PAZ AMOR E VIDA NA TERRA " De tanto ver triunfar as nulidades, De tanto ver crescer as injustiças, De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto". [Ruy Barbosa]
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Escalado para exaltar a Copa do Brasil Maravilha, Gilberto Carvalho foi expulso do país habitado por gente farta de vigarices
Na chegada à sede do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, cenário da etapa carioca dos “Diálogos Governo-Sociedade Civil Copa 2014″, o sorriso confiante e a voz de orador da turma avisaram que o ministro Gilberto Carvalho estava em casa ─ e cercado por amigos de fé. Decerto imaginou que passaria as duas horas seguintes saboreando aplausos e carícias verbais da plateia amestrada, formada por integrantes dos “movimentos sociais”. Todos estavam ali para aprender que a Copa da Roubalheira, vista de perto, é outra soberba evidência de que o Brasil vai tão bem que, se melhorar, estraga.
Quebrou a cara, informa o vídeo acima. Já na entrada do auditório o sorriso morreu, esganado pela inscrição na faixa pendurada atrás da mesa no palco: NÂO VAI TER COPA. A voz começou a claudicar com as primeiras manifestações de hostilidade. E a autoconfiança foi dissolvida pela pancadaria sonora. Durante 15 minutos, a caixa preta ambulante lutou bravamente para sobreviver a vaias, apupos, risos debochados, apartes desmoralizantes, gargalhadas irônicas e cobranças de promessas ainda estacionadas no palanque.
Enfim rendido ao som da fúria, interrompeu o falatório, deu o encontro por findo, prometeu voltar em agosto e caiu fora da zona conflagrada. Até capitular, o camelô de embustes esforçou-se para vender à freguesia o conto da Copa. Jurou que a mina de dinheiro da Fifa, vista de perto, é uma usina de empregos para nativos. Lembrou que já trabalhou em favela, celebrou o Minha Casa, Minha Vida, culpou a oposição pelo atraso nas obras, pediu paciência aos presentes, fez o diabo. Nada funcionou.
Gilberto Carvalho preparou-se para uma festiva noitada no Brasil Maravilha. Só depois de consumado o fiasco descobriu que estava no Brasil real. É um país habitado por gente farta de vigarices. E é cada vez mais populoso.
DO A.NUNES
Zé Dirceu mora num flat na Papuda.
Nesta
terça-feira, uma comissão de deputados federais de diferentes partidos fez uma
visita ao mais influente detento da Penitenciária da Papuda, no Distrito
Federal, o ex-ministro José Dirceu. O objetivo do grupo, formado
majoritariamente por aliados do petista, era tentar atestar que o petista não
detém regalias na cadeia e pressionar a Justiça a liberá-lo para trabalhar fora
da Papuda durante o dia. Mas não foi o que ocorreu. Ao chegar ao presídio, os
parlamentares encontraram o detento 95.413 em uma cela privilegiada, eufórico
diante de uma televisão de plasma que exibia a vitória do Real Madrid sobre o
Bayern de Munique pela Liga dos Campeões da Europa.
“Estou
assistindo ao Real dar uma surra no Bayern”, disse o mensaleiro, sorridente, ao
receber a comitiva em sua cela – o time espanhol goleou o rival alemão por 4 a
0.
Segundo relato
do deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), a cela do petista é a maior do complexo,
equipada com micro-ondas, chuveiro quente, televisão e uma cama diferente das
demais. Dirceu foi colocado em um espaço de 23 m² no Centro de Internamento e
Reeducação (CIR), cujas celas têm padrão de 15 m² e reúnem até quatro detentos.
O local servia de cantina, mas passou por uma reforma para receber o
ex-ministro.
“A cela do
Dirceu é completamente diferente das outras que a gente viu, não há dúvidas.
Vimos pessoas com deficiência física que deveriam ficar separadas porque os
presos pegam parte da cadeira de rodas para fazer armas. Mas elas seguem
misturadas, dormem em colchões piores e tomam banho em chuveiro frio”, afirmou
a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), que é cadeirante.
Os deputados de
oposição reclamaram que o coordenador-geral da Sesipe (Subsecretaria do Sistema
Penitenciário), João Feitosa, impôs uma série de restrições durante a visita:
"Ele queria nos mostrar a cantina, as melhores celas e que seguíssemos o
roteiro definido por ele. Disse ainda que não poderíamos ir a outros setores
por falta de acessibilidade para a deputada Mara", disse Jordy. Após a
insistência, foram liberados três dos cinco parlamentares para visitar outras
alas da penitenciária – inclusive a própria Mara Gabrilli, que negou ter enfrentado
dificuldades durante o trajeto.
Além de Jordy e
Mara Gabrilli, integraram a comitiva os deputados Nilmário Miranda (PT-MG),
Luiza Erundina (PSB-SP) e Jean Wyllys (PSOL-RJ).
Podólogo – No
mês passado, VEJA revelou uma série de mordomias de Dirceu na Papuda. O petista
passa a maior parte do dia no interior de uma biblioteca onde poucos detentos
têm autorização para entrar. Lá, ele gasta o tempo em animadas conversas,
especialmente com seus companheiros do mensalão, e lê em ritmo frenético para transformar
os livros em redações, o que lhe pode garantir dias a menos na cadeia. O
ex-ministro só interrompe as sessões de leitura para receber visitas –
incluindo um podólogo –, muitas delas fora do horário regulamentar e sem
registro oficial algum, e para fazer suas refeições, especialmente preparadas
para ele e os comparsas.
