quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Lula já era... Vamos nos livrar dos outros...


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Luiz Inácio Lula da Silva já estava acabado moralmente e politicamente. Faltava apenas uma pá de cal jogada ontem pelo ex-ministro e sempre coordenador financeiro do partido, Antônio Palocci Filho, em depoimento histórico ao juiz Sérgio Moro. A defesa de Lula não tem mais como pregar que não havia provas para condenar o mito decadente da petelândia. Palocci confirmou e contou detalhes do que chamou de “pacto de sangue” entre Lula e a Odebrecht.

Não vai adiantar Lula mentir, como é seu vício, diante do juiz Moro, em depoimento agendado para Curitiba, na próxima quarta-feira, 13 de setembro. Além dos R$ 300 milhões que o PT recebeu, Palocci testemunhou a veracidade de presentinhos dados pela Odebrecht a Lula: o sítio, o prédio novo para o Instituto e as palestras de araque que rendiam, cada uma, R$ 200 mil livres de tributação. Depois que Palocci soltou sua língua presa, agora quem deve acabar condenado é Lula. Presidente novamente? Só se for da associação de presidiários... O fim anunciado de Lula é um presente dos 195 anos de nossa declaração de independência (mesmo que ainda não seja plenamente exercida por um povo e uma zelite com mentalidade colonial, capimunista, rentista e corrupta). Dom Pedro I proclamou a “independência” em 7 de setembro de 1822. Agora, os brasileiros de bem, que rejeitam e combatem o Crime Institucionalizado, precisam promover a Intervenção Institucional que mudará, de verdade, o Brasil. 7 de setembro é dia de ser curto e grosso no texto, para lembrar que ainda temos muito trabalho a fazer. A prioridade agora é a pressão total para anular a estratégia de impunidade de nossos poderosos “caras-de-pau”. Temos de ficar livres da bandidagem! O bonito é que o PT já começou a demolir o PT. No entanto, ainda tem muito delinqüente político para ser detonado em outras agremiações criminosas.
Lingüinha solta
Plisão pelpetua
Poupança do Geddel

Ministra do STF abre inquérito contra deputado Fábio Faria e governador do RN

A abertura do inquérito foi solicitada pela PGR com base nas delações da JBS. As suspeitas são de corrupção passiva e caixa dois.

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou abertura de inquérito no STF para investigar o deputado federal Fábio Faria (PSD-RN) e o governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD), em razão das delações premiadas da JBS. As suspeitas são de corrupção passiva e caixa dois, ou seja, fraude na prestação de contas ao deixar de declarar valores recebidos, crime previsto no artigo 350 do Código Eleitoral.
O pedido foi feito no fim de junho pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que também solicitou ao ministro Luiz Edson Fachin, responsável pela homologação das delações da JBS, sorteio para novo relator por não ter relação com a Lava Jato. Rosa Weber recebeu o caso em agosto e a decisão de abrir inquérito é do dia 4 de setembro, mas foi publicada no processo somente na quarta-feira (6).
Segundo o pedido, o executivo Ricardo Saud afirmou que Fábio Faria e Robinson Faria receberam doações não declaradas à Justiça Eleitoral. O acordo de Saud passa por revisão em razão da suspeita de que ele omitiu dados na delação premiada, mas, segundo Janot, as provas que ele apresentou são válidas.
Delação
O delator disse que a J&F repassou R$ 10 milhões sob condição de que a Companhia de Água e Esgoto do Estado do Rio Grande do Norte fosse privatizada, "dando conhecimento prévio do edital a empresa para que pudessem alterá-lo a seu favor, a fim de obter vantagens competitivas em detrimento ao mercado". Janot destaca que, apesar de ter havido pagamento, a contrapartida não foi efetivada porque a empresa perdeu o interesse no projeto.
Os R$ 10 milhões, segundo Janot, foram repassados da seguinte forma: R$ 2 milhões ao PSD Nacional; R$ 2 milhões à EA Pereira Comunicação Estratégica; R$ 1,2 milhão ao escritório Erick Pereira Advogados por meio de nota fria; cerca de R$ 2 milhões entregue ao deputado Fábio Faria; e quase R$ 1 milhão entregues ao deputado no Supermercado Boa Esperança, em Natal.
Além de autorizar a investigação, a ministra também atendeu pedido de diligências, ou seja, coleta de provas. Ela liberou a coleta de dados sobre prestação de contas; depoimentos sobre os repasses de dinheiro a Fábio Faria no supermercado e em relação às notas emitidas; além dos depoimentos de Fábio Faria e Robinson Faria.
Para a ministra, as diligências pedidas "se mostram proporcionais sob o ângulo da adequação, razoáveis sob as perspectivas dos bens jurídicos envolvidos e úteis quanto à possível descoberta de novos elementos que permitam a investigação avançar".
Por Mariana Oliveira, TV Globo

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Palocci injeta autofagia na deterioração de Lula

