PAZ AMOR E VIDA NA TERRA
" De tanto ver triunfar as nulidades,
De tanto ver crescer as injustiças,
De tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus, o homem chega
a desanimar-se da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto".
[Ruy Barbosa]
O
Ministério Público Federal em Curitiba preparava a denúncia contra o
ex-presidente Luiz Inácio Lula a Silva e pediria sua prisão preventiva.
Ambos os pedidos estavam sendo ultimados para ser apresentados ao juiz
Sergio Moro nesta quinta-feira — antes da primeira previsão de posse de
Lula na Casa Civil, que deveria ser na próxima terça-feira.
Lula quando foi depor na PF: desta vez seria prisão
A
fundamentação do pedido de preventiva seriam as tentativas de obstrução
da Justiça evidenciadas pelos grampos com autorização judicial — os
anteriores à conversa com Lula, que só foi flagrada na reta final da
interceptação telefônica Assim
como fora informado previamente de que haveria mandado de busca e
apreensão em sua casa e nas dos filhos e assessores, Lula foi informado
previamente da movimentação da força-tarefa. O
vazamento de que a prisão estava sendo preparada levou à conversa entre
Lula e Dilma interceptada pela Polícia Federal. Por isso também a
pressa da presidente para enviar ao novo “assessor”, já no aeroporto, o
termo de posse antecipadamente, caso fosse “necessário”. Por isso também foram antecipadas a publicação da nomeação de Lula e a data de sua posse. 17/03/2016 às 1:31
– Dilma Rousseff agiu para evitar prisão de Lula. E Lula aceitou. Grampos
comprovam. Ela tem de renunciar imediatamente. Ela mentiu horas antes
sobre os propósitos da nomeação. Nixon caiu por muito menos!
Dilma descumpriu todos os deveres – OPOSIÇÃO GRITA NO PLENÁRIO: “RENÚNCIA! RENÚNCIA! RENÚNCIA! RENÚNCIA! RENÚNCIA! RENÚNCIA! RENÚNCIA! RENÚNCIA!” – Cardozo já fala que Dilma não queria obstruir nada, imagina… era só um termo de posse, sabe? Aham, Cardozo, senta lá.
O termo de posse de Lula
–
Governo já fala em “estado policial”. Patético. O nome é Estado
Democrático de Direito, onde a polícia atua contra organizações
criminosas. – Governo publicou nomeação de Lula como ministro! É
golpe! O STF tem obrigação de recusar o foro privilegiado! Correram
para salvar o Lula pego no grampo! – Dilma colocou no governo um ministro que quer melar a Lava Jato. E ela dizia não intervir em investigações. Tem de cair!
– Acredite: versão do governo é que Dilma enviou termo de posse a Lula porque ele poderia faltar a própria posse. Sério. Não é piada. No duro. –
VEJA: Rodrigo Janot “já está decidido a pedir abertura de inquérito
contra a presidente Dilma Rousseff por obstrução de investigação
judicial”. Boa, Janot! Não se misture a essa gentalha! – Lula
reclamou de Janot em grampo: “Essa é a gratidão do PGR por ter sido
nomeado procurador.” Lula quer que atropelem leis para salvá-lo por
gratidão. – Lula sobre a formalidade de Janot apontada pelo
interlocutor Sigmaringa Seixas: “Esse cara se fosse formal não seria
procurador-geral da República, teria tomado no cu, teria ficado em
terceiro lugar. Quando eles precisam não têm formalidade, quando a gente
precisa é cheio de formalidade.” Traduzindo: mimimimimimi. –
Gravação tinha autorização judicial, PT! Não adianta falar em
ilegalidade, advogado! Lula é investigado. Investigados são passíveis de
grampo. Dilma caiu no grampo do Lula! #Chora! – Delcídio tem de ir à forra: quem era mesmo o “imbecil”, Lula? –
Lula em grampo: “Nós temos uma Suprema Corte totalmente acorvadada. Um
STJ totalmente acovardado. Um Parlamento totalmente acovardado.”
Verdade! Nenhum deles condenou Lula ainda! – Lula: “Somente nos
últimos tempos é que o PT e o PCdoB começaram a acordar e começaram a
brigar. Sabe?” Sei. Brigam contra a lei! – Lula: “Nós temos um
presidente da Câmara fudido, um presidente do Senado fudido, não sei
quantos parlamentares ameaçados.” E Lula quer que reajam contra a
polícia? É o cúmulo! – Lula confessa: “Eu sinceramente estou assustado com a República de Curitiba”. Que bom! É a República da Lei, Brahma!#Chora! –
Lava Jato sobre um dos grampos: Lula (LILS) “diz que vai ficar
escondido no domingo porque vai ter um monte de ‘peão’ na porta de casa
para bater nos coxinhas. LILS diz que se os coxinhas aparecerem vão
tomar tanta porrada que nem sabem o que vai acontecer”. O Lulinha Paz e
Amor nunca existiu.
