quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Brasília deve virar uma Chicago sem Al Capone

Josias de Souza

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, deixou Michel Temer numa situação esquisita. Diante da decisão da Câmara de congelar a denúncia que acusa o presidente de compor uma organização criminosa do PMDB, o ministro enviou para a primeira instância o pedaço do processo que não trata de Temer. Sem foro privilegiado, foram para o caldeirão de Sergio Moro o ex-ministro Geddel Vieira Lima, os ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha e Henrique Alves e o ex-assessor da Presidência Rodrigo Rocha Loures, o homem da mala.
Esses personagens têm algo em comum: são íntimos de Michel Temer. Nos áureos tempos, quando não havia sido descoberto nada sobre eles, integravam a turma do charuto. Frequentavam jantares semanais no Palácio do Jaburu, que terminavam numa roda onde havia muita de fumaça e articulações.
Suponha que Sergio Moro condene Geddel, Cunha, Alves e Loures. Teremos, então, uma organização criminosa seletiva e sem chefe. Os ministros palacianos Moreira Franco e Eliseu Padilha, que também foram contemplados pela Câmara com o congelamento das investigações, continuarão fazendo pose de limpinhos. Temer terá de afirmar que não percebeu o que se passava debaixo do seu nariz. Ele se autocondenará ao papel de bobo. E Brasília ganhará novamente a incômoda aparência de uma Chicago sem Al Capone.

Aborrecido com Torquato, Temer se faz de morto

Josias de Souza

Michel Temer decidiu tratar a crise que opõe o seu ministro da Justiça ao governo do Rio de Janeiro como uma espécie de bala perdida que passou de raspão pelo Palácio do Planalto. Aconselhado por um parlamentar fluminense a demitir Torquato Jardim, o presidente fez ouvidos moucos. Ante a cogitação de divulgar uma nota, preferiu se abster. Uma declaração oral? Refugou. Espera que a desavença seja sedada pelo feriado. Sem condições de agigantar-se em meio ao tiroteio, Temer agachou-se. Embora esteja aborrecido com o amigo Torquato, optou por não fazer nada. O que explica tudo.
Temer não deseja afastar o ministro. Mas ainda que desejasse, não teria condições de fazê-lo. Após transformar a Esplanada numa trincheira multipartidária de investigados, o presidente atiraria contra o próprio pé se colocasse no olho da rua um auxiliar com a ficha imaculada, cujo pecado foi ecoar meia dúzia de verdades contidas em relatórios sigilosos dos órgãos de inteligência sobre o acasalamento da política e da Polícia Militar fluminense com o crime organizado.
Empurrar Torquato para fora do governo, forçando-o a pedir para sair, também não seria uma manobra inteligente. Sobretudo porque Temer acaba de pegar em lanças para aprovar na Câmara o congelamento das investigações criminais contra si mesmo e contra os ministros palacianos Moreira Franco e Eliseu Padilha. Festejado nas redes sociais pela sinceridade, o titular da pasta da Justiça ganharia uma aparência de navio que abandona os ratos.
Para fazer média com o governador Luiz Fernando Pezão, Temer poderia submeter Torquato a uma admoestação cenográfica. Coisa para carioca ver. Mas o ministro da Justiça não é político. Ele faz a Temer o favor de gerir um ministério. Não domina a arte de engolir sapos. Tampouco parece afeito à prática de procurar saídas honrosas em meio à desonra. De resto, Temer se arrisca a entrar na briga do lado da polícia do Rio. A corporação não é 100% corrupta, como insinuou o ministro. Mas 95% dos seus membros dão aos 5% restantes uma péssima reputação.

Futuro do pretérito!

Josias de Souza

– Charge do Duke, via O Tempo.

