PAZ AMOR E VIDA NA TERRA
" De tanto ver triunfar as nulidades,
De tanto ver crescer as injustiças,
De tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus, o homem chega
a desanimar-se da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto".
[Ruy Barbosa]
Universidade Notre Dame concede láurea a juiz da Lava Jato, em almoço em São Paulo
Julia Affonso, Luiz Vassallo e Fausto Macedo
02
Outubro 2017 | 13h42 DO ESTADÃO
O juiz federal Sérgio Moro está sendo homenageado nesta segunda-feira,
2, pela Universidade Notre Dame, com a mesma honraria recebida por madre
Teresa de Calcutá. Segundo a instituição americana, o Prêmio Notre Dame
é ‘entregue periodicamente para homens e mulheres cuja vida e obras
demonstra, dedicação exemplar aos ideais pela qual a Universidade preza’
desde 1992.
Sérgio Moro é alvo da deferência em almoço em São Paulo.
Moro é o
magistrado símbolo da Operação Lava Jato. Há mais de três anos e meio, o
juiz da 13.ª Vara Federal, de Curitiba, autoriza os avanços da maior
investigação contra a corrupção já aberta no País.
A universidade definiu Sérgio Moro como alguém ‘comprometido
em nada mais que a preservação da integridade de sua nação através de
sua aplicação firme e imparcial da lei’.
“Ao abordar os problemas perniciosos da corrupção pública de
forma judiciosa, porém diligente, o Dr. Moro fez uma acentuada
diferença para todos os brasileiros, e para a humanidade em geral, no
que se refere a nossa sede universal de Justiça. A Universidade também
reconhece e elogia o serviço público do Dr. Moro como o “juiz dos
velhinhos”, cujas decisões refletiram empatia e compreensão aos idosos”,
afirma a Notre Dame.
Além de madre Teresa de Calcutá, já foram premiados os
humanitários Jimmy e Rosalyn Carter, dos Estados Unidos, o historiados e
ativista Andrea Riccardi, da Itália, e o membro parlamentar Helen
Suzman, da África do Sul.
“Os homenageados previamente com o Prêmio Notre Dame, cada
um à sua maneira, atuaram como pilares de consciência e integridade,
suas ações beneficiando seus compatriotas e, através de seus exemplos, o
mundo inteiro, quando se comprometeram com a fé, a justiça, a paz, a
verdade e a solidariedade com os mais vulneráveis”, informa a
Universidade. Homenageados anteriores
Jimmy e Rosalyn Carter, humanitários, Estados Unidos
Madre Teresa de Calcutá, missionária e santa , Índia
Jean Vanter, humanitário, Canadá
Helen Suzman, membro parlamentar, África do Sul
John Hume, membro parlamentar, Irlanda do Norte
Irmão Roger, Prior, comunidade religiosa de Taize, Suíça
Vinko Cardinal Puljic, arcebispo de Sarajevo, Bósnia e Hersegovina
Leon Sullivan, líder de direitos civis Estados Unidos
Andrea Riccardi, historiador e ativista da paz, Itália
Especialistas se dividem sobre
legalidade; para procurador, reforma trabalhista proíbe que contribuição
seja imposta a quem não é sindicalizado
Marcelo Godoy,
O Estado de S.Paulo
02 Outubro 2017 | 05h00
O Ministério Público do Trabalho (MPT) deve entrar com ações
coletivas para impedir que os sindicatos descontem as novas
contribuições de trabalhadores, sócios ou não das entidades. Para o
procurador do trabalho Henrique Correia, esse posicionamento das
centrais “é ilegal de acordo com a reforma recém-aprovada”. “Ela (a
reforma trabalhista) estabelece que a pessoa que não é filiada e não
autorizou não pode ser descontada.”
Segundo ele, se os sindicatos firmarem convenção
prevendo o desconto, ele será ilegal, pois a própria reforma “proíbe
isso em seu artigo 661-b”. “Não pode ter negociação sobre os pontos
abaixo e entre eles está o de que não pode ser imposta contribuição para
quem não é sindicalizado.”
O Supremo Tribunal Federal (STF), segundo Correia, já
decidiu proibir o desconto de quem não é filiado em sua Súmula 40 (ela
trata da contribuição confederativa). Para Correia tanto faz o nome que
se dê à contribuição – assistencial ou negocial –, pois o princípio
seria o mesmo. “Para contribuir tem de se dar essa autorização.”
