quarta-feira, 25 de novembro de 2015

TEMENDO A PUNIÇÃO NAS URNAS E O EFEITO CORROSIVO E IMPLACÁVEL DA INTERNET, MAIORIA DOS SENADORES DECIDIU RATIFICAR A PRISÃO DE DELCÍDIO AMARAL

Renan Calheiros e seus sequazes bem que tentaram impedir a manutenção da prisão preventiva de Delcídio Amaral. Mas parlamentar que no passado temia o povo na rua, hoje teme o povo na internet, nas redes sociais e blogs independentes.
Em votação aberta, a maioria dos senadores decidiu que Delcídio Amaral permanecerá preso. O placar foi de 59 a 13, com uma abstenção.
Endosso o comentário de O Antagonista: "Muito doloroso aguentar o blá-blá-blá dessa gente pitoresca querendo aparecer na TV Senado."
Deve-se acrescentar um dado fundamental: as redes sociais e os blogs e sites independentes já conseguiram encurralar a maioria dos parlamentares que já fogem da execração pública como o diabo foge da cruz.
E isto ficou muito claro nesta votação. Aos poucos o povo brasileiro vai deixando de lado as grandes redes de televisão e os jornalões viveiros de comunistas que estavam acostumados a dominar a opinião pública. Estão levando uma porrada atrás da outra. E isso ainda é o começo. Todavia não deixa de ser lamentável que grandes revistas, jornais e televisões irão desaparecer. A comunicação no geral e o jornalismo no particular passam por uma transformação radical. Isto está apenas no começo.
Mas quem acompanhou os discursos dos senadores nesta votação de hoje, quarta-feira, pôde notar como estavam preocupados com a reação dos cidadãos eleitores. É o efeito Facebook, Twitter, blogs e sites jornalísticos independentes. 
Que assim seja! 
DO ALUIZIOAMORIM

“Tá com o Fachin? Eu tô precisando fazer uma visita pra ele lá hein!”

A fala é de Delcídio Amaral, petista do MS e líder do Governo Dilma no Senado. "Fachin", no caso, é Edson Fachin, Ministro do STF nomeado por Dilma em maio deste ano. Pois é.

Mesmo acostumados com os descalabros petistas e as cada vez mais frequentes prisões da Lava Jato (sempre acompanhadas de fartura documental e provas a rodo), ainda assim nos assustamos com a capacidade dessa gente de sempre passar dos limites da falta de ética e de escrúpulos.
O Ministério Público Federal, em seu site, divulgou os documentos que serviram de base para a prisão do senador petista – bem como as de seu chefe de gabinete e seu advogado. Já falamos aqui, por exemplo, da Venezuela aparecer como rota de fuga (Delcídio ofereceu isso em troca do silêncio de Nestor Cerveró, delator da Lava Jato).
Mas confiram agora estes trechos:
Fachin 01
Fachin 02
É fundamental que Luiz Fachin, afinal de contas um Ministro do STF, instância máxima do Poder Judiciário, deixe claro que tudo seja alusão do senador (agora presidiário). E que o STF mostre ainda mais rigor no julgamento de todos os políticos implicados na Lava Jato, sem aliviar para ninguém.
Porque a conversa do LÍDER DO GOVERNO DILMA NO SENADO (e foi Dilma quem escolheu e nomeou Fachin ao STF) é aterradora para a democracia e para a civilidade. O STF precisa dar um basta, na prática, à galhofa de que seria “puxadinho do PT”. DO IMPLICANTE

