quarta-feira, 15 de abril de 2015

Oposição dar um "SIM" para a pauta das ruas...

BRASÍLIA — Em um encontro comandado pelo presidente do PSDB, Aécio Neves, e dirigentes do DEM, PPS, PSB, PV e SD, os líderes da aliança que engloba 20 movimentos que levaram cerca de 3 milhões de pessoas as ruas nos últimos meses cobraram duramente dos partidos de oposição no Congresso uma posição concreta e imediata para viabilizar a pauta da mobilização popular que pede o impeachment da presidente Dilma Rousseff, afastamento do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli e aprovação das 10 medidas de combate a corrupção apresentadas pelo Ministério público, entre outras.
Aécio e outros parlamentares tentaram argumentar que a oposição atuaria dentro de suas limitações de minoria, que já defende a maioria dos pleitos e que, no caso do impeachment, é preciso buscar um embasamento jurídico. Mas os representantes dos movimentos não se deram por satisfeitos e provocaram uma saia justa que levou Aécio a concordar, ao final, que as oposições unidas diriam “um sonoro sim” a pauta das ruas.
— Nossa ação não começa no dia 15 de março. Se não consegui vencer as eleições, ali começou um despertar da população. Vocês mantém essa chama e temos que continuar um diálogo em busca das convergências. As oposições reunidas já discutem abertamente se houve crime de responsabilidade da presidente Dilma — discursou Aécio para cerca de 50 pessoas que se reuniram na Comissão de Relações Exteriores do Senado.
O presidente do PPS, Roberto Freire (SP) lembrou que não havia maioria para o processo de impeachment do ex-presidente Collor, mas o Congresso se rendeu à pressão das ruas. E disse que o movimento das ruas tinha levado, hoje, a união dos seis partidos de oposição que estavam ali presentes, em bloco.
Coube a Rogério Chequer , do Movimento Vem pra Rua, encostar os parlamentares na parede, argumentando que agora o resultado das manifestações dependia do Congresso. Aécio voltou a ponderar que tinham que se encontrar nas convergências. O presidente do Democratas, José Agripino (RN) completou, dizendo que o processo avançava em etapas. Mais inflamado, o líder do Democratas, Ronaldo Caiado (GO) foi ovacionado ao protestar pela não inclusão da presidente Dilma Rousseff na lista do procurador geral da República, Rodrigo Janot.
— Essa luta começou lá atrás. Nunca capitulamos em momento algum e sofremos todo tipo de retaliação. Aqui vocês tem um grupo de resistência, princípios. Tivemos a coragem de dizer que o impeachment não era golpe, a presidente foi citada 11 vezes na Lava-jato. Vocês não vão se decepcionar conosco. Vamos respeitar as regras democráticas e fazer valer o sentimento das oposições e o peso da sociedade — disse Caiado, aplaudido.
Foi a vez do representante do movimento Instituto Democracia , Paulo Angelim, ser mais direto:
— Queremos que digam agora de forma clara: é sim ou não a nossa pauta?
— Essa já é uma pauta que defendemos há muito tempo, o fato novo é que a sociedade está dando eco ao que já defendíamos — respondeu Aécio.
— Mas é sim ou não! — insistiu Angelim, insuflando o plenário a cobrar, “sim ou não?”
Chequer respondeu que buscar convergências não era suficiente e era preciso agir de forma concreta já.
— Até a rua pode se organizar. Porque a oposição não pode se organizar? Chegamos ao nosso limite de organização, levamos 3 milhões de pessoas as ruas e o impensável aconteceu, fizemos isso sem ter uma vitrine quebrada. O que queremos agora é a demonstração de que o impossível pode ser feito também no Congresso Nacional — cobrou Chequer.
Diante do tom usado pelos manifestantes, Aécio subiu o tom e, mais assertivo, também acabou aplaudido ao afirmar que brigariam sim para dar consequência “ao nó que estava engasgado” na sociedade brasileira.
— Quero deixar claro que viemos aqui para dizer um sonoro sim para a pauta das ruas e queremos o apoio das redes sociais, dos movimentos, isso é o impulso que essa Casa precisa para fazer valer esse sentimento. Vocês tem o instrumento que nos faltava, que é o apoio popular. Então tenho a dizer, primeiro, que vamos atuar juntos sem preconceitos. E em segundo lugar quero dizer que nesse momento começamos a fazer história — concluiu Aécio, desta vez ovacionado por todo plenário.
DO O GLOBO

Com Vaccari, PT atinge fase do sonambulismo


O PT teve três oportunidades para afastar João Vaccari Neto de sua tesouraria. A primeira foi quando o nome do coletor de verbas começou a saltar dos lábios dos delatores da Operação Lava Jato. Quando a Procuradoria da República denunciou Vaccari, o partido perdeu sua segunda oportunidade. No instante em que o juiz Sérgio Moro converteu o denunciado em réu, ficou entendido que o PT já não perde oportunidade de perder oportunidades.
A inação do partido converteu-o numa oportunidade que o doutor Moro aproveitou. No despacho em que ordenou o encarceramento do tesoureiro, o juiz da Lava Jato anotou que “a manutenção dele em liberdade ainda oferece um risco especial pois as informações disponíveis na data desta decisão são no sentido de que João Vaccari Neto, mesmo após o oferecimento contra ele de ação penal pelo Ministério Público Federal […], remanesce no cargo de tesoureiro do Partido dos Trabalhadores.”
“Em tal posição de poder e de influência política”, acrescentou o magistrado, Vaccari “poderá persistir na prática de crimes ou mesmo perturbar as investigações e a instrução da ação penal.''
Vaccari é o segundo tesoureiro petista a conhecer o xilindró por dentro. O primeiro, Delúbio Soares, teve de protagonizar uma expulsão cenográfica da legenda antes mesmo de ser formalmente acusado pelo Ministério Público Federal. O que há de diferente em relação a Vaccari é que, hoje, o PT não é apenas cúmplice e beneficiário da ação delituosa de um tesoureiro. O partido é também mais cínico.
Antes, o PT falava de ética e moral para recriminar os outros. Hoje, quando um petista abre a boca é para dizer que o PT não faz nada que outras legendas também não façam. Sintomaticamente, ao depor na CPI da Petrobras, na semana passada, Vaccari utilizou sua exposição inicial para realçar que as verbas das empreiteiras da Lava Jato foram borrifadas também nas arcas do PSDB e do PMDB.
O PT tropeça quase que diariamente nas suas próprias perversões. Se ainda tivesse alguma noção do que é ética, a legenda teria de mudar integralmente o seu estilo de vida. Mas está de tal modo rendido aos maus costumes que já não age, apenas reage. O partido evoluiu da cumplicidade para o sonambulismo. Vive naquele estado fisiológico em que o sujeito caminha durante o sono e repete movimentos adquiridos pelo hábito. Com Vaccari, a legenda corre o risco de se atirar pela janela de olhos fechados. DO JOSIADESOUZA-UOL

