quarta-feira, 8 de julho de 2015

PÃO DE AÇÚCAR DESMENTE PALOCCI

QUARTA-FEIRA, 8 DE JULHO DE 2015
(Época) O Grupo Pão de Açúcar informou nesta terça-feira (8) ao mercado que não encontrou confirmação de serviços prestados para pagamentos de R$ 8 milhões feitos ao advogado Márcio Thomas Bastos e ao ex-ministro Antonio Palocci. Desse total, R$ 5,5 milhões foram pagos à empresa Projeto, de Palocci, quando ele coordenava a campanha da petista Dilma Rousseff em 2010, conforme revelou ÉPOCA. “Não foram encontradas evidências da prestação dos serviços correspondentes aos demais pagamentos, nem contratos de prestação de serviços que os amparassem”, disse a empresa, em comunicado sobre os pagamentos a Thomas Bastos, ex-ministro da Justiça, morto em novembro 2014. Além dos R$ 5,5 milhões pagos a Palocci, não há registro do que Bastos fez com os R$ 2,5 milhões restantes.
Sobre Palocci, a auditoria do Pão de Açúcar afirmou que também não foram “identificados pagamentos à firma contratada nem serviços prestados, resultantes desse ou de qualquer outro contrato”. Vale ressaltar que, em documento enviado à Comissão de Valores Imobiliários (CVM), na véspera da aquisição das Casas Bahia pelo Pão de Açúcar, a empresa informou os nomes de dezenas de pessoas e empresas que participavam da negociação. Nessa lista, não constava o nome de Palocci e de sua consultoria, a Projeto.
A investigação interna do grupo Pão de Açúcar, maior varejista do país, foi constituída para rastrear a origem de pagamentos feitos a Thomaz Bastos e a Projeto depois que reportagem de ÉPOCA revelou que Palocci justificara com algumas consultorias fantasmas o recebimento de milhões de reais. Os repasses ao petista ocorreram, principalmente, enquanto ele era deputado federal e coordenava a campanha da presidente Dilma Rousseff, em 2010. 
Segundo relatório do comitê de auditoria da empresa, obtido por ÉPOCA, não há registro de consultoria dada por Palocci, nem qualquer material produzido por ele. A transferência de recursos do caixa do Pão de Açúcar para a Projeto Consultoria, do ex-ministro da Casa Civil, foi intermediada pelo escritório de advocacia do criminalista Márcio Thomaz Bastos – que embolsou, ao todo, R$ 8 milhões da companhia por meio de um acordo informal, sem contrato.
Palocci é investigado num processo do Núcleo de Combate à Corrupção do Ministério Público Federal no Distrito Federal, que apura suspeitas de improbidade administrativa. Para checar a denúncia de pagamentos irregulares, o comitê de auditoria do Pão de Açúcar, formado por sete executivos e três advogados, analisou durante cerca de 70 dias documentos, contratos, notas fiscais, e-mails e manuscritos de diversas áreas da empresa, datados de 2009 a 2012. 
Essa investigação se estendeu não só às relações comerciais com a empresa de Palocci e o escritório de Márcio Thomaz Bastos, mas também à subsidiária Pão de Açúcar Publicidade, à consultoria de fusões e aquisições Estáter e à Península Participações, de Abilio Diniz, controlador da companhia no período em que foram feitos os pagamentos aos ex-ministros.
Nessa varredura, a auditoria do Pão de Açúcar identificou apenas um contrato assinado com Palocci. Com data de 9 de fevereiro de 2009, previa ajuda na compra de uma “companhia alvo”. Esse acordo valeria até agosto daquele ano. Porém, nenhum pagamento ou serviços foram identificados.
O Pão de Açúcar só iniciou as negociações para adquirir a Casas Bahia dois meses após o término do suposto contrato com Palocci. A fusão foi anunciada para o mercado em 4 de dezembro de 2009. Quatro dias depois, Palocci recebeu R$ 500.000 do Pão de Açúcar, intermediado por Márcio Thomaz Bastos. Outros R$ 5 milhões foram pagos em 2010, quando Palocci coordenava a campanha de Dilma.
Em sua defesa, o ex-ministro da Casa Civil alega que foi contratado pelo seu colega MTB no final de 2009 para assessorar o Pão de Açúcar na renegociação da associação com a Casas Bahia. No entanto, os dois controladores só passaram a discutir as suas relações no início de 2010 – e chegaram a uma solução consensual em julho de 2010. Mesmo assim, Palocci continuou recebendo recursos do grupo varejista até dezembro de 2010, repassados por Márcio Thomaz Bastos.
No auge da campanha que elegeu a presidente Dilma Rousseff, em 4 outubro de 2010, o ex-ministro embolsou R$ 500 mil. Após a confirmação de seu nome na Casa Civil, recebeu mais R$ 2 milhões do Pão de Açúcar. Num manuscrito encontrado pelos auditores, está uma ata de uma reunião realizada em agosto de 2011 entre Abilio e MTB. Naquela época, o MPF investigava Palocci por suspeita de tráfico de influência e improbidade administrativa após revelação feita pelo jornal Folha de S. Paulo de que o então ministro da Casa Civil multiplicara o seu patrimônio prestando consultorias. Os investigadores haviam notificado o Pão de Açúcar, pedindo explicações.
No documento, ao lado da anotação “Ponto de preocupação de MTB comentado c/AB (Abilio Diniz) na reunião de 2ª feira”, está escrito: “Antecipação de pagtos”. O criminalista estava receoso de que o MPF questionasse o motivo do pagamento antecipado feito a Palocci em dezembro de 2009. Esse poderia ser o principal ponto de fragilidade da defesa.
Em sua conclusão, anunciada para o mercado o comitê especial de investigação instaurado pelo Pão de Açúcar reconhece que fez pagamentos de R$ 8 milhões para MTB entre janeiro de 2010 e maio de 2011 sem qualquer contrato por escrito ou prova de serviços prestados pelo criminalista. A companhia ressaltou que não encontrou indícios de pagamentos efetuados diretamente a Palocci ou mesmo de qualquer serviço prestado pelo ex-ministro, conforme antecipado por ÉPOCA
Com base em matéria publicada por ÉPOCA, o Ministério Público Federal no Distrito federal enviou recentemente um ofício ao Pão de Açúcar, pedindo acesso aos relatórios e aos documentos analisados pelo comitê de auditoria. As informações da empresa deverão ser fornecidas nas próximas semanas – para o desespero de Palocci. DO ESTÊNIO