TORPEDO POLÍTICO FERE DE MORTE O LULISMO

Lula e Delcído Amaral, amigos de fé e camaradas...
Para medir o grau de pavor que tomou conta do Palácio do Planalto com a prisão do líder do PT no Senado, Delcídio Amaral e do banqueiro do lulismo, André Esteves, basta ler o site da Folha de S. Paulo, por razões que a própria razão conhece. Fica-se sabendo também que por conselho de uma numeróloga Delídio decidiu alterar o próprio nome passando a assinar Delcídio “do” Amaral. Numerologias à parte, isto nos faz lembrar das missas negras nos porões da Casa da Dinda de Collor, onde animais eram sacrificados em rituais esotéricos, conforme foi noticiado à época que precedeu o impeachment.
E para se ter uma ideia do que está rolando no submundo petista, transcrevo um artigo de Igor Gielow, diretor da sucursal da Folha em Brasília, num texto típico desse jornal esquerdista e de alinhamento ao PT e de todas as iniciativas bundalelês. O título original do artigo é: Dano potencial de prisão de senador petista ao governo não é só de imagem. Leiam:
A prisão do senador Delcídio do Amaral (PT­MS) caiu como uma bomba no Palácio do Planalto. Os temores são múltiplos, não apenas pelo desastre de imagem de ver o líder do governo no Senado preso acusado de bolar um plano para tirar um suspeito de crime do país. 
O líder do governo no Senado foi preso nesta quartafeira (25) no âmbito da Operação Lava Jato por tentar conturbar as investigações. Ele teria oferecido uma mesada de R$ 50 mil ao ex­diretor da Petrobras Nestor Cerveró para que ele não fechasse acordo de delação premiada com os investigadores. Além disso, queria que Cerveró fugisse do país.
Antes de tudo, as condições da prisão do senador e do banqueiro André Esteves. O governo avalia que o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, não autorizaria operação de tal impacto se a contrapartida não fosse forte o suficiente: não apenas o plano de fuga oferecido a Nestor Cerveró, mas também a possibilidade de que a revelação dele seja parte da negociação da delação premiada do ex­diretor da Área Internacional da Petrobras.
Especulada e negada há meses, a delação de Cerveró, que agora foi fechada, é um dos pesadelos do governismo e do petismo, mas não só, já que o ex­diretor era uma indicação sustentada pelo PMDB –mais especificamente, apesar das negativas, do grupo do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), que oficialmente nega isso. 
E há o senador preso. Delcídio, que adotou o "do" no sobrenome ano passado por dica de uma numeróloga, é um dos políticos com melhor trânsito na área de energia –foi rapidamente ministro do setor no governo Itamar Franco e ocupou a diretoria de Gás da Petrobras. Mais que isso, tinha pés em todas as canoas políticas relevantes. 
Foi tucano e deixou o partido em 2001, aliando­-se ao grupo do ex­governador Zeca do PT (MS). No Senado desde o início do governo Lula, em 2003, Delcídio ganhou fama de habilidoso operador político.
Agora, tudo isso pode voltar­se contra ele. A ser confirmado tudo o que se diz nos meios judiciais nesta manhã em Brasília, Delcídio poderá se ver sem mandato e na cadeia por um bom tempo, o que levaria à questão da delação premiada. 
Em um exercício de especulação, Delcídio poderia então falar sobre os meandros de diversas negociações potencialmente danosas ao governo e ao PT. 
Ele foi, por exemplo, presidente da CPI dos Correios (2005), que investigou o mensalão –abundam insinuações, na oposição, de que ele ajudou a evitar a citação ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva no texto final do relator Osmar Serraglio (PMDB­PR). Ele sempre negou.
Além disso, Delcídio tinha a área internacional da Petrobras como uma de seus campos de influência na estatal, sendo co­patrocinador da indicação de Cerveró para a diretoria.
É sob esta área que ocorreu a obscura compra da refinaria de Pasadena (EUA), sob investigação na Lava Jato e que esbarra em decisões do Conselho de Administração da estatal, presidido então por Dilma Rousseff. DO ALUIZILAMORIM