Tesoureiro do PT é preso na 12ª etapa da Operação Lava Jato


O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, é ouvido na CPI da Petrobras, na Câmara dos Deputados, em Brasília (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi ouvido na
CPI da Petrobras, na Câmara dos Deputados, na
semana passada(Foto: Luis Macedo/
Câmara dos Deputados)
O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi preso nesta quarta-feira (15) na 12ª etapa da Operação Lava Jato, de acordo com informações da Polícia Federal, que realizou a prisão. Ele é investigado por suspeita de receber propina em esquema de corrupção na Petrobras. O mandado contra Vaccari é de prisão preventiva e ele foi detido em casa, em São Paulo.
A polícia prendeu também a cunhada de Vaccari, Marice Correa. O mandado dela  é de prisão temporária. Marice também aparece em investigações sobre o pagamento de propina no esquema da Petrobras.
Além da prisão de Vaccari e da cunhada, a PF executa mandado de condução coercitiva contra a mulher dele, que está sendo ouvida pelos policias em casa. Na condução coercitiva, a pessoa presta depoimento e é liberada.
Desde que surgiram as denúncias, no ano passado, Vaccari tem negado a participação dele e da cunhada no esquema.
O G1 entrou em contato com a assessoria de imprensa do PT, que informou que o partido ainda não tem um posicionamento sobre a prisão do tesoureiro.
A atual fase da Lava Jato, além dos dois mandados de prisão e do de condução coercitiva, executa um de busca e apreensão, também na cidade de São Paulo.
Todos os presos serão levados para a superintendência da PF em Curitiba.
Denúncias
Vaccari já é réu em processo na Justiça Federal do Paraná que investiga as denúncias da Lava Jato. Ele é suspeito de ter recebido propina em esquema de corrupção que atuou dentro da Petrobras.
O ex-gerente da estatal Pedro Barusco, que também é investigado pela Justiça, afirmou em delação premiada que Vaccari recebeu cerca de R$ 200 milhões em nome do PT no esquema investigado pela Lava Jato. As apurações da PF apontam que as propinas eram pagas por empreiteiras que firmavam contratos com a petroleira.
O tesoureiro também aparece em depoimentos de outro delator da Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef, apontado como um dos operadores da propina. Ele disse que chegou a enviar um funcionário para a frente da sede do PT em São Paulo com R$ 400 mil para serem entregues a Vaccari.
CPI
Na semana passada, Vaccari deu depoimento à CPI da Petrobras, na Câmara. Em uma sessão longa, negou que tivesse participação no esquema.
Indagado sobre as acusações feitas por Barusco e Youssef, o tesoureiro do PT repetiu reiteradas vezes que os termos dos depoimentos de delação premiada dos dois delatores "não são verdadeiros".
A insistência nessa resposta gerou irritação em alguns integrantes da comissão.
O depoimento de Vaccari na CPI também ficou marcado por um protesto em que um funcionário da Câmara soltou roedores na sala, causando tumulto.
Quando questionado sobre se sua cunhada Marice Correa Lima recebeu R$ 110 mil de Youssef, como o doleiro declarou à Polícia Federal, Vaccari continuou insistindo que os termos das delações não são verdadeiros e que a relação com a cunhada é estreitamente "familiar".  Do G1, em Brasília, e do G1 PR

terça-feira, 14 de abril de 2015

Renan: ‘discutir cargos apequena…’ Hummmm!

A modena política brasileira tem sete maravilhas: 1) o bordão “eu não sabia”; 2) a propina declarada no TSE como doação oficial; 3) políticos com códigos de barras; 4) partidos com fins lucrativos; 5) governo que aplica o programa econômico do adversário; 6) presidente que não preside; 7) Renan Calheiros que faz cara de nojo para o debate sobre ocupação de cargos.
Personificação da sétima maravilha política do país, Renan disse nesta terça-feira meia dúzia de palavras sobre a novela da substituição do ministro do Turismo. Ocupa o cargo Vinicius Lages, afilhado político do senador. Reivindica a posição o ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves.
Apertado por repórteres, o presidente do Senado declarou: “Estou defendendo a redução de ministérios, a redução de cargos em comissão, a reforma do Estado. Como é que eu posso agora dizer quem vai ficar no ministério ou quem vai sair? Não me cabe abonar a assinatura de ninguém”.
Renan acrescentou: “Acho que o simples fato de discutir esse assunto apequena a questão do ponto de vista do Congresso Nacional. O Congresso é uma instituição respeitável. Não tem muito sentido colocar o presidente do Senado Federal na discussão de quem vai ser ministro, quem não vai ser ministro, quem vai ocupar cargo A, cargo B, cargo C. Eu não quero participar desse debate.”
É mesmo uma maravilha a nova pose de Renan. Sobretudo quando comparada com a pose anterior, que não via problemas em sustentar por 12 anos, patrioticamente, a permanência do apadrinhado Sérgio Machado na presidência da Transpetro, subsidiária da Petrobras agora alvejada pela Operação Lava Jato. Decerto o novo Renan já telefonou para Dilma autorizando-a a mandar seu chapa para o olho da rua e a fazer o que bem entender com a pasta do Turismo —inclusive extinguir. DO JOSIASDESOUZA

CGU esperou eleição de Dilma para abrir processo mesmo tendo em mãos provas de corrupção, diz delator; escândalo volta a bater à porta da presidente

