PAZ AMOR E VIDA NA TERRA
" De tanto ver triunfar as nulidades,
De tanto ver crescer as injustiças,
De tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus, o homem chega
a desanimar-se da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto".
[Ruy Barbosa]
Renan
Calheiros e seus sequazes bem que tentaram impedir a manutenção da
prisão preventiva de Delcídio Amaral. Mas parlamentar que no passado
temia o povo na rua, hoje teme o povo na internet, nas redes sociais e
blogs independentes.
Em
votação aberta, a maioria dos senadores decidiu que Delcídio Amaral
permanecerá preso. O placar foi de 59 a 13, com uma abstenção.
Endosso o comentário de O Antagonista: "Muito doloroso aguentar o blá-blá-blá dessa gente pitoresca querendo aparecer na TV Senado."
Deve-se
acrescentar um dado fundamental: as redes sociais e os blogs e sites
independentes já conseguiram encurralar a maioria dos parlamentares que
já fogem da execração pública como o diabo foge da cruz.
E isto
ficou muito claro nesta votação. Aos poucos o povo brasileiro vai
deixando de lado as grandes redes de televisão e os jornalões viveiros
de comunistas que estavam acostumados a dominar a opinião pública. Estão
levando uma porrada atrás da outra. E isso ainda é o começo. Todavia
não deixa de ser lamentável que grandes revistas, jornais e televisões
irão desaparecer. A comunicação no geral e o jornalismo no particular
passam por uma transformação radical. Isto está apenas no começo.
Mas quem
acompanhou os discursos dos senadores nesta votação de hoje,
quarta-feira, pôde notar como estavam preocupados com a reação dos
cidadãos eleitores. É o efeito Facebook, Twitter, blogs e sites
jornalísticos independentes.
A fala é de Delcídio Amaral, petista do MS e
líder do Governo Dilma no Senado. "Fachin", no caso, é Edson Fachin,
Ministro do STF nomeado por Dilma em maio deste ano. Pois é.
Mesmo acostumados com os descalabros
petistas e as cada vez mais frequentes prisões da Lava Jato (sempre
acompanhadas de fartura documental e provas a rodo), ainda assim nos
assustamos com a capacidade dessa gente de sempre passar dos limites da
falta de ética e de escrúpulos.
É fundamental que Luiz Fachin, afinal de
contas um Ministro do STF, instância máxima do Poder Judiciário, deixe
claro que tudo seja alusão do senador (agora presidiário). E que o STF
mostre ainda mais rigor no julgamento de todos os políticos implicados
na Lava Jato, sem aliviar para ninguém.
Porque a conversa do LÍDER DO GOVERNO
DILMA NO SENADO (e foi Dilma quem escolheu e nomeou Fachin ao STF) é
aterradora para a democracia e para a civilidade. O STF precisa dar um
basta, na prática, à galhofa de que seria “puxadinho do PT”. DO IMPLICANTE
Lula e Delcído Amaral, amigos de fé e camaradas...
Para
medir o grau de pavor que tomou conta do Palácio do Planalto com a
prisão do líder do PT no Senado, Delcídio Amaral e do banqueiro do
lulismo, André Esteves, basta ler o site da Folha de S. Paulo, por
razões que a própria razão conhece. Fica-se sabendo também que por
conselho de uma numeróloga Delídio decidiu alterar o próprio nome
passando a assinar Delcídio “do” Amaral. Numerologias à parte, isto nos
faz lembrar das missas negras nos porões da Casa da Dinda de Collor,
onde animais eram sacrificados em rituais esotéricos, conforme foi
noticiado à época que precedeu o impeachment.
E para se ter uma ideia do que está rolando no submundo petista, transcrevo um artigo de Igor Gielow,
diretor da sucursal da Folha em Brasília, num texto típico desse jornal
esquerdista e de alinhamento ao PT e de todas as iniciativas
bundalelês. O título original do artigo é: Dano potencial de prisão de senador petista ao governo não é só de imagem. Leiam:
A
prisão do senador Delcídio do Amaral (PTMS) caiu como uma bomba no
Palácio do Planalto. Os temores são múltiplos, não apenas pelo desastre
de imagem de ver o líder do governo no Senado preso acusado de bolar um
plano para tirar um suspeito de crime do país.
