quinta-feira, 31 de março de 2016

Exclusivo: Gerente da Petrobras conta a VEJA que mandou avisar Dilma da compra superfaturada de Pasadena

De 2003 a 2005, Otávio Pessoa Cintra ocupou o cargo de gerente da Petrobras América, no Texas, EUA.
Ali, ele teve contato com o escândalo que está na origem de tudo e garante que avisou seus superiores na ocasião.
"Tomei conhecimento em 2014 que Dilma sabia de tudo"

Por Hugo Marques
Otávio Cintra da Petrobras
(Marcelo Tabach/VEJA)
Sua identidade nunca foi revelada, mas ele está no melhor lado da Lava Jato. Como informante, ele ajudou a Polícia Federal a dar os primeiros passos para desvendar o esquema de corrupção na Petrobras. Seu nome é Otávio Pessoa Cintra. Ele é engenheiro, tem 55 anos é funcionário da estatal há 30 anos.
De 2003 a 2005, Cintra ocupou o cargo de gerente da Petrobras América, braço da estatal no exterior, com sede em Houston , no Texas, Estados Unidos. Ali, ele teve contato com o escândalo que está na origem de tudo: a compra, altamente superfaturada, da refinaria de Pasadena, também em Houston.
Em entrevista a VEJA, Cintra garante: "Pasadena era um projeto secreto". A história de Cintra mostra como um funcionário da estatal teve acesso a informações comprometedoras e tentou, sem sucesso, alertar seus superiores para o que estava acontecendo. Ele conta que mandou recado para então ministra Dilma Rousseff na época. E soube, há dois anos, que seu recado chegou à destinatária. "Tomei conhecimento em 2014 que Dilma sabia de tudo."

O engenheiro conta que, no segundo semestre de 2005, já exasperado com as tentativas frustradas de denunciar a roubalheira na Petrobras, procurou o deputado Jorge Bittar, do PT do Rio de Janeiro, então influente na ala ética do partido. Na época, a Petrobras estava sob a presidência de José Sérgio Gabrielli.
Cintra contou ao deputado o que sabia, deu detalhes do rombo de Pasadena e pediu que o assunto fosse levado a Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Em 2014, encontrou Paulo César de Araújo, o assessor que intermediara seu encontro com Bittar, e quis saber o destino de sua denúncia de nove anos atrás. A resposta que ouviu: "O Bittar levou o assunto ao Gabrielli e ao Gabinete Civil da Presidência da República". Depois desse diálogo, Cintra ficou certo de que Dilma foi informada do que se passava na Petrobras mas não tomou atitude alguma.

Otávio Cintra começou a auxiliar a Polícia Federal em 28 de abril de 2014. Prestou um depoimento formal no qual detalhou o que sabia sobre Pesadena, sobre operações ilegais envolvendo a compra de blocos de exploração de petróleo em Angola e casos de superfaturamento, além de citar nomes de funcionários que, mais tarde, se tornariam estrelas do escândalo, como o ex-diretor Nestor Cerveró, e o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano.
Suas revelações foram registradas num documento de 17 páginas, anexado ao processo da Lava-Jato. A identidade do informante, no entanto, ficou sob segredo até agora.

Depois de prestar seu depoimento sigiloso à Polícia Federal, Cintra ainda tentou levar o assunto adiante. Procurou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que encaminhou o engenheiro ao deputado Antônio Imbassahy, então membro da CPI da Petrobras. Imbassahy tentou convocar Cintra para depor formalmente na CPI, ocasião em que poderia denunciar publicamente tudo o que sabia. O requerimento de sua convocação nunca foi votado. A seguir, os principais trechos de sua entrevista a VEJA:
"PROJETO SECRETO"
Como o senhor ficou sabendo da compra de Pasadena pela Petrobras?
- Eu era commercial manager da Petrobras América. Estava em 2005 nos Estados Unidos e vi essa movimentação das pessoas fazendo viagens pelos EUA, passavam pela Petrobras America. E nós, o comercial da companhia, não éramos ouvidos sobre o negócio. Tínhamos que ser ouvidos. E por que isso não acontecia? Porque Pasadena era um "projeto secreto" . Por isso não envolvia a gente. Vi que estavam comprando Pasadena quase clandestinamente.

Na época, como gerente, o senhor não fez nada para impedir o golpe?
Ainda em 2005, fui ao presidente da Petrobras America, o Renato Bertani, meu chefe. Disse a ele que não fazia sentido comprar Pasadena, ainda mais por aquele preço absurdo. A Petrobras tinha acabado de recusar a compra de toda a refinaria de Pasadena por 30 milhões de dólares e, naquela, eles estavam comprando a metade da mesma refinaria por 360 milhões de dólares, sem consultar ninguém. Era óbvio que havia algo por trás daquilo.

O problema estava no preço e no modo com que a operação estava sendo feita?
A compra de Pasadena tinha que necessariamente passar pela Petrobras América. Eu era o gerente comercial da Petrobras América e estava presenciando a movimentação para a compra de uma refinaria que antes não estava nos planos estratégicos da empresa. Cabia a nós o contato sobre as oportunidades para a empresa. Em duas outras oportunidades anteriores, nós fomos consultados. Pasadena era uma empresa familiar, as margens eram baixas, não tinha crédito no mercado. Ela não podia comprar petróleo. Imagina uma padaria que não podia comprar farinha de trigo, que não podia fazer pão. E essa era apenas uma das muitas operações estranhas que ainda estavam por vir.

"A DILMA E O GABRIELLI SABIAM"

O senhor alertou seus superiores sobre as irregularidades na compra de Pasadena?
No segundo semestre de 2005, tive um encontro com o deputado Jorge Bittar. Eu falei: "Deputado, tem irregularidade na compra de Pasadena. Meia dúzia de suspeitos estão envolvidos nessa negociação". Quem intermediou o encontro no gabinete do deputado, no Edifício Di Paoli, no Rio, foi meu amigo, o Paulo César Araújo, que trabalhava com o Bittar. O Bittar, então, levou o assunto à ministra da Casa Civil da Presidência da República e ao presidente a Petrobras, Sérgio Gabrielli.

Como é que o senhor sabe que a então ministra Dilma foi alertada?
O Paulo César, assessor do Bittar, me confirmou. Quando estourou a Operação Lava-Jato, tivemos outro encontro, em 2014, no mesmo Edifício Di Paoli. O Paulo falou: "O pior é que sua denúncia foi levada à Casa Civil e ao Gabrielli". A Dilma e o Gabrielli sabiam. O Bittar foi à Casa Civil e ao Gabrielli. Eu só tomei conhecimento agora em 2014 que a Dilma sabia de tudo.

"PETROBRASSSS..."
O senhor fez alguma outra incursão na tentativa de denunciar o que estava acontecendo na empresa?
Depois que o presidente Lula já tinha terminado o mandato, me encontrei com ele no Chile, onde também fui gerente. Em uma cerimônia, salvo engano em 2013, um representante do Itamaraty me colocou sentado ao lado dele, e me apresentou como funcionário da Petrobras. Pensei em aproveitar a oportunidade e falar com o ex-presidente, mas não foi possível. O ex-presidente tinha bebido um pouco de uísque , me olhou, deu um tapa forte no meu peito e disse, sorrindo: "Petrobraaasssss". Aí todo mundo riu, mas não teve jeito de conversar com ele, não tinha clima.

Foi sua última tentativa de trazer o assunto a público?
Apresentei os problemas da Petrobras para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, numa reunião, em 2014, já depois do escândalo da Lava-Jato. Ele pediu que eu conversasse com o deputado Antonio Imbassahy. Fiz isso. O deputado apresentou requerimento me convocando em 2015 para prestar depoimento na CPI, mas o requerimento sequer foi analisado.

"COMEÇARAM A ME PERSEGUIR"
Como o senhor reagiu quando a Lava-Jato começou a revelar tudo?
Fiquei com medo. Tenho medo desse grande 'sistema'. Tive medo de matarem minha família. Vai que alguém me aborda na rua. Numa discussão de rua, dão um tiro, e é queima de arquivo. A prova de que realmente o esquema é muito maior é que começaram a me perseguir dentro da Petrobras depois que avisei o deputado Bittar. Perguntavam de forma irônica: "Por que o Paulo Roberto Costa gosta tanto de você?". Fiquei sem dormir. Quando você se volta contra o sistema, o sistema te destrói. Quando fiz essa denúncia, o mundo se voltou contra mim.