A
expectativa do procurador é que a ação dos sindicatos seja contrastada
no Judiciário. “Até o STF vai se pronunciar novamente pela ilegalidade e
inconstitucionalidade dessas contribuições. Mas, se vier uma nova lei
ou uma medida provisória, aí será outro caso.” O procurador afirma ainda
que o trabalhador que for descontado a partir de 11 de novembro –
quando a reforma entra em vigor – deve procurar o MPT e denunciar. “Eu
tenho várias ações púbicas contrárias à contribuição de quem não é
filiado. Com certeza o MPT deve entrar com ações coletivas.”
Professores.
Para a professora de Direito do Trabalho da PUC-SP Fabíola Marques, a
estratégia defendida pela maioria das centrais para cobrar a
contribuição de todos os trabalhadores é ilegal. De acordo com ela, a
autorização exigida pela reforma deve ser pessoal. A assembleia pode
decidir somente pela cobrança da contribuição dos associados.
“A legislação foi mal elaborada e tem falhas que os
sindicatos e as centrais estão tentando descobrir para retomar as
contribuições e permitir, por meio de convenção coletiva, a sua
aplicação.” Segundo ela, em muitos casos, isso será possível, mas as
novas contribuições só devem ser cobradas dos associados. “Creio que
esse será o entendimento do Judiciário.” Como na assembleia só votam
sócios, a contribuição não poderia atingir os demais trabalhadores. “Há
quem tenha uma ideia mais restritiva e diga que o negociado só prevalece
sobre o legislado para os sócios dos sindicatos, pois só eles votam nas
assembleias.”
Já o professor de Direito do Trabalho da Universidade de
São Paulo (USP) Otávio Pinto e Silva afirmou que o plano dos sindicatos
deve ter respaldo no Judiciário por causa da lei que institui as
centrais, em 2008. “A lei das centrais já dizia que a contribuição
sindical compulsória vigoraria até que uma lei regulasse uma
contribuição negocial vinculada ao exercício da negociação coletiva, que
seria aprovada em assembleia da categoria.”
Para ele, como o sindicato representa a categoria e não
só os associados, a aprovação na assembleia vincularia a todos. “É claro
que essa interpretação fica sujeita a chuvas e trovoadas. Pode haver
impugnação individual do trabalhador ou por meio de ação coletiva do
MPT”, afirmou. Para, ele o princípio da contribuição vale também para
empregadores. “Só que no caso deles, a contribuição seria vinculada ao
capital social da empresa.”
Com
orçamento estourado, o governo decidiu pedir fiado aos deputados
aliados para o pagamento de emendas parlamentares nas negociações para
derrubar a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer. A
estratégia é começar a negociar a liberação adiantada das emendas de
2018. A estratégia começou a ser colocada em prática depois que o
ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, alertou o Planalto na semana
passada de que não há mais dinheiro em caixa para negociação de emendas
nesse ano.
O alerta do ministro do Planejamento foi revelado pela repórter Delis Ortiz, da TV Globo, e confirmada pelo Blog. A
pressão de aliados por liberação de emendas e cargos no governo
aumentou na última semana com a tramitação da denúncia na Câmara dos
Deputados. Integrantes da base ainda cobram por promessas feitas pelo
Planalto durante a negociação para derrubar a primeira denúncia. A
avaliação de aliados é que essa será a última grande votação de
interesse do governo para negociar demandas com o Planalto. Sem crédito
neste momento, os articuladores políticos de Temer decidiram incluir no
balcão o orçamento de 2018. DO G1
Os
líderes dos principais partidos com assento no Senado resistem à ideia
de adiar a votação que deve anular sanções impostas a Aécio Neves
(PSDB-MG) pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal —entre elas a
suspensão do mandato e a proibição de sair de casa à noite. Deseja-se
incluir a encrenca na pauta da sessão desta terça-feira. Com isso, a
tentativa de entendimento entre Senado e Supremo corre o risco de
naufragar.
Na última sexta-feira, a presidente da Suprema Corte,
Cármen Lúcia, marcou para 11 de outubro, quarta-feira da semana que vem,
o julgamento de uma ação que sustenta que medidas cautelartes impostas
pelo tribunal a deputados e senadores precisam ser validadas pelas
respectivas Casas legislativas. Fez isso depois de conversar com Eunício
Oliveira, presidente do Senado, que se comprometeu a tentar convencer
os senadores a adiarem a votação para livrar Aécio de sanções.
Ao
consultar os líderes, no final de semana, Eunício constatou que a
maioria não parece disposta a protelar a reação do Senado. Alega-se que o
plenário já aprovou, na última quinta-feira, um requerimento de
urgência para a matéria. E não faria sentido adiar o que há quatro dias
era tratado como “urgente”. Nesta segunda, Eunício deve encontrar-se
novamente com Cármen Lúcia. Na manhã de terça, reunirá os líderes
partidários para bater o martelo.