terça-feira, 7 de julho de 2015

Reynaldo Rocha: Já estamos no pós-Dilma

REYNALDO ROCHA
E agora? Estamos no pós-Dilma. O velório ainda acontece – como no interior – na sala da casa. Já se pensa em recolocar tudo em seu lugar depois da saída do cortejo. Por obrigação profissional e instinto de sobrevivência, mantive contato com formadores de opinião neste fim de semana. Algumas figuras ilustradas e outras situadas no centro do poder.

Não houve uma única manifestação que remetesse à prorrogação do (des)governo Dilma. Constatação unânime: o governo acabou. Ou pela renúncia ou pelo impeachment, o epílogo não vai demorar. Mas ninguém faz ideia do quem vem lá, como na canção de Lenine.
Dilma hoje é um ser a evitar — sobretudo por especialistas em não ficar ao lado de quem possa infectá-los. Eles temem o risco do contágio. Confrontados com o cenário de horror, querem distância do desastre inevitável.
Discute-se abertamente se Dilma sairá do Planalto com Michel Temer a tiracolo, o que faria de Eduardo Cunha o presidente interino até que seja eleito nas urnas o novo titular do cargo. Ou se Temer substituiria Dilma, repetindo-se a fórmula que instalou o vice Itamar Franco no gabinete do qual Fernando Collor fora despejado. Nessa hipótese, a eleição pelo voto ficaria para 2018.
“Ninguém faz ideia de quem vem lá!” E do que virá. Certamente será uma vitória. Mas que não se transforme em mais um capítulo do mesmo pesadelo. Que tenhamos aprendido. E que os que pensam representar-nos entendam que pouco contribuíram para o desfecho.
Precoce para alguns, tardia para muitos, o certo é que não se trata de morte natural. Foi suicídio.
DO A.NUNES

PMDB se irrita com Aécio por defender afastamento de Temer junto com Dilma



O pedaço do PMDB que flerta com a tese do afastamento de Dilma Rousseff está prestes a excluir o tucano Aécio Neves da lista de interlocutores na oposição. O grupo se irritou com a defesa que Aécio fez da cassação conjunta de Dilma e do vice-presidente Michel Temer pela Justiça Eleitoral.
Um peemedebista consultará Aécio. Se o tucano não abandonar a fórmula que exclui Temer do jogo, será desligado da tomada pelo PMDB. Nessa hipótese, informam os insatisfeitos do partido de Temer, os interlocutores preferenciais no PSDB serão o senador José Serra e o governador Geraldo Alckmin.
Avaliou-se no PMDB que Aécio peca pela “ansiedade”. Prega a cassação de Dilma e de Temer porque, com tal desfecho, uma nova eleição teria de ser convocada em 90 dias. Algo que faria dele o candidato automático do PSDB, já que Alckmin teria dificuldade para deixar o governo de São Paulo, que reassumir há seis meses.
Ao privilegiar os próprios interesses, disse um operador do PMDB, Aécio se ilude e se isola. Ilude-se porque não é certo que o TSE vá passar os mandatos de Dilma e Temer na lâmina no julgamento da ação que pede a impugnação da chapa. Isola-se porque condena o PMDB a dialogar apenas com Serra e Alckmin, que não são avessos à substituição de Dilma por Temer.
Dentro de uma semana, a Justiça Eleitoral ouvirá o depoimento do delator Ricardo Pessoa, da construtora UTC. Chefe do cartel de empreiteiras que pilhou a Petrobras, Pessoa contou à força-tarefa da Lava Jato que destinou parte da verba roubada na estatal (R$ 7,5 milhões) à campanha de Dilma, em 2014.
A verba suja de Pessoa transformou-se em doação “legal” na contabilidade remetida pelo PT ao Tribunal Superior Eleitoral. Aécio e seu grupo acham que, munido da confissão do empreiteiro, o TSE será compelido a cassar Dilma e Temer —sob pena de reconhecer a conversão da Justiça Eleitoral em “lavanderia”.
A turma do PMDB avalia que o tucanato dará com os burros n’água. Por quê? A maioria dos ministros do TSE tenderia a condicionar a cassação à comprovação das palavras de Ricardo Pessoa. O que exigiria esperar pelo julgamento dos processos que envolvem o delator. Coisa que, em tese, pode ocorrer depois de 2018.
Restaria o julgamento pelo Tribunal de Contas da União das contas do governo Dilma relativas ao ano de 2014. Os auditores do TCU identificaram várias irregularidades na escrituração do governo. A principal é a manobra apelidada de “pedalada fiscal”. Termina no dia 21 de julho o prazo concedido pelo TCU para que o governo se explique.
Na noite desta segunda-feira (6), em reunião no Palácio da Alvorada, Dilma escalou os ministros Nelson Barbosa (Planejamento) e Luis Inácio Adams (Advocacia-Geral da União) para antecipar aos presidentes e líderes de partidos ditos governistas o teor da defesa do governo.
Supondo-se que o TCU julgue as contas de 2014 irregulares, o que seria inédito, a decisão não terá o peso de uma sentença. Embora carregue o nome de “tribunal”, o TCU não passa de um órgão auxiliar do Congresso, para onde o parecer sobre as contas da gestão Dilma terá de ser remetido.
Caberá ao Congresso a palavra final sobre as contas. Rejeitando-as, os congressistas poderiam abrir processo para afastar Dilma por crime de responsabilidade. O que leva um operador do PMDB a ironizar: Se Aécio acha que um processo como esse pode prosperar no Congresso sem a ajuda do PMDB, ele desaprendeu a fazer política.
Para início de conversa, antes de analisar as contas de 2014, o Congresso teria de colocar em dia um trabalho que deixou de realizar. Encontram-se pendentes de apreciação nada menos que 15 contas anuais do Executivo. Escondem-se nos arquivos atrás de um gerúndio: “tramitando”. As mais antigas são do governo Fernando Collor. Ou seja: o cronograma depende de negociação. Que passa pelo PMDB.
DO JOSIASDESOUZA-UOL

