quarta-feira, 13 de julho de 2011

Vá reclamar com o bispo

O estilo do governo é burocrático-silencioso-autocrático. No caso do trem-bala, por exemplo, espanta o déficit de debate público, considerado o montante de dinheiro público demandado

O Brasil precisa de um trem-bala no eixo Campinas-São Paulo-Rio de Janeiro? Claro que precisa. Aliás, seria exercício interessante fazer a lista de todas as coisas das quais o país anda necessitado.Faltaria papel, caso alguém quisesse imprimir.Ao contrário das nações já completamente desenvolvidas, ainda há aqui muitíssimo a fazer. Eis também por que nós e os demais emergentes vamos em vantagem no contexto planetário de crise.Aqui não é preciso criar necessidades para preenchê-las. Elas nos gritam ao ouvido 24 horas por dia.O problema não está porém na necessidade genérica de um trem de alta velocidade para cortar nossa principal conurbação. Está na prioridade de fazê-lo.Talvez os especialistas possam, por exemplo, dizer quantos quilômetros e composições de trens velozes, mas nem tanto, daria para integrar à malha ferroviária brasileira com o mesmo dinheiro.Seria bom poder trocar a congestionada Ponte Aérea por um trem superveloz? Seria ótimo. Seria bom se nossas commodities e mesmo os industrializados pudessem chegar aos portos a um custo menor, para ganhar competitividade? Seria excelente.Especialmente com um real cronicamente forte.Como então resolver o que fazer e o que não? Ou o que fazer antes e depois?Este governo acabou construindo um método. O governante decide o que é bom para o Brasil e as dúvidas são imediatamente debitadas da conta dos inimigos do país, da turma que pensa pequeno, do grupinho que tem complexo de vira-lata.De vez em quando dá confusão, quando o próprio governo resolve engatar a ré, deixando ao relento a legião dos incondicionais. Mas não tem sido a rotina.Nos tempos de Luiz Inácio Lula da Silva havia pelo menos a “luta política”. O então presidente avermelhava o rosto, inchava a veia do pescoço e sua voz rouca saía a atacar quem dele discordasse.  Era rudimentar, mas não deixava de representar alguma satisfação. Quem se dispusesse, que confrontasse publicamente o chefe do governo. Não havia muita disposição para enfrentar, mas ninguém podia reclamar da falta de oportunidade.Agora não. O estilo é burocrático-silencioso-autocrático. No caso do trem-bala, por exemplo, espanta o déficit de debate público, considerado o montante de dinheiro público demandado.Do jeito que vai, a coisa acaba chegando perto -se não passar- dos três dígitos de bilhões. É dinheiro em qualquer lugar do mundo.É dinheiro público porque o pagador de impostos e o assalariado ficam com a conta e com a dívida resultantes do descasamento dos juros na captação e no empréstimo pelo BNDES.Numa situação normal, o governo estaria obrigado a explicar por que vai fazer uma coisa e não outra. Os ministros envolvidos deveriam ir muitas vezes ao Congresso prestar contas, enfrentar questionamentos.Agora sim seria hora de multiplicar os power points.Mas não vivemos uma situação normal. O poder transformou-se numa confraria com quase todo mundo dentro. E o Congresso anda capenga faz tempo, pelo menos desde o governo Fernando Henrique Cardoso.O “quase” do parágrafo anterior é por causa do cidadão comum. Que fica completamente por fora. Menos na hora de pagar a conta.Sua única opção, como se diz, é ir reclamar com o bispo.

Basta querer

Os colégios militares são bem menos de 1% dos estabelecimentos públicos, mas seus alunos ganharam 40% das medalhas na última Olimpíada de Matemática das escolas públicas.O número parece autoexplicativo.Num país em que a louvação às brilhantes autoridades educacionais só encontra paralelo na mediocridade do ensino oferecido pelos órgãos que os gênios comandam, talvez fosse o caso de tentar entender o que acontece nos colégios militares.Esta minha sugestão será naturalmente ignorada, e talvez deva ser mesmo.Afinal, já se sabe há muito tempo o foco das deficiências educacionais no Brasil. O dever de o professor ensinar e de o aluno aprender estão na lanterna das preocupações da turminha que domina o sistema.
É simples assim.A formação dada nos colégios militares mostra porém que não estamos condenados à danação eterna.Basta querer mudar. E ter disposição para enfrentar.
DO BLOG DO ALON

Nenhum comentário:

Postar um comentário