Atenção! Surgiu aquela que é, entendo, a denúncia mais grave desde que o escândalo do petrolão começou a vir à luz. E, desta vez, pega em cheio a Controladoria-Geral da União (CGU), órgão subordinado à Presidência da República. Mais uma vez, o descalabro se aproxima perigosamente da presidente Dilma Rousseff. Mas, suponho, Rodrigo Janot, procurador-geral da República, não vai pedir ao Supremo Tribunal Federal nem mesmo a abertura de um inquérito. A que me refiro?
Em entrevista a Leandro Colon, da Folha, Jonathan David Taylor, ex-diretor da SBM Offshore, afirmou que entregou à CGU, durante a campanha eleitoral do ano passado, provas de que a empresa holandesa havia pagado propina a agentes da Petrobras. O órgão, no entanto, só abriu sindicância em novembro, depois da eleição. Segundo Taylor, ele entregou à CGU mil páginas de documentos entre agosto e outubro de 2014.
O ex-diretor diz que foi ele quem teve a iniciativa de procurar a CGU. No dia 27 de agosto, afirma, entregou ao órgão o relatório de uma auditoria interna da SBM, mensagens eletrônicas, contratos com o lobista Júlio Faerman — a quem ele pagou US$ 139 milhões para obter contratos com a Petrobras —, extratos de depósitos em paraísos fiscais, a gravação de uma reunião da empresa e uma lista com nomes da Petrobras…
Mesmo assim, a CGU foi abrir sindicância só em novembro, 17 dias depois de realizado o segundo turno. Para lembrar. A VEJA publicou reportagem em fevereiro do ano passado informando que auditoria interna da SBM havia encontrado indícios de pagamento de propina a funcionários da Petrobras. Lá já se podia ler:
“O esquema de corrupção no Brasil, de acordo com a investigação interna, era comandado pelo empresário Julio Faerman, um dos mais influentes lobistas do setor e dono das empresas Faercom e Oildrive. Ele assinava contratos de consultoria com a SBM que serviam para repassar o dinheiro de propina para diretores da Petrobras. Essas consultorias previam o pagamento de uma ‘comissão’ de 3% do valor dos contratos celebrados entre a SBM e a Petrobras – 1% era destinado a Faerman e 2% a diretores da petrolífera brasileira.”
Em março do ano passado, um mês depois da reportagem, a então presidente da Petrobras Graça Foster anunciou que uma auditoria interna não encontrara nada de errado. Nesse mês, foi deflagrada a Operação Lava Jato. No começo de novembro, o Ministério Público da Holanda anunciou que a SBM havia sido multada naquele país em US$ 240 milhões em razão de propinas pagas mundo afora, INCLUSIVE NA PETROBRAS.
Só no dia 17 de novembro Graça Foster veio a público para admitir que, de fato, havia indícios de corrupção. Segundo ela, estava com essa informação desde meados do ano… E não falou pra ninguém. Agora se descobre que a CGU também amoitou a informação. A mesma CGU que negocia com a SBM um acordo de leniência…
Prestem atenção a este trecho da entrevista (em azul).
O sr. esteve com Faerman?
Várias vezes. Julio Faerman não era um agente independente. Ninguém da Petrobras falava com a SBM sem ele. Era altamente íntimo do esquema no Brasil, e atuava com seu filho Marcello e o sócio Luiz Eduardo Barbosa.
CGU, SBM e Petrobras admitiram irregularidades somente em 12 de novembro.
A única conclusão que posso tirar disso é que essas partes queriam proteger o Partido dos Trabalhadores e a presidente Dilma ao atrasar o anúncio dessas investigações para evitar um impacto negativo nas eleições. Para a SBM, era importante ter uma sobrevida com os contratos no Brasil. É minha opinião.
O sr. aceitaria colaborar com a CPI no Congresso?
Claro. Provavelmente, se tudo isso tivesse sido descoberto mais cedo, Dilma Roussef não seria presidente.
Que tipo de documentos o sr. tem e entregou?
Tenho, por exemplo, uma gravação de Hanny Tagher (ex-dretor da SBM) de uma reunião de 27 de março de 2012. Quando perguntado por Bruno Chabas (CEO) sobre Julio Faerman, Tagher explica quem é e o que fazia. Disse que, dos pagamentos feitos pela SBM para comissões, 1% ficava com o Faerman, e a outra parte, 2%, iria para a Petrobras. E eu perguntei então para ele, na gravação: “Petrobras?”. Ele responde “Sim”.
Volto
Para encerrar: segundo Pedro Barusco, a SBM doou US$ 300 mil para a campanha de Dilma, em 2010, de forma irregular. Faerman teria sido o intermediário. O mais impressionante é que a CGU confirma a versão de Taylor, inclusive a data da entrega dos documentos. Para ela, no entanto, aqueles ainda não constituíam os “indícios mínimos”. Reitero: a Controladoria-Geral da União é um órgão subordinado à Presidência da República. Dilma tenta se afastar da crise, mas a crise não se afasta dela porque é perseguida pelos métodos a que seu partido recorreu, inclusive para elegê-la e reelegê-la.
Por Reinaldo Azevedo