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Prisões preventivas: nada a ver com as delações, dizem juristas

Miguel Reale Junior, Carlos Velloso e Fabio Medina Osório consideram as medidas cautelares corretas e bem fundamentadas


Ricardo Pessoa, presidente da construtora UTC
Ricardo Pessoa, presidente da construtora UTC: delação explosiva(Marcos Bezerra/VEJA)
De acordo com a Justiça Federal do Paraná, neste momento da operação Lava Jato há 27 réus presos em regime fechado. Para os críticos da operação, não há motivos para mantê-los atrás das grades. Segundo eles, trata-se apenas de uma forma de coagi-los a colaborar com as investigações. Para usar uma palavra que tira o sono dos acusados, transformá-los em "delatores". A tese, no entanto, não se ampara na prática. O mais bombástico dos delatores recentes, Ricardo Pessoa, firmou o seu acordo apenas duas semanas depois de ter sido liberado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal - ou seja, tomou a decisão no conforto de sua casa.
O histórico das decisões judiciais do caso também desmonta a tese: fossem abusivas as prisões decretadas pelo juiz federal Sérgio Moro, os tribunais superiores já teriam expedido centenas de decisões favoráveis aos réus. Mas, até agora, dos 315 pedidos de habeas corpus registrados (incluindo pedidos de soltura de presos e questionamentos sobre a legalidade de provas e até sobre a quem cabe julgar o processo), apenas três foram acatados pelo ministro do STF Teori Zavascki. Ele expediu três ordens de soltura, dos ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque, que voltaram a ser presos em seguida, e de Ricardo Pessoa, no mês passado, quando outros oito réus foram liberados como efeito dessa mesma decisão. Das centenas de outros habeas corpus impetrados com teores variados nenhum foi aceito até o momento.
"As prisões têm sido decretadas motivadamente com base em outros argumentos, passíveis ou não de críticas, mas não como instrumento de pressão para forçar delações", diz o jurista Miguel Reale Junior. E completa: "É preciso lembrar que a maioria das delações foram feitas com réus soltos, a começar a de Ricardo Pessoa, libertado pelo STF e só depois tendo firmado acordo de colaboração". Visão semelhante é compartilhada pelo ex-presidente do STF Carlos Velloso. Diz ele: "A prisão cautelar tem base na lei e sempre cabem recursos, que devem ser utilizados a tempo e modo. Esses recursos têm sido utilizados e as prisões têm sido mantidas pelos tribunais, inclusive pelo STF."
Para o advogado Fabio Medina Osório, presidente do Instituto Internacional de Estudos de Direito de Estado, a prisão preventiva é uma forma eficiente de evitar que os acusados venham a atrapalhar a investigação, dado seu poder e escopo de influência. Em liberdade, eles poderiam atuar para destruir mapas, planilhas, registros e toda variedade de material que pode ser usado para comprovar o esquema. É preciso lembrar que apenas os relatos feitos nas delações não bastam: os réus colaboradores devem apresentar documentos capazes de sustentar o que dizem. Por fim, a prisão preventiva impede que os envolvidos continuem a praticar os delitos pelos quais estão sendo investigados. "Não interpreto arbitrariedade alguma nas decisões e muito menos pressão ou suposta coação para que alguém celebre acordos de colaboração premiada", afirma. Segundo o Medina Osório, o acordo de delação se tornou uma linha de defesa dos envolvidos na Lava Jato. "A colaboração premiada é uma estratégia dos próprios advogados, que chancelam essa postura e cooperam com as autoridades, buscando obter legítimos benefícios aos seus clientes", diz.
A delação premiada está prevista em lei desde os anos 1990, apenas em 2013 foi detalhada, obrigando, por exemplo, o delator a falar somente a verdade, sob pena de ter o acordo anulado, e criando a necessidade de que cada acordo seja homologado na Justiça. Embora seja novidade no Brasil, é um instrumento bastante usado em países de boa prática democrática, como Espanha, Portugal, Chile, Argentina e Colômbia. É a delação que tem permitido à Justiça criar instabilidade nas organizações criminosas do mundo todo, uma vez que os criminosos não sabem em quem confiar. Tal dificuldade faz com que o risco de ser pego é maior, o que faz com que a prática da corrupção se torne cada vez mais cara. "Estamos falando de corrupção, lavagem de capitais, fraudes licitatórias, evasão de divisas e outros crimes em larga escala, com tentáculos institucionais, incluindo o financiamento ilícito de campanhas eleitorais. A resposta do Judiciário tem de ser contundente", afirma Medina Osório.. DA REVISTAVEJA