O que mais aconteceu para o senhor dizer que o mundo se voltou contra o senhor? -
Desde que comecei a falar abertamente sobre Pasadena dentro da empresa, nunca mais tive promoções, nunca mais me deram funções de relevo na companhia. Nos Estados Unidos, cheguei a ganhar mais de 100 mil reais por mês e hoje não ganho um terço disso. Nos últimos anos, fico encostado num computador, na internet, esperando a aposentadoria chegar e ainda com medo de sofrer algum tipo de retaliação.

Hoje, diante do que já foi descoberto, qual avaliação que o senhor faz sobre o que aconteceu?
Todos eles, toda a diretoria da Petrobras é cúmplice. Toda decisão de diretoria é colegiada. O Gabrielli é igualzinho ao Paulo Roberto. Só que o Gabrielli colocava para conversar o assistente dele. Eles mandam emissários. Se der problema, eles dizem: "não autorizei ninguém a falar em meu nome". É a mesma política do Lula. Você acha que o Lula negociava com a arraia-miúda? Quem conversava era o Zé Dirceu.

Procurado por VEJA, o ex-deputado Jorge Bittar, hoje presidente da Telebrás, disse, primeiro, que não se lembrava do encontro com o engenheiro Cintra. Depois, que o encontro nunca existiu. Seu ex-assessor Paulo César também negou. "Eu não me lembro nem de conhecer essa pessoa", disse ele, hoje proprietário da Fragmenta Destruição Segura de Informações, empresa especializada na inutilização de documentos e arquivos. O ex-presidente Fernando Henrique confirmou a reunião com Otávio Cintra. O deputado Imbassay disse que a bancada da oposição impediu a convocação do engenheiro para depor. "Ele podia ter contribuído muito com os trabalhos da CPI, mas a convocação dele sequer foi analisada".31/03/2016- DO R.DEMOCRATICA

terça-feira, 29 de março de 2016

Não nos deixaremos intimidar por Lewandowski

Líder do 'NasRuas' desmascara carta do presidente do STF e amigo da família Lula

Por: Felipe Moura Brasil
Brasília - Cerimônia de lançamento do novo Registro de Identidade Civil   (RIC)
Lula e Lewandowski: amizade antiga
Tuitei no dia 24:
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Quatro dias depois, o presidente do STF e amigo da família Lula, Ricardo Lewandowski, embarcou dissimuladamente na babaquice:
Lewandowski ameaca
Carla Zambelli, porta-voz e líder do movimento NasRuas, reagiu à tentativa vitimista e obscura de Lewandowski de intimidar os críticos dos ministros do STF, misturando-os com supostos vândalos não identificados. Eis a nota certeira de Zambelli (com grifos meus):
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, divulgou ontem, 28, uma nota em que afirma ter mantido, desde a semana passada, contato com autoridades da área de segurança para “coibir, reprimir e prevenir ameaças, coações e violências perpetradas contra Ministros da Corte, a pretexto de manifestar suposto inconformismo com decisões por eles proferidas.”. A nota também afirma que os “responsáveis, diretos e indiretos, por tais ações criminosas estão sendo devidamente investigados”.
O caráter generalista, e portanto persecutório da nota, que não discrimina manifestações legítimas de insatisfação com as decisões da Corte de outras possivelmente ilegítimas, vem causando danos à imagem de movimentos democráticos que se opõem ao governo Dilma Rousseff.
Em reportagem de hoje no jornal Estado de São Paulo (“Atos contra ministros estão sendo investigados, afirma presidente do STF”), o movimento NasRuas foi citado como potencial alvo das investidas do ministro Lewandowski. O movimento NasRuas, externando o sentimento de apreensão da sociedade brasileira com a decisão do ministro Teori Zavascki de retirar processos envolvendo Lula da competência de juízo de primeiro grau, sob comando do juiz Sérgio Moro, lançou um boneco inflável na Avenida Paulista como uma sátira à decisão do ministro Teori. A nota do ministro Lewandowski foi divulgada justamente um dia após o lançamento do boneco inflável, que foi amplamente divulgado pela imprensa de todo o país.
Por um lado, o movimento NasRuas não compactua com quaisquer atos de ameaças, coações ou violências contra qualquer cidadão que seja. O boneco inflável satirizando o ministro Teori é tão legítimo quanto as charges críticas a autoridades que são publicadas em quaisquer jornais e revistas. Por outro, NÃO NOS DEIXAREMOS INTIMIDAR por ameaças de autoridades, veladas ou não, sempre que os interesses do nosso país estiverem em jogo.
Carla Zambelli
Porta-voz e líder do movimento NasRuas

PMDB anuncia desembarque do governo por aclamação


Partido avisa que ministros vão ter que deixar os cargos

Por Júnia Gama, Simone Iglesias
e Cristiane Jungblut
O Globo

BRASÍLIA. A reunião que confirmou o rompimento do PMDB, o maior partido de sustentação da base aliada, com o governo, começou em clima de euforia entre aqueles que defendem o desembarque, nesta terça-feira amplamente majoritários no partido. Os políticos mais alinhados ao governo ou aqueles que ainda tinham dúvidas sobre o momento adequado para dar este passo, não compareceram. O rompimento foi aprovado em três minutos
Figuras emblemáticas do rompimento, como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o vice-presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR) e o deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) chegaram ao local da reunião do Diretório Nacional, na Câmara, estampando sorrisos no rosto. Jarbas resumiu o espírito do encontro desta tarde, dizendo que há mais de 15 anos não via o partido tão unificado:
— Lula, Dilma e o PT conseguiram unificar quase que na totalidade o partido contra o governo. Na minha história, não vi nenhum ato tão próximo da unanimidade no PMDB como este — afirmou.
Jucá colocou uma única moção em votação, liderada pelo diretório do PMDB da Bahia, pedindo o rompimento e a entrega imediata de todos os cargos ocupados pelo partido. Aprovada por ampla maioria dos peemedebistas, todos levantaram e gritaram: “Brasil pra frente, Temr presidente” e “Fora, PT”.
Segundo Jucá, a saída dos agora seis ministros do PMDB do governo será ditada pela "consciência" de cada um.
Filha do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), a ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney, afirmou que veio à reunião para acompanhar a decisão do PMDB pelo desembarque. Sarney foi procurado pelo ex-presidente Lula para tentar evitar o rompimento.
— O timing de saída está certo. Estou aqui acompanhando a decisão que o partido for tomar — disse 29/03/2016

É uma aberração! Janot diz que Lula pode, sim, ser ministro, mas sem foro especial

E como o procurador-geral justifica seu exotismo? Ora, apesar de reconhecer os vícios da nomeação, diz que ela deve ser mantida “para evitar maiores danos à atuação governamental, uma vez que a pasta ministerial se encontra desprovida de seu titular, em momento de conhecida e profunda turbulência política e econômica que o país atravessa”

