domingo, 14 de setembro de 2014

Petrobras: delação produziu uma ‘grampofobia’

A decisão do delator Paulo Roberto Costa de buscar a remissão judicial por meio do suor do seu dedo ateou em políticos e empresários que têm as digitais impressas no escândalo da Petrobras um surto de pânico. Impressionado com o que observa por trás das cortinas, um parlamentar do PT, uma das legendas que pulsam em ritmo de polvorosa, diz que o caso rejuvenesceu um velho ensinamento de Tancredo Neves. “Telefone serve no máximo para marcar encontro, de preferência no lugar errado”, dizia o avô de Aécio Neves.

Saiba quem são políticos delatados por ex-diretor da Petrobras17 fotos

PAULO ROBERTO COSTA, O DELATOR - Investigado pela Operação Lava Jato da Polícia Federal, que apura esquema bilionário de lavagem de dinheiro, Paulo Roberto Costa é ex-diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras, cargo que ocupou entre 2004 e 2012. Foi preso em março deste ano por tentar ocultar provas que o incriminavam. Solto em maio, foi preso novamente em junho, e fez acordo de delação premiada com a PF em agosto, o que possibilitaria uma redução de sua pena em caso de condenação. Em depoimentos gravados feitos à polícia, ele cita, segundo a revista "Veja", ao menos 25 deputados federias, 6 senadores, 3 governadores, um ministro de Estado e pelo menos três partidos políticos (PT, PMDB e PP), que teriam recebido propina de 3% do valor dos contratos da estatal Leia mais Renato Costa/Frame/Folhapress
A voz do delator começou a ecoar há 17 dias. Noves fora o vazamento de alguns nomes citados por ele, permanecem sob denso sigilo, por ora, os detalhes gravados em áudio e vídeo. A desinformação disseminou entre os potenciais encrencados o receio de que procuradores e delegados já estejam executando em segredo as providências subsequentes. Entre elas o monitoramento de conversas telefônicas. Daí a ‘grampofobia’ que silencia celulares e aparelhos fixos.
Na semana passada, um advogado que atua no caso foi procurado por um cliente aflito. Ele tomara conhecimento de um boato. Disseram-lhe que a Polícia Federal preparava uma megaoperação para executar 73 mandados de prisão. O advogado soou tranquilizador quanto às prisões. Não faz sentido, disse. Mas acomodou uma pulga no dorso da orelha do interlocutor ao afirmar que não é negligenciável a hipótese de a delação resultar numa série de batidas de busca e apreensão de computadores e documentos. Isso pode acontecer a qualquer momento, alertou.
Escutas telefônicas, batidas policiais e quebras de sigilo fiscal e bancário dependeriam de autorização do STF. Isso porque vários dos personagens alvejados por Paulo Roberto Costa, por exercerem mandatos parlamantares, desfrutam da chamada prerrogativa de foro. Em tese, a necessidade de ouvir o Supremo, conspira contra a celeridade dos procedimentos. Mas o pavor leva os envolvidos a desconsiderar o socorro eventual que a burocracia judiciária possa lhes propiciar.
Outro receio das vítimas do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras é o de que empresas que abasteceram o propinoduto colaborem com a Justiça. Na definição do parlamentar do PT que acompanha a movimentação por trás do pano seria uma especial de “efeito Siemens” —alusão à empresa que se dispôs a colaborar na investigação do cartel de trens e metrô de São Paulo.
Em meio à atmosfera de terror provocada pelos desdobramentos do escândalo da Petrobras, quem sabe teme. Quem sabe muito foge do telefone. Quem sabe ainda mais limpa armários, gavetas e memórias de computadores. Quem tem conhecimentos ilimitados cogita trancar-se num cofre.
DO JSOUZA