O
líder do governo no Senado foi preso nesta quartafeira (25) no âmbito
da Operação Lava Jato por tentar conturbar as investigações. Ele teria
oferecido uma mesada de R$ 50 mil ao exdiretor da Petrobras Nestor
Cerveró para que ele não fechasse acordo de delação premiada com os
investigadores. Além disso, queria que Cerveró fugisse do país.
Antes
de tudo, as condições da prisão do senador e do banqueiro André
Esteves. O governo avalia que o ministro Teori Zavascki, do Supremo
Tribunal Federal, não autorizaria operação de tal impacto se a
contrapartida não fosse forte o suficiente: não apenas o plano de fuga
oferecido a Nestor Cerveró, mas também a possibilidade de que a
revelação dele seja parte da negociação da delação premiada do
exdiretor da Área Internacional da Petrobras.
Especulada
e negada há meses, a delação de Cerveró, que agora foi fechada, é um
dos pesadelos do governismo e do petismo, mas não só, já que o
exdiretor era uma indicação sustentada pelo PMDB –mais especificamente,
apesar das negativas, do grupo do presidente do Senado, Renan Calheiros
(AL), que oficialmente nega isso.
E
há o senador preso. Delcídio, que adotou o "do" no sobrenome ano
passado por dica de uma numeróloga, é um dos políticos com melhor
trânsito na área de energia –foi rapidamente ministro do setor no
governo Itamar Franco e ocupou a diretoria de Gás da Petrobras. Mais que
isso, tinha pés em todas as canoas políticas relevantes.
Foi
tucano e deixou o partido em 2001, aliando-se ao grupo do
exgovernador Zeca do PT (MS). No Senado desde o início do governo Lula,
em 2003, Delcídio ganhou fama de habilidoso operador político.
Agora,
tudo isso pode voltarse contra ele. A ser confirmado tudo o que se diz
nos meios judiciais nesta manhã em Brasília, Delcídio poderá se ver sem
mandato e na cadeia por um bom tempo, o que levaria à questão da
delação premiada.
Em
um exercício de especulação, Delcídio poderia então falar sobre os
meandros de diversas negociações potencialmente danosas ao governo e ao
PT.
Ele
foi, por exemplo, presidente da CPI dos Correios (2005), que investigou
o mensalão –abundam insinuações, na oposição, de que ele ajudou a
evitar a citação ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva no texto
final do relator Osmar Serraglio (PMDBPR). Ele sempre negou.
Além
disso, Delcídio tinha a área internacional da Petrobras como uma de
seus campos de influência na estatal, sendo copatrocinador da indicação
de Cerveró para a diretoria.
É
sob esta área que ocorreu a obscura compra da refinaria de Pasadena
(EUA), sob investigação na Lava Jato e que esbarra em decisões do
Conselho de Administração da estatal, presidido então por Dilma
Rousseff. DO ALUIZILAMORIM
O
filho de Nestor Cerveró, Bernardo Cerveró, gravou duas reuniões em que
Delcídio, o advogado Edson Ribeiro e o banqueiro André Esteves
negociavam pagamento de propina à família e ao advogado do ex-diretor da
Petrobras em troca de ele não assinar acordo de delação premiada. Ou,
se assinasse, que não mencionasse nada contra Delcídio ou Esteves
Depoimentos
Foto: Jorge William / Agência O Globo
Bernardo
Cerveró confirmou ao Ministério Público Federal a tentativa de Delcídio
de silenciar Nestor Cerveró mediante pagamento de propina.
“Venda” de ministros
Foto: STF
Nas
reuniões com o advogado de Cerveró, Delcídio prometeu que conseguiria
um habeas corpus no STF para libertar seu cliente. Ele disse que
conversou com Dias Toffoli e com Teori Zavascki. Prometeu conversar
também com Fachin. E disse que convenceria Michel Temer e Renan
Calheiros a interceder por Cerveró perante Gilmar Mendes.
