segunda-feira, 11 de julho de 2016

Ministro do STJ que libertou Cachoeira e empresários foi indicado por Gleisi

Néfi Cordeiro, do Superior Tribunal de Justiça, convidou André Vargas (deputado petista preso na Lava Jato) para sua posse.
Gleisi Hoffmann - Nefi Cordeiro - STJ - Carlinhos Cachoeira
O site “O Antagonista”, num furo arrasador, revela que o ministro Néfi Cordeiro foi indicado por Gleisi Hoffmann (PT/PR) ao STJ, com direito a ter André Vargas em sua posse. Ele foi o responsável por soltar Carlinhos Cachoeira, Fernando Cavendish (Delta), Claudio Abreu, Adir Assad e Marcelo Abbud, todos presos na Operação Saqueador.
Evidentemente, é preciso cautela para não se fazer qualquer acusação injusta. Mas também não se deve ocultar um fato desse tipo, ainda mais quando notório.
Que as partes esclareçam tudo de forma a não deixar equívocos.
Mas o caso deixa mais uma vez um claro sinal contra o atual sistema de indicação de ministros para tribunais superiores. Vem a somar-se a tantos outros e é inadmissível, numa democracia, que STJ e STF estejam sob qualquer tipo de suspeição. DO IMPLICANTE