Cid reuniu-se com delator que diz não conhecer


Notícia veiculada na última edição da revista IstoÉ anotou os nomes de mais quatro políticos que teriam sido mencionados em depoimentos do delator Paulo Roberto Costa como beneficiários de propinas provenientes de negócios escusos da Petrobras. A lista inclui o governador do Ceará, Cid Gomes (Pros).
Procurado, o governador ditou uma frase à sua assessoria, repassada à reportagem do UOL: “Não sei quem é Paulo Roberto. Nunca estive com esse cidadão e sou vítima de uma armação de adversários políticos.'' Não é bem assim.
Conforme demonstrado na foto que ilustra este texto, Cid Gomes recostou os cotovelos, ao lado do ex-diretor preso da Petrobras, numa mesa de reuniões. A despeito da má qualidade da imagem, é possível constatar que Paulo Roberto é o personagem que está sentado à esquerda do governador.
O encontro se deu-se no dia 14 de julho de 2008. Foi noticiado na edição do dia seguinte do Diário do Nordeste, como pode ser constado aqui. Discutia-se na época a implantação de uma refinaria de petróleo no Ceará. Cid Gomes recepcionou em seu gabinete uma delegação da Petrobras, chefiada por Paulo Roberto Costa, então todo-poderoso diretor de Abastecimento da maior estatal brasileira.
O fato de Cid Gomes ter rececido o agora delator numa audiência oficial ocorrida há seis anos não constitui, evidentemente, prova de que o governador recebeu propina. Mas é uma evidência de que o governador precisa ajustar sua declaração. Não fica bem dizer que desconhece um personagem que, de fato, conheceu.
DO JOSIASDESOUZA

Um depoimento exclusivo revela o elo entre os escândalos do mensalão e da Petrobras

Empresário conta à polícia como o ex-deputado José Janene, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef levaram para a estatal parte do esquema do mensalão

HUDSON CORREA E RAPHAEL GOMIDE
Revista Época
Os dois períodos de Lula na Presidência foram marcados por crescimento econômico, disseminação de programas sociais – e também por dois grandes escândalos de corrupção. No primeiro mandato, reinou o mensalão. Ele acabou na prisão de seus principais operadores e articuladores, depois de julgados e condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
No segundo mandato – soube-se nos últimos meses, por meio de investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) –, floresceu um esquema de pagamento de propina em troca de contratos bilionários com a Petrobras (leia detalhes na reportagem da página 36), esquema que continuou durante o governo de Dilma Rousseff.
Neste momento, as autoridades investigam a conexão entre os dois escândalos. Já se sabia que parte da estrutura financeira do mensalão fora usada no esquema da Petrobras. As últimas investigações vão além da questão financeira e se debruçam sobre os personagens comuns aos dois enredos. O ex-deputado federal José Janene (que morreu em 2010), o doleiro Alberto Youssef e o executivo Paulo Roberto Costa aparecem no mensalão e no esquema da Petrobras.
ELO O ex-deputado José Janene, que morreu em 2010.  Em depoimento,  o empresário Hermes Magnus afirma que  o esquema de propina da Petrobras foi  uma “extensão  do mensalão” (Foto: Montagem sobre foto de Lula Marques/Folhapress)

Um depoimento dado no dia 22 de julho deste ano – revelado por ÉPOCA em primeira mão e disponível em vídeo em epoca.com.br –, ajuda a detalhar o papel dos atores que participaram dos dois esquemas. O autor do depoimento é o empresário Hermes Freitas Magnus, de 43 anos. Ele reafirma a participação do mensaleiro Janene – deputado do PP que, em troca de apoio político, embolsou R$ 4,1 milhões do mensalão petista – como figura central que liga os dois escândalos. Magnus foi sócio de Janene – e, segundo diz no depoimento, frequentava sua casa e ouvia confidências dele. Segundo Magnus, o esquema da Petrobras “era a extensão do mensalão, um cala-boca para que (Janene) permanecesse quieto”. Janene sempre dizia, segundo o depoimento de Magnus, que poderia “derrubar Lula”, porque sabia do esquema do PT tanto quanto o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado por corrupção (assista ao trecho no vídeo abaixo).
   

Segundo Magnus, na hierarquia dos dois esquemas, Janene estava acima do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. De acordo com o depoimento de Carlos Alberto Pereira da Costa, advogado de Youssef – revelado com exclusividade na última terça-feira por epoca.com.br –, foi Janene quem apresentou Youssef a Paulo Roberto. O trio operou junto em dois momentos. Youssef ajudou Janene a lavar o dinheiro do mensalão. Ainda no primeiro mandato de Lula, Janene indicou Paulo Roberto à Diretoria de Abastecimento da Petrobras. No segundo mandato de Lula, os três operaram juntos no esquema da Petrobras. Investigações da Operação Lava Jato revelam que Youssef intermediava pagamento de propina na estatal. Por meio de empresas de fachada, Youssef recebia dinheiro de empreiteiras interessadas em assinar contratos com a Petrobras. Usando um emaranhado de depósitos bancários feitos por laranjas, fazia o suborno chegar a Paulo Roberto, o homem que tinha a caneta para fazer as contratações – e, agora preso, começa a entregar os participantes do esquema. Enquanto isso, Janene, por ser guardião dos segredos do PT, ganhava espaço na Petrobras. Ele continuou como deputado apenas no início do segundo governo Lula. Por causa de uma doença no coração, Janene arrancou em 2007 uma aposentadoria por invalidez na Câmara dos Deputados, embora já respondesse à acusação de receber dinheiro do mensalão. Continuou ativo na política, agindo nos bastidores.

