Josias de Souza
PAZ AMOR E VIDA NA TERRA " De tanto ver triunfar as nulidades, De tanto ver crescer as injustiças, De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto". [Ruy Barbosa]
sábado, 10 de junho de 2017
PGR tem áudio inédito entre Temer e Joesley Batista
Desesperado para delatar, Funaro diz que operou conta para Temer
Procuradores, no entanto, desconfiam que ele pode estar mentindo
Por
Gabriel Mascarenhas
10 jun 2017, 10h00

Brazilian President
Michel Temer holds an emergency meeting with meatpacking representatives
over allegations that corrupt Brazilian producers have been selling
rotten meat around the world for years, at the Planalto Palace in
Brasilia on March 19, 2017.
The revelation on Friday of a two-year police probe into alleged bribery
of health inspectors to certify tainted food as fit for consumption has
struck at the heart of the world's leading exporter of beef and
chicken. Temer, whose government is already battered by a huge
embezzlement scandal and fallout from Brazil's deepest recession in
history, was next to huddle up with ambassadors from countries that are
major importers of Brazilian meat.
/ AFP PHOTO / EVARISTO SA
Em conversas preliminares
para sua delação, Lucio Funaro prometeu uma bomba aos procuradores: os
registros de uma conta no exterior de Michel Temer. A PGR suspeita,
porém, de que as informações do doleiro podem ser falsas.
Antes de a equipe de Rodrigo Janot entrar no circuito, as negociações estavam com a Procuradoria da República em BrasíliaLá, procuradores acenaram com uma pena branda para Funaro contar o que
sabe: 3 anos de prisão domiciliar. O doleiro, que já desembolsou 250 000
reais com advogados, anda ansioso para assinar o acordo desde que a
irmã dele foi presa, em maio. Embora ela já tenha deixado a cadeia,
Funaro continua com pressa. DO R.ONLINE
Supremo Tribunal Federal tem obrigação moral de reavaliar decisão do TSE que salvou Dilma e Temer
Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
O Tribunal Superior Eleitoral se
desmoralizou com a previsível decisão de absolver a chapa reeleitoral
Dilma/Temer de 2014. Falou mais alto a pretensa “tese” de que o Judiciário não
tem de resolver problemas dos quais o Legislativo e o Executivo abriram mão de
solucionar. O imoral placar de 4 a 3 foi a consagração da judicialização da
politicagem – que é uma conseqüência da completa anormalidade institucional
brasileira, sob domínio do Crime Organizadíssimo.
Só poderia mesmo acabar de forma
injusta e imperfeita um caso que se embromou, por dois anos, no formalismo do
TSE. O Procurador do Ministério Público Eleitoral tem o dever moral de tentar
recorrer dessa surreal decisão, apelando ao Supremo Tribunal Federal. Fará bem
para a sonhada “normalização institucional” que os 11 supremos ministros sejam
acionados para revisar um julgamento que vai entrar para “os anais” por ter
jogado no lixo da História provas criminais objetivas contra um sistema
eleitoral corrupto.
Também contribuirá muito para a
segurança jurídica que a mais alta Corte do Brasil confirme que não tem a
mínima conivência com o Crime Institucionalizado. Revisar o julgamento do TSE
será uma prova de que o STF está disposto a ir muito além da Lava Jato – que é
apenas o começo de um combate à corrupção sistêmica em um Brasil sob regime
Capimunista Rentista. O interessante é que o jogo com onze em campo supremo já
começa com o placar de 2 a 1 contra a chapa Dilma-Temer. Os votos dos ministros
Luiz Fux e Rosa Weber consagraram a derrota de Gilmar Mendes e mais três
ministros do Superior Tribunal de Justiça no ringue Septógono do TSE.
Vale repetir por 13 x 13 para dar
sorte: "A situação institucional brasileira é tão anormal, mas tão
anormal, que até o primeiro Teorema de Tiririca ("pior que está não
fica") acaba facilmente corrompido pelas diferentes e gravíssimas crises
originadas pelo nosso modelo estatal Capimunista Rentista. Os infratores da
politicagem continuam dando provas de que o crime compensa – e muito – no
Brasil. A boa novidade é que a maioria da sociedade brasileira não tolera mais
tanta safadeza, embora ainda não reaja à altura.