Fuga pelo Paraguai
Foto: André Coelho / Agência O Globo
Também
nas reuniões, Delcídio ajudou a montar a rota de uma eventual fuga de
Cerveró, caso ele conseguisse habeas corpus no STF. A ideia era mandá-lo
para a Espanha, porque ele tem cidadania espanhola. A rota seria pelo
Paraguai – porque, segundo o senador, seria mais seguro.
Organização criminosa
Foto: André Coelho / Agência O Globo
Pela
Constituição Federal, um parlamentar só pode ser preso depois de
condenado em sentença definitiva. A exceção é para crimes inafiançáveis
cometidos em flagrante. O caso se aplica para a suspeita de que Delcídio
integrava organização criminosa, prática prevista em lei.
O que pesa contra André Esteves
Foto: Pablo Jacob/10-12-2013 / O Globo
O
dono do banco BTG-Pactual teria pago R$ 50 mil ao filho de Nestor
Cerveró, em troca de seu pai não mencionar seu nome em delação premiada.
Prometeu ainda pagar R$ 4 milhões ao advogado de Cerveró e também
mesada de R$ 50 mil a outros integrantes da família Cerveró em troca do
silêncio.
O que pesa contra Edson Ribeiro
Foto: André Coelho / Agência O Globo
O
advogado do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró teria sido
contratado por R$ 4 milhões para defendê-lo. No entanto, acabou cooptado
por Delcídio Amaral e André Esteves, que prometeram a ele o pagamento
de outros R$ 4 milhões. Em troca, precisaria convencer o cliente a não
prestar depoimento incriminando a dupla.
O que pesa contra Diogo Ferreira
Foto: Givaldo Barbosa / Agência O Globo/20-03-2014
O
chefe de gabinete de Delídio Amaral teria defendido os interesses do
parlamentar em reuniões nas quais era discutido o pagamento de propina a
familiares de Cerveró em troca do silêncio do depoente. Ferreira também
teria participado de reuniões para tratar de eventual fuga de Cerveró
para a Espanha, caso o STF concedesse a ele um habeas corpus. 25.11.2015 DO O GLOBO
O
Antagonista obteve com exclusividade o relatório do procurador-geral
Rodrigo Janot enviado ao ministro Teori Zavascki com o pedido de prisão
de Delcídio Amaral e André Esteves. Nele, Janot conta que o MPF firmou
com Nestor Cerveró um acordo de colaboração premiada, cujos termos foram
submetidos a Teori para homologação. No anexo, há o relato do
filho de Cerveró, Bernardo, sobre a tentativa de Delcídio de dissuadir o
ex-diretor da Petrobras a firmar o acordo. O senador petista queria
evitar qualquer depoimento contra ele e André Esteves. Como já mostramos
mais cedo, o acordo previa o pagamento mensal de R$ 50 mil e tentativas
de interferir no Poder Judiciário em benefício de Cerveró. A delação será homologada. Lula também será preso.
"Na
história recente da nossa pátria houve um momento em que a maioria de
nós brasileiros acreditou no mote segundo o qual uma esperança tinha
vencido o medo. Depois nos deparamos com a ação penal 470 [mensalão] e descobrimos que o cinismo tinha vencido aquela esperança. Agora parece se constatar que o escárnio venceu o cinismo. O crime não vencerá a Justiça. Aviso
aos navegantes dessas águas turvas de corrupção e das iniquidades:
criminosos não passarão a navalha da desfaçatez e da confusão entre
imunidade, impunidade e corrupção. Não passarão sobre os juízes. Não passarão sobre a Constituição do Brasil." Cármen Lúcia, Ministra do STF.
