quinta-feira, 22 de junho de 2017

O Brasil vai emergir da escuridão muito melhor

A multidão de gatunos engaiolados ou na mira dos investigadores comprova que a Era da Canalhice está ferida de morte

Presidente Dilma Rousseff conversa com o senador José Sarney
As descobertas da Lava Jato transformaram em casos de polícia o presidente Michel Temer e quatro dos cinco antecessores vivos. Só Fernando Henrique Cardoso ficou fora do pântano onde chapinham Lula, Dilma Rousseff, Fernando Collor e José Sarney, além de mais de 30 ministros ou ex-ministros de Estado, mais de dez governadores, quase 30 senadores, mais de 60 deputados federais e centenas de vigaristas coadjuvantes. Se o Supremo Tribunal Federal cumprir o seu dever com menos lentidão, a turma do foro privilegiado não demorará a engordar a população carcerária.
Já não são poucos os figurões da política transformados em vizinhos de cela de empresários especialistas em bandalheiras. Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda e ex-chefe da Casa Civil, tem tempo de sobra para trocar ideias com Marcelo Odebrecht, ex-presidente da usina de propinas milionárias, e João Vaccari, ex-tesoureiro nacional do PT. Perdeu recentemente a companhia de José Dirceu, libertado pela 2ª Turma do STF. Mas não demorará a rever o primeiro chefe da Casa Civil do governo Lula. Também seguem continuam encarcerados os ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha e Henrique Alves, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral e vários destaques da Turma do Guardanapo.
Tantos números desoladores avisam que o Brasil vai ficar na UTI por muito tempo, certo? Errado: está cada vez mais saudável ─ graças à Lava Jato. A multidão de gatunos engaiolados ou na mira dos investigadores comprova que a Era da Canalhice está ferida de morte. Para que a nação devastada pelos poderosos patifes recuperasse a saúde, era preciso remover cirurgicamente o tumor da corrupção institucionalizada. O Código Penal agora vale para todos. São sempre escuras as horas que precedem a alvorada. O Brasil vai emergir da escuridão muito melhor. DO A.NUNES

Gilmar ignora que já perdeu a luta contra a Lava Jato

O ministro onipotente, onisciente e onipresente premiou o Brasil com o surgimento do único Juiz dos Juízes do planeta

Gilmar Mendes
Em 2002, quando o advogado e professor de Direito Constitucional se tornou ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes não havia julgado coisa alguma num tribunal. Talvez tivesse arbitrado pendências familiares ou discussões de botequim, o que não autoriza ninguém a caprichar na pose de magistrado de nascença, escalado já no berçário para decidir qual dos bebês em litígio tinha razão. Mas é assim que Gilmar se comporta há 15 anos, e com crescente arrogância.
Entre 2008 e 2010, período em que exerceu a presidência do STF, nasceu o Gilmar onisciente. Em seguida surgiu o onipotente. Neste outono, nasceu o Gilmar onipresente. A soma das três sumidades presenteou o Brasil com o único Juiz dos Juízes do planeta. Ele está em todos os lugares, opina sobre tudo e não admite ponderações em contrário. Até recentemente, os brasileiros comuns aprendiam que um juiz só deve falar nos autos. Gilmar só fala fora dos autos, até porque não é de perder tempo com a pilha imensa de processos que aguardam em sua sala alguns minutos da preciosa atenção do ministro.
Há poucos dias, num pronunciamento em Pernambuco, ele foi mais Gilmar Mendes do que nunca. Decidido a bombardear a Lava Jato, mas sem coragem suficiente para dizer isso com todas as letras, meteu-se num palavrório mais confuso que discurseira de Dilma Rousseff. “Investigação, sim! Abuso, não!”, berrou num começo de parágrafo. Seguiu-se a pausa dramática para os aplausos que não vieram. “Não se pode aceitar investigações na calada da noite!”, exclamou mais adiante. A Polícia Federal, portanto, deve suspender imediatamente as batidas na porta às seis da madrugada e limitar-se a esclarecer crimes entre 9 da manhã e 5 e meia da tarde. DOA.NUNES

