quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Não chores por mim, Marininha


Youssef presta o primeiro depoimento após acordo de delação premiada

O conteúdo ainda está sendo mantido em sigilo para preservar o doleiro.


youssef Youssef presta o primeiro depoimento após acordo de delação premiada
Alberto Youssef prestou o primeiro depoimento ao Ministério Público Federal nesta quarta-feira (25), depois de ter feito um acordo de delação premiada. O teor do depoimento ainda está sendo mantido em sigilo para preservar o doleiro de pressões dos suspeitos e evitar a destruição de provas.
DA FOLHA DE SP

A delação de Youssef: o pânico se espalha em certas áreas da política; há figurão que já começa a ter pesadelos com a cadeia

É grande o pânico no mundo político.
O doleiro Alberto Youssef resolveu aceitar a proposta de delação premiada.
O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o notório Kakay, que adora um cliente complicado, anunciou ter deixado o caso porque se opõe à decisão. Ainda que quisesse, não teria como permanecer, não é mesmo? A chance de o doleiro implicar outros, digamos, nomes de sua carteira de defesas é imensa.
Como todo mundo já sabe, os benefícios da delação só são realmente concedidos se aquele que faz o acordo contribuir efetivamente para desvendar a ação criminosa. Assim, se Youssef quer mesmo se livrar de muitos anos de cana, terá de colaborar de verdade. Até onde pode ir? É o que se perguntam todos aqueles que fizeram negócios com ele — muitas cabeças coroadas da República. Há gente disputando governo de Estado por aí que, a esta altura, deve estar com medo de ir parar na cadeia.
Se Paulo Roberto Costa produziu um bom tremor de terra ao falar, Youssef, se quiser, causa um verdadeiro terremoto. A desenvoltura com que ele se infiltrou — ou foi infiltrado — no estado brasileiro é assombrosa. O caso do laboratório de fachada Lobogen ilustra a bandalheira. Uma empresa que se dedicava à lavagem de dinheiro, apontam a Polícia Federal e o Ministério Público, tinha celebrado um convênio com o Ministério da Saúde para a produção de remédios.
É a segunda vez que Youssef faz um acordo dessa natureza. O outro estava relacionado ao escândalo do Banestado. Ele colaborou, pagou uma multa e se livrou da cana. Mas voltou a delinquir e perdeu aquele benefício, razão por que acabou condenado a mais de quatro anos de cadeia.
Sem a delação, Youssef certamente ficaria muitos anos na cadeia. Se ela colaborar para elucidar e desmontar uma quadrilha que vive do assalto aos cofres, tanto melhor.

DO R.AZEVEDO

Os companheiros terroristas retribuíram os afagos de Dilma com mais uma degola

 
      
Por Augusto Nunes
Um dia depois dos afagos de Dilma Rousseff, que se solidarizou com o Estado Islâmico e propôs a troca dos ataques aéreos por diálogos entre os algozes democratas e os indefesos liberticidas, os companheiros terroristas retribuíram a manifestação de apreço e amizade da presidente com mais uma degola, Nesta quarta-feira, depois dos jornalistas americanos James Foley e Steven Sotloff e do agente humanitário britânico David Haines, chegou a vez do turista francês Hervé Gourdel.
Como as anteriores, a quarta decapitação foi registrada num vídeo que circula pela internet. Aos 55 anos, pai de dois filhos, o refém sequestrado na Argélia foi morto pelo crime de ter nascido no país errado. Os carrascos haviam fixado um prazo de 24 horas para que a França rompesse a parceria militar com os Estados Unidos e caísse fora dos céus da Síria. Quando se ajoelhou com as mãos amarradas atrás das costas, rodeado por quatro carrascos, é provável que Gourdel nem soubesse do ultimato.
A reedição do espetáculo da barbárie não mereceu sequer uma palavra da presidente, que tampouco enviou meia dúzia de frases de consolo à família do assassinado. A política externa da canalhice determina que a chefe de governo deve chorar seletivamente. Dilma não tem lágrimas a perder com um turista francês.