O relato que Magnus fez à Justiça Federal revela o grau de influência dele na Petrobras. “Lá, mando eu”, costumava dizer Janene, conforme o relato de Magnus – embora houvesse outros partidos e esquemas na Petrobras. “Alguns deputados federais queriam falar com diretores da Petrobras sem a intervenção de José Janene, e não conseguiam. Então, entravam em contato com Janene pelo telefone”, afirmou Magnus. Ele disse ainda que presenciou uma performance debochada de Janene ao telefone. Ele ironizava um parlamentar que tentara contato sem sua ajuda. “E aí, a espera tá grande?” Segundo Magnus, Janene tinha “acesso livre” e intermediava negócios entre a Petrobras e empresas de grande porte, como as construtoras Camargo Corrêa e Queiroz Galvão. Ele não deu detalhes que possam identificar que tipos de contrato seriam ou se houve algum tipo de ilegalidade. Procurada, a construtora Queiroz Galvão afirmou que não há “irregularidades nem ilegalidades” em seus contratos, que são negociados “dentro das regras estabelecidas pela legislação e sem a intermediação de terceiros”. A Camargo Corrêa disse que só presta serviços à Petrobras por meio de licitações públicas.

SEGUNDO ESCALÃO O doleiro Alberto Youssef. De acordo com Hermes Magnus, ele estava um degrau abaixo  de Janene na hierarquia  do esquema  (Foto: Joedson Alves/Estadão Conteúdo)
Magnus começou a contar o que sabia à Polícia Federal ainda em 2009, quando o escândalo de corrupção na Petrobras ainda era desconhecido. Concluiu a história com riqueza de detalhes no depoimento de julho passado. Ele parece ter credenciais para falar. A Operação Lava Jato teve início justamente a partir da investigação sobre um negócio de Magnus com Janene. De acordo com o MPF, Janene lavou dinheiro do mensalão ao investir parte da quantia recebida na Dunel Indústria e Comércio, fabricante de componentes eletrônicos que pertencia a Magnus.
Janene usou a empresa de fachada CSA Project Finance, uma sociedade mantida pelo doleiro Youssef, para aplicar R$ 1,16 milhão dos R$ 4,1 milhões que ganhara no mensalão na Dunel. Isso ocorreu em julho de 2008.

Era mais um golpe aparentemente perfeito idealizado por Janene. Magnus tinha as características de vítima ideal para operadores experientes do mercado negro. Sua firma de eletrônicos automotores precisava de dinheiro para crescer, e ele buscava um investidor. Janene e Youssef estavam atrás de uma oportunidade para esquentar dinheiro frio de corrupção. O primeiro encontro com Magnus foi em junho de 2008, na sede da CSA, em bairro nobre de São Paulo.
Acompanhado de Youssef, o afável Janene – já ex-deputado – chegou abraçando afetuosamente o futuro sócio, ou melhor, a futura vítima. O doleiro e o mensaleiro traziam soluções rápidas e práticas, quase um sonho para quem precisava de uma injeção de capital.  “Olha, podemos viabilizar seu negócio: se quiser dinheiro do Estado do Espírito Santo para cima, tenho a opção do Banco do Nordeste. Se não quiser se meter com banco, temos uma solução mais tranquila, um recurso nosso. Se quiserem, coloco 1 milhão de início”, disse Janene.
As imagens do depoimento obtidas por ÉPOCA mostram que, no momento em que Magnus conta essa história, Youssef senta-se ao lado do advogado dele e, apontando para Magnus, reclama: “Ele está mentindo, ele é mentiroso”. O juiz Sérgio Moro, que ouvia Magnus, interrompe Youssef. Ele só se cala quando é ameaçado por Moro de ser retirado da sala. Em pouco tempo, Magnus foi alijado da Dunel e virou, como ele mesmo se definiu, uma espécie de zumbi na firma.
Os equipamentos encomendados não chegavam, e a produção emperrava. Ao consultar um advogado, Magnus descobriu que estava  no meio de uma trama de lavagem de dinheiro. Resolveu procurar a PF para contar o que sabia. Afirma que Janene o ameaçou de morte e que, na época, um incêndio misterioso destruiu uma casa dele.
Youssef, mais uma vez, se deu bem. Lavou o dinheiro para Janene e, ainda naquele ano de 2008, estreitou relações com Paulo Roberto, o executivo dos grandes contratos da Petrobras. Mal se livrara de uma condenação a sete anos de reclusão graças a uma delação premiada, Youssef reincidia em sua especialidade, a lavagem de dinheiro. Tinha o amigo e sócio Janene como cliente. Juntos, tinham um hotel, uma agência de viagens em Londrina e uma locadora de automóveis. A proximidade da dupla ia além dos negócios. Os dois se visitavam e se tratavam pelos títulos de compadre e padrinho.
“Youssef chegava à casa de Janene e era padrinho pra cá, padrinho pra lá... Compadre pra cá, compadre pra lá. E era muito íntimo na lida das coisas”, afirmou Magnus à Justiça Federal. Numa dessas reuniões, Janene prometeu pagar o que chamou de “lua de mel” na Europa para Youssef e a mulher. Em seguida, explicou a ele o motivo da generosidade: “Ela só não pode pensar que você vai fazer aqueles câmbios para mim na França. Não deixe ela sonhar que você está fazendo isso”.

