segunda-feira, 22 de maio de 2017

Em privado, Temer ataca o amigo de ‘boa índole’


Os comentários que Michel Temer faz em privado sobre o deputado Ricardo Rocha Loures (PMDB-PR) são bem diferentes da avaliação que ele faz do amigo publicamente. Em conversa com ministros e aliados, na noite de domingo, Temer chamou de “idiota” e “imbecil” o preposto que indicara ao delator Joesley Batista, no diálogo gravado em 7 de março. Em entrevista à Folha, o mesmo Loures foi definido por Temer como homem de “boa índole, de muito boa índole.”
Depois do encontro de Temer com Joesley, sócio da JBS, Rocha Loures foi pilhado em gravações e filmagens acertando uma venda de favores e recebendo mala contendo propina de R$ 500 mil (no vídeo acima, ele sai correndo de uma pizzaria, em São Paulo, carregando a mala). Temer ataca o personagem a portas fechadas para tentar demonstar aos aliados que não tem nada a ver com o dinheiro da mala. Afaga-o em público para não irritar um potencial delator.
Suplente de deputado, Rocha Loures assessorava Temer no Planalto. Foi guindado à Câmara depois que o presidente nomeou o titular do mandato, Osmar Serraglio (PMDB-PR), para o posto de ministro da Justiça. Só não foi preso pela Polícia Federal na semana passada graças ao escudo do foro privilegiado. Convertido em protagonista do novo escândalo, pode aprofundar o pesadelo de Temer com uma simples articulação do gogó.
Amigos em comum informam a auxiliares de Temer que Rocha Loures está, do ponto de vista psicológico, em frangalhos. Afastado do exercício do mandato pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, o preposto que o presidente credenciou junto ao “fanfarrão” Joesley terá de prestar esclarecimentos à Polícia Federal e à Procuradoria. O Planalto trabalha com a hipótese de que o depoente distanciará a mala de dinheiro de Temer. A ver. DO J.DESOUZA

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