terça-feira, 22 de julho de 2014

“Dilma em queda desvairada!” Presidente adeus...



A espetacular descoberta de Dilma: o míssil foi disparado pelo governo da Ucrânia para derrubar o avião do companheiro Putin


O extenso noticiário sobre o Boeing da Malaysia Airlines derrubado quando sobrevoava os céus de Donetsk, região da Ucrânia controlada por separatistas financiados pelo governo russo, tratou com inexplicável avareza a mais inventiva das teorias vinculadas ao episódio. Foi ignorado pelos jornais (ou confinado em míseros centímetros) o monumento à criatividade erguido por Dilma Rousseff  com 82 palavras distribuídas por quatro frases. Concebido para explicar aos jornalistas por que o governo ainda não dera um pio sobre o mais recente capítulo da história universal da infâmia, deu no seguinte:
“Olha, eu acho que é prudente … vô… a gente tomar cuidado, porque, ao mesmo tempo, né?, tem um segmento da imprensa dizendo que o avião que era… esse avião que foi derrubado tava na rota da volta do avião do presidente Púti. Coincidia com o horário… e com o percurso. Então, que o míssil seria dirigido ao avião do presidente Púti. Eu acho que é importante tá… ter… ter claro que não era um míssil de fácil manejo. Não é um míssil de fácil manejo. Então, nós temos que olhar com cuidado pra vê de fato o que  aconteceu. Então, o governo brasileiro não se posicionará quanto a isso até que fique mais claro, por uma questão não só de seriedade, né?, mas também de prudência. Nós não temos todas as informações”.
Em língua de gente, o falatório em dilmês primitivo produziu uma teoria e tanto. Amparada no que andou lendo num misterioso “segmento da imprensa”, a presidente do Brasil afirmou ─ nada mais, nada menos ─ que só os imprudentes e os pouco sérios se atrevem a atribuir o disparo do míssil aos rebeldes supridos pelo padrinho Vladimir Putin com armamentos de última geração. Segundo Dilma, a explosão do Boeing foi coisa do governo constitucional da Ucrânia, que errou o alvo ao tentar espatifar o avião que levava o presidente da Rússia de volta a Moscou. Nem o mais imaginoso veterano da KGB havia pensado nisso.
Como a autora não a desmentiu, a tese continua valendo manchete de primeira página ─ e à espera de detetives preparados para averiguar se tem fundamento ou não. Se tiver, o caso sofrerá reviravoltas que poderão levar a descobertas ainda mais espetaculares. (Uma dupla de enviados especiais a Donetsk talvez descubra, por exemplo, que o míssil decolou de um aeroporto clandestino construído nas terras de um tio ucraniano de Aécio Neves, expropriadas pelo governo mineiro). Se tudo não passou de outra maluquice do neurônio solitário, os eleitores terão um motivo a mais para negar à presidente um segundo mandato.
Pelo que anda acontecendo por lá, falta pouco. Mas o Palácio do Planalto ainda não virou hospício.
DO AUGUSTO NUNES

Entendi: o primeiro mandato de Dilma foi só a fase “Escolinha do Professor Raimundo”! Ela promete corrigir os erros se for reeleita!

Chico Anysio na pele do professor Raimundo: Dilma chegou ao Palácio sem saber...
Chico Anysio na pele do professor Raimundo: Dilma chegou ao Palácio sem passar pela Escolinha…
Leio uma reportagem muito impressionante na Folha, de autoria de Valdo Cruz. Ela informa que “Dilma promete a aliados que corrigirá erros se for reeleita”. Ah, bom! Entendi! Então o país deveria franquear um segundo mandato a Dilma para lhe dar a chance de consertar as besteiras feitas no primeiro por… Dilma! É um modo de ver as coisas.
O texto informa ainda que os assessores listam aqui e ali os, digamos, errinhos que foram cometidos. Um deles, coisa pouca, é o de setor elétrico, com a redução das tarifas — e suponho que entre no rol de bobagens a antecipação das concessões. Não é nada, não é nada, a nossa governanta praticamente quebrou um setor. E teve de injetar alguns bilhões de recursos púbicos para tentar minimizar o estrago. Mas oram vejam: ela parecia tão segura, não é mesmo? Procurem neste blog os posts que trazem a expressão populismo elétrico. E eu, obviamente, não sou da área! Nove entre dez especialistas alertavam para a bobagem. Mas sabem como é… A ignorância é sempre mais convicta do que a sabedoria porque não tem medo de errar. E Dilma já demonstrou que não tem nenhum.
Ah, claro! O PT agora diz que foi, sim, um erro represar as tarifas. Se Dilma for reeleita, não acontece mais. Ok. Não estivessem, no entanto, represadas, e tudo o mais constante, em que patamar estaria a inflação? Afinal, o governo não avançou contra o caixa da Petrobras, por exemplo, porque repudie aumentos de combustíveis, mas porque estava dando um jeito de conter o índice inflacionário.
E a coisa vai por aí. Há também quem reclame das desonerações, que teriam agredido a saúde fiscal do governo, sem que os incentivos tenham resultado em crescimento da economia. Em suma, Dilma promete não repetir mais as barbeiragens que fizeram o Brasil conjugar uma inflação que flerta com os 7%, um crescimento abaixo de 1% e juros nos cornos da Lua: 11%.
Acho que estou começando a entender. A Presidência da República, para Dilma, nos primeiros quatro anos, foi uma espécie de “Escolinha do Professor Raimundo”. Ela estava lá para aprender a governar. Um errinho bilionário aqui, outro ali… Mas, doravante, ela jura fazer tudo certo. Sempre há o risco de que alguém acredite nisso, não é mesmo?
Os petistas e a própria presidente já deixaram claro que têm também outra agenda caso conquistem mais quatro anos: a reforma política, que o partido quer que seja feita por meio de uma Constituinte Exclusiva, combinada com decisões plebiscitárias. Uma das teses mais caras ao partido é o financiamento público de campanha — o que está para ser concedido, na prática, pelo Supremo, por via cartorial.
Se e quando isso acontecer, grandes partidos, como o PT, terão a grana de que precisam para se financiar fornecida pelo próprio Estado. A legenda nem mesmo precisará fazer suas juras de amor à economia de mercado para conseguir alguns milhõezinhos para a campanha eleitoral. Estará mais livre. E, nesse caso, negociar o quê, com quem e pra quê? O financiamento público permitirá aos partidos atuar como instâncias autocráticas.
Um dos setores que estão na mira da presidente e dos petistas é o empresariado. Ela pretende reconquistá-lo. Bem, quem quiser que caia na conversa, não é mesmo? Estou enganado ou a ação estrepitosa mais recente da nossa soberana foi enviar um decreto que entrega parte da administração pública federal a “conselhos populares”?
Sim, sim… Alguns dirão que o que vai a seguir é um reducionismo, mas tomem como medida as ações dos movimentos de sem-teto ou de sem-terra, por exemplo. Ou bem se governa com a lei, ou bem se governa com os tais “movimentos sociais”. Avaliem vocês com que lado está a chance de um futuro virtuoso para o Brasil, muito especialmente para os pobres. Num caso, tem-se uma sociedade paralisada por minorias radicalizadas e corporações de ofício; do outro, a previsibilidade das regras, democraticamente pactuadas.
Atenção! As disposições subjetivas de Dilma, à boca da urna, não têm a menor importância. A questão é o que ela representa e o que quer o seu partido.
Por Reinaldo Azevedo