DEBOCHE O empresário Hermes Magnus. Segundo ele, Janene zombava de deputados que procuravam diretores da Petrobras sem sua intermediação (Foto: Reprodução)

Os desvios de dinheiro por meio de contratos superfaturados na Petrobras identificados até agora ocorreram de 2009 a 2014. A morte de Janene por infarto, na fila do transplante de coração, em 2010, não interrompeu a afinada e conveniente parceria entre Youssef e Paulo Roberto. Ao contrário, os laços ficaram ainda mais estreitos. Durante a Operação Lava Jato, a PF interceptou e-mails recebidos por Youssef.
Uma das mensagens veio de um ressentido João Claudio Genu, ex-chefe de gabinete de Janene e um dos condenados do mensalão. Genu expressava seu “inconformismo” com a aproximação de Youssef e Paulo Roberto. Aparentemente, àquela altura, o doleiro e o diretor da Petrobras tinham estabelecido uma linha direta, sem intermediários, e Genu perdera seu quinhão no esquema. Paulo Roberto se tornara milionário. A Justiça descobriu que ele mantinha R$ 51,3 milhões em 12 contas secretas na Suíça.

O depoimento de Magnus reitera uma conclusão: o mensalão e o escândalo da Petrobras são dois esquemas distintos, mas com métodos, causas e consequências semelhantes. A causa é o fisiologismo: garantir apoio no Congresso usando cargos que deveriam ser preenchidos por critérios estritamente técnicos. O método: desvio de dinheiro público para financiar campanhas ou enriquecer os políticos envolvidos. A consequência: corrupção.
Com a descoberta do mensalão, em 2005, quando o primeiro mandato de Lula se aproximava do fim, foi preciso assegurar a fidelidade dos mesmos partidos – e dos mesmos políticos – ao governo do PT. Com a reeleição de Lula, o governo continuaria a precisar de apoio no Congresso. E o Congresso não mudara. As regras de Brasília também não. Lula e o PT acomodaram-se às práticas políticas de sempre. E distribuíram aos partidos da base os cargos que os políticos tanto queriam.
São aqueles que servem tão somente para gerar favores e dinheiro, seja para campanhas, seja para o bolso de quem está no esquema. Nenhum cargo era tão desejado pelos políticos quanto uma diretoria na Petrobras, a mais rica e poderosa empresa do país. No segundo mandato de Lula, a Petrobras, mais que qualquer outra estatal, ocupou o vácuo deixado pelo mensalão.
Janene está morto, não pode mais ameaçar nem delatar ninguém. Parentes seus são réus com Youssef na ação penal sobre a lavagem de dinheiro do mensalão. Um deles é Meheidin Jenani, primo de Janene. Magnus, o ex-sócio de Janene, afirma que Meheidin é especialista em assar carneiros e ia constantemente do Paraná a Brasília para preparar carneiros para a então ministra da Casa Civil, e hoje presidente Dilma Rousseff.
Procurado por ÉPOCA, Meheidin desconversou. Procurada por ÉPOCA, a assessoria do Planalto disse que Dilma Rousseff não conhece Meheidin, muito menos era fã de carneiros preparados por ele.