Tudo no Brasil precisa ser seriamente
revisto e passado a limpo. O modelo se esgotou por falência múltipla dos órgãos
institucionais. A guerra entre os poderes vai se agravar, com reflexos
negativos diretos nas crises política, econômica e ético-moral (talvez a mais
danosa de todas delas, pois realimenta o ambiente institucionalmente criminoso).
A temida Lava Jato finalmente atingirá, em breve, membros da cúpula do Judiciário.
É esperar e conferir. Tudo pode ficar
judicialmente mais assustador com a homologação das deduragens da OAS, e com as
delações de três personagens que sabem de tudo: Antônio Palocci Filho, Eduardo
Cunha e Lúcio Bolonha Funaro (o doleiro de todos). O trio tem informações para
atingir o setor financeiro e a cúpula do judiciário.
Michel Temer segue na corda-bamba.
Por ironia, ele mantém o emprego – coisa difícil para a maioria dos brasileiros
roubados por políticos corruptos e pela máquina estatal que extorque a
sociedade para se manter. Agora, depois da “vitória” temerária no TSE, quem
também fica de filme queimadíssimo é o supremo-ministro Gilmar Mendes.
Ninguém se surpreenda se algum ousado
senador entrar com um inusitado pedido de impeachment do ministro – que nos bastidores
do Conselho Nacional de Justiça é chamado de “Dart Vader do STF”...
Fábula do ladrão (de voto)
Viraliza nas redes sociais, a partir
da República de Curitiba, uma historinha que descreve bem o Brasil da
impunidade, dominado pela razão cínica do crime institucionalizado:
O ladrão é preso com um porco nas
costas ao sair do sítio da vítima.
Ele perguntou ao policial: como foi
que o senhor me prendeu tão depressa?
O policial respondeu: O vizinho
denunciou, ele viu quando você entrou no sítio da vítima.
O ladrão respondeu, no melhor estilo
advogado-do-diabo: Então eu tenho de ser solto imediatamente, porque o porco
que eu roubei ainda não estava nas minhas costas quando entrei no sítio,
portanto não era parte da denúncia quando ela foi apresentada. Então se
desconsiderarmos o porco, não temos roubo nenhum.
De saco cheio, o policial deu uma
porrada no meliante, enfiou ele no camburão e proclamou:
“Está pensando que isto aqui é o TSE,
seu merda?!!!”
“Farça” Judicial
Manifestação curta, grossa e certeira
do jurista Antônio José Ribas Paiva, presidente do Nacional Club e defensor da
Intervenção Institucional, já:
“Esses julgamentos são peças
teatrais, para fingir que as instituições estariam funcionando. Ninguém do
sistema quer perder poder, muito menos os ministros cuidadosamente escolhidos
pela classe política, para preservar o regime do crime organizado”.
Pergunta não cala...
sexta-feira, 9 de junho de 2017
Procuradores da República repudiam Gilmar Mendes
Brasil 20:36
"A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) vem a
público para registrar o caráter inadequado e infundado das críticas
assacadas contra o MPF, feitas pelo presidente do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, na tarde desta sexta-feira, 12,
durante sessão que trata sobre a cassação da chapa Dilma-Temer.
O Ministério Público Federal tem independência funcional garantida na Constituição e mesma estatura dos juízes exatamente para não estarem seus membros submetidos a ninguém que não à lei e suas consciências. O Brasil precisa de instituições que funcionem com serenidade, com impessoalidade, sem cores políticas e sem temor.
Assim tem sido o comportamento do Ministério Público Federal na Lava Jato e em toda sua atividade, por todos os seus membros, e assim foi a atuação escorreita do vice-procurador-Geral Eleitoral Nicolao Dino de Castro e Costa Neto, realizada na tarde de hoje, com todo o País de testemunha.
O MPF não recebe ordens de quem quer que seja e não exerce suas funções constitucionais pedindo permissão a outrem, ainda que a presidentes de tribunais.
A ANPR lamenta assim, as declarações desproporcionais e sem base do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, em plena sessão do TSE, na tarde de hoje.
O Ministério Público Federal continuará cumprindo serenamente seu dever constitucional de zelar pelo regime democrático, sempre disposto a forjar a tempera das Instituições, com lealdade à lei e à Constituição."
