terça-feira, 22 de agosto de 2017

Dilma virou garota-propaganda da privatização

Josias de Souza

Dilma Rousseff fez uma involuntária defesa da privatização da Eletrobras. Ela foi às redes sociais para dizer que a venda da estatal deixará o país “sujeito a apagões”. Declarou que “o consumidor vai pagar uma conta de luz estratosférica.” No era petista, Dilma foi xerife do setor elétrico. Nessa época, a Eletrobras frequentou o noticiário como caso de polícia e de incompetência gerencial. Assim, quanto mais Dilma se manifestar contra, maior tende a ser o apoio à privatização da Eletrobras.
Como ministra de Minas e Energia de Lula, Dilma transformou a Eletrobras num parque de diversões do PMDB do Senado. A Lava Jato mostrou que o partido de sarneys, renans, lobões e barbalhos saqueou a estatal. Como presidente da República, Dilma manteve a fuzarca. Em obras como a Hidrelétrica de Belo Monte, o PMDB dividiu as propinas com o PT.
Além da roubalheira detectada pela Lava Jato, a Eletrobras foi vítima do populismo de Dilma. Antes da eleição de 2014, madame promoveu uma redução artificial das contas de luz. Relegeu-se. Mas produziu um tarifaço pós-eleitoral e enfiou dentro do balanço da Eletrobras um prejuízo de algo como R$ 30 bilhões. Com esse histórico, as críticas de Dilma fazem dela uma espécie de garota-propaganda da privatização da Eletrobras.

Sem foro, Collor talvez dividisse cela com Cunha

Josias de Souza

Denunciado por corrupção em 20 de agosto de 2015, o senador Fernando Collor foi convertido em réu nesta terça-feira pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal. Entre a formalização da denúncia e sua aceitação passaram-se dois anos e dois dias. Na ponta do lapis: a Suprema Corte levou 732 dias para atestar a consistência das acusações contra o senador. A sentença final não virá antes da abertura das urnas de 2018.
Denunciado no mesmo dia, Eduardo Cunha não teve a mesma sorte de Collor. Ex-presidente da Câmara, teve o mandato de deputado cassado em 12 setembro de 2016. No mês seguinte, foi recolhido a uma cela de Curitiba por ordem de Sergio Moro. Em 30 de março de 2016, Cunha já amargava sua primeira condenação. O juiz da Lava Jato sentenciou-o a 15 anos e 4 meses de cadeia.
Hoje, o presidiário Eduardo Cunha está na fila da delação premiada. E Fernando Collor continua usufruindo de todas as facilidades que o contribuinte é capaz de pagar a um senador da República. Não fosse pelo escuro do foro privilegiado do Supremo, Collor talvez já estivesse dividindo uma cela com Cunha, em Curitiba. Em vez disso, o senador sonha com um futuro igual ao do seu conterrâneo Renan Calheiros (PMDB-AL).
Acusado de pagar com propinas de uma empreiteira a pensão de uma filha nascida de relação extraconjugal, Renan virou réu em dezembro do ano passado. Passaram-se nove anos entre o início da investigação e a apreciação da denúncia. Houve prescrição de parte dos crimes. Sabe Deus quando Renan será julgado.
Na Lava Jato, a contabilidade da primeira instância registra 157 condenações. Juntas, somam 1.563 anos, 7 meses e 5 dias. No Supremo Tribunal Federal, não há vestígio de sentença. Repetindo: ninguém foi condenado. Não é sem motivo que os políticos entregam a alma para permanecer no paraíso da Suprema Corte.

Suspeição de Gilmar é toga justa para Cármen


Josias de Souza

O pedido de suspeição da Procuradoria-Geral da República contra Gilmar Mendes deixou Cármen Lúcia numa toga justa. Se enviar a peça ao arquivo, a presidente do Supremo Tribunal Federal fará tempestade num copo de veneno, atraindo para si as críticas dirigidas ao colega. Por sorte, a doutora encontra no regimento interno da Suprema Corte o melhor antídoto. Basta transferir a decisão para o colegiado.
Reza o regimento que, admitida a suspeição, Cármen Lúcia precisa ouvir Gilmar. Que repisará a tese segundo a qual o fato de ter sido padrinho de casamento de Beatriz Barata não o impede de livrar da cadeia o pai dela, Jacob Barata Filho. O noivo é sobrinho de Guiomar Mendes, mulher de Gilmar. Mas isso tampouco é motivo para que o ministro se declare impedido de atuar no caso. O pai do noivo, irmão de Guiomar e, por conseguinte, cunhado de Gilmar, é sócio de Jacob, o preso libertado. Mas e daí?
Por muito menos o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, declarou-se suspeito para julgar um habeas corpus ajuizado no Supremo pela defesa de Lula. Fachin tomou distância do processo sob a alegação de que era padrinho de casamento da filha de um dos advogados signatários da petição.
Em casos como o de Gilmar, o regimento do Supremo prevê que Cármen Lúcia pode ouvir testemunhas. Se achar desnecessário, a ministra poderá submeter a encrenca ao plenário. Parece trivial. Mas isso é algo que jamais aconteceu no Supremo. A transparência é a regra no serviço público. Porém, o regimento do tribunal prevê que são secretas as sessões para o julgamento de pedidos de suspeição contra seus ministros. Lastimável!
A petição do procurador-geral Rodrigo Janot no caso Barata não é a primeira investida contra Gilmar. O chefe do Ministério Público já havia colocado em dúvida a isenção do ministro no julgamento do habeas corpos que libertou o empresário Eike Batista. Juntos, os dois pedidos oferecem aos dez colegas de Gilmar a oportunidade para informar ao país de que matéria prima é feita o excelso pretório —se de corporativismo ou de interesse público.