REJEIÇÃO DO ELEITORADO DERRETE O PT QUE AGORA LUTA PARA TENTAR LEVAR DILMA AO SEGUNDO TURNO

Repercute amplamente artigo assinado pelo secretário-geral do PSD, Saulo Queiroz, prevendo a derrota acachapante de Dilma Rousseff. Não apenas dela, mas de todo o PT. O artigo, intitulado “De mal a pior”, foi publicado no site do Estadão, porém dentro da coluna de análise política do jornalista João Bosco, baseado em Brasília.
O artigo está muito bem fundamentado, revela que o autor tem informações privilegiadas, a par de seu profundo conhecimento da política brasileira, sobretudo no que concerne às últimas décadas. Saulo Queiroz é um veterano personagem político brasileiro, segundo anota o analista João Bosco. Teve participações decisivas no processo de redemocratização que elegeu Tancredo Neves, em 1984; na Constituinte de 1988 e, mais tarde, na aliança que elegeu Fernando Henrique Cardoso. Egresso do PFL, depois DEM (Democratas), é atualmente o Secretário Geral do PSD liderado pelo ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab.
A rigor, são poucos os políticos brasileiros que detêm a bagagem de experiência e participação ativa na política acumulada por Saulo Queiroz, razão pela qual o que ele escreve e assina embaixo não são palavras ao vento. Por um lado, o escrito tenta justificar o apoio de Kassab e do PSD à “presidenta” que, seguindo o raciocínio do articulista, estaria sendo vítima de uma rejeição total, irrestrita e sem volta do eleitorado em relação ao PT, ou as duas coisas. Isso seria o efeito efeito mortal do mensalão, segundo afirma Queiroz. Seja como for, não deixa de ter sentido a análise formulada. Intui o articulista que a ficha caiu para a opinião pública quando esta conheceu, por meio do julgamento no STF, o tamanho da corrupção petista. Ao que eu aduzo: antes tarde do que nunca.
Além disso, há que se contextualizar a análise de Queiroz neste momento, lembrando a inusitada manchete da Folha de S. Paulo do último sábado que tentou desqualificar o candidato oposicionista Aécio Neves. E mais: quem acompanha a crônica política da grande imprensa brasileira constata que nenhum jornalista produziu qualquer conteúdo que possa ser comparável ao artigo de Saulo Queiroz. E tem mais: seu escrito não foi publicado na seção consagrada pelo Estadão a articulistas colaboradores, mas dentro de uma coluna de política. Transcrevo na íntegra:

De mal a pior
Por Saulo Queiroz
A última pesquisa Datafolha mostrou a extensão de uma doença que avança pelo País: a rejeição ao PT e a Dilma. Como são duas entidades diferentes, não é fácil saber qual é depositária do percentual mais forte, mas há indícios de que a rejeição ao PT é de controle mais difícil.
Outro aspecto que fica claro é sua susceptibilidade ao contágio, que aumenta com maior velocidade nos grandes conglomerados urbanos, mas avança também, mais lentamente, nas pequenas cidades e até em espaços que pareciam imunes, como o Nordeste, onde a rejeição a Dilma alcançou incríveis 23%.
Para se ter uma ideia do que isso significa vale lembrar que na eleição presidencial passada, em pesquisa Datafolha de 23.07.2010, a rejeição a Dilma em todo o País era de 19%. Nesta última pesquisa já alcança 35%, quase o dobro de igual período em 2010.
Para uma identificação mais precisa do depositário da maior taxa de rejeição, se o PT ou Dilma, é preciso uma rápida caminhada pelo País, começando pelo Sul. O PT tem candidato nos três Estados, mas apenas no Rio Grande do Sul seu candidato está em segundo lugar nas pesquisas.
No Paraná e Santa Catarina estão em terceiro. No Sudeste, o desempenho é pífio em São Paulo com Alexandre Padilha, sofrível no Rio de Janeiro, com Lindhberg Farias ,em quarto lugar, e sem expressão no Espírito Santo.
Apenas em Minas Gerais, com Fernando Pimentel, apresenta um desempenho satisfatório, mas a lógica é que ele não resistirá a máquina de moer carne que o espera, com Aécio Neves crescendo nas pesquisas para Presidente, um candidato ao governo, Pimenta da Veiga, de boa história, e um ao Senado, com a qualidade e aprovação de Antonio Anastasia, o governo do Estado e a maioria de deputados.
No Nordeste seu candidato na Bahia, maior colégio eleitoral da região está muito atrás do candidato do DEM. É segundo no Ceará e apenas no Piauí mantém folgada liderança. Nos demais Estados apoia candidatos de outras legendas, o que significa dizer que nestes quatro anos não consolidou personagens estaduais para concorrer ao cargo de governador, o que demonstra fragilidade partidária.
A pergunta que fica é: que culpa cabe à presidente Dilma por esta fragilidade do PT em seu principal reduto eleitoral que é o Nordeste. Penso que muito pouca. No Norte, afora o Acre onde pode reeleger o governador, não tem presença de destaque nos principais colégios eleitorais, visto que apoia o PMDB no Pará e Amazonas, além de fazer o mesmo em Tocantins.
No Centro Oeste tem candidato a reeleição no Distrito Federal com baixa perspectiva, em Goiás sem nenhuma e no Mato Grosso não tem candidato. Apenas em Mato Grosso do Sul tem perspectivas concretas de vitória porque seu candidato, o senador Delcídio Amaral, está bem a frente nas pesquisas e tem baixa rejeição. A questão é saber até onde ele resistirá ao processo de contaminação, visto que o Estado é vizinho de São Paulo e Paraná, onde é virulenta a rejeição ao PT – a maior em todo o País. Há que se vacinar para controlar o contágio.
Finalmente, é quase chocante que um partido que comanda o País há 12 anos, tenha favoritismo para eleger apenas três governadores, em Estados de pequena densidade eleitoral e dois senadores. Cinco em 54 disputas majoritárias. Quase nada. A pergunta, repetitiva, é se foi Dilma a responsável por uma rejeição que se estendeu por todo o Pais ou se foi o PT o principal responsável pela rejeição de Dilma. Não vale dizer que as duas se encontram.
A verdade é que estes últimos quatro anos de governo da presidente Dilma foram marcados por dificuldades na economia, não só aqui no Brasil, mas em quase todo mundo. Evidente que o governante paga uma conta que nem sempre é sua, como aconteceu nas eleições realizadas na Europa, mas é do jogo da política.
Lula presidente, a economia bombou, ele soube tirar proveito político disso e se tornou quase um ídolo no País. E ainda arrastou seu PT para o bom caminho da vitória nas eleições de 2010. Mas será que as dificuldades de Dilma, a baixa avaliação de seu governo, seria a causa principal para o desgaste do Partido em quase todos os Estados ou será que a causa é mais além?
Com certeza, mais além. No período do governo Dilma o País viveu o episódio que representou o maior massacre pelo qual já passou um partido na história política desse País: o julgamento do mensalão. Meses e meses de intensa cobertura de televisão, rádios e jornais de um julgamento onde o principal réu acabou se tornando o PT.
Engana-se quem acha que isto não teve grande importância. Teve sim e pensar o contrário é um menosprezo à opinião pública. Evidente que foi determinante para criar esse vírus da rejeição ao PT, que se espalha pelo País. A bem da verdade, nem Dilma nem seu governo têm qualquer coisa a ver com o mensalão. Ela, como muitos outros candidatos petistas, é apenas uma vítima.
Quanto à eleição presidencial deste ano o quadro caminha para um desfecho trágico para o PT e sua candidata. Quem estiver olhando para os números atuais das pesquisas e avalia que há um quadro de indefinição comete um erro básico de julgamento.
Há um status totalmente diferente entre os competidores, porque enquanto Dilma é conhecida por 99% dos eleitores, 19 e 36% desconhecem Aécio e Eduardo Campos, respectivamente. Todos os dados das pesquisas atuais mostram apenas a notória rejeição da candidata à reeleição.
Aécio e Campos são fatos para após o início do horário eleitoral. Vale que olhemos um pouco para 2010. Em 23.07, havia um empate entre Dilma e Serra, ambos com 36% de preferência. Em 15.09, com 25 dias de horário eleitoral, Dilma tinha 50% e Serra 27%.
Evidente que, agora, em meados de setembro, quando todos conhecerem melhor Aécio e Campos, os números serão diferentes e, tudo indica, um deles estará a frente de Dilma e, muito à frente, ambos, em uma simulação de segundo turno.
Não é provável, mas não impossível, que nesta data a campanha da presidente esteja com a preocupação voltada para assegurar sua presença no segundo turno. Apenas isso, porque não haverá mais nenhuma perspectiva de vitória.
DO ALUÍZIO AMORIM