–
Em grampo, Lula cobra que Eugênio Aragão, nomeado ministro da Justiça,
“seja homem”, tenha “pulso forte” e prove que é amigo. Foi nomeado para
controlar a PF e obstruir a Justiça. – Lula pede a ministro da
Fazenda, Nelson Barbosa, que pressione os responsáveis por investigação
da Receita Federal contra Instituto Lula: “Porque era preciso você
chamar o responsável e falar ‘que porra que é essa?'”. Essa p****, Lula,
é o cumprimento do dever institucional! – Lula diz a Rui Falcão
esperar para “segunda-feira” uma operação de busca e apreensão em sua
casa. Quem é o informante de Lula? – Diante do vazamento da operação, a PF antecipou a Aletheia para sexta-feira e surpreendeu Lula. A Lava Jato é épica. –
Jaques Wagner também caiu em grampo com Lula e foi flagrado chamando
até o presidente da OAB de “filho da puta”. A OAB havia publicado nota
contra a legalidade da nomeação de Aragão. É assim que petista trata uma
voz discordante. – Lula manda Jaques Wagner pedir a Dilma que
pressione ministra do STF Rosa Weber para beneficiá-lo em recurso contra
investigações da Lava Jato e do MP-SP. Lula usa Dilma para intervir no
STF. Cadê o camburão? – Lula: “Falar com ela já que ela tá aí
para falar o negócio da Rosa Weber. Se homem não tem c*, quem sabe uma
mulher corajosa possa fazer o que os homens não fazem.” Coragem, para
Lula, é ir contra a lei para salvá-lo. – Rosa Weber, após
desempenho patético na sessão do impeachment (que comentei no Twitter e
nem tive tempo de passar para o blog tamanha a ‘bomba’ que veio),
mereceu sair sabendo que foi citada em grampo como ministra
influenciável. – Marco Aurélio Mello, pai de desembargadora
nomeada por Dilma, havia dito que via a nomeação de Lula como tentativa
de combater a crise. Aí vem grampo de Lula e Dilma e desmascara o
ministro do STF. – O STF manteve o golpe. A Lava Jato manteve o país. –
Eduardo Cunha disse que comissão do impeachment será instalada nesta
quinta-feira. O supremo golpe pode ter saído pela culatra. Agora é
impeachment no calor do grampo. Coisa linda! – Oposição ficou de
aditar conteúdo dos grampos às ações populares protocoladas contra a
nomeação de Lula como ministro por desvio de finalidade. Desvio mais
provado do que nunca. – Oposição também estuda convocar Lula
para uma comissão geral na Câmara e garantiu a obstrução total da pauta
do Congresso até que haja andamento do processo de impeachment. –
Afonso Florence, do PT, disse que “foro privilegiado nunca foi nem será
obstáculo de investigações” e que Lula virou ministro “exclusivamente”
para ajudar o país a sair da crise. Aí vem grampo e… – Povo de
Brasília se junta à multidão na frente do Palácio. Povo também protesta
na Av. Paulista! Aqui no Rio houve panelaço, buzinaço e gritos das
janelas: “ladrão!”, “cadeia!”, “traidor!”, “covarde!”. Copacabana foi
pra rua gritar “Renuncia”! A hora é essa! Fora, organização criminosa! –
Eles mentiram, mentem e continuarão mentindo. As vozes deles próprios –
Delcídio, Mercadante, Lula, Dilma – comprovam em gravações. Chega,
Brasil! – Eduardo Paes também caiu no grampo, bajulando Lula
(para vergonha do Rio de Janeiro), prometendo-lhe apoio, e maldizendo
Dilma e o governador Luiz Fernando Pezão. Não tem preço. – Paes:
“Aqui o senhor [Lula] tem um soldado. (…) Eu sempre tenho que falar uma
coisa pro senhor: a minha vida começou com Lula e Cabral. Terminou com
Dilma e Pezão. Puta que me pariu!” Pois é. Até quem defende Dilma em
público a maldiz em privado. – Paes de novo: “Mas, Presidente,
se tiver Olimpíadas com Vossa Excelência e com Sérgio Cabral é uma
coisa. Segurar com aquele bom humor da Dilma e do Pezão, sabe…”. Calma,
Paes. Dilma pode não resistir até a Olimpíada. – Lula responde:
“Mas o teu bom humor e a tua competência superam isso, querido.” Paes
resmunga: “Foda.” Palavra certa, Paes. Defende Dilma contra o
impeachment, mas é isso que ela fez com o país. – Paes: “Agora,
da próxima vez o senhor [Lula] me para com essa vida de pobre, com essa
tua alma de pobre comprando ‘esses barcos de merda’, ‘sitiozinho
vagabundo’, puta que me pariu!” Os supostos crimes de Lula são motivos
de piada para Paes, até que a “alma de pobre” do Lula seja levada à
cadeia. – Paes: “imagina se fosse aqui no Rio esse sítio dele,
não é em Petrópolis, não é em Itaipava. É como se fosse em Maricá. É uma
merda de lugar porra!” Atibaia, na verdade, é um lugar discreto para um
sítio reformado por empreiteiras, Paes.
– Sem ele, a ‘zuera’ não seria completa. Com vocês, o engenheiro dinamarquês Valdemar Poulsen, inventor do gravador. Palmas para este homem. 16/03/2016 DO R.DEMOCRATICA
A explosiva delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS)
atingiu, também de forma devastadora, mais um importante alvo: a
binacional Itaipu ao tempo em que a senadora Gleisi Helena Hoffmann era diretora financeira (2003-2006) usina hidrelétrica.
A Itaipu é considerada um buraco negro por onde transitam bilhões de
dólares, sem que os órgãos de controle, como tribunais de contas e
controladorias, têm pouca eficácia, devido ao seu caráter binacional –
trata-se de empresa formada por associação entre o Brasil e o Paraguai.