FRENTE AMPLA DO ATRASO

Maria Lucia Victor Barbosa
Observando o que acontece com o PT fica-se a pensar na possibilidade desse partido não ter construído sozinho suas estratégias para alcançar o poder e lá permanecer. Afinal, parece não haver mentes brilhantes na grei petista.
Tampouco Lula da Silva é um gênio do jogo político ou um estadista como exageram alguns. Sem dúvida, foi escolhido pela cúpula petista e algo acima por sua retórica verborrágica que faz dele um enganador bem-sucedido. Além disso, Lula se ajustou hipoteticamente à ideologia marxista como uma espécie de proletário. Ajudou sua origem simples e o fato de ter passado rapidamente pelas lides metalúrgicas. Construiu-se, então, a imagem do homem comum tão bem aceita pela massa por transmitir aquela agradável sensação de identidade: ele é um de nós que chegou lá.
Habilmente a propaganda consumou o culto da personalidade que ampliou o poder de enganação do “pobre operário”, contra o qual toda crítica foi tomada como preconceito e heresia. Lula da Silva consagrou o detestável politicamente correto que inibiu os que poderiam arranhar seu santo nome.
Com medo de sua popularidade qualquer oposição, partidária ou institucional, calou-se diante de seus desmandos, de suas gafes, de seu linguajar chulo e insultante à língua portuguesa. E essa aceitação incondicional, mais a propaganda de fazer inveja a Goebells deram aos “mandarins” petistas e a Lula da Silva a força que parecia os tornar invioláveis.
No entanto, se Lula foi hábil como orador de porta de fábrica, perito como politiqueiro, nunca administrou o país. Seu negocio foi jogar futebol, comer churrasco e fazer viagens dignas de um emir. Em suma, Lula é um falsário e uma fraude construída não só pelo PT, mas por uma organização internacional, o Foro de São Paulo, fundado por Lula, Fidel Castro e outros do figurino esquerdista. O objetivo do Foro é promover a integração da América Latina e formar a Pátria Grande Comunista através de partidos, entidades de classe, ONGs, movimentos sociais.
Na quarta tentativa o PT chegou ao poder mais alto da República. Não foi preciso dar um tiro sequer. Lula vestiu Prada, mudou o discurso, deslumbrou a hoje achincalhada classe média composta por intelectuais, estudantes, professores, artistas, religiosos, profissionais liberais, jornalistas, funcionários públicos, que fizeram de sua ideologia uma religião, do PT uma seita e sentiram-se guerreiros imortais da luta de classes. Lula prometeu tirar os pobres da pobreza. Aos ricos garantiu mais lucros.
Ao tomar posse a nova classe dirigente deu continuidade a politica macroeconômica do governo anterior, antes criticado de modo estridente, inclusive, aos berros de fora FHC. Não foi dado calote no FMI nem se rompeu com os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, utilizou-se a política econômica antes xingada de entreguista e neoliberal.
Por outro lado, avançou a centralização do PT que dominou o Legislativo, o Judiciário e significativa parcela dos meios de comunicação. Na mesma linha intervencionista e autoritária houve várias tentativas de censurar a imprensa, como as Comissões de Redação, a criação da ANCINAV (Agência Nacional de Cinema e Áudio Visual) e a instituição do CFJ (Conselho Federal de Jornalismo). Agora o governo petista fala em regulação da mídia e Rousseff apontou a necessidade de punir os “crimes” cometidos na Internet.
Mas se o Foro de São Paulo é comunista, como poderia dar certo se esse sistema fracassou em todo mundo? Quer melhor exemplo de fracasso econômico e social do que o da Venezuela, Bolívia, Argentina? Quanto a Lula da Silva, se surfou por 12 anos na demagogia encontrou o fim de todo malandro: foi engolido por sua esperteza. Isso se deu quando ele elegeu o “poste” Rousseff. Nos quatro anos em que continuou como presidente de fato, ele e sua criatura que não consegue juntar uma frase com outra, detonaram a economia Brasileira, enquanto a corrupção desenfreada atingia seu auge com o escândalo do petrolão.
O PT tenta resistir, fala em hegemonia do partido, propõe tirar verbas da imprensa não domesticada, proclama-se inocente. Entretanto, não há governo que resista quando a economia vai mal. Em pânico, os dirigentes petistas percebem que até Lula da Silva não é mais o mesmo. Rousseff, a incompetente, totalmente desacreditada é descartável e já foi substituída por seu vice Michel Temer (PMDB), mas sem Lula o PT acaba, pois quem poderá substituí-lo em 2018? Mercadante? Haddad? Marco Aurélio Garcia? Rui Falcão? Impossível.
Então, quem sabe se por inspiração do Foro de São Paulo, Lula da Silva já sonha com a criação de uma Frente Ampla, que esconderia o PT desmoralizado e englobaria partidos de esquerda, ONGs, ditos movimentos sociais, enfim, tudo que compõe a tranqueira esquerdista do Brasil. Os candidatos não sairiam pelo PT, mas da Frente Ampla do Atraso. Uma ideia engenhosa. Resta saber se vai dar certo.  Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
mlucia@sercomtel.com.br
www.maluvibar.blogspot.com.br
DO R.DEMOCRATICA 

segunda-feira, 13 de abril de 2015

The Noite (10/04/15) - Entrevista Gloria Álvarez


Os reacionários de esquerda, inclusive da grande imprensa, podem ladrar à vontade. A caravana vai passar