Por: Reinaldo Azevedo
Rodrigo Janot, procurador-geral da República, resolveu assombrar o mundo com uma leitura da ordem legal que só não é única porque repete, para escândalo do bom senso, a momice decidida pelo Supremo, em 2010, no caso Cesare Battisti, quando, diga-se, o advogado do terrorista era Roberto Barroso, hoje na Corte. É estupefaciente! Vamos com calma. Explico tudo direitinho.
O ministro Gilmar Mendes, como se sabe, concedeu uma liminar a mandado de segurança impetrado pela oposição e suspendeu a nomeação de Lula. O governo recorreu. Bem, com Gilmar ficaram as ações individuais e os mandados de segurança contra o ato de Dilma. Agora vamos falar de outras ações.
Há duas Arguições de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPFs) — uma do PSDB e outra do PSB — também contra a posse. O relator é Teori Zavascki. Nesse tipo de ação, a Procuradoria-Geral da República é chamada a se pronunciar. E eis que Janot deu o triplo salto carpado da falácia argumentativa e propôs o inusitado no conteúdo e o quase inusitado no método. Vamos ver.
O procurador-geral admite que, ao nomear Lula para o Ministério da Casa Civil, Dilma incorreu em desvio de finalidade. Janot escreve: “A nomeação e a posse apressadas do ex-presidente teriam como efeitos concretos e imediatos a interrupção das investigações (…) e a remessa das respectivas peças de informação ao STF e à PGR”. Ou por outra: para o procurador-geral, Dilma só nomeou Lula para tirá-lo da alçada de Sergio Moro.
Calma! Ele vai ainda mais longe:
“O acervo probatório e elementos que se tornaram notórios desde a nomeação e posse do ex-presidente permitem concluir que a nomeação foi praticada com intenção de afetar competência de juízo de primeiro grau. Há danos objetivos à persecução penal, pela necessidade de interromper investigações em curso, pelo tempo para remessa das peças de informação e para análise delas por parte dos novos sujeitos processuais e pelos ritos mais demorados de investigações e ações relativas a pessoas com foro por prerrogativa de função”.
Ora, justamente por esses elementos todos, o que pediram o PSDB e o PSB? Que a nomeação de Lula fosse declarada uma agressão a um preceito fundamental — e tornada, portanto, sem efeito.
Eis que Janot faz uma ginástica fabulosa e agride a lei e o bom senso duas vezes:
1) diante das evidências fáticas do desvio de finalidade, o procurador-geral defende que Lula seja empossado ministro, sim!;
2) para não parecer que está fazendo um servicinho ao Planalto, opina, no entanto, que o foro para investigá-lo continue a ser a 13ª Vara Federal de Curitiba.
Trata-se de uma sandice tanto em um caso como em outro. Ora, se Dilma fez o que o próprio Janot diz que fez, incorreu no desvio de finalidade e ainda agrediu a probidade administrativa, como é que se vai nomear um ministro assim?
Se, no entanto, Lula for nomeado, como é que poderia sê-lo sem o foro especial, que vem junto com o cargo? A agressão ao preceito fundamental que a nomeação enseja não anula o foro especial do ex-presidente — até porque este pertence ao cargo, não a ele —, mas a própria nomeação.
Trata-se de uma das peças mais esdrúxulas jamais redigidas pela Procuradoria-Geral da República.
E como Janot justifica seu exotismo? Ora, apesar de reconhecer os vícios da nomeação, diz que ela deve ser mantida “para evitar maiores danos à atuação governamental, uma vez que a pasta ministerial se encontra desprovida de seu titular, em momento de conhecida e profunda turbulência política e econômica que o país atravessa”.
Como? Então a tal turbulência justificaria uma nomeação que agride a Constituição e a lei? Mais: então a presidente da República teria a divina condição de quem pode, no uso de uma prerrogativa — nomear um ministro —, fazê-lo ao arrepio da ordem legal?
Não se espantem! O Brasil já viu de tudo. Lembram-se de Cesare Battisti, o terrorista? O Supremo decidiu, por maioria, que o refúgio que lhe foi concedido no Brasil era ILEGAL. Mas decidiu também que cabia ao presidente decidir se o terrorista ficaria ou não no Brasil. E bateu o martelo: sim. Vale dizer: o Supremo de então decidiu, na prática, que, no Brasil, um presidente da República pode agir ao arrepio da lei.
Janot, agora, vem com a mesma tese. Sim, a nomeação de Lula, segundo ele admite, fere a ordem legal. Se, no entanto, ele defende a posse, defende também que Dilma está acima da lei.
Bem, como sabem os leitores, Janot nunca me enganou. O Lula que ele agora quer ver ministro é aquele que, nas gravações, diz que, não fosse o PT, e o atual procurador-geral teria chegado em terceiro lugar na eleição entre seus pares. E, portanto, procurador-geral não seria.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Delatora diz que recebeu R$ 6,1 mi ilegalmente da campanha de Dilma


Segundo o jornal 'Folha de S. Paulo', sócia da agência Pepper confirmou que simulou contratos com a Andrade Gutierrez para receber por serviços à campanha da presidente

- Atualizado em
Presidente Dilma Rousseff comparece em reunião com juristas contra o impeachment, no Palácio do Planalto, em Brasília, nesta terça-feira (22)
Presidente Dilma Rousseff comparece em reunião com juristas contra o impeachment, no Palácio do Planalto, em Brasília, nesta terça-feira (22)(Evaristo Sa/AFP)
Em depoimento prestado no âmbito de seu acordo de delação premiada firmado com o Ministério Público Federal (MPF) e o STJ, a publicitária Danielle Fonteles, sócia da Agência Pepper, admitiu ter recebido 6,1 milhões de reais ilegalmente da empreiteira Andrade Gutierrez por serviços prestados à campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.
A revelação de Danielle, uma das investigadas na Operação Acrônimo, confirma o trecho da delação premiada de Otávio Azevedo, ex-presidente da empreiteira, em que ele relata pagamentos ilegais de 6 milhões de reais à agência de publicidade por meio de contratos simulados.
De acordo com o jornal, Danielle também corroborou depoimentos de outros executivos da empreiteira ao apontar a influência do governador mineiro Fernando Pimentel (PT) no fechamento dos contratos fictícios com a Andrade Gutierrez. Ainda segundo a Folha, a publicitária relatou ter usado dinheiro da empreiteira para bancar despesas de campanha da presidente em 2010, como pagamentos a funcionários do comitê eleitoral.
Danielle também admitiu o recebimento de 717.000 reais da construtora OAS em 2014 por serviços prestados à campanha que elegeu Rui Costa (PT) ao governo da Bahia.
Uma agência petista - A Pepper Interativa é uma agência de comunicação que presta serviços ao PT. Em 2010, desempenhou papel decisivo na campanha de Dilma à presidência, quando fez de tudo um pouco: da produção de conteúdo e organização da militância nas redes sociais ao pagamento, com dinheiro vivo, do aluguel do imóvel de luxo que servia de bunker para a coordenação petista. De coadjuvante, a Pepper passou a protagonista, tornando-se uma ferramenta imprescindível para a solução de vários problemas. Vitorioso na eleição, o PT retribuiu a ajuda recebida e garantiu à agência contratos milionários custeados com recursos públicos. DA VEJA.COM
(Da redação)

Gleisi Hoffmann insulta o STF e diz que Lula irá para o governo, qual seja a decisão da Corte

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“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, independente da decisão do Supremo, será confirmado esta semana na equipe da presidente Dilma Rousseff”. O desafio ao Supremo Tribunal Federal é de ninguém menos que a senadora Gleisi Helena Hoffmann (PT-PR), investigada pela Operação Lava-Jato e alvo de delação premiada de quatro presos por envolvimento no Petrolão, o maior escândalo de corrupção de todos os tempos.
Gleisi Hoffmann, que está tão envolvida nos esquemas de corrupção do PT e ganhou o apelido de “Rainha do Pixuleco”, decidiu impor mais um escárnio doa ministros do STF em artigo divulgado em um portal petista. Gleisi atacou o ministro Gilmar Mendes, que impediu a posse de Lula na Casa Civil e reafirmou o “direito” de Dilma nomear auxiliares, ainda que estes estejam sendo investigados na Justiça por suspeita de crimes contra o patrimônio público e que essa nomeação tenha sido feita com o exclusivo objetivo de obstruir a Justiça.
“Lula foi barrado na Casa Civil por liminar do ministro Gilmar Mendes, do STF, cuja decisão será analisada pelo colegiado da Corte”, diz Gleisi, apostando que a suposta “bancada do PT” na Suprema Corte vai derrubar a decisão de Gilmar.
Na escalada de insultos, Gleisi desqualifica a decisão do ministro: “É prerrogativa da presidente da República escolher seus ministros e auxiliares e a intromissão de outro poder nisso constitui-se numa aberração”.
Não deixar Lula ser ministro – e com esse artifício permitir que o ex-presidente fuja das garras da Justiça e da Operação Lava-Jato – é, na visão de Gleisi, uma “artimanha” e um “golpe contra a democracia”.

“A proibição do trabalho de Lula significa mais uma artimanha para o golpe contra a democracia seguir seu curso sem obstáculos”.
Subindo ainda mais o tom de seu desafio ao STF, Gleisi diz que Lula irá para o governo ainda que o Supremo decida impedir sua posse na Casa Civil.
Independentemente do cargo de ministro, que lhe garantiria foro especial por prerrogativa de função, o ex-presidente será confirmado ainda nesta semana, segundo a senadora, como integrante do desgoverno Dilma. Poderá ser chamado para uma assessoria especial da Presidência da República, o que configurará mais uma das tantas bizarrices que brotam no Palácio do Planalto.
“Lula será confirmado esta semana no governo Dilma”, informou Gleisi Hoffmann ao Blog do Esmael. “Para ajudar, ele [Lula] não precisa de foro privilegiado”, completou.
Gleisi manda um recado para a oposição político-judicial: “Deixem o homem trabalhar!”.
Conhecida por ser um boneco de ventríloquo sempre pronto para qualquer discurso oficial, mesmo que insano, Gleisi deveria mudar-se para a Venezuela ou Cuba, onde a democracia é figura de retórica e a Justiça existe sob o manto do criminoso totalitarismo esquerdista. Acostumada ás benesses do capitalismo e a fingir que preocupa-se com os desvalidos, a senadora paranaense encontraria em Caracas ou Havana terreno fértil para suas sandices discursivas.

