segunda-feira, 4 de abril de 2011

O ogro e a fada


Margarida Pressburger, 67 anos, era presidente da Comissão de Direitos Humanos da AOB do Rio quando foi indicada pelo então ministro Paulo Vannuchi para preencher uma vaga no Subcomitê de Prevenção da Tortura (SPT), da Organização das Nações Unidas (ONU). E lá está ela. O Estado deste domingo trouxe uma entrevista com a advogada, que fala sobre suas atividades no órgão etc e tal, cobrindo de elogios, como não poderia deixar de ser, tanto Lula como Dilma, embora, para os direitos humanos, Margarida considere que ela é melhor do que ele. A íntegra da entrevista está aqui para quem se interessar. Destaco algumas respostas de Margarida à repórter Luciana Nunes Leal e comento.
Estadão - Em relação aos direitos humanos, em que patamar o Brasil está?
Margarida -
De um a dez? Um. Somos um país homofóbico, racista. Enquanto você não tiver a mentalidade de colocar nas escolas aulas de não-discriminação… Direitos humanos têm de ser ensinados no jardim de infância. Ainda temos um chão muito grande para andar.
Numa escala de um a dez, é possível que não se possa dar “um” aos direitos humanos nem mesmo à Coréia de Norte! O país que reconhece um negro como seu escritor maior; que oficializa, mesmo ao arrepio da Constituição, a política de cotas raciais; que tem uma lei que faz do racismo crime imprescritível e inafiançável; que tem um ministério para promover a igualdade; que aprovou, não faz tempo, o Estatuto da Igualdade Racial; em que metade da população é miscigenada (embora se tente esconder a mistura ), esse país merece de dona Margarida a pecha de “racista”. Mas não é um racismo qualquer, não! Numa escala de “zero” (o pior) a “dez”, ela dá apenas “um”! Nem Mandela diria isso da África do Sul do apartheid!
Segundo a mulher, também é um país “homofóbico”. Personagens e casos homossexuais povoam os folhetins mais populares da TV; um gay assumido venceu uma das edições do Big Brother; recentemente, um outro quase chega lá, vencido, na reta final, pelo combate a um outro preconceito: o da “burra bonita e gostosa”; paradas gays integram o calendário turístico das grandes cidades e contam, ATENÇÃO!, com dinheiro público e patrocínio de grandes empresas públicas e privadas… Não interessa! Além de racistas, somos também homofóbicos. Na escala da tolerância, estamos no mais baixo patamar. É possível que não se possa dizer o mesmo nem no Irã de Ahmadinejad, onde, oficialmente ao menos, gays não existem!
Não pensem que esses movimentos de “reparação” se darão, algum dia, por satisfeitos! Sua prática consiste em reivindicar sempre mais quanto mais lhes é concedido: o comer lhes assanha a fome, o beber lhes assanha a sede. Sua tática consiste em manter na defensiva aqueles que considera “adversários” de seus propósitos, e isso só pode ser feito gritando “Fogo, fogo na floresta”, como fazia o coelho amigo do Bambi para salvar a bicharada do incêndio. A diferença é que, na historinha, o incêndio era real. No Brasil, só não se pode dizer que todos são iguais perante a lei porque isso já não é mais verdade. As leis vêm desigualando os brasileiros em nome das políticas de reparação.
Não fica muito difícil saber com quais critérios opera Dona Margarida. Uma outra resposta esclarece tudo;
Estadão - A sra. acha que o ex-presidente foi muito permissivo em relação a direitos humanos?
Margarida -
Não tenho a menor dúvida de que o presidente jogou o Brasil no panorama mundial. É a personalidade dele. Ele achava que estava trabalhando em cima de direitos humanos. Teve um grande ministro, Paulo Vannuchi, que só não fez mais porque tolheram. O Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) é uma obra-prima, pela forma como foi originalmente redigido. Vannuchi sofreu pressão de todos os lados, da Igreja à bancada retrógrada do Congresso. Teve de alterar a questão do aborto, voltar um pouco atrás na Comissão da Verdade. Acho que agora a Dilma vai recuperar esse tempo.
O Programa Nacional-Socialista de Direitos Humanos, a que ela se refere, é aquele que, na prática, instituía a censura no país em nome dos… direitos humanos! O que ela chama de “obra-prima” — sempre lembrando que a mulher é advogada —  criava obstáculos para a concessão de liminares de reintegração de posse e tornava o invasor uma parte tão legítima da negociação quando aquele que tivesse a terra invadida. De uma vez só, extinguia a propriedade privada e fazia uma mini-reforma no Judiciário! Obra-prima!!! Numa verdadeira revolução conceitual, transformava o aborto num “direito humano” e flertava com a perseguição religiosa. Obra-prima!!!
Muita gente que considera Jair Bolsonaro o ogro dos direitos humanos não teria dúvida em ver em Margarida uma verdadeira fada de suas utopias.
Por Reinaldo Azevedo

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