globo são contundentes e não há escapatória para a empresa que só na última Copa do Mundo, enquanto governos estaduais e o governo federal ficaram mergulhados em dívidas, no caso do Rio sacrificando até salários de servidores, recebeu mais de R$ 2,853 bilhões em patrocínios, além de vergonhosos R$ 30 milhões, doados pelo Governo do Rio e Prefeitura do Rio, leia-se Sérgio Cabral e Eduardo Paes, para transmissão do sorteio dos grupos da competição, realizado na Marina da Glória. A Globo detém 57% das ações da Geo Eventos, e a RBS, sua afiliada no sul, outros 35%, ou seja 92% da Geo Eventos, que ficou com grande parte da grana da Copa também foi parar na mão da Globo.
Enquanto outras emissoras lutavam para conseguir pagar suas contas, a Globo faturava somente em patrocínios pelos campeonatos que transmitia R$ 2,853 bilhões, além de R$ 30 milhões de governos estaduais. Parece que o fim do império da propina está bem próximo.


Na Câmara dos Deputados

Ganha força na Câmara dos Deputados um movimento que pede a suspensão temporária da concessão pública para a Rede Globo até que tudo seja elucidado e o caso encerrado. Outras emissora deverão entrar na batalha por considerar injusto a forma que a Globo tratou para ganhar os direitos de transmissão.

Sarney reina sem o incômodo de sentar no trono


Passadas as festividades do Natal e do Ano Novo, o governo inaugurou 2018 com os olhos voltados para a próxima festa do calendário. Michel Temer carnavalizou sua administração. Num instante em que mais de 12 milhões de brasileiros amargam os efeitos do desemprego, o presidente negocia o cargo de ministro do Trabalho numa gangorra que tem o PTB de Roberto Jefferson numa ponta e José Sarney na outra.
Quando Sarney interrompe sua aposentadoria para vetar a nomeação de um ministro indicado pelo PTB, a plateia fica autorizada a suspeitar que o Brasil é governado pelo time reserva do PMDB. Num ambiente assim, os nomes inadequados cogitados para o ministério tornam-se secundários. O que desanima é o ponto a que chegou o Brasil.
Conhecíamos a democracia condicional. Nela, qualquer um podia ser presidente, desde que usasse farda e tivesse quatro estrelas. Chegou-se à Presidência acidental de Sarney. É parecido com o rei Momo. A diferença é que o Carnaval de dura o ano inteiro e Sarney não precisa sentar no trono para reinar. Dono de um inesgotável poder presumido, Sarney mandou sob Lula e Dilma. E desmanda sob Temer. Em ritmo de skindô-skindô, o exercício formal da Presidência seria um rebaixamento para Sarney.

Cármen Lúcia tosta STF na frigideira das prisões

Josias de Souza

Cármen Lúcia tem um sonho. Presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Federal de Justiça, a ministra gostaria de ser uma espécie de super-heroína. Por vezes, comporta-se como outros super-herois dos quadrinhos e do cinema. Aparece sempre que a encrenca das prisões brasileiras revela-se insolúvel para simples humanos. Mas há uma diferença: SuperCármen não possui os superpoderes que imagina ter.
Cármen irrompe em cena quando uma briga entre facções rivais descamba para a barbárie e as forças da ordem revelam-se incapazes de deter o caos nas penitenciárias. Em vez de pows e kapows, a presidente miúda da Suprema Corte recorre a iniciativas mais cenográficas: ordena a elaboração de relatórios, inaugura grupos de trabalho. Ela cria a sensação de movimento. Mas nada se move.
No alvorecer de 2017, a barbárie comeu solta em presídios de Roraima, Amazonas e Rio Grande do Norte. SuperCármen abriu um grupo de trabalho. Regozijou-se com a sensação de que sua preocupação seria útil. Neste início de 2018, a selvageria explodiu no presídio da cidade de Aparecida de Goiânia. A super-heroína deu prazo de 48 horas para que as autoridades judiciárias de Goiás produzam um relatório sobre a ausência de direitos humanos no inferno.
A encomenda de Cármen Lúcia é um exemplo dos momentos ridículos que a teatralização da crise pode produzir. A ministra poderia satisfazer sua hipotética curiosidade em poucos minutos. Bastaria puxar de uma gaveta relatório produzido há pouco mais de um mês por inspetores do Conselho Nacional de Justiça após visita que fizeram em novembro à carceragem de Aparecida de Goiás.
O documento informou mais do mesmo: a penitenciária estava fora de controle. As instalações eram precárias. Havia 1.153 presos onde cabiam apenas 468. Contaram-se 22 telefones e nenhum bloqueador de celulares. Apreenderam-se nove revólveres e inúmeras armas brancas. Deu no que deu.
SuperCármen por vezes tem uma retórica cortante. No ano passado, disse o seguinte sobre o sistema de telecomunicações que opera dentro das cadeias: “A questão não é se devemos bloquear celulares nos presídios, eles não podem é entrar.” Quando uma presidente do Supremo posiciona-se com tal firmeza, espera-se que coisas aconteçam. Se nada sucede, desmoraliza-se a supremacia presumida de quem falou.
A super-heroína ainda não se deu conta. Mas está empurrando o Supremo Tribunal Federal para dentro da mesma frigideira na qual Michel Temer jogou as Forças Armadas. As inspeções da soldadesca nas cadeias resultaram no inócuo de farda. Bem passada, a Suprema Corte se converterá num beco-sem-saída com toga. Atônita, a plateia ainda vai se perguntar: ''Afinal, quantas instituições terão de ser carbonizadas até que as cadeias brasileira sejam arrancadas da Idade Média?