24/09/2014

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Após desentendimentos, família de Campos não apoia nome de Marina

Renata deixou uma lacuna ao não declarar apoio a Marina Silva, elevada à condição de candidata

Os depoimentos da ex-primeira dama de Pernambuco, Renata Campos, viúva do ex-governador e presidenciável Eduardo Campos (PSB), falecido em um acidente aéreo no dia 13 de agosto em Santos (SP), chamaram a atenção não apenas pelo conteúdo emocional e nem pelo fato de ter pedido votos para o candidato do PSB ao governo do Estado, Paulo Câmara, ou para o postulante ao Senado pela legenda, Fernando Bezerra Coelho. Renata deixou uma lacuna ao não declarar apoio a Marina Silva, elevada à condição de candidata a presidente após a morte de Campos.
Nos depoimentos gravados durante o final de semana e levados ao ar nesta segunda-feira (22), Renata fala sobre a dedicação de Campos à política e ao povo pernambucano, além de afirmar que Paulo Câmara também um "líder" que foi identificado entre "os quadros" formados pelo ex-governador. Ela também disse "confiar na capacidade de Paulo".
Em discurso semelhante, ela também pediu votos para o candidato ao Senado Fernando Bezerra Coelho e voltou a dizer que confia no ex-ministro para ocupar a vaga na Casa Alta. Já sobre Marina Silva, nem uma palavra. Esta tarefa coube à Paulo Câmara. Após o final da fala da ex-primeira dama, o socialista apareceu em uma conversa com Marina para apresentar seus projetos ao eleitor.
"Não existe nenhum tipo de mal-estar. Renata tem um peso forte aqui em Pernambuco, mas em nível nacional este peso é pequeno. Marina tem pouco tempo no guia eleitoral e a avaliação é que colocar a Renata neste espaço não teria impacto algum", diz um integrante da campanha do PSB em Pernambuco.
As especulações de que haveria um mal-estar entre Renata e a direção do PSB ganharam corpo com o que seria uma tentativa de jogar para Campos a responsabilidade da tragédia ocorrida em Santos, que vitimou o próprio candidato e outras seis pessoas, além de provocar danos materiais em diversas residências. Nos dias que se seguiram à tragédia, Renata mobilizou o PSB em torno da defesa da candidatura de Marina e cobrou apoio e engajamento dos aliados em torno da candidatura de Paulo Câmara.
"Isso não existe. Renata e Marina se dão muito bem. Ela também fala muito com a direção nacional. Ela não entrou no guia da Marina porque a coordenação não pediu. Ela é importante para Pernambuco, pelo que ela representa para o Estado, para o próprio Eduardo Campos. Em nível nacional, ela não tem lastro capaz de mobilizar o eleitor como se vê por aqui", diz um outro interlocutor da campanha socialista.
LARICE SENA-180GRAUS

 

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Fôlego renovado: Números das últimas pesquisas eleitorais animam candidatura de Aécio Neves

Da redação 


000_Mvd6636243.jpg
Novas pesquisas e trackings diários feitos pelos comitês dos principais candidatos à sucessão presidencial estão animando a campanha do senador Aécio Neves (PSDB).
De todas as fontes a informação é a mesma: a candidatura de Marina Silva (PSB) apresenta forte queda nas intenções de voto e a dos tucanos tem crescimento constante.
Na pesquisa CNT/MDA, realizada nos dias 20 e 21 e divulgada na manhã de hoje, a presidenta Dilma Rousseff perdeu 2,1% nas duas últimas semanas, passando de 38,1% para 36%. Marina caiu 6,1%, de 33,5% para 27,4%. Aécio saltou de 14,7% para 17,6%.
Na pesquisa espontânea, Dilma sobe de 30,9% para 31,4%, Marina cai de 25,8% para 23% e Aécio passa de 4,3% para 14,4%.
Esse forte crescimento na consulta espontânea caracteriza que, no momento, há uma onda favorável ao candidato do PSDB.
A tese é reforçada pelos trackings realizados por diversos partidos. Um deles, elaborado pelo Vox Populi e revelado pela revista Fórum na segunda-feira 22, mostra que a diferença entre Aécio e Marina seria de 5%. A candidata do PSB teria 22% e o senador mineiro, 17%. Em outros levantamentos, o tucano já teria chegado à casa dos 20%.
DA ISTOÉ

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A ignorância de Dilma.