Discurso do senador José Serra na 12ª Convenção Nacional do PSDB

Brasília, 05/07/2015
O Brasil atravessa a pior crise desde que me conheço por gente. Cabe a todas as forças políticas responsáveis oferecer as alternativas para que saiamos dela.
Não tenhamos ilusões: esta será uma missão muito difícil, pois o estrago feito no país na era petista é gigantesco.
Hoje nos defrontamos com:
- Desemprego elevado e crescente – vai aumentar muito mais nos próximos meses, devendo atingir 9% até o final do ano. Em maio, estava em 6,7%, dois pontos percentuais acima do mesmo mês do ano passado.
- Renda das famílias e consumo em queda: a renda cai a 5%, pelos dados de maio (ante mesmo mês de 2014) e o consumo ampliado despenca a 8,5%.
- Inflação alta: está em 8,5% e deve ultrapassar 9% em dezembro, superando os 10% na metade do segundo semestre.
- Queda de investimentos públicos e privados – menos 40% nos investimentos públicos, neste ano, e queda de 10,5% nos investimentos privados, comprometendo o emprego e a produtividade da economia nos próximos anos.
- Deterioração dos serviços sociais – à frente, a Saúde, jogada pra trás pelos cortes do governo federal assim como pela má gestão do ministério da Saúde, que combinou falta de prioridades, falta de fiscalização e controle, loteamento político e corrupção.
Os governos petistas desperdiçaram a grande bonança externa da década passada, torrando as dezenas de bilhões de dólares provenientes do aumento de preços de nossas exportações. Em vez de aproveitarem a bonança para fortalecerem nossa economia, torraram esses recursos em consumo e desperdício, e abriram caminho para o desequilíbrio fiscal.
A mistura de carga tributária irracional e falta de investimentos em infraestrutura, com uma política aloprada de taxa de câmbio e juros, tiraram a competitividade interna e externa da produção nacional e deram um golpe de morte na indústria.
Imaginem vocês que neste ano o produto industrial será 15% menor do que em 2008. Andamos tanto para trás que a participação da indústria no PIB voltou ao nível de 1946.
Isso nos condena à semi-estagnação e à falta de bons empregos. Todos os emergentes que crescem rapidamente são puxados pelo setor industrial.
A preocupação central dos brasileiros é com o futuro, com a renda e com o emprego. Mas só haverá crescimento consistente do emprego e da renda se o Brasil enfrentar o desafio da reindustrialização.
Reindustrializar o Brasil deve ser nossa grande plataforma como partido.
Eu disse em discurso no Senado que isso começa, a curto e médio prazo, por dinamizar nossas exportações, investir maciçamente na infraestrutura – aliás, o contrário do que o governo vem fazendo – e recuperar a indústria do petróleo, que chegou a um sétimo do nosso PIB e poderia ir muito além.
Em vez disso, o governo Dilma ficou enrolado num mal feito programa de ajuste, que chamei de ajuste desajustado. Primeiro porque mal feito em si. Segundo porque veio desligado de fato de um programa de crescimento. Não há ajuste que dê certo se não houver um mínimo de expectativas favoráveis sobre o futuro.
Na verdade, a crise brasileira não é apenas econômica. É crise econômica, política e de valores. Precisamos como nunca de um governo capaz de governar, de dar exemplo de austeridade e ética e de fazer o Brasil voltar a crescer.
Mas temos um governo demasiado fraco, incapaz de reverter essa situação. O mais fraco de que tenho memória. Isso não vem do pós-reeleição, vem de antes. O governo Dilma sempre se manteve atrás dos acontecimentos. Nunca soube se antecipar aos problemas. Mas hoje sequer sabe o que está acontecendo. Isso não é culpa do Congresso. Mas da própria fraqueza do Executivo.
Tampouco é culpa da oposição, que apenas cumpre seu papel de fiscalizar e cobrar. Claro que às vezes há a tentação – que precisamos afastar - de aprovar loucuras fiscais irreversíveis, que comprometerão não o presente nem este governo, mas o futuro e os bons governos que se Deus quiser virão.
Mas mesmo quando a oposição faz propostas que fariam bem à nossa economia à curto e médio prazos, o governo sabe aproveitar. Vejam o caso do petróleo...
Sabem o quê? A característica definidora de um governo ruim é não querer melhorar. O governo ruim se intoxica com a própria mediocridade. Vicia-se nela.
Mas olhem hoje bem mais do que o Congresso ou a oposição, o fator maior de perturbação do governo Dilma é seu próprio partido. O PT, constrangido pelos escândalos, pela ruindade do seu desempenho no Executivo e pelos evidentes retrocessos sociais, vai se transformando de principal força de sustentação do governo em grande vetor do seu enfraquecimento.
Mas eu falei da economia, deixe-me falar do sistema político, A única reforma política de fato cravada no nosso programa de fundação do partido foi o parlamentarismo.  Esse é o sistema do Executivo forte, pois a maioria do Congresso, por definição, apoia o governo. Se tirar o apoio, o governo cai e forma-se outro. Sempre com base em programas definidos. Há uma relação cooperativa entre os dois poderes.  Já o presidencialismo é o sistema do antagonismo entre eles: Executivo forte, Congresso fraco. Congresso forte, Executivo fraco.
No parlamentarismo, quando o governo vai mal, é trocado, sem grandes traumas, No presidencialismo o processo é sempre traumático, paralisa o país.
Mas não estou abordando esse tema como divagação. Trata-se, isto sim, de fazer uma proposta ao Partido: de que abramos um debate sobre a implantação do parlamentarismo.
Não como fórmula de emergência, a ser implantada numa madrugada de crise, como em 1961. Mas a partir das eleições de 2018. Daqui até lá, procuraríamos a melhor maneira de preparar o novo sistema, seja por meio de um projeto bem feito - que promova a reforma partidária com vistas a enxugar o numero de partidos, que hoje se eleva a mais de trinta! Seja por intermédio de uma amola negociação política, de um grande entendimento político.
Vou terminar lembrando uma antilei petista, segundo a qual a menor distância entre dois pontos não é uma linha reta, mas uma curva espiralada. É assim que a Dilma governa, ignorando os teoremas da geometria, complicando e alongando as soluções, transformando-as em problemas. Eu sou o contrário, é óbvio. Mas vou dar o braço a torcer a um antigo senador do Rio de Janeiro, Nelson Carneiro, que me disse durante a Constituinte: Serra, a menor distância entre dois pontos não é sempre uma linha reta. Na política, a menor distância entre dois pontos é o entendimento. Sair desta crise profunda vai exigir isso: ENTENDIMENTO político, temos de trabalhar por ele, meus caros Aécio Neves, Cássio Cunha Lima, Aloysio Nunes. O mais amplo e consistente possível, para juntar forças capazes de refazer nossa economia, afirmar a democracia e reconstruir o Brasil.