Em seu acordo de delação, Delcídio citou Gleisi e a Itaipu,
entregando o “mapa da mina”. No documento que traz a integra do
depoimento, merece destaque o trecho em que o delator afirma que “se
deve dar atenção especial para o período em que Gleisi foi diretora
financeira de Itaipu, quando vários ‘claims’ [negócios envolvendo obras]
de obras passaram pelas suas mãos. O mesmo vale para as concessões do
Porto de Santos quando a mesma, como chefe da Casa Civil teve atuação
decisiva na definição das áreas leiloadas. Ressalte-se que o operador de
Gleisi sempre foi o seu marido Paulo Bernardo, sendo que na visão do
depoente, e um dos melhores captadores de recursos do PT”.
Apesar de toda a proteção que a Itaipu goza devido ao seu estatuto, a
passagem de Gleisi pela empresa ficou marcado por um escândalo. Quando
decidiu ser candidata ao Senado, em 2006, Gleisi conseguiu ser
“demitida” pelo diretor geral da hidrelétrica, o também petista Jorge
Samek. A manobra rendeu à senadora a bagatela de R$ 145 mil.
Em 29 de março de 2006, Gleisi foi “exonerada” do cargo da diretoria
financeira de Itaipu Binacional, mas deixou o cargo quando bem entendeu:
a “companheira” saiu candidata ao Senado naquele ano, mas não foi
eleita.
Por meio de um acordo com o comando de Itaipu, Gleisi trocou a
“exoneração a pedido”, o que de fato ocorreu, pela “exoneração”, ou
seja, demissão. Com isso, recebeu, além de férias proporcionais, entre
outros, os 40% de indenização sobre o saldo do Fundo de Garantia por
Tempo de Serviço (FGTS), além de poder sacar o próprio FGTS.
Delcídio também afundou Gleisi, ainda mais, na Operação Pixuleco II,
18ª fase da Operação Lava-Jato, que investiga fraudes a partir de
empréstimos consignados no Ministério do Planejamento.
De acordo com o senador-delator, o “Fundo Consist”, era quem
financiava despesas do mandato da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). A
empresa teria atuado no desvio de recursos de empréstimos consignados
quando a pasta do Planejamento era comandada pelo marido da senadora, o
entao ministro Paulo Bernardo da Silva.
“Que é de notório conhecimento sua relação com a empresa Consist,
sendo que a empresa acompanha o casal Bernardo e Gleisi desde a época em
que foram secretários do então governador do MS, Zeca do PT. Que a
Consist, sempre atuou como braço financeiro dos mesmos, e como
mantenedora das despesas do mandato da senadora Gleisi, nos últimos
anos. Que existem provas incontestáveis sobre isso”, afirmou o delator
aos investigadores.
“Ainda, cabe destacar que Gleisi tinha estreito relacionamento com
outros petistas, como José Guimarães (PT-CE), líder do governo na
Câmara, e Carlos Gabas, ex-ministro da Previdência”.
Gleisi já é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal que
investiga sua participação no esquema de corrupção da Petrobras, o
Petrolão, mas a senadora nega envolvimento.
A ex-chefe da Casa Civil é também investigada pelo Supremo por conta
das suspeitas em relação à Consist, mas o caso está com o ministro Dias
Toffoli porque os ministros da Corte entenderam que o imbróglio não tem
conexão com a Lava-Jato.
De acordo com os investigadores, “parte expressiva da remuneração da
Consist, cerca de 9,6% do faturamento líquido foi utilizada para
pagamentos associados à senadora Gleisi Hoffmann”.
Entre as despesas pagas com esses recursos estariam um débito de R$
1.344,51, a título de pagamento de multa relacionada ao nome da própria
senadora, e débitos relacionados a Zeno Minuzzo e Hernany Bruno
Mascarenhas, pessoas ligadas à petista, segundo a autoridade policial.
Em um dos lançamentos de débito junto ao nome de Hernany consta a
anotação “salário motorista – cheque 828”, enquanto no outro, “Diversos
PT, PB, Gleisi”.
Para a Polícia Federal, Mascarenhas prestaria serviços de motorista à
senadora, enquanto Zeno Minuzzo teria sido secretário de finanças do
Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores.
Na tentativa de acobertar os repasses, o escritório teria prestado
alguns poucos serviços à Consist, mas aparentemente incompatíveis com a
remuneração de cerca de R$ 7 milhões.
A conversão de Lula em superchefe
da Casa Civil de uma Presidência em franco encolhimento, aplica na
conjuntura política do país um redutor. Tudo fica menor a partir do
instante em que, incapaz de elevar a própria estatura, Dilma rebaixa o
teto de sua autoridade por meio de um autogolpe.
Em
condições normais, os suspeitos costumam ser expurgados dos governos.
Sob a anormalidade que passou a reger sua ex-gestão, Dilma rebaixa todos
os padrões éticos. Lula chega ao quarto andar do Planalto arrastando as
correntes dos processos em que é investigado por corrupção, tráfico de
influência, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
Os
ministros do STF frequentemente acham que estão sentados à direita de
Deus. Ao fugir da caneta de Sérgio Moro para refugiar-se atrás do biombo
celestial do foro privilegiado —agora convertido em 'desaforo
privilegiado'— Lula trata o Supremo como uma espécie de Casa da Mãe
Joana de toga, reduzindo-o ao patamar de tribunal de quinta instância.