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Entrevista, José Manual Cardoso de Mello - Constituinte ou desordem

É muito atual esta charge de Henfil.
Nesta imperdível entrevista feita com o professor Cardoso de Mello pelos repórteres Célia de Gouvêa Franco e Vanessa Jurgenfeld, fica claro que somente uma nova Constituinte evitará a desordem no Brasil. 
Disse o professor aos dois repórteres: "Os códigos de processo não são atualizados. O lobby dos advogados não deixa passar. Porque quanto mais demora o processo, mais eles ganham". É preciso conhecimento, autoridade e coragem para falar tão francamente. Outra frase do mestre:
"O debate atual no país é uma vergonha. De péssimo nível. O grande problema brasileiro é uma desordem político-institucional"
. Leia tudo:
É extremamente duro o diagnóstico sobre o Brasil do economista João Manuel Cardoso de Mello, que ganhou proeminência nacional ao participar, na década de 1980, da elaboração do Plano Cruzado, a primeira de uma série de tentativas de derrubar a inflação. Para ele, o país vive uma fase de desordem político-institucional e a única saída para resolver a situação é a convocação de uma Constituinte com critérios muito rígidos - ninguém que ocupa um cargo público poderia, por exemplo, ser eleito. Além disso, já se partiria do princípio de acabar com a possibilidade de releição para o Executivo. E vereadores, deputados e senadores só poderiam tentar ser reeleitos uma única vez.
Professor da presidente Dilma Rousseff quando ela iniciou sua pós-graduação em economia na Unicamp, João Manuel - ninguém o trata pelo sobrenome - não culpou, em uma rara entrevista à imprensa, o atual governo pela situação de desordem. Disse que, depois de décadas em que os principais problemas do Brasil não foram atacados seriamente, acabou se criando um clima de insatisfação, de mau humor com o Brasil que pode ser até uma ameaça à democracia, na medida em que abre espaço tanto para políticos "salvadores da pátria" quanto para os saudosistas dos tempos da ditadura. "As pessoas estão enojadas. Você conversa aqui com meus funcionários [da Facamp], desde o jardineiro até o professor, eles têm nojo", especificou.
João Manuel apresentou ao Valor, no seu escritório na Facamp, a universidade que criou há 15 anos, uma lista detalhada de indícios da desordem institucional - e de consequências dessas circunstâncias. Ele fumou dez cigarros ao longo da conversa e de um almoço, que contou também com a presença do economista Luiz Gonzaga Belluzzo, amigo desde os 10 anos e sócio de João Manuel na Facamp, hoje reconhecida como uma das melhores instituições de ensino superior privada do país.
De certa forma, sua fonte de inspiração para o lançamento da proposta da Constituinte são as palavras ditas por Ulysses Guimarães, ex-presidente da Câmara dos Deputados e da Assembleia Constituinte de 1988. Segundo João Manuel, antes de iniciar a campanha das Diretas Já, de 1984, que tentaria pressionar o governo militar a permitir a escolha dos governantes pela escolha das urnas, o "dr. Ulysses" fez uma consulta a um grupo de amigos, reunidos na casa dele. Pelo que João Manuel se lembra, apenas ele apoiou a proposta do amigo. Os outros disseram que não haveria apoio popular. "Dr. Ulysses" ouviu todas as opiniões, mas depois afirmou: "Eu não quero saber se vai dar certo ou errado. O meu dever é fazer" a campanha, que acabou mobilizando centenas de milhares de brasileiros em manifestações nas grandes cidades.
Muito discreto sobre seu relacionamento com a presidente, ele disse que "ela é minha amiga, foi minha aluna e eu gosto dela". Na sua avaliação sobre a situação da educação no Brasil, foi muito crítico sobre as universidades de forma geral e particularmente ácido sobre as instituições de ensino privadas. A seguir, os principais trechos da sua entrevista:
Valor: Viemos aqui fazer uma entrevista sobre economia...
João Manuel Cardoso de Mello: Não vou falar de economia. Não quero falar de economia propriamente dita e nem de eleição.
Valor: Vamos falar sobre a Copa?
João Manuel: Também não. Quero falar que o debate atual no país é uma vergonha. De péssimo nível. E que o grande problema brasileiro, ao contrário do que as pessoas pensam, é uma desordem político-institucional.
Valor: Em que sentido?
João Manuel: No sentido de que isso aqui é uma desordem. Uma desordem. Desordem político-institucional. Nosso sistema tem 30 partidos. A política se transformou num negócio. O partido da presidente tem 20% do Legislativo, logo a presidente é refém de partidos de aluguel. Esse é o problema. São 39 ministérios necessários para acomodar os anões, para não dizer os ladrões. Uma campanha para presidente da República custa R$ 700 milhões. Portanto, se estabelecem aqui relações espúrias e incestuosas entre os financiadores da campanha e o Executivo. E aí vem o problema do financiamento público das campanhas.
Valor: Qual outro sintoma dessa desordem?
João Manuel: O Supremo Tribunal legisla. E não pode! Sei disso porque nasci numa família de professores de direito. Meu pai, meu avô, meu bisavô. Isso é uma verdadeira barbaridade! E o Tribunal de Contas... Meu pai foi presidente do Tribunal de Contas.
Valor: De qual?
João Manuel: Do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. Meu pai [João de Deus Cardoso de Mello], quando era moço, deu trombada numa árvore e ficou míope, tinha medo de guiar. Não gostava muito de motorista e nem nós tínhamos muito dinheiro. Ele tomava o ônibus no Jardim Paulistano, descia na praça da República, atravessava o viaduto do Chá e ia até a rua do Ouvidor, onde era o Tribunal de Contas. Tudo a pé. O presidente do Tribunal de Contas não tinha carro. Mas hoje o Tribunal de Contas interrompe obra. Para quê? Pode funcionar isso? Eles interromperam várias obras do governo federal. Não estou dizendo que o governo federal funciona, que é uma maravilha. Longe disso. Mas não pode. Isso aqui está tudo errado. O próprio Ministério Público tem poderes exorbitantes. Como é que um país pode funcionar assim? Além disso, os códigos de processo não são atualizados.
Valor: Por que não?
João Manuel: Porque o lobby dos advogados não deixa passar. Porque quanto mais demora o processo, mais eles ganham. Então, o Código do Processo Civil e o do Processo Penal especialmente são absurdos, são muito velhos. A lei de execuções penais é um absurdo, certo? Então, como é que o país vai funcionar? E ainda anotei na minha lista que a Receita Federal quer estabelecer a política fiscal no Brasil. A Receita Federal tem poder... Alguém manda na Polícia Federal? Não manda nada. Então, você tem setores autônomos. Isso é o que estou chamando de desordem completa.
CLIQUE AQUI para ler toda a entrevista.
DO POLIBIOBRAGA