Temer colecionou constrangimentos na Rússia

O presidente declarou que a visita "foi um sucesso"

O presidente Michel Temer
Ao deixar Moscou, Michel Temer limitou-se a uma breve declaração quando abordado: “A visita foi um sucesso”. Mas a realidade não parece ser tão otimista. Além de não ter firmado nenhum acordo relevante com a Rússia, a viagem foi uma coleção de lambanças.
A começar pelo embarque: a equipe do presidente errou o nome na agenda oficial do país que visitaria, conforme divulgado pelo Radar.
Ao chegar em Moscou, foi recebido no aeroporto pelo vice-ministro de Relações Exteriores russo, cargo de segundo escalão por lá, e pelo embaixador do Brasil na Rússia. Recepção pouco calorosa ao presidente brasileiro, que só foi se encontrar com Vladimir Putin no dia seguinte a sua chegada.
Em uma solenidade protocolar, de deposição de flores no Túmulo do Soldado Desconhecido, alguém, do outro lado da cerca, gritou um sonoro “Fora, Temer”, causando certo constrangimento.
E as lambanças não param por aí. Durante a assinatura de atos de cooperação Rússia-Brasil no Kremlin, Temer disse a Putin algo que não parece condizer com a realidade. O presidente acredita que “a cultura russa está muito presente na sociedade brasileira” e que “Dostoiévski e Tchaikóvski fazem parte do nosso próprio panorama cultural”.
Como se não bastasse, no dia de sua chegada, a embaixada brasileira em Moscou organizou um coquetel para Temer. Apenas metade das pessoas convidadas compareceu. No esvaziado evento, como um aluno recém chegado a um colégio novo, Temer tentava se enturmar, se aproximar das rodinhas.
Vale lembrar que enquanto esteve na Rússia, o governo sofria uma derrota por aqui. A Comissão de Assuntos Sociais rejeitou o parecer favorável a reforma trabalhista. Além disso, neste meio tempo a Polícia Federal declarou que existem indícios de corrupção envolvendo o presidente. DO RADAR

Duque diz que Vaccari arrecadava propina a mando de Lula

Ex-diretor da Petrobras foi interrogado por Sergio Moro

O ex-diretor da Petrobras Renato Duque passou por novo interrogatório conduzido pelo juiz Sergio Moro nesta quarta (21). A sessão foi um pedido de sua defesa, sob a alegação que Duque deseja fazer delação premiada.
Duque afirmou que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto começou a operar propinas para o partido antes mesmo de assumir o cargo, em 2010. E que comandava o esquema a mando do então presidente Lula. 
“Vaccari começou a fazer arrecadação de fundos e dinheiro da Petrobras antes de ser tesoureiro do partido dos trabalhadores. Em 2007, fui chamado a Brasília pelo então ministro Paulo Bernardo. E foi ele que me comunicou que por orientação do presidente Lula o Vaccari seria o encarregado do partido para arrecadação na Petrobras”, disse.

Léo Pinheiro: tesoureiro do PT avisou que propina era regra

Dono da OAS afirma que todos os contratos da Petrobras destinavam 1% ao partido

Em depoimento ao juiz Sergio Moro nesta quarta (21), o presidente da OAS, Léo Pinheiro, afirmou que era sistemática a cobrança de propina de 1% nos contratos da Petrobras.
O dinheiro, segundo Pinheiro, era destinado a abastecer os cofres do PT. A audiência tratou do contrato firmado entre a empreiteira e a Petrobras para a construção do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes). 
“Eu fui apresentado ao senhor Paulo Ferreira em 2007. E ele ia substituir o Delúbio Soares na tesouraria do PT”
“Foi informado que era para ter o pagamento de 1%, conforme era uma regra do PT nos projetos da Petrobras”, disse.
Moro, em seguida, quis saber se o pedido de propina foi feito diretamente a ele.
“Ele me procurou informando que teriam esses pagamentos”, confirmou Pinheiro.
“Eu que sabia que existiam esses pagamentos em outros contratos naquela época. Nós não participávamos do clube, mas queríamos. Isso veio a ocorrer posteriormente”, diz ele, sobre o grupo de empreiteiras que sempre ganhava as licitações da Petrobras.
Adiante, Moro quis saber se o Cenps foi o único projeto em que Léo Pinheiro pagou propina.
“Fizemos parte do consórcio da refinaria da Repar, fizemos parte da refinaria RNEST que tiveram esses pagamentos”, disse ele, sobre os projetos de Refinaria Presidente Getúlio Vargas, no Paraná, e Abreu e Lima, em Pernambuco. DO R.ONLINE

