Mesmo diante do rolo compressor do Palácio do Planalto, que incluiu manobras mirabolantes para modificar a composição da comissão a seu favor e que ofereceu até terrenos na Lua para os deputados que se dispusessem a defender a petista, o placar de 38 votos a 27 pela continuidade do processo contra Dilma não dá margem a nenhuma dúvida: o impeachment está em pleno curso, pois é esse o desejo da maioria absoluta dos brasileiros. Resta à ainda presidente espernear – e ela resolveu fazê-lo da pior maneira possível, em franco desafio aos demais Poderes, denunciando histericamente um “golpe” onde só há o pleno respeito ao que prevê a Constituição. Em seu desespero ante o iminente despejo do Palácio da Alvorada, Dilma abandonou os últimos vestígios de dignidade que ainda lhe restavam.A presidente Dilma Rousseff foi fragorosamente derrotada na Comissão Especial do Impeachment na Câmara.
Num desses eventos que o Planalto tem programado a respeito de qualquer coisa ou de nada, Dilma saiu do sério ao vituperar o vazamento de um discurso que o vice-presidente Michel Temer preparava para o caso de o processo de impeachment passar no plenário da Câmara. Atribuiu ao vice-presidente a liderança de um complô para derrubá-la, em conluio com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os dois foram chamados por ela de “chefe e vice-chefe do gabinete do golpe”. Para a presidente, o vazamento da fala de Temer prestou-se a “difundir a ordem unida da conspiração”. O pecado de Temer foi explicitar o que fará se for chamado a assumir a Presidência – o que é apenas natural para quem ocupa aquela função –, e se erro cometeu foi o de acalmar a Nação que vinha sendo sobressaltada pela tigrada que, ante a iminência da derrota de Dilma, espalhou que o sucessor acabaria com programas sociais, violaria direitos adquiridos e iria além, muito além do saco de maldades de Collor.
Se alguém está pisando na Constituição é Dilma Rousseff e seus prepostos. Nem é preciso mencionar os crimes que ela cometeu ao autorizar as pedaladas fiscais, maquiando as contas públicas para enganar o País e ganhar a reeleição no grito, pois esses delitos são os que constam no processo de impeachment ora em curso e são bastante conhecidos.
Mas Dilma vem cometendo outros atentados à Constituição e ao decoro.
Para salvar seu mandato, Dilma decidiu lotear o governo, entregando cargos e verbas somente aos deputados que se comprometam a votar a seu favor – e o pagamento só será feito contra entrega.
Essa negociação, que deprava a administração pública como jamais se viu na história do País, é tão vergonhosa que está sendo feita na penumbra de um quarto de hotel, comandada pelo chefão petista Luiz Inácio Lula da Silva, que oficialmente não ocupa nenhum cargo no governo, mas ganhou procuração irrestrita para agir em nome da Presidência – como se fosse ele, e não Dilma, o eleito por 54 milhões de brasileiros.
Dilma não se acanha de usar todo o aparato do governo federal como se fosse sua propriedade. Todos os dias, em evidente violação das regras constitucionais, a petista faz da Presidência um palanque, no qual acusa o Congresso de tramar o tal “golpe” e o Judiciário de ser força auxiliar dos “conspiradores”. Além disso, para se defender no processo de impeachment, Dilma explora os serviços de José Eduardo Cardozo, o advogado-geral da União – que, pela Constituição, existe apenas para representar a União, jamais a presidente da República. Dilma também não se sentiu constrangida em nomear Lula para um Ministério, dando-lhe foro privilegiado para escapar do juiz Sérgio Moro. A manobra para proteger o chefão petista e obstruir a Justiça foi tão evidente que a nomeação foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal.
A lista das afrontas de Dilma à Constituição, portanto, é extensa. A esta altura, o País já sabe muito bem quem está atentando contra as instituições. Cabe ao Congresso não permitir que tal golpe triunfe, impedindo que os aventureiros petistas, liderados por Dilma e Lula, instituam a jurisprudência do berro e, com isso, destruam os pilares da democracia brasileira. Para isso, basta que os parlamentares, ao avaliarem o processo de impeachment, sigam o que está previsto na lei.13 Abril 2016
Manifestantes
pró-impeachment montaram, neste domingo, um placar da votação em frente
ao Congresso Nacional. Placas fincadas no chão com o rosto dos
parlamentares mostram o posicionamento deles: “a favor”, “contra” e
“indecisos”. O ato foi realizado pelo ‘Movimento Vem pra Rua’ como uma
prévia dos protestos que vão ocorrer ao longo da semana em função da
votação do impeachment, no plenário da Câmara.
O mote do ato, que reuniu algumas dezenas de pessoas no decorrer da
manhã, foi Crianças pela Pátria. Alguns pais levaram os filhos, quase
todos vestidos de verde e amarelo. As crianças se revezavam em um
microfone ligado a um carro de som. Pediam a prisão de Lula e Dilma, a
saída do PT e “um país melhor”. Com o sol cada vez mais forte, os pais
foram embora. Mas o trabalho de fincar as bandeiras continua.
Enquanto isso, a locutora do carro de som lia o nome dos deputados
indecisos, pedindo para que “saiam de cima do muro”, enquanto criticava
aqueles que estão no placar do "contra" o impeachment. Em alguns
momentos, perguntava: "Cadê ela?", referindo-se a Dilma.
Um dos pontos altos do ato foi o Pixuleco, encarnado pelo estudante
Vinícius Carvalho. Além de brincar com as crianças, ele posava para
fotos com adultos. Apesar do calor, Vinícius diz que prefere se
manifestar com a roupa do personagem, que representa Lula preso, porque
não gosta de “aparecer”.
Josafá Neto, paraibano de 37 anos, estava passeando na Esplanada, como
turista, e foi atraído pela movimentação. Pediu o microfone e fez um
discurso, em frente ao placar:
— Ainda vemos 115 deputados indecisos. O problema é que o brasileiro não
tem memória. Na próxima eleição, eles estarão aí de novo.
O placar será retirado no final do dia, segundo os organizadores. A
Esplanada já começa a ser preparada para receber as manifestações
relacionadas ao impeachment. Profissionais estão colocando as barreiras
que vão separar os dois grupos -pró e contra a saída de Dilma -, chamado
por muitos de "muro de Berlim". DO JTOMAZ