Josias de Souza
Os deuses do acaso foram caprichosos com Lula. No dia do encerramento da caravana nordestina do pajé do PT, Antonio Palocci prestou depoimento a Sergio Moro, em Curitiba. Lula gastou os últimos 20 dias fazendo pose de “guerreiro do povo brasileiro”. Em duas horas de depoimento, Palocci demoliu a fantasia. Acusou o líder máximo do petismo de guerrear pelos interesses da Odebrecht. Num “pacto de sangue” com a construtora, Lula amealhou propinas para bancar suas campanhas eleitorais e os seus confortos, dedurou o amigo.
Ao quebrar o silêncio, Palocci acrescentou uma novidade no processo de apodrecimento da reputação de Lula. Pela primeira vez, o ex-soberano enfrenta a autofagia companheira. Até aqui, Lula dedicou-se a desqualificar o juiz e os procuradores da Lava Jato. Se fizer o mesmo com Palocci será como xingar a própria imagem refletida no espelho. Palocci mantinha com Lula uma relação do tipo unha e cutícula.
Lula talvez não tenha se dado conta. Mas empurrou o companheiro para o colo dos investigadores. Num dos processos que responde na Lava Jato, Palocci é acusado de coletar verbas sujas em nome de Lula. Na contabilidade do Departamento de Propinas da Odebrecht, a verba destinada a Lula era lançada na rubrica “Amigo”. O ex-presidente petista respondeu à suspeita assim:
“Quem tiver contando mentiras, quem tiver inventando historinhas, quem tiver dizendo que criou uma conta pra mim, para um terceiro… Já faz sete anos que eu deixei a Presidência. Essa conta está onde? Esse terceiro está onde? Esse cara deve estar comendo, então, o dinheiro que era pra mim, porra!”
Preso em Curitiba, Palocci ficou imprensado. De um lado, a provedora Odebrecht. Do outro, o beneficiários dos mimos, que jura não ter recebido nada. Ou Palocci abria o bico ou seria condenado como um comedor solitário e egoísta de propinas —sem atenuantes. Faltando-lhe o histórico militante de José Dirceu, Palocci sucumbiu. Foi como se mandasse uma coroa de flores para o mito petista —com uma mensagem no cartão: “Descanse em paz.”

Dilma para Geddel: Vem pra Caixa você também!


Josias de Souza
Michel Temer mal tivera tempo de festejar a erosão da colaboração judicial da JBS quando a Polícia Federal estourou a caverna de Ali-Baba que Geddel Vieira Lima improvisou num condomínio em Salvador. Foi a maior apreensão de dinheiro vivo já realizada na história: R$ 51.030.866,40. Repetindo: depois de passar o dia contando dinheiro, a PF informou que o ex-ministro de Temer, amigo do presidente há três décadas, entesourou num apartamento na capital baiana R$ 51 milhões.
A batida policial foi ordenada pelo juiz Valisney Oliveira, de Brasília. Deu-se no âmbito da Operação Cui Bono, que apura um assalto à Caixa Econômica Federal. Noutros tempos, quando se falava sobre bancos e assaltos, imaginava-se que a coisa acontecia de fora pra dentro. O PMDB da Câmara, grupo de Temer, desenvolveu na Caixa o assalto de dentro pra fora. No caso de Geddel, a coisa aconteceu durante o imaculado governo de Dilma Rousseff.
Sob o comando do PT, a casa bancária estatal já estava loteada politicamente. E Dilma acenou para Geddel: “Vem pra Caixa você também!” Apadrinhado por Temer, Geddel foi guindado ao posto de vice-presidente de Pessoa Jurídica da instituição. Ali permaneceu de 2011 até 2013. Saiu quando bem quis. E produziu resultados que reforçam o já sabido: a corrupção brasileira tem vocação amazônica.

Por uma dessas trapaças do destino, a “caverna” de Geddel foi estourada no mesmo dia em que a Procuradoria-Geral da República denunciou Lula, Dilma e outros seis grão-petistas por formar uma organização criminosa. O grupo é acusado de roubar durante a Era petista R$ 1,485 bilhão em verbas públicas.
No caso de Geddel, a PF desbaratou uma inusitada e sigilosa forma de fazer poupança: dinheiro vivo depositado em caixas de papelão e malas, espalhadas por um apartamento sem mobília. Ironia suprema: escondeu-se num endereço residencial uma fortuna presumivelmente desviada de uma instituição financeira estatal que convida brasileiros pobres a abrir contas de caderneta de poupança nas suas agências: “Vem pra Caixa você também!” Geddel foi.