Dodge associa o fim da impunidade à manutenção da prisão na 2ª instância

Josias de Souza

Em discurso feito na noite desta quarta-feira (1º), a procuradora-geral da República Raquel Dodge disse que sua agenda inclui “a luta pelo fim da impunidade”. Para que isso ocorra, ela acrescentou, será necessário defender no Supremo Tribunal Federal a manutenção da decisão que autorizou a prisão a partir das condenações na segunda instância do Judiciário. Dodge falou na abertura do 34º Encontro Nacional dos Procuradores da República, em Porto de Galinhas (PE).
O Supremo discutirá o tema pela terceira vez. Há chances reais de recuo. Ministros que votaram a favor da abertura das celas já na segunda instância ensaiam uma meia-volta. Se isso acontecer, disse Raquel Dodge, a credibilidade do Judiciário será tisnada.
Dodge declarou: “O sistema de precedentes vinculantes adotado no Brasil exige que a decisão do Pleno do STF, que afirmou a constitucionalidade da prisão após a segunda instância, seja respeitada, sob pena de reversão da credibilidade nas instituições, como capazes de fazer a entrega da prestação jurisdicional de modo seguro, coerente e célere.” Presente ao evento, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo, também defendeu a prisão na segunda instância.
Num instante em que o Ministério Público Federal aconselha o governo a revogar a portaria que dificultou o combate ao trabalho análogo à escravidão, Raquel Dodge injetou o vocábulo “escravos” no seu pronunciamento. Disse que é papel da instituição que dirige proteger os “escravos de outros seres humanos” e combater “os “escravos da ganância.” Vai abaixo a íntegra do pronunciamento da procuradora-geral da República:

Senhor Presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República Queridos amigos do Ministério Público,
caríssimos familiares, nosso esteio em todas as horas, nas amenas e nas mais difíceis,
É uma alegria estar entre amigos e na companhia das pessoas que dividem conosco o amor pelo Ministério Público; e que acreditam que, ao prestarmos o serviço público que a Constituição nos atribuiu, estamos ajudando a melhorar a vida de todos os brasileiros, seja quando defendemos direitos, bens e valores constitucionais, seja quando cuidamos da qualidade das políticas públicas.
Agradeço muito especialmente à ANPR pelo convite para participar deste encontro. Cercaram-me de muitos cuidados e gentilezas, que recebo e agradeço de coração, pois sei que cuidam também de cada um de vocês, como há tantos anos, para que esta nossa reunião anual seja um momento muito especial, de convivência fraterna e de cultivo do sentimento de pertencimento a esta grande instituição que é o Ministério Público Federal. É aqui que nos reencontramos, cultivamos nossa amizade, estreitamos nossos laços e aproximamos nossas famílias, em uma estratégia necessária para dividirmos as dificuldades e também o prazer que é ser membro do Ministério Público.
A ANPR elaborou este ano, mais uma vez, a lista tríplice para o cargo de Procurador-Geral da República, credenciando-se para que uma dentre os mais votados pelos Procuradores da República viesse a ocupar este honroso cargo. Isto se deve à credibilidade que a ANPR angariou ao longo dos anos, em uma história sempre coerente de luta pela democracia, pelo vigor das instituições públicas, pelo aprimoramento das leis e, sobretudo, pela independência e autonomia do Ministério Público e de seus membros. Agradeço à ANPR e a cada um pelo êxito desta medida que reforça a autonomia da instituição.
Devo dizer-lhes que tenho mantido um diálogo frequente e estreito com o Presidente e a Diretoria da ANPR e que sempre estarei atenta a toda oportunidade para promover uma aproximação transparente e leal em relação a todos os temas que exigem nossa atenção comum. Esta é a minha disposição, pela simples razão de que considero a ANPR uma das mais importantes instituições brasileiras, em razão de sua luta pela democracia, iniciada quando ainda não a tínhamos, e também por seu incansável trabalho de fortalecimento das instituições democráticas.
É uma honra estar aqui.
Ninguém acima da lei, ninguém abaixo da lei
O zelo pela dignidade humana pode ser expresso neste mote. Ninguém é superior a outrem, a ponto de não ser tocado pela lei. Ninguém é inferior a outrem, a ponto de sequer ser protegido pela lei.
Escravos e corruptos nos lembram que, em uma sociedade profundamente desigual, e onde o patrimônio público, comum a todos, tem sido corrompido na elevada proporção revelada pela Lavajato, o Ministério Público deve sempre agir com firmeza e coragem no cumprimento de suas atribuições cíveis e criminais, sob as balizas da lei. Há os que se tornam escravos de outros seres humanos porque são vulneráveis à exploração, não têm outra esperança e carecem do apoio necessário para romper o gueto da desigualdade. Há os corruptos, que são escravos da ganância e perpetuadores da desigualdade, porque suas condutas não só desviam recursos públicos necessários para socorrer os mais necessitados, como promovem a nociva ideia de que alguns estão acima da lei.
Estavam. Aos poucos, por causa da firmeza de muitas instituições, dentre elas o Ministério Público, a defesa da dignidade humana e de uma sociedade mais honesta e mais justa abre espaço, no debate público, para uma agenda diferente no país: cobra-se resultado, transparência e punição. Esta é uma agenda que impulsiona transformação para uma situação humana e social melhor para todos os cidadãos.
Este é o ponto essencial do trabalho do Ministério Público, zelar pela dignidade humana, pela integridade dos indivíduos, para que suas diferenças de raça, credo, religião ou opção sexual não dê ensejo à discriminação, mas seja celebrada como oportunidade de livre expressão de sua personalidade e fator relevante para construção de uma sociedade plural e fraterna.
É na dignidade humana que encontramos o elemento da nossa igualdade. Somos iguais em dignidade. Esta poderosa ideia não viceja em muitos países no mundo contemporâneo e, mesmo no nosso, encontra obstáculos que permitem o bullying em escolas, a violência no campo, o assassinato de índios, a falta de saneamento nas cidades, serviços de educação sem qualidade, dificuldade de acesso a água potável ou a serviços de saúde adequados e necessários.
Para cuidar de tantos problemas que atingem os brasileiros, o Ministério Público precisa ter uma agenda ampla, que inclua a permanente defesa de direitos fundamentais e também ações criminais, pois tanto precisamos promover a prevenção e a punição de crimes que atinge os bens jurídicos mais importantes , como precisamos cuidar da segurança pública, defender o direito de minorias, zelar por políticas públicas de qualidade, pela liberdade de expressão, pela democracia, sempre observando o devido processo legal, o duplo grau de jurisdição, o princípio da presunção de inocência e a dignidade da pessoa humana, que são conquistas da civilização moderna necessárias em uma sociedade justa e igualitária.
Nossa agenda mais recente deve incluir a luta pelo fim da impunidade. Para isto, é necessário defender no Supremo Tribunal Federal o início da execução da pena quando esgotado o duplo grau de jurisdição, com a condenação do réu pelo Tribunal intermediário. O sistema de precedentes vinculantes adotado no Brasil exige que a decisão do Pleno do STF, que afirmou a constitucionalidade da prisão após a segunda instância, seja respeitada, sob pena de reversão da credibilidade nas instituições, como capazes de fazer a entrega da prestação jurisdicional de modo seguro, coerente e célere.
Em uma sociedade em que todos são iguais em dignidade e direitos, precisamos cuidar para que nossos bens comuns não sejam destruídos. Um dos principais é a água, que começa a faltar nas cidades e no meio rural. Falta água potável. Grandes rios urbanos estão indevidamente poluídos, por saneamento urbano inadequado e pelo descontrole da poluição. O risco de rompimento de grandes barragens ameaça outros rios, enquanto o desastre de Mariana ainda não resultou em punição aos infratores nem em indenização das famílias. O desmatamento tem aumentado e precisa ser imediatamente contido, porque são rios voadores, segundo o INPE, que mantém a floresta. Estas são situações, dentre tantas outras, que precisam ser revertidas com a atuação zelosa do Ministério Público.
Precisamos manter nosso trabalho contra a corrupção, para que os esforços seguros feitos últimos anos permaneçam nos vindouros, para atingir uma inabalável cultura de honestidade no uso do dinheiro público.
Iniciamos, neste mês de outubro, uma data muito especial, de contagem dos trinta anos do novo Ministério Público, criado pela Constituição de 1988. Ao longo dos próximos doze meses, relembraremos as conquistas de cada área de atuação do Ministério Público Federal, para compreendermos com mais clareza o impacto de nosso trabalho e o papel transformador que ele tem sobre a sociedade e a vida das pessoas. Queremos saber como temos contribuído e onde podemos melhorar, de olho nos próximos trintas anos.
Temos de começar reconhecendo publicamente e agradecendo aos fundadores da ANPR, que são também os fundadores do novo Ministério Público, por sua atitude serena e visionária. Muitos estão nesta sala, a nos lembrar, com discrição mas persistentemente, a importância das três garantias constitucionais e da autonomia do Ministério Público. Nunca é demais declarar que, não fosse esta visão, não estaríamos aqui hoje com a disposição de prosseguir no trabalho que eles iniciaram com a grande responsabilidade e a esperança de que nosso legado, às gerações futuras, honre o que deles recebemos.
E ao fim, possamos juntos dizer, como no mote que abracei no caminho que me conduziu ao mandato de Procuradora-Geral da República, ninguém acima da lei, ninguém abaixo da lei.
Um abraço amigo, cordial e agradecido a cada um. Uma boa confraternização para todos.

A bancada do narcotráfico - VISITA PRA LÁ DE ESTRANHA...