Amigos de Lula pedem a cabeça de Cristiano Zanin

Por Gonçalo Mendes Neto
goncalo@jornaldacidadeonline.com.br
Quarta-feira, 21/06/2017 às 14:23
O processo sobre o caso do tríplex do Guarujá, encaminhado nesta quarta-feira (21) para às mãos do juiz Sérgio Moro, nos próximos dias deve receber o esperado veredito do magistrado.
Não há dúvidas, diante das incontáveis provas produzidas, que o réu será condenado.
Todavia, há muito tempo, pessoas próximas do ex-presidente estão a aconselhá-lo a afastar Cristiano Zanin de sua defesa.
O tom imposto pelo advogado, na opinião de inúmeros amigos de Lula, tem sido desastroso.
Não se advoga uma causa com arrogância, provocações e em cansativos confrontos com a posição do juiz.
Na realidade, o bombardeio contra Zanin começou logo após a audiência de Lula em Curitiba, fato noticiado por Dora Kramer na revista Veja.
Com a aproximação do julgamento e a patética alegações finais apresentada nesta terça-feira (20), quando Cristiano Zanin e sua esposa, Valeska Teixeira Zanin atribuíram a propriedade do tríplex à Caixa Econômica Federal, fato imediatamente desmentido pela própria Caixa em nota oficial (veja aqui), a sobrecarga pela cabeça do ‘almofadinha’ voltou com força total.
Assim, diante da iminente condenação, a necessidade de novos recursos e a condução da defesa em outros processos contra Lula, manter Zanin está sendo considerado um suicídio, avalia um grupo bem próximo ao petista.
A bem da verdade, Lula já era...
O caixa do triplex
Brasil 22.06.17 09:41
Renato Duque, ontem à tarde, prestou depoimento ao juiz Sergio Moro e repetiu que Lula comandava o esquema de propinas da Petrobras.
Ele disse:
“Vaccari começou a fazer arrecadação de fundos e dinheiro da Petrobras antes de ser tesoureiro do Partido dos Trabalhadores. Em 2007, fui chamado a Brasília pelo então ministro Paulo Bernardo. E foi ele que me comunicou que, por orientação do presidente Lula, o Vaccari seria o encarregado do partido para arrecadação na Petrobras”.
O depoimento confirmou o pagamento de 1% de propina da OAS para o PT em todos contratos da Petrobras.
Trata-se da mesma propina que abasteceu o caixa do qual foi descontado o triplex de Lula, o comandante máximo da ORCRIM.
Só sobrou Gilmar Mendes
Brasil 22.06.17 08:36
O STF vai retomar hoje à tarde o julgamento sobre o acordo de Joesley Batista.
Gilmar Mendes deve permanecer sozinho em seus ataques à Lava Jato.
Aparentemente, o Supremo entendeu que Michel Temer precisa ser afastado do poder.
Os ministros sabem o que a PGR tem em mãos.
120 dias para a JBS entregar o PT
Brasil 22.06.17 08:33
A JBS vai fazer complementos à sua delação.
O acordo com a PGR estipula que a empresa tem 120 dias para apresentar o resto do material.
Joesley Batista precisa entender que, poupando Lula e o PT, seu relato não vale nada.
O santo desembarque
Brasil 22.06.17 07:34
Geraldo Alckmin se prepara para abandonar Michel Temer.
Dois de seus aliados demonstraram isso claramente: João Doria falou sobre a agonia do governo e Alexandre de Moraes, no STF, votou contra a manobra para desfazer o acordo da JBS com a PGR.
Para ser presidente em 2018, Geraldo Alckmin precisa enterrar o corpo de Michel Temer. E é o que ele está fazendo. DO A. TOTAL