Perícia do TSE evidencia que a campanha de Dilma lavou dinheiro do Petrolão

Durante auditoria realizada pelo Tribunal Eleitoral, as gráficas VTPB, Focal e Red Seg, que receberam R$ 52 milhões da campanha da presidente afastada, em 2014, não comprovam que prestaram os serviços declarados
Débora Bergamasco
IstoÉ
CAMPANHA EM XEQUE
Esquema envolvendo a Focal, a VTPB e a Red Seg movimentou R$ 52 milhões em 2014 (Crédito:AP Photo/Eraldo Peres)
No dia 20 de abril, a ministra Maria Thereza de Assis Moura, corregedora-geral da Justiça Eleitoral, autorizou a apuração das suspeitas de que a campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff, em 2014, havia utilizado gráficas para lavar dinheiro do Petrolão. Na última semana, o relatório entrou em fase final de redação e uma perícia deverá ser oficialmente divulgada no próximo mês. ISTOÉ apurou que as evidências de lavagem de recursos desviados da Petrobras se confirmaram. As empresas VTPB, Focal e Red Seg não conseguiram comprovar que prestaram os serviços declarados durante as últimas eleições, o que reforçam os indícios de que eram mesmo de fachada e serviram de ponte para o pagamento de propinas do Petrolão. Juntas, elas receberam uma fábula da campanha de Dilma em 2014: R$ 52 milhões.
A Focal foi a segunda que mais recebeu recursos do PT, só ficando atrás do marqueteiro João Santana. Um total de R$ 24 milhões. Mas a gráfica, assim como a VTPB e a Red Seg, simplesmente não apresentou notas fiscais, comprovantes de pagamento, ordens de serviço, contratos trabalhistas ou de subcontratação de terceiros, além de extratos de transferências bancárias que justificassem as atividades exercidas para a campanha de Dilma a um custo milionário. Esses documentos eram fundamentais para provar que as gráficas não foram usadas como laranjas pelo PT para esquentar dinheiro ilegal. A ausência da papelada compromete a campanha de Dilma e incrementa o caldo político que pode levar ao seu afastamento definitivo em agosto, no derradeiro julgamento do impeachment. “A ausência da devida comprovação de gastos eleitorais, principalmente quando envolver altos valores, pode indicar a ocorrência de graves fraudes e até lavagem de dinheiro, com sérias consequências”, afirmou o presidente do TSE, Gilmar Mendes.
ILÍCITO
Para o presidente do TSE, Gilmar Mendes, a ausência de comprovação dos gastos eleitorais indica a existência de fraudes graves
(Crédito:Ailton de Freitas/Agência O Globo)
Os peritos do TSE visitaram as três gráficas entre maio e junho. Seus donos contaram histórias mirabolantes na tentativa de atestar que colocaram seu maquinário a serviço da petista em 2014. Por isso, teriam sido aquinhoadas com os R$ 52 milhões declarados pela campanha de Dilma. As versões, repetidas também à ISTOÉ, não param em pé. Para comprová-las, as empresas tinham até o dia 24 de junho para entregar a farta documentação exigida pela Justiça Eleitoral. O não fornecimento das provas exigidas pela Justiça Eleitoral torna muito difícil a absolvição das gráficas pela perícia do TSE.
Quem for hoje às dependências da Focal vai se deparar com uma estrutura ínfima. A empresa de Carlos Cortegoso, ex-garçom de Lula, fica localizada em São Paulo e exibe uma portinha que seria incompatível com o volume de produtos que ela declarou ter fornecido à campanha de Dilma em 2014. Dividida em dois pisos de cerca de 40 metros quadrados cada um, a empresa conta com apenas duas impressoras e só três funcionários trabalham por lá. Os proprietários argumentam que, durante o período da campanha, a empresa chegou a ter 200 funcionários, quando ainda estava sediada em São Bernardo do Campo, cidade vizinha à capital paulista, em um espaço bem maior. Entretanto, não foram apresentados ao TSE contratos de trabalho desses colaboradores. Como desculpa, argumentaram que eram prestados serviços semanais, sem vínculo trabalhista. Alegaram ainda que os equipamentos de offset utilizados para atender ao PT estariam acondicionados em outro imóvel de Cortegoso. Todavia, o empresário não apresentou as notas fiscais das máquinas, nem comprovou ainda que a tralha estava registrada nos ativos da companhia em 2014. “Existem algumas pequenas irregularidades no sentido fiscal, mas no sentido de criminal não tem nada”, jurou Cortegoso, abordado pela reportagem da revista. Carece de explicação ainda como uma gráfica, sediada em São Bernardo, poderia ter erguido palanques para a campanha à reeleição de Dilma Rousseff Brasil afora, conforme declarou ao TSE. Até a última semana, porém, mais essa atividade suspeita não havia sido justificada aos peritos do tribunal.
As dependências da empresa VTPB são ainda mais inacreditáveis, em termos de estrutura física. É uma gráfica muito engraçada, não tem impressora, não tem nada. Nem scanner, sequer máquina de xerox. O endereço fiscal fica registrado em uma kitnet no bairro da Casa Verde, zona norte de São Paulo. Os donos da empresa dizem sem corar a face que a estrutura micro não é conflitante com os R$ 22,9 milhões repassados pela campanha da presidente afastada nas últimas eleições. A empresa, segundo suas explicações, trabalha fazendo a intermediação entre os políticos que precisam de santinhos, por exemplo, e as gráficas que os produzem. Contudo, não foram apresentadas notas fiscais ou contratos que comprovem essas subcontratações. Tampouco comprovantes de pagamentos ou ordens de serviço.
Infográfico: Rica Ramos
Mas quem lacrou mesmo foi a Rede Seg. Abastecida com R$ 6,15 milhões da campanha de Dilma, a gráfica sequer entregou cópias ou originais do livro contábil, porque ele simplesmente não existe. A gráfica – 8ª maior beneficiária de dinheiro da campanha que reelegeu a presidente da República em 2014 – não faz contabilidade escriturada da empresa. Isto, por si só, já configuraria, no mínimo, um “ilícito fiscal”, segundo advogados ouvidos pela ISTOÉ. A Red Seg também está lotada em um imóvel que abriga somente uma guilhotina de papel e uma impressora, que também é filha única. Os documentos do estabelecimento apontam como proprietário Vivaldo Dias da Silva. Um ano antes da campanha, de acordo com dados do Ministério do Trabalho, ele era motorista e ganhava salário de R$ 1.490.
As suspeitas de que o montante repassado à Focal, VTPB e Red Seg era oriundo do esquema do Petrolão foram levantadas a partir da delação premiada de donos de empreiteiras presos em decorrência dos desdobramentos da operação Lava Jato. O mandatário da UTC, Ricardo Pessoa, que assinou a colaboração com o Ministério Público, afirmou que repassou R$ 7,5 milhões à campanha de Dilma Rousseff (PT). E que o dinheiro teve origem no Petrolão. O mesmo empresário contou que realizou três repasses de R$ 2,5 milhões. Ao que tudo indica, uma dessas parcelas serviu para saldar notas fiscais da VTPB e Focal. O repasse ocorreu em 27 de agosto ao tesoureiro Edinho Silva, ex-ministro das Comunicações, que realizou quatro depósitos na conta da VTPB no total de R$ 1,7 milhão. Outros R$ 672,6 mil irrigaram os cofres da Focal. Aproximadamente R$ 1,8 milhão teve como destino a gráfica Red Seg. Esses não foram os únicos repasses feitos pela campanha de Dilma às fornecedoras suspeitas de lavagem de dinheiro. Os maiores montantes destinados à Focal e à VTPB também são de 2014 e da ordem de R$ 24 milhões e R$ 23 milhões, respectivamente.
MOVIMENTAÇÕES IRREGULARES
O COAF já apontava para a ocorrência de lavagem de dinheiro pela gráfica VTPB (foto) durante a campanha à reeleição de Dilma
Chamou a atenção do TSE o volume gasto pelo comitê eleitoral de Dilma com serviços de confecção de faixas e santinhos. No dia 29 de julho do ano passado, o ministro Gilmar Mendes, que ocupava a cadeira de vice-presidente da corte eleitoral, pediu à Polícia Federal que investigasse as três empresas. No documento, Mendes recomendou que os agentes concentrassem as atenções na empresa Focal. A PF aproveitou e relacionou a VTPB no bojo da apuração. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) já apontava para a existência de crime de lavagem de dinheiro praticado pela VTPB uma vez que havia a comunicação de movimentação atípica nas contas da empresa.
Outro indício de que as empresas fornecedoras possam fazer parte do esquema de lavagem de dinheiro, por meio de serviços gráficos, refere-se à prestação de contas da campanha da petista. Há centenas de recibos eleitorais de doações de materiais e serviços. Parte deles está em nome dos mesmos financiadores diretos da campanha. Ou seja, o “produto” doado é produzido pelas mesmas empresas suspeitas, mas leva o carimbo de outra campanha. É o caso do deputado Vicentinho. Ele encomendou à Focal Comunicação a produção de centenas de faixas para a campanha da presidente. O que intriga a investigação é que o petista, que arrecadou pouco mais de R$ 1,4 milhão, tenha ainda contribuído materialmente para a reeleição de Dilma com R$ 350 milhões.
TRIANGULAÇÃO
Repasse a Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma, feito pela UTC serviu para saldar “notas frias” da VTPB
(Crédito:Eliaria Andrade/Agência O Globo)
Também intrigou os técnicos do TSE o fato de valores declarados nos recibos de doação de materiais serem muitas vezes bem abaixo do valor praticado no mercado. Do total da produção de santinhos pela Axis Grafica, de São Caetano do Sul (RS), o Comitê Financeiro do PT doou para a campanha de Dilma 6,5% de um total de 30 mil, ou 1.950 itens. O valor declarado pela campanha foi de apenas R$ 14,62. Mas uma no mercado gráfico o valor médio é de R$ 1,8 mil para a quantidade total encomendada e de R$ 121 equivalente ao percentual doado.
A ministra Maria Thereza, relatora do pedido de cassação de Dilma no TSE, ainda está pedindo o compartilhamento de provas e informações obtidas pelas investigações da PF. À ISTOÉ, o ministro Gilmar Mendes ponderou que “nem todas as diligências foram cumpridas pelo TSE e há outras em curso, de modo que há de se aguardar uma maior quantidade de elementos para elaboração do relatório final da perícia”. O prazo é de 90 dias, que alcançará meados de agosto. Até lá, é possível que o afastamento definitivo de Dilma Rousseff já tenha sido julgado pelo Senado.
Colaborou Ary Filgueira 08.07.16 
DO R.DEMOCRATICA