Considerando-se
o conjunto da coreografia, o Brasil, com sua presidente autoconvertida
em ex-presidente ainda no exercício da Presidência, virou uma
sub-República de Bananas. É o primeiro país do planeta a ser presidido
por uma piada.
O ex-presidente Lula - 22/06/2015 (Miguel Schincariol/Getty Images)
Depois
de dias de negociação, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
decidiu nesta quarta-feira assumir o Ministério da Casa Civil do governo
Dilma Rousseff. O martelo sobre a questão foi batido durante café da manhã no Palácio do Planalto. A informação foi confirmada por parlamentares petistas pouco após a reunião, na Câmara dos Deputados. O líder do PT na Casa, Afonso Florence (BA), afirmou que a nomeação não reduzirá o poder da presidente Dilma Rousseff.
O Palácio do Planalto ainda não se pronunciou oficialmente sobre a troca ministerial.16/03/2016
Lula será o presidente de fato e Dilma será a presidente de direito, e isso se chama golpe de Estado
Roberto classificou qualificou a
indicação de Lula como “golpe de estado” […] usurpação de autoridade. É
um golpe palaciano”, disse o cientista.
Ele explicou que o golpe se configura
porque se retira o poder de fato da autoridade investida pelo povo e
transfere o poder (indiretamente)para outra pessoa.
O PT age como se o jogo acontecesse
exclusivamente dentro do palácio e não considera fatores externos
decisivos, como a manifestações a favor do impeachment de Dilma.
“A nomeação de Lula é um ataque virulento aos juízes de primeira instância de todo o país” finalizou o professor. DO DIARIODOBRASIL
Senador afastado do PT disse em seus
depoimentos que Dilma buscou aparelhar o Judiciário pela liberdade de
empreiteiros presos pela Operação Lava Jato
Por: Reinaldo Azevedo
Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O ministro Teori Zavascki, relator dos
processos do petrolão no Supremo Tribunal Federal (STF), homologou o
acordo de delação premiada do ex-líder do governo no Senado Delcídio do
Amaral (afastado do PT-MS). Entre as revelações feitas pelo senador nos
depoimentos de colaboração com a justiça estão a de que a presidente
Dilma Rousseff teria aparelhado o Poder Judiciário, com a nomeação do
ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas para o Superior Tribunal de
Justiça (STJ), para libertar empreiteiros enrolados no petrolão, e a de
que a petista tinha completo conhecimento da inviabilidade e teria feito
ingerência para a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.
Ao homologar a delação, Zavascki atesta a
validade dos depoimentos e confirma que o senador prestou informações
espontaneamente às autoridades, sem coação de qualquer natureza. Com a
confirmação pelo STF, deve ser suspenso o sigilo dos depoimentos feitos
pelo parlamentar.
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O atestado da legalidade da delação do
senador ocorre às vésperas de o STF julgar recursos sobre o rito de
impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. O levantamento do sigilo
dos depoimentos prestados por Delcídio do Amaral deve ampliar a pressão
política contra a petista e contra senadores citados pelo congressista,
entre eles o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
A homologação do acordo de colaboração
com a Justiça acontece também em meio às articulações para que o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se torne ministro no governo
Dilma e, com isso, adquira foro privilegiado e consiga remeter o
processo que o investiga na Operação Lava Jato para o Supremo. Nos
depoimentos que prestou no início do ano, o ex-líder do governo no
Senado implicou Lula ao afirmar que ele tinha pleno conhecimento do
propinoduto instalado na Petrobras e de que atuou diretamente como o
mandante do pagamento de dinheiro para calar testemunhas. Não é a
primeira vez que o ex-presidente é citado como o articulador para o
silêncio de pessoas que poderiam o implicar. Delcídio também revelou que
Lula e o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil, Antonio Palocci,
atuaram em 2006 para pagar o operador do mensalão, o notório Marcos
Valério, em troca do silêncio dele sobre o esquema de pagamento a
parlamentares para a formação da base governista no primeiro mandato do
PT no Palácio do Planalto.
Otávio
Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, acusou Ricardo Berzoini,
ministro da coordenação política, de negociar propina em obras federais.
E disse que Edinho Silva, da Comunicação Social, pediu dinheiro para a
campanha de 2014 e foi informado sobre “doações” oriundas do petrolão
O DELATOR - O ex-presidente da empreiteira contou que o esquema de cobrança de “comissões” começou no governo Lula (Vagner Rosario/VEJA)
Das
grandes empreiteiras envolvidas no escândalo de corrupção na Petrobras,
a Andrade Gutierrez foi a primeira a decidir contar seus segredos.
Durante quase uma década, Otávio Azevedo presidiu o que é hoje um vasto
conglomerado, expandiu seus negócios para a área de energia, saneamento,
transportes e tecnologia, e passou a atuar em quatro continentes -
crescimento combinado com as boas relações que sempre manteve com o
poder, especialmente a partir de 2003, quando Lula chegou ao governo.