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Especialistas, Temer e Putin falam de corrupção


Josias de Souza

Em visita a Moscou, Michel Temer teve uma reunião de trabalho com Vladimir Putin. Eles assinaram uma declaração conjunta. Nela, listaram 35 compromissos. Num deles, o Brasil de Temer e a Rússia de Putin comprometeram-se a intensificar os esforços no combate à corrupção. Escreveram: ''Os dois países entendem que a cooperação anticorrupção deve ter como objetivo a obtenção de resultados concretos.''
Longe do Brasil, Temer sentiu-se à vontade para assumir compromissos em nome do Brasil desconsiderando o que ocorre no Brasil. Ele assinou o acordo bilateral sem levar em conta que seus compromissos podem ficar velhos em dois minutos. Ou em duas delações premiadas. Quando terminar sua viagem, Temer retornará não apenas ao Brasil, mas à realidade de um país em que o próprio presidente é acusado de corrupção.
É preciso reconhecer: mergulhados em escândalos, Temer e Putin são especialistas na matéria. No Brasil, a contribuição de Temer e do PMDB no combate à corrupção é revolucionária. A exemplo de outras legendas, o PMDB desenvolveu uma forma inconsciente de desnudar a corrupção. Desvenda os crimes praticando-os em proporções tão amazônicas que ficou impossível não perceber as pistas.

Lula é considerado o mais nocivo dos envolvidos na Lava-Jato


Em seguida, Aécio Neves e Eduardo Cunha


O ex-presidente Lula é considerado a personalidade mais nociva para o Brasil envolvida na Lava-Jato. É o que indica uma pesquisa do Instituto Paraná.
No Distrito Federal, o petista é visto como o mais perigoso para 37%. Em seguida, para 14,5%, Aécio Neves. Preso, Eduardo Cunha é o pior deles para 12,7%.
Sergio Cabral, Marcelo Odebrecht e Joesley Batista são os mais nocivos para 4,6%, 4,3% e 4,1%, respectivamente.
 Depoimento de Lula a Sergio Moro em Curitiba - Operação Lava Jato

 Para 71%, Sergio Moro vai condenar Lula

Levantamento foi feito pelo Instituto Paraná Pesquisas 

 Em levantamento inédito feito pelo Instituto Paraná pesquisas, 71% responderam que o juiz Sergio Moro vai condenar Lula no caso do tríplex. Já 24% disseram que o ex-presidente será absolvido, enquanto 4,4% dos entrevistados não souberam opinar.
O instituto perguntou também se o magistrado persegue Lula. Segundo 61%, Moro não está perseguindo o ex-presidente. Enquanto 35,9% disseram que Lula é perseguido. E 3% dos ouvidos não souberam opinar.DO R.ONLINE