O espírito das ruas – Quem vai abreviar o mandato de Dilma Rousseff para o bem do Brasil

Em artigo exclusivo para o blog, Renan Santos, um dos coordenadores do Movimento Brasil Livre, recupera a origem do espírito que levou milhões para as ruas

Por: Reinaldo Azevedo
Renan Santos, do MBL: o novo está nas ruas e já faz história. Não vê quem não quer ou ou está triste porque vai perder o bonde e a boquinha
Renan Santos, do MBL: o novo está nas ruas e já faz história. Não vê quem não quer ou está triste porque vai perder o bonde e a boquinha
Renan Santos é um dos coordenadores do Movimento Brasil Livre. MBL e Vem Pra Rua — em companhia de outros grupos — respondem pela convocação e organização das maiores manifestações da história do país. Foram eles os primeiros a ter a coragem de apontar que o rei — ou a rainha, se indelicado não parecer — estava nu. Quando convocaram a primeira manifestação em favor do impeachment, em março do ano passado, boa parte do establishment político olhou aquilo com incredulidade. Eis Dilma Rousseff por um fio, que vai se romper.
No excelente artigo que escreve para este blog, abaixo, Renan trata do espírito que anima os brasileiros que ocuparam os espaços públicos para pedir, de forma ordeira e pacífica, que Dilma deixe a Presidência da República.
Renan trata da crise de representatividade, da descrença do homem médio nas soluções tradicionais e da forma como o PT se tornou um agente verdadeiramente reacionário da vida pública. E constata que é preciso recuperar, sobre novas bases, a confiança na política.
Eis outra novidade que os tolos se negam a ver. Os jovens que hoje compõem a linha de frente do combate aos males que o PT faz ao Brasil são capazes de pensar com qualidade. Os esquerdistas adoram supor que têm o monopólio não apenas da bondade, mas também da reflexão. E, hoje, eles se tornaram monopolistas apenas da justificativa do roubo virtuoso.
Leiam o artigo de Renan.
*
A improvável Revolução de Pessimildo
O fenômeno responsável pela queda de Dilma Rousseff encontra alguma similaridade com outras ocorrências mundo afora, mas também é único. A crise de representatividade política, a ojeriza ao establishment, os movimentos descentralizados e o uso da política em rede são fatores comuns, mas não explicam de maneira acurada o momento atual.
Antes de tudo, nosso movimento representa uma rearticulação de setores médios da nossa sociedade, que se encontravam dispersos em meio a um mar de informações e anseios conflitantes, a que esses setores se mostravam incapazes de dar expressão.
O aparelhamento de instâncias representativas da sociedade civil, tais como a OAB, sindicatos, entidades estudantis e igrejas, determinou o isolamento político do cidadão médio, que, ensimesmado, resmungava consigo mesmo e para os próximos seu desconforto com a corrupção, a taxação, os impostos escorchantes, os serviços públicos pífios — em suma, o “estado das coisas”.
Surgia ali o “Pessimildo”, o brasileiro médio que representava 40% dos votos em todas as eleições presidenciais desde 2006, mas que era incapaz de reunir dez pessoas numa praça para se fazer ouvir. Pior: era esconjurado em verso e prosa por Lula em sua cantilena anticlasse média, carinhosamente convertida em “elite branca, de olhos azuis, como o capeta encarnado, suposto empecilho no caminho da glória, entre copas do mundo, olimpíadas e ufanismos.
Pessimildo lutava uma guerra sem quartel. Votava em gente que tinha nojo de seus valores; era chamado de burro, reacionário, chato e cafona. Seus filhos aprendiam que Pessimildo era uma categoria histórica a ser superada. E convinha aos jovens de bom gosto olhar com desdém para suas aspirações.
Na condição de empresário, convivi muito com Pessimildo. Assitia a suas constantes reclamações com os juros, os impostos e a legislação trabalhista. Sabe como é… Ele trabalha no setor privado, o pobre!. Já em 2012, podia prever que a vaca iria para o brejo. Setores como o automotivo e a construção civil demonstravam estagnação desde essa época. Indústrias fechavam aos montes. Mas  era proibido ouvir Pessimildo.
A falência do modelo econômico lulista se deu ao mesmo tempo em que falia seu projeto político. O “programa de transição” petista se dava na aliança entre o dito “proletariado”, então representado pelo PT, e o nosso “Ancien Régime”, materializado nos velhos coronéis políticos do Nordeste, donos de empreiteiras e empresários convertidos em aristocracia no capitalismo sem riscos do BNDES.
O impasse, segundo os petistas, se resolveria apenas com uma reforma política que concentrasse poderes e verbas nas mãos do partido e com o silêncio bovino do cada vez mais desacreditado Pessimildo. Cumpre lembrar: a pauta política artificial que emergiu do cada vez menos espontâneo “Junho de 2013″ foi a bizarra reforma política petista, capitaneada por “movimentos sociais” e pela “intelectualidade” uspiana de esquerda.
Tal reforma, baseada no financiamento público de campanhas e na lista fechada, representava uma mão na roda para o beneficiário maior do, nas palavras da Odebrecht, “sistema ilegítimo e ilegal de financiamento do sistema partidário-eleitoral” brasileiro: o Partido dos Trabalhadores.
Essa era a única maneira de romper com os parceiros de ocasião, que se aliavam, mas com rebeldia crescente, à coalizão governista liderada por Dilma. Segundo o modelo petista, tais aliados deveriam ser “dialeticamente” usados e superados pela concentração de poder e recursos nas mãos de um partido que detinha o controle total da maior fonte de financiamento político do país. Era pra dar certo. Mas o encanto se quebrou.
Quebrou porque “os companheiros” não contavam com o esgotamento do modelo gastador implementado por Lula e Mantega. Quebrou porque não poderiam imaginar que algo como a Operação Lava Jato pudesse existir. E, principalmente, quebrou porque as “Jornadas de Junho de 2013″ representaram um enorme fracasso para a esquerda do PT. Ao invés de assustarem Pessimildo,  levaram-no às ruas. E ele gostou da brincadeira.
As manifestações de 2013 eram, sim, críticas à gestão Dilma, mas não aos fundamentos da elite dirigente. Suas reivindicações, se atendidas, culminariam inevitavelmente em mais Estado e mais governo. Seus idealizadores, o “Movimento Passe Livre”, continuam batalhando pelos cantos em conformidade, agora em conformidade com a estratégia diversionista do Planalto. Sem sucesso! Foi outra a catarse de 2013. A classe média, ainda que desarticulada e enfurecida, tomou das esquerdas o comando. Ainda que incapaz, então, de estabelecer uma agenda, impôs seus sentimentos e frustrações.
Foi assim que se criou a cultura de resistência que está na nas ruas. A iconografia e as palavras de ordem de 2015-2016 surgiram em 2013: “sem violência, sem partido, sem bandeira, camisetas verde-amarelas, MASP, ojeriza à corrupção…” Estava tudo lá. Já dizia Heráclito: “O ser de uma coisa finita é trazer em si o germe de sua destruição; a hora de seu nascimento é também a hora de sua morte.” Junho de 2013 carregava o germe de março de 2015. O PT começou a morrer ali.
Quando o MBL convocou sua primeira manifestação, em 1º de Novembro de 2014, sabíamos que iria dar certo. Aprendemos em 2013 quem era o público a ser convocado. Já sabíamos os primeiros cânticos, a linguagem comum a ser observada. Conhecíamos também os erros: sabíamos que era necessário contar com lideranças legítimas e com uma agenda factível.
O surgimento do MBL, do Vem Pra Rua e dos demais movimentos de rua possibilitou a criação de um antes inimaginável tecido político que reagrupou os milhões de Pessimildos espalhados país afora. Tudo aquilo que fora perdido em anos de aparelhamento ilegítimo das instâncias representativas da sociedade civil foi recuperado no prazo de um ano. Mais: ao contrário de fenômenos similares analisados por teóricos do mundo em rede — Occupy Wall Street, Indignados, Primavera Árabe — a revolução do Pessimildo não conta com apoio entusiasmado da academia, da imprensa e do establishment cultural. Muito longe disso, por sinal.
Esse organismo vivo, que tomou corpo ao longo de 2015, impôs derrotas fragorosas a todos os que se colocaram em seu caminho. A oposição vacilante foi atropelada pelas incisivas manifestações de 12 de abril e pela Marcha pela Liberdade, que resultou em um posicionamento pró-impeachment, na Câmara, das bancadas do PSDB, DEM e PPS. Manifestações pelegas dos outrora temidos “movimentos sociais” viraram motivo de chacota na Internet. Declarações oficiais eram convertidas em memes e piadas. Fases da Operação Lava Jato eram narradas como se fossem fim de campeonato.
Nem setores da grande imprensa escaparam. A tentativa de transformar o fenômeno em um Fla x Flu entre Cunha e Dilma naufragou, assim como a cobertura ultrajante que fizeram das aspirações dos brasileiros que saiam às ruas.
Muito a contragosto, tiveram de se render à agenda de Pessimildo: levamos o impeachment ladeira acima e unificamos um país disperso e deprimido. O monumental 13 de Março serviu como pá de cal para a luta inglória do jornalismo militante.
O combate à corrupção deixou de ser “moralismo pequeno burguês” da classe média e entrou na agenda do dia de todas as classes sociais. Ricos e pobres querem um país livre da corrupção — e não surpreende que o tema, pela primeira vez, tenha virado a maior preocupação dos brasileiros, conforme pesquisa recente da CNI.
Gostem ou não nossos intelectuais de esquerda, mas essa inédita articulação dos setores produtivos da nossa sociedade — assalariados e pequenos empresários — converteu-se numa força política sem paralelo em nossa história recente. É sólida, pois se baseia na consolidação institucional de valores já presentes na sociedade civil; é poderosa, pois comunica-se em rede numa velocidade jamais imaginada por qualquer Marina Silva.
A Revolução do Pessimildo é o fenômeno político mais excitante do mundo no momento. Seu sucesso dependerá de sua capacidade de converter tal impulso transformador em representação política, seja no Congresso Nacional, seja nos aparelhos da educação e da cultura que articulam os valores da política. Será um longo e árduo trabalho.
Mas, como a gente sabe, isso não assusta mais o Pessimildo.
Ele gosta de trabalhar.