Guardem este frase de Dilma dita, hoje, em Brasília durante encontro com um grupo de jornalistas:
- Não é função da imprensa fazer investigação e sim divulgar informações.
Era razoável imaginar que uma figura pública, ainda mais um presidente, tivesse o mínimo de conhecimento do que seja jornalismo. E de como funciona a imprensa. Mas, não.
Dilma estava particularmente irritada com jornalistas que perguntaram sobre as revelações feitas por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, a propósito da corrupção na empresa.
Ao dizer que pedira à Polícia Federal acesso às confissões de Paulo Roberto, e que isso lhe fora negado pela Procuradoria Geral da República, Dilma mostrou-se inconformada. Foi quando cometeu a frase.
Quanta ignorância!
Nem Richard Nixon, o presidente dos Estados Unidos que renunciou ao cargo por que mandara espionar um comitê do Partido Democrata em Washington, disse uma barbaridade dessas.
Nem Fernando Collor, que culpa a imprensa por sua deposição em meio ao mandato de presidente. Collor caiu porque seu governo era corrupto.
Jornalismo é investigação. Você não conta como ocorreu um acidente de carro, por exemplo, sem ouvir eventuais vítimas, testemunhas e a polícia, no mínimo. Se é assim com um mero acidente, quanto mais com um escândalo de grande porte.
Um dos papéis da imprensa é vigiar os poderosos e denunciar seus desmandos. Ela existe - ou deveria existir - para satisfazer os aflitos e afligir os satisfeitos.
O sonho de Dilma, e não somente dela, seria ver a imprensa limitada a publicar declarações e anúncios oficiais. Teve com quem aprender.
Em 2003, Lula, o mentor de Dilma, fez um desabafo que se tornou famoso. Disse:
- Eu não gostaria de ver notícia publicada. Gostaria de ver propaganda publicada.
Em outras palavras: Lula não gosta de jornalismo independente. Prefere jornalismo servil. Ele, Dilma, Renan Calheiros, Collor, Eduardo Cunha et caterva.
Quando quer agradar a imprensa, Dilma repete:
- Prefiro o barulho da democracia ao silêncio da ditadura.
Com o que disse hoje, fica claro que não é bem assim. Ela enxerga a imprensa com os mesmos óculos de Lula.
**Por Ricardo Noblat

Fernando Pimentel - DIVULGUEM PELO BEM DO POVO MINEIRO!



Muitos não conhecem quem foi e quem é esse petista, terrorista, comunista, assaltante de bancos e que deu o maior prejuízo quando prefeito de Belo Horizonte.
Vejam (no vídeo anexo) quem é o pretendente a governador de Minas Gerais, pois as pesquisas indicam o desastre, a desgraça de esse sujeito assumir o governo de Minas, salvo se o povo mineiro acordar!
Eis a foto da prisão dele junto com a diaba da Dilma, por assaltos a bancos e sua ficha criminal como “profissional da subversão”.
  

DO LILICARABINA

Britânica foi forçada pela mãe a fazer sexo com 1.800 homens

Em rituais satânicos, a menina teria sido obrigada a se deitar com diferentes homens, com o padrasto e até com a própria mãe

Batley foi condenado em 2011 por manter relações sexuais com crianças durante anos em sua casa
Foto: Daily Mail / Reprodução
Uma britânica acabou de lançar um livro em que conta como foi forçada pela própria mãe, Jacqueline Marling, a fazer sexo com 1.800 homens entre os 7 e os 17 anos, em rituais satânicos promovidos na casa de um dos vizinhos - que se tornou seu padrasto. As informações são do Daily Mail.
“Annabelle Forest”, como se autodenomina, conta que foi iniciada nos cultos com o vizinho e namorado de sua mãe, Colin Batley, aos 7 anos. Segundo ela, Batley a fez acreditar, na época, que estava fazendo algo para provar seu amor aos deuses e, se não fizesse, poderia deixa-los irritados e ir para uma espécie de inferno. “Colin consegue convencer qualquer pessoa a fazer o que ele quer. Ele me perguntava se eu estava gostando, e eu tinha que dizer que sim. Mas, por dentro, estava morrendo, era horrível”, disse.
Annabelle Forest afirmou que, aos 14 anos, teve de fazer sexo em grupo – no qual estava a própria mãe e outros vizinhos da cidade de Llanelli, em Wales, em atividades do culto satânico. A britânica também contou que Batley estuprava várias crianças, assim como fez com ela, sempre usando uma capa com capuz. As crianças e mulheres não podiam encarar o homem durante o ritual, que era sempre iniciado com canções. No "altar" da casa de Batley havia algumas cobras. 
Aos 17 anos, Annabelle ficou grávida de seu estuprador e, por isso, fugiu de casa. Hoje, a britânica se diz mais aliviada pela prisão de Marling e Batley – condenados em 2011.
Na época, ela disse que acompanhou o julgamento e percebeu que sua mãe também era uma pessoa “satânica e fria” e diz que não entende como ela teve coragem de permitir tudo isso. “Eu fui assistir à sentença na corte porque queria vê-la pela última vez. Ninguém no mundo pode me machucar mais do que os dois”, afirmou.                
O livro “The Devil on the Doorstep: my escape from a Satanic Sex Cult”, escrito por ela, tem o objetivo de alertar as pessoas a perceberem o que acontece na sua vizinhança, “já que “crianças são exploradas sexualmente em qualquer lugar do mundo”, conclui a britânica.
DO TERRA