O que pesa contra Delcídio Amaral e outros presos

Gravações
Foto: Ailton de Freitas / Agência O Globo
O filho de Nestor Cerveró, Bernardo Cerveró, gravou duas reuniões em que Delcídio, o advogado Edson Ribeiro e o banqueiro André Esteves negociavam pagamento de propina à família e ao advogado do ex-diretor da Petrobras em troca de ele não assinar acordo de delação premiada. Ou, se assinasse, que não mencionasse nada contra Delcídio ou Esteves
Depoimentos
Foto: Jorge William / Agência O Globo
Bernardo Cerveró confirmou ao Ministério Público Federal a tentativa de Delcídio de silenciar Nestor Cerveró mediante pagamento de propina.
“Venda” de ministros
Foto: STF
Nas reuniões com o advogado de Cerveró, Delcídio prometeu que conseguiria um habeas corpus no STF para libertar seu cliente. Ele disse que conversou com Dias Toffoli e com Teori Zavascki. Prometeu conversar também com Fachin. E disse que convenceria Michel Temer e Renan Calheiros a interceder por Cerveró perante Gilmar Mendes.
Fuga pelo Paraguai
Foto: André Coelho / Agência O Globo
Também nas reuniões, Delcídio ajudou a montar a rota de uma eventual fuga de Cerveró, caso ele conseguisse habeas corpus no STF. A ideia era mandá-lo para a Espanha, porque ele tem cidadania espanhola. A rota seria pelo Paraguai – porque, segundo o senador, seria mais seguro.
Organização criminosa
Foto: André Coelho / Agência O Globo
Pela Constituição Federal, um parlamentar só pode ser preso depois de condenado em sentença definitiva. A exceção é para crimes inafiançáveis cometidos em flagrante. O caso se aplica para a suspeita de que Delcídio integrava organização criminosa, prática prevista em lei.
O que pesa contra André Esteves
Foto: Pablo Jacob/10-12-2013 / O Globo
O dono do banco BTG-Pactual teria pago R$ 50 mil ao filho de Nestor Cerveró, em troca de seu pai não mencionar seu nome em delação premiada. Prometeu ainda pagar R$ 4 milhões ao advogado de Cerveró e também mesada de R$ 50 mil a outros integrantes da família Cerveró em troca do silêncio.
O que pesa contra Edson Ribeiro
Foto: André Coelho / Agência O Globo
O advogado do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró teria sido contratado por R$ 4 milhões para defendê-lo. No entanto, acabou cooptado por Delcídio Amaral e André Esteves, que prometeram a ele o pagamento de outros R$ 4 milhões. Em troca, precisaria convencer o cliente a não prestar depoimento incriminando a dupla.
O que pesa contra Diogo Ferreira
Foto: Givaldo Barbosa / Agência O Globo/20-03-2014
O chefe de gabinete de Delídio Amaral teria defendido os interesses do parlamentar em reuniões nas quais era discutido o pagamento de propina a familiares de Cerveró em troca do silêncio do depoente. Ferreira também teria participado de reuniões para tratar de eventual fuga de Cerveró para a Espanha, caso o STF concedesse a ele um habeas corpus. 25.11.2015 DO O GLOBO

Exclusivo: relatório de Janot confirma delação de Cerveró




Brasil
O Antagonista
O Antagonista obteve com exclusividade o relatório do procurador-geral Rodrigo Janot enviado ao ministro Teori Zavascki com o pedido de prisão de Delcídio Amaral e André Esteves. Nele, Janot conta que o MPF firmou com Nestor Cerveró um acordo de colaboração premiada, cujos termos foram submetidos a Teori para homologação.
No anexo, há o relato do filho de Cerveró, Bernardo, sobre a tentativa de Delcídio de dissuadir o ex-diretor da Petrobras a firmar o acordo. O senador petista queria evitar qualquer depoimento contra ele e André Esteves. Como já mostramos mais cedo, o acordo previa o pagamento mensal de R$ 50 mil e tentativas de interferir no Poder Judiciário em benefício de Cerveró.
A delação será homologada. Lula também será preso.
25.11.15

Trecho do despacho da Ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, ao confirmar a prisão do senador Delcídio Amaral, líder do PT no Senado.

"Na história recente da nossa pátria houve um momento em que a maioria de nós brasileiros acreditou no mote segundo o qual uma esperança tinha vencido o medo.
Depois nos deparamos com a ação penal 470 [mensalão] e descobrimos que o cinismo tinha vencido aquela esperança.
Agora parece se constatar que o escárnio venceu o cinismo.
O crime não vencerá a Justiça.
Aviso aos navegantes dessas águas turvas de corrupção e das iniquidades: criminosos não passarão a navalha da desfaçatez e da confusão entre imunidade, impunidade e corrupção.
Não passarão sobre os juízes.
Não passarão sobre a Constituição do Brasil."
Cármen Lúcia, Ministra do STF.

