segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

‘Por trás da maquiagem, a crise real da indústria’, um texto de Rolf Kuntz

O pior saldo comercial em 13 anos ─ o pitoresco e discutível superávit de US$ 2,56 bilhões ─ está longe de ser um desastre isolado. Os números da balança retratam com precisão a crise brasileira: uma indústria com enorme dificuldade para competir, o descompasso entre consumo e produção, a política econômica feita de remendos e improvisações e a dependência cada vez maior de uns poucos setores ainda eficientes, com destaque para o agronegócio e a mineração. O menos importante, nesta altura, é apontar a exportação fictícia de plataformas de petróleo, no valor de US$ 7,74 bilhões, como evidente maquiagem dos números. Muito mais instrutivos, nesta altura, são outros detalhes. Uma dissecção da balança comercial, mesmo sumária, dá uma boa ideia dos estragos acumulados na economia em dez anos, especialmente nos últimos seis ou sete.

Sem os US$ 7,74 bilhões das plataformas, a exportação de manufaturados fica reduzida a US$ 85,35 bilhões. Para igualar as condições convém fazer a mesma operação com os números de 2012. Eliminada a plataforma de US$ 1,46 bilhão, a receita desse conjunto cai para US$ 89,25 bilhões. Sem essa depuração, o valor dos manufaturados cresceu 1,81% de um ano para o outro, pela média dos dias úteis. Com a depuração, o movimento entre os dois anos é uma assustadora queda de 5,13%.
Alguns dos itens com recuo de vendas de um ano para o outro: óleos combustíveis, aviões, autopeças, veículos de carga, motores e partes para veículos e motores e geradores elétricos. No caso dos aviões, a redução de US$ 4,75 bilhões para US$ 3,83 bilhões pode estar relacionada com oscilações normais no ritmo das encomendas e da produção. Mas o cenário geral da indústria é muito ruim. No caso dos semimanufaturados, a diminuição, também calculada pela média dos dias úteis, chegou a 8,3%.
Não há como atribuir esse resultado à crise internacional, até porque várias economias desenvolvidas, a começar pela americana, avançaram na recuperação, Para a América Latina e o Caribe, grandes compradores de manufaturados brasileiros, as vendas totais aumentaram 5,6%. Mesmo para a Argentina as exportações cresceram 8,1%, apesar do protecionismo.
O problema no comércio com os mercados desenvolvidos está associado principalmente ao baixo poder de competição da indústria, ou da sua maior parte, e às melhores condições de acesso de produtores de outros países. Mas essa é uma questão política. O governo brasileiro rejeitou em 2003 um acordo interamericano com participação dos Estados Unidos. Com isso deixou espaço a vários países concorrentes. No caso da União Europeia, o grande problema tem sido o governo argentino. É o principal entrave à conclusão do acordo comercial em negociação desde os anos 1990.
O Mercosul, promissor na fase inicial, tornou-se um trambolho com a conversão prematura em união aduaneira. Os quatro sócios originais nunca chegaram sequer a implantar uma eficiente zona de livre-comércio. Mas foram adiante, assumiram o compromisso mal planejado da Tarifa Externa Comum e aceitaram as limitações daí decorrentes. Nenhum deles pode, sozinho, concluir acordos ambiciosos de liberalização comercial com parceiros estranhos ao bloco.
De vez em quando alguém sugere, no Brasil, o abandono da união aduaneira e o retorno à condição de livre-comércio. Poderia ser um recomeço muito saudável, mas o governo brasileiro nem admite a discussão da ideia. A fantasia de uma liderança regional ─ obviamente associada ao terceiro-mundismo em vigor a partir de 2003 ─ tem sido um entrave ainda mais danoso que as amarras da fracassada união aduaneira.
Em 2013 o pior efeito da crise global, para o Brasil, foi a redução dos preços de commodities. Apesar disso, o comércio do agronegócio foi muito bem. Até novembro, o setor exportou US$ 93,58 bilhões de matérias-primas e produtos elaborados e acumulou um superávit de US$ 77,88 bilhões. O saldo final deve ter superado US$ 80 bilhões, valor anulado com muita folga pelo déficit da maior parte da indústria.
Em dezembro, só as vendas de milho em grão, carnes bovina e de frango, farelo e óleo de soja, café em grão, açúcar em bruto e celulose renderam US$ 3,87 bilhões. O quadro especial do setor, com valores discriminados e reorganizados, aparecerá, como sempre, no site do Ministério da Agricultura. Os números serão os do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, mas a arrumação seguirá um critério diferenciado.
No caso do agronegócio, o poder de competição reflete os ganhos de produtividade acumulados em três décadas, além da manutenção, nos últimos anos, de um razoável volume de investimentos setoriais, como as compras de caminhões e máquinas em 2013. A eficiência tem sido suficiente para compensar, mas só em parte, as desvantagens logísticas.
Quando um setor respeitado internacionalmente mal consegue embarcar seus produtos, é quase uma piada insistir na conversa do câmbio como grande problema da economia nacional. Mas a piada convém a um governo com graves dificuldades para formular e executar uma política de investimentos públicos e privados.
Ainda no capítulo do humor, um lembrete sobre as exportações fictícias de plataformas: o expediente foi realmente criado em 1999 para proporcionar benefícios fiscais à atividade petrolífera. Até o ministro da Fazenda, Guido Mantega, citou esse fato em entrevista. Mas essas operações nunca foram usadas tão amplamente quanto no último ano. Em 2012, esse item rendeu US$ 1,46 bilhão à contabilidade comercial. Em 2013, US$ 7,76 bilhões, com aumento de 426,4% pela média diária. Apareceu no topo da lista de manufaturados, acima de automóveis, aviões e autopeças. Mas nem isso disfarçou os problemas de uma indústria enfraquecida por anos de incompetência e irresponsabilidade na política econômica
Publicado no Estadão
ROLF KUNTZ