José Robalinho Cavalcanti
Procurador Regional da República
Presidente da ANP - DO O ANTAGONISTA
O Ministério Público Federal tem independência funcional garantida na Constituição e mesma estatura dos juízes exatamente para não estarem seus membros submetidos a ninguém que não à lei e suas consciências. O Brasil precisa de instituições que funcionem com serenidade, com impessoalidade, sem cores políticas e sem temor.
Assim tem sido o comportamento do Ministério Público Federal na Lava Jato e em toda sua atividade, por todos os seus membros, e assim foi a atuação escorreita do vice-procurador-Geral Eleitoral Nicolao Dino de Castro e Costa Neto, realizada na tarde de hoje, com todo o País de testemunha.
O MPF não recebe ordens de quem quer que seja e não exerce suas funções constitucionais pedindo permissão a outrem, ainda que a presidentes de tribunais.
A ANPR lamenta assim, as declarações desproporcionais e sem base do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, em plena sessão do TSE, na tarde de hoje.
O Ministério Público Federal continuará cumprindo serenamente seu dever constitucional de zelar pelo regime democrático, sempre disposto a forjar a tempera das Instituições, com lealdade à lei e à Constituição."
José Robalinho Cavalcanti
Procurador Regional da República
Presidente da ANP - DO O ANTAGONISTA
Veja quem ganha e perde no julgamento do TSE
Josias de Souza
Quando a posteridade puder falar sem pudores sobre strip-tease que o TSE teve de fazer para absolver por 4 votos a 3 a chapa vitoriosa em 2014, os livros de história irão realçar: a pretexto de salvar o mandato de Temer e os direitos políticos de Dilma, a Justica Eleitoral se autoimpôs uma derrota homérica.
Agora é guerra: Temer aciona serviço secreto para bisbilhotar Fachin
Governo resolve deflagrar o maior ataque já visto contra a Lava-Jato

(VEJA/VEJA)
Uma lápide para o TSE: ‘Coveiro de prova viva!’
A maioria dos ministros do TSE decidiu mandar à sepultura as provas testemunhais e documentais referentes à Odebrecht e ao casal de marqueteiros João Santana e Monica Moura. Benjamin, entretanto, fez questão de manter em seu voto todo o pulsante conjunto probatório. Com isso, escancarou o que já estava na cara: a política brasileira tem código de barras.
O TSE esbarra no óbvio há tempos. Nos útlimos dois anos, o óbvio agigantou-se. E parte do tribunal resolveu passar adiante, fingindo não enxergar o óbvio. Pior: decidiu enterrar o óbvio. O número mais constrangedor do momento histórico vivido pela Justiça Eleitoral é este julgamento que não pode ser feito porque as provas foram eliminadas do espetáculo. Tribunal que mata provas comprova ter certa vocação para a morte. Para salvar Michel Temer, o TSE suicida-se. O relator forneceu a inscrição para a lápide: “Aqui jaz um coveiro de provas vivas.”
Filho de ministro do TSE tenta invadir plenário do julgamento
Segundo a corte eleitoral, parente de Napoleão Nunes Maia que carregava envelope foi barrado por não estar vestido de paletó e gravata
Leonêncio Nossa, Breno
Pires e Isadora Peron,
O Estado de
S.Paulo
09 Junho 2017 | 14h24
BRASÍLIA – Durante julgamento da ação da chapa
Dilma-Rousseff no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na sessão desta
sexta-feira, 9, um filho do ministro Napoleão Nunes Maia – um dos sete
julgadores do TSE – passou correndo pelo detector de metais e foi
barrado pelos seguranças na porta do plenário. Com roupa esportiva, o
intruso demonstrava nervosismo e segurava um envelope amarelo diante de
uma barreira de agentes que se formou para detê-lo. A assessoria de
imprensa do TSE confirmou o parentesco do homem com o ministro.
09 Junho 2017 | 14h24
Após a chegada de cinegrafistas e fotógrafos, o intruso foi levado pelos seguranças até uma das saídas de emergência do subsolo da corte eleitoral. Antes da saída do filho, o ministro Napoleão deixou o julgamento e chegou até a porta do plenário. Não foi possível ouvir se os dois conversaram algo. O envelope não foi repassado ao ministro.
Ao longo da sessão desta manhã, 9, Napoleão demonstrou um semblante fechado. Em certo momento, os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux foram até a sua cadeira para conversar e bater em seu ombro. Na edição desta sexta-feira, o jornal Valor Econômico publicou que Napoleão teria sido citado em conversas de executivos da empreiteira OAS em acordos prévios de delação.