Celso de Mello: "É preciso esmagar e destruir esses agentes criminosos"

 Brasil
O Antagonista

Os ânimos na segunda turma estão exaltados como raramente se viu no Supremo. Os ministros se manifestam de forma enfática pela prisão de Delcídio Amaral, mas foram além.

O decano Celso de Mello usou em seu voto palavras fortíssimas contra a Orcrim do PT. Segundo ele, o caso revela "gestos de perversão da ética do poder e do Direito".
"O contexto que emerge do caso revela fato gravíssimo: a captura do Estado e de instituições governamentais por organizações criminosas. É preciso esmagar, é preciso destruir com todo o peso da lei - respeitada a garantia constitucional - esses agentes criminosos."
O Antagonista apoia o "esmagar" e o "destruir".E EU TBM
O PT será esmagado
25.11.15- DO R.DEMOCRATICA

Delcídio Amaral está preso! É senador do PT! É líder do governo! Tentou atrapalhar investigação! Adeus, Ibiza!

Polícia Federal também prende banqueiro André Esteves

Escrevi aqui no dia 17:
“Fernando Baiano disse que Nestor Cerveró repassou sua parte da propina pela compra da refinaria de Pasadena ao senador petista Delcídio Amaral. As férias de Delcídio em Ibiza terão sido as suas últimas?”
Siiiiiiiiiiim!
Delcídio (PT-MS), que também é líder do governo Dilma no Senado, foi preso na manhã desta quarta-feira pela Polícia Federal.
O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a prisão depois que o Ministério Público Federal apresentou evidências de que ele tentava atrapalhar investigações da Operação Lava Jato.
Também foi preso o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, que estaria envolvido nas irregularidades; e foram autorizadas as prisões do chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira, e do advogado de Nestor Cerveró, Edson Ribeiro, que está viajando.
Segundo a coluna Radar, de VEJA, o senador foi flagrado em gravações discutindo em detalhes com o filho e o advogado de Nestor Cerveró possíveis rotas de fuga para o ex-diretor da Petrobras.
O plano seria implementado tão logo fosse concedido habeas corpus para livrar Cerveró da cadeia e Delcídio negociava até uma “mesada” para bancar a permanência do comparsa no exterior.
Pelo fato de Cerveró ter nacionalidade espanhola, o destino final cogitado era a Espanha; e o MPF descreve até o avião que seria usado na fuga: um Falcon 50.
Segundo a Folha, o objetivo de Delcídio era evitar a delação premiada de Cerveró, cujo filho Bernardo gravou a conversa.
“É a primeira vez que um senador é preso no exercício do cargo, já que a Constituição Federal só permite a prisão de parlamentar em crime flagrante. Neste tipo de ação, de obstrução de investigação, a conduta é considerada crime permanente. É um dos poucos motivos que leva a corte a aceitar prisão preventiva de réu ainda sem julgamento”, diz o jornal.
Zavascki convocou uma reunião extraordinária do STF para debater o caso.
O Senado terá de fazer uma votação a respeito, porque a Constituição estabelece que em casos de prisão em flagrante “os autos serão remetidos dentro de 24 horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão”.
Delcídio, como VEJA revelou em outubro, era um dos presentes à reunião de líderes do PT e do PMDB na casa de Renan Calheiros no fim de junho, uma semana depois que a Lava Jato prendeu os presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez.
Na ocasião, Lula chamou de “arbitrários” o juiz Sergio Moro e os demais responsáveis pela operação.
“O país foi sequestrado pelo Moro. Temos de reagir no Supremo Tribunal Federal”, concordou José Sarney, o ex-­presidente cuja filha, Roseana, é investigada no caso.
O objetivo da reunião, segundo a revista, era “encontrar um jeito de restaurar a velha ordem da impunidade para os poderosos da República que a Lava-Jato ameaça contrariar pela primeira vez em nossa história”.
Foi exatamente a tentativa de “restaurar a velha ordem da impunidade” que levou Delcídio à cadeia.
Em julho, este blog revelou em primeira mão que, enquanto o desemprego no Brasil atingia o maior índice da série histórica, o senador petista curtia balada no balneário de Ibiza, na Espanha.
Agora, PT e governo estão em pânico porque, finalmente, Delcídio dançou de verdade.