Semipresidencialismo transformaria a semidesordem em avacalhação total



Josias de Souza

A penúltima novidade da política brasileira se chama semipresidencialismo. Mencionada de forma superficial, a proposta tem a consistência de uma nuvem de fumaça. Até onde a vista consegue alcançar, a ideia é enfraquecer o presidente eleito pelo povo e fortalecer o Congresso, que passaria a escolher um primeiro-ministro para cuidar dos negócios do Estado.
O brasileiro já teve a oportunidade de se manifestar sobre o parlamentarismo em dois plebiscitos, em 1963 e 1993. Em ambos, rejeitou a mudança. Nada impede que o tema seja rediscutido. Mas é preciso respeitar a inteligência da plateia. A primeira coisa a fazer é escancarar o fogo que se esconde atrás da fumaça.
Defendem a novidade o ministro Gilmar Mendes, adepto da política de celas vazias na Lava Jato; o presidente Michel Temer, acusado de corrupção; e investigados como Renan Calheiros e José Serra.
Participam da articulação os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira —respectivamente o Botafogo e o Índio nas planilhas da Odebrecht. Num ambiente assim, a implantação do semipresidencialismo parece coisa de quem deseja transformar a semidesordem que vigora no Brasil numa esculhambação completa. É melhor cumprir a Constituição do que modifica-la de qualquer jeito.

Após pilhagem, Eletrobras vai à bacia das almas

Josias de Souza

O governo decidiu colocar à venda um pedaço da Eletrobras. Demoroooooooou! Em junho de 2016, já lá se vai mais de um ano, o ministro Fernando Coelho Filho (Minas e Energia) já havia classificado a situação da estatal elétrica como “insustentável”. Estava claro que a companhia teria de vender ações para sair do buraco. O papelório será negociado na bacia das almas, num instante em que a situação fiscal do Estado brasileiro é ruinosa.
Na prática, a privatização já chegou à Eletrobras faz tempo. Negociada no balcão da baixa política, a estatal dedica-se há anos à satisfação dos interesses patrimonialistas do condomínio partidário que dá suporte legislativo ao Planalto. A empresa foi vítima do mesmo complô que levou a Petrobras à breca. Na era petista, sua ruína é obra do PMDB e do PT.
Hoje, a Eletrobras acumula uma dívida de R$ 50 bilhões. Na origem do problema estão três flagelos: a inépcia gerencial, o fisiologismo político e a corrupção. Para complicar, Dilma Rousseff ajudou a afundar a empresa ao impor em 2012 uma redução populista e artificial das contas de luz. Mal comparando, o governo fizera a mesma coisa na Petrobras, ao represar os reajustes dos combustíveis.
Graças à roubalheira, a Eletrobras foi captada pelo radar da Lava Jato. Apenas na construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte detectaram-se propinas de R$ 150 milhões. A cifra veio à luz em delações de executivos da Andrade Gutierrez. A dinheirama foi rachada entre PT e PMDB, metade para cada legenda.
São investigados em inquéritos relacionados à obras de Belo Monte figurões do PMDB: Romero Jucá (RR), Renan Calheiros (AL), Valdir Raupp (RO), Jader Barbalho (PA) e Edison Lobão (MA). A colaboração judicial do ex-senador petista Delcídio Amaral adicionou ao rol de encrencados os ex-ministros Erenice Guerra e Silas Rondeau, do governo Lula, e Antônio Palocci, dos governos Lula e Dilma.
Ironicamente, a Eletrobras é joia de uma área em que Dilma se vangloriava de reinar. Xerife do setor energético desde o primeiro mandato de Lula, madame jamais desapontou os políticos que tratam o público como privado. Em 2004, quando era ministra de Minas e Energia, Dilma fritou um respeitado presidente da Eletrobras, Luis Pinguelli Rosa, para acomodar na poltrona Silas Rondeau, afilhado político de José Sarney.
Em 2005, alçada à Casa Civil nas pegadas da queda do companheiro José Dirceu, Dilma endossou a indicação de Rondeau para substituí-la no comando da pasta de Minas e Energia. Dois anos depois, o afilhado de Sarney foi pilhado pela Polícia Federal na Operação Gautama. Acusado de receber envelope com propina de R$ 100 mil, Rondeau deixou o cargo. Substituiu-o, com o aval de Dilma, Edison Lobão, outro ministro da cota de Sarney.
Em 2010, eleita sucessora de Lula, Dilma manteve Lobão na Esplanada. Trocou-o mais tarde por outro senador do PMDB: Eduardo Braga (AM). Hoje, sob Michel Temer, o ministro é do PSB. Mas a Eletrobras continua sob a área de influência do PMDB do Senado. De modo que a privatização formal da estatal tende a reduzir amoralidade na esfera pública. Com duas vantagens: entrará algum dinheiro nos cofres do Tesouro. E os serviços tendem a melhorar.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

