domingo, 15 de fevereiro de 2015

Nós, brasileiros honestos, temos o dever de exigir a demissão imediata do ministro das Empreiteiras

O ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa, que se notabilizou por conduzir com mão de ferro o julgamento do Mensalão, escreveu no seu Twitter desta noite de sábado que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, deve ser demitido imediatamente. O que acontece é que revistas importantes como Veja, além de jornais como a Folha de hoje, revelaram a ocorrência de reuniões entre o ministro e advogados dos empreiteiros presos no Petrolão, tudo para salvar a pele de todos eles e, por vias transversas, também as peles de Lula e de Dilma. Isto aconteceria em função de norma a ser editada a qualquer momento, dando novos poderes ao TCU, que acertaria acordos de leniência com as empreiteiras e com isto livraria a cara de todo mundo. Abaixo, o leitor poderá acompanhar melhor as notícias, inclusive o passo a passo do que tramam o ministro e a própria Advogacia Geral da União. O ministro apareceu nos noticiários de TV esta noite, admitindo as reuniões, embora negando o conteúdo revelado pelas publicações. Ele estava visivelmente nervoso. As revelações são de caráter explosivo e devem respostas imediatas e duras como as de Joaquim Barbosa, que nos últimos meses tem mantido obsequioso silêncio sobre o julgamento do Petrolão.
DO POLIBIOBRAGA

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Em baixa!



– Via Cazo. DO JOSIAS DE SOUZA

FOLIA EXTRA! PLANALTO E TCU JOGAM JUNTOS PARA PARA ABAFAR A OPERAÇÃO LAVA JATO. ENQUANTO ISSO ABAIXO ASSINADO PELO IMPEACHMENT DA DILMA TEM QUASE 2 MILHÕES DE ASSINATURAS.

O site da revista Veja furou nesta madrugada todos os demais veículos da grande mídia nacional revelando a operação abafa petrolão. Mas pelo que se constata nos sites dos demais veículos o noticiário de destaque é o carnaval.
Entretanto, Veja informa que o Tribunal de Contas da União aprovou em tempo recorde uma norma que, na prática, transforma o órgão em avalista dos acordos com empreiteiras do petrolão, o que estimularia os empresários envolvidos no propinoduto da Petrobras a desistirem de assinar acordo de delação premiada.
Para o Ministério Público a manobra pode prejudicar a Operação Lava Jato e as investigações caso chegue aos chefes do propinoduto.
Coincidentemente, esse esquema surge depois de uma reunião comandada pelo Ministro da Justiça com a participação de emissário das empreiteiras. Segundo reportagem-bomba  de Veja em sua edição que chegou às bancas de forma antecipada nesta sexta-feira, 13, em razão do carnaval, durante essa reunião o representante das empreiteiras teria sido informado de que Lula estava entrando em campo para tentar virar o jogo, segundo informou a revista.
A norma aprovada a toque de caixa nesta sexta-feira 13, justo no calor carnavalesco, é dissecada e explicada minuciosamente em vídeo pela jornalista Joice Hasselmann e pode ser visto AQUI.
Os demais veículos da grande mídia fazem de conta de não sabem de nada. A Folha de S. Paulo, por exemplo, traz em sua edição deste sábado uma matéria repercutindo a reportagem-bomba de Veja, cujo resumo postei aqui no blog nesta sexta-feira. 
É espantoso que a Folha de S. Paulo afirme que não conseguiu confirmar as revelações de Veja.
Mas os fatos são os fatos. A norma baixada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), é o bastante para corroborar que informou com exclusividade a reportagem-bomba de Veja.
E para concluir: um abaixo assinado que corre pela internet já reúne quase 2 milhões de assinatura pedindo o impeachment da Dilma. DO ALUIZIOAMORIM

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Dilma, Lula e Santana se encontram para a troca de ideias que não têm. Deveriam estar à procura dos álibis que não há