Na colaboração premiada da JBS, um delator levantou suspeita sobre o ministro. O executivo da JBS Francisco de Assis e Silva, conforme publicado pelo Estado, disse em sua delação que o Napoleão teria intercedido em favor da JBS em ação contra Joesley Batista e contra a Eldorado Celulose, empresa da holding J&F. O caso foi mencionado no âmbito da Operação Greenfield. O ministro afirma que não conhece os envolvidos e que não interferiu em assuntos relacionados à Eldorado.
Durante o julgamento da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, o ministro é um dos que defendem a exclusão de todas as delações feitas recentemente na análise das contas da campanha presidencial. Desde a confusão de tentativa de entrada do intruso no plenário, Napoleão não voltou ao julgamento.
A assessoria de imprensa do TSE informou que o filho do ministro foi barrado na porta do plenário por não estar vestido de paletó e gravata, uma exigência dos tribunais. Ele foi acompanhado pela segurança e por assessores do ministro até a entrada privativa para encontrar com o pai, ressaltou a assessoria. DO ESTADÃO
Gilmar esvazia processo do TSE e vê ‘ineficiência’ nos órgãos de controle
Josias de Souza

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Gilmar Mendes ajudou a pavimentar a saída que salvará o mandato de Michel Temer no caso sobre irregularidades atribuídas à chapa vitoriosa em 2014. Com o seu voto, excluíram-se do processo as provas relacionadas à Odebrecht. Paradoxalmente, Gilmar animou-se atacar durante o julgamento os órgãos de controle do Estado, responsabilizando-os pela reiteração dos crimes de corrupção no país.
Interrompendo a leitura do voto do relator Herman Benjamin, Gilmar chamou de “modelos coirmãos” os escândalos do mensalão e do petrolão. “É muito curioso que tenha se desintegrado o modelo do mensalão, mas esse outro tenha fluído com tanta desenvoltura”, disse, antes de partir para o ataque: “Isso conta uma história ruim dos nossos órgãos de controle –todos, de alguma forma, ou corrompidos ou ineficientes.” Para Gilmar, “os órgãos de controle falharam de maneira retumbante.”
O ministro tem razão. Revelou-se uma espécie de abracadabra para a caverna de Ali-Babá o trabalho preventivo de órgãos como a Receita Federal e os departamentos de auditoria de estatais como a Petrobras e bancos públicos como o BNDES e a Caixa. O diabo é que, em matéria de controle, o tribunal que Gilmar preside é parte do problema, não da solução. No petrolão, partidos políticos e empreiteiras se uniram para fazer do TSE uma lavanderia de dinheiro sujo.
Corruptores e corruptos higienizaram como doações eleitorais milhões roubados do Estado. E o tribunal, diante da oportunidade de se agigantar num julgamento histórico, preferiu rebaixar o pé direito do plenário de sua suntuosa sede. Com o reforço do voto de Gilmar, esboçou-se no TSE uma maioria de 4 a 3 que deve manter intacta a tradição de punir apenas políticos periféricos —prefeitos de cidades dos fundões do país e governadores do Norte e do Nordeste, por exemplo. O relator Benjamin avalia que talvez não surja tão cedo outra chance igual.
“É um milagre que nós estamos hoje aqui apurando esses fatos”, disse Benjamin. “Não era pra ser. Não haverá outra oportunidade para apurar fatos desta natureza aqui. Para o TSE não vejo como. E sabe por que, meu caro presidente, eminentes ministros? Porque no caso específico da Odebrecht existia um sistema tal de proteção e de sofisticação que seria impossível nos apurarmos o que foi apurado aqui se não fosse a Lava Jato.”
Ironicamente, Herman Benjamin disse incontáveis vezes que se guiou durante toda a investigação por um voto proferido por Gilmar Mendes, em 2015. Aprovado por 5 a 2 no plenário do TSE, esse voto evitou o arquivamento de uma das ações contra a chapa Dilma-Temer. Mais: determinou o aprofundamento das investigações.” As apurações foram tão profundas que a maioria da Corte achou melhor torná-las mais rasas.