Comandada pelo
PT, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara aprovou a diligência até a Papuda
com o objetivo de negar a existência de benefícios aos condenados no julgamento
do mensalão e, dessa forma, evitar sanções aos mensaleiros. Além de pressionar
pela liberação do trabalho externo para Dirceu, petistas temem que seus
companheiros sejam transferidos para uma penitenciária com regime mais duro.
Dirceu está sendo
investigado pela Justiça por ter usado um celular dentro da cadeia do
secretário da Indústria, Comércio e Mineração do governo da Bahia, James
Correia, no dia 6 de janeiro. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),
Joaquim Barbosa, cobrou investigações sobre essa e outras regalias de Dirceu e
aguarda um parecer para decidir sobre a autorização para ele trabalhar em um
escritório de advocacia. (Veja)
DO CELEAKS
Pressionado, Renan recua e já aceita CPI mista
Após rebelião dos deputados, que não admitiram ser excluídos da investigação, Renan recebeu em seu gabinete os líderes do PSDB e do DEM na Câmara e no Senado. Em conversa de uma hora e meia, testemunhada por Eduardo Braga (PMDB-AM), líder de Dilma Rousseff no Senado, Renan concordou em levantar os obstáculos que atravessara no caminho da comissão mista.
À tarde, falando do microfone do plenário, Renan dissera o seguinte: “A oposição sempre deixou clara sua preferência pela CPI mista, mas sua instalação não poderá acontecer por iniciativa do presidente do Senado. A decisão de uma CPI se sobrepor à outra tem que ser política.” Ele marcara para terça-feira (6) uma reunião para discutir o tema com todos os líderes.
Na conversa noturna, Renan declarou que usará o encontro de terça para informar aos líderes sobre sua decisão de estender à CPI mista a mesma solicitação de indicações que fizera para a CPI do Senado. Na prática, Renan transferirá para os partidos a incumbência de definir qual das duas CPIs vai funcionar.
O governo prefere a comissão do Senado, mais fácil de ser controlada. A oposição prefere a CPI mista porque sua composição incluirá governistas dissidentes. Na Câmara, excetuando-se o PT, há dissidentes em todas as legendas governistas. Juntando-se à oposição, esses dissidentes podem produzir maiorias eventuais na CPI.
Estiveram com Renan, além de Eduardo Braga, os senadores José Agripino Maia (DEM-RN) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), além dos deputados Mendonça Filho (DEM-PE), Antonio Imbassahy (PSDB-BA) e Nilson Leitão (PSDB-MT).
DO JDESOUSA
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Reynaldo-BH: Um escândalo atrás do outro
REYNALDO ROCHA
Não se trata de oposição, mas de salvação. Até onde vai o desmonte do Brasil? Qual o limite da desconstrução que durou anos para ser iniciada?
Perdemos a conta dos escândalos e atos corruptos expostos como em uma vitrine. Há, na verdade, um fato deletério: o lulopetismo.
Este é a raiz de TODA a podridão. Se em Cuba e na Venezuela ainda existe um arremedo de ideologia sem pé nem cabeça – mas brandida como doutrina – por aqui nada existe. É o roubo simples e direto, sem disfarces além do mais repugnante populismo desde Getúlio Vargas.
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DO A.NUNES
Não se trata de oposição, mas de salvação. Até onde vai o desmonte do Brasil? Qual o limite da desconstrução que durou anos para ser iniciada?
Perdemos a conta dos escândalos e atos corruptos expostos como em uma vitrine. Há, na verdade, um fato deletério: o lulopetismo.
Este é a raiz de TODA a podridão. Se em Cuba e na Venezuela ainda existe um arremedo de ideologia sem pé nem cabeça – mas brandida como doutrina – por aqui nada existe. É o roubo simples e direto, sem disfarces além do mais repugnante populismo desde Getúlio Vargas.
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DO A.NUNES
Na entrevista a um canal da TV portuguesa, Lula insinua que não sabe quem é José Genoino e conhece José Dirceu só de vista
“O que eu acho é que não houve mensalão”, disse o ex-presidente Lula na entrevista concedida à RTP, publicada neste domingo no site da emissora de televisão portuguesa. “Eu também não vou ficar discutindo a decisão da Suprema Corte”, tratou de desdizer-se na frase seguinte. E mudou de ideia na continuação: “Eu só acho que essa história vai ser recontada para saber o que aconteceu na verdade”.
A hipótese é tentadora para o país que presta. Se a história fosse recontada como se deve, não ficaria sem castigo o chefe supremo do esquema criminoso que produziu o maior escândalo político-policial desde o Descobrimento. Mais: se a verdade prevalecesse, seria restaurada a decisão original do Supremo Tribunal Federal, desfigurada pela nomeação de Teori Zavaschi e Roberto Barroso. Ao tornar majoritária a bancada dos ministros da defesa de culpados, a dupla ajudou a parir a obscenidade segundo a qual um bando de quadrilheiros é diferente de uma quadrilha.
O camelô de empreiteira não parece preocupado com o destino dos condenados, revelou o melhor dos piores momentos da conversa. Quando a entrevistadora lembrou que estão na cadeia alguns velhos parceiros do entrevistado, Lula admitiu a existência de “companheiros do PT presos”, estacionou numa vírgula e despejou a ressalva abjeta: “Não se trata de gente da minha confiança”.