12/09/2014-DO RDEMOCRATICA

sábado, 13 de setembro de 2014

PT pagou para evitar que Lula fosse arrastado ao centro do caso Petrobras

O PT sob chantagem
Partido foi chantageado por criminosos que detêm documentos que revelam desfalque milionário nos cofres da estatal — e elo entre o mensalão e o petrolão
Para evitar que o partido e suas principais lideranças sejam arrastados ao epicentro do escândalo da Petrobras às vésperas da eleição, a legenda comprou o silêncio de um grupo de criminosos — e pagou em dólar
Robson Bonin
Veja.com

O PODER E O CRIME - Enivaldo Quadrado (à direita), o chantagista, é pago pelo PT para manter em segredo o golpe que resultou no desvio de 6 milhões de reais da Petrobras, em outro caso de chantagem que envolve o ministro Gilberto Carvalho, o mensaleiro José Dirceu e o ex-presidente Lula 

O PODER E O CRIME - Enivaldo Quadrado (à direita), o chantagista, é pago pelo PT para manter em segredo o golpe que resultou no desvio de 6 milhões de reais da Petrobras, em outro caso de chantagem que envolve o ministro Gilberto Carvalho, o mensaleiro José Dirceu e o ex-presidente Lula
(Montagem com fotos de Ailton de Freitas-Ag. O Globo/Joel Rodrigues-Folhapress/Rodolfo Buhrer-Estadão Conteúdo/Jeferson Coppola/VEJA)

Desde que estourou o escândalo da Petrobras, o PT é vítima de uma chantagem. De posse de um documento e informações que comprovam a participação dos principais líderes petistas num desfalque milionário nos cofres da estatal, chantagistas procuraram a direção do PT e ameaçaram contar o que sabiam sobre o golpe caso não fossem devidamente remunerados.
Às vésperas da corrida presidencial, essas revelações levariam nomes importantes do partido para o epicentro do escândalo, entre eles o ex-presidente Lula e o ministro Gilberto Carvalho, um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff, e ressuscitariam velhos fantasmas do mensalão. No cenário menos otimista, os segredos dos criminosos, se revelados, prenunciariam uma tragédia eleitoral. Tudo o que o PT quer evitar. Dirigentes do partido avaliaram os riscos e decidiram que o melhor era ceder aos chantagistas — e assim foi feito, com uma pilha de dólares.
O PT conhece como poucos o que o dinheiro sujo é capaz de comprar. Com ele, subornou parlamentares no primeiro mandato de Lula e, quando descoberto o mensalão, tentou comprar o silêncio do operador do esquema, Marcos Valério. Ao pressentir a sua condenação à prisão, o próprio Valério deu mais detalhes dessa relação de fidelidade entre o partido e os recursos surrupiados dos contribuintes.
Em depoimento ao Ministério Público, ele afirmou que o PT usou a Petrobras para levantar 6 milhões de reais e pagar um empresário que ameaçava envolver Lula, Gilberto Carvalho e o mensaleiro preso José Dirceu na teia criminosa que resultou no assassinato, em 2001, do petista Celso Daniel, então prefeito de Santo André. A denúncia de Valério não prosperou. Faltavam provas a ela. Não faltam mais.
Os dólares serviram para silenciar o chantagista Enivaldo Quadrado, ele próprio participante da engenharia financeira do golpe contra os cofres da maior estatal brasileira — e agora o personagem principal de mais uma trama que envolve poder e dinheiro.
Quadrado deu um ultimato ao tesoureiro do PT, João Vacari Neto: ou era devidamente remunerado ou daria à polícia os detalhes de documento apreendido no escritório do doleiro Alberto Youssef. O documento era um contrato de empréstimo entre a 2 S Participações, de Marcos Valério, e a Expresso Nova Santo André, de Ronan Maria Pinto.
O valor desse contrato é de 6 milhões de reais, exatamente a quantia que Valério dissera ao MP que o PT levantara na Petrobras para abafar o escândalo em Santo André. É esse o contrato que prova a denúncia de Valério. É esse o contrato que, em posse de Quadrado, permitia ao chantagista deitar e rolar sobre os petistas.13 de setembro de 2014

DO RDEMOCRATA

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

'Forbes' lista cinco motivos para o Brasil não reeleger Dilma

Revista americana publica em seu site texto de colunista em que afirma que má gestão da presidente coloca em risco avanços econômicos e sociais do país

Dilma: para 'Forbes', o mercado não quer a presidente
Dilma: para 'Forbes', o mercado não quer a presidente (Ueslei Marcelino /Reuters)
A revista americana Forbes divulgou em seu site uma lista com cinco razões pelas quais acredita que os eleitores brasileiros não deveriam reeleger a presidente-candidata Dilma Rousseff (PT). Em texto que elenca os avanços econômicos e sociais no Brasil ao longo dos últimos vinte anos – transformações que tiveram início, lembra a revista, no governo de Fernando Henrique Cardozo –, a Forbes afirma: sob o comando de Dilma, o país passou da expansão para a melancolia.
Depois de elencar os avanços dos governo FHC e Lula, o texto ressalta a situação econômica do país, que vive um quadro de recessão técnica e inflação no teto da meta. “Os investidores de todo o mundo, que chegaram a fazer fila para comprar um pedaço do ‘sonho brasileiro’, olham agora para mercados mais atrativos, como o México (e celebram todas as vezes que Dilma perde pontos nas pesquisas eleitorais)”, diz o colunista Anderson Antunes. E encerra: Dilma não apenas falhou em manter tudo em ordem, como está colocando os avanços em risco.