Preso e acusado de pagar propina a políticos envolvidos no escândalo do
petrolão, Otávio Azevedo assinou um acordo de delação premiada com a
Justiça. Em troca da liberdade, comprometeu-se a contar detalhes da
relação simbiótica que, por mais de uma década, transformou políticos em
corruptos e empresários em corruptores. As revelações do executivo
fornecem evidências que não deixam dúvidas sobre a natureza dos governos
de Lula e Dilma Rousseff. Ambos tinham na corrupção um pilar de
sustentação. Em
sua confissão, Otávio Azevedo contou que pagar propina por obras no
governo petista era regra em qualquer setor - e não uma anomalia apenas
da Petrobras. Nos depoimentos prestados pelo empreiteiro aos
investigadores da Procuradoria-Geral da República são descritas
transações associadas ao nome de alguns dos políticos mais influentes do
país. Combinados a um calhamaço de demonstrativos bancários, minutas de
contratos e registros de reuniões secretas, os relatos produzem um
acervo sobre o grau de contaminação dos governos petistas. Estão
envolvidos ministros, ex-ministros, ex-governadores e parlamentares de
múltiplos quilates. Eles negociaram pagamentos milionários de propina
com a empreiteira e, com isso, vilipendiaram o mais sagrado dos rituais
em uma democracia: o processo eleitoral. A lista de Otávio Azevedo deixa
em péssima luz tanto o ex-presidente Lula quanto a presidente Dilma
Rousseff. Todos os comprometidos nas maquinações narradas pelo
empreiteiro são figuras presentes na intimidade do ex e da atual
mandatária do Planalto. No
governo Lula, segundo ele, cobrava-se propina de 1% a 5% das
empreiteiras interessadas em participar dos consórcios que executavam as
obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O negociador do
pacote de corrupção, de acordo com o empreiteiro, era Ricardo Berzoini,
atual ministro da coordenação política. O executivo contou que, certa
vez, a cúpula da Andrade Gutierrez foi procurada por Berzoini, que se
apresentou como representante do PT para resolver pendengas financeiras.
Em outras palavras, o petista era o encarregado de acertar o
recebimento de "comissões" por contratos no governo. O ministro, durante
bom tempo, foi responsável pela administração da "conta corrente" das
obras de Angra 3 e da hidrelétrica de Belo Monte. O
setor elétrico, como a Lava-Jato já descobriu, era um dos grandes
vertedores de dinheiro sujo para os cofres do PT. As empreiteiras eram
achacadas em todas as fases, e por personagens distintos. Berzoini
cobrava depois de assinados os contratos. Antes disso, ainda na fase de
estudos, apareciam outros figurões do partido para "ajudar" nas
negociações. Segundo o empreiteiro, Erenice Guerra, ex-chefe da Casa
Civil de Lula e braço-direito de Dilma, e Antonio Palocci, ex-chefe da
Casa Civil de Dilma e braço-direito de Lula, auxiliavam as empreiteiras
na formação dos consórcios que mais tarde executariam as obras. Cobravam
1% de propina pelo serviço. Só depois disso os projetos destravavam, os
preços ficavam dentro do que as empreiteiras queriam e todos, exceto os
contribuintes, saíam ganhando. Em
janeiro passado, VEJA revelou que Otávio Azevedo havia sido alvo de uma
abordagem nada republicana durante a campanha presidencial de 2014. O
executivo contou que foi procurado pelo tesoureiro Edinho Silva, hoje
ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da
República, e por Giles Azevedo, ex-chefe de gabinete e atual assessor
especial de Dilma. Os dois queriam dinheiro, mais dinheiro, 100 milhões a
mais do que a quantia que a empreiteira havia combinado "doar" à
campanha. Da negociação, sabe-se agora, surge uma evidência mais grave.
Para explicar que não podia atender ao pedido, Azevedo explicou que os
"acertos" da Petrobras já haviam sido repassados. O tesoureiro e o
assessor disseram que isso era outra coisa. Ou seja, Edinho e Giles, ao
menos naquele instante, foram informados sobre a existência de repasses
oriundos do petrolão. Não se surpreenderam ou não se interessaram. Como a
pressão continuou, a Andrade "doou" mais 10 milhões à campanha petista.
A
roubalheira não poupou as obras dos estádios para a Copa de 2014. Em
sua lista, Azevedo incluiu como beneficiários de propinas cinco
ex-governadores de estados que sediaram o Mundial. Todos embolsaram
"comissões" para favorecer a empreiteira na construção das arenas e na
realização de outras obras relacionadas à Copa. Otávio Azevedo admite o
pagamento de propina aos ex-governadores do Distrito Federal José
Roberto Arruda (então no DEM) e Agnelo Queiroz (PT), responsáveis pelas
obras do Estádio Nacional Mané Garrincha, um monumento ao
superfaturamento que custou quase 2 bilhões de reais. Ele também disse
ter pago propina a Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, a
Eduardo Braga (PMDB), ex-governador do Amazonas e atual ministro de
Minas e Energia, e a Omar Aziz (PSD), hoje senador. Otávio Azevedo foi
transferido para prisão domiciliar após entregar a lista de seus
"clientes" famosos. A empreiteira também aceitou pagar uma multa de 1
bilhão de reais. Criticados
no início da Lava-Jato, os acordos de delação foram, sem dúvida,
fundamentais para o sucesso das investigações. Através deles,
quebraram-se pactos de silêncio, localizaram-se contas secretas no
exterior, figurões e figurinhas foram parar na cadeia. Em busca da
liberdade ou da redução da pena, outros envolvidos entraram na fila para
contar o que sabem. Na semana passada, advogados da Odebrecht e da OAS
estiveram em Curitiba conversando com o Ministério Público sobre a
possibilidade de seus clientes serem admitidos no programa. Marcelo
Odebrecht está condenado a dezenove anos e quatro meses de prisão. Léo
Pinheiro, ex-presidente da OAS, a dezesseis anos e quatro meses. Além
deles, buscam o acordo o marqueteiro João Santana, que recebeu dinheiro
sujo como pagamento de serviços eleitorais a campanhas do PT, o
pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula e envolvido até o pescoço
no petrolão, e o senador petista Delcídio do Amaral. Não
será uma negociação fácil: o esquema de corrupção na Petrobras está
praticamente todo desvendado. Falta apenas confirmar quem era o chefe, o
mandante. Ou seja, os benefícios serão concedidos a quem ajudar os
procuradores a chegar lá. Todos os investigados têm informações que
podem levar ao topo da cadeia de comando. A dúvida é saber quem vai
tomar a iniciativa de falar primeiro. O senador Delcídio está na frente.