Nem a turma da cela S13?, decerto perguntaria a jornalista se tivesse mais intimidade com os casos de polícia hospedados na Papuda. Portugueses e brasileiros então descobririam que Lula não sabe direito quem é José Genoino, acha que Delúbio é nome de rio e conhece José Dirceu só de vista.
DO A.NUNES-REV-VEJA
Janot rebate Lula: mensalão teve “julgamento jurídico”
Na VEJA.com:
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou nesta segunda-feira que o julgamento do mensalão foi “um processo jurídico, com um julgamento jurídico”. O comentário foi feito a propósito da indecorosa entrevista concedida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a uma emissora de TV portuguesa. Lula voltou a dizer que o maior escândalo político da história do Brasil não existiu e que a sentença atribuída aos condenados teve “80% de decisão política e 20% de decisão jurídica”. “Ele tem todo o direito de falar, todo brasileiro tem. Graças a Deus, a gente vive num país democrático, de liberdade de expressão absoluta, que tem que ser garantida pelo próprio Ministério Público”, disse Janot.
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou nesta segunda-feira que o julgamento do mensalão foi “um processo jurídico, com um julgamento jurídico”. O comentário foi feito a propósito da indecorosa entrevista concedida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a uma emissora de TV portuguesa. Lula voltou a dizer que o maior escândalo político da história do Brasil não existiu e que a sentença atribuída aos condenados teve “80% de decisão política e 20% de decisão jurídica”. “Ele tem todo o direito de falar, todo brasileiro tem. Graças a Deus, a gente vive num país democrático, de liberdade de expressão absoluta, que tem que ser garantida pelo próprio Ministério Público”, disse Janot.
Na
entrevista concedida à imprensa portuguesa, Lula tentou se dissociar dos
mensaleiros que o ajudaram a fundar o Partido dos Trabalhadores, nos
anos 1980, e a conquistar o mais alto posto da República, em 2002. Ele
afirmou que embora haja “companheiros do PT presos, não se trata de
gente da sua confiança”.
Um desses
companheiros é José Dirceu, que chefiou a primeira campanha eleitoral de
Lula e depois, no primeiro ano de seu mandato, exerceu o cargo de
ministro-chefe da Casa Civil. Dirceu foi condenado a 7 anos e 11 meses
de prisão e passa seus dias atualmente no presídio da Papuda, em
Brasília. Outro companheiro é José Genoino, igualmente fundador do PT.
Ele ocupou a presidência do partido entre 2002 e 2005, os anos do
mensalão.
Marco Aurélio reage a Lula: “É um troço doido; é o sagrado direito de espernear”
O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, reagiu à crítica bucéfala que Lula fez ao julgamento do mensalão em entrevista à
TV portuguesa RTP. Segundo o ex-presidente, o processo teve “80% de
política e 20% de decisão jurídica”. Com a ironia costumeira, considerou
o ministro, segundo informa a Folha Online: “Não sei como ele tarifou, como fez essa medição. Qual aparelho permite isso? É um troço de doido”.
Marco
Aurélio foi um dos ministros que acabaram achando, na fase dos embargos
infringentes, que houve penas excessivas. De forma indireta, lembrou
isso em sua fala, mas considerou: “Só espero que esse distanciamento da
realidade não se torne admissível pela sociedade. Na dosimetria, pode
até se discutir alguma coisa; agora a culpabilidade não. A culpa foi
demonstrada pelo estado acusador”.
Para Marco
Aurélio, Lula está apenas recorrendo a seu “sagrado direito de
espernear”. E lembrou algo que já observei aqui: “No final do
julgamento, eram só três ministros não indicados por ele. A nomeação é
técnico-política e se demonstrou institucional. Como eu sempre digo:
‘Não se agradece com a toga’”.
Na mosca!
Lula apostava que os ministros nomeados por ele fariam as suas vontades.
Na sua cabeça perturbada pelas trocas políticas mais indignas, esperava
que seus amigos fossem absolvidos em sinal de agradecimento dos que
foram por ele indicados. Lula entende de relações de compadrio e de
suserania e vassalagem, não de democracia.
Lula, o rei do besteirol investigado em inquérito da PF, diz em Portugal que não houve mensalão. Ou: Mais uma bobagem para sua insuperável coleção
O
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu na sexta uma entrevista
à TV portuguesa RTP, que foi ao ar no sábado (leia post na home). Mesmo
para quem está acostumado a despropósitos; mesmo para quem já disse que
não haveria problemas de poluição na Terra se o planeta fosse quadrado;
mesmo para quem anunciou que cruzaria o Atlântico para chegar aos
Estados Unidos; mesmo para quem já afirmou, na presença do então
presidente americano George W. Bush e das respectivas primeiras-damas,
que pretendia encontrar o “ponto G” da relação entre os dois países;
mesmo para quem já chamou Muamar Kadhafi de “irmão”; mesmo para quem já
disse que, na Venezuela, “há democracia até demais”; mesmo para quem já
recomendou a Obama que copiasse o nosso SUS; mesmo para quem já comparou
a luta por democracia no Irã à reação de descontentamento de uma
torcida quando seu time perde o jogo; mesmo para quem já fez pouco caso
da eleição de um presidente negro nos EUA, afirmando que quer ver é a
eleição de um operário; mesmo para quem já afirmou que o Bolsa Família
deixava o povo preguiçoso (antes de ele próprio se fingir de dono do
Bolsa Família); mesmo, em suma, para quem é autor de uma impressionante
coleção de besteiras, a verdade é que Lula, na entrevista à TV
portuguesa, se excedeu, foi além da conta, num misto de cinismo, de
estupidez e de falta de apreço pela verdade.