Em conversa com o blog,
um dos líderes deu uma ideia do que pensa a maioria dos senadores. “O
que está em discussão não é Aécio Neves”, ele afirmou. “Em decisão
dividida, parte da Primeira Turma do Supremo invadiu a soberania do
Legislativo ao decretar a prisão domiciliar disfarçada de um senador.
Invasões pedem reações imediatas. Não se pode adiar, sob pena de sermos
desmoralizados.”
Os três algozes de Aécio no Supremo –Luís Roberto
Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux— baseram-se no artigo 319 do Código de
Processo Penal, que enumera as medidas cautelares “diversas de prisão” a
que estão sujeitos os investigados em processos criminais. O
afastamento das funções e o recolhimento noturno constam da lista. Tais
providências não se confundem com a prisão em flagrante de parlamentares
por crimes inafiançáveis, que a Constituição condiciona ao aval da Casa
Legislativa.
Aécio foi denunciado pela Procuradoria-Geral da
República por obstrução à justiça e corrupção passiva. É acusado de
pedir e receber propina de R$ 2 milhões a Joesley Batista, da JBS. O
senador já tivera o mandato suspenso em maio passado. Mas o ministro
Marco Aurélio Mello, do STF, revogara a medida por meio de decisão
liminar (provisória).
O julgamento que Cármen Lúcia pautou para o
dia 11 de outubro envolve uma ação direta de inconstitucionalidade que
estava engavetada há mais de um ano. Foi protocolada no Supremo em maio
de 2016 por três partidos: PP, Solidariedade e PSC. Foi uma reação
contra a suspensão do mandato do então deputado Eduardo Cunha, hoje
cassado e preso em Curitiba.
Na petição, os partidos alegam que
mesmo as medidas cautelares diferentes da prisão em flagrante, quando
adotadas contra parlamentares, precisam ser referendadas pelas
respectivas Casas Legislativas em 24 horas. A obrigatoriedade não
consta, porém, do texto constitucional.
Las
Vegas Boulevard e rodovia I15 foram fechadas, e polícia pede que área
seja evitada. Polícia matou suspeito, que estava no 32º andar do resort e
cassino Mandalay Bay.
Por G1
A polícia de Las Vegas informou ter matado um suspeito de disparar
tiros perto do Mandalay Bay, um famoso resort e cassino da cidade, na
noite deste domingo (horário local, madrugada desta segunda em
Brasília).
O Las Vegas Boulevard e a rodovia I15 foram fechadas para tráfego de
veículos, e a polícia pede que a área seja evitada. Os tiros foram
ouvidos durante o Route 91 Harvest Festival, um festival de música
country que foi interrompido pelos disparos (veja vídeo abaixo).
O atirador é um morador local e estava no 32º andar do Mandalay Bay, segundo porta-voz da polícia. As autoridades agora buscam
Centenas de tiros foram disparados, e a rede de televisão CNN diz que muitos feridos foram levados para um hospital.
Ao menos duas pessoas morreram e 24 ficaram feridas, sendo 14 em estado crítico, segundo um porta-voz do hospital.
A polícia de Las Vegas afirma que, neste momento, não acredita haver
mais atiradores. Relatos iniciais diziam haver dois ou três atiradores
no local.
A polícia também pediu que pessoas não transmitam pela internet ou
compartilhem posições táticas de agentes no local dos tiros. "Pode
colocá-los em perigo".
Um vídeo publicado no Twitter mostra o momento em que tiros são ouvidos
durante um show do Route 91 Harvest Festival, que é interrompido. É
possível ouvir pessoas se desesperando com os disparos. Outro mostra
pessoas se jogando no chão e correndo desesperadamente.
O cantor Jake Owen, que se apresentava no festival, publicou no Twitter: "Tiros. Rezem a Deus. Amo vocês. Amo você, Pearl".
Depois, afirmou que estava "rezando para todos aqui em Vegas". "Eu
testemunhei o evento mais imaginável hoje à noite. Estamos bem. Outros,
não. Por favor, rezem".
A cantora Lauren Alaina, que se apresentou no sábado no festival de
música country, afirmou que está "rezando para todos no Route 91".
"Aquela multidão foi uma das melhores. Essa notícia é devastadora".
Considerada
uma das “leis imorais” do país pelo ex-procurador-geral da República
Rodrigo Janot, a norma que garante aposentadoria especial para deputados
e ex-deputados ganhou o apoio do governo na Justiça. A Advocacia Geral
da União (AGU) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer
contrário à ação de Janot contra o Plano de Seguridade Social dos
Congressistas (PSS), que favorece a aposentadoria dos atuais e de
ex-integrantes da Câmara.