Drama de Janot não apaga provas contra Temer

Josias de Souza
A provável revisão do acordo de colaboração judicial do Grupo JBS deixou Michel Temer animado. Mas o presidente, de volta da viagem à China nesta quarta-feira, logo perceberá que seu entusiasmo se parece muito com a sensação de um afogado que confunde jacaré com tronco. O drama vivido pelo procurador-geral Rodrigo Janot oferece a Temer um discurso político contra seu algoz. Não altera, porém, sua situação penal. Tampouco devolve ao governo a maioria constitucional de que precisa para aprovar a reforma da Previdência.
A mediocridade continuará correspondendo ao apreço que o governo Temer lhe devota. E o presidente conseguirá atingir a meta de não cair, hoje sua prioridade zero. Mas Temer se manterá na poltrona porque seus rivais não dispõem dos 342 votos necessários para que o plenário da Câmara autorize o Supremo Tribunal Federal a analisar a segunda denúncia a ser apresentada por Janot. Sua sobrevivência não está relacionada às explicações que o procurador-geral precisa oferecer sobre o amigo Marcelo Miller, que assessorou os delatores da JBS quando ainda trabalhava como procurador da Lava Jato.
A defesa de Temer requereu novamente no Supremo o afastamento de Janot do caso JBS. Volta à carga quatro dias depois de o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, ter indeferido um pedido de suspeição semelhante. Trata-se de um ensaio para um movimento mais ousado. Advogado de Temer, Cláudio Mariz de Oliveira amadurece a ideia de protocolar no Supremo uma petição pedindo a anulação da peça que fez do seu cliente o primeiro presidente da história a ser denunciado por corrupção.
Dois ministros da Suprema Corte disseram ao blog nesta terça-feira que o vendaval que sacode o acordo firmado entre Janot e o Grupo JBS não varre da cena as provas recolhidas na investigação. Em situações como a atual, a lei autoriza o Estado a rever os prêmios concedidos a delatores que desonram o acordo, sem prejuízo do aproveitamento das provas.
E as evidências recolhidas contra Temer não são banais: o encontro noturno no Jaburu com Joesley Batista, um empresário investigado por corrupção e lavagem de dinheiro. Os 38 minutos de conversa gravada, repleta de indícios de ilicitudes e frases esquisitas. Coisas como “zerar pendências” com Eduardo Cunha para, segundo o delator, comprar-lhe o silêncio. Ou o “tem que manter isso, viu?”, que Temer admitiu ter pronunciado depois que Joesley lhe informou sobre suas boas relações com Cunha. Ou ainda o “ótimo, ótimo” que Temer enganchou na revelação de Joesley de que estava subornando dois juízes e um procurador.
De resto, o mais inquietante: o fato de Temer ter confirmado que indicara o ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, então deputado federal, como seu interlocutor junto a Joesley. E o esforço que o presidente teve de fazer na Câmara para impedir que os deputados autorizassem o Supremo a investigar os supostos vínculos de Temer com a propina de R$ 500 mil que Loures receberia numa mala da JBS dias depois do diálogo vadio do Jaburu.
O novo áudio tóxico da JBS não apaga esses fatos. Quando deixar a Presidência, Temer terá de acertar contas com a Justiça, provavelmente na primeira instância. E vem aí a segunda denúncia, vitaminada pela delação do operador de propinas Lúcio Funaro, homologada nesta terça-feira pelo ministro Edson Fachin.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Janot faz denúncia contra ‘quadrilhão’ do PT e inclui Lula e Dilma

Procuradoria-geral da República acusa ex-presidentes, cinco ex-ministros e um ex-tesoureiro do partido por formação de organização criminosa, que teria recebido R$ 1,4 bilhão de propinas do esquema Petrobrás; PMDB da Câmara e do Senado serão os próximos alvos

Ricardo Brandt, Breno Pires, Rafael Moraes Moura, Beatriz Bulla, Luiz Vassallo e Fausto Macedo
05 Setembro 2017 | 20h14-DO ESTADÃO
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou nesta terça-feira, 5, denúncia criminal contra políticos do PT por formação de uma organização criminosa para atuar no esquema de corrupção na Petrobrás. Entre os denunciados ao Supremo Tribunal Federal (STF) estão os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e cinco ex-ministros, por crimes praticados entre 2002 e 2016.

Documento

Esta é a segunda denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra políticos no ramo de investigação conhecido como “quadrilhão” – que apurou a organização entre políticos e operadores para atuar na petrolífera. Na semana passada, Janot denunciou políticos do PP, que é hoje a quarta maior bancada da Câmara dos Deputados.
Entre os denunciados estão ainda Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil), Guido Mantega (Fazenda), Edinho Silva (Comunicação), Paulo Bernardo (Comunicação e Planejamento) e Gleisi Hoffman (Casa Civil). E ainda o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.
A nova denúncia acusa recebimento de R$ 1,48 bilhão em propinas pelos petistas, no esquema de desvios na Petrobrás.
“Pelo menos desde meados de 2002 até 12 de maio de 20161 , os denunciados, integraram e estruturaram uma organização criminosa com atuação durante o período em que Lula e Dilma Rousseff sucessivamente titularizaram a Presidência da República, para cometimento de uma miríade de delitos, em especial contra a administração pública em geral”, afirma Janot.