No enredo da ruína fiscal, Jucá é causa e efeito


Josias de Souza

A Procuradoria-Geral da República protocolou nesta segunda-feira denúncia contra o senador Romero Jucá (PMDB-RR) no Supremo Tribunal Federal. Acusa-o de envolvimento num escândalo que impediu a Receita Federal de recolher bilhões em impostos. A novidade revela uma vez mais a polivalência de Jucá. Como líder de Michel Temer no Senado, ele articula a elevação do rombo fiscal do governo. Como denunciado, terá de provar que não favoreceu empresas no jogo de esconde-esconde que leva à sonegação e potencializa a ruína do Estado brasileiro.
A denúncia é decorrência da Operação Zelotes. Corre em segredo de Justiça. O pedaço da investigação que envolve Jucá trata de suposto favorecimento ao Grupo Gerdau. Relator de uma medida provisória sobre tributação do lucro de empresas brasileiras no exterior, o senador teria ajudado a moldar o texto aprovado no Congresso aos interesses da Gerdau. Em troca, recebeu da empresa contribuições de campanha. A encrenca foi sancionada em 2014 por Dilma Rousseff, deposta pelo Congresso sob a acusação de ter praticado ciclismo fiscal. Nesse enredo, Jucá é causa e efeito.

PSDB é ninho de víboras, não mais de tucanos


O PSDB sempre foi uma agremiação de amigos 100% feita de inimigos. Mas o ninho já não é o mesmo. Virou um serpentário. Antes, eram tucanos trocando bicadas. Agora, são víboras que se envenenam entre si. Por mais que divergissem, os tucanos acabavam deslocando sua massa na correnteza e esperneando da mesma maneira. Na atual fase viperina, porém, a viscosidade da secreção venenosa indica que a coisa pode acabar num sinistro afogamento coletivo.
Parceiros de escândalo, Aécio Neves e Michel Temer viraram a sombra um do outro. Só na semana passada, encontraram-se três vezes. Em nota divulgada neste domingo, o diretório do PSDB paulistano escreveu que Aécio, afastado da presidência do partido, provoca “desconforto e embaraços”, pois apenas Tasso Jereissati está autorizado a falar pela legenda como seu presidente interino.
Signatário da nota, o vereador Mario Covas Neto, que preside o PSDB na cidade de São Paulo, caprichou na peçonha: ''Prove sua inocência, senador, e aí sim retorne ao partido'', escreveu, jogando no ventilador o autogrampo de Joesley Batista, no qual a voz de Aécio soa pedindo R$ 2 milhões —repassados posteriormente pela JBS em malas e mochilas.
As víboras paulistanas suspeitam que Aécio tricota com Temer para armar uma emboscada contra Tasso. Temer plugou-se no Twitter para desmentir. Disse ter conversado com Aécio sobre usinas hidrelétricas da Cemig, que a União cogita levar ao martelo. “Senadores tratam dos assuntos de interesse de seu Estado. Nada mais normal”, escreveu Temer. “Teorias da conspiração são assunto de quem não tem o que fazer.''
Em outra nota, Aécio ecoou a versão de Temer sobre a Cemig. Expressou-se como se ainda estivesse no volante, não no banco do carona de uma legenda pilotada por Tasso: ''O PSDB tem responsabilidade para com a estabilidade política e a recuperação econômica do país, o que torna natural que lideranças do partido tenham conversas com o presidente e membros do governo. Estranho seria se isso não ocorresse.''
Quando tudo já parecia bem confuso, o presidente PSDB no Estado de São Paulo, Pedro Tobias, atravessou no noticiário uma nota em que diverge parcialmente de Covas Neto, o mandachuva do tucanato na capital paulista. Embora também não enxergue em Aécio autoridade para falar pelo PSDB, Tobias sustenta que “como senador eleito por Minas Gerais”, ele “tem o dever de exercer na plenitude o seu mandato.”
Com tanta nota voando, o deputado Domingos Sávio, que preside o PSDB de Minas Gerais, também deu asas a um texto. Nele, chamou de “lamentável oportunismo” o ataque de Covas Neto. Em vez de defender Aécio, usou o veneno do agressor como antídoto. Sávio tachou o neto de Mario Covas de figura “pouco expressiva”. Realçou que ele já foi alvejado por “acusações extremamente graves.” Pendurou um ponto de interrogação no pescoço do seu alvo sem esmiuçar as “acusações.”
A gincana de notas torna mais densa a crise inaugurada na semana passada, com a veiculação da propaganda partidária na qual o PSDB fez uma “autocrítica” mal recebida pela banda governista do serpentário. Em 2014, quando Aécio Neves bateu na trave na vitória apertada de Dilma Rousseff, o tucanato julgava-se fadado a retornar à Presidênica da República. Os tucanos não imaginavam naquela época que seriam governo antes de 2018, com Temer no comando e a Lava Jato nos calcanhares de vidro de Aécio, Geraldo Alckmin e José Serra.
Em apuros, o serpentário revela-se capaz de quase tudo, menos de articular meia dúzia de propostas para retirar o país do buraco em que se encontra. Dividido em duas grandes alas —uma ávida por redescobrir o gosto pelo fisiologismo e outra receosa de perder a castidade presumida—, o PSDB parece condenado à separação. Um grupo deve ficar com o PMDB de Temer e com a má fama do Aécio. O outro, com a certidão de nascimento social-democrata e com o FHC. Que as víboras governistas só poderão visitar uma vez por mês.  DO J.DESOUZA