Torquato Jardim “achou esquisita a visita que recebeu de um deputado federal do Rio de Janeiro”, diz O Globo.
“Sua excelência estava acompanhada de duas mulheres de traficantes famosos”.

Dos males, o maior
 
Só sobrou Geraldo Alckmin no PSDB.
Além de ser o candidato tucano ao Palácio do Planalto, ele pode se tornar também presidente do partido.
Diz o Estadão:
“Em meio à guerra fratricida no PSDB pelo comando do partido, as correntes internas convergem na defesa do governador Geraldo Alckmin como candidato à Presidência da República em 2018.
O nome do chefe do Executivo paulista também passou a ser cotado como alternativa para chefiar a sigla no próximo ano, o que evitaria um racha na convenção tucana marcada para o dia 9 de dezembro.”
O PSDB espera que Geraldo Alckmin dispute o segundo turno contra Jair Bolsonaro e seja eleito com os votos do PT.
O mais provável, porém, é que ele chegue em quarto lugar, com menos de 10% dos votos, e que o PSDB tenha de fechar as portas.

Os generais contra o crime organizado

O Globo conta que Raul Jungmann, dois meses atrás, entregou a Luiz Fernando Pezão “uma lista com três generais da reserva que estavam dispostos a assumir a Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro — exigiam apenas carta branca para nomeações”.
De acordo com a reportagem, “Pezão não quis conversa”.
Isso explica as entrevistas de Torquato Jardim denunciando o conluio entre a política e o crime organizado.

O Senado é contra

O Senado é contra a prisão dos condenados em segundo grau.
“Em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal, o Senado defendeu que a Constituição não permite a execução provisória da pena após decisão em segunda instância”, diz o Jota.
O parecer foi preparado pela Advocacia do Senado, que defendeu também, em tempos recentes, Renan Calheiros e Aécio Neves.

Janot afirma que Lava Jato pertence à sociedade brasileira


Em entrevista concedida à CNN em Espanhol nesta quarta-feira (1º), o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot afirmou que a Operação Lava Jato não pertence mais ao Ministério Público, mas "à sociedade brasileira e aos países atingidos pelos atos de corrupção de empresas brasileiras".
Ao responder se ele confia que a atual Procuradora-Geral, Raquel Dodge, vai continuar a Operação Lava Jato com a mesma intensidade, Janot disse: "Espero que sim, que os trabalhos continuem".
Em outro momento, ao ser questionado sobre o acordo feito com os irmãos Batista, donos da JBS, o ex-PGR destacou que, ao ouvir que os irmãos tinham provas do envolvimento de senadores, deputados e do próprio Presidente da República em esquemas de corrupção, teve que decidir entre fechar o acordo ou deixar que os crimes continuassem acontecendo. “Eu decidi pelo interesse público e por cessar a prática criminosa”, afirmou.
Janot transcorreu sobre o legado já deixado pela Operação Lava Jato: “os empresários devem ver o mercado com responsabilidade. O mercado deve ser competitivo. Não um mercado cartelizado ou de oligopólio”.
Para Janot, a Lava Jato já chegou ao fundo, e se pode ver à frente o fim da Operação. Ele negou novamente a possibilidade a intenção de ser candidato, ou ministro do STF, e disse que poderá voltar a dar aulas.DO G1-
Por Matheus Leitão

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Sob crise, Pezão reúne coronelato da PM do Rio

Josias de Souza

Em meio à crise provocada pelas críticas do ministro Torquato Jardim (Justiça) à Polícia Militar fluminense, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fenando Pezão, reúne-se nesta quarta-feira com os coronéis que exercem funções de comando ou subcomando na corporação. Espera-se o comparecimento de mais de 30 oficiais. Muitos comandam batalhões da PM. Sobre eles, o ministro da Justiça declarou: “Comandantes de batalhão são sócios do crime organizado”.
Os coronéis foram convocados por ordem do chefe do Estado-Maior Geral da PM, Lúcio Flavio Barracho de Sousa (veja cópia do ofício acima). A convocação ocorreu nesta terça-feira (31), no calor da divulgação do diagnóstico cáustico de Torquato Jardim sobre o setor de segurança do Rio. As declarações do ministro, veiculadas aqui no blog, incendiaram os ânimos da tropa. E o governador tenta debelar a ira dos oficias que o ministro da Justiça diz que ele não comanda.
Simultaneamente, o Clube de Oficiais da PM e a ONG Viva Rio inauguraram um abaixo-assinado eletrônico pedindo a demissão do ministro da Justiça. A petição está disponível aqui. Anogta o seguinte:
“Em respeito ao Governo do Estado do Rio de Janeiro e às nossas instituições de segurança, em memória dos policiais vitimados pela violência assassina, por consideração e carinho às suas famílias, tendo em conta as tarefas extremamente complexas que se apresentam para os homens e mulheres que compõem nossas forças policiais e tendo em vista o decoro que se espera de um Ministro de Estado, o Viva Rio e o Clube de Oficiais da PMERJ lançam este abaixo assinado. Por tudo isto, vimos à V.Excia. pedir a demissão do Ministro da Justiça e Segurança Torquato Lorena Jardim.”