Joesley diz que Temer indicou amigo para acordo judicial de R$ 50 milhões



Pedro Ladeira/Folhapress
BRASILIA, DF, BRASIL, 21-06-2017, 09h00: Joesley Batista, da JBS, chega para depor na superintendência da PF, em Brasília. Ele deve prestar esclarecimentos sobre as operações Bullish e Greenfield. Joesley cortou o cabelo e chegou à PF de boné e óculos escuros. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) ***EXCLUSIVO***
Joesley Batista, da JBS, chega para depor na superintendência da PF, em Brasília
Em depoimento à Polícia Federal, o empresário Joesley Batista afirmou que o presidente Michel Temer tentou colocar um amigo, o advogado José Yunes, para defender o grupo J&F em uma disputa judicial.
O acordo que precisava de intermediação renderia ao escritório de Yunes, segundo o dono da JBS, que fez acordo de delação premiada, cerca de R$ 50 milhões.
Yunes é um dos melhores amigos do presidente e foi assessor especial do Planalto até dezembro passado, quando pediu demissão ao ser citado na delação do ex-executivo Cláudio Melo Filho, da Odebrecht, como intermediário de um pacote com R$ 1 milhão que conteria dinheiro para campanhas do PMDB.
Joesley afirmou, porém, que o acordo a ser feito para beneficiar o amigo de Temer nem chegou a ir adiante e que quem ficou responsável pela ação judicial foi Francisco de Assis, do departamento jurídico do grupo – também delator.
Não há informações no depoimento de Joesley sobre qual era a briga judicial nem as partes em litígio.
"Se recorda também de uma tentativa de inclusão do advogado José Yunes, por indicação do presidente Michel Temer, para intermediar um acordo com uma empresa em disputa judicial em andamento contra a J&F e que renderia ao escritório de José Yunes cerca de R$ 50 milhões", consta no termo de depoimento prestado por Joesley à PF.
FORA DA DELAÇÃO
Em uma ligação telefônica interceptada pela PF, o lobista da J&F Ricardo Saud pede a uma pessoa para tirar o nome de Yunes da delação premiada que estava sendo negociada.
Não ficou claro o motivo pelo qual o amigo de Temer foi retirado da colaboração.
O telefonema entrou no relatório da polícia, que destacou as principais conversas –mais de 3.000 ligações foram gravadas com autorização judicial.
Saud contratou uma pessoa, de nome Rodolfo, para pesquisar endereços de entregas de propina que estariam em sua delação. No diálogo, o delator diz: "Sabe o que eu estava pensando? Naquele relatório... É... Você podia fazer para mim, que eu estou indo hoje para Nova York, para levar ele. Tira aquele negócio tudo que tem do Yunes...".
Rodolfo responde concordando com a orientação, e Saud continua: "E põe só confirmando que nesse endereço mora... é o escritório de fulano de tal, põe tudo aquilo, amigo do cara, tal.... eu quero mostrar que você foi lá para mim e confirmar que lá era o coronel tal, tal, tal...".
A referência feita pelo lobista diz respeito ao coronel aposentado da Polícia Militar João Baptista Lima Filho, também amigo de Temer. Ele é apontado pela JBS como receptor de propina de R$ 1 milhão ao presidente.
A Folha procurou Yunes e Temer, mas não teve resposta até o momento.

Romério Cunha - 12.dez.2012/Vice-Presidência
Michel Temer e Joesley Batista, em inauguração de fábrica de celulose em Mato Grosso do Sul, em 2012
Temer e Joesley Batista, em inauguração de fábrica de celulose em Mato Grosso do Sul, em 2012

Retaliado, senador acusa governo de ‘corrupção’


Após votar contra a reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, Hélio José (PMDB-DF) sofreu retaliação automática. O Planalto exonerou dois apadrinhados que o senador acomodara na máquina pública. Abespinhado, o agora ex-aliado passou a enxergar a gestão de Michel Temer com outros olhos: é um “governo totalmente atacado de corrupção para todos os lados”, declarou. Para ele, o governo foi transformado “em balcão de negócios.”
Foram exonerados Vicente Ferreira, que era diretor de Planejamento da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), e Francisco Nilo, que respondia pela Superintendência da Secretaria do Patrimônio da União no Distrito Federal. Hélio José emplacara os afilhados no ano passado, às vésperas do impeachment de Dilma Rousseff, quando se achegou a Temer.
Houve revolta na SPU do DF com a nomeação de Francisco Nilo para o posto de superintendente. O senador não se deu por achado. Foi à repartição. Reuniu os descontentes. E avisou: “Isso aqui é nosso. Isso aqui eu ponho quem eu quiser aqui. A melancia que eu quiser aqui eu vou colocar!” Nessa época, Hélio José se servia do balcão que agora diz abominar.O J.DESOUZA

Será que a Lava Jato atingiu as togas superiores?