Cinco razões da 'Forbes' por que Dilma não deve ser reeleita

O Brasil não cresceu tanto quanto poderia - e deveria - sob seu governo

É a primeira vez em cinco anos que o Brasil registra retração da economia, lembra o colunista. Em 2010, o país cresceu 7,5%, compara a publicação. "Embora Dilma diga que a performance fraca da economia seja fruto da crise internacional, os números a provam errada", diz o texto. “Até o fim de seu mandato, o crescimento do país deve ser dois pontos porcentuais menor do que a média da América Latina entre 2010 e 2014. Pela primeira vez em 20 anos os vizinhos do Brasil deixam o país comendo poeira".
DA VEJA

Depois do escândalo do Petrolão, doleiro Youssef quer falar



DA REV VEJA

Minha coluna na Folha: “Dilma e Marina estão certas”

Leia trecho:
Na troca de farpas entre Dilma Rousseff e Marina Silva, quem está certa? As duas e ninguém. Cada uma aponta a principal fragilidade da outra para vender a sua imprestável bugiganga institucional. A petista não imagina outra forma de governar que não loteando a administração entre os partidos da base aliada. Aprendeu com Lula que é assim que se faz. O chefão do PT, por sua vez, diz ter aprendido tal prática com os inimigos que vieram antes dele. É uma caricatura de Napoleão, o porco de “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell.
Marina, com a suposta pureza de um “Bola de Neve”, o porco revolucionário do bem, percebeu que há nas ruas, “no que se refere” (como diria Dilma…) ao petismo, uma sensação de enfaro. Então decidiu sair por aí vituperando contra instituições da “velha política” e chama a algumas barbaridades de “nova política”. A última ideia espantosa é um tal “Comitê de Busca de Homens de Bem”, onde seriam pescados os evangelistas da boa-nova.
Se ela chegar ao “Comitê de Salvação Pública”, começarei a cuidar do meu pescoço.
Marina diz que o país não pode continuar nas mãos de Dilma e do que esta representa porque caminharia para a paralisia. E avalio que ela está certa. A presidente tem à sua disposição a maior burocracia do Ocidente, criada para não funcionar. Cada uma das forças políticas que a apoiam quer um lugar de poder para conter o adversário-aliado.
Dilma, por seu turno, sustenta que o modelo proposto por Marina pode ser uma usina de crises. E, convenham, não é preciso ser adivinho para chegar a essa conclusão. Em dois dias, os “vocalizadores” de Marina produziram algumas peças que poderiam entrar para a história nativa da infâmia política.
(…)
Leia a íntegra aqui
Por Reinaldo Azevedo

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Aécio se distingue do vale-tudo petista contra Marina. E o diálogo no Twitter

O candidato tucano à Presidência, Aécio Neves, procurou se distinguir, nesta quinta, dos ataques que o PT promove à candidatura de Marina Silva, do PSB. Segundo o tucano, ele faz a crítica política a Marina, coisa distinta do que promove o PT, que avança no terreno pessoal e apela ao discurso terrorista. “Acho absolutamente inaceitável o tipo de acusação que ela [Marina] recebe hoje da presidente Dilma. Não entro nesse campo. Entro no campo político. Não entro no vale tudo para ganhar a eleição.”
Os perfis de Marina e Aécio no Twitter trocaram mensagem ao longo do dia — ou farpas, ainda que bastante civilizadas quando se tem em mente o jogo rasteiro a que se dedica o PT. No perfil da candidata do PSB, lê-se: “O Aécio agora está fazendo o mesmo trabalho de desconstrução que o PT faz sobre mim. Com os mesmos argumentos usados contra Lula”.
A página de Aécio respondeu: “Marina, na verdade, estou fazendo o debate político, fundamental para a democracia. Não desconstruindo a sua imagem”. Leia outros.
tuítes reinaldo
Retomo
Aécio faz bem ao se distinguir do terrorismo petista, e Marina faz mal ao reclamar do tucano. Ela que aponte, então, qual acusação do presidenciável do PSDB resvalou no campo pessoal. Lembrar a sua trajetória e eventuais incoerências é uma obrigação. Ainda voltarei ao assunto.
Por Reinaldo Azevedo

Idosa põe dedo na cara de Dilma e a chama de mentirosa.