domingo, 10 de julho de 2016

Manifestantes fazem Lava Toga em SP contra Lewandowsky

São Paulo, via WhatsApp


A foto ao lado é de manifestação desta tarde na avenida Paulista, intitulada "LavaToga". A idéia é protestar contra a criminalização dos movimentos sociais que criticam ministros do STF e apóiam o juiz Sérgio Moro.

Como se sabe, esta semana o presidente do STF, Ricardo Lewandowsky, pediu que a Polícia Federal passe a investigar os responsáveis pelo boneco que o representa.
A decisão do ministro levou a Corte ao ridículo.
Em São Paulo, os manifestantes desta tarde vestiram togas de juízes e fizeram uma lavagem pública delas.
DO P.BRAGA

sexta-feira, 8 de julho de 2016

EURASIA ELEVA CHANCE DO IMPEACHMENT DE DILMA DE 80% PARA 90% E ESTIMA 61 VOOTOS


Michel Temer e Dilma Rousseff
( Lula Marques/ Agência PT)
SÃO PAULO - Em relatório, a consultoria de risco político Eurasia Group elevou a chance do impeachment da presidente Dilma Rousseff de 80% para 90%. O placar do impeachment conta com 61 votos favoráveis de senadores, bem acima dos 54 necessários, disse a consultoria em relatório divulgado hoje.
Já as chances do presidente interino Michel Temer não terminar o mandato caíram de 25% para 20%, caso o impeachment se confirme em agosto. A equipe da consultoria ressalta que as nomeações feitas por Temer para cargos de administração e sinais de possível recuperação econômica reforçam a possibilidade de impeachment. 
Contudo, avalia, as investigações da Lava Jato continuarão representando risco
para Temer se seu governo se tornar permanente, mas estão perdendo a força.

A consultoria reforça que a equipe de Temer tem feito incursões no Senado no último mês. Em maio, 55 senadores votaram por afastar a presidente Dilma Rousseff, enquanto são necessários 54 votos para a saída definitiva da petista. Porém, três ou quatro senadores se abstiveram e não votaram e que já apontariam para 58 votos pró-impeachment, na realidade. Hoje, o Palácio do Planalto avalia que há 61 votos a favor da saída de Dilma - o que a Eurasia avalia como crível dadas as suas próprias consultas no Senado. O governo converteu dois votos de senadores do PMDB contra o impeachment, de Eduardo Braga e João Alberto Souza. Já o senador Walter Pinheiro, que saiu do PT e votou contra o impeachment, licenciou-se do Senado e foi substituído por Roberto Muniz, do PP, partidário da saída de Dilma. 
"Enquanto Muniz está dando sinais confusos sobre como votará, os líderes partidários sugerem que pode haver outras deserções de quem votou contra o impeachment. Enquanto isso, os três senadores fizeram declarações de que seus votos podem mudar (Romário, Cristovam Buarque e Acir Gurgacz), parecem estar mais alinhados com o impeachment", avalia a Eurasia.
Algumas coisas estão ajudando Temer a aumentar o voto pró-impeachment. O primeiro decorre da possibilidade de Temer oferecer nomeações na sua gestão aos senadores hesitantes. Além disso, crescentes sinais de que a economia está em um processo de recuperação, o que leva a um custo crescente de uma possível volta de Dilma.
"Politicamente, enquanto a Operação Lava Jato atingiu a liderança do Senado do PMDB, ela continuou afetando o PT, em meio às alegações de que a campanha de Dilma recebeu dinheiro ilítico de empreiteiras. Com os custos econômicos de um retorno de Dilma Rousseff se acumulando e as condições políticas para que ela governe diminuindo, nem mesmo os líderes do PT acreditam que a votação do impeachment pode ser revertida", avalia a Eurasia. 
Especificamente sobre a Lava Jato, o risco para Temer permanece e é provavelmente o único fator que poderia levar a uma virada de jogo, mas que diminui por uma simples razão de tempo.
Especiais InfoMoney

quarta-feira, 6 de julho de 2016

KÁTIA ABREU, A COMUNISTA RETARDATÁRIA, PODE SER EXPULSA DA COMISÃO DO IMPEACHMENT.

