quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Câmara dará aos partidos licença para assaltar


A Câmara dos Deputados deve votar nesta quarta-feira um projeto de lei que, na prática, concede aos partidos políticos uma licença para assaltar dinheiro público. A proposta é de uma simplicidade estarrecedora. Hoje, partidos que não prestam contas ou que têm as contas reprovadas deixam de receber dinheiro público do Fundo Partidário e sujeitam-se à cassação do registro pela Justiça Eleitoral. Com a aprovação da proposta, nenhum partido poderá ser proibido de funcionar —mesmo que não preste contas ou apresente escrituração anual reprovada.
O projeto foi empurrado para dentro da pauta de votações graças a um requerimento de urgência aprovado nesta terça-feira. Após reunião do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, com os líderes partidários, a c coisa passou com uma facilidade inaudita. Votaram a favor do ritmo de toque de caixa 314 deputados. Apenas 17 votaram contra —isso corresponde à bancada do PSOL, única legenda a rejeitar a fuzarca, mais meia dúzia de gatos pingados de outras legendas. Houve também quatro abstenções. A íntegra da lista de votação está disponível aqui. Lendo-a, você notará que a desfaçatez é suprapartidária. Reúne oposição e governo.
O placar do pedido de urgência sinaliza o resultado da votação do mérito do projeto. A aprovação será uma barbada. Um detalhe potencializou a desfaçatez: enquanto os deputados colocavam o descalabro em movimento, o TSE decidia destravar os processos contra três legendas acusadas de se apropriar de verbas roubadas da Petrobras: PT, PMDB e PP. Os processos estavam abertos desde agosto do ano passado. Contêm documentos enviados de Curitiba por Sergio Moro, juiz da Lava Jato. Havia, porém, uma polêmica sobre quem deveria relatar as causas. E o tribunal eleitoral decidiu na noite desta terça que os processos serão distribuídos por sorteio entre os seus sete ministros. Significa dizer que a encrenca sairá da gaveta.
Chama-se Maurício Quintella Lessa o autor da proposta que concede anistia preventiva aos partidos com contabilidade bichada. Filiado ao PR, o personagem está licenciado do mandato. No momento, serve à pátria sentado na cadeira de ministro dos Transportes do govenro de Michel Temer. A proposta de Quintela saiu do forno no início de 2016. Não passou por nenhuma comissão.
De repente, aterrissou diretamente no plenário. Por quê? Simples: começam a vigorar no próximo dia 3 de março normas do TSE que prevêem a punição das legendas com contas podres. O arrocho deveria ter vigorado no ano passado. Mas os partidos pediram tempo para se ajustar à moralidade. Não tiveram sucesso. Agora, os parlamentares tramam providências para assegurar que os partidos continuem operando como paraísos fiscais 100% bancados pelo déficit público. DO J.DESOUZA

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Comunistas do PCdoB batem em mulher em evento na UFMG

Rodrigo Constantino Nesta segunda-feira, o Centro Cultural UFMG recebeu Renato Rabelo com a palestra “O Brasil tem saída: caminhos para a superação da crise brasileira”. Mas a coisa não terminou nada bem para Fernanda Salles Andrade, jornalista que estava no local. Ela, que tem apenas 1,56m de altura, foi agredida fisicamente por comunistas do PCdoB, conforme diz em seu relato: Militantes raivosos do PCdoB e UJS agrediram o nosso grupo nessa segunda-feira, dia 6 de Fevereiro, no centro cultural da UFMG. Pessoal, estou sem bateria, carreguei meu celular só 8%. Estou bem, apesar das lesões. Me chutaram no rosto e no ombro, por isso estou com uma dor de cabeça muito forte. Me jogaram no chão e chutaram, cuspiram e arranharam. Homens e mulheres. Eu tenho 1.56m, para constar. Conseguimos concluir B.O. Link do evento público onde fomos agredidos covardemente: https://m.facebook.com/story.php… Comunistas são covardes! Fomos agredidos pelos militantes do PCdoB em um evento público!! Palestra de Renato Rabelo, na UFMG! blog blog blog 



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Há um breve vídeo em que os agredidos explicam melhor o que aconteceu: E outro, em que falam diretamente da delegacia sobre os desdobramentos do caso: Comunistas são covardes mesmo! Sempre foram. Bater em mulher ou em qualquer outra “minoria” nunca foi um problema para essa gente tosca. Agora, não esperem que uma só líder feminista apareça para defender a moça baixinha que apanhou de homens. O motivo? Isso já é evidente para todos: o feminismo não tem absolutamente nada a ver com as mulheres, mas tudo a ver com o comunismo! Uma feminista típica jamais vai ficar do lado de uma mulher e contra um comunista. O esquerdismo vem acima de tudo para o movimento feminista. Eis o motivo pelo qual homens podem bater em mulheres até mesmo numa marcha feminista, como aconteceu nos Estados Unidos, que nenhuma feminista ali presente vai levantar a mão para protestar. São cúmplices dos comunistas agressores. Mas as pessoas de bem já perceberam isso, cansaram, e estão reagindo. Esquerdas fascistas não passarão! DO R.CONSTANTINO

É BOMBA! REPUBLICANOS QUE TRABALHARAM CONTRA TRUMP RECEBERAM DINHEIRO DE EXECUTIVOS DE GEORGE SOROS.