Segundo
Lula, “o mensalão teve 80% de decisão política e 20% de decisão
jurídica”. Mais: disse achar que “não houve mensalão”. Afirmou que não
ficaria debatendo decisão da Suprema Corte e anunciou pela undécima vez
que “essa história vai ser recontada”. Para ele, tudo não passou de uma
tentativa malsucedida “de destruir o PT”. Então vamos ver.
Não houve
uma só condenação sem provas no processo do mensalão, como todo mundo
sabe. Só três dos ministros que condenaram mensaleiros — Celso de Mello,
Marco Aurélio e Gilmar Mendes — não foram indicados para a Corte ou
pelo próprio Lula ou por Dilma. O ex-presidente e seu partido, portanto,
não podem nem mesmo se dizer vítimas de um “tribunal formado por
adversários”. O homem que falava era aquele que teve a publicidade da
campanha paga no exterior, em moeda estrangeira, numa conta que o
marqueteiro Duda Mendonça mantinha fora do país. Origem do dinheiro?
Ninguém sabe. Em duas operações, ficou claro que o Banco do Brasil, por
intermédio do fundo Visanet, foi lesado em R$ 76 milhões. Mais do que
evidências de pagamento, houve as confissões. O próprio então presidente
chegou a dizer em 2005 que houvera sido traído.
É verdade
que uma nova história está sendo contada. Pelos petistas. E não passa de
uma coleção vergonhosa de mentiras, omissões, mistificações, distorções
— escolham aí o substantivo. Prefiram todos. O mais espetacular, e os
portugueses não têm obrigação de saber disso, é que um inquérito, aberto
pela Polícia Federal, investiga a participação do próprio Lula no
mensalão. Foi aberto a pedido do Ministério Público Federal em abril do
ano passado. E o caso diz respeito justamente a… Portugal.
O então
presidente do Brasil teria intermediado a obtenção de um repasse de R$ 7
milhões de uma fornecedora da Portugal Telecom para o PT, por meio de
publicitários ligados ao partido. Os recursos teriam sido usados para
quitar dívidas eleitorais dos petistas. De acordo com Marcos Valério,
operador do mensalão, Lula intercedeu pessoalmente junto a Miguel Horta,
que era o presidente da companhia portuguesa, para pedir os recursos.
As informações eram desconhecidas até 2012, quando Valério — já
condenado — resolveu contar parte do que havia omitido até então. Isso
significa que o homem que concedeu a entrevista ainda pode vir a se
tornar um réu do mensalão.
Lula
exibiu outra característica notável de sua personalidade política —
coisa que, até hoje, o deputado André Vargas, por exemplo, agora sem
partido, ainda não entendeu. No PT, o chefão máximo é sempre inocente.
Queimam-se fusíveis para preservar Lula de uma descarga elétrica fatal.
Indagado sobre a sua proximidade com os mensaleiros presos, não teve
dúvida: “Não se trata de gente da minha confiança”. Entenderam?
Mais: Lula
repetiu à TV portuguesa uma concepção de honestidade já muitas vezes
revelada por ele próprio aqui no Brasil. Prestem atenção! “O importante é
que, quando uma pessoa é decente e honesta, as pessoas enxergam é nos
olhos. Não adianta dizer que o Lula pratica qualquer ato ilícito porque o
povo me conhece”.
Com isso, o
ex-presidente está a afirmar que existe no Brasil a categoria dos
homens inimputáveis, daqueles que serão sempre inocentes, mesmo que
sejam culpados. E, obviamente, ele próprio é um exemplar dessa espécie
superior. Assim, não importa o que o homem público faça ou deixe fazer. O
que interessa é essa relação de confiança olhos-nos-olhos. Se a
população decidir que é inocente, inocente é. É o fim da picada. Já
seria uma coisa estúpida porque esse tipo de comportamento permitiria,
claro!, que muito bandido passasse por inocente. Afinal, quem disse que o
olho revela o criminoso? Mas pode acontecer algo ainda pior: um
inocente que não caia nas graças do povo — ou que caia em desgraça —
também poderia ser considerado culpado sem ser, certo? Corolário da
máxima luliana: ele e seus amigos são sempre inocentes, mesmo quando são
culpados; seus adversários são sempre culpados, mesmo quando são
inocentes.
Lula
também, note-se, está vivendo em outro país; está fora da realidade.
Para espanto dos fatos, afirmou: “Acho engraçado algumas revistas
estrangeiras dizerem que o Brasil não está bem. Em se tratando de
responsabilidade fiscal e de macroeconomia, não tem nenhum país melhor
do que o Brasil. O milagre econômico vai se manter, e o Brasil vai
continuar crescendo”.
Até a
ideia de um “milagre econômico”, o petista copia da ditadura, não
bastasse o ufanismo tosco que o PT passou a incentivar. O país tem uma
das mais altas taxas de juros do mundo e também um dos menores
crescimentos do mundo para países na sua faixa. O déficit nas contas
externas no primeiro trimestre é o maior desde 1970: US$ 25 bilhões. O
déficit projetado no ano é de US$ 80 bilhões, que deve ser o segundo
maior do planeta. Um dos graves problemas do país é justamente a balança
comercial. No ano passado, o resultado negativo do setor industrial
ficou na casa dos US$ 105 bilhões. Não fosse o agronegócio, com um
superávit de mais de US$ 80 bilhões, o país estaria lascado. Segundo
Lula, no entanto, nada há no mundo como o Brasil.