O senador José Medeiros (PSD-MT) vai protocolar um requerimento à Comissão Especial que analisa o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff com o objetivo de impedir que a senadora (e ex-ministra de Dilma) Kátia Abreu (PMDB-TO) integre o colegiado. É que Kátia Abreu, que ocupou a pasta da Agricultura no governo Dilma, foi arrolada como testemunha pela euipe de defesa da presidente afastada.
"Uma pessoa não pode ser arrolada como testemunha de defesa e depois virar julgadora," afirmou o senador José Medeiros. O requerimento deve ser protocolado ainda nesta quarta-feira (6), no Senado Federal. Do Diário do Poder
NEOCOMUNISTA
Kátia Abreu é produtora rural e presidente até mesmo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), entretanto converteu-se ao comunismo depois que se aproximou da Dilma e acabou sendo Ministra da Agricultura da "ex-presidenta".
A foto acima é original. Foi divulgada à farta nas redes sociais por obra e graça da própria Kátia Abreu que, numa daquelas viagens internacionais da Dilma juntou-se à petralhada e foi passear na Rússia. Em Moscou aproveitou a oportunidade para avisar aos brasileiros que havia se convertido ao comunismo em grande estilo. E foi a própria Kátia que postou via Twitter um ensaio fotográfico ostentando na cabeça o gorro comunista vermelho que era muito utilizado pelos líderes da ex-URSS.
Entretanto, o 'timing' de Kátia Abreu é uma piada. Ela não anteviu que toda a montagem do neocomunismo pós debacle da URSS haveria de ser escorraçado no século XXI.
O sinal mais evidente e forte de que mais uma vez os comunistas serão detonados foi emitido pelo Reino Unido. Velhos de guerra os ingleses decidiram pular fora da canoa furada da União Europeia que é na atualidade a experiência mais avançada do "comunismo do século XXI". Ainda bem que está no começo do fim. Aqui - DO MOVCC

Operação da PF pegou o apadrinhado de Dilma Rousseff no Eletrolão

Será que, a exemplo de outros delatores, este entregará os podres da madrinha?
Quando o nome da operação é um tanto rebuscado, pode ter certeza, não partiu de Sérgio Moro. Mas a Pripyat nasceu de um esquema primeiro revelado pela Lava Jato. Por envolver a Eletrobrás, e não a Petrobras, o STF achou por bem entregar o caso à Justiça do Rio de Janeiro. Agora, o Eletrolão não só será explicado, como já prendeu preventivamente seis funcionários da estatal. Mas o que mais interessa é a condução coercitiva de Valter Cardeal.
Valter quem?!
Cardeal trabalha no setor elétrico desde 1971. Começou na Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul. Lá, conheceria a pessoa que o indicaria à Eletrobrás: ninguém menos do que Dilma Rousseff. E chegaria a ser presidente interino da estatal de 2007 a 2008.
Segundo Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez, havia um esquema de corrupção no setor envolvendo superfaturamento em contratos de Belo Monte e Angra 3. Foi Azevedo quem citou em delação premiada Valter Cardeal, diretor de Geração da Eletrobrás indicado por Dilma.
Se seguir o mesmo rumo de outros indicados atingidos em outras operações, não tardará o dia em que Cardeal confessará os motivos pelos quais foi apadrinhado pela ministra de Lula que se tornaria presidente da República. O povo precisa saber. DO O IMPLICANTE

terça-feira, 5 de julho de 2016

JUSTIÇA BLOQUEIA R$ 102 MI DO PT E SEUS SEQUAZES ENROLADOS NA LAVA JATO

A Justiça Federal, em São Paulo, bloqueou R$ 102 milhões dos investigados da Operação Custo Brasil. Entre os alvos da decisão estão o PT, o ex-ministro Paulo Bernardo (Planejamento/Governo Lula) , o ex-tesoureiro do partido Paulo Ferreira e pessoas jurídicas que teriam envolvimento com o esquema Consist – empresa de software que teria desviado R$ 100 milhões de empréstimos consignados no âmbito do Ministério do Planejamento na gestão Paulo BernardoA decisão é do juiz Paulo Bueno de Azevedo, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo. O bloqueio tem caráter solidário, ou seja, cada investigados terá que desembolsar uma parte dos R$ 102 milhões. Este valor é correspondente a desvios do esquema Consist – fraudes em contrato de empréstimos consignados no Ministério do Planejamento.
Sob o comando de Paulo Bernardo, que liderou a Pasta de março de 2005 a janeiro de 2011 no governo Lula, o Planejamento assinou acordo com o Sindicato Nacional das Entidades Abertas de Previdência Complementar (SINAPP) e a Associação Brasileira de Bancos (ABBC). Essas entidades contrataram a Consist para desenvolver o sistema de gerenciamento e controle dos créditos consignados. De 2010 a 2015, o esquema teria gerado R$ 100 milhões em propinas sobre o contrato da Consist. Do site do Estadão