domingo, 5 de julho de 2015

'Não é uma questão de vingança, mas justiça'

Paula Felix - O Estado de S. Paulo
05 Julho 2015 | 03h 00

Jorge Damus Filho, pai de estudante morto por jovem de 17 anos, está engajado na luta pela redução da maioridade penal

Em 27 de setembro de 1999, o estudante Rodrigo Damus, de 20 anos, foi morto a tiros por um jovem de 17. O adolescente chegaria à maioridade três dias depois e ficou apreendido por 1 ano e 8 meses. Há 15 anos, o pai da vítima, o administrador de empresas Jorge Damus Filho, de 60 anos, começou a se engajar na luta pela redução da maioridade penal. Abaixo, o depoimento dele:
“Eu perdi um filho no 2.º ano da faculdade. Abordaram no semáforo e atiraram nele para roubar o carro e vender em desmanche. Quem matou foi um menor e faltavam três dias para completar 18 anos. Era o chefe da quadrilha, porque era o mais perverso.
Depois que aconteceu isso com o Rodrigo, tinha duas alternativas: poderia me trancar em um quarto escuro e chorar a vida inteira ou arregaçar as mangas para ter menos impunidade, que é o que acaba alavancando os crimes. É impunidade para menor e para maior de idade. Comecei a me engajar em campanhas de redução da maioridade penal.
Acompanho o caso de perto, não é uma questão de vingança, mas de justiça. Um crime cometido por um menor ou por um maior causa o mesmo dano à sociedade. É a mesma dor e o mesmo trauma, são os mesmos tratamentos psiquiátricos. Por que penas diferentes para crimes iguais? A injustiça me atormenta muito.
O assassino do Rodrigo, tinha cinco refeições na Fundação Casa, (apoio de) Direitos Humanos. A mãe dele esteve com ele no Natal. Para mim e para minha mulher, restou levar flores à prisão perpétua na que meu filho foi condenado. Esse tipo de dor não tem cura.”

sábado, 4 de julho de 2015

Vídeo hilário: Dilma diz que brasileiros vão sentir a tocha


Dilma Rousseff não comete gafes.
Dilma é uma gafe, que, às vezes, comete frases gramaticalmente corretas, se tiver uma colinha.
Na apresentação oficial da tocha olímpica da “Copa” de 2016 na sexta-feira, em Brasília, ela estava em seu estado natural.
“Cada vez menos”, a petista está “cada vez mais” assim, para que os brasileiros se “sentam” – se “sintam!” – participantes – “partícipes!” – desse processo de mandiocrização do país.
Enquanto a inflação e o desemprego disparam, Dilma confirma que a tocha vai ser sentida no Brasil, de norte a sul e de leste a oeste.
Como dizia meu querido Flavio Morgenstern (embora eu me ‘inclua fora dessa’):
“Seria cômico se não fosse no nosso rabo.”
 
DO MOVCC

PMDB prevê impeachment de Dilma e já se move para apoiar mandato-tampão de Temer

Até o PMDB, sustentáculo dos governos petistas, já não acredita que Dilma possa escapar ao impeachment. Lideranças do partido entraram em contato com o PSDB para apoio a um eventual mandato-tampão do vice-presidente Michel Temer. Bene, esta é uma boa notícia. Teremos o enterro do PT, como escreveu Fernando Gabeira, citado em post abaixo. O blogueiro está em viagem e continua com problemas de conexão (este post foi feito em uma antiquada Lan House):
Em meio ao processo de descolamento do governo Dilma Rousseff, representantes do PMDB passaram a procurar integrantes da cúpula do PSDB para sondá-la sobre um apoio no caso de o vice-presidente da República, Michel Temer, assumir o comando do governo no lugar da petista em um eventual processo de impedimento.
Há cerca de dez dias, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi o primeiro a ser procurado por um integrante da Executiva Nacional do PMDB para saber sobre a possibilidade de uma aliança informal neste momento. Segundo um peemedebista que teve acesso às conversas, o tucano teria dito que apoiaria uma coalizão em torno de Temer. Ao Estado, o ex-presidente disse: “Não estive em conversa alguma sobre esta questão, nem caberia a mim cogitar do que não está em pauta, apesar de estar preocupado, como qualquer brasileiro, com a instabilidade atualmente prevalecente na política nacional”.
Além de FHC, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), foi sondado sobre um possível apoio a um mandato presidencial de Temer por integrantes do PMDB. Para esses peemedebistas, Dilma dificilmente escapará no segundo semestre do processo no Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as chamadas “pedaladas fiscais” nas contas do governo em 2014.
Segundo peemedebistas, a sondagem a Aécio ocorreu nesta semana, e o tema central foi o processo no TCU. O tribunal deve se reunir entre agosto e setembro para julgar o caso. O Estado procurou a assessoria de imprensa de Aécio, mas não obteve resposta até esta edição ser concluída.
Delação. Outro fator de instabilidade contra o governo é a delação premiada do dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa, alvo da Operação Lava Jato que está hoje em prisão domiciliar. Trechos da colaboração do empreiteiro vieram a público e citam ministros do núcleo duro do Planalto – os titulares da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, que foi tesoureiro do comitê à reeleição de Dilma – como receptores de recursos de caixa 2 para campanhas eleitorais.
Na quinta-feira, os dois ministros rebateram ataques de lideranças do PMDB e tentaram conter movimentações na legenda pela saída de Temer da articulação política. Em meados de junho, em reunião no Palácio do Jaburu, residência oficial da Vice-Presidência, Mercadante havia pedido a saída do vice do posto estratégico.
As movimentações do PMDB, segundo relatos, não têm sido orquestradas por Temer, que vive sob pressão de setores do partido para deixar a articulação política do governo nos próximos meses.
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), defendeu essa alternativa. A principal queixa pública do partido tem sido a falta de respaldo do Planalto nos acordos negociados pelo vice-presidente com integrantes da base aliada, sobretudo as promessa de cargos e a liberação de emendas parlamentares.
Um discurso que deverá ser encampado nos próximos dias por alguns peemedebistas é que os problemas enfrentados na articulação política podem inclusive atrapalhar as pretensões do partido em lançar uma candidatura própria nas próximas eleições presidenciais, uma vez que a legenda passaria a imagem para potenciais aliados de que o partido não é cumpridor de promessas. (Estadão). DO ORLANDOTAMBOSI