A Copa do Mundo e o marketing oficial do terror preventivo. Ou: O petismo de TPM. Ou ainda: a bola, o aborto e o kit gay

Que título estranho, não? Como é que essas coisas se juntam? Eu mostro. Preparados para a retomada num texto, digamos assim, looongo?
A escumalha a soldo que serve ao governismo na imprensa e no subjornalismo pôs para circular uma teoria conspiratória: a direita — sempre ela, coitadinha! — estaria tramando os piores ardis fara fazer com que a Copa do Mundo seja um fiasco. A trama uniria setores da oposição e a imprensa independente. O objetivo da sabotagem seria, claro!, destituir Dilma Rousseff. E como a tal “direita” faria isso? A canalha não diz. Não diz porque se trata de uma fantasia, de uma mentira estúpida. Os petistas e seus satélites instrumentalizam o marketing do terror preventivo para silenciar a crítica. Não é a primeira vez que recorrem a essa estratégia. Infelizmente, a imprensa séria e as oposições costumam cair no truque. Vamos ver.
O governo brasileiro torrou e está torrando uma fábula, ainda não-calculada, para realizar a Copa. Muitas obras de infraestrutura, especialmente as de mobilidade, previstas no plano original não foram realizadas. O governo as trocou pela decretação de feriado, mudança no calendário escolar, jeitinhos… Seis dos 12 estádios, que deveriam ter sido inaugurados até dezembro do ano passado, ainda não estão prontos. Joseph Blatter, presidente da Fifa, disse jamais ter presenciado atraso tamanho. Ele está na organização desde 1975. Já batemos o primeiro recorde: “nunca antes na história da Fifa…”
Pior: alguns desses estádios serão mesmo elefantes brancos, futuras ruínas. A realização do torneio em tantas capitais foi decidida por um misto de populismo com delírio de grandeza. A brasileirada ficou sem o metrô, as estradas, as vias de acesso… Mas ganhou monumentalidades inúteis. E, no entanto, teremos, sim, Copa do Mundo. Se o Brasil for campeão, Dilma Rousseff pode ganhar ou perder a eleição. O mais provável é que ganhe. Se o Brasil não for campeão, Dilma Rousseff pode ganhar ou perder a eleição. O mais provável é que ganhe. Qual a razão da TPM, da Tensão Pré-Mundial?
Ora, a campanha eleitoral já começou. Os petistas sempre foram muito hábeis em vender o que não fizeram, mas são ainda melhores quando se trata de atribuir a adversários defeitos e intenções que não têm. De resto, é preciso que se esclareça: uma oposição que explorasse os erros e a incompetência do governo na realização da Copa do Mundo ou de qualquer outro evento estaria apenas cumprindo a sua função, a sua obrigação, a sua missão, o seu mandato — adquirido nas urnas: opositores existem para vigiar o governo, apontar as suas falhas e tentar tomar o seu lugar quando há eleições, segundo as regras do jogo. Se a incompetência do governo Dilma for parar no horário eleitoral de seus adversários — coisa em que não acredito —, estaremos apenas diante do corriqueiro em sociedades livres.
Quanto à imprensa, não há muito o que dizer além do óbvio: há aquela que se financia na sociedade — por meio da publicidade privada e das assinaturas — para reportar o que tem de ser reportado, segundo os valores conhecidos por seus leitores, telespectadores, ouvintes e internautas, e há aquele outro “negócio”, financiado com dinheiro público, para fazer propagada governista e difamar seus adversários e críticos. E não custa lembrar de um terceiro grupo: os infiltrados. São agentes do oficialismo que escrevem na grande imprensa, aproveitando-se, para fazer proselitismo, da vantagem que esta lhes oferece e que eles próprios jamais ofereceriam a seus adversários se tivessem o poder que almejam: a pluralidade. Sigamos.
TPM
Sim, existe uma compreensível Tensão Pré-Mundial no governo Dilma. Teme-se o renascimento das manifestações de junho, coisa na qual não acredito — e já digo por quê. Depois de quase 12 anos de petismo no poder, as fragilidades do arranjo e as promessas não-cumpridas são evidentes. Nada, infelizmente, entendo eu, que possa tirar a reeleição de Dilma. O governo tem âncoras outras, que dispensam a eficiência. A máquina assistencialista, que passou a ser chamada, à direita e à esquerda, de “redistribuição de renda”, tem ocupado boa parte do espaço que caberia à política.
“Política” é e será sempre o nome do jogo — e é precisamente nesse ponto que passa a operar o marketing do terror preventivo. Os petistas e sua máquina de propaganda demonizam a divergência com uma eficiência que não se viu nas duas grandes ditaduras do século passado: a do Estado Novo e a militar. A crítica é tratada como sabotagem. Assim, apontar as ineficiências do governo na realização da Copa do Mundo ou demonstrar os desastres de Guido Mantega na condução das políticas monetária, cambial e fiscal não seriam ações compreendidas no escopo da democracia. Nada disso! Num caso e noutro, interesses inconfessáveis estariam a mobilizar a crítica e o crítico.
A renitência da inflação e a contabilidade criativa para fechar as contas não podem, pois, ser tomadas como erros na condução da política econômica. Segundo um dos porta-vozes do oficialismo, Dilma estava apenas fazendo a sua aposta num mundo melhor para os pobres, mas foi atropelada pelos pérfidos interesses das elites, especialmente do capital financeiro — o mesmo que, vejam que coisa curiosa!, financia regiamente o PT e torce de forma nada secreta pela volta de… Lula! É evidente que também essas teorias conspiratórias não param de pé; alimentam-se, a exemplo de todas as outras, da falta de evidências. Ocorre que estamos no terreno da guerrilha ideológica — e, nesse caso, o que vale é a fantasia.
Não acredito