Nenhuma mulher reconheceu a presidencia de Dilma como uma vitória FEMININA....

Nenhuma mulher reconheceu a presidencia de Dilma como uma vitória FEMININA,porque não foi, e muito pelo contrário. Dilma se elegeu a reboque e no rastro de um homem. A presidencia desta mulher nada mais é do que o atestado abominável e inequívoco de " MULHER OBJETO"- ESCRAVA E SUBMISSA MARIONETE de um homem - LULA .
Enfim,temos na presidencia uma mulher que foi e continua sendo USADA por um homem, nA FORMA MAIS COVARDE de prostituição : a prostituição moral. Fora isto, Dilma lê discursos escritos por homens, numa prostituição mental ; professa a ideologia comunista que inferioriza e despreza a mulher; apoia ditadores que massacram a mulher e usam-na como escudos humanos, ou embrulham-lhe em BURKAS
A presidencia da Dilma, NÃO REPRESENTA nenhuma mulher BRASILEIRA que trabalha, estuda, esforça,conquista espaços,impõe respeito,tém idéias, produz opiniões próprias, vence na vida, ajuda no sustento de sua família....
DO GRAÇANOPAISDASMARAVILHAS

Aécio já é o favorito para vencer as eleições, dizem especialistas

Para o cientista político Fábio Ostermann, empate técnico veio muito antes do que ele imaginava; diretor da Nomura Securities vê Aécio crescer nos próprios tropeços de Dilma
Por Lara Rizério • Arthur Ordones  
SÃO PAULO - O cenário que se desenhou nas últimas duas pesquisas Datafolha e Sensus não apresentaram boas notícias para Dilma Rousseff. Apesar de, no primeiro turno, ela e seus adversários ainda apresentarem movimentos ainda dentro da intenção de voto, quando colocado num cenário de segundo turno a diferença entre a presidente atual e os seus principais adversários caiu drasticamente.
O Datafolha mostra bem essa dinâmica: se em fevereiro a simulação do 2º turno colocava Dilma com 54% das intenções de voto contra 27% de Aécio Neves (PSDB), na pesquisa divulgada semana passada esse placar mudou para 44% x 40% - considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, caracteriza-se como um "empate técnico". No cenário contra Campos, Dilma aparece com 45% ante 38% do governador pernambucano, enquanto o número era de 55% contra 23% em fevereiro. O quadro se repetiu no Sensus divulgado no final de semana, que apontou empate técnico entre Dilma e Aécio por 36,3% a 36,2% no segundo turno.
Fábio Ostermann, cientista político pela norte-americana Universidade de Georgetown e pela alemã International Academy for Leadership, afirmou que o empate técnico do segundo turno veio muito antes do que ele imaginava, porque o candidato do PSDB ainda é desconhecido por quase 25% do eleitorado. “A força de Aécio vem ainda sendo intensificada pela incapacidade de Eduardo Campos, o outro candidato da oposição, que segue preso na mesma taxa de intenção de voto no primeiro turno de um ano atrás", diz Ostermann, ressaltando que Campos está quase empatado com o Pastor Everaldo (PSC), levando em conta a margem de erro.
Aécio Neves já é o favorito para vencer a eleição presidencial (Fotomontagem/InfoMoney)
Aécio Neves já é o favorito para vencer a eleição presidencial (Fotomontagem/InfoMoney)
Já para o diretor executivo e chefe de pesquisas para mercados emergentes das Américas na Nomura Securities, Tony Volpon, Aécio é favorito dada a incapacidade de Dilma de dar uma sinalização aos agentes econômicos. E isso contribui para a piora dos cenários econômicos, um dos grandes motivos para a maior rejeição da atual presidente. Segundo modelo da Nomura, Dilma tem 60% de chances de perder as eleições para qualquer adversário, e no seu cenário político o tucano é o favorito. "Acho que a nova pesquisa Datafolha vai em linha com a nossa visão", afirma Volpon em entrevista ao InfoMoney.
Para Ostermann, só um fato muito catastrófico mudaria o fato que vai ter um segundo turno entre a atual presidente, Dilma Rousseff, e Aécio Neves. Em relação ao resultado final das eleições, o Aécio está caminhando para confirmar o favoritismo, mas o cenário ainda é incerto, pois a candidata do PT tem mais que o dobro do tempo de televisão. “No entanto, por conta da força das redes sociais, o impacto do tempo de televisão vai diminuir muito em relação às eleições passadas, afinal, as pessoas não procuram mais esse tipo de informação na TV sendo que já é bombardeada diariamente por esse assunto na internet todos os dias”, explicou o cientista.
Dilma tá mal? Devia estar piorPor isso, tanto para a Nomura quanto para Ostermann, a presidente deveria estar ainda pior nas pesquisas. “Ela está levando uma surra que ainda não está totalmente refletida no resultado das pesquisas, pois, se estivesse, ela já estaria perdendo do Aécio”, disse Ostermann.
Para o cientista político, também tem que ser levado em consideração o fato de que faz quatro anos que a Dilma está em campanha, enquanto o Aécio começou para valer duas semanas atrás. Para ele, como boa parte do eleitorado brasileiro não faz sinapses aprofundadas na hora de decidir o voto, mas sim faz sua escolha baseada no reconhecimento de quem já está lá, isso tenderia a prejudicar a oposição. Contudo, hoje existe uma sensação generalizada de que o governo atual não é bom, e por isso a queda de aprovação de seu governo é consistente, com desgaste mesmo dentro do seu eleitorado, afirma Ostermann.
“Essa é a maior oportunidade da oposição dada pelo PT nos últimos 12 anos. Isso vai quebrar o que é muito difícil de ser quebrado no Brasil, que é o favoritismo de quem está no poder”, concluiu o cientista.
Após a pesquisa Sensus, que mostrou uma distância mínima entre Dilma e Aécio, o diretor da Sensus, Ricardo Guedes, destacou ainda a avaliação positiva do governo Dilma Rousseff, que recuou de 34,2% em junho para 32,4% agora. Segundo Guedes, este patamar de aprovação torna muito difícil a reeleição de Dilma. Outro ponto de preocupação da candidatura Dilma é o seu elevado nível de rejeição junto aos eleitores: 42,4%.
DO INFOMONEY