A última esperança de Aécio

Aécio : ele vai ultrapassá-la?
Aécio :há chance?
Aécio Neves começa hoje uma semana decisiva para suas pretensões. Aécio tem ligado  nos últimos dias para colaboradores próximos com um discurso na base do “estou subindo, Marina está caindo, dá para emparelhar na reta final e ir para o segundo turno”. Aécio fala baseado nos trackings feitos por encomenda do PSDB. Mas não só
Nos trackings da campanha do PT, os resultados também vão nessa direção. A ponto de animar os petistas, que preferem disputar com Aécio num segundo turno. No tracking de ontem feito pelo Vox Populi sob encomenda do PT, Dilma ficou em cerca de 40%; e Marina e Aécio estavam tecnicamente empatados, com a candidata do PSB ligeiramente à frente. Ressalte-se que os levantamentos do Vox sempre colocam Dilma mais acima e os concorrentes mais abaixo em comparação às pesquisas do Ibope e Datafolha.
Nesta eleição, é proibido falar a palavra “impossível”, depois do que se viu no dia 13 de agosto.
De qualquer forma, duas pesquisas que serão divulgadas nos próximos dias, uma do Ibope na terça-feira e outra do Datafolha na noite de quinta-feira, darão combustível à  possibilidade aventada por Aécio ou a sepultará de vez.
Por Lauro Jardim

CARLOS BRICKMANN — Boa notícia: quem é assaltado deixou de ser criminoso e passou a ser vítima. E gente do PT e da Prefeitura petista de SP (paga pelos cofres públicos) investindo contra a Polícia Militar, que cumpria ordem judicial. E por aí vai a nossa aquarela tropical…