Bolsonaro abre 11 pontos de vantagem sobre o segundo colocado em nova pesquisa

Deputado federal lidera dois cenários da pesquisa eleitoral realizada pelo DataPoder 360.
O grande mistério que ronda as eleições presidenciais de 2018 é se Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai ou não concorrer ao cargo que exerceu durante dois mandatos, entre 2003 e 2010.
Caso Lula não seja o candidato do PT nas eleições do ano que vem, o deputado federal Jair bolsonaro (PSC) se destaca e tem grande chances de ser o líder da corrida pelo Planalto.
Cenário sem Lula
O site DataPoder360  realizou mais uma pesquisa de olho nas eleições de 2018. O levantamento foi realizado entre os dias 26 e 29 de outubro e ouviu pessoas em todo o Brasil. A margem de erro é de 2,9 pontos para mais ou para menos.
No terceiro e quarto cenários, em que Lula é deixado de fora e substituído pelo ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, Bolsonaro lidera com folga e chega a alcançar até 24% da intenção de votos.
No terceiro cenário, a grande surpresa é o segundo colocado.
Ciro Gomes (PDT) aparece com 14%. É a primeira pesquisa em que o ex-governador do Ceará e ex-ministro aparece na segunda colocação. Certamente, votos que seriam dados a Lula migraram para o outro candidato da esquerda.
Geraldo Alckmin (PSDB) é o terceiro colocado, com 10%. Marina Silva (Rede), que chegou a liderar cenários sem Lula em outras pesquisas, é apenas a quarta colocada, com 9%. Haddad tem apenas 4%.
No quarto cenário, Bolsonaro lidera com 24%. São 11 pontos de vantagem sobre Marina Silva. Ciro Gomes tem 11%. João Dória, candidato do PSDB neste cenário, tem 8%.
Este é um outro fator interessante: Alckmin tem alcançado mais intenção de votos do que Doria. Isso mostra que a áurea de grande gestor do prefeito de São Paulo ficou para trás nestes primeiros meses de mandato.
Haddad, derrotado por Doria nas eleições de 2016, tem uma melhora em relação ao cenário anterior e salta de 4% para 7%.
Com Lula na disputa
Os dois primeiros cenários apresentam Lula como candidato do PT e o ex-presidente ocupa a primeira posição em ambos os levantamentos. O problema, talvez, seja a distância para Bolsonaro que diminuiu.
No primeiro cenário, Lula tem 28%, contra 25% de Bolsonaro. Pela margem de erro, há empate entre ambos. Em junho, Lula tinha 27%, enquanto Bolsonaro aparecia com apenas 14%. Em agosto, o esquerdista tinha 32% e o direitista aparecia com 25%.
Lula inelegível
Réu em cinco processos – três deles da Operação Lava Jato – o ex-presidente pode ser impedido de concorrer se for condenado em segunda instância em alguns deles. No caso do tríplex do Guarujá, Lula foi condenado há nove anos e seis meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.DO N.ATUAL

Fachin envia a Moro denúncias contra Cunha, Geddel e Rocha Loures


Decisão está no mesmo despacho em que ministro formalizou suspensão da denúncia contra o presidente, aprovada pela Câmara. Outros acusados serão julgados pela Justiça em Brasília.

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), fatiou a denúncia contra o presidente Michel Temer e decidiu enviar para o juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato no Paraná, a acusação contra os integrantes do chamado “núcleo do PMDB na Câmara”, que não detêm foro privilegiado.
Assim, a acusação por organização criminosa contra o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), os ex-ministros Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e Henrique Eduardo Alves (Turismo) e o ex-assessor de Temer Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) será encaminhada para o Paraná.
Já a acusação por obstrução de Justiça imputada aos executivos da JBS Joesley Mendonça Batista e Ricardo Saud; ao doleiro Lúcio Funaro e sua irmã Roberta Funaro; e também a Cunha e Rocha Loures será enviada para a Justiça Federal em Brasília.
O desmembramento da denúncia segue recomendação da Procuradoria Geral da República (PGR), levando em conta o fato dos demais acusados não terem foro privilegiado.