A trinca dos pecadores: o populista que se acha um messias, a sucessora que pensa ser filha do mestre e o marqueteiro que tem certeza de que é um espírito santo
O pecador que se acha um messias, a sucessora que pensa ser filha do mestre e o marqueteiro que tem certeza de que é o espírito santo
A economia está fazendo água — e, desde o tempo das cavernas, é quando ela bate na linha da cintura que o homem começa a nadar. O Pibinho vai descendo a níveis siberianos, a inflação “oficial” rompe a fronteira dos 7% e os soluços do dragão rondam os dois dígitos. O rombo nas contas públicas é de assustar esquerdista grego, os juros sobrevoam a estratosfera e a alta do dólar escancara a desconfiança mundial no Brasil.
O que Dilma faz para escapar do afogamento nessas cataratas de más notícias? Conversa com Joaquim Levy, para afinar-se com o ministro da Fazenda emparedado pela idiotia do PT, pela gula da base alugada, por “movimentos sociais” estacionados no século 19, pela  sede dos ministros que bebem verbas? Nada disso. Em vez de socorrer o economista castigado por seus acertos, pede conselhos a Lula e encomenda ideias a João Santana.
O edifício político federal está sitiado por rachaduras internas e fraturas expostas nos alicerces. A bancada fiel a Dilma na Câmara é insuficiente para eleger um vereador de grotão. No Senado, os contratos com o grupo de Renan Calheiros são tão confiáveis quanto os prazos do PAC. O “núcleo íntimo do Planalto” é mais uma reedição piorada dos Três Patetas.
Sem porta-vozes nem interlocutores, o que faz a presidente? Arquiva o besteirol que não para de crescer e busca propostas que façam sentido? Livra-se do cerco dos áulicos que a bajulam desde que se tornou a sucessora escolhida pelo chefe? Nada disso. Encomenda ideias ao padrinho e pede conselhos ao marqueteiro do reino. A pesquisa divulgada neste fevereiro pelo Datafolha reafirmou a trágica contemporaneidade da lição ministrada por Mário de Andrade, há quase 90 anos, pela boca do personagem Macunaíma: “Muita saúva e pouca saúde, os males do Brasil são”.
Para os entrevistados, o mais terrível problema brasileiro é o sistema de atendimento à saúde que Lula, cliente preferencial do Sírio Libanês, qualificou de “perto da perfeição”. Perto da perfeição estavam chegando as saúvas do Petrolão, todas cevadas pelo governante que transformou o país num viveiro atulhado de quadrilhas de estimação. Todas roubaram muito. Nenhuma roubou tanto quanto a desbaratada pela Operação Lava Jato e exemplarmente enquadrada pelo juíz Sérgio Moro. As investigações estão chegando aos protagonistas. José Dirceu (codinome Bob) e Antônio Palocci, acabam de entrar em cena. É iminente a subida ao palco do astro principal.
Do total de brasileiros, Dilma é considerada falsa por 47%, desonesta por 54% e indecisa por 50%. Para 52%, a presidente sabia da corrupção na Petrobras e deixou que ela ocorresse. Confrontada com tantos algarismos pressagos, o que faz a chefe de governo? Tenta desvincular-se dos corruptos sem cura? Procura costurar a fantasia esfarrapada? Não. Chama para encontros a sós equilibristas alquebrados e contadores de lorotas que já se tornaram exasperantes.
Por que Dilma não cria juízo e toma vergonha? Simples: por que ela é só mais uma no bando. É só um poste instalado no Planalto para fazer o que o mestre manda. Em parceria, Lula e Dilma criaram o país autosuficiente em petróleo que importa um oceano de barris, o colosso do pré-sal que continua nos abismos do Atlântico, a pátria sem miseráveis que hasteia andrajos em todas as esquinas, fora o resto.
O que o padrinho, a afilhada e o marqueteiro deveriam fazer é uma atenta releitura da pesquisa. O Datafolha apenas acentuou as cores do dramático quadro esboçado pelas urnas de outubro. Dilma reelegeu-se amparada nas falácias do Brasil Maravilha, nos truques dos mágicos de picadeiro, nas espertezas dos canastrões com topete implantado e nas diversas ramificações que compõem o Grande Clube dos Cafajestes no Poder.
Ainda assim, mais de 51 milhões de brasileiros votaram contra o PT. Cruzou-se um ponto de não retorno. Dilma está há mais de um mês sem dizer qualquer coisa que mereça ser transcrita. Lula é o único “campeão de votos” que jamais venceu no primeiro turno, o único “líder de massas” que está há anos se apresentando exclusivamente para plateias amestradas que fingem ignorar o Caso Rose e o buquê de escândalos.
Dilma, Lula e Santana não deveriam perder tempo trocando ideias que não têm. A trindade nada santa faria um favor a si própria se saísse à caça dos álibis que até agora não há.
DO A.NUNES

Ex-gerente da Petrobrás entregou contabilidade de propina de Vaccari

Pedro Barusco, delator da Lava Jato, disse que anotação de US$ 4,5 milhões com a sigla “Moch”, de mochila, refere-se a valor de tesoureiro do PT, João Vaccari Neto

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo
Estadão
O ex-gerente de Engenharia da Petrobrás Pedro Barusco – primeiro integrante do esquema do PT no escândalo de corrupção da Petrobrás a fechar acordo de delação premiada com a Operação Lava Jato – entregou à Justiça registro da contabilidade de US$ 4,5 milhões de propina do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.
“João Vaccari é identificado pela sigla ‘Moch’, que significa mochila”, afirmou Barusco, ao depor à Polícia Federal, no dia 20 de novembro de 2014. Segundo o delator, a sigla foi criada porque “quase sempre presenciava João Vaccari usando uma mochila”. No dia 5, quando foi alvo da nona fase da Lava Jato – Operação My Way -, o tesoureiro estava com a mochila. Nela, policiais federais encontraram apenas um caderno, em branco, e uma agenda pequena com poucas anotações.
Metódico, o delator impressionou os investigadores por sua disciplina e organização. Braço direito do ex-diretor de Serviços e Renato Duque – principal canal do PT, via Vaccari, no esquema de corrupção -, ele lançava em seu computador dados relativos a cada contrato, incluindo datas, valores dos negócios e quanto cabia a cada beneficiário da máquina de propinas.