Os
ânimos na segunda turma estão exaltados como raramente se viu no
Supremo. Os ministros se manifestam de forma enfática pela prisão de
Delcídio Amaral, mas foram além. O
decano Celso de Mello usou em seu voto palavras fortíssimas contra a
Orcrim do PT. Segundo ele, o caso revela "gestos de perversão da ética
do poder e do Direito". "O
contexto que emerge do caso revela fato gravíssimo: a captura do Estado
e de instituições governamentais por organizações criminosas. É preciso
esmagar, é preciso destruir com todo o peso da lei - respeitada a
garantia constitucional - esses agentes criminosos." O Antagonista apoia o "esmagar" e o "destruir".E EU TBM
Escrevi aqui no dia 17: “Fernando
Baiano disse que Nestor Cerveró repassou sua parte da propina pela
compra da refinaria de Pasadena ao senador petista Delcídio Amaral. As
férias de Delcídio em Ibiza terão sido as suas últimas?” Siiiiiiiiiiim! Delcídio (PT-MS), que também é líder do governo Dilma no Senado, foi preso na manhã desta quarta-feira pela Polícia Federal.
O
ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a
prisão depois que o Ministério Público Federal apresentou evidências de
que ele tentava atrapalhar investigações da Operação Lava Jato. Também
foi preso o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, que estaria
envolvido nas irregularidades; e foram autorizadas as prisões do chefe
de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira, e do advogado de Nestor
Cerveró, Edson Ribeiro, que está viajando. Segundo a coluna
Radar, de VEJA, o senador foi flagrado em gravações discutindo em
detalhes com o filho e o advogado de Nestor Cerveró possíveis rotas de
fuga para o ex-diretor da Petrobras. O plano seria implementado
tão logo fosse concedido habeas corpus para livrar Cerveró da cadeia e
Delcídio negociava até uma “mesada” para bancar a permanência do
comparsa no exterior. Pelo fato de Cerveró ter nacionalidade
espanhola, o destino final cogitado era a Espanha; e o MPF descreve até o
avião que seria usado na fuga: um Falcon 50. Segundo a Folha, o objetivo de Delcídio era evitar a delação premiada de Cerveró, cujo filho Bernardo gravou a conversa. “É
a primeira vez que um senador é preso no exercício do cargo, já que a
Constituição Federal só permite a prisão de parlamentar em crime
flagrante. Neste tipo de ação, de obstrução de investigação, a conduta é
considerada crime permanente. É um dos poucos motivos que leva a corte a
aceitar prisão preventiva de réu ainda sem julgamento”, diz o jornal. Zavascki convocou uma reunião extraordinária do STF para debater o caso. O
Senado terá de fazer uma votação a respeito, porque a Constituição
estabelece que em casos de prisão em flagrante “os autos serão remetidos
dentro de 24 horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de
seus membros, resolva sobre a prisão”. Delcídio, como VEJA revelou
em outubro, era um dos presentes à reunião de líderes do PT e do PMDB
na casa de Renan Calheiros no fim de junho, uma semana depois que a Lava
Jato prendeu os presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez. Na ocasião, Lula chamou de “arbitrários” o juiz Sergio Moro e os demais responsáveis pela operação. “O
país foi sequestrado pelo Moro. Temos de reagir no Supremo Tribunal
Federal”, concordou José Sarney, o ex-presidente cuja filha, Roseana, é
investigada no caso. O objetivo da reunião, segundo a revista,
era “encontrar um jeito de restaurar a velha ordem da impunidade para os
poderosos da República que a Lava-Jato ameaça contrariar pela primeira
vez em nossa história”. Foi exatamente a tentativa de “restaurar a velha ordem da impunidade” que levou Delcídio à cadeia. Em julho, este blog revelou
em primeira mão que, enquanto o desemprego no Brasil atingia o maior
índice da série histórica, o senador petista curtia balada no balneário
de Ibiza, na Espanha. Agora, PT e governo estão em pânico porque, finalmente, Delcídio dançou de verdade.
Os empresários Sérgio Gomes da Silva, conhecido como
“Sombra”, e Ronan Maria Pinto, além de Klinger Luiz de Oliveira Sousa
(ex-secretário de Serviços Municipais da de Santo André), foram
condenados em processo que tramita na 1ª Vara Criminal da importante
cidade do Grande ABC.