25/11/2015 - DO R.DEMOCRATICA

Caso Celso Daniel: Justiça condena à prisão os empresários “Sombra” e Ronan Maria Pinto

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Os empresários Sérgio Gomes da Silva, conhecido como “Sombra”, e Ronan Maria Pinto, além de Klinger Luiz de Oliveira Sousa (ex-secretário de Serviços Municipais da de Santo André), foram condenados em processo que tramita na 1ª Vara Criminal da importante cidade do Grande ABC.
“Sombra”, Ronan e Klinger são acusados de comandar um esquema criminoso de cobrança de propinas de empresas de transporte contratadas pela prefeitura de Santo André, durante a gestão do petista Celso Daniel, morto de forma covarde e brutal por discordar da destinação dada ao dinheiro sujo. Inicialmente, o dinheiro da propina deveria reforçar o caixa da campanha presidencial de Lula em 2002, mas acabou financiando o consumismo elegante de alguns “companheiros”.
De acordo com denúncia do Ministério Público de São Paulo, os empresários de transporte público que não entregassem quantias em dinheiro à quadrilha eram ameaçados com eventual suspensão dos contratos com a prefeitura.
Ronan Maria Pinto foi condenado a dez anos, quatro meses e doze dias de reclusão, em regime fechado, e pagamento de multa pelos crimes de concussão e corrupção ativa. “Sombra” e Klinger Luiz de Oliveira Souza foram condenados a quinze anos, seis meses e dezenove dias de reclusão, em regime fechado, além do pagamento de multa pelos crimes de concussão e corrupção passiva.
O caso Celso Daniel ainda tira o sono da cúpula petista. O então prefeito foi sequestrado após deixar um restaurante da capital paulista, onde jantou com “Sombra”, e assassinado a tiros em uma estrada de terra de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.
O Ministério Público paulista sustenta que Celso Daniel foi alvo de crime político, pois tentou interromper o ciclo da corrupção em sua gestão quando descobriu que a propina era destinada ao enriquecimento pessoal de Sombra e outros personagens. Ao final das investigações, a Polícia Civil concluiu que o petista foi morto por “criminosos comuns”.
As gravações telefônicas feitas pela polícia após o assassinato mostram que o crime teve embasamento político. Mas foi executado por criminosos comuns, contratados para a empreitada. A tese do crime comum, defendida pela Polícia Civil, se desfaz diante do processo de empalação a que Celso Daniel foi submetido. Em um crime comum a vítima não é submetida a sessões de tortura.
Em sua decisão, a juíza Maria Lucinda da Costa destacou que ficou comprovada a cobrança de propina das empresas de transportes que atuavam em Santo André, de acordo com o número de ônibus de cada uma. “É inafastável a condenação de Klinger, Ronan e Sérgio, ‘pois fartas são as provas de recebimento de valores de modo ilícito, bem como a destinação pessoal do proveito da corrupção”.
“Não há tese defensiva que leve à absolvição”, concluiu a juíza Maria Lucinda da Costa. Outros réus (empresários e diretores de empresas e associações) foram absolvidos.
As defesas de Ronan Maria Pinto e Klinger sempre negaram qualquer tipo de envolvimento deles em corrupção na administração Celso Daniel. Todos poderão recorrer da sentença condenatória.
É importante lembrar que a deputada federal Mara Gabrili (PSDB-SP), não faz muito tempo, desmascarou o petista Gilberto Carvalho, ex-secretário da Presidência da República e homem de confiança de Lula, acusando-o de integrar a quadrilha que recolhia semanalmente a propina nas empresas de ônibus de Santo André.
A deputada tucana afirmou que Gilberto Carvalho ia à empresa de ônibus do seu pai, em um carro preto e sempre acompanhado de seguranças, e ao cobrar a propina colocava uma arma de fogo sobre a mesa. Carvalho foi secretário municipal de Santo André na gestão de Celso Daniel.
Confira abaixo os principais trechos das gravações telefônicas do caso Celso Daniel, divulgadas à época com exclusividade pelo UCHO.INFO. Em uma delas, o ex-ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e Ivone Santana tratam a morte de Celso Daniel com frieza.
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santo_andre_14  DO UCHO.INFO

Lava Jato pega primeiro tubarão político. Senador do PT Delcídio Amaral preso pela PF.