Contabilidade de propina apresentado por Pedro Barusco com registro “moch” de valores referentes a João Vaccari
Na mesma planilha de contabilidade estão registrados valores de Duque – indicado ao cargo pelo ex-ministro José Dirceu. A sigla para o ex-diretor era “MW” – referência à My Way, música de Frank Sinatra usada por ele para tratar do ex-chefe.
Barusco operava a contabilidade da propina na diretoria, segundo confessou. Por meio da área de Serviços, o PT arrecadava de 1% a 2% de propina em contratos das demais diretorias da Petrobrás, por ser ela quem passou a concentrar as contratações e fiscalizações de obras a partir de 2003. As diretorias de Abastecimento e Internacional seriam cotas do PP e do PMDB na estatal.
O valor de Vaccari dos US$ 4,5 milhões entrou para a contabilidade de Barusco, à partir de 2013, segundo ele diz, quando passou a registrar os valores arrecadados com estaleiros em contratos de navios-sondas. A quantia do tesoureiro do PT seria de pagamentos do Keppel Fels, de Singapura.
Segundo registro da Polícia Federal, quando Barusco começou a “contabilizar o pagamento de propinas referentes a Keppel Fels, verificou que João Vaccari já havia recebido até aquela data” o valor de US$ 4.523.000.
Barusco afirmou ainda que a propina paga entre 2003 a 2013 a “João Vaccari foi adiantada pelo Keppel Fels, pois até tal data (março de 2013) o faturamento não havia sido atingido pelo estaleiro”.
Investimento público.
O negócio envolveu contratos que somaram US$ 22 bilhões para construção de 28 navios-sondas pela Sete Brasil para a Petrobrás. Barusco diz ter participado diretamente da constituição da empresa em 2011, que teve “como principal financiador o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)”.
A Sete Brasil, segundo ele, foi constituída com capital privado e de investidores, entre eles três fundos de pensão de servidores federais – Petros (Petrobrás), Previ (Banco do Brasil) e Funcef (Caixa Econômica Federal) -, a Petrobrás e os bancos BTG Pactual, Bradesco e Santander.
Barusco afirma que a esse foi “o maior contrato do mundo interior de sondas de uma só vez”. Ele disse que a licitação foi “dura” e vencida sem acertos. A única concorrente foi a Ocean Ring – que já foi representada no Brasil pelo lobista e operador do PMDB Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano.
O ex-gerente de Engenharia explicou que para vencer o contrato da Petrobrás, a Sete Brasil negociou com cinco estaleiros a construção das sondas (todos com empresas do cartel integrando a sociedade).
“Havia uma combinação de pagamento de 1% de propina para os contratos firmados entre a Sete Brasil e cada um dos estaleiro”, revelou Barusco. Essa combinação de propina teria envolvido o tesoureiro do PT “João Vaccari Neto”, o próprio delator e “agentes de cada um dos estaleiros”.
Barusco disse que a divisão da propina era feita da seguinte forma: ”2/3 para João Vaccari e 1/3 para a ‘Casa 1′ e ‘Casa 2′”. O ex-gerente explicou que a terminologia “Casa 1″ era referente aos valores de propina para agentes da Petrobrás. “Especificamente para o Diretor de Serviços Renato Duque e Roberto Gonçalves (que sucedeu Barusco na gerência de Engenharia).”
Já o termo “Casa 2″ era referente aos pagamentos de propina para executivos da Sete Brasil, em especial o presidente João Carlos de Medeiros Ferraz, e o diretor de Participações, Eduardo Musa.
Planilha com registros de propina de Vaccari ("moch"), Renato Duque ("MW") e outros, entregue por delator
Barusco identificou na tabela Ferraz como “Mars”, de marshall, “MZB” era a sigla de “muzamba”, para referir-se a Musa, e “Sab”, era sua própria rubrica, referência à Sabrina, nome de uma ex-namorada.
O ex-gerente de Engenharia disse ainda que “achava injusta a distribuição estabelecida por João Vaccari”. “Isso o motivou a negociar por fora o pagamento em seu favor de 0,1%.”
LEIA TERMO DE DELAÇÃO DO EX-GERENTE DA PETROBRÁS PEDRO BARUSCO
COM A PALAVRA, JOÃO VACCARI NETO
O secretário Nacional de Finanças do PT, João Vaccari Neto, negou veementemente ontem que tenha recebido qualquer quantia em dinheiro fruto de propina.
Em nota, na semana passada, Vaccari “esclareceu (à PF), em especial, que enquanto secretário de Finanças do PT jamais recebeu dinheiro em espécie”.
“O PT não tem caixa 2, o PT não tem conta no exterior”, diz o texto divulgado por Vaccari. “Todas as contribuições ao partido, vindas pela Secretaria de Finanças por mim, foram absolutamente dentro da lei.”
VEJA NOTA COMPLETA:
“João Vaccari Neto, secretário de Finanças do Partido dos Trabalhadores – PT, por sua defesa, vem a público para dizer que há muito ansiava pela oportunidade de prestar os esclarecimentos que nesta data foram apresentados à Polícia Federal, para de forma cabal, demonstrar as inúmeras impropriedades publicadas pela imprensa nos últimos meses, envolvendo seu nome.
Reitera, mais uma vez, que o Partido dos Trabalhadores – PT, não tem caixa dois, nem conta no exterior, que não recebe doações em dinheiro e somente recebe contribuições legais ao partido, em absoluta conformidade com a Lei, sempre prestando as respectivas contas às autoridades competentes.
Sua defesa registra ainda, que o Sr. Vaccari permanece à disposição das autoridades, para prestar todos e quaisquer esclarecimentos, e que sua condução coercitiva, desta data, entendeu-se desnecessária, pois bastaria intimá-lo, que o Sr. Vaccari comparece e presta todas as informações solicitadas, colaborando com as investigações da operação “Lava Jato”, como sempre o fez.
DO R.DEMOCRÁTICA