“Sombra”, Ronan e Klinger são acusados de comandar um esquema
criminoso de cobrança de propinas de empresas de transporte contratadas
pela prefeitura de Santo André, durante a gestão do petista Celso
Daniel, morto de forma covarde e brutal por discordar da destinação dada
ao dinheiro sujo. Inicialmente, o dinheiro da propina deveria reforçar o
caixa da campanha presidencial de Lula em 2002, mas acabou financiando o
consumismo elegante de alguns “companheiros”.
De acordo com denúncia do Ministério Público de São Paulo, os
empresários de transporte público que não entregassem quantias em
dinheiro à quadrilha eram ameaçados com eventual suspensão dos contratos
com a prefeitura.
Ronan Maria Pinto foi condenado a dez anos, quatro meses e doze dias
de reclusão, em regime fechado, e pagamento de multa pelos crimes de
concussão e corrupção ativa. “Sombra” e Klinger Luiz de Oliveira Souza
foram condenados a quinze anos, seis meses e dezenove dias de reclusão,
em regime fechado, além do pagamento de multa pelos crimes de concussão e
corrupção passiva.
O caso Celso Daniel ainda tira o sono da cúpula petista. O então
prefeito foi sequestrado após deixar um restaurante da capital paulista,
onde jantou com “Sombra”, e assassinado a tiros em uma estrada de terra
de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.
O Ministério Público paulista sustenta que Celso Daniel foi alvo de
crime político, pois tentou interromper o ciclo da corrupção em sua
gestão quando descobriu que a propina era destinada ao enriquecimento
pessoal de Sombra e outros personagens. Ao final das investigações, a
Polícia Civil concluiu que o petista foi morto por “criminosos comuns”.
As gravações telefônicas feitas pela polícia após o assassinato
mostram que o crime teve embasamento político. Mas foi executado por
criminosos comuns, contratados para a empreitada. A tese do crime comum,
defendida pela Polícia Civil, se desfaz diante do processo de empalação
a que Celso Daniel foi submetido. Em um crime comum a vítima não é
submetida a sessões de tortura.
Em sua decisão, a juíza Maria Lucinda da Costa destacou que ficou
comprovada a cobrança de propina das empresas de transportes que atuavam
em Santo André, de acordo com o número de ônibus de cada uma. “É
inafastável a condenação de Klinger, Ronan e Sérgio, ‘pois fartas são as
provas de recebimento de valores de modo ilícito, bem como a destinação
pessoal do proveito da corrupção”.
“Não há tese defensiva que leve à absolvição”, concluiu a juíza Maria
Lucinda da Costa. Outros réus (empresários e diretores de empresas e
associações) foram absolvidos.
As defesas de Ronan Maria Pinto e Klinger sempre negaram qualquer
tipo de envolvimento deles em corrupção na administração Celso Daniel.
Todos poderão recorrer da sentença condenatória.
É importante lembrar que a deputada federal Mara Gabrili (PSDB-SP),
não faz muito tempo, desmascarou o petista Gilberto Carvalho,
ex-secretário da Presidência da República e homem de confiança de Lula,
acusando-o de integrar a quadrilha que recolhia semanalmente a propina
nas empresas de ônibus de Santo André.
A deputada tucana afirmou que Gilberto Carvalho ia à empresa de
ônibus do seu pai, em um carro preto e sempre acompanhado de seguranças,
e ao cobrar a propina colocava uma arma de fogo sobre a mesa. Carvalho
foi secretário municipal de Santo André na gestão de Celso Daniel. Confira abaixo os principais trechos das gravações
telefônicas do caso Celso Daniel, divulgadas à época com exclusividade
pelo UCHO.INFO. Em uma delas, o ex-ministro Gilberto Carvalho, da
Secretaria-Geral da Presidência da República, e Ivone Santana tratam a
morte de Celso Daniel com frieza. santo_andre_1.1 santo_andre_2.1 santo_andre_2.2 santo_andre_3 santo_andre_4 santo_andre_5 santo_andre_6 santo_andre_7 santo_andre_8 santo_andre_9 santo_andre_10 santo_andre_11 santo_andre_12 santo_andre_13 santo_andre_14 DO UCHO.INFO
O senador Delcídio Amaral (PT-MS), líder do governo na Casa, foi preso
na manhã desta quarta-feira pela Polícia Federal. A operação foi
autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) depois que o Ministério
Público Federal apresentou evidências de que ele tentava conturbar as
investigações da Operação Lava Jato. A informação é de Mônica Bergamo, da FSP.