A investigação foi aberta na primeira leva de inquéritos pedidos por Janot ao STF na Lava Jato, em março de 2015. No meio do caminho, contudo, a própria PGR pediu para fatiar a investigação em 4 ramos: PP, PMDB do Senado, PMDB da Câmara e PT.
“Além dos denunciados, o núcleo político de referida organização era composto também por outros integrantes do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e do Partido Progressista (PP), agentes públicos cujas condutas são objeto de outros inquéritos”, diz a denúncia.
“O segmento da organização criminosa ora denunciado (político PT), é parte de uma organização criminosa única, que congrega, pelo menos, os partidos PT, PMDB e PP, bem como núcleos diversos (econômico, administrativo e financeiro).”

Janot diz que medo de errar e se omitir o encorajou a enfrentar 'enormes desafios'

Procurador-geral fez o desabafo na última sessão que comandou no conselho do MPF. Na véspera, ele anunciou que mandou apurar se investigar se delatores da JBS omitiram informações da Lava Jato

Um dia após anunciar uma investigação para apurar eventuais irregularidades na delação premiada dos executivos do grupo J&F, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou nesta terça-feira (5) aos integrantes do Conselho Superior do Ministério Público Federal que o episódio envolvendo os irmãos Joesley e Wesley Batista o fez refletir e chegar à conclusão de que não tem "coragem", e sim "medo de errar muito" e decepcionar a instituição.
Janot fez o desabafo na última sessão que comandou no conselho do Ministério Público Federal. O mandato do procurador-geral se encerra em 17 de setembro.
Na segunda-feira (5), Janot determinou a abertura de investigação para apurar indícios de omissão de informações de práticas de crimes no acordo de delação premiada dos executivos do grupo J&F, controlador do frigorífico JBS. Segundo Janot, dependendo do resultado da investigação, os benefícios oferecidos no acordo de colaboração de Joesley Batista e de outros dois delatores poderão ser cancelados.
"Na verdade, o que eu tenho é medo. E o medo nos faz alerta. E medo do quê? Medo de errar muito e decepcionar minha instituição. E todas as questões que eu enfrentei, eu enfrentei muito mais por medo, medo de errar, medo de me omitir."
"Eu agi com muita coragem e ontem [segunda] foi um dos dias mais tensos e um dos maiores desafios desse período. Alguém disse pra mim: 'Você realmente é um homem de muita coragem'. Aí eu parei e pensei: 'Será que sou um homem de coragem mesmo?' Cheguei à conclusão de que não tenho coragem alguma", declarou Janot.
"Na verdade, o que eu tenho é medo. E o medo nos faz alerta. E medo do quê? Medo de errar muito e decepcionar minha instituição. E todas as questões que eu enfrentei, eu enfrentei muito mais por medo, medo de errar, medo de me omitir, medo de decepcionar minha instituição do que por coragem de enfrentar esses enormes desafios", complementou.
Antes de Janot fazer a autocrítica na sessão, ele havia sido homenageado pelos conselheiros do CNMP, inclusive, por sua sucessora, a subprocuradora da República Raquel Dodge, que assumirá o comando da Procuradoria Geral da República (PGR) no dia 18.
"Esse final [de mandato] tem sido uma montanha russa porque as surpresas se repetem, as surpresas se mostram e a impressão que dá é que é uma montanha russa que só tem queda livre."
No discurso de despedida, o procurador-geral disse que, agora, espera ter "tranquilidade para viver". Segundo ele, o período final do mandato na PGR tem sido uma "montanha russa".
"Agora colho, espero colher, a minha vida de volta. Realmente, eu deixei essa minha vida pendurada num armário fechado, guardei a chave e agora vou abrir esse armário e vou colher a minha vida de volta. Espero que eu tenha alguma tranquilidade para viver depois de tudo isso. Esse final tem sido uma montanha russa porque as surpresas se repetem, as surpresas se mostram e a impressão que dá é que é uma montanha russa que só tem queda livre. É uma montanha russa que não te dá um respiro para você se preparar para uma nova queda", afirmou.
Janot fez uma citação ao escritor português Fernando Pessoa para dizer que cumpriu com o dever como procurador-geral.
"Vou homenagear o personagem do grande Fernando Pessoa, Dom Duarte, que depois de todos os desafios a que foi submetido, se indagava. Ele dizia, ele afirmava: 'Cumpri, contra o destino, o meu dever. Ai ele se indagava: 'Inutilmente? E ele respondeu: 'Não, porque eu cumpri'. Acho que esse é o compromisso do MP, compromisso nosso com a sociedade, ser o MP de forma reta, de cumprir, ainda que seja contra o destino, o nosso dever. Para ter a sensação ao final, a certeza, de tê-lo cumprido", disse.