A
manifestação ocorre no momento em que o governo busca angariar votos
para os seus dois maiores desafios no Legislativo: barrar o andamento da
mais nova denúncia criminal contra o presidente Michel Temer e para
aprovar a reforma da Previdência, que reduz direitos e para os demais
brasileiros. Criado em 1997, o PSSC garante aos parlamentares benefícios
como aposentadoria integral, averbação de mandatos passados,
atualização no mesmo percentual do parlamentar na ativa, a chamada
paridade, acúmulo de benefícios que extrapolam teto constitucional,
pensão integral em caso de morte e custeio das aposentadorias por conta
da União. Em
parecer enviado ao Supremo, a advogada-geral da União, Grace Mendonça,
defende a manutenção das regras atuais para os congressistas. A ministra
alega que elas fazem parte das “prerrogativas constitucionais do Poder
Legislativo, tendo em vista a natureza política da função exercida”. Leia também: Deputado poderá se aposentar com 2 anos de mandato “Deve-se,
ainda, salientar que a Constituição não veda a criação de regimes
previdenciários específicos e nem limita a sua existência aos modelos
atualmente em vigor”, diz trecho do documento ao qual o site Jota teve
acesso. “O texto constitucional não permite necessariamente extrair-se
uma interpretação restritiva, de que este é o único regime possível.
Neste caso, entende-se que a previsão constitucional quis garantir
àqueles ocupantes de cargos sem vínculo efetivo que estes não ficariam
excluídos do amparo de um regime previdenciário”, acrescenta a AGU. Isonomia e republicanismo O
raciocínio da ministra é oposto ao expressado por Janot na ação de
inconstitucionalidade. Para ele, a aposentadoria especial para
parlamentares contraria o princípio da isonomia previsto na
Constituição. “É inadmissível elaboração de leis imorais, cujo único
propósito seja privilegiar alguns poucos indivíduos, locupletando-os
injustificadamente à custa das pessoas que sustentam financeiramente o
Estado com seu trabalho”, argumenta. Caberá
ao ministro Alexandre de Moraes, relator da ação, decidir se concede
liminar (decisão provisória) antes do julgamento do mérito do processo. O
pedido da medida cautelar foi feito por Janot para evitar que
ex-parlamentares continuem a receber benefícios indevidos, lesando
segundo ele, os cofres públicos. “A
manutenção do plano de benefícios especial dos parlamentares ofende
persistentemente a noção de republicanismo e isonomia que a sociedade
deve nutrir, com o que degrada o ambiente institucional e a
credibilidade do sistema representativo”, ressalta o ex-procurador. DO NEWSATUAL
Preso desde julho de 2016, o corretor de valores Lúcio Funaro, tido como
operador do PMDB, fechou um acordo de delação premiada com a Justiça,
homologado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em setembro.
A seguir, entenda quem é Funaro e o que ele diz sobre a cúpula do PMDB,
grupo que a Polícia Federal batizou de "quadrilhão do PMDB".
Os implicados vêm negando as denúncias. "Basta concordar com qualquer
coisa [que a PGR] encomendar para obter infinitos benefícios", disse
Cunha sobre a delação de Funaro.
Editoria de Arte/Folhapress
MICHEL TEMER
> Teria comprado imóveis com propina e recebido dinheiro ilícito "redistribuído" por Eduardo Cunha
> Teria conhecimento e se beneficiado de propina dos contratos da usina Angra 3
> Teria dividido propina da Odebrecht com o ex-ministro Geddel Vieira Lima
> Teria recebido propina da JBS para fazer mudanças no Ministério da Agricultura a favor da empresa
> Teria dito que entregou R$ 500 mil para o marqueteiro Duda Mendonça
para financiar campanha de Paulo Skaf ao governo de São Paulo em 2014.