13/04/2015
às 16:20
Movimentos que convocaram as duas grandes manifestações de protesto contra o governo Dilma decidiram iniciar uma segunda fase de sua luta: o caminho agora é Brasília. Já demonstraram que estão em conexão com a larga maioria do povo brasileiro, conforme atesta pesquisa Datafolha. É chegada a hora de — atenção para este verbo — tensionar as instituições. Isso supõe um diálogo altivo com elas. O Movimento Brasil Livre (MBL) dará início, no próximo dia 17 a uma Marcha — sim, a pé — a Brasília. O objetivo é chegar à capital federal um mês depois e lá promover uma grande manifestação. O Vem Pra Rua pretende apresentar, no próximo dia 15, uma pauta que reúne reivindicações de 50 organizações que se opõem ao atual estado de coisas.
Esse é o caminho natural. Falei há pouco com Kim Kataguiri, um dos coordenadores do MBL. Perguntei se a pauta principal da marcha é o impeachment de Dilma, como foi noticiado por aí. Ainda que o movimento veja razões para tanto — e eles existem —, a moçada não é ingênua. É evidente que ninguém marcha para Brasília para pedir “o impeachment ou nada”. Os coordenadores do MBL reconhecem que o impedimento é uma questão jurídica e política. Logo, depende das leis e das circunstâncias. Assim, chegou a hora de esses movimentos exigirem uma interlocução com as instituições, que não pertencem ao governo do PT, mas ao Estado brasileiro.
O mesmo vale para o Vem Pra Rua. Na entrevista que concedeu ao programa “Os Pingos nos Is”, da Jovem Pan, Rogério Chequer já havia falado da necessidade de articular as dezenas de grupos que hoje se organizam cobrando mudanças efetivas no país. Isso tem de virar uma pauta. Assim, esses movimentos se preparam para o diálogo dos fortes, não para a cooptação.
E, à diferença do que pretendem os reacionários de esquerda, inclusive os incrustrados na grande imprensa, eles já avançaram bastante até aqui. Organizaram, em menos de um mês, duas grandes manifestações. E o fizeram contra a máquina oficial de propaganda e contra a incredulidade de analistas políticos e uma safra de colunistas intelectualmente safados como raramente se viu.
Sou antigo nesse troço de manifestação. Sei bem o que é participar de um movimento com a imprensa unanimemente a favor. Foi assim nas Diretas Já. Era moleza! Parecia que o mundo inteiro estava com a gente. No impeachment de Collor, eu já era jornalista. Aí posso falar, vamos dizer, da adesão “por dentro”. Ainda que houvesse, e havia, o cuidado para não distorcer os fatos em prejuízo do então presidente, era evidente que a seleção da pauta se dava em favor do impeachment.
Agora, a coisa é bem diferente. Há, sim, jornalistas simpáticos aos que se manifestam. Mas, na média, a chamada grande imprensa vê movimentos como o “Vem Pra Rua”, o “Brasil Livre” e o “Revoltados Online” com o pé atrás. Jornalistas têm certa compulsão por aquilo que julgam ser o “progressismo”. Se os que se manifestam não adotam a pauta que consideram universal — geralmente ligada à área de costumes —, tendem a entornar o nariz e a colar na turma a pecha de “reacionária”.
O que estou dizendo, com todas as letras, é que a imprensa, nas décadas de 80 e 90, respectivamente, turbinava os atos em favor das Diretas e do impeachment de Collor. Desta feita, faz o contrário. As manifestações de rua se impuseram apesar do jornalismo, não com a sua ajuda. A primeira tentação, basta olhar os arquivos, foi ver nas ruas a pressão da elite branca.
A moçada venceu o pelotão de fuzilamento moral e a barreira da desqualificação. O fel do colunismo de esquerda e o jogo pesado dos blogs sujos se mostraram irrelevantes. A patrulha no petismo nas redes sociais chamou a atenção mais pelo seu lado patético do que por sua eficiência.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardozo recomendou que os partidos de oposição não se confundam com esses movimentos da sociedade civil. Ele está certo. Como estão certos esses movimentos ao criticar o que consideram frouxidão das oposições. É preciso não confundir os papeis. As democracias avançam — e não estou dizendo nenhuma novidade; há sólida teoria a respeito — quando indivíduos, organizados em grupos, levam adiante a bandeira da convicção; às forças institucionais, cabem os limites da responsabilidade. É a tensão desses dois vetores que produz avanços. Nem a convicção deve sair por aí a cortar cabeças, como um Robespierre mais ensandecido do que o original, nem a responsabilidade deve engessar as demandas vivas da sociedade, congelando o statu quo e imobilizando os atores sociais.
É saudável que grupos de pressão na sociedade tenham uma pauta mais ousada e avançada — dados seus pressupostos e seus valores — do que as oposições institucionais. É assim que tem de ser. A pauta do Vem pra Rua, do Movimento Brasil Livre ou do Revoltados Online não se resume ao impeachment de Dilma, que pode acontecer ou não. Caso se dê, é preciso ter um amanhã; caso não se dê, também. E, é claro!, se as oposições que temos não souberem ler a realidade, serão superadas pelos fatos.
Os reacionários de esquerda, em especial alguns colunistas do nariz marrom, estão expelindo sua baba hidrófoba contra esses movimentos. Acham um absurdo e uma violência que uma de suas palavras de ordem seja “Fora PT”, mas viam uma verdadeira poesia quando os petistas gritavam “Fora Sarney”, “Fora Collor” e “Fora FHC”.
Podem ladrar à vontade. A caravana vai passar.
Por Reinaldo Azevedo

ALGUEM DESARME ESTA MULHER



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Por Ricardo Noblat
Que maneira infeliz de celebrar os primeiros 100 dias de governo! Seis em cada 10 brasileiros consideram péssima ou ruim a administração de Dilma. Quase seis em 10 acham que ela sabia da corrupção na Petrobras e nada fez.
Para quase oito em 10, a inflação aumentará. Assim como o desemprego para sete em cada 10. Dois em cada três são favoráveis à abertura de um processo de impeachment contra Dilma.
As manifestações de ruas, como as de ontem, são apoiadas por sete em cada 10. E se a eleição para a escolha do sucessor de Dilma tivesse ocorrido na semana passada, Aécio Neves teria derrotado Lula por 33% dos votos contra 29%, segundo a mais recente pesquisa Datafolha.
Dos seus vários bunkers em Brasília, a presidente só sai para lugares onde não corra o risco de ser vaiada. Se falar na televisão, pode deflagrar um panelaço.
O que Dilma fez para merecer isso?
Mentiu. Apenas mentiu. Simples assim.
O Brasil era um paraíso na propaganda dela para se reeleger. Menos de dois meses depois, o paraíso se evaporara.
Dilma jurou que jamais faria certas coisas que só seriam feitas por seus adversários. Começou a fazê-las antes do fim do seu primeiro mandato.
Com isso mentiu de novo? Não. Era a mesma mentira. Tudo era uma mentira só.
Uma pessoa que não ama seus semelhantes, ou que não sabe expressar seu amor por eles, não pode ser amada. Que o diga Jane, ex-criada do Palácio da Alvorada.
Um dia, Dilma não gostou da arrumação dos seus vestidos. E numa explosão de cólera, jogou cabides em Jane. Que, sem se intimidar, jogou cabides nela.
O episódio conhecido dentro do governo como “a guerra dos cabides” custou o emprego de Jane.
Mas ela deu sorte. Em meio à campanha eleitoral do ano passado, Jane foi procurada pela equipe de marketing de um dos candidatos a presidente com a promessa de que seria bem paga caso gravasse um depoimento a respeito da guerra dos cabides.
Dilma soube. Zelosos auxiliares dela garantiram a Jane os benefícios do programa “Minha Casa, Minha Vida”, uma soma em dinheiro e um novo emprego. Jane aceitou. Por que não?
Lula se queixa de Dilma porque ela não segue seus conselhos. Segue, sim. Só que às vezes demora.
Para que abdicasse da maioria dos seus poderes, por exemplo, foi decisivo o bate-boca que teve com Lula no Palácio da Alvorada, em março último.
A certa altura, Lula disse: “Eu lhe entreguei um país que estava bem...” Dilma devolveu: “Não, presidente. Não estava. E as medidas que estou tomando são para corrigir erros do seu governo”.
A réplica não demorou. “Do meu governo? Que governo? O seu já tem mais de quatro anos”, disparou Lula.
Os assessores de Dilma que aguardavam os dois para jantar e escutaram o diálogo em voz alta, não sabem dizer se ela nesse instante respondeu a Lula ou se preferiu calar.
Um deles guardou na memória o que Lula comentou em seguida: “Você sabe a coisa errada que eu fiz, não sabe? Foi botar você aí”.
Foi pressionada por Lula que Dilma entregou o comando da Economia ao ministro Joaquim Levy, da Fazenda, que pensa muito diferente dela.
Foi também pressionada por Lula que delegou o comando da Política a Michel Temer, seu vice, a quem sempre desprezou.
Levy está sujeito a levar carões públicos de Dilma, já levou. Temer, não. Levy pode ser trocado por outro banqueiro. Temer, não.
Lula inventou o parlamentarismo à brasileira para tentar impedir o naufrágio de Dilma. É sua última cartada para salvar a chance de voltar à presidência em 2018.
Manifestação na orla do Rio de Janeiro, RJ, 12/04/2015
(Foto: Futura Press)
13/04/2015- DO R.DEMOCRATICA