Raquel Dodge

Janot afirmou durante a fala que a sucessora, Raquel Dodge", encontrará a PGR "da melhor forma arrumada".
"Estou tentando, na medida do possível deixar a casa da melhor forma arrumada, para que possa entrar a nova administração assuma seus novos desafios e dizer uma palavra de otimismo e apoio. Nos momentos difíceis não desanime, converse".
Presente à sessão do Conselho do MPF, a procuradora Raquel Dodge afirmou que o "legado" deixado por Janot "honra" a instituição. Ela também destacou o "imenso trabalho" de Janot e equipe.
"O legado que deixa para nossa Instituição e para o nosso país certamente honra a história do MP e também os demais procuradores que o precederam, na construção de uma instituição forte que defende os interesses públicos, os direitos sociais e enfrenta a criminalidade. Desejo a vossa excelência muito êxito no seu futuro e espero que seus sonhos continuem se realizando", disse Dodge.
Por G1, Brasília

Fachin homologa delação de Lúcio Funaro; conteúdo está sob sigilo

Operador financeiro assinou acordo com a PGR no mês passado. Caso foi remetido ao Supremo porque Funaro citou nos depoimentos nomes de pessoas com foro privilegiado.

Por Mariana Oliveira e Renan Ramalho, TV Globo e G1, Brasília
Imagem do início de agosto mostra o operador financeiro Lúcio Funaro deixando a PF em Brasília (Foto: Reprodução/GloboNews)
Imagem do início de agosto mostra o operador financeiro Lúcio Funaro deixando a PF em Brasília (Foto: Reprodução/GloboNews)
O ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou (validou) nesta terça-feira (5) o acordo de delação premiada do operador financeiro Lúcio Funaro. O conteúdo está sob segredo de Justiça.
O acordo entre Funaro e a Procuradoria Geral da República foi assinado no mês passado e o caso foi remetido ao STF porque o operador financeiro citou nos depoimentos nomes de pessoas com foro privilegiado, entre os quais o do presidente Michel Temer.
Funaro é apontado pelos investigadores da Operação Lava Jato como operador de propinas do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso desde o ano passado.
Na prática, a homologação do acordo dá validade jurídica à delação e permite a abertura de novas investigações com base nos fatos contados pelo delator.
Os relatos e provas entregues por Funaro deverão ser incluídos pela Procuradoria Geral da República em uma eventual nova denúncia contra o presidente Michel Temer, por suposta obstrução de Justiça e organização criminosa.
O presidente passou a ser investigado pelos crimes com base na delação de executivos da JBS, homologada em maio por Fachin. Segundo a PGR, Temer teria dado aval para a compra do silêncio de Funaro e de Cunha pelo dono da JBS, Joesley Batista.
A suspeita foi levantada a partir da gravação entregue por Joesley de uma conversa com Temer em março, no Palácio do Jaburu, fora da agenda oficial. O presidente nega e diz que o executivo induziu a conversa para incriminá-lo e obter benefícios de uma delação.

Fachin retira sigilo do novo áudio entregue pelos delatores da JBS

Conteúdo, segundo o procurador-geral, Rodrigo Janot, é 'gravíssimo'. PGR anunciou investigação para apurar se delatores omitiram informações; acordo será revisado e pode ser rescindido.

ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta terça-feira (5) o sigilo de uma conversa gravada entre os delatores da JBS Joesley Batista e Ricardo Saud. O áudio foi entregue à Procuradoria Geral da República na última quinta (31).
Segundo o procurador-geral, Rodrigo Janot, o conteúdo é "gravíssimo". Nesta segunda (4), a PGR anunciou que vai apurar se os delatores omitiram as informações. Com isso, o acordo será revisado e pode até ser rescindido.
Mesmo assim, conforme Janot, as provas permanecem válidas e eventuais novas denúncias não estão inviabilizadas.
Ao decidir pela retirada do sigilo do áudio, com cerca de 4 horas, o ministro Edson Fachin liberou o conteúdo de toda a gravação.
Em uma parte do diálogo, Joesley e Saud tratam, segundo a PGR, entre outros assuntos, de uma suposta ajuda do ex-procurador Marcello Miller, quando ainda integrava a PGR, para os executivos fecharem o acordo de delação.

A decisão de Fachin

O áudio entregue pelos delatores era mantido em segredo porque parte da conversa trata da vida privada e intimidades de outras pessoas não investigadas.
Fachin, no entanto, considerou que são "elucubrações" e que, no caso, deve prevalecer o "interesse público à informação".
"Tratando-se, portanto, de áudio cujo conteúdo não se restringe às elucubrações sobre a vida reservada de terceiros estranhos à apuração e, sendo impossível, sem corromper a higidez do material produzido, preservar ambos os valores sopesados (intimidade e interesse público), deve prevalecer a ponderação estampada na precitada regra do art. 93, IX, da CR/88", escreveu, em referência à regra da Constituição que dá ampla publicidade a julgamentos.
Por Renan Ramalho, G1, Brasília