Entrega teria sido feita em um escritório na avenida 9 de Julho a pedido
de Cunha para "atender o presidente Temer"
EDUARDO CUNHA
> Teria cobrado propina em contratos de sondas da Sete Brasil
> Teria dividido propina com Anthony Garotinho quando o primeiro governava o Rio, e o segundo chefiava a Cedae
> Teria recebido propina no exterior em conta secreta denominada "Glorieta"
MOREIRA FRANCO
> Quando vice-presidente de Fundos e Loterias da Caixa, teria atuado
para a liberação de um crédito de R$ 300 milhões para uma empresa do
grupo Bertin, do grupo em troca do pagamento de "comissão" de R$ 12
milhões para a cúpula do PMDB. Ele teria ficado com 60% dos recursos,
Funaro com 15%, e Cunha com 25%
ELISEU PADILHA
> Seria um dos responsáveis por monitorar a intenção de Funaro em fazer delação premiada
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
> Grupo de Temer, Cunha e Henrique Alves teria recebido cerca de R$
250 milhões decorrentes de créditos da Caixa repassados pelas
vice-presidências de Pessoa Jurídica e de Fundos de Governo e Loterias
> Indicação de Fábio Cleto para uma das vice-presidências da Caixa para desviar recursos do FI-FGTS para políticos do PMDB
> Liberação de recursos da Caixa mediante propina que teria
abastecido campanhas como a de Gabriel Chalita para a Prefeitura de SP
em 2012
FURNAS
> Temer, Cunha e Henrique Alves teriam recebido propina da Odebrecht e
da Andrade Gutierrez em uma obra de Furnas no rio Madeira, em Porto
Velho
FUNDOS DE PENSÃO
> Suposto acerto de R$ 9 milhões para
evitar a convocação do ex-presidente da Petros na CPI dos fundos de pensão
> Funaro diz que operou desvios do Postalis, fundo de pensão dos Correios
LETÍCIA CASADO - DA FOLHA
DE BRASÍLIA
Há
no Brasil mais de 220 mil presos provisórios. São brasileiros pobres
que mofam esquecidos nas cadeias à espera de um julgamento. Mas Brasília
vive um curto-circuito desde que a Primeira Turma do Supremo Tribunal
Federal proibiu Aécio Neves de sair de casa à noite. Num esforço para
desligar a crise da tomada, a presidente do Supremo, Cármen Lúcia,
prometeu ao presidente do Senado, Eunício Oliveira, que levará a
julgamento em 11 de outubro uma ação que sustenta que as sanções contra
parlamentares têm de ser aprovadas pela Câmara e pelo Senado. Numa
palavra: deseja-se a restauração da impunidade.
Aécio e sua irmã
foram gravados pedindo R$ 2 milhões ao corruptor Joesley Batista. Um
primo de Aécio foi filmado recebendo mochilas com dinheiro. Um amigo de
Aécio foi pilhado ocultando parte da verba. Diante de tudo isso,
ministros que chegaram ao Supremo com o aval do Senado aplicaram uma lei
aprovada pelos senadores para afastar Aécio do mandato e proibi-lo de
sair de casa à noite. E os senadores agora informam que a lei que eles
aprovaram para criar punições diferentes da prisão clássica vale para
qualquer brasileiro, menos para eles.
Enquanto o plenário do
Supremo se equipa para decidir que as punições impostas a Aécio pela
Segunda Turma do mesmo Supremo não valem, permanece na gaveta há 115
dias o processo que impõe restrições ao foro privilegiado. Esse
processo, se fosse julgado pelo Supremo, atenuaria o problema, pois
investigações como a de Aécio desceriam para a primeira instância do
Judiciário, onde mofam os 220 mil brasileiros presos sem uma sentença.
O
Brasil será outro país no dia em que matar excrecências como o foro
privilegiado for mais importante do que salvar da extinção a tribo dos
aécios. (Relembre no vídeo abaixo pedaços da conversa vadia de Aécio com
seu mecenas Joesley
Até
agora, sem uma defesa técnica convincente, Lula vinha enfrentando seu
calvário criminal acorrentado ao enredo-procissão. Nele, a divindade
percorre sua via-crúcis, cabendo aos devotos gritar “amém” e denunciar
os ímpios que tentam crucificar o político mais honesto que o espelho já
conheceu. Mas a conversão do discípulo Antonio Palocci à Lava Jato fez
de Lula uma espécie de virtude com os glúteos expostos na vitrine.
A
decomposição da imagem de Lula atingiu um estágio inédito. O imaculado
do PT conseguira atravessar o mensalão sem amarrotar o terno. Na Era do
petrolão, depois que a soma das denúncias acomodadas sobre seus ombros
chegou à marca de nove, Lula perdeu o paletó e a camisa. Quando sete
dessas denúncias foram convertidas em ações penais, ele ficou sem as
calças.
A pena de nove anos e meio de cadeia imposta por Sergio
Moro deixou Lula sem cueca. Mas ele ainda aguardava no fundo da loja
pelo julgamento do recurso no TRF-4. Os glúteos da virtude foram à
vitrine por duas razões. Uma é a devastadora carta em que Antonio
Palocci se desfiliou do PT com a seguinte pergunta: “Afinal, somos um
partido político sob a liderança de pessoas de carne e osso ou somos uma
seita guiada por uma pretensa divindade.” A outra razão é a
incapacidade de Lula de demonstrar a honestidade que até o ex-discípulo é
incapaz de reconhecer.