Description: Dilma e a idosa
Esta imagem havia sido censurada a todo custo pelo coordenador da campanha da atual presidente, mas vazou na internet. 
Na foto uma senhora humilde põe o dedo na cara de Dilma e parece lhe falar algo desagradável.  Segundo testemunhas presente, chegou-nos a informação que a idosa disse as seguintes palavras: " a senhora acha que a gente é trouxa? Eu tenho 80 anos.Você é a mulher mais sorrateira e mentirosa que já vi. Ferrou com a minha aposentadoria. Come caviar as minhas custas e agora quer dar uma de boazinha comendo essa lavagem?
Toma vergonha na cara e vê se some porque aqui ninguém gosta de você.
*Fonte: Grupo - Que Brasil nós queremos.
DOMARIOFORTES

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Os saqueadores da Petrobras assassinaram CPIs em vão: a roubalheira foi exumada pela Polícia Federal e por um juiz sem medo

Dilma Rousseff autografa o macacão do ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Ao fundo, é observada por Graça Foster, também investigada pela compra de Pasadena e Paulo Roberto Costa, delator do esquema de corrupção na estatal
Dilma Rousseff, Gabrielli (esq), Graça Foster (atrás) e Paulo Roberto Costa (dir)
ATUALIZADO ÀS 2h09
“A Petrobras já está privatizada”, informa o título do post publicado em 10 de junho de 2010. Aparecem no texto, inspirado no surto de chiliques provocado pela criação de uma CPI incumbida de investigar a estatal, personagens que acabam de sair da caixa preta em poder do ex-diretor Paulo Roberto Costa. Confira:
O presidente Lula ficou muito irritado com a instauração da CPI da Petrobras. Depois de ter feito o possível para interromper a gestação, agora faz o possível para matá-la no berço. Baseado no critério do prontuário, entregou a Renan Calheiros o comando do grupo de extermínio montado para o justiçamento. O senador do PMDB alagoano, diplomado com louvor na escolinha que ensina a delinquir impunemente, é especialista no assassinato de qualquer coisa que ponha em risco o direito conferido aos congressistas leais ao Planalto de roubar sem sobressaltos.
O presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, ficou muito irritado com a instauração da CPI da Petrobras. Caprichando no palavrório que identifica os nacionalistas de galinheiro, qualificou de “inimigos da pátria” os partidários da devassa na empresa ─ o que promove automaticamente a defensores da nação em perigo os que tentam manter fechada a caixa preta. Gente como Renan Calheiros. Ou Ideli Salvatti. Ou Fernando Collor. Ou Romero Jucá, em aquecimento para encarnar o papel de relator que impede a coleta de relatos relevantes.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, ficou muito irritado com a instauração da CPI da Petrobras. Governista seja qual for o governo, o agregado da Famiglia Sarney conhecido na Polícia Federal pela alcunha de Magro Velho alegou que iluminar os porões de uma empresa que é a cara do Brasil Maravilha espanta clientes, fornecedores e possíveis parceiros. Se conhecessem a folha corrida de Lobão, todos os clientes, fornecedores e possíveis parceiros já teriam saído em desabalada carreira das cercanias da Petrobrás e do gabinete do ministério.
Os modernos pelegos ficaram muito irritados com a instauração da CPI da Petrobras. Jovens velhacos da UNE berraram que o petróleo é nosso para plateias insuficientes para eleger um vereador de grotão. Velhos velhacos da CUT garantiram que CPI gera desemprego para gente mais interessada no kit dupla sertaneja+pão com mortadela+tubaína. Vigaristas do PT, do PP e do PMDB lembraram aos sussurros que o petróleo é nosso, mas a eles compete a escolha dos diretores incumbidos de cuidar dos interesses dos padrinho, do partido e do país, nessa ordem.
Tudo somado, e embora a CPI nem tenha ainda saído do papel, ficou mais difícil acusar os partidos de oposição, a elite golpista, os paulistas quatrocentões, os capitalistas selvagens e os loiros de olhos azuis de tramarem nas sombras a privatização da Petrobrás. A empresa já foi privatizada ─ sem licitação. O novo dono é o PT, que arrendou parte do latifúndio à base alugada.
Em 29 de outubro de 2009, os representantes da oposição abandonaram a CPI. “Todos os requerimentos importantes são arquivados sem discussão pela maioria governista”, disse o senador Álvaro Dias, que propusera a instauração da comissão. Em 17 de dezembro, ao fim de 14 sessões reduzidas a shows de cinismo, foi aprovado o papelório de 359 páginas “destinado a contribuir com a Petrobras e com o Brasil” . O relator Jucá concluiu que todos os culpados eram inocentes, não enxergou nenhuma irregularidade na compra de plataformas e viu apenas maledicências nas denúncias de superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
Jucá, Lobão, Renan, chefões do PP, cardeais do PMDB, Altos Companheiros do PT ─ um a um, os saqueadores da Petrobras, abraçados aos comparsas que ampliaram a quadrilha nos últimos anos, vão sendo expelidos do baú de bandalheiras aberto por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento e Refino. Foi para seguir embolsando sem sobressaltos propinas bilionárias que os assassinos de CPIs escavaram em 2009 a cova rasa prestes a acolher outras duas comissões que agonizam no Congresso. O enterro de CPIs não impediu a exumação das verdades que têm assombrado desde sábado o Brasil que presta.
Para resgatar os fatos, foi suficiente que uma oportuníssima conjunção dos astros juntasse agentes da Polícia Federal, procuradores de Justiça e um magistrado desprovidos do sentimento do medo. O acordo de delação premiada foi consequência do trabalho exemplar dos que investigaram, da altivez dos que acusaram e, sobretudo, da coragem do juiz federal Sergio Moro, que tornou a prender o ex-diretor da Petrobras inexplicavelmente libertado pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal.
O acordo que induziu Paulo Roberto Costa a abrir o bico, aliás, precisa ser homologado por Zavascki. Precavido, Moro deixou claro ao depoente que, para livrar-se de envelhecer na prisão, teria de fornecer nomes e provas que permitissem a completa desmontagem do esquema criminoso e, portanto, justificassem a delação premiada. É o que o ex-diretor da Petrobras tem feito nos interrogatórios diários que duram em média quatro horas. A menos que tenha perdido o juízo, restará a Zavascki chancelar o acordo sem falatórios em juridiquês.
O país decente acaba de descobrir que a praga da corrupção impune pode ser erradicada sem que parlamentares e ministros togados ajudem. Basta que não atrapalhem. Basta que não tentem eternizar o faroeste à brasileira — único do gênero em que o vilão sempre escapa do xerife e nunca perde o controle da terra sem lei.
DO A.NUNES