Gravação de JBS foi entregue como material referente a Ciro Nogueira

Pedro Ladeira/Folhapress
BRASILIA, DF, BRASIL, 04-09-2017, 19h00: O procurador geral da república Rodrigo Janot durante pronunciamento à imprensa para falar sobre uma possível revisão do acordo de delação premiada da JBS. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
A gravação da conversa que pode levar à anulação da delação dos executivos da JBS foi encontrada em meio a um material referente ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), apurou a Folha.
Nesta segunda-feira (4), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que determinou abertura de investigação de indícios de omissão de informações sobre práticas de crimes no acordo de executivos da JBS.
O problema surgiu após os delatores da JBS entregarem à PGR (Procuradoria-Geral da República) novos áudios de conversas gravadas secretamente.
O material está classificado como "Piaui Ricardo 3 17032017.wav" e contém um diálogo de cerca de quatro horas entre Joesley Batista, um dos donos da JBS, com Ricardo Saud, executivo do grupo.
Eles entregaram o áudio como se fizesse parte de material que trata do senador do Piauí.
Eles também entregaram áudio envolvendo o deputado Gabriel Guimarães (PT-MG).
Aparentemente os delatores não sabiam que estavam gravando a própria conversa, disse Janot a jornalistas nesta tarde.
O procurador-geral assinou portaria que instaura um procedimento de revisão dos acordos de Joesley, Saud e Francisco de Assis, diretor jurídico do grupo –ou seja, de três dos sete delatores da JBS.
ANÚNCIO
Antes de fazer o anúncio a jornalistas, Janot foi ao gabinete do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), avisar sobre as medidas que iria tomar. Ele também procurou a presidente da corte, ministra Cármen Lúcia.
O objetivo do procurador-geral era evitar com que Fachin e Cármen Lúcia fossem surpreendidos pelas notícias, disseram pessoas a par do assunto.
As conversas foram rápidas. Janot disse que iria abrir o procedimento, fazer uma coletiva de imprensa e protocolar uma petição.
O documento sobre a investigação da PGR foi protocolado eletronicamente depois de 19h. O arquivo de áudio será entregue nesta terça (5) a partir de 10h.
Ao ministro Fachin, Janot pede que decida sobre o sigilo das gravações.
Só depois de receber o material o ministro vai começar a analisar se torna público ou não o material. Não há prazo para isso.
A perda dos benefícios dos colaboradores será eventualmente analisada em outra etapa.
No acordo de delação dos executivos da JBS há duas cláusulas que tratam sobre a perda de efeito da colaboração.
De acordo com Janot, mesmo que os delatores percam os benefícios, as provas continuam sendo válidas.
Ou seja, ele poderia usar o material em uma segunda denúncia contra o presidente Michel Temer –que já foi denunciado por Janot, acusado de corrupção passiva, justamente por causa da delação da JBS.
O procurador-geral foi questionado se o episódio poderia atrasar alguma nova denúncia. Ele disse que não.
SUSPEITAS
No procedimento aberto para investigar as conversas dos delatores, Janot afirma que há indícios de crimes cometidos por agentes da PGR.
É uma referência ao advogado Marcelo Miller, que trabalhava em sua equipe.
A jornalistas, Janot disse que também há menções a agentes do STF (Supremo Tribunal Federal).
Uma fonte disse à Folha que os delatores tratam "de maneira genérica" sobre o Supremo.
A gravação foi feita em 17 de março, dez dias depois de Joesley ter gravado o presidente Michel Temer no Palácio do Jaburu e dias antes de assinarem o acordo com a PGR.
O material chegou na quinta (31) às 19h.
Os delatores entregaram novos arquivos de áudio à PGR e os investigadores passaram o fim de semana trabalhando no material.
Na manhã de domingo uma procuradora encontrou a conversa suspeita, disse Janot.
04/09/2017 22h17

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Escândalo no MT expõe influência e conexões de Gilmar