REPORTAGEM-BOMBA DE 'VEJA' FAZ ENTORNAR O TONEL DE ROUBALHEIRAS E CORRUPÇÃO DO PETROLÃO. AS PROVAS DA DELAÇÃO DO EMPRESÁRIO GRANDALHÃO JOGAM A PÁ DE CAL SOBRE A VÍBORA VERMELHA AGONIZANTE.

Um pergunta que não quer calar e que é evocada em todos os diálogos travados pelos cidadãos brasileiros no seu âmbito familiar, nos seus círculos de amizade e no trabalho: o que está faltando para o impeachment imediato da Dilma e a prisão de Lula e seus sequazes? A resposta evidente é que não falta mais nada.
Todavia se era mesmo pela suposta ausência de provas para cassar imediatamente Dilma e processar criminalmente Lula com endereço direto sem escala para a Papuda, a reportagem-bomba de Veja que chega às bancas neste sábado, mais uma da longa série, detona, ou seja, prova com fatos, fotos e cópias de planilhas das propinas, a mega roubalheira que faz enrubescer o mais vil dos ladravazes.
Esse fantástico dossiê da orcrim, a organização criminosa que floresceu nos governos petistas, faz parte do arquivo do empresário grandalhão, Ricardo Pessoa, entregue à polícia para comprovar a sua delação cujo prêmio é diminuir o cheiro da cadeia que o opulento empresário já farejou nos dias em que passou na carceragem da Polícia Federal.
Velho de guerra, Ricardo Pessoa, segundo a reportagem-bomba de Veja guardou tudo minuciosamente e com detalhes nos quais há desde as quantias entregues aos donos do poder, até seus telefones, emails e contas bancárias. Tudo. Tudo. Tudo.
Enquanto os caminhões se enfileiram para pegar a volumosa tiragem de Veja impressa na grande gráfica do Grupo Abril em São Paulo para desovar nas bancas ao longo desta madrugada, os assinantes digitais da revista já têm acesso à publicação.
No entanto o site de Veja já deixou um aperitivo da reportagem-bomba da revista, que transcrevo para saciar a curiosidade, digamos assim, de um público heterogêneo: os cidadãos que desejam limpar o Brasil dessa imundice que é o PT e também os consumidores de calmantes e soníferos... Leiam:
Uma amostrinha do acervo do empresário grandalhão. É o suficiente para estimar o impacto e o corre-corre nas redações dos jornalões neste início da madrugada.
O engenheiro Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, é famoso por sua grande capacidade de organização - característica imprescindível para alguém que exercia uma função vital no chamado "clube do bilhão". Ele foi apontado pelos investigadores como o chefe do grupo que durante a última década operou o maior esquema de desvio de dinheiro público da história do país. O empreiteiro entregou à Justiça dezenas de planilhas com movimentações financeiras, manuscritos de reuniões e agendas que fazem do seu acordo de delação um dos mais contundentes e importantes da Operação Lava-Jato. O material constitui um verdadeiro inventário da corrupção. Em uma série de depoimentos aos investigadores do Ministério Público, Pessoa detalhou o que fez, viu e ouviu como personagem central do escândalo da Petrobras. Na sequência, apresentou os documentos que, segundo ele, provam tudo o que disse.
​​VEJA teve acesso ao arquivo do empreiteiro. Um dos alvos é a campanha de Dilma de 2014 e seu tesoureiro, Edinho Silva, o atual ministro da Comunicação Social. Segundo o delator, ele doou 7,5 milhões de reais à campanha depois de ser convencido por Edinho Silva. "O senhor tem obras no governo e na Petrobras, então o senhor tem que contribuir. O senhor quer continuar tendo?", disse o tesoureiro em uma reunião. O empreiteiro contou que não interpretou como ameaça, mas como uma "persuasão bastante elegante". Na dúvida, "para evitar entraves" nos seus negócios com a Petrobras, decidiu colaborar para que o "sistema vigente" continuasse funcionando - um achaque educado. Mas há outro complicador para Edinho: quem apareceu em nome dele para fechar os detalhes da "doação", segundo Pessoa, foi Manoel de Araujo Sobrinho, o atual chefe de gabinete do ministro. Em plena atividade eleitoral, Manoel se apresentava aos empresários como funcionário da Presidência da República. Era outro recado elegante para que o alvo da "persuasão" soubesse com quem realmente estava falando. Do site de Veja
DO ALUIZIOAMORIM

Na EPOCA - O juiz Sergio Moro lidera uma revolução no combate à corrupção no Brasil