A justiça seletiva de Dias Toffoli

O desembargador Edison Vicentini Barroso (Tribunal de Justiça de SP) não poupa críticas ao ministro Dias Toffoli, do STF, que libertou o ex-ministro Paulo Bernardo, larápio dos empréstimos consignados. A biografia de Toffoli não é nada invejável. Segue o artigo do juiz:
A rigor, a decisão do ministro Dias Toffoli, do STF, de revogar a prisão preventiva do ex-ministro Paulo Bernardo, marido da senadora Gleisi Hoffmann, ambos petistas, não causa perplexidade. Basta se veja da história de vida do dito magistrado.
Antes de chegar ao maior tribunal do país, por indicação política do ex-presidente Lula, Toffoli havia sido reprovado duas vezes em concurso de ingresso na magistratura paulista. Então, ornava-lhe a biografia a só condição de ex-advogado geral da União, também por indicação de Lula – seu padrinho político.
Visceralmente ligado ao PT, em especial às pessoas de Lula e José Dirceu, chegou à Suprema Corte aos 41 anos de idade. Como outros, sem nunca ter sido juiz – por sistema de indicação exclusivamente político e nada meritório, a não referendar nomeação positivamente confiável e séria. A decisão revogada foi da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, do juiz Paulo Bueno de Azevedo. Por ela, vê-se presente a hipótese do artigo 312 do Código de Processo Penal – apta à prisão preventiva de quem, enquanto ministro de estado, suspeito de recebimento de pelo menos R$ 7,1 milhões em propinas de esquema que atingiu empréstimos consignados a milhões de servidores públicos.
O juiz federal usou como fundamento “o risco à ordem pública e à aplicação da lei penal‟, destacado do vulto dos valores desviados dos cofres públicos, inda não recuperados e suscetíveis de tentativas de ocultação e dissimulação.
“O risco à ordem pública não pode ser justificado apenas no caso de investigados ou acusados com histórico de violência contra as pessoas, o que fatalmente ensejaria uma justiça seletiva apenas contra os mais pobres”, assinalou o magistrado, em decisão de 75 páginas.
“Risco à ordem pública existe também quando, em tese, desviados milhões de reais dos cofres públicos, máxime na situação conhecida de nosso País, que enfrenta grave crise financeira e cogita aumento de impostos e diminuição de gastos sociais”, prosseguiu Paulo Bueno de Azevedo. E continuou: “O desvio de milhões de reais do Erário representa, em tese, um perigo concreto, porém invisível, para a sociedade brasileira, que não vê, pelo menos a olho nu, ao contrário do que acontece com os autores de crimes violentos, que o dinheiro desviado poderia ter sido aplicado na infraestrutura do país e na melhoria dos serviços públicos, como a saúde e a educação. O risco de que tal dinheiro desviado não será recuperado também representa perigo concreto à aplicação da lei penal.”
O juiz ponderou que “a decretação de prisão preventiva não significa antecipação de juízo de culpabilidade, decorrente de uma combinação de indícios suficientes de materialidade e autoria delitiva e da presença dos requisitos cautelares‟. Ora, tratando-se Paulo Bernardo de ex-ministro, não mais o favorece o famigerado foro privilegiado; com o que, no mínimo estranha a supressão de instâncias capazes de tomar conhecimento da questão e sobre elas decidir – por exemplo, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, ao qual não dirigido, convenientemente, qualquer pedido da defesa de Bernardo.
Essa queima de etapas não pega bem e fala em desfavor da presunção de legitimidade, no contexto da conveniência e oportunidade, da intervenção de ofício do ministro do STF, de raiz petista de todos conhecida. Também se pode indagar: qual a razão de Toffoli sequer ter ouvido a Procuradoria Geral da República antes de decidir?
Por outro lado, a 11ª turma do TRF-3, à unanimidade, negara habeas corpus impetrado pelo também investigado Daisson Silva Portanova – na mesma operação. Então, o tribunal não viu qualquer ilegalidade a justificar sua soltura imediata. Dois entendimentos, para uma só Justiça! E não mais basta, nos dias de hoje, o só jogo de palavras de que, no processo, inexistem elementos que justifiquem a manutenção da prisão, como possível fuga ou risco de interferência nas investigações e reincidência em crimes, caso colocado em liberdade o investigado.
Aos olhos da lei, muito mais consistente a linha de argumentação do juiz federal. Sobretudo, quanto da perspectiva de novas lavagens do dinheiro desviado no esquema e inda não encontrado – da ordem de cem milhões de reais, surrupiados de pessoas humildes. Estas, sim, carentes da assistência e proteção de uma Justiça qualificada e aparentemente ausente.
Toffoli alude a constrangimento ilegal de Paulo Bernardo. Constrangida, em verdade, senhor ministro, está a sociedade brasileira e o senso comum do que de direito, diante da constatação de decisão revocatória que só faz justiça ao jeito petista de pensar, de agir e de ser – na medida em que, fosse qualquer outro na situação de Bernardo, intocada estaria a correta prisão preventiva determinada pelo MAGISTRADO Paulo Bueno de Azevedo.
A prevalecer a tese de Dias Toffoli, doravante, a prisão preventiva só se aplicará aos pobres – desassistidos, que parecem estar, das benesses da visão complacente de certos ministros da mais alta corte do País. E faço minhas as palavras do jornalista Diego Casagrande, no sentido de que „O ministro do STF Dias Toffoli, ex-advogado do PT e ex-funcionário de Zé Dirceu na Casa Civil, esquartejou a Operação Custo Brasil‟ e de que „Diante do descalabro de corrupção e impunidade no Brasil, a decisão do ministro Dias Toffoli, ao liberar o participante de uma quadrilha que saqueou em R$ 100 milhões os aposentados, constitui-se em um atentado contra o Estado Democrático de Direito e a própria República. É simplesmente impossível a qualquer nação e seus cidadãos continuarem agindo normalmente frente a tamanha violência fantasiada de justiça.
Se a linha for esta daqui para frente esqueçam a expressão “a nossa democracia”. Ela servirá apenas de adorno nos discursos vazios e manipuladores dos canalhas‟. Há indicativos, pois, seguros quão inequívocos, de que se está diante de decisão Suprema seletiva, destinada a beneficiar a quem não merece o benefício, a marcar mais um gol contra o Brasil, seu povo e sua Justiça, à espera dum STF no qual se possa confiar e no qual verdadeiros juízes se hajam de espelhar, sem partidarismos ou acertos que firam de morte a lógica da inteligência média do brasileiro.
Assim, só ao Tribunal cabe fazer do que deve, desfazendo ato que o leva ao descrédito e restabelecendo o primado do Direito incondicional, na irrestrita perseguição do que justo e jurídico. Com a palavra o plenário do STF, a traçar sua história nos pequenos grandes atos de salvaguarda da legalidade, apercebido da impossibilidade atual de manipulação judicial à distância da intuição popular da verdade dos fatos postos sob sua análise.
Edison Vicentini Barroso – magistrado e cidadão brasileiro. DO O,TAMBOSI