O PREGÃO DO DILMÃO – Presidente decidiu leiloar o Brasil para tentar ficar no cargo. Quem dá mais?

Presidente dá como certo o desembarque do PMDB nesta terça e pretende vender os cargos que hoje estão com a legenda para a miríade de pequenos partidos. Preço: votos contra o impeachment e até ausências

Por: Reinaldo Azevedo
O PMDB desembarca do governo nesta terça. E a ainda presidente Dilma Rousseff teve uma ideia para tentar se manter no cargo, hoje seu único plano estratégico: lotear o Brasil. É, não estou brincando, não.
Segundo informa a Folha nesta segunda, a, digamos, estratégia foi definida na noite deste domingo pelo comando político do Planalto. Com o PMDB fora do governo, a presidente teria à sua disposição ao menos 500 cargos.
E o que fazer com eles? Ora, pô-los à venda? Está lançado o Pregão do Dilmão: “Quem quer a Funasa, aquela fundação que deveria cuidar da saúde dos brasileiros, mas que será posta a serviço da saúde de Dilma?”. Aí um ou outro podem gritar: “Eeeuuu!!!”. E tome a Funasa, desde que o partido contemplado vote contra a instalação do processo de impeachment. Pode acabar nas mãos do nanico PTN, que tem apenas dez deputados.
Mas que Funasa o quê! O próprio Ministério da Saúde pode ficar dando sopa. E lá vai Dilma com o martelinho na mão: “Quantos votos vocês me dão por este ministério com orçamento bilionário? Vocês sabem que esse negócio de lidar com mosquitos e mosquitas é papo furado. Estou entregando mesmo é uma sinecura. Quem quer?”.
O PSD de Gilberto Kassab virou noiva das mais cobiçadas, com seus 32 deputados. O problema é que, tudo indica, poucos estariam dispostos a embarcar numa canoa que há muito é dada por todos como furada. Um deputado do partido, Rogério Rosso (DF), presidente da Comissão do Impeachment, é considerado um voto certo em favor da abertura do processo.
Aliás, esse é outro fator que levou o governo a tomar a medida extrema de leiloar o país. Dilma considera certa a sua derrota na comissão. Então tenta impedir a todo custo que os defensores do impeachment conquistem os 342 votos. E que se note: de fato, o governo não precisa dos tais 172. Basta que o outro lado não conquiste os dois terços.
Qualquer ausência à votação já pode valer uma diretoria de estatal, por exemplo. A isso Dilma reduziu o Brasil. Nada menos de 25 partidos estarão presentes à sessão que vai definir o destino da presidente. Os quatro partidos oficialmente de oposição somam apenas 99 votos: PSDB (53), DEM (21), SD (15) e PPS (10). Caso se juntem os 34 do PSB, que migrou oficialmente para a oposição, chega-se a 124.
O impeachment, que é dado como certo por nove entre dez observadores, será uma obra compartilhada, pois, com partidos da base.
Vai dar certo?
Dilma será bem-sucedida na tentativa de leiloar o Brasil? Não creio, não. E a razão é simples. Parece que novas pancadas vêm por aí na Lava Jato. O país continua parado, e os agentes econômicos decidiram que, definitivamente, com Dilma, não há solução. A crise econômica e a crise política permanente podem empurrar o país para o esgarçamento social. Nenhum povo é de ferro, certo?
Há mais: ainda que essa denúncia não conquistasse os 342 votos, o resultado seria amplamente majoritário em favor do impeachment. E aí está dada a ingovernabilidade. Não se esqueçam de que as escabrosidades contadas por Delcídio do Amaral estão fora da denúncia em curso. Mas poderão integrar uma outra.
E há o lado pragmático, não? Se Dilma sobrevivesse, seria a certeza da crise permanente, com o risco do caos social — sem contar, meus caros, que a votação será aberta. Um eventual governo Michel Temer representa ao menos a chance de alguma estabilidade.
Fazendo uma ironia, diria que não se deve desconfiar do senso de sobrevivência da fisiologia.
Com a decisão de fazer o “Pregão do Dilmão”, a presidente desce um pouquinho mais a ladeira.

domingo, 27 de março de 2016

Mulher de Patinhas vai detonar bomba atômica em Lula e Dilma

Título original: O petardo devastador da Mônica Moura contra presidente Dilma
Mônica Moura, nascida em Feira de Santana, estado de Bahia, codinome “Feira”, está negociando a colaboração premiada junto ao Ministério Público Federal. O assunto está sob sigilo, conforme as normas do processo de colaboração premiada. O efeito da delação da Mônica Moura supera a da colaboração premiada do Senador Delcídio do Amaral. É um verdadeiro petardo que cai  no Palácio da Alvorada.
Mônica Moura se sente traída pelo Palácio da Alvorada. Mônica Moura e seu marido, o marqueteiro João Santana (Patinhas) , pensavam estar blindados pelo Palácio da Alvorada. Mas, não estavam. O casal foi preso na Operação Acarajé, a 23ª fase da Operação Lava Jato.
O casal João Santana e Mônica Moura foram responsáveis pela campanha da presidente Dilma, nas eleições de 2010 e 2014. Segundo divulgado na imprensa, o casal recebeu o pagamento das despesas das campanhas, “por dentro” e “por fora”, pelas primeiras revelações da Polícia Federal.
Mônica Moura por ser uma das pessoas que respondia com a imagem da presidente Dilma, tinha acesso direto. Segundo imprensa, Mônica Moura tinha acesso direto não só no Palácio do Planalto, mas também, no Palácio da Alvorada. Mônica Moura frequentou copa e cozinha do Palácio da Alvorada. Mônica Moura sabe demais da vida privada da presidente Dilma.
Mônica Moura está na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, por não ter recebido “blindagem” do Planalto. Mônica Moura não frequenta salão de beleza desde então. Mônica Moura está muito machucada. Mônica Moura vai entregar a presidente Dilma, nos próximos dias. O Palácio do Planalto sabe disso. A colaboração premiada deverá ser analisada pelo Ministério Público Federal e o processo deverá subir para o ministro Teori Zavascki do STF, por envolver figura da presidente da República. Após cassação do mandato da Dilma, se houver, o processo retornará ao juiz federal Sérgio Moro. Dilma, então, sem foro privilegiado, deverá sentar-se à frente do juiz federal Sérgio Moro para responder pelas acusações da Mônica Moro.
A prisão na carceragem da Polícia Federal mexeu muito com Mônica Moura. Sem tintura, os cabelos brancos das raízes começam mexer no seu auto-estima, enquanto a quem cuidou da imagem por muitos anos, está usufruindo de todos cuidados pagos pelo contribuinte. Foi o que mais chamou atenção a observação de uma colaboradora minha.
Mônica Moura está como leoa ferida. O petardo dela terá efeito devastador para presidente Dilma!