Suspensão da denúncia contra Temer

Na mesma decisão, o ministro do Supremo formalizou a suspensão da denúncia e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) por organização criminosa.
No ato, o ministro decidiu que as acusações contra eles ficarão paradas enquanto durar o mandato (no caso de Temer) ou o exercício do cargo de ministro (no caso de Padilha e Moreira Franco). Na prática, cada um só poderá ser processado quando deixar seu respectivo posto.
“Nesse sentido, diante da negativa de autorização por parte da Câmara dos Deputados para o prosseguimento da denúncia formulada em desfavor do Presidente da República e dos aludidos Ministros de Estado, o presente feito deverá permanecer suspenso enquanto durar o mandato presidencial e as investiduras nos respectivos cargos”, determinou o ministro.

Separação de processos

A PGR e o ministro Edson Fachin entenderam que não é necessário manter a denúncia num único processo, o que deixaria o caso parado, com todos processados no STF.
Mesmo considerando que todos faziam parte de uma única organização criminosa – também formadas por políticos e operadores do PT, PP e PMDB do Senado – o ministro aplicou entendimento já consolidado no STF de que é possível separar os processos.
“No âmbito deste Supremo Tribunal Federal, a partir da constatação da dimensão do suposto grupo criminoso organizado, o Ministério Público Federal propôs o desmembramento das investigações, aglutinando em procedimentos distintos os integrantes de determinados grupos políticos, o que foi acolhido, como já frisado, pelo saudoso Ministro Teori Zavascki”, lembrou Fachin.
A decisão indica que, se vierem a deixar os cargos de ministro antes do fim do mandato de Temer, Padilha e Moreira Franco também podem ter o andamento de suas acusações retomadas e enviadas para a primeira instância da Justiça. DO P.POLÍTICO
Fonte: g1

Dezesseis investigados que foram beneficiados por Gilmar Mendes só em 2017



Em 28 de abril de 2017, Gilmar Mendes libertou Eike Batista, que estava em prisão preventiva desde janeiro. Quatro meses depois, foi a vez de Jacob Barata Filho e Lélis Teixeira obtiveram habeas corpus. No que foram novamente presos sob determinação do juiz Marcelo Bretas, foram novamente beneficiados por decisão do membro do STF. Um dia depois, Cláudio Sá Garcia de Freitas, Marcelo Traça Gonçalves, Enéas da Silva Bueno e Octacílio de Almeida Monteiro receberam a mesma graça.
Após uma semana, seria a vez de Rogério Onofre, Dayse Deborah e David Augusto da Câmara Sampaio. Em outubro, Mendes concederia habeas corpus a Flavio Godinho.

Em 28 de abril de 2017, Gilmar Mendes libertou Eike Batista, que estava em prisão preventiva desde janeiro. Quatro meses depois, foi a vez de Jacob Barata Filho e Lélis Teixeira obtiveram habeas corpus. No que foram novamente presos sob determinação do juiz Marcelo Bretas, foram novamente beneficiados por decisão do membro do STF. Um dia depois, Cláudio Sá Garcia de Freitas, Marcelo Traça Gonçalves, Enéas da Silva Bueno e Octacílio de Almeida Monteiro receberam a mesma graça.
Após uma semana, seria a vez de Rogério Onofre, Dayse Deborah e David Augusto da Câmara Sampaio. Em outubro, Mendes concederia habeas corpus a Flavio Godinho.
Todos estes nomes estão no resumo apresentado por O Globo. Que não inclui o de Sérgio Cabral, cuja transferência para um presídio no Mato Grosso do Sul foi suspendida pelo único indicado por FHC a permanecer na Suprema Corte. E o de José Dirceu, cujo habeas corpus teve no aliado de Temer um voto decisivo. Mas nada que supere o peso da decisão que descartou as provas acumuladas pela cassação de Michel Temer e Dilma Rousseff.
São quinze investigados em dezesete decisões, todas elas frustrando o trabalho de investigadores, todas elas pela mesma caneta, todas elas apenas em 2017. Porque essa postura não é recente. Em 2008, Daniel Dantas chegou a ser solto duas vezes na mesma semana. Sim, pelo mesmo Gilmar Mendes. DO IMPKICANTE