Sem as provas testemunhais e documentais relacionadas à Odebrecht, qualificadas pelo relator de ''amazônicas'', o processo se transforma numa poça. Excluindo-se também os depoimentos do casal do marketing João Santana e Monica Moura, a poça pode ser percorrida por uma formiga com a lama na altura das canelas. Por mal dos pecados, a outiva de Santa e Monica foi aprovada por 6 a 1 pelo plenário do TSE há dois meses.
Gilmar repetiu na noite desta quinta-feira algo que já havia reiterado na véspera. “Minha preocupação não é a cassação de mandatos, mas conhecer de fato como as campanhas são feitas.” À sua maneira, o presidente do TSE elogiou o trabalho do relator. “Me parece que não há subsidio melhor para a reflexão sobre a necessidade de uma reforma política do que um estudo como esse que Vossa Excelência fez.”
Benjamin atalhou o colega: “Eu agradeço, mas tenho que confessar que não fiz estudo. Fiz um voto. Sei que nas nossas decisões há sempre um valor educativo. Mas para mim, no Estado de Direito, o valor mais educativo é a aplicação da lei, inclusive com as suas consequências.”
quinta-feira, 8 de junho de 2017
No TSE, placar é conhecido antes do fim do jogo
Josias de Souza
Relator
do processo sobre as ilegalidades atribuídas à campanha da chapa
Dilma-Temer, Herman Benjamin iniciou às 15h16 a leitura do pedaço do seu
voto referente ao mérito da causa. O texto expõe algo que o
representante do Minitério Público, Nicolao Dino, chamou de metástase.
Num julgamento convencional, os ministros do TSE aguardariam o final da
leitura para proferir os seus votos. Deu-se, porém, o que todos
suspeitavam. O jogo já estava jogado. Horas antes, pela manhã, os
debates sobre questões preliminares esboçaram um placar de 4 a 3 a favor
das teses da defesa, que salvarão o mandato de Michel Temer e os
direitos políticos de Dilma Rousseff.
Os julgamentos no TSE sempre
foram muito parecidos com as partidas de futebol. Mas o campo não é bem
demarcado, a bola é quadrada, vale impedimento, caneladas contam ponto a
favor e os juízes não expulsam senão jogadores pernas de pau. No
processo sobre a chapa Dilma-Temer, o tribunal tinha a oportunidade de
modificar o velho hábito de conviver com a impostura. Mas prevaleceu o
conchavo. Depois de transformar a auditoria nas contas do comitê
vitorioso em 2014 num marco histórico, o TSE decidiu marcar um gol
contra. Jogou no lixo o grosso do resultado do trabalho. Já não se sabe
nem mesmo se o caixa dois deve ser penalizado.Os trangressores consagraram um bordão: “Eu não sabia”. Com a ajuda da Lava Jato, o TSE soube. Mas optou por fechar os olhos. Decidiu, por exemplo, que tudo o que foi descoberto sobre os R$ 150 milhões em verbas sujas que a Odebrecht empurrou para dentro das arcas eleitorais deve ser ignorado. Além de se autodesmoralizar, os magistrados eleitorais decidiram ofender a inteligência da plateia.
Diante de tudo o que a Lava Jato deixou evidente, alguns ministros do TSE flertam com a cumplicidade. A omissão dos magistrados virou inconsciência. Impossível a qualquer ser humano que não tenha chegado há cinco minutos de Marte negar a promiscuidade. Ela não está apenas na campanha. E não adianta pular as páginas do processo ou dos jornais. De repente, a promiscuidade está na imagem refletida no espelho. Ela exige pelo menos um sentimento das autoridades, nem que seja uma cara de nojo. Mas certos ministros preferem imitar o avestruz.
Relator do voto que impediu em 2015 o arquivamento do processo contra a chapa Dilma-Temer, Gilmar Mendes, hoje presidente do TSE, dissera há dois anos que a investigação era indispensável para evitar que a Justiça Eleitoral fizesse o papel de “São Jorge em prostíbulo”, fechando os olhos para a promiscuidade ao redor. Aconteceu algo pior. O TSE virou uma espécie de São Jorge que foi salvar a donzela e acabou casando com o dragão. O relator Herman Benjamin ficou rouco de tanto citar trechos do voto daquele Gilmar de dois anos atrás. Chamou o texto do colega, referendado pelo plenário do TSE por 5 votos a 2, de ''bíblia''
Gilmar se promove a juiz dos juízes e decide o jogo
Por que só no Brasil existe Justiça eleitoral? Para fazer Justiça é que não é

Até lá, fazem de conta que meditam sobre questões decididas há tempos na cabeça de cada um. Nesta quarta-feira, o presidente do TSE garantiu que não haverá pedidos de vista. Isso quer dizer que, nas contas de Gilmar, a dupla em julgamento já foi absolvida. O nosso Juiz dos Juízes nem espera que o jogo chegue ao fim para anunciar seu resultado.