O senador Delcídio Amaral (PT-MS), líder do governo na Casa, foi preso na manhã desta quarta-feira pela Polícia Federal. A operação foi autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) depois que o Ministério Público Federal apresentou evidências de que ele tentava conturbar as investigações da Operação Lava Jato. A informação é de Mônica Bergamo, da FSP.
Também foi preso o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, que estaria envolvido nas irregularidades. 
Delcídio havia sido citado pelo ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, que o acusou de participar de um esquema de desvio de recursos envolvendo a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA. O senador teria até mesmo oferecido possibilidade de fuga a Cerveró em troca de ele não aderir ao acordo de colaboração com a Justiça, revelando as irregularidades da operação. A conversa foi gravada por um filho de Cerveró. 
É a primeira vez que um senador é preso no exercício do cargo, já que a Constituição Federal só permite a prisão de parlamentar em crime flagrante. Neste tipo de ação, de obstrução de investigação, a conduta é considerada crime permanente. É um dos poucos motivos que leva a corte a aceitar prisão preventiva de réu ainda sem julgamento. 
O Senado deve ter que confirmar a prisão de Delcídio. A Constituição estabelece que em casos de prisão em flagrante "os autos serão remetidos dentro de 24 horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão". 
STF
Além de Delcídio, o STF também autorizou a prisão do chefe de gabinete do senador e do advogado Edson Ribeiro, que trabalhou para Cerveró. Também há autorização para buscas na casa do petista em Mato Grosso do Sul. 
A decisão de Teori atende a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O ministro pediu que fosse convocada para a manhã desta quarta a realização de uma sessão extra da segunda turma do tribunal, que é responsável pelos casos que envolvem o esquema de corrupção da Petrobras. No encontro, ele deve discutir as prisões. 
Neste terça, o ministro chegou a telefonar para o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, comunicando sobre a reunião extraordinária e também se reuniu com colegas da segunda turma de forma reservada. A ideia é dividir o peso da reunião de prender um senador, que só poderia ser preso em flagrante. Um dos argumentos para a prisão seria que a obstrução das investigações e integrar uma organização criminosa torna o crime permanente e flagrante facilitado. DO CELEAKS

terça-feira, 24 de novembro de 2015

PF prende pecuarista amigo de Lula na 21ª fase da Lava Jato

Além da prisão de José Carlos Bumlai, operação Passe Livre cumpre 25 mandados de busca e apreensão e seis de condução coercitiva em quatro Estados
Por Laryssa Borges, de Brasília
Veja.com