DO J.RORIZ

quinta-feira, 24 de março de 2016

EXCLUSIVO: Odebrecht promete entregar Lula e campanha de Dilma à Lava Jato

Para obter a delação premiada e se salvar, empreiteira terá de revelar segredos explosivos do relacionamento com os presidentes e contas de políticos na Suíça

DIEGO ESCOSTEGUY E DANIEL HAIDAR
24/03/2016 - 21h05 - Atualizado 24/03/2016 21h05
Empresa Odebrecht, em São Paulo (Foto: Bruno Cotrim / Frame / Ag. O Globo)
Entre os 28 mandados de condução coercitiva cumpridos na manhã da terça-feira, dia 22, a Polícia Federal levou três dos principais executivos da empreiteira Odebrecht para prestar depoimento. Durante algumas horas, eles tiveram uma amostra do que é a Operação Lava Jato. Diante das perguntas feitas pelos investigadores e das provas apresentadas a eles, os três tremeram. Depois de liberados, foram a um encontro com o restante da cúpula da empresa. Pressionaram para que a Odebrecht faça o que estuda há meses: colaborar com as investigações em troca de salvação. Os três disseram aos colegas que, se a cúpula não decidisse por essa saída, eles próprios iriam colaborar e, assim, a derrocada seria certa. Até mesmo o patriarca Emílio Odebrecht ficaria sob risco de cair. Consultaram até o ex-presidente Marcelo Odebrecht, preso desde junho em Curitiba. O grupo conversou sobre como a Odebrecht vem sendo destruída pela Lava Jato – já perdeu R$ 5 bilhões em valor de mercado. Tratou também dos processos danosos à empresa nos Estados Unidos e na Suíça. Diante de tantas adversidades, Marcelo aquiesceu. Seu pai, Emílio, decidiu.
A Odebrecht decidiu fazer um acordo de delação premiada. A difícil discussão é quanto entregar: se está disposta a dar o que a Lava Jato já tem, para fechar casos, ou se vai abrir novos casos, com a revelação de outros políticos, partidos e obras. Como é usual, a Odebrecht decidiu começar por oferecer o mínimo possível. Os procuradores do Paraná não ficaram surpresos. Eles já avançaram incisivamente na Odebrecht e tinham convicção de que o dia da capitulação chegaria. De antemão, já sabem as principais condições para negociar: que a Odebrecht desista dos processos na Suíça, que impedem a remessa de provas de pagamentos de propina a políticos de vários partidos e outros funcionários da Petrobras e de órgãos públicos ainda não mencionados.
>> Por que a Odebrecht voltou à mira da Lava Jato
Em junho de 2015, ÉPOCA contou o que a prisão de Marcelo Odebrecht representava. O pai de Marcelo, Emílio Odebrecht, dizia a interlocutores próximos que “se prenderem o Marcelo, terão de arrumar mais três celas: uma para mim, outra para o Lula e outra para a Dilma”. Os investigadores tinham noção do tamanho do estrago que a prisão poderia causar – tanto que nomearam aquela 14a fase como Apocalipse. Mudaram para Erga Omnes para não espalhar o pânico. A Odebrecht é a maior empreiteira do Brasil e multiplicou por seis seu faturamento nos governos petistas. No conjunto de provas que levou à prisão de Marcelo, há o caminho das propinas pagas no exterior pela Odebrecht para vários diretores da Petrobras. O Ministério Público estima que, junto com a Andrade Gutierrez, a Odebrecht tenha gasto cerca de R$ 764 milhões nisso.
Infográfico mostra políticos beneficiados por pagamentos em planilhas da Odebrecht (Foto: Reprodução)
A Odebrecht já se comprometeu, no acordo de delação por vir, a entregar provas para a investigação sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem contratou para fazer diversas palestras pelo mundo, e fornecer provas de financiamento ilegal de recursos para as campanhas da presidente Dilma Rousseff, inclusive a extensão total dos pagamentos ao marqueteiro do PT, João Santana, no Brasil e no exterior. Os procuradores já sabem informalmente o tamanho das provas que seus colegas suíços obtiveram, mas a remessa não foi feita. Se a Odebrecht colaborar, a remessa dos documentos será mais rápida. O esquema descoberto pela Lava Jato será mais esmiuçado e comprovado. “Eles (a Odebrecht) têm como facilitar o acesso a boa parte dos seus comprovantes de pagamentos de que precisamos”, diz um dos principais integrantes da Lava Jato.
>> PF investiga reforma do Instituto Lula
Apesar da octanagem política do que a Odebrecht pode entregar, os procuradores não têm pressa em negociar. A agenda da Justiça não é a agenda da política partidária. Os procuradores pretendem negociar ao máximo os acordos de delação e leniência para que avancem da maneira mais vasta, profunda e benéfica possíveis. Isso inclui negociar altíssimo valor de indenização para os cofres públicos, na casa dos muitos bilhões de reais, a confirmação com mais provas de crimes já levantados na Petrobras e a entrega de documentos e provas que esclareçam casos de corrupção em outros órgãos.
O último flanco que explodiu e levou à decisão dos três executivos da Odebrecht foi detonado pela Operação Xepa, a 26a fase da Lava Jato, na semana passada. Na terça-feira, dia 22, os policiais foram à rua em busca de provas levantadas a partir dos depoimentos de delação premiada da secretária Maria Lúcia Guimarães Tavares, presa em 22 de fevereiro. Ela fez uma revelação assombrosa: trabalhava desde 2009 no Departamento de Operações Estruturadas, um disfarce para um departamento de propina, onde eram organizados pagamentos para esquemas de corrupção. O setor dispunha de um sistema interno para lançamentos de pagamentos, o MyWebDay (leia o quadro ao lado), e outro exclusivo para conversas criptografadas. As revelações da secretária permitiram que os policiais conseguissem indícios de pagamento de propina contra dezenas dos mais de 316 políticos (leia o quadro no alto) apontados como beneficiários de doações em planilhas apreendidas na casa do presidente da Odebrecht Infraestrutura, e ex-presidente do grupo, Benedicto Júnior, na 23a fase da Lava Jato.
Maria Lúcia estava havia nove anos sem tirar férias. Não podia se afastar do “departamento de propina”, onde providenciava a entrega de pagamentos em espécie a executivos do grupo Odebrecht que precisavam de dinheiro para subornar políticos e funcionários públicos. No início, ela foi auxiliada por advogados bancados pela empreiteira e não colaborou com as investigações. Como havia uma infinidade de detalhes em planilhas, os policiais pediram a renovação da prisão temporária. Na carceragem, Maria Lúcia teve contato com o advogado Juan Marciano Dombeck Vieira, que defende a doleira Nelma Kodama, presa em Curitiba. Maria Lúcia assinou o acordo e prestou dez depoimentos. Quando os advogados da Odebrecht chegaram para libertá-la, Maria Lúcia já tinha ido embora. Saiu da Superintendência da Polícia Federal no Paraná por uma porta lateral para escapar dos advogados da empreiteira e seguiu direto para o programa de proteção à testemunha.
>> As gravações que abalaram a República
Maria Lúcia revelou que o departamento onde trabalhava mantinha um cronograma rígido de pagamentos de propina. Executivos responsáveis por contratos públicos solicitavam desembolsos. Havia uma senha para um emissário do beneficiário final retirar o pagamento de propina em espécie no local marcado. A secretária fazia contato com doleiros para agendar as entregas de dinheiro. O doleiro mais acionado era Álvaro Galliez Novis, sócio da corretora Hoya e sobrinho de Álvaro Pereira Novis, ex-vice-presidente financeiro da Odebrecht. Diariamente, a secretária checava seu e-mail e o sistema para organizar quanto seria necessário requisitar em dinheiro em espécie para cada cidade do país. Outra secretária, Angela Palmeira, cuidava das entregas em moeda estrangeira. Maria Lúcia não sabia quem eram os beneficiários finais. Sabia apenas quem era “Feira”, um dos beneficiários mais frequentes. Antes da prisão da secretária, a Polícia Federal já desconfiava que esse era o apelido do marqueteiro João Santana, responsável pelas campanhas presidenciais do PT desde 2006. No dia da Operação Acarajé, teve a certeza. Em anotações de Maria Lúcia, havia o contato da mulher de Santana, Mônica Moura, ao lado do apelido “Feira”. Ele confirmou a identidade de Mônica e contou uma peculiaridade: ao contrário de outros beneficiários da propina, ela pedia para alguém retirar dinheiro pessoalmente na sede da Odebrecht em Salvador.
Tanto os sistemas de mensagens criptografadas quanto o de lançamento de pagamentos foram destruídos pela Odebrecht em agosto do ano passado, depois da prisão de Marcelo Odebrecht, presidente afastado do grupo, de acordo com depoimento de Maria Lúcia. É mais um indício de que a empreiteira destruiu provas. Isso só aumenta o custo do acordo de delação.
Há indícios de propina para os principais projetos da Odebrecht fora da Petrobras nos últimos anos, que envolvem, entre outras, obras do metrô do Rio de Janeiro e de estádios da Copa, como o Itaquerão, do Corinthians. Há menção a pagamentos ao dono do bar do estádio Beira Rio, do Internacional, em Porto Alegre. Douglas Franzoni Rodrigues, administrador do local, é sócio no empreendimento de Anderson Dornelles, o ex-secretário pessoal da presidente Dilma Rousseff por mais de uma década. O “menino”, como Dilma o chama, trabalhou com a presidente por mais de 20 anos. Deixou o governo em janeiro, quando surgiram rumores de que a Lava Jato chegara a seu segredo. A delação da Odebrecht vai gerar ao governo, e a todos os partidos, incômodo muito maior do que já se viu. DA ÉPOCA