Do que o País vai se livrar


Editorial do Estadão
A desmoralização do PT, que está prestes a se tornar completa em razão do esperado impeachment da presidente Dilma Rousseff e de uma previsível derrota nas eleições municipais, fará um grande bem ao País. Para saber do que o Brasil está a caminho de se livrar, basta ler a declaração final do mais recente encontro do Foro de São Paulo, o convescote anual de partidos ditos de esquerda da América Latina.
Em meio ao acelerado desmoronamento de seu projeto de poder, o Foro resumiu, na declaração, a irracionalidade patológica de seus integrantes, entre os quais o PT. No texto, derrotas são tratadas como vitórias, irresponsabilidade fiscal é chamada de conquista social e autoritarismo é qualificado de democracia.
“Os governos de esquerda em nosso continente lograram dar estabilidade social, política e econômica a nossas nações e tiraram da pobreza dezenas de milhões de famílias, que se livraram assim da marginalização e do desemprego, tendo acesso à saúde, educação e oportunidades de desenvolvimento humano”, afirma a declaração do Foro, referindo-se a um mundo de fantasia que subsiste somente no discurso de seus líderes.
Sempre foi assim. Inventado pelo chefão petista Luiz Inácio Lula da Silva em 1990, sob inspiração do tirano cubano Fidel Castro, o Foro reúne a nata dos potoqueiros que se dizem “progressistas” enquanto sustentam regimes autoritários e, a título de defender os “oprimidos”, aparelham o Estado, financiam-se com dinheiro público e arruínam a democracia.
A era dourada desse embuste se deu na primeira década dos anos 2000, quando Brasil, Argentina, Venezuela, Bolívia, Equador e outros países menos cotados estavam sendo governados – melhor seria dizer desgovernados – por bolivarianos ou simpatizantes dessa deletéria ideologia, articulada pelo caudilho venezuelano Hugo Chávez. Naquela época, a turma do Foro de São Paulo esbanjava excitação com os “avanços no terreno político e eleitoral”, que criaram “condições favoráveis sem precedentes para avançar rumo à derrota política e ideológica definitiva do neoliberalismo na nossa região”, conforme a declaração do encontro de 2007.
O tempo tratou de frustrar, de forma inapelável, esse prognóstico otimista. A Venezuela é hoje o grande exemplo da fraude oferecida pelos bolivarianos que antes se regozijavam de suas conquistas. O “socialismo do século 21”, inventado por Chávez, devolveu a Venezuela ao século 19. Em meio à gravíssima crise de desabastecimento, que afeta quase todos os produtos consumidos pelos venezuelanos, e ao avanço da oposição, o presidente Nicolás Maduro abandonou de vez a democracia de fachada que o chavismo inventou para legitimar o regime e passou a agir, sem nenhum pejo, como o ferrabrás que sempre foi.
Apesar disso, o Foro diz que “o povo revolucionário” venezuelano está resistindo às “investidas brutais da oligarquia apátrida e ao imperialismo” e afirma que Maduro “tem ganhado cada vez mais respaldo continental e mundial”.
O mesmo nível de impostura se verifica em outros pontos. O Foro, por exemplo, celebrou “o reconhecimento dos Estados Unidos da derrota de sua política em relação a Cuba” e atribuiu a paz na Colômbia à “heroica luta” das Farc.
Não ficou só nisso. Na melhor tradição do realismo fantástico, o Foro declarou que “a esquerda impulsiona a transparência e a honradez no uso dos recursos públicos”. Tal afirmação poderia até ser vista como piada, mas, diante dos efeitos nefastos da roubalheira generalizada protagonizada pelo PT, trata-se de uma ofensa.
A respeito do Brasil, o Foro, é claro, qualificou como “golpe” o processo de impeachment de Dilma e disse que se trata de uma “contraofensiva imperial que será derrotada pelas forças populares de todo o continente”. Lula, em mensagem ao Foro, foi na mesma linha, apelando para a solidariedade de “todos os companheiros e companheiras da América Latina” na defesa de Dilma, “contra os golpistas empenhados em destruir as conquistas sociais”.
Tais apelos soam como tentativa desesperada de salvar o que resta de um projeto imoral que durante mais de uma década entorpeceu o Brasil. Felizmente, é o canto do cisne. 04 Julho 2016- DO R.DEMOCRATICA