Ufanismo
tosco, megalomania e desapreço pela verdade. Até agora, convenham, ele
tem tudo para achar que essa fórmula dá certo, não é mesmo? Parece, no
entanto, que camadas crescentes da população começam a se dar conta do
engodo.
Texto publicado originalmente às 2h09
sábado, 26 de abril de 2014
Ex-diretor da Petrobras vira réu por desvio na refinaria Abreu e Lima
Paulo Roberto Costa é chamado em denúncia do Ministério Público Federal de comandante de “organização criminosa” que movimentou pelo menos R$ 26 milhões de obra superfaturada
O juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal do Paraná, aceitou denúncia do
Ministério Público Federal contra o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef,
acusados de serem os "comandantes da organização criminosa" que desviou
dinheiro público na construção da refinaria de Abreu e Lima, em
Pernambuco. De acordo com denúncia feita por uma força-tarefa do MPF,
responsável pela investigação do caso ao lado da Polícia Federal, Paulo
Roberto, quando era diretor da Petrobras, assinou contrato superfaturado
com um consórcio liderado pela empreiteira Camargo Correa, que ganhou
cerca de R$ 3,4 bilhões para construir uma unidade da refinaria. Segundo
o TCU, houve superfaturamento de R$ 446 milhões na obra.
>> Novas provas de corrupção na Petrobras
O dinheiro desviado do contrato foi parar, segundo as investigações, em contas controladas pelo doleiro Youssef - e, parte dele, repassado a Paulo Roberto. Paulo Roberto e Youssef agora são réus por lavagem de dinheiro e participacão em organização criminosa. Podem pegar até 18 anos de prisão. O MPF ainda encaminhará à Justiça outras denúncias contra Paulo Roberto e os demais integrantes da organização criminosa. Irão esmiúçar os crimes de corrupção e peculato cometidos nesse contrato. A PF e a força-tarefa do MPF investigam outras 14 empreiteiras que detinham contratos com a área comandada por Paulo Roberto quando era diretor da Petrobras. Há apurações tambem sobre os contratos internacionais de combustível fechados por Paulo Roberto à frente da Petrobras, em que há indícios de pagamentos de propina. As investigações, portanto, estão no início - e as ramificações do esquema ainda são imprevisíveis. Paulo Roberto também é réu, ao lado de quatro familiares, por ter tentado destruir provas quando agentes da PF apreenderiam documentos em seus endereços.
A construção da refinaria Abreu e Lima é um dos casos mais escancarados de desperdício de dinheiro público nas largas reservas de corrupção descobertas na Petrobras. O custo da obra saltou de R$ 2,5 bilhões iniciais para R$ 20 bilhões. Somente no contrato com o consórico CNCC, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou um superfaturamento de R$ 446,2 milhões. Paulo Roberto comandou a área de Abastecimento da Petrobras entre 2004 e 2012, e era o responsável pelos projetos técnicos para a construção de Abreu e Lima, entre outras refinarias. Na denúncia encaminhada à Justiça, o Ministério Público descreve o ex-diretor como o chefe, em parceria com o doleiro Youssef, de uma "organização criminosa". "(Paulo Roberto) Utilizava de seu cargo e, posteriormente, de suas influências para obtenção de contratos fraudados com a Petrobras", afirmou o MP (leia o documento abaixo).
O Consórcio CNCC afirma que “não pode responder por outras empresas e reafirma que jamais teve relações comerciais ou fez repasses de recursos às pessoas e empresas citadas”.
A Sanko-Sider divulgou um comunicado sobre o assunto. “(A empresa) não poderia superfaturar ou subfaturar nada, uma vez que não fez qualquer venda direta à Refinaria de Abreu e Lima. A Sanko-Sider apenas atendeu às empresas privadas que formam os consórcios participantes. Mais uma vez, informamos que todos os contratos da Sanko-Sider foram feitos apenas com empresas privadas, construtoras ou consórcios particulares. A Sanko-Sider não faz vendas diretas à Petrobras, excetuando-se alguns itens para manutenção”, afirma . “Os serviços foram contratados, pagos contra a emissão de notas fiscais, que foram todas devidamente contabilizadas, tributadas e pagas, via sistema bancário, de acordo com a legislação vigente.”
DA REV. EPOCA
sexta-feira, 25 de abril de 2014
‘Boa parte da assessoria de Marina puxa baseado’, diz pré-candidato da Rede
O sociólogo Mateus Prado se autodefine como “um dos educadores mais
influentes do Twitter.” Neste sábado, ele testará sua influência fora da
internet, numa convenção da Rede Sustentabilidade. Irá ao encontro como
um dos pré-candidatos da agremiação de Marina Silva ao governo de São
Paulo. Há três dias, Mateus foi sabatinado por correligionários. Cometeu
inúmeras sinceridades. Uma delas pode ser assistida no vídeo acima.
Instado a dizer o que pensa sobre a maconha, ele evocou um comentário feito por Marina Silva em julho do ano passado. Ao participar de um debate em São Paulo, ela dissera que “pelo menos 70%” da Rede era a favor descriminalização do aborto, da legalização da maconha e da união civil entre pessoas do mesmo sexo.