Preso em novembro do ano passado por atrapalhar as investigações, ele
revelou que tanto Dilma quanto Lula sabiam e se beneficiaram do
petrolão. O petista narrou detalhes de negócios fraudulentos realizados
pelo PT na China e em Angola, também citando os ex-ministros Antonio
Palocci e Erenice Guerra. Elencou, ainda, dezenas de políticos que
receberam dinheiro de corrupção - incluindo, de novo, o presidente do
Congresso, Renan Calheiros, e os peemedebistas Romero Jucá, Jader
Barbalho e Eunício Oliveira - e até um representante da oposição, no
caso, o senador tucano Aécio Neves. Por fim, acrescentou uma nova
história de extorsão ao currículo do ministro Edinho Silva. O então
tesoureiro de Dilma, de acordo com o senador petista, repetiu os métodos
denunciados pela Andrade para arrancar dinheiro do laboratório EMS na
campanha presidencial. Se tudo for verdade, faltará mesmo muito pouco
para ser contado.
Juíza manda denúncia e pedido de prisão de Lula para Moro Juíza
Maria Priscilla Ernandes alegou que indícios de ocultação de patrimônio
e lavagem de dinheiro apontados pelo MP-SP têm relação direta com os
temas investigados pela Lava Jato e, por isso, passou o caso a Moro
Por Felipe Frazão e Laryssa Borges, de Brasília Veja.com
Sergio Moro durante evento realizado pela revista "The Economist" no Hotel Grand Hyatt em São Paulo (Vanessa Carvalho/Folhapress)
A
Justiça de São Paulo encaminhou para as mãos do juiz Sergio Moro, da
13ª Vara Federal em Curitiba (PR), a denúncia e o pedido de prisão
preventiva feitos pelo Ministério Público de São Paulo contra o
ex-presidente Lula. A Justiça paulista decidiu que o caso do tríplex em
Guarujá (SP) já era alvo da Operação Lava Jato e que os crimes
investigados são de esfera federal. A decisão da 4ª Vara Criminal da
Capital foi divulgada nesta segunda-feira pelo Tribunal de Justiça do
Estado. A
juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira declinou da competência
para atuar no processo e decidiu levantar o sigilo do caso. Em sua
decisão, ela escreveu que, conforme Moro, os favores indevidos recebidos
pelo ex-presidente têm relação com as empreiteiras investigadas na Lava
Jato. Ela citou despacho em que o juiz federal fala em "fundada
suspeita de que o ex-presidente teria recebido benefícios materiais, de
forma sub-reptícia, de empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato,
especificamente em reformas e benfeitorias de imóveis de sua
propriedade". A
referência de Moro a "suspeitas de que o ex-presidente seria o real
proprietário de dois imóveis em nome de pessoas interpostas", como o
tríplex no Edifício Solaris, no Guarujá, e o sítio Santa Bárbara, em
Atibaia, também foi destacada pela juíza como um dos motivos pelos quais
o caso deve tramitar na 13ª Vara Federal de Curitiba, onde está
centralizada a maior parte dos processos relacionados à Lava Jato. "Têm-se
que nos processos da Operação Lava Jato são investigadas tanto a cessão
do tríplex no Guarujá ao ex-presidente e sua família, bem como as
reformas em tal imóvel, (...) e ainda a mesma situação com o notório
Sítio na Comarca de Atibaia, ambos no Estado de São Paulo, após
minucioso trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público Federal",
afirma a juíza, que conclui que "é inegável a vinculação entre todos
esses casos da Operação Lava Jato". "O
pretendido nestes autos, no que tange às acusações de prática de
delitos chamados de 'lavagem de dinheiro', é trazer para o âmbito
estadual algo que já é objeto de apuração e processamento pelo Juízo da
13ª Vara Federal de Curitiba/PR e pelo MPF, pelo que é inegável a
conexão, com interesse probatório entre ambas as demandas, havendo
vínculo dos delitos por sua estreita relação", decidiu a juíza. Supremo -
O ex-presidente Lula havia recorrido diversas vezes ao Supremo Tribunal
Federal (STF) alegando ser alvo de duas apurações simultâneas, do
Ministério Público de São Paulo e do Ministério Público Federal, sobre
os mesmos fatos. Isso, segundo a defesa do petista, seria uma afronta à
lei porque, no limite, ele estaria sujeito a ser penalizado duas vezes
por um mesmo fato. Mas ao contrário do que entendeu a juíza Maria
Priscilla Veiga Oliveira, os advogados de Lula argumentavam que ele não
deveria ser investigado na Lava Jato, e sim em São Paulo porque é lá que
está localizado o imóvel que o Ministério Público estadual considera
alvo de suspeitas - o tríplex no Guarujá. Em
manifestação entregue ao STF, o coordenador da força-tarefa da Lava
Jato Deltan Dallagnol defendeu a ideia de que não há conflito de
competência nas investigações envolvendo o petista porque o MP em São
Paulo e a força-tarefa da Lava Jato estariam lidando com casos
diferentes. Os indícios, segundo Dallagnol, são de lavagem de dinheiro
com participação do pecuarista José Carlos Bumlai, executivos da
construtora Odebrecht e da OAS.14/03/2016
Delcídio Amaral, senador sul-mato-grossense que foi líder do governo Dilma no Senado Federal, entregou de bandeja a senadora Gleisi Helena Hoffmann
(PT-PR) em sua delação premiada, que continua estremecendo os pilares
da república petralha. Gleisi, conhecida no Paraná como “Joana D’Arc das
Araucárias”, é a rainha do “pixuleco”.