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Atenção! “Bob” é o nome de um amigo de Dirceu, que já foi seu assessor e carregador de malas, que tinha autorização para sacar dinheiro do mensalão que estava no Banco Rural

Vejam esta foto:
DÚVIDA – O que será que o ajudante Bob Marques carregava na mala da foto? Documentos, autorizações de saque, fotos de Fidel Castro? Os dois, segundo Bob, são amigos há mais de vinte anos (Foto: Ernesto Rodrigues/AE)
DÚVIDA – O que será que o ajudante Bob Marques carregava na mala da foto? Documentos, autorizações de saque, fotos de Fidel Castro? Os dois, segundo Bob, são amigos há mais de vinte anos (Foto: Ernesto Rodrigues/AE)
Então, no esquema do petrolão, Dirceu era “Bob”? É uma porcaria que a gente tenha lugar reservado na memória para os escândalos, que vão se multiplicando. Fazer o quê? Faz parte da nossa profissão, infelizmente.
Recomendo aos investigadores que também puxem pela memória. No dia 3 de agosto de 2005, a VEJA publicou uma reportagem (eu a reproduzo abaixo, em azul) em que informava que Bob Marques, um assessor de Dirceu e, literalmente, carregador de malas, tinha autorização para sacar dinheiro do mensalão do Banco
Rural. É preciso ver se o “Bob” de agora não é o mesmo “Bob” de antes. Tendo a achar que sim, né? Por que tamanha falta de imaginação com os apelidos?
Leiam a reportagem intitulada “Aonde Dirceu vai, o Bob vai atrás”. O assessor recorreu à Justiça para receber da VEJA R$ 100 mil de indenização por danos morais. O pedido foi negado pelo juiz Manoel Luiz Ribeiro, da 3ª Vara Cível do Foro Regional de Pinheiros, na capital paulista (aqui a está a decisão). No dia 1º de outubro de 2012, lembrei neste blog a história do Bob.
*
Não foi só o depoimento de Renilda Santiago que colocou o ex-ministro José Dirceu no epicentro do escândalo do mensalão. Um documento, apreendido pela Polícia Federal na agência do Banco Rural em Belo Horizonte, revela que, entre as pessoas autorizadas a sacar dinheiro das contas do publicitário Marcos Valério, estava um dos principais ajudantes de Dirceu, Roberto Marques, conhecido como “Bob”, que cuida da agenda e das contas do ex-chefe da Casa Civil.
A descoberta surpreendeu a bancada petista na CPI dos Correios e provocou frisson entre os oposicionistas, que vêem no documento em poder da comissão o mais forte indício até agora da ligação de Dirceu com o esquema irregular de arrecadação de fundos. O documento, um fax com papel timbrado do Banco Rural, foi enviado à agência de São Paulo no dia 15 de junho do ano passado. Nele, um funcionário da agência mineira encaminha ao colega da Avenida Paulista uma autorização para o “sr. Roberto Marques receber a quantia de 50.000, referente ao cheque 414270, da empresa SMPB Comunicação”.
Os membros da CPI já sabem que, apesar da autorização dada ao ajudante de Dirceu, o saque foi feito no dia seguinte por Luiz Carlos Mazano, contador da corretora Bonus-Banval, que também estava autorizado a realizá-lo. A corretora informou que realmente tem um funcionário com esse nome, mas que o saque teria sido feito por um homônimo. O advogado da corretora, Antônio Sérgio Pitombo, vê armação. “Quando se associa o homônimo à corretora, o que se quer é agir de má-fé e desviar o foco das investigações da CPI”, diz. Não é a primeira vez que o nome da Bonus-Banval aparece na investigação do escândalo do mensalão.
Em Brasília, as investigações identificaram saques no valor de 225.000 reais cujo autor é Benoni Nascimento de Moura, funcionário da Banval. A corretora diz que está realizando uma auditoria interna para descobrir se houve alguma irregularidade cometida pelo funcionário Benoni. Quanto a Roberto Marques, a Bonus-Banval diz que não conhece nem nunca ouviu falar do ajudante de Dirceu. Pouco se sabe ainda sobre as atividades da corretora paulista, exceto que ela empregou até o fim do ano passado como estagiária Michele Janene, filha do deputado José Janene, suspeito de ser um dos chefes do mensalão. Talvez um bônus do tipo banval.