Mateus afirmou que, em relação à droga, a estimativa de Marina “foi chute”. Pelas suas contas, “mais de 90% da Rede é a favor” da descriminalização da maconha. Até aí, nada de extraordinário. Até o grão-tucano Fernando Henrique Cardoso já atravessou esse Rubicão. A própria Marina, evangélica, defendera na sucessão de 2010 a realização de um plebiscito.
Mas Mateus Prado levou sua franqueza às fronteiras do paroxismo ao revelar que a relação dos auxiliares de Marina com a maconha não é meramente teórica. “Boa parte da assessoria dela puxa um baseado”, ele fez questão de acrescentar, num desafio à serenidade da líder da Rede e ao conservadorismo do eleitorado de São Paulo.
“Isso não tem nada demais, porque não faz mal”, Mateus tentou amenizar. “O uísque faz muito pior do que a maconha. Nós temos que tratar isso como política de Estado de saúde.” Confundiu-se ao dizer que é necessário “tirar a responsabilidade do traficante”. Em verdade, quis dizer que convém aliviar a punião do usuário da droga. Defendeu, de resto, que o Brasil imite Portugal, onde se desenvolve o que chamou de “a melhor política” nessa área.
Beneficiário
da “filiação solidária” que o PSB ofereceu a Marina e aos seus
seguidores depois que o TSE negou registro à Rede, Mateus não soou
grato. “Eu só fui me filiar ao PSB no último dia”, disse. Só rubricou a
ficha depois de ouvir uma ponderação de Fernando Oliveira, membro da
comissão estadual da Rede. “O Fernando teve uma conversa séria comigo.
[...] Ele falou pra mim: ‘A Erundina foi pra lá e ninguém acha que ela
não é séria. É só você fazer as coisas certas.”
A exemplo da maioria da Rede, Mateus avalia que, no momento, há duas “coisas certas” a fazer em São Paulo. A primeira é impedir que o presidente estadual do PSB, deputado Márcio França, empurre o partido para dentro da coligação reeleitoral do governador tucano Geraldo Alckmin. A segunda é bloquear a candidatura do próprio França ao governo paulista.
Mateus disse ter ficado “puto” com uma “brincadeira” que França fez com Walter Feldman, outro pré-candidato da Rede ao Palácio dos Bandeirantes. O mandachuva do PSB estadual dissera que não se opunha à candidatura de Feldman, desde que disputasse a vaga de candidato com ele na convenção do PSB.
“Eu fiquei puto quando ele falou isso pro Feldman”, abespinhou-se Mateus. “Minha vontade é bater no França quando ele fala um negócio desses. Desculpem o temperamento. Não vou bater. Vocês não vão deixar.” Noutro trecho da sabatina, a pretexto de reforçar o desapreço que nutre por França, o orador arrancou aplausos da plateia ao pregar a inversão da chapa presidencial do PSB: Marina na cabeça, Campos na vice.
“Eu odeio Márcio França, não queria ser da chapa dele”, disse Mateus Prado. “Mas eu posso topar ser vice se o Eduardo Campos topar trocar e ser vice da Marina. Eu topo.” Mais adiante, um dos presentes perguntou se o pré-candidato se disporia a liderar um movimento nacional em favor da inversão da chapa. Ao responder, Mateus deu voz à desconfiança que vigora na Rede em relação a Eduardo Campos.
“Eu poderia fazer esse papel também. Mas, se eu estou me propondo a ser candidato a governador para salvar o DNA da Rede, não posso liderar uma coisa que não vai acontecer: a inversão de chapa. Gente, do mesmo jeito que o França é dono aqui, o Eduardo é dono do partido nacionalmente. [...] Não vamos ser inocentes. Não vão deixar a Marina ser candidata.”
Mateus prosseguiu: “Só se o Eduardo for muito elegante, muito inteligente, muito desprendido, coisas que eu não espero dele. O que eu espero dele, minimamente, é que pelo menos parte do programa ele incorpore no governo, não só no discurso.”
Tomado pelo discurso, Mateus Prado seria personagem duro de roer para os amantes de automóvel se um milagre o transformasse em governador de São Paulo. “Nós temos que incentivar a cidade sem carro e ter uma política no Estado de São Paulo bastante agressiva de proibição da utilização do carro.”
Mateus disse que, “se fosse prefeito, proibia a entrada de carro em todo o centro expandido de São Paulo.” Como seu desafio é tornar-se governador, acha que pode “implementar o rodízio estadual.” Para não beneficiar os mais ricos, que têm vários carros, a proibição recairia sobre as pessoas, não sobre as placas dos automóveis. Os motoristas seriam impedidos de dirigir por dois ou três dias na semana. Não é só: o orador defende o fechamento de Congonhas e a inauguração de um novo aeroporto no qual ninguém possa chegar de carro.
Conforme noticiado aqui, Mateus Prado não é o único pré-candidato que a Rede se dispõe a apoiar. Vencida a etapa da escolha do nome, a turma de Marina terá de convencer o PSB a refugar Alckmin e França para abraçar o seu candidato. Para Mateus, esse é um problema que cabe a Eduardo Campos embalar:
“O único jeito de viabilizar a candidatura é pela [direção] nacional, é botar o problema pro Eduardo Campos. O França nunca vai abrir, porque abrir significa perder os 200, 300 cargos dele [na administração Alckmin]”, exagerou o correligionário de Marina. “É o Eduardo Campos quem precisa sofrer esse problema, que nós estamos criando a partir de hoje…”.