Não aposto — e, em certa medida, gostaria de estar errado — no renascimento das tais “manifestações”. A razão é simples: seja para analisar a “Primavera Árabe”, seja para entender quebra-quebra em São Paulo e Rio, eu não acredito na efetividade do Facebook, mas da Irmandade Muçulmana e das organizações de esquerda, respectivamente. Num caso e noutro, não-mobilizados podem até aderir às ações de rua, mas a centelha original sempre fica a cargo de profissionais. O “junho” brasileiro pode até ter ganhado uma coloração antigovernista em vários momentos, mas o seu ânimo era, entendo eu, de esquerda. Infelizmente, a direita liberal e democrática não dispõe de força para grandes mobilizações de rua — ademais, nem é esse o seu espírito. Nunca se esqueçam de que os protestos violentos nasceram em São Paulo, numa associação entre os petistas radicais e extremistas de esquerda associados. O alvo era o governo Alckmin. Aí o tiro saiu pela culatra. Já demonstrei isso aqui com evidências de sobra.
Assim, ainda que exista a TPM, o governo não leva muito a sério a possibilidade de novos e gigantescos protestos de rua. De resto, seus bate-paus nos sindicatos, nas ONGs, nos movimentos sociais — E NA IMPRENSA — estão e estarão mobilizados para sabotar qualquer tentativa de manifestação antigovernista.
Então por quê?
Então por que essa conversa sobre uma suposta conspiração da direita? Para calar preventivamente a oposição, a imprensa e os críticos, de sorte que tanto o noticiário como as redes sociais sejam inundadas só com discursos laudatórios. Eis o PT: antes mesmo que seus críticos apontem seus defeitos e suas falhas, o próprio partido os anuncia como se fossem manifestação do preconceito de seus adversários. E conta, nesse trabalho, com uma rede poderosa, que une os venais, os quadros ideológicos e, como sempre, os idiotas.
Aborto
Lembrem-se das campanhas eleitorais de 2010 e de 2012. Dilma, a então ministra da Casa Civil de Lula, era uma defensora da legalização do aborto. Chegou a comparar a extração de um feto à de um dente. Segundo ela, ninguém poderia gostar nem de uma coisa nem de outra. Um pensamento humanista e chique. Com Deus, havia deixado claríssima a sua relação: rezava um pouco quando o avião balançava. Em terra firme, entende-se, diminui o seu fervor místico…
Atenção! Isto que vai agora é fato, não opinião. Acompanhei a coisa toda desde o início porque, como vocês sabem, esse é um debate que me interessa. O PT temia as opiniões emitidas por Dilma sobre esses temas. Antes que a campanha do tucano José Serra emitisse qualquer juízo de valor a respeito, teve início a guerra — esta, sim, midiática — acusando o adversário de explorar uma questão que, segundo o petismo, não deveria frequentar o debate político porque se trataria de mera questão… religiosa!
Notem que fantástica impostura! Decidir como o Brasil vai tratar os seus fetos não diria, então, respeito à disputa pelo poder. “A política é laica”, gritavam os pilantras, secundados pelos cretinos. A imprensa, esmagadoramente favorável à legalização do aborto, serviu de porta-voz da pregação petista. Mais do que isso: foi sua propagandista. Não se esqueçam jamais de que o jornalismo brasileiro apoiou, quase unanimemente, o recolhimento de um panfleto impresso por um grupo de católicos que recomendava que não se votasse em candidatos favoráveis ao aborto. O TSE atuava como censor, contrariando a Constituição. Jornalistas aplaudiram porque lhes pareceu razoável censurar uma opinião com a qual não concordavam. Uma vergonha!
O PSDB foi posto na defensiva. Repórteres cobravam agressivamente de Serra se considerava justo que se cobrasse de Dilma a opinião que ela tinha sobre o aborto; queriam saber se isso era compatível com a laicidade da política. Raramente a imprensa foi tão intelectualmente delinquente como naqueles dias.
E agora vem o mais estupefaciente: o PSDB não havia tocado no assunto. A questão não foi levada ao horário eleitoral — nem mesmo os dois vídeos, para confronto: num deles, Dilma se dizia favorável à legalização do aborto; no outro, já candidata, contrária. O trabalho do petismo deu resultado: a petista não foi obrigada a se confrontar com as suas próprias opiniões, e o ônus das negativas caiu no colo do seu adversário. Dez  em marketing; zero em vergonha na cara.
Kit gay
Em 2012, na disputa pela Prefeitura de São Paulo, assistiu-se ao mesmo procedimento. Os petistas sabiam que os absurdos do tal kit gay — vetados até por Dilma Rousseff — poderiam pesar contra Fernando Haddad. O arquivo está aí. Apontei a trapaça desde o início. Antes mesmo que o PSDB definisse o seu candidato, os porta-vozes do partido na imprensa e na subimprensa anunciavam: “Os tucanos vão explorar o kit gay! Isso é preconceito! O que o kit gay tem a ver com a Prefeitura?” Bem, é claro que tem — especialmente quando essa Prefeitura tem milhares de alunos.
E pronto! Lá foi o batalhão de repórteres a tratar o candidato do PSDB como homofóbico — justamente José Serra, o formulador de uma política pública de combate à AIDS, por exemplo, que era e segue sendo uma referência para o mundo. E daí? A delinquência ideológica não respeita competências; ela tem causas.
E, como era de se esperar, o tema ficou longe da campanha. O PSDB preferiu não ligar Haddad à sua própria obra, assim como não ligara, dois anos antes, Dilma às suas próprias opiniões. Pior: tucanos ditos “progressistas”, nos dois casos, preferiram atacar a campanha do seu partido, que seria por demais… conservadora!
Concluindo
A máquina petista e seus serviçais estão de volta com o mesmo procedimento. Agora eles pretendem levar os adversários de Dilma para a defensiva no caso da Copa, acusando-os de tentar sabotá-la. Assim como não se podia lembrar que a petista era uma defensora fanática do aborto e que Haddad havia feito os kits gays, deve-se deixar de lado a incompetência do governo na organização do evento.
Infelizmente, os adversários do PT — e a imprensa séria, que não é adversária de ninguém em matéria partidária — têm caído no truque petista de maneira sistemática. Aqui e ali já vejo críticos do petismo fazendo as suas juras de amor à Seleção, ao nosso futebol, à nossa ginga, essas coisas… A questão de fundo é a seguinte (e ainda voltarei ao tema): enquanto os não-petistas reconhecerem no PT um tribunal legítimo e permitirem que o partido se comporte como seu juiz, será impossível vencê-lo. Em certa medida, é preciso esquecer o PT para derrotar o PT. 
Por Reinaldo Azevedo-Rev.Veja