Por Ricardo Mendonça | De Cuiabá
Divulgação/Secom-MTGilmar recebe medalha de Silval em 2013: ministro agradeceu afirmando que era "amigo de muitos anos" do agora delator
Embora não tenha sido citado pelo ex-governador do Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB) no acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o nome do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a ser um dos mais mencionados nos bastidores da política local. Poucos se sentem à vontade para falar abertamente sobre ele. Mas autoridades do meio político, do Ministério Público e do Judiciário passaram os últimos dias listando episódios questionáveis do governo Silval que se aproximam do magistrado.
Classificada como "monstruosa" pelo também ministro do STF Luiz Fux, que dias atrás a homologou, a delação de Silval provocou um terremoto político no Estado de proporções inéditas. A confissão de dezenas de esquemas de corrupção envolveu o ministro da Agricultura e ex-governador, Blairo Maggi (PP), o atual governador, Pedro Taques (PSDB), dois dos três senadores locais, deputados e ex-deputados federais, representante do tribunal de contas e todos os deputados estaduais da legislatura anterior, entre eles o atual prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB).
O aspecto mais chamativo foram os vídeos gravados de forma escondida por Silval mostrando parlamentares de diversos partidos, um após o outro, recebendo maços de dinheiro dentro do uma repartição. Segundo o delator, era um "mensalinho", uma tradição na relação com os representantes da Assembleia para garantir apoio às matérias de interesse da gestão e evitar investigações contra o seu governo corrupto.
Um dos episódios envolvendo o nome de Gilmar lembrado na semana passada foi o da inusitada aquisição por parte do governo Silval de uma faculdade particular criada pelo ministro, uma irmã e outros três sócios no fim dos anos 90. A União de Ensino Superior de Diamantino (Uned) foi montada no pequeno município de Diamantino, região central do Mato Grosso, cidade natal do magistrado e onde seu pai e um irmão já foram prefeitos.
Conforme mostrou uma reportagem da agência "Pública" em junho, a estatização da faculdade é alvo de inquérito civil no Ministério Público Estadual, que apura as circunstâncias da operação. Na época da criação, um dos parceiros de Gilmar na empreitada foi o pecuarista Marcos Antônio Tozzatti, ex-assessor e atual sócio do ministro Eliseu Padilha (PMDB) numa fazenda de gado e, junto com ele, alvo de investigação por crime ambiental.
A Uned operou 13 anos enfrentando dificuldades por causa da inadimplência. Até que em 2013 Silval resolveu comprá-la. Para isso, mobilizou os deputados estaduais que precisaram aprovar uma norma para dar autonomia para a Universidade Estadual do Mato Grosso (Unemat) realizar a aquisição.
Na época, a Assembleia era comandada pelo notório José Riva (PSD), que responde por mais de uma centena de processos e ganhou fama como "o maior ficha suja do país". Ao custo de quase R$ 8 milhões, a faculdade particular virou pública e deixou de cobrar mensalidade. Aumentou o número de alunos, mas vive até hoje em situação precária, sem concurso e com professores improvisados.
Não há evidência de que Gilmar tenha participado das negociações. Ele saiu do negócio anos antes da transferência. Na cerimônia de inauguração da unidade estatizada, porém, o ministro do STF apareceu em Diamantino ao lado de Silval e de Riva. O campus foi batizado com o nome de seu pai, Francisco Ferreira Mendes.
No mesmo ano da estatização, Silval agraciou Gilmar com a medalha de honra ao mérito do Estado. Conforme registrado na ocasião, o ministro agradeceu afirmando que era "amigo de muitos anos" do agora delator, figura com quem costumava ter "conversas muito proveitosas".
Hoje, a expectativa no Estado é que Riva faça delação. A informação de que ele estaria negociando para isso foi confirmada ao Valor por uma autoridade que pediu para não ter o nome identificado.
Um segundo episódio com instituição de ensino também associa Gilmar aos investigados. Em 2012, Riva decidiu promover um concurso para contratação de 430 servidores para a Assembleia. A Casa tinha 1,4 mil funcionários - a maioria comissionados - e não fazia concurso há duas décadas. Para surpresa de muitos, a empresa selecionada para realizar o certame foi o Instituto Brasiliense de Direito Privado (IDP), escola que tem Gilmar como sócio.
O IDP foi criado na mesma época da Uned. Diferentemente da faculdade de Diamantino, cresceu e continua tendo Gilmar como sócio. Sua contratação para realização de concurso gerou desconfiança e passou a ser publicamente criticada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE).
Entre outras coisas, diziam que o IDP não tinha experiência anterior alguma nesse tipo de atividade e acusavam o instituto de ter preparado um edital com vícios que favoreciam comissionados já instalados na Casa. Mencionavam ainda erros primários do edital, como especificar uma norma do Mato Grosso do Sul inexistente no Mato Grosso. A desconfiança era de que se tratava de uma operação capitaneada por Riva para garantir a perpetuação de aliados na Assembleia.
Em julho de 2013, o concurso foi cancelado. O substituto de Riva na presidência da Assembleia, Romildo Júnior (PMDB), concordou que havia "situação de insegurança". Embora não admita as acusações que eram feitas pela OAB e pelo MCCE, o IPD concordou que teria dificuldade para tocar o certame, já que a demanda por inscrições, 50 mil, ficou muito acima do que havia sido estimado no contrato, 17 mil.
O Valor não conseguiu falar diretamente com Gilmar Mendes, em viagem no exterior. O IDP afirmou que a contratação e posterior cancelamento do serviço não resultaram em prejuízo para o Estado. Sua remuneração seria feita a partir da receita com inscrições. Os pagamentos que já haviam sido realizados foram devolvidos aos interessados, informou. O concurso acabou sendo feito depois pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Assim como ocorreu recentemente no julgamento do habeas corpus que tirou o empresário Jacob Barata Filho da cadeia no Rio, a isenção de Gilmar para decidir também foi questionada em 2015 quando o caso José Riva chegou ao STF.
O ex-deputado estava preso havia quatro meses sob a acusação de desvio de mais de R$ 60 milhões em concorrências fraudulentas. Seu advogado, Rodrigo Mudrovitsch, é professor do IDP e já havia sido defensor do próprio Gilmar. O magistrado não se declarou impedido. Na segunda turma, Teori Zavascki e Cármen Lúcia votaram pela manutenção da prisão. Gilmar defendeu o habeas corpus e foi acompanhado por Dias Toffoli. Como Celso de Mello havia faltado, o empate favoreceu o réu.
Dias depois, a juíza da 7ª Vara Criminal do Mato Grosso, Selma Arruda, determinou nova prisão de Riva. Fez isso com base em outro processo e novos indícios que, no seu entender, justificavam a medida preventiva. Gilmar chamou o caso para si e mandou soltá-lo imediatamente. Assim como fez recentemente com o juiz Marcelo Bretas, do Rio, interpretou a segunda decisão de Selma como uma afronta à sua autoridade.
Selma é a juíza que atuou desde o início no gigantesco caso que agora teve seu desfecho com a delação de Silval. Trata-se de uma investigação que começou em 2015 para apurar corrupção na concessão de benefícios fiscais. Como o tempo, foi se desdobrando em várias outras, quase tudo confirmado agora pelo ex-governador. Até outro dia, Selma era chamada no Estado de "Sergio Moro de saia". Quando Gilmar censurou Bretas, uma autoridade do meio jurídico cuiabano afirmou que o juiz carioca poderia passar a ser chamado de "Selma Arruda de terno e gravata". DO VALOR