A manchete da reportagem do site Breitbart. Nos Estados Unidos o jornalismo ainda não morreu.
Quem acompanhou o desenrolar da campanha presidencial dos Estados Unidos sabe que Donald Trump lutou praticamente sozinho. Grande parte da cúpula do Partido Republicano fez campanha aberta contra Trump. Quem é experimentado em política sabe que figurões quando traem o candidato do próprio partido não não o fazem de graça. No caso de Trump, pelas internas se sabia que estava rolando muito dinheiro em doações a políticos republicanos que estivessem dispostos a detonar o candidato do próprio partido.
Agora, o site norte-americano Breitbart News descobriu que todos os republicanos que traíram Donald Trump foram beneficiados por aporte de dinheiro doado por Executivos de um Fundo de hedge do mega-investidor George Soros, figura de proa do movimento "globalista" dentro do Partido Democrata que, guardada as devidas proporções, é uma espécie de PT, por quanto agasalha todas as bandeiras esquerdistas bundalelês, que incluem a destruição dos Estados-Nação em proveito de um governo mundial. Como já disse aqui em outras postagens, a União Europeia e a ONU são as duas organizações de proa nessa deletéria tarefa de destruição da Civilização Ocidental.
Com ajuda do tradutor online e copidesk de minha lavra, traduzi para o português a parte inicial da reportagem do Breitbart News, para que os leitores do blog tenham uma ideia do que rolou nos bastidores da campanha presidencial americana em 2016. E isto dá a dimensão exata da performance de Donald Trump que praticamente lutou sozinho tendo contra si toda a grande mídia, todo o establishment e, sobretudo, boa parte da cúpula do Partido Republicano, envolvendo figuras de proa no Senado e na Câmara de Representantes.
Lendo a matéria constata-se que o modus operandi das doações lá nos Estados Unidos obedece a esquemas parecidos com o que ocorre aqui no Brasil, ainda que não sejam oriundas de dinheiro público via propinas. Os grandes doadores particulares sempre doam bilhões ao candidato do establishment, no caso Hillary Clinton, enquanto que para a oposição dão migalhas. Lá como aqui existem os vagabundos que traem o próprio candidato presidencial por um punhado de dólares. E isso dá uma ideia geral da coisa.
Refiro-me ao esquema do establishment que movimenta um mega esquema internacional destinado a massacrar todos os valores da civilização ocidental. No momento, são valores morais, éticos e religiosos. No futuro imediato será o massacre físico, ou seja eliminação dos cidadãos que se neguem a servir aos interesses da malta globalista. Para tanto a guerra de guerrilha urbana já está em ação. Contra os recalcitrantes lançam caminhões gigantes para a eliminação a granel. Outras vezes o terror dispara uma saraivada de tiros num aeroporto ou num parque de diversões. Mais adiante invadirão sem qualquer pejo as residências eliminando famílias inteiras, caso estabeleçam o tal "governo mundial".
A campanha de Donald Trump centrou-se no repúdio a esse plano diabólico e teve o apoio maciço do eleitorado que ao sentir o cheiro de carne queimada desovou os votos em favor de Trump. Por isso os esquerdistas, o establishment e a grande mídia estão enlouquecidos e perderam os últimos escrúpulos, se é que algum dia tiveram algum escrúpulo.
Segue o trecho inicial em português da reportagem do Beitbart News com link ao final para leitura completa em inglês. Leiam:
O MEGA ESCÂNDALO
Os executivos de um fundo de hedge fundado pelo rei da Esquerda Institucional do Partido Democrata, o bilionário e mega-invesdidor George Soros, doaram dezenas de milhares de dólares aos líderes republicanos que lutaram contra o presidente Donald Trump em 2016, segundo os registros de doações compilados pelo Center for Responsive Politics.
Soros Fund Management, um fundo de hedge anterior que serve agora como uma empresa de gestão de investimento, foi fundada pelo multimilionário progressista George Soros em 1969. Ele o turbinou para se tornar um dos fundos de hedge mais rentáveis. Os executivos dessa empresa estão fortemente envolvidos no apoio a candidatos políticos doando milhões de dólares a grupos que estavam apoiando a candidata democrata de 2016, Hillary Rodham Clinton, para a presidência.
Mas, o que é mais importante, talvez, do que as gigantescas somas de dinheiro que são canalizadas para os cofres do Partido Democrata e de Clinton é a revelação, graças ao Center for Responsive Politics, de que funcionários da firma Soros - agora dirigida por seu filho Robert Soros - derramaram dólares para as campanhas dos principais republicanos anti-Trump ao longo de 2016.
No total, executivos da empresa fundada por Soros empurraram US $ 36.800 para os cofres desses candidatos do GOP (Partido Republicano) apenas nesta campanha passada. Isso não inclui Super PACs ou comitês de campanha, que viram dezenas de milhares de dólares a mais. Embora esses números para os republicanos sejam pálidos em comparação com os milhões sobre milhões derramado em grupos democratas, causas e candidatos, é significativo que os executivos Soros estão fazendo um esquema dentro do GOP. Talvez ainda mais significativo seja o tipo de republicano que eles procuram apoiar: pró-anistia, fronteiras pró-abertas no comércio e, em geral, ações anti-Trump. Um padrão emerge quando se olha para as políticas dos republicanos que estes executivos do Fundo de Soros apoiam financeiramente.
O maior destinatário de dinheiro conectado ao Soros no GOP não foi outro senão o presidente da Câmara, Paul Ryan, que repetidamente tentou minar Trump ao longo da eleição. De acordo com os registros disponíveis on-line, os executivos da empresa Soros doaram US$ 10.800 para Ryan. Inclui-se duas doações separadas em 2 de maio de 2016 por parte de David Rogers, então executivo da Soros Fund Management que vive em New York. Rogers deixou a empresa de gerenciamento de fundos de Soros nessa época.
Segundo a reportagem do Breibart News, os republicanos que trabalharam contra Trump na campanha e receberam doações do Soros Fund Managers em 2016 são Paul Ryan, Marco Rubio, Jeb Bush, John McCain, John Kasich e Lindsey Graham. Clique aqui  para ler a reportagem completa em Inglês - Click here to read the full article in English DO A.AMORIM