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Lula é o réu oculto do mensalão


O historiador Marco Antônio Villa deu entrevista a um jornal do interior de São Paulo dizendo que o "Barba" do Dops, vulgo Lula, é o réu oculto do mensalão. É um fato. Ele tem o mérito de dizer isto claramente, mesmo a um repórter que deve ter carteirinha do PT:
Um dos principais historiadores do Brasil, Marco Antonio Villa, da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), acredita que as prisões de políticos poderosos devido ao mensalão marca uma nova era para a Justiça brasileira.
“O julgamento do mensalão sinalizou que a leniência com que eram tratados os casos de corrupção é coisa do passado”, disse Villa, em entrevista exclusivo O VALE concedida por e-mail.
Autor do livro “Mensalão: o julgamento do maior caso de corrupção da política brasileira”, ele considera que o ex-presidente Lula (PT) também teria que ser julgado.
“Lula é o réu oculto do mensalão. É impossível que não tenha tomado conhecimento de tudo que o que estava sendo armado à sua volta.
Na entrevista, Villa fala também do caso do cartel no metrô de São Paulo e do mensalão mineiro.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista.
O ex-procurador-geral da República Antônio Fernando de Souza classificou o mensalão como o maior escândalo político da história brasileira. O senhor concorda? Por que?
Sim. Não houve nada parecido. O projeto criminoso de poder foi articulado no interior do Palácio do Planalto. Não há nenhum caso semelhante na história do Brasil.
Que análise o senhor faz do julgamento do mensalão para as histórias política e jurídica do Brasil?
Foi um marco. Poderá significar um corte na história jurídica do país. A justiça, finalmente, iniciou o processo (que deve ser longo) de igualizar os cidadãos pois, até hoje, uns brasileiros eram mais iguais que outros.
O senhor acredita que o julgamento do mensalão significou uma ruptura com a impunidade, principalmente em relação a políticos poderosos?
Sim. Nunca na história deste país tivemos, ao mesmo tempo, tantos políticos presos. E não só políticos, mas empresários e também banqueiros.
Qual será, na avaliação do senhor, o reflexo do julgamento do mensalão nos próximos casos de corrupção que serão analisados e julgados pelo STF e pela Justiça brasileira?
O julgamento sinalizou que a leniência com que eram tratados os casos de corrupção é coisa do passado.
O senhor acredita que foi cometida alguma injustiça no julgamento do mensalão, como tem sido dito por advogados, juristas e líderes políticos do PT?
Não. Foi um julgamento absolutamente legal, com amplo direito de defesa, transmitido pela televisão. Quer mais transparência que isso? Os protestos são justificáveis, mas estão distantes do que efetivamente ocorreu.
O que representou para o Brasil a prisão de políticos poderosos como José Dirceu, José Genoino e Valdemar da Costa Neto, principalmente nos casos ocorridos no dia da Proclamação da República?
É o início da refundação da República. Como costumo dizer, Deodoro da Fonseca só anunciou, em 1889, a República que, até hoje, não foi proclamada.
Como analisa as declarações da direção do PT e de presos como José Dirceu e José Genoino de que eles são presos políticos?
São políticos presos. E foram presos por formação de quadrilha, por corrupção ativa, por lavagem de dinheiro, etc. Como disse um ministro do STF, são os marginais do poder.
Como o senhor avalia os casos clínicos do José Genoino e do Roberto Jefferson? Acredita que eles teriam que ter prisão domiciliar ou podem ficar na cadeia como os demais presos?
Cabe à perícia definir cada caso, mas Jefferson, parece, tem o quadro clínico mais grave.
Na opinião do senhor, qual foi a participação do ex-presidente Lula no mensalão? O fato dele não ser julgado compromete a atuação do STF e da Justiça? Tem esperança de que o ex-presidente Lula ainda seja julgado?
Lula é o réu oculto do mensalão. É impossível que não tenha tomado conhecimento de tudo o que estava sendo armado à sua volta.
Qual será o impacto do mensalão nas eleições do ano que vem, principalmente sobre as candidaturas do PT? Acredita que a oposição irá explorar o escândalo durante o pleito?
É difícil estimar. O problema maior é que a oposição é muito ruim de discurso. Mas pode ser, que no momento de maior temperatura da eleição – no caso de segundo turno, o tema tenha alguma centralidade.
O STF e a Justiça preparam o julgamento do mensalão mineiro. Qual a expectativa do senhor em termos de condenações, principalmente do ex-governador Eduardo Azeredo?
O que aconteceu em Minas é diferente do ocorrido na ação penal 470 \[mensalão\]. Entre os réus, é importante destacar, tem também o Mares Guia, que foi ministro do Lula, e o Clésio Andrade, entusiasta das administrações petistas. Mas, é importante destacar, o PSDB não soube enfrentar a questão. O melhor procedimento seria expulsar o ex-governador do partido.
O senhor acredita que o mensalão mineiro será julgado antes das eleições do ano que vem? Se isto não acontecer, acredita que o PT explorará o episódio na eleição de 2014 para desgastar o PSDB?
É improvável. Ainda não foram resolvidos os embargos da AP-470 e tem muito processo na fila. E para o PT é melhor julgar a ação quando a presidência estiver com o Ricardo Lewandowski.
Como analisa as denúncias de formação de cartel nas licitações do metrô paulista e as suspeitas sobre os governos tucanos Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra?
Vamos aguardar o processo. Até agora não passam de especulações. É evidente que tem algo de errado e funcionários podem ter sido corrompidos.
Em termos de corrupção, é possível fazer comparação do caso Siemens com o mensalão?
Não. O caso Siemens é um fato isolado, mas que deve ser apurado, evidentemente. O mensalão foi um projeto de tomada do aparelho de Estado, um golpe, armado pela quadrilha petista que foi condenada.
Na opinião do senhor, o STF e a Justiça também têm que julgar o caso Siemens? Acredita que pode resultar em condenações para o governador Geraldo Alckmin e para José Serra?
O processo sequer foi aberto. Vamos aguardar mas, volto a dizer, são casos e situações distintas.
DO ORLANDO TAMBOSI

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Dilma conseguiu apequenar até a Vale.