PEDALADAS 2: DILMA A MANDO DE LULA VAI TORRAR 100 BI URGENTE: Dilma arrebenta com o Ajuste Fiscal. A Farsa foi descoberta e agora ela quer autorização do Congresso para cometer novos crimes e torrar CEM BILHÕES em dinheiro público sem prestar contas. O plano é de LULA. Entenda tudo e compartilhe para valer!!! ‪#‎vejajoice‬


Moro entra para o ranking dos 50 maiores líderes mundiais da 'Fortune'

Juiz da Lava Jato ocupa a 13.ª posição da lista, que é encabeçada pelo fundador da Amazon, Jeff Bezos
Sergio Moro durante evento realizado pela revista "The Economist"no Hotel Grand Hyatt em São Paulo
(Vanessa Carvalho/Folhapress)
O juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, ocupa a 13ª posição do ranking dos 50 maiores líderes mundiais divulgado pela revista norte-americana Fortune. O juiz paranaense aparece à frente de Bono Vox, vocalista do U2, e dos astros do basquete da NBA Stephen Curry e Steve Kerr, que aparecem empatados no 15º lugar.
A lista é liderada pelo fundador da Amazon, Jeff Bezos. O segundo lugar é da premiê alemã, Angela Merkel, seguida de Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz e ministra das Relações Exteriores de Mianmar. O papa Francisco figura no 4º lugar do ranking, seguido de Tim Cook, CEO da Apple. Mauricio Macri, presidente da Argentina, ocupa o 26º lugar.
LEIA TAMBÉM:
Cármen Lúcia: Lava Jato respeita rigorosamente as leis
Ao explicar a inclusão de Moro no ranking, a 'Fortune' considera que o juiz é protagonista de "edição brasileira e real do filme Os Intocáveis" e lembra que o esquema de corrupção da Petrobras, que desviou 3 bilhões de dólares. A matéria cita o risco de impeachment da presidente Dilma Rousseff e a reputação em farrapos do ex-presidente Lula. A revista ainda menciona que "a coexistência passiva com a corrupção endêmica na América Latina está se tornando um hábito do passado".
Confira abaixo a lista completa:
1 - Jeff Bezos
2 - Angela Merkel
3 - Aung San Suu Kyi
4 - Papa Francisco
5 - Tim Cook
6 - John Legend
7 - Christiana Figueres
8 - Paul Ryan
9 - Ruth Bader Gingsburg
10 - Sheikh Hasina
11 - Nick Saban
12 - Huateng 'Pony' Ma
13 - Sergio Moro
14 - Bono
15 - Stephen Curry e Steve Kerr
16 - Bryan Stevenson
17 - Nikki Haley
18 - Lin-Manuel Miranda
19 - Marvin Ellison
20 - Reshma Saujani
21 - Larry Fink
22 - Scott Kelly e Mikhail Kornienko
23 - David Miliband
24 - Anna Maria Chávez
25 - Carla Hayden
26 - Mauricio Macri
27 - Alicia Garza, Patrisse Cullors e Opal Tometi
28 - Chai Jing
29 - Moncef Slaoui
30 - John Oliver
31 - Marc Edwards
32 - Arthur Brooks
33 - Rosie Batty
34 - Kristen Griest e Shaye Haver
35 - Denis Mukwege
36 - Christine Lagarde
37 - Marc Benioff
38 - Gina Raimondo
39 - Amina Mohammed
40 - Domenico Lucano
41 - Melinda Gates e Susan Desmond-Hellman
42 - Arvind Kejriwal
43 - Jorge Ramos
44 - Michael Froman
45 - Mina Guli
46 - Ramón Mendéz
47 - Bright Simons
48 - Justin Trudeau
49 - Clarence Rewcastle Brown
50 - Tshering Tobgay
(Da redação  24/03/2016

A volta do que não foi


Carlos Eduardo Novaes
O Globo
Quer dizer então que o ex-presidente Lula quer voltar de mala e cuia ao Planalto para ser o novo chefe da Casa Civil da sua ex-chefe da Casa Civil, agora Presidente. Em tese, apenas uma troca de posições ainda que — se suspeita — o ex-presidente volte para ser o presidente enquanto a presidente será a chefe da Casa Civil de sua própria Presidência.
São muitas as atribuições do chefe da Casa Civil — li no site oficial —, mas me parece que Lula está se lixando para elas. Ele tem muitas outras tarefas a cumprir. Listo algumas abaixo:
1 — Fazer articulações políticas com 300 picaretas (ou seus parentes e sucessores) que, segundo ele, povoavam o Congresso Nacional em 1993;
2 — correr atrás de 171 votos na Câmara dos Deputados para evitar que o impeachment de Dilma siga para o Senado;
3 — conseguir que 41 senadores (metade mais um) votem contra o impeachment para evitar que o processo siga para o STF;
4 — telefonar para alguns ministros do STF lembrando que foi ele, Lula, quem os indicou para a mais alta corte do país;
5 — ajudar a Justiça a enfiar os processos no... vocês sabem onde;
6 — convencer o novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, a substituir a chefia da Polícia Federal;
7 — procurar um meio de retirar a Operação Lava-Jato das mãos do juiz Sérgio Moro;
8 — provar que o Supremo é uma corte acovardada, como já declarou em alto e bom som;
9 — estudar um meio de acabar com a Operação Lava-Jato;
10 — tirar uma foto (sorrindo) com o japonês da Federal;
11 — se declarar vítima da imprensa, da oposição, do Judiciário, da Polícia Federal, do Ministério Público e do Delcídio Amaral;
12 — visitar seu amigão Marcelo Odebrecht na cadeia e anunciar sua inocência;
13 — trocar o procurador-geral da República;
14 — mostrar à opinião púbica que o PT não tem nada a ver com a corrupção que inundou a Petrobras e outras estatais;
15 — vociferar contra o Ministério Público e acusar seus procuradores de não entenderem nada do que está se passando no país;
16 — juntar os cacos do seu partido;
17 — exigir de Dilma a revogação da Lei 12.850 de 2013, que trata da delação premiada;
18 — forçar o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central (que Dilma disse “estarem mais dentro do Governo do que nunca”) a pedirem demissão;
19 — jogar para o alto todas as medidas propostas por Dilma que tiram votos (reforma da Previdência, entre elas) e abrir o cofre das reservas internacionais (US$ 372 bi);
20 — ordenar a Dilma que não diga nada, não faça nada sem lhe consultar antes;
21 — proibir no Planalto fofocas e comentários sobre o tríplex e o sítio (incluindo pedalinhos);
22 — jurar de pés juntos que as milionárias doações para as campanhas do PT (e aliados) de 2010 e 2014 foram feitas dentro da lei;
23 — transferir as investigações da PF para, digamos, o Corpo de Bombeiros;
24 — salvar a própria pele.
OBS: Sugiro aos leitores que recortem esta lista, preguem-na na parede e vão ticando nas tarefas à medida que forem cumpridas.
Carlos Eduardo Novaes é escritor 24/03/2016 - DO R.DMOCRATICA

terça-feira, 22 de março de 2016

Decisão de Teori Zavascki que blinda Lula mostra ao País a parcela acovardada do STF