O aparecimento de Roberto Marques deve pautar os debates da CPI dos Correios, que vai ouvir nesta semana a diretora financeira da SMPB, Simone Vasconcelos. Bob é uma espécie de secretário particular de Dirceu. Faz as vezes de motorista, de despachante e de carregador de bagagem. Funcionário da Assembléia Legislativa de São Paulo, ninguém sabe direito o que ele é realmente – só que está sempre na companhia de Dirceu. Em muitas ocasiões, foi visto circulando por gabinetes do Palácio do Planalto.
Em março deste ano, Bob, sob o comando de Dirceu, foi um dos mais ativos operadores na campanha para a presidência da Assembléia Legislativa de São Paulo. A parceria entre Bob e Dirceu é tão intensa que o assessor chegou a representar oficialmente o então ministro da Casa Civil em solenidades, como a organizada pela Associação para Prevenção e Tratamento da Aids, realizada em 2003, em São Paulo. “Sou amigo do Zé há vinte anos. Faço companhia a ele nos fins de semana e ajudo no que for possível”, afirma Bob. Dinheiro de Valério?
Ele garante que nada tem a ver com isso. É, segundo ele, coincidência ou armação. “Só em São Paulo existem 5.000 pessoas com o mesmo nome”, diz o amigo-secretário de Dirceu. “Nunca estive no Rural, não saquei dinheiro nenhum e se usaram meu nome foi indevidamente”, garante ele. O problema é que a CPI resolveu investigar e descobriu que a autorização foi, sim, dada ao assessor legislativo, embora ele não tenha sido o autor do saque. “Só pode ser então uma armação para complicar a vida do Zé Dirceu”, afirma. Esse Bob é mesmo esponja.
A confirmação de que o Roberto Marques do documento do Rural é o mesmo Bob ajudante de Dirceu foi dada a VEJA na última sexta-feira pelo deputado Carlos Abicalil, do PT de Mato Grosso. Sub-relator da CPI dos Correios, o parlamentar contou que foi procurado pelo próprio Marques na semana retrasada para tentar esclarecer o aparecimento de seu nome nos documentos contábeis do Banco Rural. Segundo o deputado, o assessor repassou o número de sua identidade e de seu CPF, para que ele pudesse conferir com os documentos em poder da CPI. O resultado da pesquisa, nas palavras do próprio deputado, foi o seguinte: “O número do RG conferia. Só não conferia o saque”, diz.
Acima, a autorização para o faz-tudo de Dirceu sacar R$ 50 mil da conta de Valério no Banco Rural. Quanta coincidência!!!
Acima, a autorização para o faz-tudo de Dirceu sacar R$ 50 mil da conta de Valério no Banco Rural. Quanta coincidência!!!
Dirceu sabia que o documento com o nome do ajudante apareceria cedo ou tarde. O próprio Roberto Marques contou ter conversado com o ex-ministro sobre o assunto muito antes de surgirem os rumores de que o papel existia. “Eu disse que não tinha nada a ver com isso.” Desde o início da semana passada, Dirceu procurava insistentemente falar com o presidente da CPI, o senador Delcidio Amaral. Na terça-feira, Delcidio foi à casa do ex-ministro, onde passou meia hora. Os dois tiveram uma conversa dura, segundo relatos ouvidos por membros da CPI.
Oficialmente, discutiram sobre o andamento dos trabalhos da comissão. O ex-ministro demonstrou grande preocupação com a velocidade da investigação e, principalmente, com o vazamento de documentos – um estranho incômodo para quem, em tese, nada tem a ver com o assunto. Dirceu também defendeu que seu depoimento era desnecessário. Por fim, fez uma proposta indecorosa ao presidente da CPI. Sugeriu a Delcidio que barganhasse seu depoimento em troca da não-convocação do presidente do PSDB, Eduardo Azeredo, cujo nome também apareceu como beneficiário do dinheiro de Marcos Valério.
Delcidio desconversou. Outros parlamentares afirmam que Dirceu queria sumir ainda com a autorização de saque para Bob, sob a alegação de que era um papel avulso, sem validade jurídica. Sobre o aparecimento do nome de seu secretário particular, ajudante, amigo e, agora se sabe, pau para toda a obra, Dirceu mandou dizer que tudo indica tratar-se de uma “plantação” para prejudicá-lo. A convocação do ex-ministro para a CPI deverá ser aprovada nesta semana.
Por Reinaldo Azevedo