(Foto: Evaristo Sá/AFP)
Coisas que só acontecem no Brasil: badernaços nos grandes centros, criminalização de vítimas e privilégios para líderes do governo (Foto: Evaristo Sá/AFP)
AQUARELA TROPICAL
Notas da coluna de Carlos Brickmann publicadas neste domingo em diversos jornais
Se só existe no Brasil, e não é jabuticaba, é preciso tomar cuidado.
José Peixoto Filho e seu pai José Peixoto, 76 anos, foram assaltados a mão armada em Cascavel, Paraná. Reagiram e mataram os dois assaltantes. Peixoto Filho, ferido, foi preso e hospitalizado. Peixoto pai foi preso, passou a noite na cadeia e um juiz teve de soltá-lo. O juiz também suspendeu a prisão do filho. Uma boa notícia: quem é assaltado deixou de ser criminoso e voltou a ser vítima.
Os líderes do grupo de sem-teto que atacou a Polícia Militar, em São Paulo, para impedi-la de cumprir uma ordem judicial de reintegração de posse, levando a tumultos e incêndio de ônibus, são Ricardo Bonfim, da liderança do PT na Assembléia paulista, Osmar Silva Borges e Vera Eunice, ambos da Cohab, da Prefeitura paulistana, todos pagos com dinheiro público. O prefeito é Fernando Haddad, do PT.
O caro leitor consegue enviar qualquer coisa pelo Correio sem selo ou autenticação mecânica do pagamento? Não? Então não conhece as pessoas certas.
Por ordem da Diretoria Regional Metropolitana de São Paulo, chefiada por Wilson Abadio de Oliveira, ligado a Michel Temer, PMDB, vice de Dilma e candidato à reeleição, os Correios estão enviando, “em caráter excepcional”, pouco menos de cinco milhões de panfletos da chapa Dilma-Temer.
A norma exige chancela em cada panfleto, com nome e CNPJ do candidato e o ano da eleição – e o objetivo é atestar que o envio foi devidamente pago. Mas comprovar o pagamento é para os fracos.
Quem conhece gente certa faz como gosta, do jeito que quer.
Batizado de boneca
Numa frase imortal, Dilma disse que, em época de eleição, pode-se fazer o diabo. Pois é: a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo está promovendo (e pagando, claro) um “ato de lançamento do edital para as obras do Hospital Municipal da Brasilândia”, com a presença do prefeito petista Fernando Haddad.
Inaugurar uma obra, vá lá. Há até os exagerados que fazem festa de lançamento da pedra fundamental, mesmo sem saber se a obra vai ou não sair do papel. Mas ato de lançamento do edital é meio muito: é como ir a batizado de boneca. Se a moda pega, só de edital de trem-bala já deve ter uns cinco. Tudo bem, haverá eleições, o candidato petista em São Paulo vai mal, mas precisava exagerar?
(Foto: Alan Marques/Folhapress)
Mantega: após ser demitido, continua o mesmo de sempre (Foto: Alan Marques/Folhapress)
Tudo como antes
É maldade dizer que, ao demitir Guido Mantega com quatro meses de antecedência, Dilma o transformou num fantasma despido de autoridade. A demissão pode ter sido deselegante, mas Mantega continua o mesmo que sempre foi.
DO RICARDO SETTI-VEJA