domingo, 20 de agosto de 2017

O bem que Gilmar Mendes nos faz...é o mesmo que maduro faz aos venezuelanos



Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Sabe o que é mais preocupante em toda a seqüência de casos desmoralizantes ou polêmicos envolvendo o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal e na presidência do Tribunal Superior Eleitoral? Atacado duramente nos meios jurídicos, nas redes sociais, e agora também na dita grande imprensa, o Poderoso Gilmar Mendes não parece preocupado com nada(ou, em português claro, com porra nenhuma).

Por que Gilmar não ajuda a sociedade brasileira que clama por transparência e segurança total no voto eletrônico, apoiando a implantação da conferência do voto impresso por recontagem? Para com isto... O Poderoso Gilmar Mendes tem outras prioridades. A força dele é tão grande que três professores de seu Instituto Brasiliense de Direito Público conseguiram ser indicados, recentemente, para uma vaga de ministro-substituto do TSE (que deveria ser um mero órgão administrativo, e não um organismo judicial para cuidar das eleições).  

O prestígio de Gilmar Mendes apenas comprova que ele é uma das figuras que mais manda nesta velha Nova República. Ele foi indicado para o supremo cargo pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O velho Príncipe dos Sociólogos (agora chamado por alguns inimigos de “Efegagácê”) é um fenômeno da esquerda mundial e do mundinho acadêmico. Seus desafetos intrigam que ele é o único professor universitário aposentado do planeta terra que possui um apartamento avaliado em 11 milhões de Euros na Avenue Foch, em Paris. Fala sério... Só pela indicação de Gilmar para o STF, FHC merece...

Por falar em aposentadoria, e mudando rapidamente de assunto para voltar nele depois, A Veja denuncia que uma investigação acaba de confirmar que a inesquecível Dilma Rousseff furou a fila do INSS e conseguiu se aposentar de modo irregular. Um dia depois do impeachment presidencial, o ex-ministro da Previdência, Carlos Gabas, e uma secretária particular da Dilma, entraram pela porta dos fundos da Agência do INSS na Asa Sul. Lá conseguiram abrir e fechar, em tempo recorde, um processo para aposentar Dilma com o salário máximo de R$ 5.189 reais. Nada anormal se 400 mil brasileiros sem prestígio estivessem com processos de aposentadoria represados na burocracia previdenciária. Dilma merece...

Voltando ao Gilmar Mendes, os gaiatos no zap-zap estão viralizando uma avacalhação contra ele. No texto, que circula velozmente, algum desafeto explora a fama de Gilmar como ilustre “Godfather”: Gilmar e a esposa Guiomar foram padrinhos do casamento da filha do Jacob Barata – o Rei dos ônibus do Rio de Janeiro, que mandou soltar recentemente. A mensagem vai lotar a caixa de mensagens dele: “O ministro Gilmar Mendes está fazendo participação em festas de aniversário, formatura e casamento, inclusive como padrinho, mesmo sem ter contato com a família. Basta enviar e-mail convidando. Ministro GILMAR MENDES. Telefone (61) 3217-4175; email: mgilmar@stf.jus.br – email: audienciasgilmarmendes@stf.jus.br ”.

Gilmar virou piada... O site Sensacionalista já colocou o ministro na mais alta “catiguria” dos ecologistas, com a manchete: “Gilmar Mendes ganha prêmio do Ibama por soltar tucanos, ratos e até Barata”. Gilmar também foi comparado ao poderoso iogurte Corpus: “Solta toda a merda presa”... Mas a sacanagem mais terrível contra Gilmar foi postada por Gustavo Victorino: “Estado Islâmico assume a autoria de Gilmar Mendes no STF”. Ainda bem que a notícia é mentirosa: o autor verdadeiro é FHC... Gilmarj merece? Talvez, sim... Quem sabe, não... Poderoso virar piada é coisa normal no mundo inteiro.

O problema (ou seria solução?) é que as atitudes públicas, decisões judiciais e manifestações virulentas de Gilmar Mendes, sobretudo contra a Força Tarefa da Lava Jato, certas ou erradas, atraem os olhares do mais simplório cidadão para as mazelas do Judiciário (ou Judasciário) do Brasil. Agora que a ministra Carmem Lúcia resolveu atacar o pagamento dos “penduricalhos” nos vencimentos de magistrados e servidores dos Palácios de Justiça, devemos presenciar um choque de transparência que será muito útil no processo de mudanças que o Brasil sofrerá.

Para encerrar, uma reflexão do jornalista paranaense Paulo Eduardo Martins, Diretor de Relações Institucionais do Instituto Liberal, que deve ser levada muito a sério: Há tempos alerto sobre a bolha virtual em que a Direita vive. Enganada pelas redes sociais que só lhe mostra conteúdo de interesse comum, pensa que a esquerda está morta. O fluxo de informação e o predomínio da narrativa da esquerda no imenso mundo fora da bolha não podem ser ignorados, de forma alguma. A Direita liberal/conservadora não predomina ainda em uma única instituição de ensino, redação ou partido. Eleitoralmente, ainda não temos condições de eleger UM deputado federal por Estado. Encaremos a realidade. Fechar-se no conforto da bolha é coisa de nerd”.