Tom Jobim ensinou que o pátria de Macunaíma não é para amadores. Nem para os melhores profissionais, sabe-se agora. Nenhuma sumidade do mundo do Direito saberá explicar por que o Brasil é o único país do mundo em que existe uma Justiça Eleitoral (e, por consequência, um Tribunal Superior Eleitoral e uma penca de tribunais regionais eleitorais). Como reitera o julgamento da chapa Dilma-Temer, para garantir eleições limpas é que não é. DO A.NUNES
Temer desencana do TSE e já cuida do day after
O julgamento das ilegalidades atribuídas à campanha presidencial da chapa Dilma-Temer prossegue. Mas já não preocupa Michel Temer. O presidente terá uma surpresa extraordinária se obtiver do plenário do Tribunal Superior Eleitoral algo diferente de uma pizza.
Julgando-se absolvido por antecipação, Temer já se ocupa do planejamento do day after. Cuida dos minutos, porque suas horas passam. Espera para a semana que vem uma denúncia formal do procurador-geral da República Rodrigo Janot no caso JBS. Esforça-se para não fornecer matéria-prima nova ao responder por escrito ao interrogatório da PF. E simula otimismo enquanto tenta evitar a revoada dos tucanos.
Temer leva a vaca ao brejo nas asas do Aerosley
Josias de Souza
Michel
Temer aprende da pior maneira que um homem público jamais deve dizer
uma mentira que não possa provar. Menos de 24 horas depois de desmentir,
o presidente foi forçado pelas evidências a admitir
que voou num jato de Joesley Batista, da JBS, em janeiro de 2011. Ele
não foi o primeiro grão-duque a requisitar asas amigas. Mas inovou nas
explicações.A nota divulgada pelo Palácio do Planalto vale o desperdício dos 30 segundos necessários para sua leitura: “O então vice-presidente Michel Temer utilizou aeronave particular no dia 12 de janeiro de 2011 para levar sua família de São Paulo a Comandatuba, deslocando-se em seguida a Brasília, onde manteve agenda normal no gabinete. A família retornou a São Paulo no dia 14, usando o mesmo meio de transporte. O vice-presidente não sabia a quem pertencia a aeronave e não fez pagamento pelo serviço.”
O melhor pedaço do texto é a última frase. Nela, o Brasil foi informado de que é presidido pela única pessoa no planeta que desconhece a identidade de um amigo capaz de lhe ceder um jato gratuitamente. A coisa fica mais complicada quando se verifica que o autor da generosidade é o mesmo sujeito que Temer recebeu no escurinho do Jaburu e com quem manteve o diálogo vadio que lhe rendeu um inquérito criminal.
O sobrenome Batista não traz boa sorte aos nobres do PMDB. No mesmo ano de 2011, Eike Batista admitiu o empréstimo do seu jatinho Legacy para que o então governador Sérgio Cabral se deslocasse até um resort na Bahia, onde se realizava a festa de aniversário de outro amigo: Fernando Cavendish, dono da Delta. Temer já deve ter notado que Cabral, seu companheiro de partido, não é um bom exemplo. Mas tornou-se um fantástico aviso. Coleciona dez ações penais e leva a vida atrás das grades. Seus amigos arrastam tornozeleiras eletrônicas em casa.
Temer precisa tomar cuidado. A tal orquestração de que ele tanto se queixa realmente existe. Mas está no governo, não na Procuradoria-Geral de Rodrigo Janot ou no Supremo Tribunal Federal de Edson Fachin. Participam da orquestração ministros que levam investigações na flauta, aliados montados na gaita, ex-assessor pegando uma nota preta, Jucá batendo o bumbo anti-Lava Jato, Renan desafinando com a boca no trombone, a JBS na regência e o presidente dançando conforme a música, sem se dar conta de que virou uma caricatura de pouco discernimento – um ser incapaz de perceber o óbvio: alguém que leva a vaca para o brejo nas asas do Aerosley dispensa conspirações inimigas.
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