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Quando Lula, o ainda quase ministro, esculhambou o Judiciário ao dizer que o “STF está acovardado”, não o fez de forma generalizada, mas foi um recado para quem a carapuça parecia ser sob medida. Nesta terça-feira (22), ao decidir que as investigações sobre o ex-metalúrgico ano podem mais ficar sob a responsabilidade do juiz Sérgio Moro e devem voltar imediatamente ao Supremo Tribunal Federal, Zavascki provou que as críticas chicaneiras, que levaram Celso de Mello a reagir de forma dura e contundente, tinham endereço certo.
Blindar o responsável pelo período mais corrupto da história brasileira sem qualquer justificativa é o golpe que os petistas tanto sonhavam. Lula, que não tem direito a foro privilegiado, agora está protegido pelo STF, instância máxima da Justiça nacional cujos magistrados atuais, em sua maioria, foram indicados pelo governo bandoleiro do PT.
A Constituição Federal, cujo guardião deveria ser o STF, ao longo dos anos vem sendo interpretada de acordo com a necessidade do “cliente”, dependendo do ministro que está incumbido de relatar determinado processo. O que não significa que os outros juízes da Suprema Corte concordem com a bizarrice interpretativa de alguns.
Essa flexibilização na interpretação da legislação começou a ganhar força por ocasião da Operação Satiagraha, quando o STF decidiu que presos que não oferecem riscos não pode ser algemados. Isso porque, à época, um conhecido banqueiro oportunista, câncer maior da nação, acreditou estar acima da lei e de todos. E não aceitou o fato de ter sido algemado no momento da prisão. Desde então, os delinquentes do colarinho branco são tratados como excelências, como se devessem gozar de algum tipo de regalia.
A decisão de blindar Lula é um atentado não apenas à democracia, mas à isonomia que deve imperar no tratamento dispensado aos cidadãos comuns. E o lobista-palestrante Luiz Inácio da Silva é um cidadão comum, sem direito a qualquer privilégio.
Ao conceder a Lula essa deferência, o ministro Teori Zavascki reinventa a Constituição Federal, pois desde já está criada uma via que permitirá aos acusados requererem o mesmo tratamento. O ex-presidente é um malandro profissional que cultua a impunidade desde os tempos do regime militar, quando se valia da proximidade com os protagonistas de então para ter regalias na carceragem do antigo e extinto DOPS.
Nesta terça-feira, o Brasil assistiu a mais um capítulo do golpe, mas nem tudo está perdido, pois o plenário do STF poderá reverter essa decisão, caso algum recurso aterrisse na Corte nas próximas horas.
Considerando que a posse de Lula continua suspensa, essa benevolência de Teori Zavascki é mais uma aberração do Direito que o Judiciário nacional atira sobre a parcela de bem da sociedade, apenas porque é preciso atender aos anseios de um cidadão que estaria preso de o Brasil fosse um país minimamente sério.

Marcelo Odebrecht começa a depor em delação premiada

Por: Vera Magalhães
Odebrecht: enfim, a delação
Odebrecht: enfim, a delação
Marcelo Odebrecht cedeu. O herdeiro da maior construtora do país fechou um acordo para fazer delação premiada e começou a depor para a força-tarefa da Lava-Jato ainda antes da Xepa, a 26ª fase da operação, deflagrada nesta terça-feira.
A seguir a nota da empresa:
As avaliações e reflexões levadas a efeito por nossos acionistas e executivos levaram a Odebrecht a decidir por uma colaboração definitiva com as investigações da Operação Lava Jato.
A empresa, que identificou a necessidade de implantar melhorias em suas práticas, vem mantendo contato com as autoridades com o objetivo de colaborar com as investigações, além da iniciativa de leniência já adotada em dezembro junto à Controladoria Geral da União.
Esperamos que os esclarecimentos da colaboração contribuam significativamente com a Justiça brasileira e com a construção de um Brasil melhor.
Na mesma direção, seguimos aperfeiçoando nosso sistema de conformidade e nosso modelo de governança; estamos em processo avançado de adesão ao Pacto Global, da ONU, que visa mobilizar a comunidade empresarial internacional para a adoção, em suas práticas de negócios, de valores reconhecidos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção; estabelecemos metas de conformidade para que nossos negócios se enquadrarem como Empresa Pró-Ética (da CGU), iniciativa que incentiva as empresas a implantarem medidas de prevenção e combate à corrupção e outros tipos de fraudes. Vamos, também, adotar novas práticas de relacionamento com a esfera pública.
Apesar de todas as dificuldades e da consciência de não termos responsabilidade dominante sobre os fatos apurados na Operação Lava Jato – que revela na verdade a existência de um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país – seguimos acreditando no Brasil.
Ao contribuir com o aprimoramento do contexto institucional, a Odebrecht olha para si e procura evoluir, mirando o futuro. Entendemos nossa responsabilidade social e econômica, e iremos cumprir nossos contratos e manter seus investimentos. Assim, poderemos preservar os empregos diretos e indiretos que geramos e prosseguir no papel de agente econômico relevante, de forma responsável e sustentável.
Em respeito aos nossos mais de 130 mil integrantes, alguns deles tantas vezes injustamente retratados, às suas famílias, aos nossos clientes, às comunidades em que atuamos, aos nossos parceiros e à sociedade em geral, manifestamos nosso compromisso com o país. São 72 anos de história e sabemos que temos que avançar por meio de ações práticas, do diálogo e da transparência.
Nosso compromisso é o de evoluir com o Brasil e para o Brasil.

Lula, a bala de prata de Dilma, saiu pela culatra

Josias de Souza

Cinco dias depois de Dilma disparar sua bala prateada contra o impeachment, os próprios petistas reconhecem: a nomeação de Lula como ministro-chefe da Casa Civil saiu pela culatra. O governo radicalmente outro que o disparo pretendia criar não veio. Dissemina-se no Planalto e nos partidos supostamente governistas a impressão de que o momento para uma virada radical de expectativas já passou.
Dilma e seus devotos já não podem contar com a retórica do vamos lá, companheiros, para contrapor à realidade do mesmo governo descoordenado de sempre. Tudo ficou muito escancarado. Faltou algo que é essencial para o êxito de qualquer articulação política: o recato.
Lula virou ministro para asilar-se no STF. A plateia percebeu a manobra instantaneamente. Segundo o Datafolha, 68% dos brasileiros concluíram que o investigado só aceitou o cargo para fugir de Sérgio Moro. E 73% avaliaram que Dilma agiu mal ao oferecer refúgio no Planalto para o antecessor enroscado.
Sem outra alternativa, Sérgio Moro remeteu os autos sobre Lula para Brasília. Antes de abrir mão do caso, porém, o juiz levantou o sigilo do processo, disparando uma rajada de grampos que fez de Lula um cadáver político. O ministro Gilmar Mendes, do STF, suspendeu os efeitos da posse. E devolveu o corpo ao juiz-legista da ‘República de Curitiba’.
Na noite desta segunda-feira, o cadáver político de Lula jantou no Alvorada com Dilma e auxiliares. Mastigaram dados amargos. Pelas contas do Planalto, será renhida a disputa na comissão que processa o impeachment na Câmara. Há chances reais de derrota. O governo já se equipa para tentar reverter no plenário.
A liminar de Gilmar Mendes pode sobreviver à Páscoa, esticando e aprofundando o desgaste. Tomado pelo que diz em privado, nem Lula se apega mais ao mito de Lula. Ele também está, pragmaticamente, escolhendo o discurso do possível: ou o governo segura o PMDB ou será difícil deter a derrocada. E o PMDB, que fareja a perspectiva de poder que exala de Temer, parece não querer nem conversa.