Também foi preso o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, que estaria envolvido nas irregularidades.
Delcídio havia sido citado pelo ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró,
que o acusou de participar de um esquema de desvio de recursos
envolvendo a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA. O senador teria até mesmo oferecido possibilidade de fuga a Cerveró em
troca de ele não aderir ao acordo de colaboração com a Justiça,
revelando as irregularidades da operação. A conversa foi gravada por um
filho de Cerveró.
É a primeira vez que um senador é preso no exercício do cargo, já que a
Constituição Federal só permite a prisão de parlamentar em crime
flagrante. Neste tipo de ação, de obstrução de investigação, a conduta é
considerada crime permanente. É um dos poucos motivos que leva a corte a
aceitar prisão preventiva de réu ainda sem julgamento.
O Senado deve ter que confirmar a prisão de Delcídio. A Constituição
estabelece que em casos de prisão em flagrante "os autos serão remetidos
dentro de 24 horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de
seus membros, resolva sobre a prisão".
STF
Além de Delcídio, o STF também autorizou a prisão do chefe de gabinete
do senador e do advogado Edson Ribeiro, que trabalhou para Cerveró.
Também há autorização para buscas na casa do petista em Mato Grosso do
Sul.
A decisão de Teori atende a pedido do procurador-geral da República,
Rodrigo Janot. O ministro pediu que fosse convocada para a manhã desta
quarta a realização de uma sessão extra da segunda turma do tribunal,
que é responsável pelos casos que envolvem o esquema de corrupção da
Petrobras. No encontro, ele deve discutir as prisões.
Neste terça, o ministro chegou a telefonar para o presidente do STF,
Ricardo Lewandowski, comunicando sobre a reunião extraordinária e também
se reuniu com colegas da segunda turma de forma reservada. A ideia é
dividir o peso da reunião de prender um senador, que só poderia ser
preso em flagrante. Um dos argumentos para a prisão seria que a
obstrução das investigações e integrar uma organização criminosa torna o
crime permanente e flagrante facilitado. DO CELEAKS
Além
da prisão de José Carlos Bumlai, operação Passe Livre cumpre 25
mandados de busca e apreensão e seis de condução coercitiva em quatro
Estados
Por Laryssa Borges, de Brasília Veja.com
SUPERCREDENCIAL
- José Carlos Bumlai, amigo íntimo do presidente Lula, estava
autorizado a entrar quando quisesse, na hora em que bem entendesse (Cristiano Mariz/VEJA)
A
Polícia Federal prendeu na manhã desta terça-feira, em Brasília, o
pecuarista José Carlos Bumlai na 21ª fase da Operação Lava Jato,
batizada de Passe Livre. A nova etapa inclui investigações de pagamento
de propina e fraude em licitações na contratação de navios-sonda pela
Petrobras. Ao todo, além da prisão preventiva de Bumlai, estão sendo
cumpridos 25 mandados de busca e apreensão e seis de condução coercitiva
em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Lins (SP), Piracicaba (SP),
Campo Grande e Dourados (MS). Bumlai iria depor na tarde desta
terça-feira na CPI do BNDES e estava em um hotel próximo ao Palácio da
Alvorada quando foi detido. Ele será levado para a Superintendência da
PF em Curitiba. O
pecuarista foi citado na Lava Jato pelo lobista Fernando Baiano,
apontado pelo Ministério Público como lobista do PMDB que intermediava o
pagamento de propinas a agentes públicos que sangravam os cofres da
Petrobras. Em depoimento de delação premiada, Baiano disse ter repassado
2 milhões de reais a uma nora do ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva a pedido de Bumlai. Segundo as investigações, os valores eram
referentes a uma comissão a que o pecuarista tinha direito e, na
transação, foi simulado um contrato de aluguel de equipamentos e