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

JANOT: ORCRIM BUSCA COOPTAR MINISTROS DO STF

Na petição ao STF pela abertura de inquérito contra José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá, o procurador-geral Rodrigo Janot diz que há "elementos concretos de atuação concertada entre parlamentares, com uso institucional desviado, nitidamente para favorecimento dos mais diversos integrantes da organização criminosa".
Ele afirma que o objetivo da Orcrim é "atingir decisão da Suprema Corte sobre cumprimento das penas após a decisão de 2ª instância e enfraquecer o instrumento da colaboração premiada, amplamente empregado na Operação Lava Jato".

Outra forma de obstrução, segundo o pedido de inquérito, consistia na redução de poderes do Judiciário e do Ministério Público mediante a realização de nova constituinte.
Para Janot, trata-se de atos estatais que visam a sabotar o próprio Estado, na sua vertente de repressão ao crime organizado.
"É chocante, nesse sentido, ouvir o senador Romero Jucá admitir, a certa altura, que é crucial 'cortar as asas' da Justiça e do Ministério Público, aduzindo que a solução para isso seria a Assembleia Constituinte que ele e seu grupo político estão planejando para 2018", diz.
Já no Judiciário, eles buscariam cooptar ministros do STF para anistiar envolvidos na investigação ou para assegurar a manutenção da validade das proposições legislativas almejadas, de forma que a Suprema Corte não as declarasse, posteriormente, inconstitucionais.
"Não bastasse a trama para mudar a legislação, os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá e o ex-presidente José Sarney ainda revelam o plano de incluir o Supremo Tribunal Federal, reserva necessária de sobriedade institucional, na costura política de um grande acordo espúrio para evitar o avanço do complexo investigatório", afirma o PGR. DO O ANTAGONISTA

PMDB sonega ao Brasil o direito a um recomeço

O PMDB do réu Renan Calheiros pega em lanças para fazer do processado Edison Lobão o próximo presidente da Comissão de Constituição e Justiça, a mais ponderosa do Senado. Lobão conta também com o luxuoso apoio de José Sarney, pai da investigada Roseana Sarney.
Prevalecendo a desfaçatez, um senador emparedado pela Procuradoria-Geral da República em inquéritos que correm no Supremo Tribunal Federal presidiria duas sabatinas. Numa, a CCJ arguirá o indicado de Michel Temer para a vaga de Teori Zavascki no Supremo. Noutra, interrogará o substituto do procurador-geral Rodrigo Janot, cujo mandato expira em setembro.
Quer dizer: entregar a Comissão de Constituição e Justiça ao preferido de Renan e Sarney equivale a acomodar o Lobo Mau na cama com Chapeuzinho Vermelho e a vovozinha. Raimundo Lira e Marta Suplicy, ambos também filiados ao PMDB, se oferecem como alternativas.
Lobão se mantém na pista mesmo depois da má repercussão de outros dois movimentos do PMDB: a eleição do delatado Eunício Oliveira à presidência do Senado e a promoção a ministro de Estado do também dedurado Moreira Franco, agora um feliz beneficiário do foro privilegiado.
A julgar pela baixa popularidade de Michel Temer, o brasileiro não tem a ilusão de que o PMDB vá salvar o país. O que espanta a plateia é a insistência com que o partido sabota o interesse público, sonegando ao Brasil o direito de interromper sua tradição de logro para tentar um recomeço. DO J.DESOUZA