sábado, 20 de setembro de 2014

Marina recua de novo. Agora para o agronegócio

247 - Desta vez, não foi o pastor Silas Malafaia, mas sim o agronegócio. De qualquer forma, a candidata Marina Silva eliminou mais um ponto do seu programa de governo: o que impunha índices de produtividade para o setor rural. Este critério funcionaria da seguinte forma: se determinada terra não fosse considerada produtiva, seria desapropriada para a reforma agrária.
No entanto, ao ser abordada sobre o tema, durante um evento no interior paulista, Marina desconversou. “Os índices de produtividade foram colocados na Constituição de 1988 exatamente para fazer jus à ideia de que nossa régua deve medir para cima, e não para baixo”, disse ele. Coube ao vice, Beto Albuquerque, esclarecer que não haverá mais índices de produtividade. "Quem não tiver produtividade será desapropriado pelo mercado, e não pelo governo", disse ele.
Ou seja: um eventual governo Marina não irá mais desapropriar terras improdutivas em razão da baixa produtividade. Neste sábado, o ex-ministro Roberto Rodrigues, defendeu mudanças no programa de Marina e condicionou eventual apoio do setor a mudanças no programa.
Leia, abaixo, reportagem da Rede Brasil Atual a respeito:
Marina não explica recuo para o agronegócio em desmatamento e reforma agrária
A pedido de ex-ministro da Agricultura, vice entrega regulação ao mercado. Candidata do PSB elogia Embrapa e produtividade quando perguntada sobre desconsideração de mais dois pontos do plano de governo
São Paulo – A candidata do PSB à presidência da República, Marina Silva, evitou hoje (20) explicação sobre o recuo em duas propostas de seu programa de governo que eram alvo de críticas do agronegócio. As mudanças costuradas por seu vice, o deputado Beto Albuquerque (PSB-SP), se dão justamente no setor que a notabilizou politicamente, no exercício do cargo de ministra do Meio Ambiente e do mandato de senadora.
“Os índices de produtividade foram colocados na Constituição de 1988 exatamente para fazer jus à ideia de que nossa régua deve medir para cima, e não para baixo”, disse Marina, durante entrevista coletiva em Campinas, no interior paulista, em que foi questionada sobre os acordos buscados por Albuquerque.
Esta semana, o parlamentar, conhecido pelo trânsito entre os produtores rurais, esteve reunido com o ex-ministro Roberto Rodrigues, titular da Agricultura em parte do governo Lula. Hoje, Albuquerque fez letra morta de dois pontos centrais do programa de gestão de Marina para o meio ambiente. Primeiro, confirmou que a meta de desmatamento zero a que se refere o documento diz respeito apenas ao corte ilegal de vegetação, e não ao desmate como um todo. Depois, afirmou que não haverá revisão dos índices de produtividade da terra usados para a reforma agrária.
"Vamos criar um programa para premiar a meritocracia sobre a produtividade. Quem não tiver produtividade será desapropriado pelo mercado, e não pelo governo", esclareceu Beto, numa afirmação que joga por terra o previsto pelo programa de gestão. A página 58, de um total de 242, prevê “atualizar os índices de produtividade agrícola e acelerar o diagnóstico da função social da propriedade rural nos aspectos produtivo, ambiental e trabalhista, permitindo a rápida desapropriação nos casos previstos em lei ou premiando aqueles que fazem uso correto da terra”.
A atualização dos índices de produtividade é uma demanda antiga de movimentos sociais, que não conseguiram nenhum avanço neste sentido ao longo dos doze anos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. A bancada de representantes do agronegócio no Congresso sempre obteve sucesso em travar a discussão sobre o grau de utilização da terra (GUT) e o grau de eficiência na exploração (GEE), os dois indicadores que definem se uma terra é ou não improdutiva.
Nenhum dos candidatos com chances de vitória nas eleições de outubro aceitou até aqui firmar compromisso pela revisão do índice. Dilma e Aécio Neves (PSDB) não entregaram até o momento seus planos de governo. A presidenta, em eventos ao lado de agricultores familiares, não fez menção ao tema.
Questionada hoje a respeito das posições de Albuquerque, Marina não confirmou nem desmentiu os acordos com o agronegócio. Preferiu uma resposta de 2 minutos e 40 segundos na qual centra a questão em tecnologia como meio de aumentar a produtividade. “Desde sempre, quando era ministra do Meio Ambiente, quando fizemos o zoneamento agrícola da cana-de-açúcar, quando fizemos o plano de prevenção e controle do desmatamento, fizemos a proposta de combater o desmatamento com base em três eixos: ordenamento territorial e fundiário, combate às práticas ilegais e apoio ao desenvolvimento sustentável. E já naquela época o que propugnávamos é que devemos aumentar a produção por meio do ganho de produtividade. Isso requer tecnologia, inovação, infraestrutura logística”, afirmou.
Em seguida, Marina apostou no elogio ao trabalho desenvolvido pela Embrapa, da qual foi crítica quando ministra de Meio Ambiente, entre 2003 e 2008. Na questão específica do desmatamento, a estatal ligada ao Ministério da Agricultura desenvolveu um tipo de soja que se adapta bem ao cerrado, o que foi fundamental na predação de um ecossistema que hoje se vê sob risco de extinção.
“É fundamental apostar nas tecnologias da Embrapa para aumentar a produção por ganho de produtividade. Aliás, o setor agrícola brasileiro nem precisa se preocupar com isso porque desde a década de 1970 que vem aumentando seu índice de produtividade graças à introdução da pesquisa, da tecnologia, da inovação, de novas práticas agrícolas que precisam ser universalizadas para que não se queira voltar ao tempo de aumentar produção por expansão predatória da fronteira agrícola.”
Este não é o primeiro recuo da candidata do PSB no campo de suas bandeiras históricas. Nesta campanha, Marina classificou como “lenda” a ideia de que é contra o uso de sementes transgênicas.
Um discurso feito em 2002 no plenário do Senado, porém, mostrava visão diferente: “Em Gênesis 21,33, o próprio Patriarca Abraão, com mais de 80 anos, resolve plantar um bosque. Quem planta um bosque com quase 100 anos está pensando nas gerações futuras, que têm direito a um ambiente saudável. Era esse o significado simbólico do texto. No Êxodo 22,6, há determinação explícita no sentido de que quando alguém atear fogo a uma floresta ou bosque deverá pagar tudo aquilo que queimou. Talvez essa regra seja mais rigorosa do que as do Ibama. Com relação aos transgênicos, o livro Levíticos 22,9 expressa claramente que não se deve profanar a semente da vinha e que cada uma deve ser pura segundo a sua espécie.''
DO 247