Ainda bem que tem gente saindo da bolha. Domingo que vem, dia 27 de agosto, é convocada uma manifestação, na Avenida Paulista, com um mote central: “Eu quero Gilmar Mendes Preso”. O curioso é que a campanha é divulgada na Internet por membros do Judiciário...

Os novos atores políticos vão aumentar a pressão para que os poderes instituídos sejam passados a limpo no Brasil. A Intervenção Institucional, para nos livrar do domínio do Crime, é inevitável. Neste 20 de agosto, tem ato pelo “Voto Impresso, já” em 100% das Urnas Eletrônicas, em todo o Brasil.

Fora Gilmar, a semana promete ser animada com a esperada delação do doleiro Lúcio Bolonha Funaro. Antônio Palocci também já teria denunciado que os bancos BTG e Safra pagavam mesadas para Lula...

A turma próxima a Michel Temer já está tomando remédio para dor de barriga... O que a turma de Lula toma já não faz mais efeito...

Releia o artigo: Lava Jato, Lava Voto e Lava Toga

Abridor da Porteira
~
Furona
Outra delação esperada

Sindicância detecta irregularidade na aposentadoria amealhada por Dilma

Josias de Souza

Sindicância realizada com o propósito de checar o processo de aposentadoria de Dilma Rousseff constatou que ela se aposentou irregularmente depois de sofrer o impeachment. Deposta pelo Senado em 31 de agosto de 2016, a ex-presidente petista requereu sua aposentadoria no dia seguinte, numa agência do INSS, em Brasília. Obteve o benefício com a velocidade de um raio.
Notícia veiculada no site da revista Veja informa que a investigação concluiu que a aposentadoria foi concedida a Dilma de forma irregular. Madame furou a a fila do INSS. Fez isso com o auxílio de servidores do órgão. E começou a receber R$ 5,189 —valor máximo permitido em lei— mesmo sem ter apresentado toda a documentação exigida.
Dilma nem precisou dar as caras na agência do INSS. Ex-ministro da Previdência, o petista Carlos Gabas foi à repartição acompanhado de uma secretária de Dilma. Entraram pelos fundos. E foram atendidos na sala da chefe da agência. A aposentadoria foi efetivada nos computadores do INSS em poucos minutos.
Segundo os auditores, o ex-ministro de Dilma mexeu os pauzinhos para que a ex-chefe recebesse tratamento privilegiado. Verificou-se que a servidora do INSS Fernanda Doerl levou em conta informações não comprovadas documentalmente para calcular o tempo de serviço de Dilma.
Faltou um comprovante de órgão federal que atestasse o período que Dilma ostentou a condição de anistiada política. Levou-se em conta um documento estadual, gambiarra não prevista em lei. De resto, Dilma se absteve de agendar o atendimento, como qualquer brasileiro é obrigado a fazer.
Servidor de carreira do INSS, Gabas sofreu uma punição mixuruca: suspensão do serviço público por dez dias. Fernanda, a servidora que apressou a concessão da aposentadoria, tomou apenas uma advertência. O governo cobra de Dilma a devolução do primeiro benefício recebido: R$ 6.188, já incluídos os juros. Ela não parece disposta a mexer na bolsa. Já recorreu contra a decisão. Gabas negas as acusações e atribui a sindicância a perseguição política.