EBC gastava R$ 700 mil ao ano com estacionamento e motoristas

A EBC gastava até outro dia R$ 40 mil por mês com o aluguel de 250 vagas de estacionamento no prédio comercial onde a emissora funciona, na área central de Brasília. A presidência mantinha um carro com dois motoristas à disposição, que custavam R$ 17 mil.
Por ano, esses confortos pagos com dinheiro público consumiam exatos R$ 684 mil por ano. Ambos os contratos foram cancelados. R.ONLINE

#SanatórioGeral: Haja ministério

 “Mencionado na Lava Jato todo mundo vai ser”. (Romero Jucá, senador, orgulho do PMDB de Roraima e líder do governo no Congresso, explicando que se quiser presentear com um ministério todos os amigos enrascados na Lava Jato o presidente Michel Temer vai comandar um primeiro escalão mais populoso que Brasília.) A.NUNES

domingo, 5 de fevereiro de 2017

LULA E PT NÃO CONSEGUEM SENSIBILIZAR SOCIEDADE COM MORTE DE MARISA. ELA NÃO ERA TÃO QUERIDA E USO POLÍTICO PEGOU MAL.


A morte da ex-primeira dama Marisa Letícia foi uma fatalidade que acomete dezenas de brasileiros anônimos todos os dias. Como a mulher de Lula era praticamente proibida pelo marido de falar em público e não possuía praticamente nenhuma empatia com a população, Marisa morreu praticamente como uma anônima.
Para piorar, outra parte significativa da sociedade nutria certa antipatia por Marisa devido a um episódio em que a ex-primeira dama foi flagrada em uma conversa telefônica com o filho ofendendo manifestantes contrários ao governo Dilma que protestavam através dos famosos "panelaços".
O fato é que Marisa era ignorada por alguns e detestada por outros. Para piorar a situação, a ex-primeira dama passou os oito anos do mandato de Lula sem desempenhar nenhum papel social. Para uma esposa de sindicalista que se dizia defensor dos interesses dos mais pobres, a passagem de Marisa pelo Palácio da Alvorada foi uma decepção. A ex-primeira dama dedicou todo o seu tempo a sessões de botox e a encomendar vestidos de estilistas famosos.
Mas o histórico negativo de Dona Marisa não parou por aí. Investigada na Operação Lava Jato, a mulher de Lula se tornou ré em duas ações penais e se negou a prestar um depoimento sobre sua participação no esquema do triplex no Guarujá. Marisa também foi apontada como mandante e cúmplice nas reformas do sítio em Atibaia e no acobertamento de uma cobertura usada pelo casal em São Bernardo do Campo. O imóvel, sequestrado por determinação do juiz Sérgio Moro, foi adquirido com propinas da Odebrecht e era usado pela família desde 2010.
Além de não desempenhar nenhum papel social durante o período em que foi a primeira dama, além de ofender cerca de 80% da população contrária à corrupção e incompetência da ex-presidente Dilma, Marisa ainda se envolveu nos crimes de lavagem de dinheiro do marido. Convenhamos, com um histórico como este, é perfeitamente compreensível que Marisa não fosse lá tão querida pelo povo brasileiro.
Ao tentar explorar politicamente morte da esposa, o ex-presidente Lula e o PT acabaram piorando a situação. Ao tentar imputar a culpa pela morte de Marisa ao juiz Sérgio Moro e os membros do Ministério Público, os petistas deram um tiro no pé. Marisa havia sido diagnosticada com um aneurisma cerebral há dez anos, era diabética, fumante, bebia e era sedentária.
Tentar atacar a Lava Jato, a maior reserva moral do país, e tentar se capitalizar com a morte de uma nulidade política, Lula e o PT deram com os burros na água. Aos olhos do povo, o oportunismo de Lula e do PT se traduziu numa manobra rasteira e imoral. Segundo o jornalista Reinaldo Azevedo, Lula fez do velório de Marisa um comício e de seu corpo, um palanque.
Foto
FONTE: imprensaviva - Publicado 05.02.2017 às 12:02 hrs

‘É preciso um garantismo integral’, diz procurador Deltan Dallagnol

 ‘Se desenvolveu no País o hipergarantismo, que só olha os direitos do réu, e não os da sociedade’, afirma coordenador da força-tarefa da Lava Jato