A Vale da Dilma vale menos U$ 30 bilhões
 
Em 2011, quando o PT e Dilma derrubaram Roger Agnelli do comando da Vale, após um 2010 com mais de R$ 30 bilhões de lucros, o presidente que lá foi colocado, Murilo Pinto de Oliveira Ferreira(foto), disse: 
"A Vale tem de se posicionar como uma grande multinacional brasileira, com seu valor de mercado preservado e gerando lucros. Mas precisa também atuar em grandes projetos importantes para o País.”
Vencia o pensamento "dílmico" e o grupo de acionistas formado pelo BNDES, Previ e outros fundos aparelhados de pensão. O resultado não demorou a aparecer. 
A Vale ficou na segunda posição entre as empresas que registraram maiores perdas nominais de valor de mercado em 2013, passando de US$ 105,3 bilhões para US$ 75,1 bilhões. O Bradesco, onde seus maiores acionistas, veio abaixo junto com a mineradora, perdendo US$ 10,9 bilhões no valor de mercado. Apenas a Petrobras perdeu mais: U$ 34,1 bilhões. 
Por outro lado, uma das empresas que mais ganharam foi a JBS, alavancada pelo BNDES, que perdeu um monte de dinheiro na Vale: aumentou seu valor de mercado em U$ 2,3 bilhões. É o modelo "dílmico", aquele que diz que existe terrorismo psicológico contra o seu governo. Faça-me o favor! 
DO CELEAKS

Economistas criticam discurso da "Rainha da Suécia".


Aécio Neves (PSDB-MG) foi o primeiro a criticar o discurso de auto-elogio de Dilma Rousseff, no momento em que o país passa por dramas como as cheias e sérios problemas econômicos. Os economistas fizeram coro e dizem que faltou auto-crítica no discurso da presidente. Veja abaixo matéria de O Globo. 
Economistas viram o pronunciamento da presidente Dilma Rousseff com ceticismo e pouco efeito prático sobre a retomada do investimento. As críticas giraram em torno da fala de Dilma sobre a razão para a falta de confiança de empresários, atribuída pela presidente a uma "guerra psicológica". 
Para o economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central (BC), o governo mostra resistência em perceber que é o causador da falta de confiança por empresários, fruto, segundo ele, da piora do desempenho fiscal, da manutenção da inflação em patamar alto e das frequentes mudanças de regras.  - Se há uma guerra psicológica, foi o governo quem a começou - diz Schwartsman.
O economista e professor da UFRJ Luiz Carlos Prado adota um tom mais moderado, mas também enxerga problemas:  - Existe um debate em relação às estratégias econômicas do governo, que deve se acirrar em 2014, que é um ano eleitoral. A gestão da economia do governo nos últimos dois anos teve problemas, como ocorreu na ênfase dada ao consumo e que foi criticada por pessoas de diversos vieses econômicos.
Segundo o diretor de pesquisa econômica para América Latina do banco americano Goldman Sachs, Alberto Ramos, a maior crítica dos agentes econômicos se dá em relação ao modelo econômico adotado ao governo e a uma tolerância grande com a inflação. - Com crescimento baixo, inflação alta, câmbio desalinhado e ativismos cambial e fiscal, esse é um quadro que não inspira a confiança do empresário. De onde vem esse negativismo? Dessa realidade. A economia brasileira perdeu competitividade externa e os custos trabalhistas aumentaram. É preciso credibilidade. É preciso um ajuste da política macroeconômica. Um discurso demasiadamente otimista não ajuda a destravar os investimentos. O que ajuda é mostrar isso de maneira crível - afirma.
O economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, vê no discurso de Dilma um recado a economistas que projetam um crescimento baixo para a economia brasileira em 2014, em torno de 2%. - Não é uma guerra psicológica, mas reação a um ambiente adverso. O que define o interesse da empresa é um horizonte de médio e longo prazo. Quanto maior a imprevisibilidade, maior a tendência de os empresários continuarem contraídos.
A falta de autocrítica também mereceu críticas do professor da UFRJ Reinaldo Gonçalves: - Quando (Dilma) diz que o problema é dos outros e não assume a responsabilidade sobre a piora nas contas externas, as intervenções no câmbio, ela faz um discurso alegórico, que só piora a confiança.
DO CELEAKS

Feliz ano novo.