Gilmar Mendes intensifica política da cela vazia

Josias de Souza

Num intervalo de 72 horas, Gilmar Mendes colocou em liberdade meia dúzia de encrencados no esquema de corrupção no setor de transportes do Rio de Janeiro. Com isso, o ministro do Supremo Tribunal Federal inaugurou uma nova fase da implantação da política de celas vazias da Lava Jato. É muito parecida com as fases anteriores. A diferença é que já não há a necessidade de maneirar. Aboliu-se o recato.
Convicto de sua própria invulnerabilidade, Gilmar virou em primeiro lugar a chave da cela de Jacob Barata Filho. Conforme ilustra a foto acima, o ministro é padrinho de casamento de Maria Beatriz Barata, filha do investigado. Ela trocou alianças com o sobrinho da mulher de Gilmar, Guiomar Feitosa Mendes. Chama-se Francisco Feitosa Filho. Seu pai, Francisco Feitosa de Albuquerque Lima, irmão de Guiomar e cunhado de Gilmar, é sócio de Barata, o empresário que ganhou a liberdade.
Os procuradores da força-tarefa do Rio de Janeiro pediram que Gilmar seja impedido de atuar no processo que envolve Barata. Cabe ao chefe do Ministério Público, Rodrigo Janot, decidir se encaminhar ou não o requerimento ao Supremo. “Vocês acham que ser padrinho de casamento impede alguém de julgar um caso?”, perguntou Gilmar aos repórteres na sexta-feira. “Vocês acham que isso é relação íntima, como a lei diz? Não precisa responder!”
O site do Supremo ensina: a suspeição de um juiz pode ser suscitada quando ele for “amigo íntimo” de uma das partes envolvidas no processo. Isso está previsto no artigo 135 do Código de Processo Civil. Gilmar alega que sua relação com os Barata não é íntima. Quanto à sociedade do irmão de sua mulher com Barata, o ministro diz não ter relação direta com os negócios do cunhado.
Neste sábado, Gilmar incluiu num despacho em que libertou mais quatro presos uma estocada nos procuradores que pedem seu afastamento do caso. ''Não se pode curvar e ceder a grupos de trêfegos e barulhentos procuradores.'' Numa de suas acepções mais comuns, o vocábulo “trêfego” significa irrequieto, agitado.
Deve-se à agitação barulhenta da infantaria de procuradores o rompimento de uma tradição que chegou ao Brasil junto com as caravelas. Nenhuma revelação conseguia abalar o prestígio de uma eminência empresarial brasileira. Mesmo quando desmascarados e denunciados, os empresários continuavam enchendo as colunas sociais. Hoje, enchem as celas que Gilmar se apressa em esvaziar.
No início do mês, o ministro Luís Roberto Barroso, um desafeto de Gilmar no Supremo, soou premonitório ao comentar a influência dos encrencados na Lava Jato: ''Essas pessoas têm aliados importantes em toda parte, nos altos escalões da República, na imprensa e nos lugares onde a gente menos imagina''.
O juiz Marcelo Bretas, que cuida da Lava Jato no Rio, tentou manter atrás das grades dois dos presos que Gilmar soltou. Expediu novos mandados de prisão contra Jacob Barata, o compadre, e Lélis Teixeira, ex-presidente da Federação dos Transportes do Rio. Gilmar mandou soltá-los pela segunda vez. Antes, fez troça do trabalho do doutor Bretas: “Isso é atípico, né? Em geral, o rabo não abana o cachorro, é o cachorro que abana o rabo”.
''A liberdade é a regra no processo penal'', anotou Gilmar Mendes no mesmo despacho em que chamou os procuradores de “trêfegos”. Avesso às exceções que quebram a regra não-escrita segundo a qual nenhuma falsidade justifica a incivilidade da prisão de um representante da oligarquia política e empresarial, Gilmar evocou Rui Barbosa: ''O bom ladrão salvou-se. Mas não há salvação para o juiz covarde''.
A frase citada pelo ministro consta de artigo intitulado “O justo e a justiça política”. Foi escrito em 1899. Nele Rui Barbosa discorre magistralmente sobre a falta que uma toga genuína fez a Jesus Cristo: “Por seis julgamentos passou Cristo, três às mãos dos judeus, três às dos romanos, e em nenhum teve um juiz. Aos olhos dos seus julgadores refulgiu sucessivamente a inocência divina, e nenhum ousou estender-lhe a proteção da toga. Não há tribunais, que bastem, para abrigar o direito, quando o dever se ausenta da consciência dos magistrados.”
Quer dizer: aos olhos de Gilmar Mendes, os investigados do Rio podem ser imaculadas criaturas. Gente comparável ao filho de Deus. Os trêfegos da Procuradoria e o doutor Bretas comporiam um bando de cegos, incapazes de enxergar “a inocência divina”. Nesse enredo, ministros do Supremo precisam assinar habeas corpus em série porque não podem lavar as mãos.
O barulhinho que você ouve ao fundo é o ruído de Rui Barbosa se revirando no túmulo ao perceber que o cachorro passou a abanar o rabo para pessoas que deveria morder. Até os mortos farejam o cheiro de queimado. Vem aí a revogação da decisão do Supremo que permitiu passar os corruptos na chave após a confirmação das condenações na segunda instância do Judiciário.

sábado, 19 de agosto de 2017

A MENTIRA E FRAUDE! Criança Esperança: Enganação da Rede Globo – A Triste e Dura Realidade