Certa vez, numa viagem ao interior do Paraná, Deltan Dallagnol, o procurador da República que coordena a força-tarefa da Operação Lava Jato, ouviu, de um filho aflito, que o pai lhe contara ter sido diagnosticado com um tumor na próstata. Passado um ano, o pai voltou ao médico, que confirmou o tumor, já maior. Mais um ano, e crescera mais. “O cara não tomava providência”, contou ao Estado em entrevista na PGR de Curitiba. “Até que o médico, preocupado, quebrou o protocolo e foi falar com o filho: ‘Olha, diagnóstico não vai resolver o problema do seu pai. Tem de tirar o tumor’.”
Foto: FELIPPE NOGUEIRA MONTEIRO
Deltan Dallagnol
Deltan Dallagnol em foto do curso de mestrado na Harvard Law School, em Cambridge, nos Estados Unidos
A história ilustrou uma preocupação crescente de Dallagnol: a visão da Lava Jato como a solução do problema da corrupção. “Acham que vai ter um antes e depois da Lava Jato sem reformas estruturais – e não vai”, disse. O procurador ainda defendeu a linha teórica que chama de “garantismo integral”, “que garanta os direitos dos réus, mas também os da sociedade”. 
Quem ganha e quem perde, e o quê, se ficar derrubada a proposta das dez medidas contra a corrupção, defendida pelo Ministério Público Federal– atualmente sob impasse na votação da Câmara?
Se elas não passarem, nós precisamos continuar lutando por reformas para que o sistema de justiça funcione, para todos. Eu vejo isso como um processo de fortalecimento da sociedade civil. O que acontece, no Brasil, é que a sociedade civil ainda não é suficientemente organizada. Mas ela vem melhorando, vem desenvolvendo músculos.
Enquanto isso, o sr. e seus colegas procuradores ficam dando uma força... Não é uma visão de salvador da pátria – como ultimamente o sr. tem sido carimbado?
Não. Ninguém é salvador da pátria. Se quisesse passar a idéia de salvador de pátria, diria que a Lava Jato vai transformar o país, vai salvar o país. Mas não é isso que a gente fala.
O que é que os srs. falam?
O que a gente fala é que a sociedade vai perceber que a Lava Jato não é a solução para os nossos males. Ela faz diagnóstico – e diagnóstico não vai resolver o problema.
Explique melhor...
Existe a ilusão de que pessoas indo pra cadeia resolve o problema.  O que a gente busca fazer é desconstruir essa ilusão.
De que forma?
Mostrando que o que pode contribuir para a redução dos índices de corrupção são a reforma na justiça criminal, a reforma política e a atuação sobre outras condições que favorecem a corrupção.
Foto: FELIPPE NOGUEIRA MONTEIRO
Deltan Dallagnol
Deltan Dallagnol (agachado, de óculos) em foto com colegas do curso de mestrado na Harvard Law School, em Cambridge, nos Estados Unidos
E a Lava Jato?
O que eu vejo, nas palestras que dou, é que a maior parte das pessoas acha que vai ter um antes e um depois da Lava Jato. Ela pode até contribuir, de algum modo, mas só a Lava Jato não resolve. É um passo, mas a gente precisa de muitos passos. Se não for seguida por modificações estruturais, tudo vai ficar como era antes. Com o passar do tempo, é muito provável que nós voltemos à condição original.
Daí a necessidade de reformas...
Se nada for feito de reformas positivas, é possível, ou até provável, que sejam feitas reformas negativas, seguindo os passos do que aconteceu na Itália, em que os políticos se autoprotegeram, concedendo autoanistias. Essa autoanistia não precisa assumir a forma de uma anistia proclamada, como a que foi tentada [na Câmara] no final do ano passado. Ela pode ser feita por pequenas mudanças na legislação criminal, ao longo de dez anos.
O sr., e outros operadores centrais da Lava Jato – como os procuradores da república Douglas Fischer, Eduardo Pellela e Bruno Calabrich, além do juiz Sérgio Moro – defendem, em livros, artigos, e palestras, uma corrente teórica que se contrapõe ao que chamam de hipergarantismo, ou garantismo hiperbólico monocular, definindo-o como uma exacerbação do direito de defesa dos acusados. E propõem, em contraponto, o que chamam de garantismo integral, que definem como uma solução mais equilibrada. Pode explicar melhor?
Acaba preponderando, no cenário brasileiro, uma corrente que é chamada de garantista, onde se defende que os direitos dos réus devem ser integralmente respeitados. Até aí todos nós concordamos: o processo criminal deve ser garantista. Não serve só para punir, mas para limitar a punição, proteger a pessoa contra abusos, contra irracionalidades, contra atropelos.
Onde é que está a divergência?
O que se desenvolveu no Brasil foi aquilo que alguns chamam de hipergarantismo. É um garantismo hiperbólico, porque exacerbado, e monocular, porque só olha os direitos do réu, e não olha o direito da sociedade.
O que o srs. defendem, então?
O que nós buscamos é um garantismo equilibrado, integral, que garanta os direitos dos réus, mas também o das vítimas e os da sociedade. Do modo como funciona em tribunais garantistas internacionais.
Por exemplo...
O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, a Corte Interamericana de Direitos Humanos, tribunais de países que são considerados desenvolvidos, e que são berço da proteção de direitos humanos, como a Espanha, como o próprio Estados Unidos, um grande pai das garantias fundamentais.