12 DE ABRIL 1 – MUITOS MILHARES VÃO ÀS RUAS, NO BRASIL INTEIRO, CONTRA O GOVERNO DILMA, O PT E AS ESQUERDAS. CONSTA QUE PLANALTO SUSPIRA ALIVIADO. ENTÃO É MAIS BURRO DO QUE PARECE!


A Avenida Paulista tomada por milhares de brasileiros: green and yelow blocs
Por Reinaldo Azevedo
Há mais de uma semana o governo decidiu pautar a cobertura da imprensa, que, com raras exceções, aceitou gostosamente a orientação. Com variações, a cobertura destaca que há menos pessoas nas ruas neste 12 de abril do que naquele 15 de março. Assim, fica estabelecido, dada essa leitura estúpida, que um protesto político só é bem- sucedido se consegue, a cada vez, superar a si mesmo. Isso é de uma tolice espantosa, na hipótese de não ser má-fé. A população ocupou as ruas em centenas de cidades Brasil afora. Mais uma vez, PT, CUT, ditos movimentos sociais e esquerdas no geral levaram uma surra também numérica. Mais uma vez, o verde-e-amarelo bateu o vermelho da semana passada. E é isso o que importa.
De resto, é impossível saber o número de manifestantes deste domingo. Algum veículo de imprensa mandou jornalista cobrir o protesto em Januária, em Minas; em Orobó, em Pernambuco, ou em Ourinhos, em São Paulo? Haver menos gente na Avenida Paulista ou na orla de Copacabana, no Rio, não tem nenhuma importância. Num levantamento prévio, dá para afirmar que o “fora Dilma” foi ouvido em cidades de pelo menos 24 Estados e no Distrito Federal (ainda falta atualização). E — daqui a pouco chego lá — contem com o PT para turbinar os próximos protestos.
Consta que o governo respirou aliviado com o número menor, embora o Palácio do Planalto, ele mesmo, tenha, desta vez, resolvido se calar. Parece que não haverá Miguel Rossetto e José Eduardo Cardozo para cutucar a onça com a vara curta. A boçalidade ficou por conta da militância virtual e paga (farei um post a respeito). Respirou aliviado por quê?

Protesto em Belém: faixa do Movimento Brasil Livre pede a saída da presidente
(Foto: Jairo Marques/Folhapress)

Respirou aliviado no dia em que o “Fora Dilma” se faz ouvir de norte a sul do país?
Respirou aliviado no dia em que o Datafolha aponta que 63% apoiam o impeachment da presidente?
Respirou aliviado no dia em que a pesquisa revela que 60% consideram o governo ruim ou péssimo?
Respirou aliviado no dia em que essa mesma pesquisa evidencia que 83% acreditam que Dilma sabia da roubalheira da Petrobras e nada fez?
Respirou aliviado no dia em que esse mesmo levantamento demonstra que a crise quebrou as pernas de Lula, pesadelo com o qual o petismo não contava nem nos momentos mais pessimistas?
Por que, afinal de contas, suspira aliviado o governo? Com que jornada futura de boas notícias e alívio dos sintomas da crise ele espera contar? Sim, a indignação com a roubalheira é um dos principais fatores de mobilização dos milhares de brasileiros que foram às ruas. Mas há muito mais do que isso. Há a crise econômica propriamente dita e a sensação, que corresponde à realidade, de que o governo está paralisado.
Acontece que esse mal-estar só vai aumentar porque o pacote recessivo ainda não surtiu todos os seus efeitos. Mais: ninguém nunca sabe quando a operação Lava Jato vai chegar a um fio desencapado, como é o caso de André Vargas, por exemplo. Consta que o ex-vice-presidente da Câmara e petista todo-poderoso, ora presidiário, está bravo com o partido, do qual havia se desligado apenas formalmente.
Acabo de chegar da Avenida Paulista. Havia menos gente do que no dia 15 de Março? Sem dúvida! Mas também sei, com absoluta certeza, que, desta feita, o protesto se deu num número maior de cidades no Estado. No dia 15, encontrei verdadeiras caravanas oriundas de cidades do interior e de outras unidades da federação. Aquele foi uma espécie de ato inaugural. Havia nele a vocação de grito de desabafo, era um enorme “Chega!”. A partir deste dia 12, a tendência é que haja mesmo uma diminuição de pessoas em favor de uma definição mais clara da pauta.
Mas é evidente que se trata de um erro cretino imaginar que menos gente na rua implique que está em curso uma mudança de humor da opinião pública. Não está, não! E que se note: se o protesto do dia 15 tivesse reunido o número de pessoas deste de agora, muitos teriam, então, se surpreendido. Acontece que aquele superou expectativas as mais otimistas. Tomá-lo como régua de um suposto insucesso dos atos deste dia 12 é coisa de tolos ou de vigaristas. Mas o governo e o PT têm direito ao autoengano.
Vejo a coisa de outro modo: os eventos deste domingo, 12 de abril, comprovam o que chamo de emergência de uma nova consciência. Até torço para que o Planalto e o petismo insistam que os atos deste domingo foram malsucedidos. É o caminho mais curto da autodestruição. Esses caras ainda não perceberam que os que agora protestam não querem apenas o impeachment de Dilma. Essa é a pauta contingente. Eles falam em nome de uma pauta necessária, que é apear as esquerdas do poder, ainda que esse esquerdismo, hoje em dia, não passe de uma mistura de populismo chulé com autoritarismo.
Tenham a certeza, petistas e afins: a luta continua! 12 de abril de 2015 DO R.DEMOCRATICA

domingo, 12 de abril de 2015

Musa do "Fora Collor" critica "Fora Dilma". Só não diz que sua ONG tem convênios de R$ 2,5 milhões com o governo federal.