Dirceu: ‘Não vamos permitir a ditadura da toga’

Josias de Souza

Às véspeas do julgamento que pode tornar Lula inelegível, o grão-petista José Dirceu levou à internet um vídeo no qual chama de “golpistas” os desembargadores do Tribunal Federal de Recursos da 4ª Região. Acusa-os de agir com o propósito deliberado de impedir a candidatura presidencial do líder máximo do PT. A peça foi divulgada no site ‘Nocaute’, do escritor Fernando Morais.
Disse Dirceu, a certa altura: “Por isso o povo está de costas para eles, para os golpistas, para aqueles que querem refundar a República quando não receberam esse mandato da nação. São juízes, não foram eleitos, mas fazem algo mais grave. Querem usurpar o poder do Legislativo e do próprio Executivo, violando direitos fundamentais. Tudo em nome de impedir Lula de ser candidato. Mas nós derrotamos a ditadura militar, que governava por Atos Institucionais, e nāo vamos permitir a ditadura da toga.”
Condenado por Sergio Moro a nove anos e meio de cadeia por corrupção passiva, Lula recorreu ao TFR-4. Seu recurso será julgado em 24 de janeiro pelos mesmos desembargadores que já grudaram na biografia de Dirceu uma condenação de segunda instância pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. No caso de Dirceu, além de confirmar o veredicto de Moro, os magistrados elevaram a pena de 20 anos para 30 anos de cadeia.
Libertado por decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, Dirceu arrasta uma tornozeleira eletrônica em Brasília. Pode ser devolvido à carceragem de Curitiba a qualquer momento. Aproveita o tempo fora do xadrez para reforçar o coro da hipotética perseguição política a Lula.
Sentenciado no mensalão e no petrolão, escândalos que têm raízes nos dois mandatos de Lula, Dirceu vive no Brasil alternativo criado pelo PT. Um país onde nada aconteceu. “Vamos juntos em 2018 combater para garantir Lula candidato, fazer a campanha, elegê-lo, dar posse a Lula, e de novo governar com o povo, pelo povo”, pregou 0 ex-chefão da Casa Civil de Lula.
Em outubro de 1968, quando foi preso pelas forças da ditadura, Dirceu, à época com tenros 22 anos, considerava-se um revolucionário. Hoje, septuagenário, três condenações criminais sobre os ombros —uma no mensalão e duas no petrolão—, o ex-líder estudantil consolidou-se como protótipo da perversão que marcou a passagem do PT pelo poder federal.
No livro ''Abaixo a Ditadura'' (Ed. Garamond, 1998), que tem Vladimir Palmeira como coautor, Dirceu escreveu: ''É difícil reproduzir o que foi o espírito de 68, mas posso dizer que havia uma poderosa força simbólica impulsionando a juventude (…). O mundo parecia estar explodindo. Na política, no comportamento, nas artes, na maneira de viver e de encarar a vida, tudo precisava ser virado pelo avesso. Para nós, o movimento estudantil era um verdadeiro assalto aos céus''.
Ao conquistar a chave do cofre, o pedaço do petismo simbolizado por Dirceu esqueceu toda a noção de ética que possa ter existido um dia. Na política, no comportamento, nas artimanhas, na maneira de viver e de encarar a vida, tudo foi virado do avesso. Assaltaram-se não os céus, mas as arcas da República. Resta saber o que Dirceu planejava fazer para virar a mesa na hipótese de o TRF-4 deixar Lula mais perto da cadeia do que das urnas.