Aos tolos que doaram para “o criança esperança”… Fiquem sabendo. As organizações Globo entregam todo o dinheiro arrecadado à UNICEF e recebem um recibo do valor para dedução do seu imposto de renda! Para vocês a Rede Globo anuncia: essa doação não poderá ser deduzida do seu imposto de renda, porque é ela quem o faz!!
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Sim, mas e daí? Bem… é só pensar um pouco.Vejamos, a Rede Globo todos esses anos na verdade não doa nada de seu tempo, recursos e estrutura, isto é, os próprios donos da emissora não DOAM NADA pela causa! Pois na verdade eles são pagos, e muito bem pagos, tendo redução em seu imposto de renda, sendo que o dinheiro desse imposto (não pago) seria usado, dentre outras coisas, para fornecer EDUCAÇÃO, ALIMENTAÇÃO E ASSISTÊNCIA MEDICA AS CRIANÇAS e ao povo brasileiro.
Realizando a campanha do “criança esperança”, os donos arrecadam milhões e milhões, dos telespectadores ingênuos. Estes milhões são então entregues a UNICEF e nem é fiscalizado onde vão usar os recursos, [creio que muito desses recursos vai para outros países, ou pior, para os bolsos dos milionários corruptos internacionais...], a Rede Globo, por sua vez, lucra com o evento recebendo uma redução do imposto de renda que na verdade era direito dos que doaram! Então, para ser bem claro, a Rede Globo de Televisão ROUBA dos doadores o direito de redução de imposto, a Rede Globo LUCRA com o criança esperança, deixa de pagar impostos que poderiam ser usados para investir na educação, saúde e bem estar das crianças e adolescentes do Brasil, o evento é custeado na verdade pelos doadores a Rede Globo nem o gasto de realizar a campanha ela tem, pois todos os custos são deduzidos do montante arrecadado.
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Então além de alienar, desinformar, manipular, ser partidária do Ateísmo/Materialismo as organizações Globo ainda por cima ROUBA o povo brasileiro, pois lucrou com as vultosas doações que arrecadou usando do apelo “ajude para o bem das crianças”, deixou de pagar milhões em impostos, transformando as doações dos telespectadores em dinheiro vivo para encher seus cofres… Xuxa que já sabe disso se recusou a participar da campanha desse ano [2010]
E apesar dessa emissora usar o apelo “doem para ajudar as crianças”, ela mesma foi totalmente negligente quando realmente teve a chance de ajudar uma. Vejam o absurdo que aconteceu nos idos de 1983 [época em que a Rede Globo já fazia o “SOS Nordeste” que depois foi rebatizado como Criança Esperança em 1985].
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A Rede Globo foi à responsável pelo fim trágico do Ator Fernando Ramos da Silva que interpretou o menor de rua no filme. Conhece o filme – “Pixote, a Lei do Mais Fraco”? – Não? Então Clique Aqui O ator Fernando Ramos da Silva, que interpreta o personagem-título, tempos depois do êxito do filme, voltou à sua vida de sempre, vivendo num ambiente de total miséria. Chegou a tentar seguir a carreira de ator, ingressando na Rede Globo primeiro em 1981 e depois com a ajuda do escritor José Louzeiro, em 1983, porém, foi demitido por ser incapaz de decorar os textos, já que era semi-alfabetizado. Devido à influência dos irmãos, retornou à criminalidade, sendo assassinado por policiais em 1987 quando tinha 19 anos.
Então a rede Globo em vez de ser solidária a essa criança pobre e carente, em vez de, por exemplo, pagar os poucos estudos que ele necessitava para seguir a carreira, simplesmente virou as costas. Demitiu ele e não deu a mínima! Então quem matou Pixote? [titulo de um filme de 1996], foi o descaso completo da Rede Globo de Televisão! Que desde antes dessa época vem todo ano com essa ladainha da campanha do “Criança Esperança”. Se for depender dos donos da Vênus Platinada as crianças podem perder todas as esperanças…DO J.DOPAIS

"O fim da Lava Jato?", por Ruy Fabiano

Com Blog do Noblat - O Globo

A Lava Jato, mais uma vez, está sob bombardeio. Desta vez, o ataque se arma de dentro do próprio Judiciário, mais especificamente no STF. É lá que está sendo gestada a revisão da jurisprudência que autoriza prisão dos condenados em segunda instância.
Pouco importa que essa jurisprudência tenha se estabelecido há menos de um ano – mais precisamente, em outubro do ano passado – e que, de lá para cá, a composição da Corte seja praticamente a mesma, com uma única alteração, decorrente da morte de Teori Zavaski, sucedido por Alexandre de Moraes. Não é comum tal procedimento, para dizer o mínimo. Uma jurisprudência decorre de ampla análise e debate, em que os prós e os contras são avaliados e submetidos a votação. Como o fez o STF. Comum, sim, é uma antiga jurisprudência, que o tempo e a legislação tornaram anacrônica, ser revista. Mais uma que nem sequer chegou a aniversariar é um fato singular. Por 6 a 5, o STF entendeu, naquela oportunidade, que o artigo 283 do Código de Processo Penal não impede a prisão após condenação em segunda instância e indeferiu liminares pleiteadas nas Ações Declaratórias de Constitucionalidade 43 e 44, impetradas pelo Partido Ecológico Nacional (PEN) e pela OAB. O caso começou a ser analisado pelo Plenário em 1º de setembro de 2016, quando o relator das duas ações, ministro Marco Aurélio, votou contra a prisão em segunda instância. Contudo, um mês depois, com a retomada do julgamento, foi voto vencido.Prevaleceu o entendimento de que a norma não veda o início do cumprimento da pena após esgotadas as instâncias ordinárias. Entre os que assim pensavam – e votaram – estavam os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, que agora informam ter mudado de opinião. E é Gilmar Mendes, coadjuvado por Marco Aurélio, que propõe a reabertura do debate. Ele e Toffoli converteram-se à tese do relator, segundo a qual a prisão em segunda instância fere o artigo 5º, inciso LVII da Constituição, que estabelece que a presunção de inocência permanece até o trânsito em julgado – isto é, até que se esgote o último recurso. A jurisprudência agora contestada considera que o direito aos recursos pode ocorrer com o condenado preso, como ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos. Foi o que sustentou a presidente do STF, Cármen Lúcia, ao dar o voto de minerva na questão, argumentando que, quando a Constituição estabelece que ninguém pode ser considerado culpado até o trânsito em julgado, “não exclui a possibilidade de ter início a execução da pena”.Com a mudança dos votos de Gilmar e Toffoli, o placar anterior se inverte. E há ainda a possível adesão de Alexandre de Moraes. A lei processual brasileira permite uma infinidade de recursos, que, somados à lerdeza do Judiciário, levam com frequência a que os processos prescrevam antes de serem julgados. Paulo Maluf, por exemplo, tem sido historicamente beneficiário histórico dessa anomalia processual. Seus processos prescreveram antes do julgamento. Tornou-se um inocente por decurso de prazo, ainda que procurado pela Interpol e condenado na França. Basta um bom escritório de advocacia para acionar todos os mecanismos processuais disponíveis. Lula – mas nem de longe só ele – será o grande beneficiário dessa mudança Se condenado em segunda instância, terá a ficha suja, mas figurará na campanha do ano que vem como cabo eleitoral – e já o antevê, ao lançar três nomes como possíveis candidatos do PT: Fernando Haddad, Fernando Pimentel e Jacques Wagner - não por acaso, todos denunciados na Lava Jato. Pimentel já como réu Com essa revogação, o instituto da delação premiada perde eficácia, já que os condenados passam a contar com a burocracia processual, que os manterá soltos por muitos anos, talvez para sempre. É possível que a delação de Antonio Palocci nem saia, já que a mudança pode ocorrer a qualquer momento. Figuras como Eduardo Cunha, o próprio Palocci, João Vaccari, Marcelo Odebrecht, entre outros, voltariam para casa. Não lhes faltam bons advogados para inseri-los no turbilhão processual. Com isso, acabaria a Lava Jato. E esse parece ser o objetivo. Essa estratégia conta, por motivos óbvios, com amplo apoio nos outros dois Poderes. Considera-se que as manifestações de rua, único fator inibidor de expedientes como esse, já arrefeceram e não mais se repetirão. A conferir. O que é certo é que a diluição de culpas, com a exposição presente das falcatruas no Judiciário, pela publicação dos salários astronômicos de juízes de primeira instância e desembargadores, confunde a opinião pública. Com os três Poderes no banco dos réus, alguns desistem por se sentirem impotentes, outros namoram a intervenção militar e outros ainda falam em desobediência civil..DO J.TOMAZ