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
Na judicialização da politicagem, milagres não acontecem por acaso. O estranho adiamento da decisão sobre a prisão preventiva (ou não) e a manutenção do mandato (ou não) de Aécio Neves, combinada com a “soltura” (em prisão domiciliar, kkkkk) da irmã e seu primo, sugerem que existem mais coisas entre os políticos e as togas do que pode supor a vã filosofia. Repetiu-se uma rotina esquisita: um poderoso que sabe demais sobre tudo e todos sempre consegue postergar a punição nos andares elevados do Judiciário. O fenômeno joga no ar uma dúvida cruel: será que a Lava Jato atingiu as togas superiores?
O povinho pensante nas redes sociais achou muito estranho o fato de o relator da suprema Lava Jato, Edson Fachin, ter tirado das mãos de Sérgio Moro vários casos que envolvem o ex-Presidente Lula e a Odebrecht. Moro tem tudo para decidir, ainda esta semana, se condena ou inocenta o poderoso Lula. É enorme a chance de uma condenação com pena alta e decretação de prisão. Do mesmo jeito como é altíssima a chance de Lula ser beneficiado com o direito a recorrer em liberdade de uma eventual condenação. Afinal, ele é um daqueles que sabe (demais) sobre tudo e todos nos três poderes...
O regramento excessivo – uma das causas da corrupção sistêmica e da impunidade no Brasil – viabiliza que tudo possa acontecer. Quando os operadores dos “mecanismos do sistema” desejam assassinar a reputação de alguém, o rigor seletivo da jagunçagem opera a plena velocidade. Quando o interesse é proteger delinqüentes comprovados, o espírito maligno da razão cínica e canalha baixa nos “interpretadores da lei”, e os bandidos conseguem uma blindagem que deixa o cidadão honesto muito pt da vida, indignado ou desanimado. Eis a nossa hedionda “normalidade” do Crime Institucionalizado.
Até quando o Brasil vai conseguir suportar um Presidente da República que perdeu todas as condições morais de seguir (des)governando? A todo momento surge uma delação premiada que arrasa com Michel Temer. Depois da famosa gravação do Joesley Batista, agora veio a dedurarem do “corretor de valores” (na verdade, o doleiro de todos) Lúcio Bolonha Funaro. Fatos por ele revelados e comprovados arrasam com Temer, Eduardo Cunha, Moreira Franco, Geddel Vieira Lima e outras figuras muito próximas do maridão da bela Marcela. A dúvida é: até quando a maioria parlamentar vai conseguir blindar Temer, indicando que não aceitará denúncias da Procuradoria Geral da República contra ele no Supremo Tribunal Federal?
Resumindo: tem coisa muito mais estranha no ar que o fato incomum de o Rio de Janeiro ficar debaixo d’água no mês de junho – marcado pela secura e quando não costuma chover. É o inverno doido no inferno criminoso de Bruzundanga. O País na (a)normalidade caminha a todo vapor para um desastre de conseqüências inimagináveis. Criminalidade fora de controle sempre redunda em explosão descontrolada de violência – o que pode gerar o caos ou servir de estopim para mudanças estruturais.
Judicialize a Polícia
Libertas geral