Justiça italiana decide extraditar Henrique Pizzolato

A Corte de Cassação da Itália aceitou recurso da AGU e decidiu nesta quarta-feira, 11, extraditar Henrique Pizzolato, condenado a 12 anos e 7 meses de prisão no processo do mensalão por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro.
O ex-diretor de marketing do BB foi preso nesta quinta-feira, 12, e permanecerá na penitenciária de Sant'Anna, em Módena, enquanto aguarda o Ministério da Justiça italiano decidir se ele será ou não enviado de volta ao Brasil para cumprir a pena. O órgão deve se pronunciar em até 45 dias.
No julgamento de ontem, os magistrados concluíram que o Brasil está apto a fornecer condições para garantir a segurança de Pizzolato no complexo penitenciário da Papuda/DF. Em documento de uma página, a 6ª sessão da Corte informa:
"Em reforma à sentença impugnada, [a Corte] declara subsistente as condições para o acolhimento do pedido de extradição de Henrique Pizzolato apresentado pela República Federativa do Brasil com relação à execução da sentença do Supremo Tribunal Federal do Brasil datada de 17 de dezembro de 2012 (irrevogável em 21 de dezembro de 2013)."
Histórico
Henrique Pizzolato fugiu do Brasil em setembro de 2013, dois meses antes de ter a prisão decretada pelo STF, mas foi localizado posteriormente pela Interpol em Modena, na Itália.
Ele foi preso em fevereiro de 2014, mas foi solto em outubro, quando a Corte de Bolonha negou sua extradição e permitiu que ele respondesse em liberdade. No mês seguinte, a AGU entrou com recurso para reverter a decisão, que foi acatado pela Corte de Cassação. DO MGALHAS

Índice do BC aponta queda no 4º tri e contração de 0,12% no Brasil em 2014


Por Camila Moreira
SÃO PAULO (Reuters) - A atividade econômica brasileira recuou 0,55 por cento em dezembro e encerrou o quarto trimestre e 2014 com contração, mostraram dados do Banco Central nesta quinta-feira.
O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do BC --considerado uma espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB)-- apontou que o quarto trimestre fechou com queda de 0,15 por cento em relação aos três meses anteriores segundo dados dessazonalizados, depois de alta de 0,48 por cento no terceiro trimestre sobre o segundo, de acordo com os números do BC.
Assim, para todo o ano de 2014, o indicador indicou que a economia brasileira registrou retração de 0,12 por cento.
O resultado de dezembro do IBC-Br destaca a debilidade da atividade no final do ano passado, ao mostrar enfraquecimento em relação ao dado mensal de novembro, apesar de ter sido um pouco melhor do que a mediana das 21 expectativas em pesquisa da Reuters de queda de 0,8 por cento.
O cenário do final de 2014 fica ainda pior com a revisão pelo BC do número mensal de novembro para estagnação, após variação positiva de 0,04 por cento divulgada anteriormente.
Na comparação com dezembro de 2013, o IBC-Br teve queda de 0,12 por cento, também em dados dessazonalizados.
A economia brasileira patinou durante 2014, afetada pela confiança baixa tanto de empresários quanto de consumidores diante do cenário de inflação alta, crescimento baixo e juros elevados.
A indústria exerceu um dos maiores pesos sobre a atividade, tendo fechado 2014 com queda de 3,2 por cento, o pior resultado em cinco anos e com forte debilidade dos investimentos, após recuo de 2,8 por cento em dezembro.
O varejo também enfrentou um ano complicado. Embora tenha terminado 2014 com crescimento nas vendas de 2,2 por cento, este foi o desempenho mais fraco em 11 anos e com queda recorde de 2,6 por cento em dezembro sobre novembro.
Pesquisa Focus do BC mostra que a expectativa do mercado é de que, em 2014, a expansão do PIB tenha sido de 0,07 por cento. Para este ano a projeção é ainda pior, de variação zero para o PIB.
O IBC-Br incorpora estimativas para a produção nos três setores básicos da economia: serviços, indústria e agropecuária, assim como os impostos sobre os produtos.
O IBGE divulga os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre e de 2014 fechado no dia 27 de março.
No terceiro trimestre, segundo os cálculos do IBGE, o país cresceu apenas 0,1 por cento na comparação com os três meses anteriores, saindo da recessão técnica pela margem mínima, mas esse número ainda pode ser revisado.
(Edição de Alexandre Caverni)

Delator detalha R$ 1,2 bi em propina para PT e executivos.