Thiago Bronzatto, Leandro Loyola e Diego Escosteguy - Epoca

O avanço irrefreável da Lava Jato desloca o centro de poder de Brasília para Curitiba Nas noites dos últimos dias, o juiz federal Sergio Fernando Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, após botar os filhos para dormir e checar os últimos e-mails do dia, dedicava-se, quando ainda tinha forças, à leitura de uma coletânea de artigos sobre os 20 anos da Operação Mãos Limpas. A megainvestigação logrou o que parecia impossível: expurgar do Estado italiano organizações mafiosas centenárias. Os acertos – e os erros – dos juízes italianos ajudavam Moro a refletir sobre as melhores estratégias para conduzir a Operação Lava Jato. Como fechar os casos ainda em aberto e, ademais, como avançar naqueles que se avizinham rapidamente? Nas mesmas noites, não muito longe da casa do juiz, mas no frio da carceragem da Polícia Federal em Curitiba, para onde fora transferido, dividindo cela com o doleiro Alberto Youssef, Nestor Cerveró, o ex-diretor internacional da Petrobras condenado a cinco anos de prisão por Moro, tinha ataques de pânico. Pressionado pela família, especialmente pelo filho, Cerveró cedeu. Resolveu contar o que sabe, como apostavam Moro e os procuradores da força-tarefa da Lava Jato. E Cerveró sabe muito. 
Cerveró chamou os procuradores e, à revelia de seu advogado, começou a negociar os termos para se tornar o 20º delator da Lava Jato. Segundo políticos, empresários, investigadores e lobistas da Petrobras, somente duas pessoas podem esclarecer, entre outros contratos inexplicáveis na Área Internacional, a infame operação de compra da Refinaria de Pasadena, há quase dez anos. Nela, aPetrobras perdeu cerca de US$ 800 milhões. Uma é o operador Fernando Baiano, ligado ao PMDB e que atuava em parceria com Cerveró. Baiano está preso. Ele, porém, não exibe nenhum sinal de que pode vir a falar. A outra pessoa é o próprio Cerveró.
De acordo com essas fontes, ouvidas por ÉPOCA nos últimos anos e, também, nos últimos dias, Cerveró, se falar o que sabe, sem esconder nenhum fato, pode causar um estrago político devastador, ainda mais considerando-se o acúmulo incessante de provas da Lava Jato nas semanas recentes. Tanto Baiano quanto Cerveró confidenciaram – e não agora – a essas fontes que a operação de Pasadena além de outras na Diretoria Internacional beneficiaram o presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB, parlamentares do PT e até o empresário José Carlos Bumlai, um dos melhores amigos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em miúdos: beneficiaram todos aqueles que o indicaram ao cargo, como já se comprovou que era a prática nas demais diretorias. Bumlai, que frequentava a intimidade do petista, falava em nome de Lula durante o segundo mandato do petista. E tinha relações estreitas com o grupo Schain, que obteve contratos na Petrobras com a ajuda de Cerveró. Todos os citados sempre negaram qualquer relação imprópria com Cerveró.
Revista ÉPOCA - capa edição 891 - Nada vai pará-lo (Foto: Divulgação/ÉPOCA)