Foro privilegiado completará 100 dias na gaveta

Josias de Souza

O Brasil sempre lidou de forma engenhosa com o problema do foro privilegiado. A questão é discutida exaustivamente há anos. Exausto, o país nunca resolve nada. De repente, surgiu no Supremo Tribunal Federal o esboço de uma saída. Mas o ministro Alexandre de Moraes encarcerou numa gaveta o processo que pode limitar o direito ao foro, restringindo o privilégio aos crimes cometidos por congressistas e autoridades durante e em razão do exercício da função pública. Na próxima sexta-feira, em plena Semana da Pátria, o aprisionamento dos autos completará 100 dias.
A sessão em que Moraes pediu mais tempo para analisar o processo foi interrompida quando o placar estava 4 a zero a favor da limitação do foro. Rosa Weber, Marco Aurélio Mello e Cármen Lúcia acompanharam a posição do relator Luís Roberto Barroso, favorável à regra restritiva. Num colegiado de 11 ministros, faltavam dois votos para atingir a maioria que remeteria para a primeira instância do Judiciário o grosso dos processos criminais que tramitam no Supremo à espera de julgamentos que nunca chegam.
Não há ilegalidade na atitude de Moraes. Pedidos de vista estão previstos no regimento do Supremo. Mas as circunstâncias sujeitam o ministro à maledicência. Indicado por Michel Temer para ocupar a cadeira que foi de Teori Zavaschi no Supremo, Moraes protege com seu gesto pelo menos oito ministros do atual governo que respondem a inquéritos na Lava Jato. Entre eles Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaira-Geral da Presidência), os dois auxiliares mais próximos do presidente.
De acordo com estatísticas mencionadas pelo relator Luís Barroso, há na Suprema Corte cerca de 500 processos criminais contra detentores de foro especial. ''O prazo médio para recebimento de uma denúncia pelo STF é de 565 dias”, disse o ministro. No caso de Fernando Collor, a demora foi de 732 dias. “Um juiz de 1º grau recebe uma denúncia, como regra, em menos de uma semana, porque o procedimento é muito mais simples”, acrescentou Barroso. Num processo contra Aldemir Bendini, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobas, Sergio Moro recebeu a denúncia em dois dias.
Nas palavras de Barroso, o atual sistema ''é feito para não funcionar'' e se tornou uma ''perversão da Justiça''. O ministro realçou a necessidade de revisão da encrenca. “Há problemas associados à morosidade, à impunidade e à impropriedade de uma Suprema Corte ocupar-se como primeira instância de centenas de processos criminais. Não é assim em parte alguma do mundo democrático.''
Suprema ironia: na semana passada, o próprio Barroso autorizou a abertura de mais um inquérito contra o pluri-investigado senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Com isso, ajudou a consolidar a migração de Renan da categoria de anomalia para o estágio de aberração jurídica. Além de ser réu numa ação penal, o senador ocupa o topo do ranking dos encrencados no Supremo. Coleciona 18 inquéritos, 13 dos quais relacionados à Lava Jato.
Afora Renan e os ministros de Temer, a investigação do maior escândalo de corrupção já varejado no Brasil empurrou para os escaninhos do Supremo, por enquanto, 64 deputados e 28 senadores. A maioria compõe o bloco que dá sustentação legislativa ao governo que Alexandre de Moraes já serviu como ministro da Justiça. A coincidência dá asas à tese de que o processo sobre o foro se encontra preso numa gaveta para livrar os políticos sob suspeição dos rigores das sentenças de juízes como Sergio Moro, de Curitiba, e Marcelo Bretas, do Rio de Janeiro. O falatório decerto é injusto.