sábado, 19 de julho de 2014

O legado imaginário da Copa das Copas foi embora junto com os turistas. Ficou com os brasileiros a conta da Copa da Roubalheira

Dilma, na entrevista coletiva com ministros convocada nesta segunda-feira (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Dilma Rousseff, na entrevista coletiva com ministros convocada nesta segunda-feira (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
BRANCA NUNES
“O Brasil mostrou que estava capacitado e que tinha todas as condições para assegurar infraestrutura, telecomunicações, tratamento adequado aos turistas, às seleções, aos chefes de Estado que viessem nos visitar. O país se superou e nós teríamos de ter a nota máxima”, cumprimentou-se nesta segunda-feira a presidente Dilma Rousseff, na introdução da entrevista coletiva que prometera conceder ao lado de 16 ministros. O que seria o maior evento do gênero em três anos e meio de governo foi a primeira entrevista da história em que não houve perguntas.
A sabatina que se seguiria ao monólogo de abertura foi abortada pela deserção da entrevistada, que invocou a necessidade de decolar rumo ao encontro dos Brics em Fortaleza para abandonar a zona de perigo. Se tivesse ficado por lá, dificilmente escaparia de ser confrontada com a distância que separa a Copa das Copas, que só o governo vê, da Copa da Roubalheira que a imprensa insiste em enxergar
Nesta segunda-feira, por exemplo, uma reportagem publicada pelo Estadão (leia abaixo) mostrou as reais dimensões do que Dilma chama de “legado”. Os projetos vinculados à infraestrutura eram 83 na lista divulgada em 2010. Caíram para 71 – e a maioria está longe da conclusão. Em contrapartida, os gastos saltaram de R$ 23,5 bilhões para R$ 29,2 bilhões. Até agora.
A malandragem federal incluiu a substituição de trens e monotrilhos por meros corredores de ônibus ─ sem que a despesa diminuísse. Embora o governo ainda não tenha publicado o balanço do Mundial da Fifa, um estudo da Consultoria Legislativa do Senado Federal calculou, em 2011, que a gastança não seria inferior a US$ 40 bilhões.
“Os projetos de construção do VLT de Brasília e de Manaus ficaram no papel”, constatou o Estadão. “O monotrilho de Cuiabá será entregue no segundo semestre de 2015. Em São Paulo, o Expresso Aeroporto, trem que ligaria o centro da cidade a Cumbica, foi cancelado em 2012. E o monotrilho do Morumbi ainda está em construção”. A contabilidade das realizações invisíveis nem inclui promessas delirantes como o trem-bala, que ficou fora da Matriz de Responsabilidades do Mundial.
“Nosso projeto é que esteja integralmente pronto em 2014 ou pelo menos o trecho entre Rio e São Paulo”, afirmou Dilma Rousseff em junho de 2009, época em que era ministra da Casa Civil de Lula. “Pretendemos ter os trens em funcionamento em 2014 porque esta é uma região muito importante em termos de movimentação na Copa”.
Como as obras de mobilidade urbana continuam no papel, os congestionamentos que diariamente atormentam os brasileiros  não paralisaram as cidades-sede graças à decretação de feriados ou pontos facultativos nos dias de jogos e à antecipação das férias escolares por numerosos estabelecimentos de ensino. “Em uma cidade como São Paulo”, lembrou a reportagem, “isso equivale a trocar o deslocamento de seus 10 milhões de moradores pelo de 64 mil torcedores indo para o Itaquerão e outras 30 mil ou 40 mil pessoas concentrando-se na Fan Fest e bares ao redor no centro da cidade, bem como na Vila Madalena, na zona oeste”.
Essa maquiagem também foi feita, por exemplo, nos corredores do BRT (espécie de corredor exclusivo de ônibus) Norte-Sul e Leste-Oeste de Recife e no metrô de Salvador. No primeiro, apenas quatro das 45 estações funcionaram. Nos dias de jogos, os dois meios de transporte só puderam ser utilizados por aqueles que portavam ingressos.
A boa qualidade do transporte aéreo, aprovada por 76% dos turistas estrangeiros na pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira, resultou de operações especiais organizadas pelas próprias empresas, uma vez que as obras previstas para os aeroportos não foram concluídas a tempo. Em Fortaleza, enterrou-se R$ 1,7 milhão num puxadinho construído para fingir por 90 dias que o aeroporto ficou maior.
“No aeroporto de Brasília, o piso na segunda-feira à noite pós-Copa já estava imundo”, observou o jornalista Fernando Rodrigues na Folha desta quarta-feira. “O local continua em obras. Durante o torneio houve a preocupação de lustrar o que era possível. Agora, nos guichês das companhias aéreas já há menos gente trabalhando. Padrão pós-maquiagem”. O aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, além de não ter ampliado o terminal de passageiros no prazo combinado, provavelmente terá rescindido o contrato com a construtora. Motivo: os atrasos recorrentes, que adiaram para 2016 o que já deveria estar em funcionamento.
“Único segmento que não sofreu baixas”, como ressalva a reportagem do Estadão, os estádios consumiram R$ 8 bilhões – 98% originários dos cofres públicos –, fortuna 50% maior do que a prevista em 2010. Aprovadas por 92% dos estrangeiros – também segundo o Datafolha –, as arenas Padrão Fifa começam agora a escancarar o Padrão Dilma.
Quem foi à Arena Pantanal nesta terça-feira para assistir ao jogo entre Vasco e Santa Cruz, pela série B do Brasileirão, espantou-se com o lixo e o entulho dentro e fora dos estádios, com a iluminação precária no entorno, com o policiamento quase inexistente e com a falta de informação. “O chão que antes brilhava apesar de existir mais gente, hoje está imundo, há muita poeira no local e os espaços lounges estão caindo aos pedaços”, descreveu o barman Junior Santana, que trabalhou no local durante a Copa, numa reportagem publicada pelo Estadão nesta quinta-feira. Na sala de imprensa não havia cadeiras, mesas, cabos de energia nem internet wi-fi.
Aprovada por 95% dos turistas, a hospitalidade dos brasileiros é uma das poucas coisas que permanecerão por aqui com o fim da Copa. As obras para inglês se foram na esteira dos estrangeiros que voltaram para casa. O humor nacional tenta resistir ao péssimo desempenho no campo da economia. Como o legado prometido pelo governo, já é bem menor do que foi.
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DO AUGUSTO NUNES-REV VEJA