Nos 365 dias de 2014, faça a sua parte do Brasil que precisa mudar. Reprodução autorizada. Clique para ampliar e copiar. Obrigado a todos e todas.
DO CELEAKS

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

“Assassinato de Reputações — Um Crime de Estado”

 QUEM FOI QUE MENTIU? Fotos provam que o delegado Tuma Junior, autor do livro-bomba de denúncias contra o lulalato, foi, sim, agente do DOPS

Num dos trechos da entrevista a VEJA, o repórter Robson Bonin lembra ao ex-secretário nacional de Justiça durante três anos no governo Lula, Romeu Tuma Junior, que, no livro Assassinato de Reputações, o delegado afirma que o ex-presidente Lula foi informante da ditadura. “É uma acusação muito grave”, ressalva o entrevistador. Segue-se a resposta:
– Não considero uma acusação. Quero deixar isso bem claro. O que conto no livro é o que vivi no DOPS. Eu era investigador subordinado ao meu pai [delegado Romeu Tuma, futuro chefe da Polícia Federal e, depois, senador da República, morto em 2010] e vivi tudo isso. Eu e o Lula vivemos juntos esse momento. Ninguém me contou. Eu vi o Lula dormir no sofá da sala do meu pai, presenciei tudo. Conto esses fatos agora até para demonstrar que a confiança que o presidente tinha em mim no governo, quando me nomeou secretário nacional de Justiça, não vinha do nada. Era muito tempo. O Lula era informante do meu pai no Dops.
Publicada a entrevista, blogueiros alinhados com o lulopetismo começaram a ironizar e desmentir a declaração, alegando que supostamente Tuma Junior não tinha, em 1980, idade para ser agente do DOPS, a extinta polícia política de São Paulo.
Como este blog publicou esse trecho da entrevista, alguns leitores, por meio de comentários profundamente desrespeitosos e ofensivos — e que, portanto, foram deletados — também zombaram do colunista, alegando que um jovem de “dezesseis anos e meio” não poderia trabalhar na polícia em 1980.
Nesta segunda-feira, Reinaldo Azevedo informou que Tuminha nasceu em 1960, não em 1963.
As fotos abaixo mostram quem tinha razão — e quem mentiu.
Caderno fotos 01-3
Tuma Junior, de bigode e camisa branca, à direita, acompanha o casal Lula da Silva na porta do DOPS, como agente que era. A pedido do pai, ele serviu como guarda-costas do mais ilustre hóspede que por ali passou. São Paulo, maio de 1980 (Foto: arquivo pessoal)
Tuma Junior de bigode, terno claro e gravata preta, com o presidente João Baptista Figueiredo, na antiga Ala Oficial do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em 1981 (Foto: arquivo pessoal)
 Caderno fotos 01-4
Em operação do DOPS, no início da década de 1980 (Tuma Junior está à direita, em primeiro plano, de blusa xadrez escura). Ao fundo, veem-se os dois agentes que, por ordem do delegado Romeu Tuma, acompanharam Lula em sua visita secreta à mãe, Dona Lindu: Armando está à esquerda e Oswaldo à direita, ambos com bigode (Foto: arquivo pessoal)
REV VEJA-10-12-2013

A república do despudor



Por Estadão

Hábito ancestral e nefasto que só piora com os exemplos que vêm de cima, o despudor das autoridades brasileiras no trato da coisa pública afronta diariamente uma sociedade que só não reage com a indignação cabível porque — é a triste realidade — de algum modo ela se mostra desgastada pela deterioração dos valores morais e éticos que devem presidir a convivência social civilizada.
Só isso pode explicar o fato de o presidente do Senado e do Congresso Nacional, o notório Renan Calheiros, permanecer no comando de um dos Poderes da República depois de ter convocado cadeia nacional de rádio e televisão, no último dia 23, para, entre outros floreios, vangloriar-se de austeridade nos gastos públicos, poucas horas após ter reincidido na requisição irregular de um jato da FAB, desta vez para viajar de Brasília ao Recife a fim de se submeter a urgentíssimo implante capilar.
Tanto com a intervenção cirúrgica a que se submeteu quanto com o teor do pronunciamento que fez poucas horas depois à Nação, o senador alagoano revela-se extremamente fiel a um princípio que orienta a carreira dos políticos bem-sucedidos “da hora”: salvar sempre as aparências.

Mal o verdadeiro objetivo da viagem “oficial” do presidente do Senado ao Recife veio a público, o próprio apressou-se em anunciar que consultaria a FAB para saber se podia ou não ter requisitado o avião e que, se fosse o caso, faria o devido reembolso aos cofres públicos.
Por inverossímil e absurdo que pareça, é isso mesmo: o chefe de um dos Poderes da República, reincidente específico em casos dessa natureza, que certamente dispõe de especialistas em qualquer assunto legal nos quadros de sua ampla assessoria, achou que precisava perguntar à Aeronáutica se podia ou não podia ter usado uma aeronave oficial para melhorar sua aparência, inclusive com um retoque nas pálpebras ligeiramente caídas. Seria uma piada de mau gosto, se não fosse um escárnio à Nação que paga impostos e respeita as leis.
Renan Calheiros tem um retrospecto de conflito com o artigo 37 da Constituição, segundo o qual a administração pública “obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”. Em julho último, já tinha ido de jatinho da FAB a Trancoso, na Bahia, para a festa de casamento da filha de um colega do PMDB.
Quando a imprensa denunciou o abuso, mais do que depressa Calheiros reembolsou a FAB em R$ 32 mil, antes mesmo de qualquer manifestação das autoridades aeronáuticas. Mas parece não ter aprendido muito com a experiência.
Muito pior do que essas lambanças aéreas, no entanto, foi o senador alagoano ter sido forçado, em 2007, a renunciar à mesma presidência do Senado que hoje ocupa, por causa das várias denúncias de corrupção de que era alvo e que resultaram na apresentação, por seus pares, de seis representações ao Conselho de Ética da Casa pedindo a cassação de seu mandato.
Renunciando à presidência da Casa, mas não ao mandato de senador, Calheiros acabou sendo absolvido por seus pares de todas as acusações que lhe eram feitas, inclusive a de que uma empreiteira pagava polpuda pensão para o sustento de filho havido fora do matrimônio.
Mas, como já dissemos, o despudor é generalizado nos quadros da administração pública e o exemplo vem de cima. Quando a presidente Dilma Rousseff, movida pela ambição de permanecer no cargo e pela enorme pressão de Lula e do PT, abandona a rotina de uma governança que não tem enfrentado poucos problemas para atropelar o calendário e se concentrar numa intensa agenda estritamente eleitoral, não só dá um péssimo exemplo, como sinaliza que não há limites – nem os da lei eleitoral – para os detentores do poder.
O argumento para justificar a multiplicação das viagens presidenciais por todo o país, com objetivos inegavelmente eleitorais, foi dado recentemente pela ministra-chefe da Casa Civil da Presidência, Gleisi Hoffmann: depois de quase três anos de operosa gestão, chegou a hora de o governo “entregar” suas realizações à população. O despudor, como se vê, não é monopólio de Renan Calheiros.
29/12/2013

LIVRO TUMA


DA SÉRIE "COISAS QUE NÃO CONSIGO ENTENDER"
Percival Puggina

Estou lendo o livro de Romeu Tuma Junior, "Assassinato de Reputações", que apenas anteontem consegui receber da Saraiva. Do pouco que já li não entendo como Lula, até agora, se manteve calado como se o livro não existisse.