Edson Ribeiro, o advogado de Cerveró, chegou a Curitiba na quinta-feira, disposto a fazer de tudo para demovê-lo da delação. O advogado disse a Cerveró ter certeza de que os executivos da Odebrecht, também presos na Lava Jato, conseguirão decisões judiciais favoráveis no recesso do Judiciário, daqui a alguns dias, seja no Superior Tribunal de Justiça, seja no Supremo Tribunal Federal. Se gente como Marcelo Odebrecht sair da cadeia, raciocina o advogado, outros sairão em seguida, como Cerveró. Até a noite da sexta-feira, os argumentos do advogado não foram suficientes para convencer Cerveró. Ele continua negociando os termos da delação com os procuradores. E demonstra uma mágoa especial pela presidenteDilma Rousseff. Sente-se abandonado por ela – que, como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, aprovou a compra da refinaria de Pasadena. Em suas defesas entregues às autoridades, Cerveró alega que a responsabilidade pelo investimento em Pasadena é do Conselho de Administração da estatal. Ou seja, de Dilma.
A iminência da delação de Cerveró, decidida nos gabinetes e nas celas de Curitiba, revela como, no Brasil de 2015, o poder sobre os rumos da nação deslocou-se, momentaneamente, para a capital do Paraná. Se levada a cabo, a delação de Cerveró terá impacto em gente do calibre de Lula e Dilma. Por isso, um rastilho silencioso de pólvora – e pânico – acendeu-se até Brasília. Políticos e empresários poderosos ficam à mercê, mais uma vez, como acontece desde outubro, com as delações de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, de fatos sobre os quais eles não têm o menor controle – e, muitas vezes, nem sequer compreendem.
Essa mudança, ainda que temporária, nas regras do jogo, no controle da situação, explica parte das falas e ações destemperadas de políticos experientes, como Lula, ou até aqui cautelosos com o verbo, como Dilma. A combinação de crises pela qual passa o Brasil hoje converge, cotidianamente, para Curitiba. Os rumos das principais decisões políticas neste momento definem-se, mesmo com uma economia malparada e um governo anêmico, pelo que acontece na Operação Lava Jato. A sucessão de provas, de delações, as imagens quase semanais de tesoureiros e executivos sendo presos pela polícia sobrepõem-se a qualquer processo político e econômico em Brasília. Por uma razão simples: as decisões de Curitiba põem em risco a sobrevivência dos principais partidos e políticos do Brasil. O mesmo vale para as principais empreiteiras do país.
Nenhum gabinete, portanto, concentra tanto poder neste momento no Brasil quanto aquele no 2o andar na Avenida Anita Garibaldi, 888. É de lá que despacha Sergio Moro, o cérebro e centro moral da Lava Jato. A Operação, na verdade, envolve dezenas de procuradores da República, delegados e agentes da PF, equipes na Procuradoria-Geral da República, em Brasília, além do ministro do Supremo Teori Zavascki. Todos têm poder para definir, em alguma medida, os rumos das centenas – isso, centenas – de casos de corrupção investigados na Lava Jato. Alguns casos tramitam em Brasília – aqueles que envolvem políticos com foro no Supremo. Mas a maioria fica em Curitiba e de lá não sai. Moro alia virtudes raríssimas para a missão: preparo jurídico, pensamento estratégico, inflexibilidade de princípios, coragem moral e disciplina de trabalho. Entra cedo, sai tarde e prossegue na lida mesmo de casa. Alguns dos procuradores da força-tarefa compartilham, em maior ou  menor grau, as mesmas características. Estudaram muito, trabalham sem parar e entendem que estão fazendo história.
Após mais de um ano de Lava Jato, já está claro que esses homens e mulheres – pelo tamanho dos presos, pela força das provas, pelos nomes envolvidos e pelo dinheiro recuperado – estão promovendo uma revolução na luta contra a grande corrupção no Brasil. O método, a estratégia e a disciplina para manter o foco nos alvos certos, como Cerveró ou Marcelo Odebrecht, demonstram que essa revolução, cujo acúmulo intenso de fatos desnorteia até o observador mais atento, irá longe. A partir das delações capitais de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, em outubro do ano passado, surgiu a obtenção de mais provas, como extratos bancários de contas em paraísos fiscais e a confissão dos demais envolvidos. O efeito cascata, irrefreável, parece destinado a parar apenas quando todos os envolvidos no petrolão, esse esquema que envolvia empresas inescrupulosas e políticos corruptos, estejam identificados e devidamente processados. É uma réstia de esperança para um povo que precisa, desesperadamente, acreditar novamente em seu sistema político.
Engana-se, porém, quem pensa que Moro ou os procuradores da Lava Jato tenham ganas de pegar Lula ou Dilma. Na visão deles, e que as provas de fato oferecem (até o momento), Lula e Dilma não eram chefes de uma organização criminosa. Não que ambos não tenham responsabilidade pela sustentação política do petrolão – pelo aval, no mínimo, tácito aos resultados de suas decisões fisiológicas, de distribuição irresponsável de cargos na Petrobras. Mas a decisão de distribuir diretorias da estatal não é crime. O petrolão é, pelo que as evidências apontam até o momento, um esquema horizontal, organizado entre empresários corruptores e funcionários públicos corruptos. Entre as duas partes, havia operadores de partidos políticos e doleiros. Todos ganhavam, especialmente os políticos dos partidos (PT, PMDB e PP, sobretudo) que controlavam os cargos. Não havia chefes. Havia apenas cúmplices na roubalheira.
Há muitas novidades, no entanto, a caminho. Nestor Cerveró, o quase certo 20º delator, trará apenas parte delas. A 16ª fase da Lava Jato não tarda. E ela será decidida em Curitiba, para desespero do poder em Brasília.
José Dirceu | O PRÓXIMO |  Acusado por dois delatores de receber propina, o que é corroborado por documentos bancários, será preso em breve e Juiz Sergio Moro | O LÍDER | É dele que partem as decisões mais relevantes da Lava Jato e a estratégia para garantir o bom termo dos casos (Foto: Sergio Lima/Folhapress  e Fábio Guinalz/Frame/Folhapress)
OS ALVOS : Lula, Marcelo Odebrecht e Nestor Cerveró  (Foto: Renato Mendes/Brazil Photo Press/Folhapress, Cassiano Rosário/Futura Press e Sérgio Lima/Folhapress)
A LINHA DE FRENTE: Carlos Fernando Lima, Teori Zavascki e Rodrigo Janot  (Foto: Gisele Pimenta/Frame/Folhapress e Ag. STF)

quinta-feira, 2 de julho de 2015

BRASILEIRA PROTESTA NOS EUA CONTRA DILMA E PARTE PRA CIMA: "VAI PARA CUBA, DILMA!". MEMBRO DA COMITIVA REVIDA E A MULHER OS ACUSA DE "LADRÕES, SAFADOS".



Brasileira hostiliza a Dilma e comitiva nos Estados Unidos: "Vai pra Cuba, Dilma". Um dos participantes da comitiva ainda tem a cara de pau de desqualificar o protesto. A brasileira não se intimida e parte pra cima acusando-os: "Seus ladrões, safados". Vale a pena ver. DO ALUIZIOAMORIM

PF prende ex-diretor da Petrobras na 15ª fase Lava Jato

Sucessor de Cerveró na Área Internacional, Jorge Zelada é principal alvo dos agentes
Por Laryssa Borges, de Brasília
Veja.com

Jorge Luiz Zelada
(Geraldo Magela/Agência Senado/VEJA)

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira a 15ª fase da Operação Lava Jato e prendeu o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Jorge Zelada. O novo foco das investigações é o recebimento de propina nesta diretoria da estatal. Zelada sucedeu Nestor Cerveró no cargo e suas transações eram investigadas mais detalhadamente desde o início do ano, quando o Ministério Público Federal achou contas secretas dele em Mônaco com saldo de cerca de 11 milhões de euros.
Zelada ocupou o cargo de diretor da petroleira de 2008 a 2012, como sucessor de Nestor Cerveró, que está preso no Complexo Médico-Penal em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, e já foi condenado em um dos processos da Lava Jato a cinco anos de prisão por lavagem de dinheiro.
Na 15ª fase da Lava Jato, intitulada Conexão Mônaco, os policiais cumprem quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Niterói e o mandado de prisão preventiva contra Zelada. 02/07/2015- DO R.DEMOCRATICA