O senador-delator disse, de acordo com a revista IstoÉ, “que a
empresa Consist sempre atuou como braço financeiro dela [Gleisi
Hoffmann] e do marido, [o ex-ministro do Planejamento e das
Comunicações] Paulo Bernardo, como mantenedora das despesas do mandato
da senadora nos últimos anos”.
O depoimento bombástico de Delcídio Amaral confirma outra delação
premiada, já homologada pelo Supremo Tribunal Federal, que jogou no colo
de Gleisi Hoffmann a Operação Pixuleco II, 18ª fase da Operação
Lava-Jato. Trata-se da delação do ex-vereador petista Alexandre Romano, o
Chambinho.
A Pixuleco II investiga um esquema criminoso de desvio de recursos a
partir de empréstimos consignados que tornou-se possível com a
cumplicidade do Ministério do Planejamento no tempo em que a pasta era
comandada pelo marido de Gleisi. O esquema rendeu pelo menos R$ 53
milhões à empresa Consist, que operava os empréstimos. Cerca de R$ 8
milhões do valor total acabaram na conta do advogado de Gleisi, o
petista curitibano Guilherme Gonçalves, que passou a bancar as despesas
pessoais da senadora, inclusive o salário do seu motorista.
Na delação premiada de Chambinho, homologada recentemente pela
Justiça, há detalhes de transações escusas. Aos investigadores,
Chambinho disse, por exemplo, como o dinheiro de origem ilícita irrigou o
caixa dois da campanha da senadora e ex-ministra Gleisi Hoffmann
(PT-PR). Parte do dinheiro saiu de um contrato milionário firmado nos
Correios – estatal vinculada ao Ministério das Comunicações, comandado
durante anos por Paulo Bernardo da Silva.
O próprio Paulo Bernardo é citado como beneficiário de dinheiro sujo
repassado pelo advogado Guilherme Gonçalves, também investigado na
Pixuleco II. O dinheiro teria chegado à campanha de Gleisi por meio de
um contrato fictício firmado com um escritório de advocacia. Quem
recebeu a bolada, em nome da campanha, foi Leones Dall’Agnol, ex-chefe
de gabinete de Gleisi e de Paulo Bernardo. Por Gleisi ter foro
privilegiado, as investigações estão no Supremo Tribunal Federal (STF).
Antonio Di Pietro, o homem da Operação Mãos Limpas, falou
sobre a Lava Jato para o jornal O Estado de S. Paulo de ontem,
estabelecendo comparações surpreendentes entre o que ele fez e o que faz
o juiz Sérgio Moro no Brasil.
A operação Mãos Limpas decapitou a classe política italiana,
derrubou um governo e extinguiu os maiores partidos políticos do país.
Vinte e
três anos mais tarde, o juiz Sergio Moro, autor de um trabalho sobre as
Mãos Limpas, segue os passos de Antonio Di Pietro em Curitiba.
Di Pietro dá este conselho a Sérgio Moro:
- Antes de mais nada, exprimo toda a minha
solidariedade ao juiz brasileiro que está conduzindo essa investigação. E,
infelizmente, devo lhe dizer que, como sempre repete minha irmã: “Faça o seu
dever e pague as consequências…”
Sobre as vilanias atuais dos investigados, falou o italiano:
- Aconteceu na Itália e, parece-me, está acontecendo também
no Brasil: as pessoas que têm poder, em vez de ajudarem juízes e procuradores a
revelar delitos nas altas esferas institucionais, impedem que eles façam o
próprio dever, criminalizando-os. Não me sinto no direito de dar conselhos ao juiz
brasileiro, porque ele certamente sabe disso melhor do que eu, mas digo uma
coisa: a única maneira de levar a cabo uma operação dessas é não se submeter a
ninguém, é não abaixar a cabeça para ninguém, assim como ele está fazendo e,
espero, possa continuar a fazer.
CLIQUE AQUI para ler tudo. Vale a pena. Leia e passe adiante. DO POLIBIOBRAGA
O terrorismo do governo e deus sequazes foi
inútil e só multiplicou a adesão aos atos. Nota da presidente tem se
caráter ridículo: é democracia ou é golpe, minha senhora?
Por: Reinaldo Azevedo
A
presidente Dilma Rousseff e os petistas apostaram no insucesso — lá à
moda deles — da manifestação deste dia 13 e quebraram a cara. Vejam
vocês! Sempre considerei um cretinismo, e considero ainda, que a
manifestação da hora tenha de ser superior à anterior e menor do que a
próxima.