Não imagino que alguém no Brasil, qualquer que seja seu nível de formação e informação, ainda tenha ilusões sobre o caráter de Lula. Mas o livro conta que a nação vem sendo iludida e que o país acabou presidido por um perfeito canalha. Canalha desde sempre, desde moço, para quem o passar dos anos não fez mais do que alargar os círculos nos quais aplica, com destreza, o conjunto de seus defeitos morais.

Um livro desses, cem anos atrás, acabaria em duelo. Hoje, não tem como não acabar em indignada entrevista (à imprensa) ou em demolidora audiência (na Justiça). O silêncio de Lula quando flagrado em suas estripulias é costumeiro. Que o digam Rose e Maria Letícia. Mas o silêncio de Lula, também perante o livro do Tuminha, precisa ser gritado à nação. Talvez com força suficiente para despertá-la.

DO LILICARABINA

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Pedido para criação da CPI da Copa é protocolado no Congresso

 Com o apoio de partidos governistas, a oposição protocolou nesta quarta-feira pedido para a criação da CPI da Copa do Mundo no Congresso. Os deputados e senadores querem investigar indícios de superfaturamento em obras da Copa, especialmente na construção de estádios.
Os oposicionistas conseguiram o apoio de 192 deputados e 28 senadores para a criação da comissão parlamentar de inquérito --21 assinaturas a mais que o mínimo na Câmara, e uma a mais no Senado. Até a leitura do pedido em sessão do Congresso Nacional, o que vai ocorrer somente em agosto, os congressistas podem retirar ou acrescentar assinaturas.
Se houver a retirada de assinaturas do pedido de criação da CPI, a comissão também pode não ser instalada. O mínimo previsto pelas regras do Congresso é de 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores.
A leitura do pedido tem que ocorrer em sessão do Congresso, por isso depende da vontade política do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) --que é aliado do governo federal. Como os deputados e senadores entram em "recesso branco" a partir de amanhã, em férias de 15 dias, a leitura vai ocorrer somente no segundo semestre.
O Palácio do Planalto trabalha, nos bastidores, para convencer aliados da presidente Dilma Rousseff a não apoiarem a criação da CPI. O governo quer evitar desgastes à imagem da Copa de 2014, já que a CPI tem o prazo previsto de funcionamento de 180 dias (seis meses), prorrogáveis por igual período --o que pode manter a comissão funcionando até o início do mundial de futebol.
"Existe um fato, provas, indícios que justifiquem uma investigação feita pelo parlamento? A avaliação no PT é que não foram apresentados fatos concretos, como manda a Constituição", disse o líder do PT no Senado, Wellington Dias (PI).
Idealizador da CPI, o deputado Izalci Lucas (PSDB-DF) disse estar otimista para a instalação da comissão depois dos protestos populares que mobilizaram o país. "Os indícios de superfaturamento são muito fortes. A pressão para se investigar está acontecendo há muito tempo. As redes sociais têm nos ajudado muito, vamos fazer pressão para que não tenha a retirada de assinaturas", afirmou.
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que a instalação da CPI será um "teste" para o Congresso após as manifestações populares. "O escandaloso superfaturamento das obras exige uma investigação para a punição dos envolvidos. Há superfaturamento, isso é fato. O importante é se identificar os responsáveis."
CRÍTICAS
No pedido de criação da CPI, a oposição questiona afirmações da presidente Dilma Rousseff e do ministro Aldo Rebelo (Esportes) de que não houve uso de recursos do Orçamento da União nas obras dos estádios.
"O governo federal usou em obras da Copa dinheiro público que poderia, sim, ser usado na educação e na saúde. A afirmação de que não há recursos do Orçamento pretende desviar a atenção da opinião pública, fazendo crer que não há emprego de recursos públicos em geral, e isso é falso", diz o documento.
Os oposicionistas também afirmam que o governo se omitiu na prestação de contas dos recursos usados na construção de estádios porque parte deles "teriam sido apropriados por entidades privadas".

"Recursos que deveriam estar sendo destinados à educação, saúde, mobilidade urbana e à segurança pública podem estar sendo empregados para irrigar empreendimentos privados", diz a oposição no pedido de criação da CPI. GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA DA FOLHA...

terça-feira, 16 de julho de 2013

No vídeo em que tratou pela primeira vez da patifaria com o Bolsa Família, Dilma qualificou de criminosos os companheiros da Caixa Econômica que já começou a absolver