Petrolão era para manter o PT no poder, diz Aécio

Por Carolina Farina, na VEJA.com:
Em agenda de campanha no Pará, o tucano Aécio Neves voltou a responsabilizar o PT, partido da presidente-candidata Dilma Rousseff, pela montagem de um balcão de distribuição de propina a deputados, senadores, governadores e até um ministro de Estado com recursos da Petrobras. “O governo Dilma acabou antes da hora. A presidente já demitiu seu ministro da fazenda e agora vê a maior empresa estatal do país envolvida em um megaesquema de corrupção”, disse Aécio.
“Não acredito que a presidente tenha recebido recursos desses esquemas, mas, do ponto de vista político, foi beneficiária, sim. Ela tinha obrigação de saber o que se passava no seu entorno. A principal empresa pública brasileira foi submetida aos interesses de grupos para quê? Para manter o PT no poder. O PT enlameou nossa principal empresa. Não adianta dizer que não sabia, tem que investigar e punir exemplarmente os responsáveis”, disse.
Reportagem de VEJA revelou que, em um acordo de delação premiada, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal, afirmou que políticos da base aliada à presidente Dilma receberam dinheiro de um esquema bilionário de corrupção na Petrobras. O rol de citados pelo delator inclui três governadores, seis senadores, um ministro de Estado e pelo menos 25 deputados federais que embolsaram ou tiraram proveito de parte do dinheiro roubado dos cofres da estatal. O esquema funcionou nos dois mandatos do ex-presidente Lula e na atual gestão de Dilma Rousseff.
Em sua chegada à capital paraense, Aécio foi recebido por cerca de cem militantes do partido e recebeu de presente de correligionários uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira do Pará. Essa é a primeira vez que o tucano visita o Estado como candidato. Em agenda conjunta com o governador Simão Jatene (PSDB), que concorre à reeleição, Aécio foi recebido no aeroporto por membros da associação de mototaxistas de Belém e representantes da Força Sindical.
Ele também alfinetou a candidata do PSB, Marina Silva: “Quero saber com quem ela vai governar”. Lembrando o passado petista de Marina, o tucano atacou a adversária: “A Marina, mais uma vez, adota um discurso de vitimização”.
Por Reinaldo Azevedo

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