Editoria de arte: Folhapress
Os 89 maiores contratos da Petrobras foram a fonte para um volume total de propina que chega a R$ 1,2 bilhão, segundo valores contidos em planilha entregue aos procuradores da Operação Lava Jato por Pedro Barusco, ex-gerente da petroleira, e corrigidos pela inflação do período.
Os contratos listados por Barusco somam R$ 97 bilhões. O suborno equivale a 1,3% deste valor. Em depoimento que prestou após acordo de delação premiada, o ex-gerente citou que a propina variava de 1% a 2% do valor contratado.
A tabela de cinco páginas detalha em que acertos houve propina, quem pagou, o nome do intermediário, em que data e como o dinheiro foi dividido entre o PT, o ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, o ex-diretor de Serviços, Renato Duque, e o próprio Barusco.
Duque ocupou o cargo por indicação do PT, o que seus advogados negam.
No acordo que assinou, Barusco se comprometeu a devolver US$ 97 milhões que recebera de suborno.
De acordo com a planilha, o PT ficou com a maior parte dos recursos: R$ 455,1 milhões, equivalente hoje a US$ 164 milhões. O partido nega ter recebido doações ilegais.
No depoimento aos procuradores, Barusco disse que a parte do suborno que ficara com o PT era de US$ 150 milhões a US$ 200 milhões.
A empreiteira que mais pagou propina, segundo a lista de Barusco, é a Engevix. A empresa ocupa essa posição porque conquistou o maior contrato citado pelo ex-gerente na planilha, de R$ 9 bilhões, para a construção de cascos de navio para a exploração do pré-sal.
Nesse caso, detalha Barusco, a propina foi de 1% do valor do contrato (R$ 90 milhões), dividida em partes iguais entre o PT e a diretoria de Serviços da estatal.
Os pagamentos listados ocorreram entre maio de 2004 e fevereiro de 2011, nos governos Lula e Dilma Rousseff.
Os dados mostram que a maior parte da propina foi paga em 2010, ano da primeira eleição de Dilma. De acordo com a tabela, foram embolsados R$ 374 milhões. Desse total, o PT teria ficado com R$ 120 milhões.
METÓDICO
O material apresentado por Barusco é organizado ao ponto de apresentar os centavos de obras bilionárias da Petrobras. Onze agentes que intermediavam a propina são mencionados, entre os quais Julio Camargo –ligado à empresa Toyo Setal e também delator do esquema– e Idelfonso Colares, presidente da Queiroz Galvão até 2013.
Já na coluna sobre a divisão do suborno, Barusco usa códigos: "part" para Partido dos Trabalhadores, "PR" para Paulo Roberto Costa e "casa" para identificar a diretoria de Serviços.
Em alguns casos, a divisão da "casa" aparece detalhada. Em uma obra na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, por exemplo, há a indicação "(0,6MW 0,4Sab)" ao lado do registro de uma propina de 1% para a diretoria.
"MW" é uma referência a Renato Duque, a quem Barusco se referia como "My Way", título de canção interpretada por Frank Sinatra. "Sab" identifica o próprio ex-gerente da Petrobras, numa alusão a Sabrina, nome de uma ex-namorada, segundo ele relatou à Polícia Federal.
Assim, só nesse contrato Duque levou R$ 7,9 milhões e Barusco, R$ 5,3 milhões.
*MARIO CESAR CARVALHO E GABRIELA TERENZI, DE SÃO PAULO, NA FOLHA.- DO M.FORTES

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Propinobras, frevo inspirado no Petrolão, é mais um sinal de que o Brasil começou a debelar a epidemia de mansidão bovina


O vídeo acima agrupa animadoras evidências de que o Brasil vai enfim debelando a epidemia de mansidão bovina que começou em 2003. De lá para cá, a pátria da ironia, do sarcasmo e da mordacidade foi desfigurada por manifestações de sabujice coletiva. O viveiro de cartunistas a favor, por exemplo, transformou em espécie virtualmente extinta o humorista sem patrão. Havia mais de mil veríssimos para cada Millôr.
Descontados os raríssimos sinais de vida inteligente, entre os quais figuram as composições de Luiz Trevisani, os farsantes no poder foram tratados com docilidade pelo País do Carnaval que antes não poupava ninguém. Em vez de ser devidamente eternizado num Samba do Mensalão, Lula virou enredo da Gaviões da Fiel. Nem deu as caras na avenida, é verdade. Mas a escola escapou da vaia merecidíssima.
A impunidade acabou, avisa o frevo “Propinobras”, em que Elinaldo Barbosa desanca os quadrilheiros do Petrolão. Os gatunos não terão mais sossego, informam as charges que rimam esplendidamente com a letra. O Brasil decente já sabe o que cantar no Carnaval deste ano. DO A.NUNES

A volta de Mangabeira Unger e a nomeação de Miriam Belchior para a Caixa provam que ninguém no mundo escolhe o que há de pior tão bem quanto Dilma Rousseff

mangabeira_unger “Um perigo a menos na Amazônia: o sotaque perdido na selva vai embora”, resumiu o título do post de junho de 2009 que saudou a partida para os Estados Unidos de Roberto Mangabeira Unger, a estranha figura que chefiava, com status de ministro, a Secretaria de Assuntos Estratégicos. Cinco anos e meio depois, sempre inexplicavelmente, Dilma Rousseff recolocou no mesmíssimo cargo o único baiano que fala português com sotaque de diplomata americano que chegou ao Brasil faz meia hora.
O texto republicado na seção Vale Reprise decifra o mistério surgido no momento em que nasceu a extravagância: para que serve, afinal, uma Secretaria de Assuntos Estratégicos? Serve para mostrar que ninguém no mundo nomeia o que há de pior tão bem quanto Dilma Rousseff. Com Mangabeira Unger, a presidente completou a montagem do mais bisonho primeiro escalão de todos os tempos. E pôde dedicar-se à difícil tarefa de reprisar a conquista com o segundo escalão.
Dilma mostrou-se à altura da missão ao substituir Graça Foster por Aldemir Bendine. Nesta terça-feira, garantiu o troféu com a entrega da presidência da Caixa Econômica Federal a Miriam Belchior. Faz sentido: ex-mulher do prefeito Celso Daniel, a companheira é especialista em caixa-preta. DO A.NUNES-REV VEJA