SUPERCREDENCIAL  - José Carlos Bumlai, amigo íntimo do presidente Lula, estava autorizado a entrar quando quisesse, na hora em que bem entendesse
(Cristiano Mariz/VEJA)
A Polícia Federal prendeu na manhã desta terça-feira, em Brasília, o pecuarista José Carlos Bumlai na 21ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Passe Livre. A nova etapa inclui investigações de pagamento de propina e fraude em licitações na contratação de navios-sonda pela Petrobras. Ao todo, além da prisão preventiva de Bumlai, estão sendo cumpridos 25 mandados de busca e apreensão e seis de condução coercitiva em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Lins (SP), Piracicaba (SP), Campo Grande e Dourados (MS). Bumlai iria depor na tarde desta terça-feira na CPI do BNDES e estava em um hotel próximo ao Palácio da Alvorada quando foi detido. Ele será levado para a Superintendência da PF em Curitiba.
O pecuarista foi citado na Lava Jato pelo lobista Fernando Baiano, apontado pelo Ministério Público como lobista do PMDB que intermediava o pagamento de propinas a agentes públicos que sangravam os cofres da Petrobras. Em depoimento de delação premiada, Baiano disse ter repassado 2 milhões de reais a uma nora do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a pedido de Bumlai. Segundo as investigações, os valores eram referentes a uma comissão a que o pecuarista tinha direito e, na transação, foi simulado um contrato de aluguel de equipamentos e emitidas notas fiscais falsas. O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa já havia dito, em depoimento, que José Carlos Bumlai "era um contato muito próximo de Fernando Baiano".
A nova fase da Lava Jato volta a rondar o ex-presidente Lula. Como VEJA havia revelado em 2011, o pecuarista Bumlai, um amigo próximo do então presidente Lula, foi favorecido por financiamentos do BNDES e tinha livre acesso ao Palácio do Planalto no governo petista. Um recado na portaria do principal prédio da administração pública federal determinava: "O sr. José Carlos Bumlai deverá ter prioridade de atendimento na portaria Principal do Palácio do Planalto, devendo ser encaminhado ao local de destino, após prévio contato telefônico, em qualquer tempo e qualquer circunstância".
No governo do petista, além do trânsito livre, Bumlai tinha autorização para intermediar negócios bilionários de interesse da administração federal. Como informou VEJA, ele foi encarregado, por exemplo, de montar um consórcio de empresas para disputar o leilão de construção da hidrelétrica de Belo Monte, uma obra prioritária do governo federal, orçada originalmente em 25 bilhões de reais. Bumlai não só formou o consórcio como venceu o leilão para construir uma das maiores hidrelétricas do mundo. Mas a atuação do pecuarista, uma espécie de lobista VIP, também resvalou em suspeitas de que estava usando a influência e o acesso consentido ao palácio para fazer negócios privados, como a compra de turbinas para a usina de Belo Monte com um grupo de chineses.
Nos últimos anos, grandes empreiteiras hoje enroladas na Lava Jato fizeram chegar ao Planalto queixas contra a atuação de Bumlai na Petrobras. Uma das mais recorrentes trata de possíveis privilégios que a construtora UTC estaria recebendo da estatal por causa do lobista. O dono da UTC Ricardo Pessoa chegou a ser preso no escândalo do petrolão. Depois se tornou delator e revelou como políticos e agentes da estatal enriqueceram às custas do pagamento massivo de dinheiro sujo retirado de contratos fraudados na estatal.
De acordo com a PF, os investigados nesta fase devem responder pelos crimes de fraudes a licitação, falsidade ideológica, falsificação de documentos, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência e lavagem de dinheiro. "Segundo as apurações, complexas medidas de engenharia financeira foram utilizadas pelos investigados com o objetivo de ocultar a real destinação dos valores indevidos pagos a agentes públicos e diretores da estatal", diz a PF, em nota. 24/11/2015-R.DEMOCRATICA

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Cristina e Lula perdem, e Macri vence na Argentina; sinal de alento na América do Sul