Caso do PSDB é de autópsia, não de autocrítica



Josias de Souza

O problema das autocríticas é que elas quase sempre chegam tarde. Sob a presidência interina de Tasso Jereissati, o PSDB acaba de levar ao ar, no rádio e na TV, um esboço de contrição. Coisa de dez minutos. A peça não disse dos tucanos 5% do que eles dizem de si mesmos quando atacam uns aos outros na intimidade. Ainda assim, o ninho entrou em parafuso. Cogita-se até abreviar a interinidade de Tasso. Ficou claro que a tentativa de reconhecimento dos erros chegou quando já não adianta. O caso do PSDB não é mais de autoanálise, mas de autópsia.
No pedaço da propaganda partidária que mais eriçou as plumas, o PSDB insinua que um dos seus erros foi o convívio com o “presidencialismo de cooptação”, do tipo replicado sob Michel Temer. Didático, o programa ensinou: “Presidencialismo de cooptação é quando um presidente tem que governar negociando individualmente com políticos ou com partidos que só querem vantagens pessoais e não pensam no país. Uma hora, apoia. Outra, não. E quando apoia, cobra caro”.
Tucanos que participam da equipe ministerial de Temer apressaram-se em esculachar a iniciativa de Tasso Jereissati. Coordenador político do Planalto, Antonio Imbassahy rangeu os dentes numa nota: “Em vez de fortalecer o partido e apresentar contribuições ao país, preferiu-se expor, em rede nacional, uma divisão interna”. O chanceler Aloysio Nunes ralhou na internet: “Não me representa”, disse. É “um tiro no pé.” Foi como se os ministros rejeitassem a carapuça enfiando-a na cabeça.
Sem saber, os críticos de Tasso alvejaram o grão-mestre do PSDB, Fernando Henrique Cardoso. Foi ele quem sugeriu o uso expressão “presidencialismo de cooptação”. Se dependesse de Tasso, iria ao ar a versão edulcorada: “presidencialismo de coalização.” O mais irônico é que a opinião de FHC nem é nova. Ele discorreu sobre o fenômeno numa entrevista que concedeu ao blog em janeiro de 2014. Nessa época, era Dilma Rousseff quem cooptava. Mas FHC reconheceu que ele próprio flertou com o flagelo quando passou pelo Planalto. O PT apenas levou a prática às fronteiras do paroxismo. (Assista abaixo)
O que os críticos da autocrítica não percebem é que, em política, o arrependimento pode ser a última utilidade de um crime. Depois de conviver com o que há de mais arcaico na política e de tolerar a falta de ética de filiados ilustres, o PSDB ainda poderia extrair um gesto louvável de suas próprias delinquências e, mesmo com inacreditável atraso, entregar-se ao prazer da contrição. Os mais cínicos costumam gozar duas vezes —com o pecado e com a expiação. Mas o PSDB é sofisticado demais para entender as coisas simples.
Dividido, o partido conseguiu transformar uma autocrítica numa espécie de tucanocídio. Quando for concluída a autópsia, encontrarão no coração do tucanato o amargor da hipocrisia de exigir a moralidade e a honestidade sem praticá-las. No estômago da legenda, acharão os restos políticos de personagens como Eduardo Azeredo e Aécio Neves, filiados cujas transgressões o PSDB engoliu sem se dar conta do mal que fariam. Nesse contexto, o acasalamento com o governo Temer é a lápide, não a causa mortis.