Medida por seus autocritérios, a virtude
de Lula é tão exagerada que, em vez de favorecer, pode aniquilar. Há
tantos “mentirosos” contestando Lula que o beato do PT vai se
transformando num personagem inacreditável. Os delatores da Odebrecht
confirmam a propina. O “laranja” que assumiu o apartamento de São
Bernardo desmente a fábula do aluguel. A herdeira do imóvel informa ao
fisco que o vendeu imaginando que Lula era o comprador.
Foi contra
esse pano de fundo que Palocci disparou suas interrogações mortais.
Como essa: “Até quando vamos fingir acreditar na autoproclamação do
‘homem mais honesto do país’ enquanto os presentes, os sítios, os
apartamentos e até o prédio do Instituto são atribuídosa dona Marisa?”
O
contrário do antilulismo que o PT supõe existir é o pró-lulismo que o
PT gostaria que existisse. Tal sentimento, para sobreviver, exigiria a
aceitação de todas as presunções de Lula a seu próprio respeito. Algo
que só seria possível com a aceitação da tese segundo a qual Lula de
fato tem uma missão especial no mundo, de inspiração divina e, portanto,
inquestionável.
Se Lula reconhecer que também está sujeito à
condição humana, pode sair da vitrine. Se seus advogados pararem de
atacar investigadores e magistrados para levar meio quilo de explicações
à balança, Lula pode recuperar o paletó. Se a defesa parar de utilizar
Marisa Letícia como álibi de todas as culpas, o marido talvez consiga
reaver a cueca.
Quanto às calças, não será fácil tê-las de volta. A
coisa seria simples se os ataques de Palocci tivessem transformado Lula
num político igual a todos os outros. Mas foi pior do que isso. A
descompostura companheira fez de Lula um personagem completamente
diferente de si mesmo —ou da divindade que ele imaginava ser.
Uma das vítimas da atual crise moral é a semântica. Quando os
senadores chamam a gritaria contra as restrições que o Supremo Tribunal
Federal impôs a Aécio Neves de defesa da Constituição, você sabe que
está diante de uma crise de significado ou numa roda de cínicos. Quando a
supostra defesa da Constituição tem como principal porta-voz o senador
Renan Calheiros, você percebe que a crise de significado é terminal.
Quatro
dezenas de senadores investigados no Supremo circulam pelo Senado como
se nada tivesse sido descoberto sobre eles. Desmascarados, continuam
apresentando projetos, votando leis, mordendo verbas do orçamento e
indicando apadrinhados para cargos públicos. Além do escudo do foro
privilegiado, protegem-se uns aos outros.
O Senado e seus
investigados tomam as dores de Aécio Neves num esforço para voltar à
rotina pré-Lava Jato, restabelecendo a imensa margem de manobra que
assegurava a autoproteção do sistema político. Os senadores querem
voltar a um tempo em que eles mesmos faziam as leis, eles mesmos
cometiam os crimes, eles mesmos se absolviam nos seus conselhos de
ética. Nesse mundo particular que os senadores querem de volta, a defesa
da Constituição vira um outro nome para a luta pela impunidade. DO J.DESOUZA
Deputados
e senadores em conflito com a moralidade já se deram conta de que, se
houver inferno, ele está localizado na Primeira Turma do Supremo
Tribunal Federal. Em contraposição, se Deus tiver de aparecer para um
parlamentar investigado não se atreverá a surgir em outra forma que não
seja a de um processo com tramitação na Segunda Turma da Suprema Corte.
Aécio Neves estava no céu. Dormiu no ponto. E mastiga o pão que o
Tinhoso amassou.
Aécio pediu e recebeu de Joesley Batista, da JBS,
R$ 2 milhões em verbas de má origem. Seu processo subiu para o Paraíso
da Segunda Turma. Caiu na mesa de Edson Fachin. Relator da Lava Jato no
Supremo, Fachin foi draconiano. Determinou a suspensão do mandato de
Aécio, recolheu seu passaporte e proibiu-o de contactar outros
investigados.
Assustado, Aécio autorizou seus defensores a pedir a
troca do relator. Alegou-se que o processo sobre os R$ 2milhões da JBS
não deveria estar nas mãos de Fachin, pois não tem nenhuma relação com a
Lava Jato. Por mal dos pecados de Aécio, Fachin concordou. Enviou os
autos para a redistribuição. Por sorteio, a encrenca foi à mesa do
ministro Marco Aurélio Mello, no inferno da Primeira Turma.