STF dirá ao país de que lado está na Lava Jato

Josias de Souza

O plenário do Supremo Tribunal Federal marcou para esta quarta-feira o julgamento de um recurso vital para o futuro da Lava Jato e de outras operações anticorrupção em curso no país. Os ministros da Corte decidirão se a delação premiada dos executivos do grupo JBS pode ou não ser revista. Dirão também se Edson Fachin, relator da Lava Jato, agiu corretamente ao homologar um acordo de colaboração judicial que os delatados sustentam não ter vinculação com o petrolão.
No fundo, o Supremo informará ao Brasil de que lado está no combate à roubalheira. Deve-se o sucesso do esforço que amedronta a oligarquia político-empresarial a três fatores: 1) o assalto aos cofres públicos passou a dar cadeia; 2) o pavor de ir em cana potencializou as delações; 3) as colaborações judiciais vitaminaram as investigações. Dependendo das decisões que tomar, o Supremo pode fortalecer o círculo virtuoso ou ressuscitar a roda da impunidade.
Na pior das hipóteses, o plenário do Supremo endossa a tese de que os crimes da JBS não têm nada a ver com a Petrobras e retiram o processo das mãos de Fachin, anulando os atos praticados por ele. Iriam para o beleléu as delações e todas as suas consequências. Michel Temer e Aécio Neves levantariam um brinde e a investigação recuaria à estaca zero.
Numa hipótese intermediária, a conexão com a Lava Jato é reconhecida e Fachin permanece na relatoria. Entretanto, a maioria dos seus colegas consagra o entendimento segundo o qual o plenário do Supremo pode, sim, rever acordos de delação. Sobretudo num caso como o da JBS, em que a Procuradoria-Geral da República concedeu a Joesley Batista e Cia. o prêmio máximo: a imunidade penal.
Se isso acontecer, delações que esperam na fila para acontecer, como a do ex-ministro petista Antonio Palocci e a do ex-presidente da OAS Leo Pinheiro, podem subir no telhado. Novos delatores talvez concluam que os negociadores da Procuradoria, enfraquecidos, não terão mais como assegurar o cumprimento dos termos dos acordos.
Numa terceira hipótese, aparentemente improvável, o Supremo dá uma banana para os investigados e prestigia a relatoria de Fachin. De quebra, avaliza as delações superpremiadas no pressuposto de que a emenda pioraria o soneto. Melhor apanhar os delatores na próxima esquina, quando vierem à luz os resultados da investigação sobre o uso da informação privilegiada da delação para lucrar nos mercados de câmbio e de ações.
Em maio de 2015, quando a Lava Jato tinha pouco mais de um ano, Emílio Odebrecht espetou no noticiário uma nora com o seguinte teor: ''A corrupção é problema grave e deve ser tratado com respeito à lei e aos princípios do Estado democrático de Direito, mas é fundamental que a energia da nação, particularmente das lideranças, das autoridades e dos meios de comunicação, seja canalizada para o debate do que precisamos fazer para mudar o país. Quem aqui vive quer olhar com otimismo para o futuro -que não podemos esquecer-, sem ficar digerindo o passado e o presente.''
Meses depois, a Odebrecht oferecia à força-tarefa da Lava Jato aquela que entraria para a história como delação do fim do mundo. O Apocalipse remexeu o passado e convulsionou o presente. Se transformar a delação da JBS em algo parecido com aquele que Romero Jucá chamava de “estancar a sangria”, o Supremo consolidará a vocação do Brasil para o papel de mais antigo país do futuro do mundo.

Solidariedade do tucanato a Aécio virou suicídio

Josias de Souza

Existem vários tipos de solidariedade. São todos admiráveis. Mas o amparo do PSDB a Aécio Neves está próximo da patologia. Virou sintoma de sadomasoquismo. O impulso autodestrutivo da legenda só não é maior do que o egoísmo do seu filiado encrencado. Aécio utiliza o partido para transformar a morte prematura do seu projeto político numa morte procrastinada. O senador sabe que sua carreira definha. E faz questão de que o tucanato murche junto.
Nesta terça-feira, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal adiou em uma semana o julgamento sobre o pedido de prisão de Aécio. E o PSDB também transferiu a reunião de sua Executiva, que definiria nesta quarta-feira a coreografia da substituição definitiva de Aécio na presidência da legenda. Tranformando-se a indefinição tucana numa metáfora culinária, pode-se dizer que a insensatez do ninho ultrapassou o ponto de cozimento.
A confusão entre o tempo da Justiça e o tempo da política a fez dessas dar a mistura. O molho queimou. E o que era para ser um gesto de solidariedade converteu-se em mais um vexame do PSDB. Por mal dos pecados, Aécio acabou correspondendo aos que não encontravam motivos para confiar nele. Como ainda não foi inventada uma maneira de desfritar um ovo, o PSDB transformou sua solidariedade em suicídio no instante em que se jogou dentro da frigideira.