Isso
corresponde a querer transformar um movimento em adversário de si mesmo.
Agride a lógica. O necessário é que seja expressivo. Ou será que, caso
haja outro protesto, ele só terá importância se botar na rua mais de 3,5
milhões? Isso é uma bobagem em si.
A escolha
do erro, no entanto, costuma trazer maus resultados até para quem decide
ser o seu beneficiário. O governo e setores da imprensa resolveram
criar esse critério idiota, saído do nada. Assim, ainda na noite de
sábado, alimentava-se no petismo a esperança de que os protestos deste
domingo não superariam os do dia 15 de março do ano passado. E, assim, o
Palácio e seus súditos sairiam por aí a afirmar que o tema do
impeachment já estaria superado.
Aqui vou
abusar de um jargão: o tiro saiu pela culatra. Se um evento menor do que
o maior já havido evidenciaria a morte do impeachment, o que
significará então quando ele não é apenas maior, mas o dobro? Mesmo os
números do Datafolha, com os quais muita gente não se conforma, apontam
500 mil na Paulista neste domingo — naquele março de 2015, teriam sido
210 mil. Ferramenta utilizada pelo Movimento Brasil Livre, que registra
IPs de telefones celulares, aponta 1,4 milhão de pessoas, mesmo número
estimado pela Polícia Militar.
O governo ficou perplexo e emitiu uma nota. Leiam: “A liberdade de manifestação é própria
das democracias e por todos deve ser respeitada. O caráter pacífico das
manifestações ocorridas neste domingo demonstra a maturidade de um país
que sabe conviver com opiniões divergentes e sabe garantir o respeito às
suas leis e às instituições”.
É mesmo?
O caráter
pacífico de agora repetiu o padrão das três manifestações do ano
passado. Insisto neste aspecto porque ele é subestimado — quando não é
malvisto — pela imprensa: os que pedem o impeachment da presidente Dilma
Rousseff são pessoas pacíficas, que estudam, que trabalham, que têm
família, que respeitam as regras da civilidade, que têm apreço pelas
leis democráticas, que compreendem o alcance do Estado de Direito, que
zelam pelo patrimônio público e privado, que entendem os limites do
outro, que respeitam as regras da civilidade e da cordialidade.
Assim,
soou ridícula, apontei isto aqui, a conversa mole da presidente, ainda
no sábado, afirmando que esperava que não houvesse violência nas
manifestações. Ora, violência de quem, cara pálida? Quem poderia
promovê-la? As pessoas decentes que estavam nas ruas? Certamente não! Os
únicos que poderiam querer confusão eram os petralhas, a serviço do
Planalto.
Vamos ser
claros? Ao vir com aquela ladainha, parece-me evidente que a
quase-mandatária, que foi golpeada por Lula, esperava assustar a opinião
pública. Mas ninguém caiu no truque. Como não lembrar aqui a entrevista
terrorista concedida por Gilberto Carvalho à Folha, afirmando que temia
que houvesse conflitos neste domingo, acenando com o risco de
venezuelização do Brasil?
Ah, este
senhor é aquele que confessou, também em entrevista, que, em 2013, fez
várias reuniões com os black blocs, os marginais mascarados que,
felizmente, não ousam dar as caras nos protestos pró-impeachment. Mas
fiquem certos: eles comparecerão às manifestações das esquerdas no dia
18. Eles gostam de bandidos e lidam com eles. São seus aliados
objetivos.
Volto à nota Mas volto à nota da presidente Dilma. Ela tem de se decidir se o
que se deu neste domingo foi uma manifestação legítima, organizada
segundo os valores democráticos, ou foi uma manifestação golpista, não é
mesmo? Ou não foi ela quem saiu por aí vociferando que impeachment é
golpe?
Dilma, nos
estertores do seu mandato, paga o preço de todos os erros. A população
está, sim, indignada com a roubalheira e se espanta com o lixão em que
se transformou a administração pública. Isso é suficiente para ir às
ruas. Mas a indignação também é dirigida contra a arrogância do PT, que,
embora minoria hoje em dia, insiste em deslegitimar o adversário. E o
adversário do PT, hoje, é o povo brasileiro.
Ou não
vimos João Pedro Stedile, o burguês do capital alheio, chefão do MST, a
dizer a seus militantes que, neste domingo, os fascistas sairiam às ruas
— hipótese, então, em que haveria ao menos 3,5 milhões de fascistas no
país?
Nada
funcionou. As ameaças terroristas foram inúteis. Ao contrário: quando os
petistas decidiram convocar contramanifestações para este dia 13,
apostando que haveria um recuo daqueles que chamam “coxinhas”, os
anúncios de adesão ao protesto se multiplicaram exponencialmente. Esses
caras, para o bem do Brasil, e isto conduzirá à queda da presidente
Dilma, perderam o eixo.
Afirmei na
madrugada deste domingo que o Brasil renunciaria a Dilma já que Dilma
insiste em não renunciar ao governo do Brasil, o que encurtaria o
sofrimento de todo mundo.
E foi o
que se viu neste domingo. O Brasil não quer mais o PT no poder. E
voltará às ruas quantas vezes for necessário fazê-lo para que triunfe a
lei e para que essa cambada nos deixe em paz.