Malafaia versus PT


Silas Malafaia decidiu partir para cima do PT em seu programa de TV que vai ao ar logo mais. O pastor vai acusar o partido de perseguição política por colocar a Receita Federal para investiga-lo.
Em quase quinze minutos de vídeo (Veja acima), Malafaia revela que desde 2013 o Fisco brasileiro abriu seguidos procedimentos para investigar a Associação Vitória em Cristo, instituição comandada pelo pastor. Mesmo com uma das investigações finalizada sem encontrar qualquer irregularidade nas contas da igreja e outros negócios, a Receita – acusa Malafaia – fazia novas investidas na Associação, muitas vezes pedindo documentos idênticos aos pedidos anteriormente.
Eis algumas frases de um Malafaia indignado com o PT:
- Quer me investigar, me investigue. Dizer que pastor é ladrão é fácil.
- Vou dar uma sugestão ao governo do PT. Por que não manda investigar o filho do Lula que era um pobre rapaz (…) e hoje é um milionário?
- A cúpula deste partido está na cadeira na maior roubalheira da história deste país
Por Lauro Jardim

Maioria das escolas públicas não tem acessibilidade nem rede de esgoto

Metade também não conta com internet, revela Censo Escolar 2013.
'É preciso que haja política de desenvolvimento social por inteiro', diz MEC.