emitidas notas fiscais falsas. O ex-diretor de Abastecimento da
Petrobras Paulo Roberto Costa já havia dito, em depoimento, que José
Carlos Bumlai "era um contato muito próximo de Fernando Baiano". A
nova fase da Lava Jato volta a rondar o ex-presidente Lula. Como VEJA
havia revelado em 2011, o pecuarista Bumlai, um amigo próximo do então
presidente Lula, foi favorecido por financiamentos do BNDES e tinha
livre acesso ao Palácio do Planalto no governo petista. Um recado na
portaria do principal prédio da administração pública federal
determinava: "O sr. José Carlos Bumlai deverá ter prioridade de
atendimento na portaria Principal do Palácio do Planalto, devendo ser
encaminhado ao local de destino, após prévio contato telefônico, em
qualquer tempo e qualquer circunstância". No
governo do petista, além do trânsito livre, Bumlai tinha autorização
para intermediar negócios bilionários de interesse da administração
federal. Como informou VEJA, ele foi encarregado, por exemplo, de montar
um consórcio de empresas para disputar o leilão de construção da
hidrelétrica de Belo Monte, uma obra prioritária do governo federal,
orçada originalmente em 25 bilhões de reais. Bumlai não só formou o
consórcio como venceu o leilão para construir uma das maiores
hidrelétricas do mundo. Mas a atuação do pecuarista, uma espécie de
lobista VIP, também resvalou em suspeitas de que estava usando a
influência e o acesso consentido ao palácio para fazer negócios
privados, como a compra de turbinas para a usina de Belo Monte com um
grupo de chineses. Nos
últimos anos, grandes empreiteiras hoje enroladas na Lava Jato fizeram
chegar ao Planalto queixas contra a atuação de Bumlai na Petrobras. Uma
das mais recorrentes trata de possíveis privilégios que a construtora
UTC estaria recebendo da estatal por causa do lobista. O dono da UTC
Ricardo Pessoa chegou a ser preso no escândalo do petrolão. Depois se
tornou delator e revelou como políticos e agentes da estatal
enriqueceram às custas do pagamento massivo de dinheiro sujo retirado de
contratos fraudados na estatal. De
acordo com a PF, os investigados nesta fase devem responder pelos
crimes de fraudes a licitação, falsidade ideológica, falsificação de
documentos, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência e lavagem
de dinheiro. "Segundo as apurações, complexas medidas de engenharia
financeira foram utilizadas pelos investigados com o objetivo de ocultar
a real destinação dos valores indevidos pagos a agentes públicos e
diretores da estatal", diz a PF, em nota. 24/11/2015-R.DEMOCRATICA
E Luiz
Inácio Lula da Silva, hein? Atravessou a fronteira, foi fazer campanha
eleitoral na Argentina e foi derrotado. O populismo mixuruca e
troglodita teve a sua primeira derrota importante. No dia 6 de dezembro,
será a vez de Nicolás Maduro levar uma surra nas eleições parlamentares
da Venezuela. Sim, a onda chegará aqui. Vamos ver quando. Ou melhor: a
onda já está aí. Vamos lá.
Mauricio
Macri, da “Mudemos”, uma coligação de centro-direita, venceu as eleições
e toma posse como o novo presidente da Argentina no dia 10 de dezembro.
Com quase 99% dos votos apurados, ele obteve 51,46% das preferências,
contra 48,54% do peronista Daniel Scioli. Chegam ao fim 12 anos do
reinado do kirchnerismo, liderado primeiro por Néstor Kirchner, que
governou de 2003 a 2007 — morreu em 2010 —, e, depois, por sua mulher,
Cristina.
A economia
argentina enfrenta severas dificuldades, e a tarefa de Macri não será
nada fácil. Não custa lembrar como o casal Kirchner ascendeu ao topo do
poder. Carlos Menem, que comandou por dez anos (1989-1999), havia
destruído a economia do país. Foi sucedido por Fernando De la Rúa, da
União Cívica Radical, que ficou apenas dois anos no poder. Foi deposto
em dezembro de 2001.