No céu
do Supremo, investigados não perdem por esperar. Ganham. Se não tivesse
fugido de Fachin, Aécio já teria percebido a essa altura que o relator
da Lava Jato tornou-se minoritário na Segunda turma. No exemplo mais
notório, Fachin foi vencido por 3 votos a 2 no julgamento do recurso que
abriu a chave da cela de José Dirceu. Liberaram o grão-petista os
ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski. Ficou do
lado perdedor, junto com Fachin, o decano Celso de Mello.
Deu-se o
oposto no caldeirão da Primeira Turma. Ali, em decisão individual, o
relator Marco Aurélio devolveu a Aécio o mandato parlamentar, o
passaporte e o direito de conversar com quem bem entendesse. Mas o então
procurador-geral da República Rodrigo Janot recorreu. O tempo passou. E
Aécio percebeu da pior maneira que a generosidade processual de Marco
Aurélio é minoritária no inferno. Pelo placar de 3 votos a 2, o
grão-tucano voltou a ter o mandato suspenso e o passaporte recolhido na
última terça-feira. Pior: Aécio foi proibido de deixar sua residência à
noite.
O
ministro Alexandre de Moraes acompanhou Marco Aurélio no refresco. Mas
Luís Roberto Barrosso abriu divergência. Além de restabelecer todas as
restrições que Fachin impusera a Aécio, Barroso sustentou que não faria
sentido manter em prisão domiciliar três cúmplices secundários do
senador sem impor nenhum tipo de limitação ao direito de ir e vir do
“mandante”.
Não havia hipótese de decretar a prisão requerida por
Janot, pois a Constituição condiciona a tranca de parlamentares a um
flagrante de crime inafiançável. Assim, Barroso optou pelo recolhimento
noturno de Aécio, uma sanção prevista no Código de Processo Penal como
coisa “diversa da prisão.” O voto de Barroso foi acompanhado por Rosa
Weber e Luiz Fux.
Na época em que ainda cuidava do processo,
Fachin mandara prender a irmã de Aécio, Andréa Neves, porta-voz do
pedido de propina de R$ 2 milhões; Frederico Pacheco, o primo que o
senador destacou para apanhar parte do dinheiro vivo em mochilas; e
Mendherson Souza Lima, um assessor do senador Zezé Perrella (PMDB-MG),
que ajudou a esconder um pedaço da propina.
Posteriormente, numa
concessão rara, a rigorosa Primeira Turma deferiu o pedido de
transferência dos três prepostos de Aécio para a prisão domiciliar. Daí a
tese do ministro Luís Barroso segundo a qual não faria nexo a mesma
Turma de magistrados deixar o mandante do crime livre de uma sanção
análoga.
Aécio e os senadores que tramam socorrê-lo, derrubando a
decisão do STF no plenário do Senado, acusam a Primeira Turma de violar a
Constituição. Sobre esse tema há enorme controvérsia na praça. Mas há
algo incontroverso no enredo protagonizado pelo ex-presidenciável
tucano: Aécio Neves exerceu em sua plenitude o direito de escolher o seu
próprio caminho para o inferno.
Segundo Costamarques, documentos foram levados pelo advogado do ex-presidente
por Gustavo Schmitt, enviado especial -DO O GLOBO
/
Atualizado
CURITIBA — Dono do apartamento alugado para o ex-presidente Lula em São Bernardo do Campo, o empresário Glaucos da Costamarques diz ter assinado, de uma vez só, todos os recibos de aluguel referentes
ao ano de 2015. Os documentos foram assinados pelo empresário quando
ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, em
novembro daquele ano. A defesa de Lula apresentou, na segunda-feira, 26
comprovantes de aluguel entre agosto de 2011 e novembro de 2015. Todos
com a letra de Costamarques. Segundo a defesa do empresário, os recibos
foram levados ao hospital pelo contador financeiro João Muniz Leite, a
pedido de Roberto Teixeira, advogado e compadre de Lula.
A defesa de Costamarques avalia ajuizar hoje uma petição na 13ª Vara
da justiça Federal de Curitiba, onde despacha o juiz Sergio Moro,
apresentando justamente a informação de que os recibos foram entregues
pelo contador e ainda que parte dos comprovantes foi assinado um seguido
do outro. Os advogados pretendem, com isso, provar que os documentos
foram confeccionados pela defesa de Lula. Os recibos foram entregues por
Costamarques ao contador logo após as assinaturas, ainda no
Sírio-Libanês. O empresário ficou hospitalizado entre 22 e 28 de
novembro para colocação de um stent.
Na petição, os advogados devem solicitar imagens do circuito interno
do hospital. O objetivo é comprovar as visitas feitas a Costamarques
pelo compadre de Lula e o contador.