Thiago Reis e Ana Carolina Moreno Do G1, em São Paulo
Escolas sem acessibilidade, sem rede de esgoto, sem quadra de esportes e biblioteca, sem laboratórios de ciências e informática. Essa é a realidade de mais da metade dos colégios públicos do país, segundo dados do Censo Escolar 2013, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Levantamento feito a pedido do G1 pela Fundação Lemann e pela Meritt, responsáveis pelo portal QEdu, mostra a desproporção entre as escolas públicas e privadas no que diz respeito à infraestrutura no Brasil. Na metade dos colégios públicos, por exemplo, não há acesso à internet. Já na rede particular, o número de escolas com computadores conectados chega a quase 90% (veja na página especial a comparação por cidade).
Os dados mostram que só 36% das escolas públicas têm esgoto encanado hoje – mais da metade delas contam apenas com uma fossa –, e 7% das instituições mantidas pelos governos não têm nenhum tipo de estrutura para lidar com os resíduos sólidos. Trata-se de uma enorme diferença em relação às particulares. Na rede privada, só 17% das escolas não contam com o serviço de esgoto encanado.
Para a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Maria Beatriz Luce, os números do Censo expõem vários desafios no setor. “Os dados revelam claramente o contexto histórico-social do direito à educação e das responsabilidades e instrumentos da ação pública no setor. Mas eles não dizem respeito somente à educação, eles revelam as estruturas das desigualdades sociais no nosso país. Se há escolas que não têm esgoto nem internet, é provável que as residências no seu entorno também não tenham. Então é preciso tratar de uma política de desenvolvimento social por inteiro”, afirma.
Ernesto Martins Faria, coordenador de projetos da Fundação Lemann, diz que é preciso levar em conta que o contexto em que as redes privada e pública estão inseridas é completamente diferente. “A escola pública precisa atender crianças e jovens independentemente da região em que moram e das condições de sua localização, enquanto a escola privada existe quando há um interesse de um ofertante que vê uma demanda disposta a investir uma quantia financeira no ensino de seus filhos. Não por acaso são poucas as escolas privadas na rede rural”, diz.
A partir dos estudos na biblioteca, alunos do Ensino Médio decidiram formar um grupo de teatro (Foto: Igor Savenhado/G1)Vista Alegre do Alto (SP) é exceção no país: todas
as escolas públicas têm acessibilidade, esgoto
encanado, quadra, biblioteca e internet (Foto:
Igor Savenhado/G1)
Para ele, não é a defasagem em comparação com a rede privada que mostra a necessidade de a infraestrutura do ensino público melhorar. “A infraestrutura da rede pública precisa melhorar, pois boas condições para a aprendizagem são direitos dos alunos.”
Deficiências
Uma análise feita pelo G1 nos principais quesitos mostra, entretanto, que as deficiências não têm sido supridas ao longo dos anos. De 2010 a 2013, o percentual de escolas públicas com bibliotecas foi de 27% para 29%. Já a porcentagem de colégios com rede de esgoto subiu de 33% para 36% apenas.
Para Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, há hoje dois desafios latentes: a aquisição de insumos infraestruturais e a manutenção deles. “No caso das escolas públicas, depende do orçamento público. Muitos estados e municípios não têm orçamento suficiente. Então é preciso apoio da União. Aliás, é isso o que diz a Constituição Federal e não é cumprido. Além disso, a União não pode se notabilizar por adquirir equipamentos e depois não colaborar com a manutenção dos mesmos. Não falo apenas deste governo, falo deste e de todos os anteriores”, diz.
Os dados revelam claramente o contexto histórico-social do direito à educação e das responsabilidades e instrumentos da ação pública no setor. Mas eles não dizem respeito somente à educação, eles revelam as estruturas das desigualdades sociais no nosso país"
Maria Beatriz Luce, secretária de Educação Básica do Ministério da Educação
Existem hoje no país 38.835 escolas privadas e 151.871 escolas públicas, totalizando 190.706 instituições de ensino básico.
Discrepâncias
O percentual de escolas com biblioteca nas duas redes de ensino é um exemplo da discrepante oferta de serviços. Só 29% das públicas contam com o espaço. Já na rede privada, 59% das instituições possuem um espaço com acervo de livros para consulta.
Maria Beatriz diz que o problema nas instituições públicas é a falta de uma sala específica para tal fim. “Livros chegam a todas as escolas. O que às vezes não há é um espaço próprio. Algumas escolas rurais contam com apenas um ambiente, então não há nem espaço físico para uma biblioteca. O que a gente tem tentado fazer é colocar uma biblioteca dentro das salas de aula, para o aluno poder pegar o livro a qualquer hora. Há outros projetos interessantes, de bibliotecas ambulantes, por exemplo.”
Em relação à acessibilidade, tanto as escolas públicas quanto as privadas ficam devendo. Apenas 19% das públicas e 31% das privadas oferecem aos deficientes acesso adequado às suas dependências.
A maior parte das variáveis diz se a escola tem ou não tem alguma coisa, mas não diz nada sobre a qualidade. Assim, pode ser ainda que essas escolas que possuem maior disponibilidade de recursos também possuam infraestrutura de melhor qualidade, o que aumenta ainda mais a desigualdade nas condições de ensino"
Renan Pieri, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas
A secretária de Educação Básica ressalta que, apesar do índice baixo, houve um aumento de 61% em três anos no número de escolas acessíveis. “É algo fantástico, porque mostra uma conscientização da sociedade, que há uma política de inclusão escolar, levando às escolas crianças que antigamente eram isoladas do convívio com outras.”
Em relação à internet nas escolas públicas, Maria Beatriz diz que a meta é que todas contem com o serviço, mas que há barreiras a transpor antes disso. “Às vezes não há nem eletricidade, que é o caso de muitas escolas rurais. Então o Ministério da Educação está trabalhando em um projeto com o Ministério de Minas e Energia para dar prioridade de acesso de energia, à medida em que as redes vão avançando pelo campo, às escolas”, diz, citando que em alguns colégios na Amazônia há iniciativas de acesso à web por meio de placas solares.
Quantidade x qualidade
Segundo o pesquisador Renan Pieri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), as escolas só precisam preencher no formulário do Censo se possuem ou não um equipamento e, por isso, os dados não revelam em que estado se encontram essas infraestruturas. “A maior parte das variáveis diz se a escola tem ou não tem alguma coisa, mas não diz nada sobre a qualidade. Assim, pode ser ainda que essas escolas que possuem maior disponibilidade de recursos também possuam infraestrutura de melhor qualidade, o que aumenta ainda mais a desigualdade nas condições de ensino”, afirma.
Sala de computação da escola estadual conta com 25 computadores, todos com acesso à internet (Foto: Igor Savenhago/G1)Metade das instituições de ensino básico tem
acesso à internet; nas privadas, índice chega
quase a 90% (Foto: Igor Savenhago/G1)
Dentro do próprio universo da rede pública, é possível perceber diferenças significativas tanto na oferta como na qualidade. Só 2% das escolas municipais têm um laboratório de ciências, por exemplo, contra 29% das estaduais e 72% das federais.
“Essa diferença também se manifesta geograficamente, sendo que as escolas rurais possuem disponibilidade de infraestrutura muito inferior às urbanas. Tal relação se explica pelo fato de parte significativa das escolas rurais serem municipais. A disponibilidade de infraestrutura em uma escola estadual está bem mais próxima da privada do que a municipal”, diz Pieri.
Segundo Ernesto Faria, da Fundação Lemann, os dados de infraestrutura escolar ilustram “dois Brasis”: o Brasil urbano e o Brasil rural. “O rural está em condições muito piores, e é preciso olhar mais para ele. Muitas comunidades rurais estão em áreas de infraestrutura precária, e os dados de rede de esgoto e acesso à internet são reflexo dos problemas locais”, diz o economista.
Maria Beatriz concorda que é preciso refletir sobre os dados levando em consideração a localização e as mantenedoras dos colégios. Segundo ela, uma leitura por outro viés mostra ainda que a educação infantil, com creches em estado crítico, é a que precisa de mais infraestrutura.
Os dados de infraestrutura escolar ilustram 'dois Brasis': o Brasil urbano e o Brasil rural. O rural está em condições muito piores, e é preciso olhar mais para ele"
Ernesto Martins Faria, coordenador de projetos da Fundação Lemann
“O que a gente tem feito para auxiliar os municípios é dar a eles um projeto arquitetônico básico de uma escola, com todas as especificações, com uma quadra de esportes ou espaço para recreação, salas adequadas. A prefeitura tem que entrar apenas com a área já terraplanada. Até empresas já qualificadas a gente tem para atender as demandas das localidades, que têm dificuldade de fazer um processo de licitação”, afirma a secretária do MEC. Segundo ela, há hoje 6,7 mil escolas de educação infantil em construção.
De acordo com os números do Censo, as escolas públicas (inclusive as rurais) só superam as particulares em um item: alimentação. Segundo os dados, 100% das escolas municipais, estaduais e federais fornecem uma refeição aos estudantes (ante 29% das privadas). Isso acontece, no entanto, porque a merenda escolar na rede pública é obrigatória por lei.
Índice de infraestrutura
O pesquisador Renan Pieri defende a criação de um índice de infraestrutura escolar, além de um para analisar a formação dos professores. “A ideia é sintetizar todas essas informações do Censo (só no caso do indicador de infraestrutura são mais de 25 variáveis) em indicadores simples que qualifiquem a divulgação dos índices de qualidade da educação. Assim, quando saírem a ANA [Avaliação Nacional de Alfabetização] ou o Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] será possível entender quais fatores explicam algumas escolas terem melhor desempenho que outras e separar o que é devido a diferenças de infraestrutura ou qualificação dos docentes e o que é devido às boas práticas e ideias inovadoras que os gestores têm adotado”, diz.
Alunos da escola municipal têm ouvem histórias uma vez por semana, diz pedagoga (Foto: Igor Savenhado/G1)Percentual de bibliotecas nas duas redes de
ensino é discrepante (Foto: Igor Savenhado/G1)
O Censo Escolar é realizado todos os anos e coleta, além de dados sobre a infraestrutura dos estabelecimentos, números de matrículas e estatísticas de abandono e de rendimento escolar. Neste ano, o Inep iniciou a coleta no último dia 28. Ela deve ser feita até o dia 15 de agosto.
Segundo o instituto, as informações são utilizadas para traçar um panorama nacional da educação básica e servem de referência para a formulação de políticas públicas e execução de programas na área da educação, incluindo os de transferência de recursos públicos.
“É necessária uma política de cooperação federativa para combater as desigualdades, aprimorar as condições e induzir um padrão nacional de qualidade nas escolas, não importando se ela é privada, municipal, estadual ou federal”, afirma Maria Beatriz Luce. “O quadro não é satisfatório. Há uma insuficiência da estrutura, que evidencia o baixo valor secular dado à educação. Mas o MEC tem trabalho cada vez mais, investindo também na gestão da educação, com a qualificação de diretores e a formação de professores”, conclui.