DOJDESOUSA
Instado a dizer o que pensa sobre a maconha, ele evocou um comentário feito por Marina Silva em julho do ano passado. Ao participar de um debate em São Paulo, ela dissera que “pelo menos 70%” da Rede era a favor descriminalização do aborto, da legalização da maconha e da união civil entre pessoas do mesmo sexo.
Mateus afirmou que, em relação à droga, a estimativa de Marina “foi chute”. Pelas suas contas, “mais de 90% da Rede é a favor” da descriminalização da maconha. Até aí, nada de extraordinário. Até o grão-tucano Fernando Henrique Cardoso já atravessou esse Rubicão. A própria Marina, evangélica, defendera na sucessão de 2010 a realização de um plebiscito.
Mas Mateus Prado levou sua franqueza às fronteiras do paroxismo ao revelar que a relação dos auxiliares de Marina com a maconha não é meramente teórica. “Boa parte da assessoria dela puxa um baseado”, ele fez questão de acrescentar, num desafio à serenidade da líder da Rede e ao conservadorismo do eleitorado de São Paulo.
“Isso não tem nada demais, porque não faz mal”, Mateus tentou amenizar. “O uísque faz muito pior do que a maconha. Nós temos que tratar isso como política de Estado de saúde.” Confundiu-se ao dizer que é necessário “tirar a responsabilidade do traficante”. Em verdade, quis dizer que convém aliviar a punião do usuário da droga. Defendeu, de resto, que o Brasil imite Portugal, onde se desenvolve o que chamou de “a melhor política” nessa área.
A exemplo da maioria da Rede, Mateus avalia que, no momento, há duas “coisas certas” a fazer em São Paulo. A primeira é impedir que o presidente estadual do PSB, deputado Márcio França, empurre o partido para dentro da coligação reeleitoral do governador tucano Geraldo Alckmin. A segunda é bloquear a candidatura do próprio França ao governo paulista.
Mateus disse ter ficado “puto” com uma “brincadeira” que França fez com Walter Feldman, outro pré-candidato da Rede ao Palácio dos Bandeirantes. O mandachuva do PSB estadual dissera que não se opunha à candidatura de Feldman, desde que disputasse a vaga de candidato com ele na convenção do PSB.
“Eu fiquei puto quando ele falou isso pro Feldman”, abespinhou-se Mateus. “Minha vontade é bater no França quando ele fala um negócio desses. Desculpem o temperamento. Não vou bater. Vocês não vão deixar.” Noutro trecho da sabatina, a pretexto de reforçar o desapreço que nutre por França, o orador arrancou aplausos da plateia ao pregar a inversão da chapa presidencial do PSB: Marina na cabeça, Campos na vice.
“Eu odeio Márcio França, não queria ser da chapa dele”, disse Mateus Prado. “Mas eu posso topar ser vice se o Eduardo Campos topar trocar e ser vice da Marina. Eu topo.” Mais adiante, um dos presentes perguntou se o pré-candidato se disporia a liderar um movimento nacional em favor da inversão da chapa. Ao responder, Mateus deu voz à desconfiança que vigora na Rede em relação a Eduardo Campos.
“Eu poderia fazer esse papel também. Mas, se eu estou me propondo a ser candidato a governador para salvar o DNA da Rede, não posso liderar uma coisa que não vai acontecer: a inversão de chapa. Gente, do mesmo jeito que o França é dono aqui, o Eduardo é dono do partido nacionalmente. [...] Não vamos ser inocentes. Não vão deixar a Marina ser candidata.”
Mateus prosseguiu: “Só se o Eduardo for muito elegante, muito inteligente, muito desprendido, coisas que eu não espero dele. O que eu espero dele, minimamente, é que pelo menos parte do programa ele incorpore no governo, não só no discurso.”
Tomado pelo discurso, Mateus Prado seria personagem duro de roer para os amantes de automóvel se um milagre o transformasse em governador de São Paulo. “Nós temos que incentivar a cidade sem carro e ter uma política no Estado de São Paulo bastante agressiva de proibição da utilização do carro.”
Mateus disse que, “se fosse prefeito, proibia a entrada de carro em todo o centro expandido de São Paulo.” Como seu desafio é tornar-se governador, acha que pode “implementar o rodízio estadual.” Para não beneficiar os mais ricos, que têm vários carros, a proibição recairia sobre as pessoas, não sobre as placas dos automóveis. Os motoristas seriam impedidos de dirigir por dois ou três dias na semana. Não é só: o orador defende o fechamento de Congonhas e a inauguração de um novo aeroporto no qual ninguém possa chegar de carro.
Conforme noticiado aqui, Mateus Prado não é o único pré-candidato que a Rede se dispõe a apoiar. Vencida a etapa da escolha do nome, a turma de Marina terá de convencer o PSB a refugar Alckmin e França para abraçar o seu candidato. Para Mateus, esse é um problema que cabe a Eduardo Campos embalar:
“O único jeito de viabilizar a candidatura é pela [direção] nacional, é botar o problema pro Eduardo Campos. O França nunca vai abrir, porque abrir significa perder os 200, 300 cargos dele [na administração Alckmin]”, exagerou o correligionário de Marina. “É o Eduardo Campos quem precisa sofrer esse problema, que nós estamos criando a partir de hoje…”.