sexta-feira, 1 de julho de 2016

STF suspende enxurrada de ações de juízes contra jornalistas no Paraná


Felipe Pontes - Repórter da Agência Brasil
A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber suspendeu a tramitação de mais de 40 processos abertos por juízes do Paraná contra o jornal Gazeta do Povo e cinco de seus jornalistas, que, em fevereiro, publicaram reportagem sobre os supersalários recebidos pelos magistrados.
A liminar suspende também os efeitos de qualquer decisão que ordene o pagamento de indenizações a magistrados do Paraná, até que a matéria seja julgada pelo plenário do STF. Rosa Weber reconsiderou sua própria decisão anterior, tomada em 24 de maio, na qual havia negado o pedido de liminar protocolado pelos advogados da Gazeta do Povo, Alexandre Kruel Jobim e Marcelo Augusto Chaves.
“Concedo a medida acauteladora para o fim suspender os efeitos da decisão reclamada, bem como o trâmite das ações de indenizações propostas em decorrência da matéria jornalística e coluna opinativa apontadas pelos reclamantes, até o julgamento do mérito desta reclamação”, escreveu a ministra.
No dia 15 de fevereiro, o jornal a Gazeta do Povo publicou uma reportagem na qual revelava o recebimento, por juízes do Paraná, de remunerações que, após a soma de salário com benefícios e outras verbas, com frequência superavam os R$ 100 mil, bem acima do teto constitucional estipulado para o salário de servidores públicos. Os dados foram compilados a partir de informações públicas.
Por causa da publicação, juízes do Paraná abriram uma enxurrada de processos em juizados especiais cíveis espalhados por todo o estado, obrigando os cinco autores da reportagem a percorrerem mais de 9.000 km de carro para comparecer às audiências, o que, na prática, os impediu de continuar trabalhando.
Em um dos processos, os jornalistas foram condenados a pagar R$ 20 mil em indenização a um dos juízes. No total, foram pedidos mais de R$ 1,3 milhão em indenizações. O juízes alegam que a reportagem teve cunho difamatório, pois os provimentos recebidos dizem respeito
a direitos adquiridos e estão de acordo com a lei.
A Gazeta do Povo afirma que o objetivo da reportagem foi “expor e debater o sentido do teto constitucional”. Em sua reclamação ao STF, o jornal acusou os magistrados paranaenses de uma ação coordenada, cujo objetivo seria o de cercear a liberdade de expressão e constranger a publicação de futuras reportagens sobre o assunto.
Como prova, foi apresentada uma gravação em que o presidente da Associação de Magistrados do Estado do Paraná (Amapar) diz ter disponível uma “ação padrão” a ser utilizada pelos juízes que se sentiram ofendidos.
Em nota, a Amapar negou qualquer ação coordenada entre os juízes, acrescentando que os magistrados que se sentiram prejudicados possuem o direito constitucional de acionar a Justiça. Para a entidade, “a imprensa deve ser livre, mas, se abuso houver, ele deve ser reparado”. O texto diz que o jornal prestou um “desserviço” à sociedade e “extrapolou o direito à liberdade de expressão”.
Em meados de junho, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) repudiou a postura dos magistrados, e disse, em nota, que a abertura de processos em diferentes locais do Paraná “tem o claro objetivo de intimidar, retaliar e constranger o livre exercício do jornalismo”. Edição: Maria Claudia  01/07/2016 13hBrasília AGENCIABRSIL

Números de junho da economia evidenciam que Dilma era o desastre, e Temer, a esperança