O país
chegou a ter cinco presidentes em janeiro de 2002, até que assumisse
Eduardo Duhalde, que entregou o poder para Néstor Kirchner, em maio de
2003. Um desses presidentes ficou apenas uma semana no cargo — Adolfo
Rodríguez Saá —, mas entrou para a memória nacional como aquele que deu,
até então, o maior calote da história na dívida externa: US$ 102
bilhões. A dívida só voltou a ser renegociada a partir de 2005.
Dos
estertores do governo Menem até a saída de De La Rúa, o país viveu o que
se chama o período da “Tragédia”. O PIB despencou 20%, e a renda per
capita, em dólares, caiu 68%.
Isso explica
a ascensão do casal Kirchner. A legalidade havia chegado ao seu grau
zero, e Néstor acabou obtendo carta branca da sociedade para pôr ordem
na bagunça. A economia, mesmo com as dificuldades enfrentadas pelo
calote, teve uma notável recuperação.
Cristina não
era uma outsider da política. Não era apenas “a esposa”. Tinha a sua
própria trajetória, e havia quem dissesse que ela era muito mais
articulada intelectualmente do que o marido. Mas é evidente que, ao
fazer da mulher a candidata à sua sucessão, Néstor e família passavam a
tratar a política como um assunto doméstico, privado.
Ela venceu a
disputa e se reelegeu em 2011. Uma concepção autoritária de poder,
intolerante com a oposição e avessa à liberdade de imprensa — que se
percebia já em seu primeiro mandato de maneira, vamos dizer, larvar — se
manifestou com força nos últimos quatro anos.
No período, a
economia do país começou a patinar, mas a presidente investiu pesado
nos chamados “programas sociais”, incluindo a sua própria versão do
Bolsa Família, manipulou escancaradamente os índices de inflação e, ora
vejam, passou a atacar as ditas “elites do país”, aproximando-se dos
governos bolivarianos da América do Sul. Ou por outra: o
assistencialismo agressivo servia a um projeto autoritário de poder.
O
kirchnerismo resolveu criar a sua própria corrente dentro do peronismo.
Em 2006, surge um movimento com características francamente fascitoides
chamado “La Cámpora”, destinado a intimidar os adversários nas ruas, nos
sindicatos, nas redes sociais, em todo lugar. O grupo tem
características de milícia mesmo.
Cristina
chegou a testar a hipótese de mudar a Constituição para tentar um
terceiro mandato, mas a reação da sociedade argentina foi bastante
negativa. Ficou claro que ela não conseguiria realizar o seu intento. A
campanha eleitoral por lá seguiu o padrão terrorista a que se assistiu
no Brasil: o candidato oficial, Daniel Scioli, acusava Macri de
pretender destruir os programas sociais se eleito.
Cristina
deixa o poder com uma sombra terrível a se projetar sobre a sua
biografia. Atende pelo nome de Alberto Nisman, o promotor. Ele apareceu
morto um dia antes de depor no Congresso e acusar a presidente de
envolvimento numa operação para esconder a responsabilidade do Irã num
atentando terrorista que, em 1994, matou 85 pessoas numa entidade
judaica (Amia). Na Argentina, a começar da própria promotoria, ninguém
acredita em suicídio.
Vamos ver.
Surge uma nova esperança na Argentina. Macri não é peronista nem
pertence à tradicional União Cívica Radical, de perfil mais
social-democrata. O presidente eleito da Argentina está mais próximo do
pensamento liberal. Terá uma pedreira pela frente. O peronismo, com suas
múltiplas frentes e faces, indo da extrema direita à extrema esquerda, é
um adversário sempre perigoso.
Que a
América do Sul continue a mudar e aposente outros populismos mixurucas.
No Brasil de 2014, o medo venceu a esperança. Na Argentina de 2015, a
esperança venceu o medo. E Lula perdeu junto com Cristina.