Policial militar, que cursa Direito, é proibida de entrar em sala de aula na Paraíba por estar fardada


Uma policial militar, que cursa Direto no Campus da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) em Guarabira, no Brejo do estado, foi impedida de entrar na sala e fazer uma prova porque estava fardada. Houve reação e protestos de outros alunos que reprovaram a atitude de professora. O fato aconteceu nesta terça-feira (31).
Em nota, a Caixa Beneficente dos Oficiais e Praças da Polícia Militar e do Bombeiro Militar da Paraíba disse que vai buscar todos os meios jurídicos cabíveis contra a professora que impediu o acesso de uma policial militar e estudante de direito à sala de aula porque estava fardada.
Para a entidade, houve constrangimento não só a pessoa da policial, mas a todos os integrantes da corporação, demonstrando claro preconceito profissional, o que deve ser combatido nos dias atuais.
Além do acionamento judicial, a Caixa Beneficente estará enviando um ofício à direção do campus pedindo o imediato afastamento da professora das salas de aula, pois ensinar direito na teoria quando na prática é a primeira a desrespeitá-lo, principalmente o de ir e vir, é danoso para a educação e pode estimular que fatos desta natureza sejam cada vez mais recorrentes contra profissionais da segurança pública.
A entidade que representa todos os policiais e bombeiros militares repudia qualquer ato que vá de encontro a dignidade da pessoa humana desses profissionais e não admitirá, jamais, que saiam impunes os responsáveis por atentar contra isso. - DO PB-HOJE

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Rio: Crime organizado X Estado esculhambado



Josias de Souza

O ministro Torquato Jardim, da Justiça, disse em voz alta o que era apenas murmurado por todas as autoridades que lidam com a área de segurança no governo federal. Torquato declarou, em essência, que a PM do Rio é controlada pelo crime organizado, não pelo governo estadual. Os criminosos participam da escolha do comando da Polícia Militar. E os chefes dos batalhões da PM são “sócios do crime”, disse Torquato. Eu registrei as manifestações do ministro. E isso abriu uma crise entre Brasília e o Rio.
Esse assunto não diz respeito apenas aos habitantes do Rio. Interessa a todos os brasileiros em dia com o fisco, pois o dinheiro dos impostos federais tem custeado o socorro das forças federais à segurança do Rio. O esforço envolve Forças Armadas, Polícia Federal, Polícia Rodoviária, Força Nacional de Segurança. Quem paga a conta, merece a verdade.
O ministro da Justiça não é um qualquer. Dispõe de informações privilegiadas. Reagir aos ataques com outros ataques, como fizeram as autoridades do Rio, não resolve o problema. A crise do Rio é um terremoto de verdades. A verdade mais cruel chama-se Sérgio Cabral. Desceu do governo para a cadeia. Quem supõe que num Estado que chegou a esse ponto o crime não se infiltrou na máquina de segurança é ingênuo ou cínico. Se não consegue lidar com as verdades que saltam aos olhos, não conseguirá lidar com a crise. Só uma coisa é pior do que o crime organizado: o Estado esculhambado.