Fora dos trilhos

Cadê o porto?
Porto: só na maquete
Em dezembro de 2010, o balanço dos quatro anos do PAC garantiu que o primeiro trecho da Ferrovia que liga Ilhéus (BA) a Caetité (BA), com 537 km de extensão, seria concluído em 30 de dezembro de 2012. O segundo trecho, entre Caetité e Barreiras (BA), com 485 km de extensão, ficaria pronto em 30 de dezembro de 2013.
Pois bem, no 10º Balanço do PAC, divulgado pelo governo no mês passado, promete agora que o primeiro trecho será entregue em 31 de dezembro de 2015 – três anos de atraso. E o outro trecho em 30 de abril de 2016 – ou seja, com 28 meses de atraso. Até agora, nenhum trilho foi instalado.
O que Lula disse em 2010, no balanço dos quatro anos do PAC, comprovou-se verdadeiro.
- Não acredito que outro país, que não a China, esteja fazendo o que nós estamos fazendo em ferrovias.
Verdadeiro, embora com sentido contrário ao que ele disse.
Já seria um caso exemplar do padrão lesma que impera nas obras de infraestrutura. Mas tem mais.
Se a ferrovia ficar pronta mesmo em 2016, não poderá funcionar. Por que? O Porto Sul da Bahia, que será construído em Ilhéus, nem saiu do papel.
Em resumo, a tal ferrovia, que tem um custo de 4,24 bilhões de reais, só poderá transportar nada a lugar algum.
Por Lauro Jardim

ELEIÇÕES 2014: Datafolha mostra Aécio massacrando Dilma no 2º turno em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. Se a isso somarmos uma provável virada em Minas e outros fatores, o quadro sorri para o tucano

(Fotos: Lia de Paula/Agência Senado :: Ueslei Marcelino/Reuters)
Se Aécio derrotar Dilma por larga margem nos dois principais colégios eleitorais do país, estará quase eliminando o total da diferença da presidente para Serra em 2010 (Fotos: Lia de Paula/Agência Senado :: Ueslei Marcelino/Reuters)
O presidenciável Aécio Neves (PSDB) tem como um dos principais desafios colocados à mesa alcançar uma grande vitória em São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil — quase 32 milhões de eleitores, perto de 23% de todo o eleitorado brasileiro –, e a recente pesquisa Datafolha mostra que ele está chegando lá.
Se o segundo turno da eleição fosse hoje, informa o mais confiável instituto de pesquisa de intenções de voto do país, Aécio teria 50% dos votos válidos do maior Estado brasileiro, e a presidente Dilma apenas 31%.
Se projetarmos para a eleição de 5 de outubro o mesmo (e alto) índice de abstenção verificado no segundo turno da eleição de 2010 — 19,5% –, e supormos que haverá, de novo, 2,3% de votos em branco e 4,4% nulos, Aécio teria em números redondos 12 milhões de votos contra 7,4 milhões da presidente.
A diferença entre os dois seria de 4,6 milhões de votos em favor de Aécio.
José Serra venceu Dilma em 2010 em seu próprio Estado natal por apenas 1,8 milhão de votos.
É preciso considerar, também, que a campanha eleitoral mal começou, e mal começou o processo de transferência de votos do governador tucano Geraldo Alckmin para Aécio — Alckmin tem massacrante vantagem sobre todos os adversários no Estado, com 57% das intenções de voto e reeleição garantida no primeiro turno, se o pleito fosse hoje.
Com a campanha eleitoral engatinhando, ainda não é possível medir os efeitos da peregrinação intensa que fará, em boa parte dos 645 municípios paulistas, o candidato a vice de Aécio, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), o senador mais votado da história, com mais de 11 milhões de votos alcançados em 2010. O senador permanecerá percorrendo o Estado durante quase toda a campanha, devendo acompanhar Aécio apenas em viagens pontuais a outros Estados.
Caso esse cenário se confirme, Aécio só com São Paulo diminuirá consideravelmente a diferença de 12 milhões de votos que Dilma livrou sobre Serra no país em 2010.
Se a São Paulo somarmos Minas Gerais, segundo colégio eleitoral do país, com 15,3 milhões de eleitores, o quadro sorri para o candidato tucano.
Dilma derrotou Serra em Minas por 1,8 milhão de votos, e no Estado que governou duas vezes, deixando o poder com 77% de popularidade, as previsões são de que Aécio inverterá dramaticamente a situação. O candidato tucano a governador, o ex-ministro Pimenta da Veiga, estima que Aécio possa sair de do Estado com uma vantagem de 3,5 milhões de votos sobre a presidente — o que significaria, eliminada a vantagem da eleição anterior com os votos conquistados nesta, 5,3 milhões de votos menos naqueles 12 milhões de Dilma em 2010.
Só em São Paulo e em Minas, segundo essa estimativa, os 12 milhões terão caído para 1,8 milhão. E aí temos os Estados que votaram firmes em candidatos tucanos em eleições presidenciais anteriores — Goiás, os dois Mato Grossos, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo…
Aécio, além do mais, dispõe de palanques muito mais fortes do que os de Serra em Estados onde os tucanos foram triturados em 2010, como Bahia, Ceará, Amazonas e Maranhão. Em Pernambuco, onde Dilma explodiu e derrotou Serra por 2,3 milhões de votos, agora haverá um candidato da terra disputando o eleitorado. E por aí vai.
Completando o quadro, o percentual de eleitores que de forma alguma votarão em Dilma, segundo o Datafolha, é de 37% — ao passo que esse percentual negativo, para Aécio, é de 17%.
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DO R.SETTI