Há fortes argumentos contrários a esse conceito do “hipergarantismo”. Um deles é que o garantismo está lastreado na constituição de 1988, que consolidou os princípios “in dúbio pro reu” e da presunção da inocência.
O hipergarantismo é uma interpretação do que está na Constituição.
Permitida e amparada pelo que lá está.
A outra interpretação também é permitida. A grande questão é: como é que funciona hoje o direito e o processo penal em relação a réus do colarinho branco, a corruptos e corruptores?
Como é que funciona?
Uma pesquisa de dois autores publicada pela Fundação Getúlio Vargas [Carlos Higino Ribeiro de Alencar e Ivo Gico Junior, em “Corrupção e Judiciário: a (in)eficácia do sistema judicial no combate à corrupção”, disponível na internet], mostra que o percentual de punição dos corruptos identificados é de pouquinho mais de 3%. Uma probabilidade de punição de 3% não vai ser um fator que desestimule a corrupção, porque a probabilidade de ser punido é muito pequena. O sistema hoje está concatenado com uma grande engrenagem, de tal forma que o resultado produzido é impunidade a réus do colarinho branco, corruptos e corruptores.
Não é a Constituição que tem que mudar essa equação – e não o dr. Deltan, que de resto poderia ter se candidato a deputado ou senador, e ir defender as dez medidas lá no Congresso, em vez de ficar correndo atrás de assinaturas?
Ótimo! Eu gosto de ouvir a divergência, porque ela é saudável e ajuda a construir um debate que enriquece o resultado. O que está colocado, com esse argumento, é medo de quem já passou por uma ditadura, o medo de que o Estado se exceda. A minha geração é uma geração que cresceu sem ditadura, vendo abusos de governantes praticando mandos e desmandos sem qualquer punição. O que a gente prega é altamente compatível, existe e funciona nas democracias do mundo.
O sr. defende, no seu livro sobre as provas, que o princípio da boa fé deve ser valorizado – para permitir, por exemplo, o recebimento de provas ilícitas. Acontece que esse princípio não está constitucionalizado, enquanto o da presunção de inocência está, e deve, portanto, prevalecer. Ou não?
A boa fé é algo inerente ao sistema de provas ilícitas, que o Brasil importou dos Estados Unidos. Só que quando a gente importou esse sistema, só importamos a metade que protege o réu. A outra metade, que protege a sociedade, a  gente abandona. Isso não faz sentido, na minha perspectiva.
Mas foi assim que o Legislativo resolveu – como do jogo democrático.
É do jogo, posso entender, mas deve mudar.
A questão, na prática, voltando à operação Lava Jato, é que a sua posição, assim como a juiz Sérgio Moro, relativiza o constitucional in dúbio pro reu – o que é muito perigoso em um sistema democrático. Não?
Deltan - Eu aprendi nos Estados Unidos um argumento que se chama slippery slope . É o argumento da ladeira escorregadia: “se você encosta em mim, daqui a pouco me dá um tapa e daqui a pouco um tiro na cabeça”. É um argumento tem por base o medo, que é uma emoção altamente poderosa. Mas a grande questão é: esse slippery slope procede? Será que não há barreiras entre esse tocar na pele e o tiro na cabeça? Nesse caso não existe. Estamos propondo medidas que já existem nas democracias civilizadas...
Esses princípios – in dubio pro reu, etc – estão na constituição...
Mas nenhuma posição que eu fedendo é incompatível com a Constituição. Me diga uma.
O sr. defende, claramente, a relativização do princípio da presunção da inocência.
Não. Digamos que você me dê essa caneta de presente. Eu vou dizer que você relativizou o direito à propriedade no Brasil?
Desculpe, mas não é uma boa comparação...
Direito à propriedade é um direito fundamental, que são irrenunciáveis e inalienáveis. O que você foi fez foi compatibilizar um direito inalienável e irrenunciável, com outro direito inalienável e irrenunciável, que é o direito à liberdade. Aí é que está a chave para entender o que a gente defende. Ninguém é contra a Constituição.
Na tabela que o sr. publica ao final de seu livro – com decisões de tribunais superiores que já seguem essa corrente do garantisno integral - não há nenhum exemplo de tribunal no Brasil. É uma corrente que ainda não chegou por aqui, pelo menos nas instâncias superiores.
Porque diz respeito à interpretação. Veja, por exemplo, a doutrina constitucionalista do Direito Civil. O direito à propriedade estava no cerne do Direito Civil. Eles fizeram um giro hermenêutico para dizer que a propriedade é assegurada, mas está em função da dignidade da pessoa humana. O que eles quiseram fazer foi humanizar o Direito Civil. Essa linha é uma linha que eu endosso. O mesmo tipo de argumentação que eles fizeram, no Direito Civil, é algo que a gente faz buscando uma efetividade da justiça criminal. É usar a argumentação, e a interpretação, dentro da constituição, para que a justiça penal seja efetiva, sem desproteger o direito dos réus.
E daí voltamos às dez medidas...
Quando oferecemos alternativas como as dez medidas  contra a corrupção, estamos trazendo o debate para a mesa. O que a gente quer é um sistema de justiça que funcione. Oferecemos um tipo de solução, mas aceitamos qualquer outra solução que venha e resolva o problema. DO ESTADÃO