E Luiz Inácio Lula da Silva, hein? Atravessou a fronteira, foi fazer campanha eleitoral na Argentina e foi derrotado. O populismo mixuruca e troglodita teve a sua primeira derrota importante. No dia 6 de dezembro, será a vez de Nicolás Maduro levar uma surra nas eleições parlamentares da Venezuela. Sim, a onda chegará aqui. Vamos ver quando. Ou melhor: a onda já está aí. Vamos lá.
Mauricio Macri, da “Mudemos”, uma coligação de centro-direita, venceu as eleições e toma posse como o novo presidente da Argentina no dia 10 de dezembro. Com quase 99% dos votos apurados, ele obteve 51,46% das preferências, contra 48,54% do peronista Daniel Scioli. Chegam ao fim 12 anos do reinado do kirchnerismo, liderado primeiro por Néstor Kirchner, que governou de 2003 a 2007 — morreu em 2010 —, e, depois, por sua mulher, Cristina.
A economia argentina enfrenta severas dificuldades, e a tarefa de Macri não será nada fácil. Não custa lembrar como o casal Kirchner ascendeu ao topo do poder. Carlos Menem, que comandou por dez anos (1989-1999), havia destruído a economia do país. Foi sucedido por Fernando De la Rúa, da União Cívica Radical, que ficou apenas dois anos no poder. Foi deposto em dezembro de 2001.
O país chegou a ter cinco presidentes em janeiro de 2002, até que assumisse Eduardo Duhalde, que entregou o poder para Néstor Kirchner, em maio de 2003. Um desses presidentes ficou apenas uma semana no cargo — Adolfo Rodríguez Saá —, mas entrou para a memória nacional como aquele que deu, até então, o maior calote da história na dívida externa: US$ 102 bilhões. A dívida só voltou a ser renegociada a partir de 2005.
Dos estertores do governo Menem até a saída de De La Rúa, o país viveu o que se chama o período da “Tragédia”. O PIB despencou 20%, e a renda per capita, em dólares, caiu 68%.
Isso explica a ascensão do casal Kirchner. A legalidade havia chegado ao seu grau zero, e Néstor acabou obtendo carta branca da sociedade para pôr ordem na bagunça. A economia, mesmo com as dificuldades enfrentadas pelo calote, teve uma notável recuperação.
Cristina não era uma outsider da política. Não era apenas “a esposa”. Tinha a sua própria trajetória, e havia quem dissesse que ela era muito mais articulada intelectualmente do que o marido. Mas é evidente que, ao fazer da mulher a candidata à sua sucessão, Néstor e família passavam a tratar a política como um assunto doméstico, privado.
Ela venceu a disputa e se reelegeu em 2011. Uma concepção autoritária de poder, intolerante com a oposição e avessa à liberdade de imprensa — que se percebia já em seu primeiro mandato de maneira, vamos dizer, larvar — se manifestou com força nos últimos quatro anos.
No período, a economia do país começou a patinar, mas a presidente investiu pesado nos chamados “programas sociais”, incluindo a sua própria versão do Bolsa Família, manipulou escancaradamente os índices de inflação e, ora vejam, passou a atacar as ditas “elites do país”, aproximando-se dos governos bolivarianos da América do Sul. Ou por outra: o assistencialismo agressivo servia a um projeto autoritário de poder.
O kirchnerismo resolveu criar a sua própria corrente dentro do peronismo. Em 2006, surge um movimento com características francamente fascitoides chamado “La Cámpora”, destinado a intimidar os adversários nas ruas, nos sindicatos, nas redes sociais, em todo lugar. O grupo tem características de milícia mesmo.
Cristina chegou a testar a hipótese de mudar a Constituição para tentar um terceiro mandato, mas a reação da sociedade argentina foi bastante negativa. Ficou claro que ela não conseguiria realizar o seu intento. A campanha eleitoral por lá seguiu o padrão terrorista a que se assistiu no Brasil: o candidato oficial, Daniel Scioli, acusava Macri de pretender destruir os programas sociais se eleito.
Cristina deixa o poder com uma sombra terrível a se projetar sobre a sua biografia. Atende pelo nome de Alberto Nisman, o promotor. Ele apareceu morto um dia antes de depor no Congresso e acusar a presidente de envolvimento numa operação para esconder a responsabilidade do Irã num atentando terrorista que, em 1994, matou 85 pessoas numa entidade judaica (Amia). Na Argentina, a começar da própria promotoria, ninguém acredita em suicídio.
Vamos ver. Surge uma nova esperança na Argentina. Macri não é peronista nem pertence à tradicional União Cívica Radical, de perfil mais social-democrata. O presidente eleito da Argentina está mais próximo do pensamento liberal. Terá uma pedreira pela frente. O peronismo, com suas múltiplas frentes e faces, indo da extrema direita à extrema esquerda, é um adversário sempre perigoso.
Que a América do Sul continue a mudar e aposente outros populismos mixurucas. No Brasil de 2014, o medo venceu a esperança. Na Argentina de 2015, a esperança venceu o medo. E Lula perdeu junto com Cristina.
Por: Reinaldo Azevedo