DOJDESOUSA
MPF aciona IBGE para garantir PNAD Contínua
O Ministério Público Federal protocolou,
em Goiás, uma ação civil pública para obrigar o IBGE a manter o
cronograma de realização e divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios (Pnad) Contínua. Signatário da ação, o procurador da
República Ailton Benedito de Souza enxergou motivação política no
adiamento para janeiro de 2015 da divulgação dos dados.
“A decisão de suspensão das divulgações dos resultados da PNAD Contínua teve unicamente a finalidade de impedir que a população tivesse conhecimento da real conjuntura brasileira no que se refere ao nível de desemprego, em contradição com a propaganda do governo federal”, anotou Ailton em sua petição. “A conduta do IBGE caracteriza flagrante desrespeito aos preceitos constitucionais e legais da publicidade, impessoalidade, moralidade e acesso à informação.”
Na propaganda oficial e nos discursos de campanha, trombeteia-se a taxa de desemprego de 5,4%, apurada pelo mesmo IBGE na Pesquisa Mensal de Emprego (PME). O problema é que a Pnad Contínua, pesquisa trimestral planejada por oito e divulgada pela primeira vez em janeiro passado, o índice de desemprego foi maior: 7,1%.
Deve-se a diferença à amplitude da amostra. Na PME, compilam-se os dados recolhidos nas seis maiores regiões metropolitanas do país. A Pnad Contínua abrange 3.500 municípios em todo o território nacional. Quer dizer: trata-se de uma pesquisa mais ampla e, portanto, mais precisa.
O procurador incluiu na ação judicial um pedido de liminar. Pede que seja revertida imediatamente, antes mesmo do julgamento final do processo, a decisão da presidente do IBGE, Wasmália Bivar, de empurrar para depois das eleições a divulgação da pesquisa mais completa. Ela alegou dificuldades técnicas. Faltaria mão de obra para o manuseio dos dados.
Porém, evocando o noticiário, o procurador Ailton Benedito realçou a interferência de senadores governistas no processo. Por exemplo: em 2 de abril, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff, enviou ofício sobre o tema à ministra Miriam Belchior (Planejamento).
No texto, Gleisi declara-se preocupada com uma suposta omissão da Pnad Contínua. Faltaria à pesquisa a aferição da renda domiciliar per capita. O diabo é que essa informação só terá utilidade prática a partir de janeiro de 2016, quando entrará no cálculo da verba que o governo federal é obrigado a distribuir aos Estados. Gleisi quer que a metodologia da Pnad Contínua seja debatida no Congresso.
O Ministério Público pede à Justiça que garanta a divulgação dos dados que o IBGE decidiu sonegar, a começar pela publicação referente ao primeiro trimestre de 2014, que estava marcada para 3 de junho. Pede também que sejam fixadas multas diárias para o caso de descumprimento da ordem judicial: R$ 1 milhão para o IBGE e R$ 100 mil para cada dirigente do órgão.
- Aqui, a íntegra da ação (tem 32 páginas).
DO JDESOUZA
“A decisão de suspensão das divulgações dos resultados da PNAD Contínua teve unicamente a finalidade de impedir que a população tivesse conhecimento da real conjuntura brasileira no que se refere ao nível de desemprego, em contradição com a propaganda do governo federal”, anotou Ailton em sua petição. “A conduta do IBGE caracteriza flagrante desrespeito aos preceitos constitucionais e legais da publicidade, impessoalidade, moralidade e acesso à informação.”
Na propaganda oficial e nos discursos de campanha, trombeteia-se a taxa de desemprego de 5,4%, apurada pelo mesmo IBGE na Pesquisa Mensal de Emprego (PME). O problema é que a Pnad Contínua, pesquisa trimestral planejada por oito e divulgada pela primeira vez em janeiro passado, o índice de desemprego foi maior: 7,1%.
Deve-se a diferença à amplitude da amostra. Na PME, compilam-se os dados recolhidos nas seis maiores regiões metropolitanas do país. A Pnad Contínua abrange 3.500 municípios em todo o território nacional. Quer dizer: trata-se de uma pesquisa mais ampla e, portanto, mais precisa.
O procurador incluiu na ação judicial um pedido de liminar. Pede que seja revertida imediatamente, antes mesmo do julgamento final do processo, a decisão da presidente do IBGE, Wasmália Bivar, de empurrar para depois das eleições a divulgação da pesquisa mais completa. Ela alegou dificuldades técnicas. Faltaria mão de obra para o manuseio dos dados.
Porém, evocando o noticiário, o procurador Ailton Benedito realçou a interferência de senadores governistas no processo. Por exemplo: em 2 de abril, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff, enviou ofício sobre o tema à ministra Miriam Belchior (Planejamento).
No texto, Gleisi declara-se preocupada com uma suposta omissão da Pnad Contínua. Faltaria à pesquisa a aferição da renda domiciliar per capita. O diabo é que essa informação só terá utilidade prática a partir de janeiro de 2016, quando entrará no cálculo da verba que o governo federal é obrigado a distribuir aos Estados. Gleisi quer que a metodologia da Pnad Contínua seja debatida no Congresso.
O Ministério Público pede à Justiça que garanta a divulgação dos dados que o IBGE decidiu sonegar, a começar pela publicação referente ao primeiro trimestre de 2014, que estava marcada para 3 de junho. Pede também que sejam fixadas multas diárias para o caso de descumprimento da ordem judicial: R$ 1 milhão para o IBGE e R$ 100 mil para cada dirigente do órgão.
- Aqui, a íntegra da ação (tem 32 páginas).
DO JDESOUZA
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