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Liminar do STF faz lei das teles voltar ao Senado

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Sessão no Supremo Tribunal Federal
BRASÍLIA - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso determinou neste sábado, 4, em decisão liminar, o retorno ao Senado do projeto de lei que estabelece o novo Marco Regulatório das Telecomunicações, pelo qual as operadoras de telefonia poderão ficar com quase R$ 90 bilhões em bens que hoje pertencem à União.
A decisão de Barroso tem como base um mandado de segurança apresentado por senadores da oposição. Nele, alegam que a Mesa do Senado não apreciou três recursos em que pedem que o projeto de lei também seja apreciado pelo plenário do Senado. Isso porque a proposta, após passar pela Câmara, foi aprovada em 6 de dezembro em caráter terminativo só pela Comissão Especial do Desenvolvimento do Senado. 
Na ação, também afirmam que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ainda como presidente do Senado, enviou o texto à sanção presidencial durante o recesso no Legislativo. 
“Defiro parcialmente a medida liminar requerida, para determinar que [O PROJETO]retorne ao Senado para apreciação formal dos recursos interpostos pelos senadores impetrantes e para que não seja novamente remetido à sanção presidencial, até o julgamento final deste mandado de segurança ou ulterior decisão do relator”, diz trecho. 
Na decisão, o ministro também lembra do posicionamento da presidente do STF, Cármen Lúcia, no recesso no Judiciário, em que ela ressaltou que proposta não poderia ser encaminhada à sanção sem que houvesse ao menos uma decisão por parte da Suprema Corte sobre os recursos da oposição. 
Barroso ressalta, contudo, que com relação à tramitação da proposta, “ainda” precisa aprofundar em sua análise.
A decisão ocorre três dias depois de a proposta ter sido enviada à sanção. O texto, atualmente, está com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. 
Questionado sobre os próximos passos da proposta – se será devolvida ao Senado, vetada, vetada parcialmente ou sancionada –, Padilha respondeu: “Vamos estudar”. O prazo para sanção expira em 20 de fevereiro.DO ESTADÃO

Com 5 ministros, PSDB acorrentou-se a Temer


Michel Temer elevou de três para cinco a cota de ministérios do PSDB. Como parte do upgrade, um representante do ninho foi recepcionado no centro nervoso do Poder. Numa articulação costurada por Aécio Neves e avalizada por Fernando Henrique Cardoso, acomodou-se na pasta da coordenação política, com poltrona no quarto andar do Planalto, o deputado tucano Antonio Imbassahy. Com isso, o tucanato acorrentou o seu projeto político ao governo do PMDB. Não dá mais para fazer as malas e sair de fininho na hipótese de um fiasco.

Para o PSDB, Temer dará certo se fizer reformas impopulares, recolocar a economia na direção do crescimento e vestir o pijama em 2018, abrindo mão de pleitear a reeleição. Temer disse aos tucanos que não deseja senão entrar para a história como um presidente que retirou o país do buraco. Rodrigo Maia também dizia na Câmara que arrumaria a bagunça de Eduardo Cunha e passaria a chave da presidência para outro colega. Foi convencido por Temer a guerrear pela reeleição. Por ora, os tucanos fingem acreditar na desambição de Temer.
Como se sabe, há três presidenciáveis no PSDB. José Serra é amigo e ministro das Relações Exteriores de Temer. Aécio Neves é fiador da parceria. Geraldo Alckmin está sobrando na equação. Pior: a Lava Jato estreitou a margem de manobra do governador paulista. Até bem pouco, Alckmin poderia sair do PSDB batendo a porta e denunciando a aliança do partido com os maus costumes do PMDB. Agora, é preciso saber de que tamanho ficará a reputação do governador paulista depois que vier à luz todo o conteúdo das delações da Odebrecht.
A sorte de Alckmin é que, divulgando-se tudo o que delataram os empreiteiros e os executivos que compravam políticos, haverá uma hedionda socialização na distribuição de lama. O PSDB ficará muito parecido com o PMDB, que já não deve nada ao PT em matéria de perversão.
Considerando-se que Lula, com cinco denúncias nas costas, pode ser condenado à prisão e à inelegibilidade, nenhuma situação é mais dramática do que a do eleitor brasileiro. Alega-se que há políticos piores e melhores. Argumenta-se que o pecado de alguns decorre de falhas estruturais do modelo político, não de debilidades de caráter. O diabo é que todos os gatunos vão ficando pardos à medida em que as delações da Lava Jato vão ganhando as manchetes.
No caso do PSDB, o mais irônico é que o partido é autor da ação que pode resultar na impugnação da chapa Dilma Rousseff – Michel Temer. Apura-se, entre outras coisas, o uso de dinheiro roubado da Petrobras no financiamento da chapa. Quer dizer: ao acorrentar-se a um governo que acusa de trazer o vício no DNA, o PSDB reforça na plateia a sensação de que em política nada se cria, nada se transforma. Tudo se corrompe. DO J.DESOUZA

