sexta-feira, 16 de outubro de 2015

CUNHA: NÃO HÁ CHANCE DE DEFLAGRAR IMPEACHMENT AGORA


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O presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha - Ailton de Freitas/01-10-2015 / Agência O Globo
BRASÍLIA e SÃO PAULO - O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou ontem a deputados de oposição que não há “a menor chance” de ele deferir um pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff na situação de fragilidade em que se encontra.
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A oposição deixou para protocolar na Câmara o novo pedido de impeachment, assinado conjuntamente pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal, apenas na próxima terça-feira.
Como a liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) impediu a apresentação de recurso ao plenário da Câmara caso Cunha decidisse pelo arquivamento do pedido de impeachment, o presidente da Câmara concluiu não ter condições de bancar sozinho o afastamento de Dilma.
— Ele (Cunha) disse que não há a menor chance de deferir o pedido de impeachment nessa situação — lamentou ontem um deputado da oposição.
Em São Paulo, o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio, acompanhou Bicudo, Reale e integrantes dos movimentos Fora Dilma ao cartório onde foi registrado o novo pedido de impeachment, já com as informações sobre as “pedaladas fiscais” de 2015.
Reale disse achar que as liminares concedidas pelo STF uma invasão do Judiciário sobre o Legislativo. Bicudo disse que a decisão atendeu à “escória do PT”. Representantes de movimentos contra Dilma disseram que farão protestos diários na cidade a partir de domingo.
Reale criticou o eventual acordo entre Cunha e o governo para evitar a cassação do deputado e o afastamento de Dilma:
— Isso enfraquece o país, não o pedido de impeachment. Enfraquece o nosso sentimento de moralidade, o respeito mínimo à ética e ao nosso sentimento de brasilidade.
Cunha avaliou junto a aliados que, se deferir um pedido de impeachment, o governo reagirá de forma avassaladora em todas as instâncias para derrubá-lo. Ele é suspeito de ter recebido propina em contas bancárias na Suíça.
Como sua melhor opção no momento é ganhar tempo, Cunha pretende esperar que o plenário do STF dê uma resposta final sobre o rito do impeachment para tomar qualquer decisão. Ele deve apresentar hoje ou no máximo na segunda-feira seu recurso à decisão liminar do STF.
Cunha disse que, só ontem, mais cinco pedidos de impeachment foram protocolados:
— Pedido de impeachment aqui é todo dia. Estão entrando tantos que daqui a pouco estou com 50 pedidos de impeachments de pendência. Se começar a entrar cinco por dia, é uma coisa absolutamente estranha.

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