O Partido dos Trabalhadores (PT)
nasceu no início dos anos 80 pretendendo ser o abrigo do pensamento dito
progressista, o santuário da ética na política, o modelo de
participação democrática de todos os setores da sociedade na política e
na administração pública. Era essa a sua promessa, traduzida pela
liderança carismática do ex-metalúrgico e líder sindical Luiz Inácio
Lula da Silva. Três décadas depois, o partido portador da grande nova
revela por inteiro sua verdadeira natureza – autoritária e venal –,
tornando-se um dos maiores obstáculos para o pleno funcionamento da
democracia, justamente no momento em que as instituições nacionais
passam por um grande teste de resistência em meio ao processo de
impeachment da presidente Dilma Rousseff.
A ameaça petista de incendiar o País – e de transformar
o Palácio da Alvorada em uma cidadela para defender Dilma de um
“golpe”, que nada mais é do que a decisão soberana de um Congresso
legitimamente eleito – é expressão clara do espírito golpista de seus
líderes.
Nenhum observador mais atento da vida nacional pode se dizer
surpreso. O PT sempre demonstrou muita dificuldade em aceitar as regras
do jogo democrático quando esteve na oposição. Recusou-se a dialogar com
todos os governos, sabotou todos os esforços para estabilizar a
economia e dificultou ao máximo a aprovação das necessárias reformas
constitucionais para modernizar o Estado, tudo com o objetivo de criar
uma atmosfera de confronto – sob a qual, calculou, teria mais chances
eleitorais. É na confusão moral que costuma vicejar o tipo de política
praticado pelo PT.
Uma vez no governo, o partido da ética, herói da democracia,
não se constrangeu em incentivar a promiscuidade e a corrupção para
facilitar seu trabalho de controlar o Congresso. Afinal, o PT nunca
demonstrou legítima disposição para dividir o poder e fazer concessões
em relação a propostas de governo, algo que está na base de qualquer
democracia saudável, pela simples razão de que jamais pretendeu fazer
concessões. Certo de ser o portador da verdade histórica, que, por
definição, inviabiliza qualquer negociação, o PT tratou a democracia
como um obstáculo, a ser superado na base do simples toma lá dá cá,
encabrestando as instituições. O partido de Lula, José Dirceu
et caterva jamais teve aliados; sempre teve cúmplices.
Praticamente devolvido agora à condição de opositor, o PT
demonstra mais uma vez que não aprendeu nada – ao contrário, trata de
reafirmar de forma clara a sua natureza autoritária. Justamente no
momento em que o País clama por serenidade, para que a transição que se
completará nas próximas semanas se dê da maneira mais civilizada
possível, eis que os petistas ameaçam o País com a violência que resume
sua índole.
Infelizmente, podemos esperar muita intranquilidade nos
próximos tempos, estimulada pela tigrada. Há ameaças de greves e
manifestações diárias, cujo potencial disruptivo não é desprezível.
Vários dos irresponsáveis chefes de grupelhos disfarçados de “movimentos
sociais”, que ganharam poder sob o lulopetismo, já expressaram sua
disposição de fazer “guerra” – essa é a palavra que usaram, e não se
deve ter esperança de que se trate de mera força de expressão, pois essa
turma já provou muitas vezes do que é capaz.
Além disso, a expectativa é de que haja muitos problemas no
Congresso, que já conhece bem o modo petista de fazer oposição. Votações
cruciais para arrancar o País da grave crise em que os desastrosos
governos petistas o meteram deverão ser a oportunidade que o PT espera
para tentar desforrar a derrota no impeachment. Para o lulopetismo,
quanto pior, melhor.
Assim, ficará claro de uma vez por todas que o PT jamais quis
ajudar a construir um país moderno, decente e forte. Sua única
preocupação sempre foi a de polir a biografia de Lula, construindo para
seu líder messiânico a imagem de inatacável protetor dos pobres e
preparando o terreno para sua perpetuação no poder, à moda dos caudilhos
que marcaram tristemente a história latino-americana.
Já virtualmente fora do poder e diante da perspectiva real de
ver seu grande timoneiro atrás das grades, os petistas escolheram ser
oposição destrutiva – o que só vai confirmar que o PT é e será o que
sempre foi: um parasita incrustado no País para exaurir suas forças com
práticas facinorosas. DO ESTADÃO