No ano passado, o Real caiu 49,64%; só neste mês, teve valorização de 11,46%

Por Reinaldo Azevedo 


Os números da economia evidenciam como os agentes econômicos viam Dilma Rousseff e como veem Michel Temer. É evidente que, a despeito das dificuldades, houve uma melhora brutal de expectativas — ainda que também isso possa ter um peso para um determinado setor.
O Real chega ao fim de junho com uma valorização de 19,59% no semestre. Vale dizer: o dólar despencou. No semestre? Pois é. Esse período não diz muita coisa. Só em junho, a valorização do real foi de 11,46%, maior salto mensal desde abril de 2003, informa a Folha.
Nos primeiros seis meses, o real foi a moeda que mais se valorizou no mundo, o que, é certo, não é do agrado dos exportadores, por exemplo. O contratempo não esmaece uma evidência: o efeito Temer se junta a um cenário internacional que também concorre para a valorização da moeda. Com ela, veio o avanço do Ibovespa: 18,86% no semestre — 6,3% só em junho. Para lembrar: Temer assumiu a Presidência no dia 12 de maio.
Querem fatores alheios ao novo presidente que concorram para essas dados? Bem, eles existem. Os EUA não devem elevar os juros esperando para ver os efeitos da saída do Reino Unido da União Europeia. Com seus juros estratosféricos, que não devem cair imediatamente, o Brasil atrai dólares. Houve valorização das commodities, muito especialmente do petróleo. A moeda brasileira estava excessivamente desvalorizada, já que havia caído 49,64% em 2015.
Tudo isso é verdade. Mas o fato é que a mudança de governo, apesar dos percalços e dos permanentes solavancos, aumentou a confiança dos agentes econômicos. Todo mundo sabe que não havia razão para que a moeda brasileira estivesse tão desvalorizada senão a política. Ao contrário: como aqui fica evidente, os fatores não políticos até concorriam para a valorização do real. O nome do estresse era Dilma Rousseff.
Ainda, reitero, que o cenário político seja bastante inóspito — e sempre incerto em razão da Lava Jato; não há como —, o fato é que os agentes confiam na equipe econômica e não temem feitiçarias. A valorização do Real e a elevação do Ibovespa são sinais de aumento da confiança.
Mas também não se quer uma moeda tão valorizada a ponto de tornar o país pouco competitivo. Ainda que faça sua profissão de fé no câmbio flutuante, a verdade é que o BC anunciou nesta quinta que vai voltar a fazer leilões de swap cambial reverso — vale dizer: compra futura de dólares. Isso deve contribuir para estancar a queda da moeda, o que, em si, é bom para as exportações.
Digamos que, dado o quadro que havia no governo Dilma, com real em queda livre em razão da desconfiança dos mercados, a gestão Temer, nesse particular, está com um bom problema nas mãos.30/06/2016- DO R.DEMOCRATICA

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Juiz que prendeu ex-ministro aponta ‘tendência’ de que só pobre pratica crime violento

Por Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo
30/06/2016, 12h33
Ao mandar soltar quase todos os alvos da Custo Brasil, após Dias Toffoli revogar prisão do ex-ministro do Planejamento, magistrado federal fala da propensão da doutrina, 'ainda que inconsciente'
decisaotendencia
O juiz federal Paulo Bueno de Azevedo, que na quinta-feira, 23, mandou prender o ex-ministro Paulo Bernardo (Planejamento/Governo Lula) – ordem revogada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, nesta quarta, 29 – argumenta que há uma ‘tendência, ainda que inconsciente’ de que a sociedade é ameaçada exclusivamente na ocorrência de crimes violentos praticados por pobre.
Ao criticar a decisão de Toffoli – segundo o qual a prisão preventiva de um suspeito cabe para os casos de extremada agressividade -, o magistrado da 6.ª Vara Criminal Federal de São Paulo foi bastante enfático. “Observo que a doutrina invocada na decisão do Supremo Tribunal Federal (de soltura de Paulo Bernardo) fala da possibilidade de prisão preventiva em crimes como ‘homicídio por esquartejamento ou mediante tortura, tráfico de quantidades superlativas de droga, etc.’, o que, a meu ver, reflete a tendência, ainda que inconsciente, de se considerar a existência de riscos apenas em crimes violentos, no mais das vezes cometidos apenas por acusados pobres.’
Paulo Bernardo é o alvo maior da Operação Custo Brasil, deflagrada pela Polícia Federal com a Procuradoria da República. A investigação aponta detalhes do suposto esquema Consist – empresa de software que teria desviado R$ 100 milhões de empréstimos consignados no âmbito do Ministério do Planejamento, gestão Paulo Bernardo, desde 2010.
Segundo os investigadores, o ex-ministro teria recebido R$ 7,1 milhões do esquema, via advogado Guilherme Gonçalves, estabelecido em Curitiba. O escritório de Gonçalves teria bancado despesas eleitorais da senadora Gleisi Hoffmann (PT/PR), mulher de Paulo Bernardo.
Por meio de Reclamação ao Supremo, a defesa do ex-ministro obteve a revogação da ordem de prisão, por decisão do ministro Toffoli.
O juiz federal anotou. “Preliminarmente, causou estranheza a este Juízo a reclamação defensiva no sentido de que este Juízo teria usurpado a competência do Supremo Tribunal Federal, conforme consta no relatório da mencionada decisão do Supremo. É preciso lembrar que os presentes autos somente foram distribuídos a este Juízo Federal, por determinação expressa do próprio Supremo Tribunal Federal. A alegação de usurpação de competência da Corte Suprema, nestas circunstâncias, parece, no mínimo, leviana.”
O magistrado defendeu a autonomia da toga. “Resguardo, pois, o meu posicionamento pessoal, aqui manifestado em homenagem à minha independência judicial, e, sem prejuízo, evidentemente reconheço que devo e irei acatar a decisão do Supremo Tribunal Federal. Faço tal referência, pois, muito embora, a decisão do STF tenha se restringido ao investigado Paulo Bernardo Silva, por uma questão de isonomia, deve ser observado de ofício, sem embargo do meu posicionamento pessoal que deixo ressalvado, se é possível a aplicação do art. 580 do Código de Processo Penal para os demais investigados.
Ao abordar a fundamentação da prisão preventiva, derrubada por Toffoli, o juiz Paulo Bueno de Azevedo apontou sua preocupação em torno da possibilidade de não ser localizado o dinheiro desviado pelo esquema Consisti.
“Obviamente irei acatar (a decisão do ministro do STF), porém respeitosamente discordo, continuando a achar que a expressiva quantia do dinheiro não localizado pode sofrer novos esquemas de lavagem, ao menos por ora. O risco concreto se deveria aos indícios dos pagamentos feitos por intermédio do advogado Guilherme Gonçalves.” DO ESTADÃO