sábado, 3 de fevereiro de 2018

Preso em Portugal, investigado pela Lava-Jato deve ser mandado a Curitiba

Raul Schmidt é acusado de intermediar propina para três diretores da Petrobras


SÃO PAULO - Investigado pela Lava-Jato desde março de 2016, o operador financeiro Raul Schmidt foi preso na cidade de Sabugal, em Portugal. Ele era considerado foragido desde que a Justiça portuguesa concluiu, no início da semana, que ele pode ser extraditado, embora tenha cidadania portuguesa. Como há um mandado de prisão preventiva expedido pelo juiz Sergio Moro em seu nome, Schmidt deve ser levado para a Polícia Federal de Curitiba, no Paraná. A data da extradição não foi informada.
O operador foi o alvo da 25ª fase da Operação Lava-Jato, que recebeu o nome de "Polimento". Schmidt é acusado de intermediar negócios de empresas estrangeiras com a área internacional da Petrobras por meio do pagamento de propina a pelo menos três ex-diretores da Petrobras — Jorge Zelada, Nestor Cerveró e Renato Duque, todos já condenados por corrupção e lavagem de dinheiro.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Schmidt também aparece como preposto de empresas estrangeiras que assinaram contratos de exploração de plataformas da Petrobras em que foram dectadas irregularidades.
A PF do Paraná informou que a prisão do operador aconteceu por volta das 12h30 deste sábado (horário de Brasília) em uma cidade que fica a cerca de 300 quilômetros de Lisboa.
"As autoridades brasileiras agora aguardam as próximas providências e a possível extradição para o Brasil com destino a Curitiba, local onde responde a ação penal perante à 13ª Vara Federal", afirma nota da polícia.
Schmidt chegou a ser preso em Portugal em 21 de março de 2016. Devido à sua cidadania portuguesa, ele foi autorizado a aguardar, em liberdade, a Justiça decidir se ele podia ser extradidato para o Brasil. O recurso definitivo foi julgado na última semana, segundo informou, na segunda-feira, o MPF.
Desde então, porém, as autoridades policiais portuguesas não conseguiam encontrar Schmidt. A busca acabou neste sábado, após trabalho integrado das polícias e do setor de inteligências do Brasil e de Portugal.
O GLOBO não localizou a defesa do investigado. À imprensa portuguesa, o advogado Pedro Delille tem defendido que Schmidt não pode ser extraditado porque tem status de "cidadão nato" de Portugal. Ainda segundo o advogado, o operador nunca descumpriu medidas da Justiça portuguesa.

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