Em 20 de maio, no comício em Pernambuco que precedeu o primeiro banho de mar do navio petroleiro Zumbi dos Palmares, a presidente da República abriu uma clareira na floresta de menções amalucadas ao personagem que batizou a embarcação, frases sem pé nem cabeça sobre a seca do Nordeste e meia dúzia de pitos na inflação. Dilma Rousseff achou indispensável tratar também do crime hediondo praticado dois dias antes contra os beneficiários do maior programa oficial de compra de votos do mundo ─ e, por consequência, contra o governo que dele se beneficia. O vídeo de 1:36 eternizou a mistura de precipitação, oportunismo eleitoreiro, pilantragem irresponsável e pontapés na língua portuguesa:
“Pois muito bem, o que aconteceu no Brasil sábado?”, pergunta Dilma Rousseff, que já tem a resposta pronta na cabeça habitada por um neurônio só: “Espalhou-se um boato falso, negativo, um boato que leva intranquilidade às famílias mais pobres deste país, que são aquelas que recebem o Bolsa Família. Qual era o boato? O boato era que o governo federal não ia pagar o Bolsa Família. É algo absurdamente desumano o autor desse boato. Por isso, além de ser desumano, ele é criminoso, por isso nós colocamos a Polícia Federal para descobrir a origem de um boato que tinha por objetivo levar a intranquilidade aos milhões de brasileiros que nos últimos dez anos estão saindo da pobreza extrema. ”Eu queria deixar, e aproveitar aqui a imprensa e deixar claro: o compromisso do meu governo com o Bolsa Família é um compromisso forte, profundo e definitivo”. 
Imediatamente, como recorda o editorial do Estadão desta terça-feira, começou o desfile dos áulicos. No mesmo dia 20, Maria do Rosário, que se apresenta como ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, fantasiou-se de detetive para, simultaneamente, espancar o idioma, agradar à comandante e garantir o emprego com a elucidação do crime pelo Twitter: “Boatos sobre fim do bolsa família deve (sic) ser da central de notícias da oposição. Revela posição ou desejo de quem nunca valorizou a política”.
Animado com a pilantragem eleitoreira que resultaria em mais um tiro no pé, José Eduardo Cardozo passou a tarde e a noite decorando advérbios antes de entrar em cena na manhã seguinte: “Evidentemente houve uma ação de muita sintonia em vários pontos do território nacional, o que pode ensejar a avaliação de que alguém quis fazer isso deliberadamente, planejadamente, articuladamente”, caprichou o ministro da Justiça com que sonham todos os fora-da-lei.
Na muda desde a descoberta do escândalo em que se meteu ao lado da segunda-dama Rose Noronha, Lula recuperou a voz uma semana mais tarde para emitir seu parecer: “O que mais falar com um ato de vandalismo desse?”, miou o ex-presidente em 27 de maio. ” Ou seja, eu só espero que se descubra quem fez isso, porque brincar com as pessoas mais pobres desse país é, eu diria, uma ofensa”.
Na primeira semana de apurações, soube-se que mais de 600 mil famílias recebiam a mesada em dobro. Menos de dois meses depois da denúncia registrada no vídeo, a Polícia Federal concluiu as investigações com a constatação que um sherloque boliviano poderia ter feito sem sequer dar as caras no Brasil: os culpados foram os companheiros da Caixa Econômica Federal que resolveram antecipar o pagamento do Bolsa Família e depositaram o dinheiro mais cedo. Que punições serão aplicadas ao bando formado por incompetentes e espertalhões, uns e outros desprovidos do sentimento da vergonha?
Nenhuma, avisa o comportamento dos declarantes desde que a PF confirmou que a bandidagem está logo ao lado. Dilma emudeceu. Nesta terça-feira, falou por ela o ministro Cardozo: “Havia depoimento que dizia que uma empresa de telemarketing havia informado que o Bolsa Família estava acabando e, com base nisso, a PF atuou na perspectiva de descobrir que empresa seria essa, pedindo inclusive a quebra do sigilo telefônico da pessoa que declarou ter recebido a ligação”, desandou em dilmês de porta de cadeia. “Só que, por uma série de contingências, não se chegou ao resultado se esta empresa teria encaminhado ou não. Há um conjunto de situações que talvez tenham concorrido para isso”.

Tradução: como os delinquentes são gente nossa, ocorreu aquele tipo de crime em que só há inocentes entre os culpados. Os comparsas já começaram a absolvê-los. Assim será até que as multidões indignadas voltem à rua para demolir de vez  a usina de monumentos à impunidade
DO AUGUSTO NUNES-REV VEJA

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Desespero da presidenta


The New York Times faz análise das atitudes de Dilma diante de protestos
#vemprarua
The New York Times
Artigo diz que ao pedir conselhos para Lula, a presidenta passa por marionete do mentor
A inabilidade política da presidenta Dilma foi tema de um artigo do The New York Times, escrito pelo desafeto de Lula, Larry Rohter. Aquele do visto suspenso, etc. Em seu artigo, Rohter faz uma análise das decisões da presidenta, desde o início dos protestos, e praticamente todas se voltaram contra ela.
Constituinte, plebiscito e até o dinheiro dos royalties para a educação e saúde, segundo Rohter, são ideias jogadas ao vento e sem nenhum efeito prático. As manifestações continuaram e a presidenta ficou sem saber o que fazer.
“Um mês após surgirem manifestações contra a corrupção oficial, superfaturamento das obras de infraestrutura e dos estádios da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, brutalidade policial e inúmeros outros assuntos, uma nuvem de desespero aparece no governo dela”, diz o artigo.
O jornalista ainda lembra as vaias que tem atormentado a presidenta, inclusive quanto às recebidas pelos prefeitos, logo após anunciar a liberação de R$ 3 bilhões para a Saúde nos municípios. Greves e fogo amigo tem atormentado Dilma como se não fosse sobrar ninguém para estender-lhe a mão.
O analista político Bolívar Lamounier, ouvido por Rohter, foi taxativo. “O que estamos vendo agora era óbvio durante a campanha: Ela não tem tino para a coisa, não tem jogo de cintura”.
De acordo com o texto, é visível que Dilma não sabe o que fazer, muito menos, como se portar em um cargo eletivo.
Tanto que no momento em que decidiu se aconselhar com o seu padrinho político, Lula, ela, a presidenta da República Federativa do Brasil, se deslocou para vê-lo.
Não falou ao telefone, não o convocou para um encontro na capital, ela foi ao encontro do mentor.
Isso teria deixado claro para a população que ela não está no comando e era apenas uma marionete nas mãos de Lula.
 14 de julho de 2013 
DO R.DEMOCRATICA