Investigadores da Lava-Jato avaliam o episódio como uma possível
tentativa de obstrução à Justiça por parte de Lula, uma vez que a defesa
procurou um dos réus ainda com as investigações em curso. No início da
Operação Lava-Jato, durante a sétima fase, Moro considerou obstrução à
Justiça o fato de empreiteiras apresentaram recibos de pagamento a
empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef. Na ocasião, a Justiça
considerou esse fato para pedir prisões de alguns empreiteiros.
Costamarques sustenta que, apesar de ter firmado o contrato com a
ex-primeira-dama Marisa Letícia em 2011, só passou a receber os valores
referentes ao aluguel em novembro de 2015, após a prisão do seu primo e
pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula. Ainda assim, o empresário
disse que alguns pagamentos foram feitos em espécie, por meio de
depósitos não identificados, entre novembro de 2015 e fevereiro deste
ano, quando a ex-primeira-dama Marisa Letícia morreu em decorrência de
um aneurisma. DEFESA DE LULA FALA EM 'ESPECULAÇÕES'
Desde então, Costamarques passou a receber os pagamentos por meio de transferência eletrônica disponível (TED).
A defesa do ex-presidente Lula informou que “não comenta
especulações”. Já o advogado de Teixeira, Antônio Cláudio Mariz de
Oliveira — que foi responsável pela defesa do presidente Michel Temer
até a semana passada —, disse que deve conversar com seu cliente hoje. Em depoimento ao juiz Sergio Moro, no último dia 13, Glaucos da
Costamarques admitiu ter declarado os valores dos pagamentos à Receita
Federal, apesar de, segundo ele, “não ter visto a cor do dinheiro até
novembro de 2015”.
O aluguel em questão refere-se à cobertura vizinha ao apartamento
onde mora Lula, em São Bernardo do Campo (SP). Nos dois mandatos do
petista, a Presidência da República alugou o imóvel para garantir a
segurança do então presidente. Quando ele deixou o cargo, em 2011,
continuou a ocupar o imóvel. A Lava-Jato revelou que, no fim de 2010, o
apartamento foi comprado por Costamarques. Para a Lava-Jato, o
empresário é intermediário de uma negociação suspeita.
O apartamento teria sido comprado pela Odebrecht e entregue ao
ex-presidente Lula como forma de pagar propina pelos benefícios obtidos
pela empreiteira no governo federal.
Em interrogatório ao juiz Sergio Moro no processo que apura o uso do
apartamento, no último dia 13, Lula disse desconhecer a inadimplência
nos pagamentos após ser questionado pelo juiz e prometeu procurar os
recibos. Na ocasião, o ex-presidente disse que procuraria pelos recibos
para entregá-los à Justiça.
— Tem recibo, deve ter, posso procurar com os contadores para saber se tem — disse o ex-presidente a Sergio Moro.
No mesmo dia, também em depoimento a Moro, Costamarques disse que
“levou calote” durante quase cinco anos da família Lula, mas que teria
passado a receber os valores devidos apenas depois da prisão de Bumlai,
justamente em novembro de 2015.
Também ao juiz, o empresário afirmou que o imóvel passou a ser
alugado pela Presidência quando Lula chegou ao Planalto. Costamarques
disse na audiência que Bumlai o orientou a comprar o apartamento, em
2010. Em suas palavras, seu primo teria ficado preocupado com quem seria
o vizinho de Lula, uma vez que o imóvel ficou vago naquele ano após a
morte do então proprietário:
— O Zé Carlos (Bumlai) me falou na ocasião: “Você pode comprar esse
apartamento para mim? Eu estou sem dinheiro agora e nós não queremos que
alguém estranho compre o apartamento e se mude para lá. Esse
apartamento tem que continuar alugado (agora pelo presidente)”.
NOTA PARA EMPRESA DE LULA
Durante busca e
apreensão na casa do ex-presidente Lula, a PF apreendeu uma certidão da
Junta Comercial de São Paulo da empresa L.I.L.S Palestras, Eventos e
Publicações, que tem Lula e Paulo Okamotto como sócios.
A certidão foi emitida em abril de 2012 por João Muniz Leite, segundo
identificação de solicitante registrada ao lado do código de
autenticidade do documento. O registro do nome de Leite no papel é um
indicativo de que ele prestava serviços para o ex-presidente.
João Leite também é o contador da empresa Mito Participações Ltda, do
advogado e compadre de Lula Roberto Teixeira. Além disso, ele já foi
responsável pela abertura de uma empresa do empresário Fernando Bittar,
um dos donos do sítio de Atibaia (SP) atribuído ao ex-presidente Lula e
alvo de denúncia na Operação Lava-Jato.