Dias Toffoli, o ministro dos amigos suspeitos


A Polícia Federal aponta ligações entre Dias Toffoli e investigados na Operação Lava-Jato; Ministério Público quer o afastamento do magistrado

Reportagem de VEJA desta semana revela o conteúdo do relatório da Polícia Federal sobre a perícia nos telefones dos investigados na Operação Custo Brasil, um dos desdobramentos da Operação Lava Jato. No celular do ex-ministro da Previdência Carlos Gabas, os investigadores encontraram mensagens que mostram as relações entre ele, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e participantes do esquema de corrupção que desviou mais de 100 milhões de reais do Ministério do Planejamento. Com base nessas informações levantadas pela PF, procuradores de São Paulo sugeriram o afastamento de Toffoli do caso no STF. A questão foi remetida ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a quem cabe decidir se segue ou não o entendimento dos colegas paulistas. Não é a primeira vez que o ministro aparece enredado em histórias nas quais seu caminho se cruza com o de amigos investigados. Em maio de 2015, VEJA revelou o teor de um relatório da Polícia Federal sobre mensagens encontradas nos telefones de Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, e um dos artífices do petrolão. Amigos, o ministro e o empreiteiro trocavam presentes — e favores.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Má notícia para os corruptos: deu Edson Fachin


“Sem sorte, não se chupa nem um Chica-bon”, dizia Nelson Rodrigues. “Você pode engasgar com o palito ou ser atropelado pela carrocinha” de sorvete. O Brasil teve sorte. Deu Edson Fachin no sorteio eletrônico do Supremo Tribunal Federal que definiu o nome do novo relator da Lava Jato.
Fachin está sujeito a erros, como todo ser humano. Entretanto, já demonstrou ter consciência de que não foi indicado à Suprema Corte para fazer favores, mas para julgar segundo as leis. Fez isso ao relatar ação do PCdoB contra o rito fixado por Eduardo Cunha para a tramitação do impeachment de Dilma Rousseff.
Indicado por Dilma, para quem pedira votos em 2010, Fachin votou pela manutenção do rito definido por Cunha. Seu colega Luís Roberto Barroso inaugurou uma divergência, seguida pela maioria da Suprema Corte. A Câmara foi compelida a seguir não o rito de Cunha, mas as regras que embalaram o processo de impedimento de Fernando Collor, em 1992. Vencido, Fachin anexou à sua biografia de magistrado um certificado de independência.
Fachin voltou a compor a minoria na sessão em que o Supremo decidiu que o réu Renan Calheiros não podia assumir a Presidência da República, mas tinha o direito de permanecer na presidência do Senado. Vencido, o novo relator da Lava Jato apegou-se ao voto que já havia proferido em sessão anterior. Recusou-se a abandonar a tese segundo a qual  os réus devem ser expurgados dos cargos que ficam na linha de sucessão do Planalto.
Para desassossego dos corruptos, Fachin juntou-se à maioria do Supremo no julgamento em que ficou assentado que condenados em segunda instância devem aguardar pelo julgamento de eventuais recursos atrás das grades. Nessa matéria, fez mais: guerreou pela preservação da coerência da Suprema Corte.
No exercício do plantão durante um recesso do Judiciário, o então presidente Ricardo Lewandowski mandou soltar José Vieira da Silva. Alegou que era preciso “prestigiar o princípio da presunção da inocência”. Prefeito de Marizópolis, cidade dos fundões da Paraíba, Vieira da Silva fora condenado por um tribunal de segunda instância.
Terminadas as férias, Fachin ordenou que o prefeito fosse recolhido novamente ao xadrez. Para justificar a revisão do despacho de Lewandowski, sustentou a necessidade de prestigiar a “estabilidade” dos entendimentos fixados em decisões da Suprema Corte. O novo relator da Lava Jato é um cultor da jurisprudência.
Se a escolha aleatória do computador do Supremo Tribunal Federal tivesse recaído sobre uma toga da linha Lewandowski, um palito de sorvete seria atravessado na traqueia dos membros da força-tarefa da Lava Jato. Delatados, investigados, denunciados e réus chupariam sorvetes até a eternidade. Com Fachin, os Deuses da aleatoriedade deram uma chance à sorte.DO J.DESOUZA