Caminhe, Dilma, sorrindo para o abismo! Agora, consta, ela vai pedir socorro a Lula, que solapa a sua credibilidade. Meu conselho é que rompa com o PT


Por Reinaldo Azevedo
Pois é… Eu já estava aqui a esfregar os dedos para escrever um texto em que apontaria um caminho para a presidente Dilma. No programa Os Pingos nos Is, que ancoro na Jovem Pan — entre 18h e 19h —, até brinquei com aquela musiquinha de Leandro e Leonardo: “Dilma, liga pra mim, não liga pra ele”. Eu me referia precisamente a Lula. Hoje, ele é uma das peças que, nos bastidores, concorrem para solapar a credibilidade da presidente.
Não custa lembrar: ele já autorizou que seu nome seja lançado para a disputa presidencial de 2018. Isso transforma Dilma, como afirmei ontem na VEJA.com (ver vídeo), numa pata manca.
E qual era a minha sugestão para Dilma, dado o desastre de opinião pública que já é o seu governo, sempre lembrando que há motivos para crer que a crise que ela enfrenta está só no começo e na sua fase mais amena?
Simples: que ela pedisse a desfiliação do PT e se declarasse uma sem-partido. De tal sorte a crise que se avizinha é grave que a suprema mandatária, com os poderes quase imperiais de que dispõe um presidente no Brasil, deveria dizer, como Cazuza: “O meu partido, agora, é um coração partido”. E tentaria estabelecer uma agenda mínima para o país. Hoje, o PT é um armário muito difícil de carregar, com aquela pilha gigantesca de esqueletos. E muito mais coisa pode vir — e virá — por aí.
É inútil fazer de conta que Dilma está imune a uma denúncia por crime de responsabilidade. Sabem o que vai determinar a viabilidade disso? O tamanho e o ritmo da crise. Em vez de participar de convescotes petistas, em companhia de João Vaccari Neto, ela deveria se guardar. Deveria assumir o lugar que cabe aos magistrados em momentos como esse.
Até aqui, as elites políticas do país, gostem dela ou não, podem até considerá-la omissa “no que se refere”, como ela diria, ao submundo petista. Mas poucos a veem como desonesta. A percepção do povo brasileiro, no entanto, começa a ser outra: 47% dos que responderam a pesquisa Datafolha lhe pespegaram essa pecha também.
Muito bem! Dilma deveria, então, se afastar de Lula e da marquetagem vigarista que garantiu a sua reeleição. Ninguém mais suporta aqueles truques. Está na cara que eles eram mentirosos. Desta feita, não terá farrinha de consumo para mitigar a roubalheira. Mas Dilma, a estar certa reportagem da Folha, vai fazer justamente o contrário: segundo informam Natuza Nery e Mariana Haubert, ela decidiu pedir socorro a Lula e ao marqueteiro João Santana.
Os lulistas espalham a lorota de que parte das dificuldades enfrentadas pela soberana se deve ao fato de que ela e Lula andam meio afastados, o que estaria deixando o Babalorixá de Banânia irritado. Sabem como é… O homem acredita que dar um truque no povo brasileiro é fácil. Ele vem fazendo isso há muitos anos, com sucesso. Vejam o esquema vigente na Petrobras, envolvendo empreiteiras — e por que seria diferente nos demais setores do governo? Tudo isso estava em curso enquanto Lula discursava contra as elites, contra o capital, contra o empresariado, contra os ricos… Se há pessoa “nestepaiz” que nunca perdeu nem poder nem dinheiro apostando na ignorância e na credice alheias, essa pessoa é Luiz Inácio Lula da Silva.
Dilma sabe que é refém daquela máquina e ensaiou alguns passos de independência. Parece que se julga fraca para enfrentá-la e decide, agora, se render. Lula lançou a sua candidatura para 2018 porque quer assustar Dilma e tomar de volta o governo já em 2015, no berro.
Se Dilma ligasse pra mim, ela dava a volta por cima; declarava a sua independência; enfrentaria a máquina; passaria por turbulências, mas teria alguma chance de ver robustecer a sua biografia. A se confirmar a notícia da Folha — e ela me parece, em princípio, verossímil —, a presidente vai se conformar com o papel de boneco de mamulengo. Eis o PT: essa gente não dá a menor bola para o país. Hoje, a companheirada está empenhada em garantir o poder da máquina e resolveu engolfar a presidente em sua sanha.
10/02/2015-DO R.DEMORATICA