quinta-feira, 16 de junho de 2011

Após caso Battisti, vice-ministro italiano não quer assinar acordo com Brasil

O vice-ministro de Infraestrutura e Transporte da Itália, Roberto Castelli, afirmou hoje que não vai assinar um acordo no setor de transporte aéreo com o Brasil.
"O Brasil não terá nunca a minha assinatura", disse Castelli, ao participar de uma reunião do Conselho de Ministros de Transportes da UE (União Europeia).
Segundo ele, o gesto "é um pequeno, mas significativo, exemplo de protesto contra um país que demonstrou não ter nenhum respeito pela Itália".
Castelli explicou que já conversou com o ministro da pasta, Altero Matteoli, e com o chanceler italiano, Franco Frattini, sobre sua decisão. "[Eles] entenderam as minhas razões", contou.
Agora, cabe ao governo italiano e ao Ministério das Relações Exteriores decidir sobre a validação do acordo aéreo.
A postura do vice-ministro deve-se à negação do Brasil em extraditar o ex-militante italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos cometidos na década de 1970, quando integrava o grupo de extrema-esquerda PAC (Proletários Armados pelo Comunismo).
A decisão de negar a extradição foi tomada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu último dia de mandato e validada na semana passada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Além disso, foi determinada a libertação de Battisti, que estava em prisão preventiva em Brasília.
O gesto desagradou ao governo italiano e à parte da população. Temendo represálias, Lula chegou até a cancelar uma viagem a Roma programada para o fim do mês.
Além disso, cidades italianas avaliam romper acordos de geminação com municípios brasileiros.
A repercussão do caso Battisti atingiu até alguns atletas brasileiros que estão na Itália para o Campeonato Mundial de Vôlei de Praia. Dois jogadores foram recebidos com protestos antes de uma partida.
FOLHA

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