Cecília Lotufo: de cara pintada à cara de pau.
Cecília Lotufo é tida como símbolo dos caras pintadas do Fora Collor. E critica as manifestações do Fora Dilma. Acontece que de cara pintada ela virou chapa branca. Fundou o Instituto Kairos e já faturou mais de R$ 2,5 milhões no Ministério do Trabalho, da Cultura e do Desenvolvimento Agrário. Clique aqui e veja os convênios. Clique aqui e leia a matéria da Folha que, claro, não teve a responsabilidade de procurar saber os reais motivos das críticas desta cara de pau. DO CELEAKS

Brasil volta às ruas neste domingo

Protestos de 12 de abril têm o dobro de cidades confirmadas na comparação com 15 de março. Agora, objetivo dos organizadores é aumentar atos no Nordeste
Por Eduardo Gonçalves
Veja.com
 
Menos de um mês depois de enfrentar o maior protesto popular da democracia brasileira, a presidente Dilma Rousseff volta neste domingo a ser alvo de uma série de manifestações contrárias a seu governo em todo o país. A mobilização tem o apoio de 75% dos brasileiros, segundo o Datafolha. Pesquisa divulgada neste sábado pelo instituto indica que 63% dos brasileiros são favoráveis à abertura de um processo de impeachment contra a presidente por causa do escândalo do petrolão. Para 57% dos entrevistados, Dilma sabia do esquema de corrupção na Petrobras e deixou que ele acontecesse.
Se levaram mais de 2 milhões de pessoas às ruas em 15 de março, os organizadores dos protestos buscam neste domingo mais do que uma numerosa adesão nas grandes capitais: o foco agora é espalhar os atos por mais cidades brasileiras, sobretudo no Norte e Nordeste, tradicionais redutos eleitorais petistas. Na avaliação dos movimentos Vem pra Rua e Brasil Livre, dois dos principais grupos por trás dos atos, a mobilização de mais brasileiros nessas regiões representará um golpe ainda mais duro contra o governo, além de lançar por terra o argumento petista de que as manifestações são uma tentativa de terceiro turno, protagonizada pela "elite" do Sul e Sudeste.
Em 15 de março, segundo a Polícia Militar, houve 1 milhão de pessoas nas ruas de São Paulo. Outras 200.000 protestaram em Porto Alegre e Vitória. Já as nove capitais do Nordeste somaram 75.000 manifestantes. Embora menor, o número é expressivo tendo em vista que que a presidente Dilma obteve 70% dos votos na região nas eleições do ano passado. Não à toa, os organizadores das manifestações buscaram desde março expandir sua área de atuação no país, formando células sobretudo no Norte e Nordeste. Se, em 15 de março, eram 241 as cidades com atos confirmados, agora são 413 - a maioria dos novos municípios, nas duas regiões. "O nosso objetivo não é ficar batendo recordes de pessoas nas ruas, mas ter representatividade em mais lugares", diz Rogério Chequer, líder do Vem pra Rua.
O sucesso das manifestações de 15 de março também é responsável pelo aumento das cidades com protestos confirmados. De lá para cá, grupos insatisfeitos com o governo e defensores de ideias liberais entraram em contato com, ou foram procurados por, MBL e Vem pra Rua para convocar atos em suas respectivas localidades. Para integrar o movimento, eles se submetem a um processo que atesta seu alinhamento com a pauta dos movimentos. "Faço num primeiro momento perguntas básicas que se adequem à nossa ideologia liberal, coisas como 'Qual sua opinião sobre a privatização da Petrobras?'. Caso a pessoa se pronuncie contrária às privatizações, ela é descartada na hora. Também entro no mérito do assistencialismo e cotas, tanto raciais como sociais", explicou Caíque Mafra, coordenador do Brasil Livre e responsável por arregimentar os grupos em outros Estados.
Depois de passar por essa fase, os novos integrantes do MBL recebem uma planilha em Power Point instruindo-os a atuar nas redes sociais e a angariar recursos para realizar um protesto. A comunicação entre as lideranças nacionais e regionais se dá quase que diariamente pela internet. Um dos líderes nacionais do Brasil Livre, Renan Haas, relata que grupos ligados a partidos de oposição já tentaram "se apropriar" do movimento em alguns lugares, mas, segundo ele, foram rechaçados assim que descoberta a filiação partidária. "Nós tentamos evitar ao máximo os oportunistas, mas às vezes eles aparecem. Não tem jeito", afirma.


(Infográfico/VEJA.com/VEJA)

