Thomas Traumann é o ex-porta-voz da Presidência que, no começo deste ano eleitoral, substituiu Helena Chagas na Secom. A avaliação era que Traumann “tem perfil mais agressivo e mais afinado com o ex-ministro Franklin Martins”, que coordena a área de comunicação da campanha de Dilma Rousseff e é conselheiro do Instituto Lula.
Só fico imaginando a doçura e a delicadeza com que um petista de perfil agressivo, afinado com o homem que luta pelo “controle social da mídia”, manifesta a um “companhêru” como o coordenador da campanha passada de Dilma, Marcelo Parada, o seu “desconforto” em relação a uma apresentadora que critica o partido de ambos na emissora cujo jornalismo este dirige. Longe de mim crer que a mãe de Sheherazade foi homenageada…
- Mas é claro, companheiro Traumann, estou certo de que ela entenderá…
- Puxa vida, companheiro Parada, não sei como agradecer-lhe. O companheiro Lula vai ficar satisfeitíssimo de ver mais embasamento por parte dela ao zapear para o SBT.
- Minhas saudações ao presidente, digo, ex-presidente. Até a próxima.
- Até.
Deu para entender por que Helena sofria pressões (dos amigos) do PT? Ok.
Helena, na verdade, entregou sua carta de demissão no dia 30 de janeiro, surpreendida com o vazamento da notícia de que seria substituída. Pouco mais de uma semana depois, em 7 de fevereiro, seu pai, Carlos Chagas, foi um dos três comentaristas demitidos do SBT.
Isso mesmo: coincidências da ditadura petista.
Em 2011, quando o ministro das Comunicações Paulo Bernardo falou que nenhuma proposta que ameaçasse a liberdade de expressão seria apoiada pelo governo Dilma e “o projeto de Franklin Martins está enterrado”, ele também foi atacado por dirigentes petistas – como o negador das Farc no Foro de São Paulo, Valter Pomar – que o acusaram de ter mais afinidade com as grandes redes de TV do que com o partido.
Martins, para se ter uma ideia, deixou de falar com Bernardo por causa disso.
“Ação entre amigos” é assim: fica só entre “amigos”.
Com a liberação do dinheiro dos brasileiros – inclusive dos que não votaram no PT – para os “blogs sujos” e as ameaças de corte do dinheiro das estatais para emissoras como o SBT, sem contar a infiltração de militantes em todas as grandes redações, o controle petista da mídia já vai funcionando como pode, embora os líderes do partido queiram sempre mais um bocado.
Rachel Sheherazade foi calada por pressão de Traumann, o companheiro de Martins – o conselheiro de Lula. Se fosse uma esquerdista, o mundo midiático teria caído em cima do governo supostamente reacionário, com manchetes em letras garrafais no alto das primeiras páginas. Como é uma reacionária, na definição rodrigueana de quem reage contra tudo que não presta, as mídias anestesiadas, infiltradas e patrocinadas pelos agentes do Foro de São Paulo preferem dar destaque às censuras de 50 anos atrás.
Só idiotas úteis ainda não entenderam que o controle da opinião pública exercido no tempo dos militares através de medida administrativas oficiais e explícitas se transformou nos tempos de ditadura petista naquele “poder onipresente e invisível” preconizado por Antonio Gramsci.
E só os militantes (ou ameaçados) para se recusar a ver censura quando ela mesma se escancara.
- Até a próxima.
Felipe Moura Brasil - http://www.veja.com/felipemourabrasil
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