Governo age para evitar crise entre Brasília e Rio

Josias de Souza

O diagnóstico cáustico que o ministro Torquato Jardim (Justiça) fez do setor de segurança do Rio de Janeiro causou perplexidade dentro do governo. Não pelo teor das declarações, reproduzidas aqui no blog, mas pelo fato de o titular da Justiça ter reproduzido publicamente avaliações que as autoridades federais só ousavam fazer entre quatro paredes. Colegas de Torquato recearam que suas observações intoxicassem o acordo de colaboração de Brasília com o Rio. Houve intensa movimentação para evitar o agravamento da crise.
Logo cedo, o governador fluminense Luiz Fernando Pezão disparou mensagens para auxiliares de Michel Temer. Pelo WhatsApp, repassou um link do texto veiculado no título principal da homepage do UOL. Queixou-se de que o Rio já tem “confusões” em demasia. Não precisa de mais uma. Pelo menos dois ministros entraram em cena munidos de panos quentes: Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e Raul Jungmann (Defesa). Ambos conversaram com Pezão e Torquato. No início da noite desta terça-feira, avaliava-se no Planalto que o pior fora evitado.
Pezão pintava um quadro apocalíptico. A Assembleia Legislativa do Rio estava em pé de guerra, dizia ele. Comandantes da Polícia Militar ameaçavam deixar seus postos caso o governo não reagisse com vigor contra a acusação de que o comando da corporação e dos seus batalhões traz as digitais do crime organizado. Auxiliares de Pezão esperavam que Torquato desmentisse a reportagem. Mas o ministro, procurador por Datena, reiterou as críticas numa entrevista à Band.
O governador do Rio ouviu de seus interlocutores brasilienses palavras de solidariedade. Após certificar-se de que Torquato não seria ecoado por nenhum outro ministro, pezão agiu para circunscrever a encrenca. O governo fluminense emitiu um par de notas oficiais, reagindo contra o ministro da Justiça —uma em nome de Pezão e outra subscrita pelo secretário de Segurança Roberto Sá. Com esses dois textos, aplacaram-se os ânimos dos comandantes da PM. A corporação também foi autorizada a emitir uma nota de autodesagravo.
De resto, a fúria da Assembleia foi canalizada para um vídeo e um requerimento. No vídeo, o presidente da Casa, deputado estadual Jorge Picciani (PMDB) refere-se a Torquato como “mentiroso”. No requerimento, a Comissão de Segurança do legislativo fluminense pede à procurador-geral da República Raquel Dodge a abertura de investigação sobre as declarações do ministro.
Ironicamente, Torquato e Dodge encontraram-se numa reunião, em Brasília. Junto com outras autoridades, discutiram justamente os rumos da força-tarefa constituída para combater o crime organizado no Rio. O mais inusitado é que as opiniões do ministro da Justiça sobre a PM do Rio são compartilhadas por seus colegas de ministério e corroboradas em relatórios de órgãos de inteligência do governo. Na expressão de um auxiliar de Temer, o quadro é de “metástase”.

Dallagnol quebra o silêncio após decisão de ministro e surpreende a todos

O ministro Gilmar Mendes suspendeu a decisão do juiz Marcelo Bretas para transferir Cabral.
Após o ministro Gilmar Mendes suspender a transferência do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), Deltan Dallagnol, coordenador e procurador da Força-tarefa da Operação Lava Jato, se mostrou muito irritado com a decisão do ministro.
O ministro Mendes minimizou a suposta ameaça feita contra o juiz Bretas durante a audiência e a denúncia de que Sérgio Cabral estava usufruindo de regalias dentro da prisão. Deltan Dallagnol criticou a decisão do ministro e disse que a decisão foi “Justiça desmoralizando Justiça”.
Dallagnol prestou solidariedade para o juiz Marcelo Bretas e o parabenizou por enfrentar os corruptos mais poderosos do país de forma encorajadora.
O procurador afirmou ainda que está a disposição do juiz Bretas para apoiá-lo em suas decisões judiciais.
Suspensão da transferência do ex-governador Sérgio Cabral
Nesta terça-feira (31), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), gilmar mendes, suspendeu a decisão tomada pela Justiça Federal do Rio de Janeiro.
A Justiça do Rio determinou a transferência do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) para o presídio de segurança máxima de Campo Grande (MS).A decisão é provisória e terminará assim que o caso for julgado pelo Supremo Tribunal Federal.
O ministro Gilmar Mendes encaminhou a decisão para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e agora o Ministério Público (MP) tem dois dias para se manifestar sobre o caso.
O pedido de transferência foi feito pelo Ministério Público Federal (MPF), após Cabral fazer comentários durante uma audiência que aconteceu na semana passada sobre as atividades empresariais da família do juiz Marcelo Bretas.
Bretas é responsável pelas investigações da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro.
Após ter sido contestado de forma irônica durante o interrogatório sobre a compra de joias com dinheiro público usado pelo ex-governador Sergio Cabral, Bretas determinou a transferência de Cabral para a prisão do sul-mato-grossense. Cabral disse durante o seu depoimento que o juiz Marcelo Bretas tinha muito conhecimento sobre o assunto, pois pessoas que fazem parte da família do juiz atuavam no ramo de joias.
Logo após a declaração do ex-governador Cabral, Bretas alegou que se sentiu muito ameaçado. Segundo o ministro Gilmar Mendes, a decisão foi suspensa por não haver uma justificativa suficiente para que Cabral fosse transferido.
Gilmar Mendes disse que a informação sobre ter alguém da família do juiz Bretas no ramo da bijuteria já tinha vindo a público através da imprensa, e por isso não representaria uma ameaça ao juiz. DO NEWS ATUAL