Diferenças - Os grupos do Nordeste se diferenciam dos do Sudeste em alguns aspectos. Os mais evidentes são o perfil menos ideológico dos manifestantes e a incorporação de pautas locais às reivindicações tradicionais de destituir a presidente do poder e do combate à corrupção.
"Nossos manifestantes não são tão politizados quanto os do Sudeste. Eles não se atêm a temas ideológicos, como o Foro de São Paulo, socialismo, ou Cuba. Para eles, a coisa pega quando aperta no bolso. O que os influenciou foi principalmente o aumento das tarifas de luz e gasolina, o aumento do desemprego e a alteração nos direitos trabalhistas", afirma Paulo Angelim, líder do Vem pra Rua no Ceará. Fortaleza, capital do Estado, registrou em 15 de março o maior protesto no Nordeste: 25.000 pessoas. Ele também cita a promessa feita pelo governador Camilo Santana (PT) durante campanha eleitoral - agora descartada pela Petrobras - de que construiria uma refinaria no Estado como um dos gatilhos que levaram a população às ruas. "Isso se revelou um grande embuste eleitoreiro. E repercutiu negativamente entre o povo, que se sentiu traído", acrescenta. "O governo nos acusou na primeira manifestação de sermos eleitores frustrados. Na verdade, os atos estão sendo feitos aqui por eleitores arrependidos", afirma.
O mesmo ocorre em cidades da Bahia, onde os manifestantes saíram às ruas para pedir melhorias nas áreas de segurança, por exemplo. "O governo de Jaques Wagner (PT) foi muito ruim principalmente na questão da segurança pública. A ideia do impeachment vingou com reivindicações de ordem municipal. As lideranças das cidades sempre enfatizam que querem protestar contra administração do PT nos municípios", afirmou Ricardo Almeida Mota Ribeiro, líder do MBL na Bahia.
As lideranças nacionais veem no Norte e Nordeste regiões potenciais para ampliar sua influência. "No Centro-Sul, o movimento já cresceu bastante. No Nordeste, isso ainda é novidade. Por isso, estamos muito focados nisso, em ver a base de Dilma na região ruir", avaliou Renan Haas, do Brasil Livre.
Novos grupos - No Sudeste, somam-se a esses grupos movimentos criados depois do 15 de março. O maior exemplo está em São Paulo: na reunião entre lideranças dos protestos e a PM, compareceram quatro entidades a mais do que no encontro passado - Acorda Brasil, Movimento 15 de Março, Quero me Defender e União Nacionalista Democrática. Criado há cerca de vinte dias, o Movimento 15 de Março é formado por remanescentes do Vem pra Rua e do Brasil Livre. Agora, os movimentos originais terão de dividir o espaço da Avenida Paulista, no Centro de São Paulo.
Personagem dos protestos contra a Dilma

(Foto: Lailson Santos/VEJA)

Kim Kataguiri (MBL)
Kim Kataguiri, 19 anos, é um dos coordenadores nacionais do Movimento Brasil Livre e acaba de largar o curso de economia na Universidade Federal do ABC para se dedicar exclusivamente ao ativismo político. Apesar do movimento ser pulverizado, ele é o principal rosto do grupo na internet. Seu ativismo na web começou quando tinha 17 anos, antes do movimento organizar as primeiras manifestações. Em seu primeiro vídeo no youtube, Kataguiri quis dar uma resposta a um professor de economia da Universidade Federal do ABC (Ufabc) que defendeu o Bolsa Família durante um discussão na aula. Como era minoria na sala, preferiu fazer uma resposta online. “O vídeo se viralizou para além da universidade. Percebi que poderia usar a internet para fazer uma defesa dos valores liberais e criticar o assistencialismo do PT“, afirma.

(Foto: Jefferson Bernardes/VEJA)


Fábio Ostermann (MBL)
O cientista político gaúcho Fábio Ostermann, 30 anos, é o mentor intelectual do Movimento Brasil Livre. Com um currículo acadêmico que inclui passagens pela Georgetown University, nos Estados Unidos, e o International Academy for Leadership, na Alemanha, Ostermann ajuda a organizar as manifestações no sul do país, além de fóruns e palestras que defendem as ideias liberais, como o Fórum Pela Liberdade. No último domingo, foi responsável por promover uma aula pública “ABC do Impeachment“, no Parque Moinhos de Vento, em Porto Alegre. “Temos explicar que o impeachment é um mecanismo democrático garantido por nosso ordenamento jurídico. Vivemos no Brasil hoje uma situação limite que desafia a estabilidade das nossas instituições.

(Foto: Ernani D'almeida/VEJA)

Lourraine Alves (MBL)
A advogada carioca Lourraine Alves, 35 anos, não sabia o que era militância política até aderir ao Movimento Brasil Livre, em janeiro de 2015. O convite veio através dos coordenadores nacionais do movimento, em São Paulo, que pretendiam abrir uma filial no Rio de Janeiro. “Sempre tive medo de manifestação de rua, mas, com a polarização nas redes sociais, fiquei revoltada com alguns esquerdistas e aderi a causa”, defende. Lourraine afirma que defender o impeachment é uma forma de pedir “ética na política”. Uma das organizadoras do ato que terminou em brigas na sede da Petrobras no Rio de Janeiro, ela diz que só não apanhou porque uma mulher filiada a Central Única dos Trabalhadores (CUT) impediu que dois homens a agredissem. “Por pouco não apanhei, mas recebi xingamentos de vagabunda, piranha para baixo. São pessoas como essa que pretendemos tirar o governo”, defende.

Rogério Chequer (Vem pra Rua)
O empresário Rogério Chequer, 46 anos, e seu Vem pra Rua são a voz da moderação das manifestações do dia 15. “Não somos a favor do impeachment até agora porque ela não pode ser responsabilizada por crimes anteriores ao seu mandato. Estamos na rua porque o povo está de saco cheio e quer mudança”, afirma. Inspirado nos tradicionais movimentos da Argentina, Chequer foi o primeiro a propor ao Vem pra Rua a ideia do panelaço que teve seu ápice durante o pronunciamento da presidente no último domingo. Sua aproximação com o PSDB, durante o segundo turno de 2014, fez com que muitos taxassem Chequer e seu movimento como tucano. “Não somos tucanos. É verdade que apoiamos Aécio no segundo turno, mas nossa simpatia a eles está em queda, falta ser mais combativo no papel de oposição.”


Marcello Reis (Revoltados Online)
Marcello Reis, 40 anos, é quem manda, sozinho, em todos os passos do Revoltados Online. O grupo existe há onze anos. Se nasceu com o intuito de “rastrear pedófilos”, a criação da comunidade no Facebook transformou, em 2010, o Revoltados Online em um grande movimento contra o governo petista. “Começamos a falar de política apenas no Facebook e, com isso, ganhamos esse cunho político“, afirma. Desde junho de 2013, ele e seus aliados defendem o impeachment já que o governo deve ser responsabilizado pelo “crime de responsabilidade lesa pátria“ por repassar, sob segredo de justiça, verbas a países africanos e Cuba. “Antes éramos defensores da intervenção militar. Após estudar mais a fundo, vi que há muitos meios democráticos para tirar a presidente“, afirma Reis.